Notas iniciais
HELLO FOLKS I RETURNED LIKE A PHOENIXXXX

"Sorry for making you feel like I'm standing on the borderline"

– Seu cabelo ainda está desarrumado. — ri, puxando seus ombros para que ele ficasse quieto — Não se mexa, ok?

Ele cruzou os braços, fazendo um beicinho adorável. Peguei-me observando suas expressões, tão parecidas com o do pai. Os olhos verdes me encararam de volta, esperando pelas minhas ações.

Ajeitei seus cabelos com os dedos e me afastei para ver como havia ficado.

– Está muito bom. — elogiei

Ele se levantou do puf roxo e se olhou no espelho.

– Eu sou bom, mamãe.

Soltei uma gargalhada.

– Quem te disse isso, garoto?

– Papai sempre diz isso.

Meu sorriso diminuiu gradativamente e eu assenti. A porta se abriu, observei Thalia entrar com um vestido longo preto, seus cabelos com mechas castanhas estavam presos em um coque arrumado.

– Eu ia pegar um táxi. — resmunguei

Meu vestido vinho também era longo e diferente dela, meu cabelo descia em uma cascata apenas em um lado do ombro. Eu estava elegante, percebi. Harry pulou nos braços de Thalia que abriu um enorme sorriso, brincando com seu cabelo. Merda.

O garoto de cinco anos era mais paparicado do que eu pude ser durante toda minha vida. Claro, que criança não seria com um pai rico e não-presente, além de três tios babões? Sem contar nos avós. A educação dele era a parte mais importante para mim, de certa forma, ainda achava que aquilo poderia afetá-lo de um modo ruim.

Coloquei na minha cabeça que as coisas na exposição seriam rápidas. Não queria ficar muito tempo no mesmo lugar que o pai do meu filho. Era inútil e só me faria sofrer depois.

Ajeitei meus ombros e fiz Harry descer do colo de Thalia.

– Não me venha com essa cara ridícula.

– Eu já disse que tinha muito o que fazer, ok? Não tenho tempo de apreciar porcaria de fotos.

Harry agarrou minha mão.

– Papai disse que as fotos são importantes. — ele piscou os grandes olhos, a raiva desapareceu de imediato com um sorriso

– Papai é louco. – afaguei seu queixo com o sorriso sereno que aprendi a dar ao longo dos anos – Lembra disso também? – Harry revirou os olhos, ainda emburrado e assentiu — Vamos?

O caminho do meu novo apartamento para o galpão de onde seria a exposição era relativamente longo. Harry era inquieto e a cada segundo, conseguia achar algo novo no carro de Nico que sorria, paciente, tentando explicar. Luke, ao meu lado, brincava com ele sempre que passava dos limites.

Eu não precisava do pai dele. Nem ele.

– Onde está seu namorado? — Thalia perguntou, de repente

– Ele viajou! — Harry avisou, imitando o som de um avião — O avião que ele foi era muuuuuito grande.

– Imagino, pare de mexer nisso. — Luke murmurou, agarrando as pontas de seu pequeno paletó

Harry gargalhou e fez uma cara feia para Luke, agarrando seus ombros como se fosse começar uma briga.

Eles eram minha pequena família desde a separação. Nico havia conseguido convencer Thalia de que eles eram um casal e de que se mereciam, até Luke ficou super feliz quando eles anunciaram que estavam noivos. Luke estava com um rolo com uma modelo, algo como Georgia. Não parecia o certo, mas ele gostava dela, então estava tudo bem. Aprendi ao longo dos anos que você devia deixar sua vida mais prática.

E havia meu "casamento" fracassado. Maldito seja o momento em que aceitei morar com aquele imbecil. E eu odiava admitir que ainda gostava dele. Depois que ele noivou com uma modelo e namorou outras trezentas, ouvi dizer que ele havia ficado solteiro.

Claro. Grande exemplo para filho.

Chegamos à exposição repleta de fotógrafos, críticos e jornalistas. Segurei firmemente a mão de Harry enquanto adentrávamos o galpão.

Como era de se esperar, estava lotado. Tivemos que empurrar algumas pessoas, desviar de outras e enfiarmo-nos na primeira ala – a qual não tive tempo o suficiente de observar já que os olhos de Percy caíram sobre nós. Procurei Thalia, apenas vendo Luke conversando com outra pessoa. Droga, estávamos sozinhos. Ele afastou a jornalista com quem estava falando, vindo em nossa direção. Seu primeiro movimento foi tirar Harry do chão e coloca-lo em seus braços.

– Campeão! Papai sentiu saudades. — ele bagunçou os cabelos dele novamente.

Revirei os olhos.

– Eu também! Quando vamos pescar de novo?

Percy gargalhou, como se fosse uma boa lembrança. Juntos, eles eram idênticos, como um Percy em uma versão menor. Harry não tinha nada a ver comigo, além talvez da velha mania de ser teimoso, o que me irritava, às vezes.

– Logo, campeão. Annie. — ele meneou a cabeça, educado — O que acha da exposição?

– Harry? O papai precisa resolver coisas do trabalho, ok? Vamos deixá-lo em paz um pouco?

– Ma-mas... — seu lábio inferior tremeu, como se fosse chorar

Percy o apertou contra o próprio corpo, me olhando de esguelha.

– Nunca estou ocupado para meu filho, Annabeth.

– Esteve por muito tempo. — retruquei — Harry? Você vai ficar com o papai hoje, lembra? Vai dormir com ele, tomar café da manhã e vão pescar, por enquanto ele precisa trabalhar. Vamos deixá-lo em paz.

Harry assentiu, pensando se ficava emburrado ou triste. Sua expressão arrasou meu coração, mesmo assim, peguei-o no colo enquanto ele brincava com as pérolas que enfeitavam o decote de meu vestido, apoiando a bochecha em meu ombro.

Por vários minutos, senti-me arrasada e culpada. Talvez a culpa fosse minha. Tirei tal coisa da cabeça antes que eu voltasse lá, tentando agir como uma família que não éramos. Andei rapidamente para longe de Percy, respirando com facilidade.

– Ah! Onde Percy vai, mil pessoas vão atrás. Posso ficar com o Harry um pouco? Daí, você pode ver as fotos.

– Não me importo em ficar com ele. — rebati para Thalia

– Eu também não.

Thalia o tirou dos meus braços com um sorriso, tentando fazer Harry repetir sua expressão.

– O que aconteceu com ele? — indagou, visivelmente preocupada

– Quero ficar com o papai. — cruzou os braços, emburrado

Sem contar que Thalia achava que a culpa de Harry não ficar com o pai também era minha. Sabia que ela tentava fazer o papel de melhor amiga, no entanto na maioria das vezes, ela gostava de deixar claro que eu queria manter Harry longe dele a qualquer custo.

Bem, se Percy fosse um bom exemplo, eu não precisaria manter meu filho longe dele.

– Vamos procurar o papai. – prometeu e saiu

Um garçom passou com champanhe. Bebi um rapidamente, pegando outro. Eu precisava disso para sobreviver por mais uma noite.

Fui a primeira ala. Lembrei-me de ter levado Harry para se despedir de Percy quando ele pegou o avião para a África para procurar mais inspiração.

Ele era muito bom. Sempre fora. Observei a foto de uma mulher com um sorriso enorme, carregando um bebê.

Eu poderia enfrentar isso. Pelo meu filho. Por Harry.

Cruzei os braços, depositando a taça na bandeja de outro garçom, analisando a outra foto. Era de uma família a longa distância e Percy estava agachado, como se conversasse com um garotinho, a foto estava levemente tremida.

– Um garotinho de cinco anos tirou essa foto. — soltei a respiração, forçando-me a ficar calma — Me lembrou Harry.

Assenti, fingindo desinteresse embora mil e uma acusações viessem a minha mente.

– E precisamos falar sobre ele.

Encarei-o por cima do ombro, confusa.

– Ele está ótimo. Só sente sua falta, mas pode superar isso.

Percy franziu o cenho, ocupando o lugar ao seu lado.

– Não tem mais o que fazer do que ficar com sua ex?

Ele abriu um sorriso de canto.

– De verdade? Você é a melhor companhia aqui.

Revirei os olhos.

– E preciso falar com você sobre Harry. Pode me acompanhar?

Assenti. O único assunto que tínhamos era Harry ou quando queríamos nos alfinetar. E embora não gostasse que ele ficasse muito tempo com meu filho, eu tinha que suportar e aceitar o fato que ele também era o pai, mesmo que não agisse como um. Percy desviou de alguns jornalistas e críticos até que me vi atrás de uma cortina espessa que fazia um corredor estreito. Cruzei os braços, ficando no canto do corredor enquanto Percy me encarava.

– Por que tirou meu filho de mim?

Ri, amarga.

– Não tirei meu filho de ninguém, Percy.

– Não é só seu filho! — ele gritou, irritado

Assustei-me. Alguém poderia nos ouvir. Percy avançou até mim, ficando a centímetros de distância. Perguntei-me qual foi a última vez que ele esteve tão perto e porque a barba dele estava mais espessa... Pare de pensar nele. Isso. Tinha que parar.

– Eu amo você. — ele sussurrou depois de alguns minutos

Arqueei as sobrancelhas, confusa e assustada com o que ele havia dito. Não consegui fazer meu cérebro processar uma frase irônica que sempre dizia quando ele tentava me galantear com aquilo. Nos últimos três anos, ele tentava fazer a mesma coisa, infelizmente ele sempre havia ultrapassado a parte sã. Respirei fundo, tentando ignorar uma de suas mãos que me empurrava até minhas costas baterem com força contra a parede. Soltei um gemido de dor, tentando afasta-lo de mim.

– Me. Solte. — grunhi de volta

– Eu fiquei a porra de quatro anos sem dormir ao seu lado, Annabeth. Quatro anos sem estar perto das pessoas que mais amo do mundo. Você me privou de ter uma vida com meu filho!

– Eu privei? — soquei seu peito, sentindo minha garganta fechar, não iria chorar, não na frente dele e não por ele — Você me deixou seis meses grávida! Sozinha! Naquele apartamento enorme! E quando eu estava prestes a ter Harry, você sumiu e eu tive que ligar pro seu pai!

– Eu não sumi! Eu estava resolvendo coisas da exposição.

– Ah, era? — engoli em seco — Você sempre está resolvendo coisas da exposição. Deve ser por isso que sente falta do Harry.

Ele me encarou por um tempo. Seu rosto estava vermelho, ele crispou os lábios aproximando-se ainda mais.

– Você se arrepende de ter me incentivado, não é?

– Claro que não! — tentei empurra-lo de novo, mas ele continuava como uma rocha — Você é ótimo no que faz e já deixei isso claro milhares de vezes. Agora, se me der licença.

Percy agarrou minha nuca e me beijou. Debati-me em seus braços, tentando me manter longe, tentando gritar um inaudível “não”. No entanto, em resposta, ele apenas pressionou ainda mais o próprio corpo contra o meu, inibindo a minha razão de empurrá-lo e acentuando aquele maldito desejo que ainda gritava e ansiava por ele.

– Seu imbecil! — grunhi quando ele se afastou

Ele segurou meus punhos cerrados e arqueou as sobrancelhas.

– Preste atenção. Eu preciso de você.

– Não, não precisa. Você tem sua namorada. Qual nome dela mesmo?

Percy se afastou milimetricamente, assustado.

– Era Jane. E eu terminei com ela há mais de um ano.

Senti minhas bochechas esquentarem e puxei minhas mãos, cruzando meus braços. Não era o momento para aquilo. Não era. Forcei-me a manter meus olhos abertos e não demonstrar fraqueza. Por que ele tinha que fazer aquilo agora? Naquele momento? Por que ele não podia me esquecer e deixar-me com meu filho? Por que ele sempre tinha que atrapalhar tudo?

– E o seu namorado?

– Ele está viajando.

– Estão namorando ainda?

– Sim.

– Não. — Percy riu — Você não está. Todos vão, lembra? Eu fui o único que fiquei, por que não admite isso?

– Seu idiota! Me deixe ir! — debati-me entre seus braços

Percy me apertou ainda mais, segurou meu queixo com força e me obrigou a encarar seus olhos.

– Estou farto disso. Estou farto dessa brincadeira de quatro anos. Eu amo você e sabe disso, por que não consegue colocar isso na sua cabeça?

– E por que veio falar sobre isso agora?

– Porque não consigo mais não tocar em você. – sua voz ainda estava firme — Ou você volta para nossa casa até amanhã ou eu entro com processo para ficar com Harry.

Sua fala me pegou de surpresa. As lágrimas finalmente saíram. Ele poderia fazer aquilo, não podia? Claro que podia. O choro, que havia ficado preso em minha garganta desde que ele me colocara contra seu beijo, me atacou rapidamente, fazendo meus ombros balançarem. Escondi meu rosto entre as mãos enquanto deixava todo o choro se esvair de mim.

Eu odiava Percy. Odiava o poder que tinha sobre mim e odiava ainda mais o fato de que eu ainda o amava.

Pensei em Harry, em seu resmungo cansado pela manhã e de como não conseguiria viver sem ver seus olhos verdes brilharem.

– Você... Não pode fazer isso.

Percy deu um passo para trás, surpreso. Então, seus braços que antes me apertavam, me abraçaram, embalaram.

– Céus, me perdoe, Annabeth.

– Você é um monstro!

– Eu sinto muito, Annie. Só quero você de volta. E estou pronto para fazer qualquer coisa por isso. Simplesmente porque não aguento mais acordar e você não estar deitada comigo. É torturante. – ele sussurrava, como uma prece, enquanto deslizava as mãos em minhas costas nuas

Os sentimentos do beijo ainda reviravam em meu estômago, em seguida veio um forte desejo. Ignorei-o também.

– Não há volta. — decretei, afastando-me dele

– Há, sim. Eu largo tudo isso por vocês dois.

– Não quero que largue nada por ninguém. — fechei os olhos com força — Me deixe ir, Percy.

– Não posso deixar você ir de novo. De novo. E de novo. — ele socou a parede ao lado de meu rosto, meu corpo vibrou — Não posso e não vou perder meu filho e você.

– Você me perdeu quando me deixou sozinha, com desejos e redonda em uma cama de casal, como se fosse uma mãe solteira.

Percy entendeu o recado e se afastou levemente, o que foi o suficiente para eu sair de seu abraço. Seus olhos piscaram. Pensei em pedir desculpas e abraça-lo novamente, pedir – ou implorar – para que ele não me deixasse ir. Ergui o queixo, contudo, e marchei para longe dele.

Do outro lado, duas sombras apareceram junto com risadas.

– Papai? Mamãe?

– Papai não está, querido. — alcancei Harry e Thalia

Minha amiga me encarou com as sobrancelhas arqueadas. Inclinou-se sobre mim a fim de limpar ao redor dos meus lábios. Harry estava em pé, pulando ao nosso redor.

– O vovô disse que tem um jantar na casa do papai! Você vai, mamãe? Mamãe! — ele gritou, puxando a barra do meu vestido

– Harry! Não faça isso! — segurei sua mão — Vamos procurar o papai, ok?

Thalia franziu o cenho, adquirindo aquela expressão "sei o que aprontou e vou descobrir".

– Pode ir com o Harry. Poseidon está esperando você.

– Está na hora do Harry dormir. Ele não poderá ficar muito tempo por lá.

– É só uma despedida. Vai ser rápida. Vá. — me enxotou com um balançar de mão enquanto eu procurava Nico para me ajudar a suportar a família de Percy.

A primeira que me encontrou foi Sally.

Ela rodopiou com Harry, acariciando meu ombro.

– Você está linda, querida. Viu Percy por aí?

– Não, Sally. Ouvi dizer que vai ter um jantar na casa dele, não é?

Ela revirou os olhos, apontando por cima do ombro.

– Poseidon quer passar mais tempo com a família. Sabe como é. Cada vez mais velho. Harry! Venha com a vovó. Não há problema se ele for em nosso carro, há?

Meu filho saltitou, aparentemente feliz.

– Claro que não. – acariciei sua bochecha – Se comporte, ok? Logo, logo mamãe chega lá.

Yuuuup! – ele gritou, puxando Sally para longe

E lá vou eu. Só mais uma noite. Por Harry.

***

– O que ele disse? – Thalia insistiu

Beberiquei meu suco, observando Harry brincar. Ele espirrou. Respirei fundo, logo, logo eu teria que dar-lhe um remédio e coloca-lo na cama. Se ele fosse passar o resto da semana com Percy, no mínimo, ele me ligaria desesperado para saber o que fazer caso ele ficasse doente.

– Nada demais.

– Ele disse algo importante, sim. Ele estava chorando. – ela repetiu pela milésima vez

Percy chorar não era mais uma surpresa para mim. Ao longo dos anos, percebi que ele chorava com mais frequência do que qualquer homem com quem eu já havia ficado em minha vida. Ele era sensível. Chorou na primeira vez que pegou Harry nos braços, chorou quando eu saí de casa com Harry, chorou quando teve a primeira ressaca porque me queria de volta a qualquer custo. Ele apenas chora, como se suas lágrimas fossem resolver todos os problemas.

Às vezes, conseguia.

– O mundo não vai acabar.

Deixei o copo em cima da mesa de jantar. Grata por Poseidon ter ficado cansado o suficiente para fazer Harry sentar.

Thalia ficou na minha frente antes que eu começasse meus passos para pegar Harry e coloca-lo em seu quarto temporário.

– Você tem que parar com isso. Harry também é filho dele mesmo que vocês não se gostem mais.

– Eu o amo. – interrompi, respirando fundo – E você sabe disso, mas eu não vou voltar para ele.

– Por quê? – continuou a insistir

– Porque ele não é o tipo de cara que quero para mim. Ele tem que aprender a ficar comigo, Thals. Você sabe o que aconteceu, então não venha querer protege-lo, ok?

– Sei o que aconteceu e acho que você tem que parar de ser uma puta amargurada. Você errou, ele também errou. Vocês deveriam engolir a droga desse orgulho estúpido e ficarem juntos.

– Você não faria isso. – resmunguei, tentando me afastar dela

– Não. – ela assentiu, dando um passo para o lado – Eu não tenho um filho.

Dessa vez, ela se foi.

Faltam poucos minutos. Por Harry.

Abri os olhos, renovada. Do outro lado, Percy conversava com um dos seus amigos, seus olhos estavam focados em mim e perguntei-me por quanto tempo ele continuaria em Nova York até conseguir outra distração e me deixar em paz.

Fui até o sofá onde pude ouvir Poseidon contando uma de suas histórias extraordinárias. Quando cheguei perto, ele abriu um sorriso de escárnio.

– E essa é a mulher mais durona de Nova York.

– Obrigada. – sorri, educada, sentando ao lado de um Harry que segurava mais um espirro

Poseidon inclinou a cabeça.

– Não era um elogio.

– Bem, eu trato como um.

Em seguida, ele abriu um sorriso enorme.

– Por isso que você é a mãe do meu neto. Você é durona, mulher.

– É o que dizem, Poseidon. Agora, terei que levar seu neto para dormir.

Ahhhh, não. – Harry resmungou, embora tenha apoiado a cabeça em meu peito, seu corpo pequeno se encolhendo dentro do terno

– Ah, sim, garotinho. – Poseidon cutucou sua perna – Você tem que dormir. Vamos pescar amanhã e você precisa estar mais forte que o vovô aqui.

Harry assentiu com um sorriso distraído.

– Onde está o papai? Quero dar dizer boa noite a ele.

Poseidon me encarou. Talvez buscando a resposta que eu fosse dar ou simplesmente esperando minha reação.

Mal sabia ele que eu já estava muito acostumada com isso.

– Papai está trabalhando.

– De novo? – Harry cruzou os braços e apontou para o outro lado da sala – Mas ele nem está no avião! Ele está bem ali!

– Ei. Harry. Ele está trabalhando. Logo, logo ele vai subir e te dar um beijo de boa noite. Você é o campeão dele, lembra? Ele não vai esquecer de você.

Harry me encarou por alguns instantes, processando minhas palavras. Em seguida, assentiu, ficando de pé.

– Podemos ir, então.

Os olhos de Poseidon eram atentos enquanto eu me levantava.

– Você é durona, mulher.

Assenti, com um sorriso sereno.

– Obrigada, Poseidon. Tenha uma boa noite.

Procurei Nico e Luke, dando um breve boa noite a eles. Thalia avisou que, talvez, dormisse em um dos quartos de hospedes, convidando-me para fazer-lhe companhia já que os outros (Nico, Luke e Percy) sairiam. Franzi o cenho e assenti. Teria que ficar de qualquer maneira, quem ficaria com Harry, afinal?

Subimos as escadas até o final do corredor onde era o quarto dele. Estava escuro e limpo, como sempre estava. A colcha havia sido trocada por uma de foguetes, liguei o abajur do lado da cama e fechei a porta. Tentei dar banho em Harry – o que foi difícil com o vestido que estava –, peguei um de seus pijamas e o deitei na cama.

Harry ficou me olhando enquanto eu tentava delinear os fios revoltos de seus cabelos negros.

– Papai vai vir? – ele piscou os olhos, bocejando

Toquei sua testa, tentando ver se ele estava com febre.

– Aham.

Ele sorriu com os olhos fechados.

– Gosto de ver você e o papai juntos, mamãe.

Afaguei seu braço, beijando sua testa.

– Mas papai e mamãe não conseguem ficar juntos. – toquei seu nariz com um sorriso – Só com você.

Harry me acompanhou e abriu um dos olhos, sentando-se de repente. Ouvi aquele leve e longe click, meus ombros ficaram tensos e olhei por cima do ombro apenas para notar Percy apoiado na soleira da porta com um sorriso enorme, a câmera na altura dos seus olhos.

– Essa foto foi a mais bonita da noite.

– Eu sabia que você ia vir! Pode me colocar para dormir, certo? Por favor?

– Claro que posso, campeão. Só se a mamãe nos fizer companhia, será que ela faz?

Harry bufou, voltando-se a deitar.

– Claro que faz, ela é minha mãe.

Ri, ouvindo Percy soltar uma gargalhada atrás de mim. Ele sentou-se ao meu lado, beijou a testa de Harry e afagou seu braço.

– Gostou da noite?

– Eu bebi um pouco daquelas bolhas! Tio Luke disse que eu não podia dizer a você, mas é gostoso.

Revirei os olhos. Percy ainda tinha um sorriso.

– Sério? O que mais aconteceu?

– Hm... Muita coisa, mas estou cansado. Posso contar amanhã?

– Pode. Mas vai ter que acordar cedo porque se foi muita coisa, eu quero saber de tudo.

Harry assentiu, extasiado. Então, virou-se para mim.

– Chega de remédios?

– Chega de remédios. – confirmei – Agora durma, ok? Amanhã será um dia cheio.

Esperamos em silêncio, afagando Harry ou comentando algo sobre a noite o mais entediante possível para que ele caísse logo no sono. Não demorou muito, no entanto. Enrolei-o em sua colcha, deixando a porta semiaberta. Eu e Percy nos retiramos fazendo o maior silêncio possível.

Olhei para a sala onde não havia ninguém. Por que as pessoas tinham ido embora tão cedo? Comecei a andar, ouvindo os passos dele atrás de mim.

– Deixe-me explicar. Deixe-me falar com você.

– Você viu Nico?

Ele agarrou meu pulso. Novamente, no mesmo dia, ele me prendeu contra a parede. Seus olhos estavam fechados, ele os abriu lentamente e me encarou.

– Eu sinto muito. Sei que não vai mudar quando te deixei sozinha ou quando teve que ligar pro meu pai. E saiba que me culpo mais que qualquer coisa por não ter atendido um desejo seu enquanto estava grávida. Mas eu imploro que me perdoe, Annabeth. Porque toda vez que eu volto de viagem, a única coisa que quero ver é você. E não posso. E se você quiser, só é falar, eu largo a viagem e vou para aquela empresa. Trabalho o mais duro que puder, só para ver você e Harry no final do dia.

– Não quero você comigo, Percy.

– Sim, você quer. Admita isso e me diga o que tenho que fazer. – ele acariciou meu braço levemente

– Você não vai me ganhar com um beijo e palavras bonitas. Nunca me ganhou com isso.

Percy soltou um sorrisinho.

– Talvez com palavras bonitas... – ele cutucou minha cintura

Foi impossível não sorrir.

– É mais complexo do que imagina. Não quero que deixe de fazer o que ama. E não estou pronta para voltar para você.

– Só me dê uma chance. Hoje. Isso. Hoje, agora. Se você decidir que vai ficar comigo, vai ser tudo diferente.

– Como posso acreditar em você?

Sua mão subiu, ficando na base do meu pescoço, seu polegar acariciando minha bochecha enquanto seus olhos tentavam se manter focados nos meus.

– Porque eu sempre volto. E sempre voltarei.

Aquela maldita parte sensata continuava gritando: por que ele não fez isso há quatro anos?

Por sorte, a parte insensata agarrou o rosto dele e o beijou.

Em segundos, senti as mãos de Percy me tirarem do chão e nós estávamos cambaleando pelo o corredor em busca de meu antigo quarto. Ele abriu a porta com um pontapé, soltando-me para ligar as luzes. Em seguida, tirou o próprio paletó, desabotoando a camisa. Encarei a cama por cima do ombro.

– Não quero ficar aqui. – disse, firme

Percy franziu o cenho, os dedos parando de trabalhar.

– Por quê? É o nosso quarto.

Aquela expressão inocente voltou para seu rosto.

– Que você trouxe outras mil mulheres para cá. Se quisermos... Bem, eu quero tentar. Pelo Harry, ao menos...

Percy afastou alguns fios do meu rosto, jogando o resto do meu cabelo para trás de minhas costas.

– Annabeth Chase, eu quero dizer para você que nenhuma outra mulher chegou a pisar nesse quarto. Durante esses malditos quatro anos, eu fui o único a dormir nessa cama.

Arqueei a sobrancelha, cruzando os braços.

– Por que acreditaria em você?

Ele beijou minha testa, colocando vários fios para trás.

– Porque é a verdade. Não sou tão cafajeste assim. Onde paramos mesmo?

Senti seus dedos frios deslizarem pelas minhas mangas. O vestido caiu até minha cintura enquanto eu voltava a tentar não pensar em nada além de seu peito abaixo de minhas mãos. Percy empurrou minhas pernas até que estivesse em cima de mim com meia parte do vestido caído.

Eu sentia amor.

Era apenas isso.

Um sentimento grandioso de amor que me invadia a cada vez que ele me tocava. Como eu sentia falta daquilo. Como eu estava sendo boba, fraca, mas eu o queria. Eu o queria mais do que queria o respeito da minha parte sensata. Eu queria Percy com tal força que não conseguia imaginar ficando longe dele daquele momento em diante.

Os seus beijos se demoraram em meu busto até que suas mãos já tivessem tirado toda minha e sua roupa. Percy nivelou nossos rostos.

– Vai ficar tudo bem a partir de agora. – murmurou

Soltei um prolongado gemido, tocando seu rosto suado.

Droga de amor. Agarrei-me ao seu pescoço. Percy beijou-me, movendo-se lentamente, como se pudesse me perder caso parasse ou fosse muito rápido. Mordi o lábio inferior, trancando um gemido alto quando ele enfiou as curtas unhas em minha coxa.

Percy continuou se mexendo, dessa vez mais rápido, seus olhos estavam focados em mim, em minhas reações. O suor fazia com que nosso corpo se movesse com mais facilidade.

Tudo poderia ficar bem agora. Percy penetrou-me profundo, forte. Fechei os olhos, aproveitando a sensação de tê-lo em mim, de ter seus lábios grudados no meu naquela promessa silenciosa de que aquilo poderia ser para sempre. E eu queria que fosse.

Meu corpo conheceu aquela sensação extasiante de poder estar no paraíso. Percy apoiou uma das mãos ao lado do meu ombro, soltando um rosnado baixo antes de afundar-se em mim em uma última estocada. Suspirei, ao sentir a mesma sensação.

Ele desabou ao meu lado, puxando o lençol levemente sobre nossos corpos.

Virei-me, encarando-o. Percy tinha um sorriso pequeno nos lábios rosados. Soltei um suspiro.

– Não, não. Não pense. Só sinta. Sinta a melhor transa em quatro anos e não me venha dizer que já teve melhor.

– Você sabe que... – aconcheguei-me aos seus braços

– Que sou o melhor cara do mundo? Senti sua falta, Annie. – ele beijou meu queixo

– Tudo poderia ser diferente se...

– Não. Chega de passado. Vai ser tudo diferente.

Assenti, deitando minha cabeça em seu peito. Podia ser tudo diferente. Percy afagou minha cabeça, deslizando os dedos entre meus cabelos embaraçados. Seu carinho era leve, lembrei-me de centenas de noites que ele fez a mesma coisa. Era a melhor coisa que eu poderia pedir.

***

Senti meu corpo se mexer levemente. Eu havia dormido com Percy. O que estava acontecendo?

– Hm... – ouvi seu resmungo ao meu lado – Já são dez horas?

– Papai... Papai... – a voz frágil me fez erguer-me levemente

Percy já estava sentado quando ergui minha cabeça, sonolenta. Ele tentava proteger sua própria nudez, enquanto eu me lembrava que tinha que segurar o lençol.

– Harry, o que aconteceu?

Harry estava na ponta da cama, os olhos esbugalhados e os lábios tremendo.

– Eu fui procurar a mamãe no quarto dela só que... Eu tive um pesadelo muito, muito ruim.

Pisquei os olhos com força.

– Foi? Sente-se aqui, venha. – Percy bateu na área entre nós

Harry aninhou-se em mim. Percy saiu discretamente para fora da cama. Ele vestiu a cueca perdida por algum lugar, voltando para seu posto em segundos.

– Conte-me o que aconteceu. – ele apontou para o chão onde sua camisa jazia amassada

Assenti enquanto ele virava Harry para ele.

Vesti a camisa rapidamente, tentando abotoá-la da melhor maneira possível. Voltei a sentar-me na cama, esperando calmamente até que Harry se acalmasse.

– Ele vinha... Ele tentava me pegar, foi horrível. Eu não quero voltar pro meu quarto. Estou com medo.

– Quem vinha te pegar, querido?

– Um homem. Ruim. Alto. – mexeu as mãozinhas no ar

Percy franziu o cenho com raiva.

– Isso é a televisão. Não foi nada de mais, campeão. Ele não vai vir nos pegar, ok? Deite-se conosco.

Harry piscou, assentindo e me encarou, como se tivesse me percebido ali naquele momento.

– O que a mamãe está fazendo aqui?

Percy sorriu, deliciado com a pergunta.

– A mamãe é a mulher do papai. Ele vai dormir comigo daqui em diante.

Harry franziu o cenho enquanto eu tentava voltar ao sono.

– Mas Luke falou que a mamãe era a mulher dele.

Abri os olhos para ver a reação de Percy: os lábios crispados enquanto chutava o lençol fino e buscava por um edredom.

– Ele disse? Bem, o papai vai ter uma conversa muito séria com ele.

– Vocês vão... Dormir juntos de verdade? Mamãe dormia junto com o Tom.

Percy revirou os olhos, tirando um edredom e nos enrolando.

– Mamãe vai dormir com o papai, Harry. Ok? – ele sorriu, afagando seu ombro – Por que não vamos dormir agora?

Harry assentiu, meio sonolento. Puxei-o para perto de mim, afagando seus cabelos. Meu filho se aninhou em meu corpo, senti os pés gelados de Percy tocarem os meus, seu braço nos envolveu em um abraço seguro. Harry ronronou baixinho, fazendo seu pai rir.

– Temos dois gatos aqui, hein. – brincou

Harry não pareceu ouvir, continuou a fingir que estava dormindo.

Suspirei, com um sorriso. Talvez fosse certo. Talvez desse certo.

Deixei o sono voltar a me invadir como aquela luva maravilhosa, aninhada com as duas pessoas que eu mais cheguei a amar. Pareceu um momento perfeito.

Harry se remexeu em meus braços, virando-se de modo que ficasse de frente para Percy. Ele continuou se mexendo por algum tempo até que eu me afastasse para vê-lo sentado.

– Eu não consigo dormir. – resmungou, emburrado

Percy respirou fundo, erguendo a cabeça apoiado no cotovelo.

– Por que?

Harry espirrou fortemente, ele escondeu o rosto nas suas mãos. Sentei-me, depressa, verificando sua temperatura. Soltei um suspiro de alívio ao perceber que ele estava bem.

– O que aconteceu? – Percy acompanhou-me, preocupado

– Já passou. – Harry afastou minhas mãos e parecia sonolento, meio abatido – Não quero sonhar com o homem malvado de novo.

– Querido. – murmurei, afastando seus fios suados da testa, Harry abaixou os olhos – Esse homem, quem quer que seja, não vai me afastar de você. Eu estarei aqui, lembra?

– Sempre, sempre. – Harry repetiu

Percy apareceu ao meu lado. Pude ver seus olhos brilharem, deslumbrados. Ele inclinou-se sobre Harry, afagando seu ombro.

– Eu também estarei aqui, garotão.

Harry exibiu um sorriso tímido, bocejando.

– Ele vai ficar bem? – Percy apoiou o queixo em meu ombro, murmurando

– Ele só esteve doente ultimamente. A droga de mudança de temperatura.

– Sinto muito.

Meneei a cabeça, sorrindo. Percy beijou a ponta do meu ombro, erguendo o edredom até sua barriga.

– E Harry, o que acha de ver uma briga? Imagina só: esse homem vai vir e o seu pai maravilhoso aqui vai surrar aquele cara com esses punhos perfeitos! – fingiu dar socos no ar, meu filho gargalhou

– Não pode ensinar isso para o garoto. – bati em seu ombro

– Ele tem que aprender a se defender. – Percy riu de novo, enfiando os dedos nos cabelos de Harry – Agora, vamos dormir? Eu e sua mãe estamos muito cansados. E amanhã ainda vamos pescar.

Percy voltou a tentar deitar. Harry ficou em pé na cama, pulando, alegre.

– Vamos ver as estrelas! Papai! Por favoooor! – pediu

– Harry! Pare de pular! Ei, vem aqui! – puxei seu braço, ele caiu sobre mim, Percy gargalhou, logo em seguida, grunhi – É bom que alguém esteja se divertindo.

– Você fica linda fazendo o papel de mãe brava, já disse isso? – Percy se inclinou, beijando meus lábios em um selinho rápido, então saiu da cama – Ok, vamos lá, campeão, vamos ver as estrelas.

– Eba! Vamos, mamãe. São muitas estrelas. Você pode pegar uma com a mão se for muito boazinha. – ele fez um beicinho fofo – Eu nunca consigo.

– Você é um garoto maravilhoso, Harry, as estrelas que são teimosas demais. – Percy revirou os olhos

Ele foi até seu closet do outro lado, saindo de lá com uma camisa branca e uma cueca limpa que jogou para mim com um piscar de olho.

– Estamos te esperando lá fora.

– Eu quero dormir! – resmunguei, tentando me aninhar aos lençóis

– Mamãe é sempre chata, mas você se acostuma, papai. Ela fica boa depois de tomar café.

Percy gargalhou.

– Eu sei, filho. Ela sempre foi chata comigo.

Harry saiu, comentando como eu era mal humorada pela manhã. Franzi o cenho embora um sorriso estivesse estampado em meus lábios. Eu estava fazendo o certo, definitivamente.

Percy não poderia ser o melhor pai do mundo ou o melhor exemplo, mas era o cara que eu amava e o único que eu escolhi para ser pai do meu filho. Ele era meu cara.

Vesti a cueca, amarrando-as pelo lado para que eu conseguisse andar sem que ela atingisse meus pés.

Abri a porta apenas para ver a cena mais adorável do mundo: Harry nos braços de Percy que falava algo que parecia muito importante enquanto tocava-lhe a costela, meu filho brincava com os próprios dedos e um sorrisinho de canto.

Percy ergueu os olhos.

– Ah, a Annie chegou. Vamos lá pro terraço?

Harry assentiu, apoiando a bochecha no ombro de Percy enquanto íamos pegar o elevador para o último andar do prédio. Harry começou a contar, ainda apoiado no ombro do pai, sobre a primeira vez que eles vieram para o terraço.

–...ela estava tão perto. Por que ela não poderia pular na minha mão? – ele resmungou

Percy riu, afagando suas costas.

– Talvez uma estrela pule em sua mão. – Percy empurrou a porta que dava para a escada com o pé – Como a sua mãe pulou na minha.

– Eu não pulei na sua mão. – retruquei

– E a mamãe não é uma estrela. – Harry ergueu levemente a cabeça

– Você vai saber que era, um dia.

Harry bufou, voltando a falar sobre a estrela. Atingimos o terraço. O frio me atingiu como um chicote, o que eu deveria ter notado, claro, já que eu estava apenas com uma blusa social. Aninhei-me ao fino tecido.

– Não vamos ficar muito tempo, ok, Harry? Você já está resfriado, não vai ser bom ficar muito tempo. – Percy avisou assim que ficamos ao centro do terraço

Era incrível. Eu havia morado ali por algum tempo e nunca tive a curiosidade de visitar o terraço. Coloquei em minha cabeça que iria ali mais vezes. Nova York, dali, parecia uma árvore de natal. Cruzei os braços, sentindo o braço de Percy rodear minha cintura. Apoiei minha cabeça em seu ombro enquanto Harry erguia a cabeça para o céu.

– Elas são tão bonitas. E brilhantes. – sussurrou – Por que não posso ter uma?

– Coisas perfeitas demais tem que brilhar para outras pessoas, garoto, não só para você. – Percy disse

Harry continuou focado no céu. Percy apertou a mão em minha cintura, beijando o topo de minha cabeça.

– Eu amo vocês. – ele murmurou, como uma prece para si mesmo – Não vou deixar vocês irem nunca mais.

Ergui os olhos para observar as estrelas. Elas não eram tão brilhantes, mas para alguém que crescera em Nova York e mal podia ver as estrelas, aquilo parecia um máximo. Harry soltou um longo suspiro, abraçando o pescoço do pai, como se fosse dormir.

– Acho que é um aviso para irmos. – ele sorriu para mim – Você está tremendo. Vamos, ande.

Não percebi que estava tremendo até ele cutucar meu braço. Continuei parada. Percy deu dois passos até me olhar por cima do ombro, exibindo um sorriso calmo.

– Ele pesa, sabia? O que houve? – perguntou, virando-se completamente e parecendo realmente preocupado

– Eu amo você. – falei, a voz saiu como um sopro sob o vento

Percy assentiu com um sorriso no rosto.

– Eu sei, Annie. Pode falar isso quando estivermos no aquecedor? Harry está tremendo também.

Apressei o passo, afagando as costas dele. Percy continuou parado, ele segurou minha nuca, me beijando do melhor jeito que conseguia.

– Eu vou proteger vocês e nunca mais vou deixa-los sozinhos. Eu juro, Annie.

– Sei que vai fazer o certo. Pelo menos, espero. – acariciei seu rosto

– E vou deixar o pelo do peito crescer. – ele piscou, abraçando meu ombro enquanto cambaleávamos até a escada – E vou comprar uma fazenda. E você tem que fazer a mudança.

– Uma coisa de cada vez.

– Você vai se mudar, certo?

– Quero o bem de Harry. – respondi – E quero meu bem. E nosso bem é ao seu lado. Sei que vai dar seu máximo por nós.

– Mais que o máximo.

Abri a porta da casa. Percy entrou primeiro, apressando os pés para nosso quarto. Senti-me acolhida ao fechar a porta. Eu estava em casa.

Eu deveria parar de ser orgulhosa, pensar em meu filho e em minha felicidade. A sala estava quente, assim como o piso, adiantei o passo até chegar ao meu antigo quarto e ver Percy chutando as calças e a camisa, ficando apenas de cueca. Ele me olhou de esguelha, soltando um risinho.

– Já disse que você fica deslumbrante com minhas roupas?

Revirei os olhos.

– Todos dizem isso.

Ele fez uma careta, deitando-se no lado direito.

– Sou o único que não está mentindo. Agora, vem aproveitar a noite com mais um corpo entre nós. Quer me contar como ele pegou esse resfriado?

Sorri levemente, deitando-me ao lado de um Harry em um sono pesado, beijei sua testa, sentindo os pés de Percy acariciando os meus.

– Posso te contar amanhã? Estou morrendo de sono.

– Tudo bem. Annie? – abri um dos olhos apenas para ver seu enorme sorriso de olhos fechados – Eu não vou embora.

Assenti, fechando os olhos.

Ele não iria embora.

Aquilo seria o suficiente.

Seu pé se aproximou do meu, o calor invadindo-me aos poucos.

Pensei no limite que ultrapassamos hoje e no que ultrapassaríamos amanhã. Pela primeira vez, não pensei nas consequências disso.

Notas finais
FINALMENTE JESUS CRISTO QUE ISSO Depois de quase UM ANO tentando terminar essa fanfic, depois de bloqueios de quatro meses e um epílogo esquecido, AQUI ESTAMOS, AQUI CHEGAMOS, FIRMES E FORTES Talvez metade de vocês tenham se perdido nesse longo e árduo caminho (ATÉ EU ME PERDI), mas entendo como deve estar a vida de vocês. Felizmente ou infelizmente, EU FINALMENTE POSTEI e tô puta feliz porque é a primeira fanfic que eu amei o resultado, amei tudo, infelizmente (de novo) não deu pra falar das frescuras do rob porque ele fez aquilo e blábláblá, mas a gente supera tudo isso, certo? Só quero dizer que eu QUERO MUITO que vocês me acompanhem em Histeria, é um projeto novo que eu to amando fazer, acho que a maioria de vocês já estão ligado no que é, mas próxima semana, eu estarei postando os banners de Histeria no FUCK. Antes de deixar todas minhas redes sociais aí embaixo, eu só quero dizer que MUITO OBRIGADA por me acompanharem até aqui, eu sei que sou uma péssima autora (dificilmente respondo reviews), mas eu tento ser uma ótima autora quando se trata de vocês falando comigo e tal, aliás, podem ter certeza que eu leio TODOS os reviews, só tenho uma preguicinha de respondê-los porque meu celular trava e toda uma coisa muito chata. De novo, tô falando demais. Enfim, muito obrigada por serem maravilhosos, os melhores leitores que tive na vida, amo vocês pra cacete seus migos lindos (acho que vocês estão no mesmo nível de minha famíliazona grandona imensa então sabem como é vcs são os melhores da galáxia PS: todas as novidades de Histeria ou novos projetos estão sendo postados no fuck, grupo do facebook e relembrando que QUEM QUISER PARTICIPAR DO GRUPO DO WHATSAPP DA ARYA, tem que mandar o número pro MP da Arya Salvatore, autora de Psycho Minds!!!! LEMBREM DISSO Grupo do facebook: https://www.facebook.com/groups/638283029598698/ Instagram: mylenarodrigues_ Snap: mylenarodrigues Email: mylena.amfm3@gmail.com
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.