Tecido E Pimenta
36 Capítulo 36: A Falsa paz antes do Natal
Notas iniciais
Depois de uma hora argumentando e quase implorando ao loiro, Sasuke finalmente conseguiu convencê-lo a lhe acompanhar em sua viagem para Washington, obviamente acompanhado de Hinata e Sakura, já passava da meia noite quando o moreno em fim se retirou e Naruto não poderia estar mais exausto.
Enquanto caminhava para o quarto das meninas repassava em sua mente todos os ocorridos do dia, o momento em que ele e Hinata deram pela falta de Sakura, o desespero crescente enquanto percorriam a empresa sem nenhum sinal da rosada e principalmente a imagem de Hinata em meio a forte nevasca, depois de horas procurando e gritando pela irmã, tal lembrança lhe fez subir o sangue, e por um momento cogitou seriamente ir atrás de Sasuke para uma boa e merecida cabeçada, se tivesse sorte poderia encontra-lo ainda no elevador, porem tal pensamento se esvaiu de sua mente ao chegar perto do seu destino, silenciosamente escorado na porta do quarto das meninas ele vislumbrou a imagem a sua frente.
Sakura estava deitada ao colo da Hyuuga com um pijama de tecido pesado devido ao frio do inverno, este era azul claro com bolinhas de um azul mais forte, a expressão da Haruno era doida e triste enquanto dormia, sua irmã que velava seu sono vestia uma camisola cor de pele do mesmo tecido pesado, Hinata cantarolava uma melodia familiar enquanto ninava a rosada.
– Huuuuuumhumhuuuuum...huuuuumhuuumhuuuuuum, foooi no mês de Dezeeembroo, huuuuuumhumhuuuuum...huuuuumhuuumhuuuuuum...foi...no mês...de Dezeeeemmbrooo...
– Once Upon a December – Disse o loiro fazendo Hinata se sobressaltar de leve, ao se virar mirou Naruto com um sorriso de leve escorado na porta do quarto, este que foi prontamente retribuído enquanto via o Uzumaki se aproximar.
Naruto estalou um beijo de leve em seus lábios e uniu sua testa a da Hyuuga.
– Sem febre, ainda bem.
– Eu disse que você estava exagerando, só estava cansada e o com aquele frio não foi para menos que o meu nariz entupiu. – Respondeu a morena em uma leve fungada – Aquela música, você conhece?
– Sim, uma vez viajei para a Rússia com a minha mãe, era a melodia mais popular entre as crianças, especialmente entre as meninas.
O casal se encarou enquanto longos segundos de silencio se passavam, até que por ventura o olhar de ambos caiu sobre a rosada adormecida, que murmurava baixinho em seus sonhos.
– ...desculpa...desculpa – Murmurava a rosada enquanto finas lagrimas rolavam por sua bochecha, estas foram devidamente enxugadas pelo loiro, que se encontrava em um misto de sensações, entre elas alivio e irritação.
– Nós conversamos um pouco antes dela cair no sono, — Disse a Hyuuga em um fio de voz – por favor Naruto-kun, não fique bravo com –
– Eu sei, não precisa dizer, o Sasuke já me explicou tudo na sala...só, não peça pra eu não me preocupar, porque isso eu já não consigo mais. – Dizia ele ao lado da morena que se aconchegou o máximo que pode em seu peito, uma das mãos do loiro deslizava num gostoso carinho em seu antebraço, enquanto a outra arrumava o cabelo bagunçado da rosada.
Um momento de tanta paz e também tão estranho para o loiro, quando fora a última vez que se sentirá assim? Nervoso ao ponto de querer arrancar os próprios cabelos, a preocupação superando sua lógica, era mais do que claro o que deveria ter feito ao notar o sumiço da rosada, checar as câmeras de segurança, afinal nada acontecia naquela empresa sem que ficasse registrado, mas o medo havia lhe tampado a visão, saiu apressado de seu escritório no encalço de Hinata enquanto a mesma corria e chamava por sua irmã nos pequenos intervalos entre as lufadas cortantes do ar gélido, até que suas forças chegassem ao limite e as pernas lhe mandassem recuar. Tal situação o deixava apavorado.
Não tinha dúvidas do que sentia por Hinata, amava aquela morena até o ultimo fio de cabelo, mas Sakura, era tão complicado definir o que sentia por aquela rosada, afinal o que estava fazendo? A relação brincalhona de irmão deveria ser apenas uma ferramenta para ajudar a rosada a crescer, um modo de mantê-la por perto e faze-la se sentir parte de uma família...porem, hoje havia ficado mais do que claro, aquilo não era uma brincadeira, não era uma família de faz de conta, o desespero crescente de não saber onde ela estava, o temor de que algo poderia ter lhe acontecido, aquilo não era mais uma brincadeira, não era mais um faz de conta, ela era sua irmã, foda-se a idade, o sangue e o que mais contradisse-se esse pensamento, pois nada iria convencer seu coração do contrário.
Naruto mirou a rosada e a morena ao seu lado quase pegando no sono, e somente uma pergunta rondava em sua mente.
– “ Como vocês fizeram isso comigo?” “Como em tão pouco tempo invadiram meu coração?”
Suspirou cansado, passaria a noite em claro se fosse tentar entender cada uma de suas emoções, elas estavam ali e seguras, o que mais importava?
– “Não pense que vai escapar do sermão quando acordar ouviu? Eu posso ser um irmão bem chato se eu quiser.” – Pensou o loiro antes de se virar novamente para a morena lhe cutucando com as costas da mão, Hinata despertou de leve do quase sono.
– Desculpe Hina, mas eu preciso perguntar uma coisa antes de ter deixar dormir.
Ela bocejou e esfregou um dos olhos de forma felina antes de lhe dar atenção.
– Claro, o que é?
–...
–...
– Já esteve em Washington?
*****
Ainda naquela mesma noite, no QG da SVU.
Apesar das altas horas naquela madrugada, os agentes da SVU trabalhavam como se estivessem na hora do rush, todos estavam eufóricos saindo e entrando dos carros fortes que estacionaram algumas horas atrás nos fundos do QG, de dentro deles os homens descarregavam caixas pesadas, sem ter ideia alguma de seu conteúdo, usando equipamentos próprios para se carregar aqueles mine-containers de metal terminaram de descarregar os veículos depois de muito esforço.
Depois de devidamente alocados no salão de pratica de tiro, que havia sido posteriormente esvaziado, todos os agentes foram novamente convocados por Kakashi, que esperava o silencio de seus subordinados para poder começar.
– “Parece que já estão todos aqui” Atenção todos vocês, — A voz grave do grisalho ecoava com força e disciplina pelo salão – amanhã começaremos, como muitos estão chamando, a grande operação de Natal, aqueles que estão participando deste caso a mais tempo sabem que sofremos muitas baixas depois que os sequestros relâmpagos começaram, perdemos dezenas de homens que fizeram juramento de proteger esta cidade com suas vidas no cumprimento do dever... e assim o fizeram, no entanto é vergonhoso ver que chegamos a este ponto, mesmo depois de tantos sacrifícios não temos ideia de quem eles sejam ou o que querem, o que sabemos de fato, é que seus principais objetivos são o rapto de mulheres e o sigilo absoluto, já que nenhum dos suspeitos apreendidos conseguiu chegar vivo aqui.
Kakashi fez uma pequena pausa e deu alguns passos para trás, concedendo silenciosamente a palavra ao seu futuro sucessor. Gaara encarou seus colegas com a mesma rigorosidade do Hatake.
– Sendo assim, podemos concluir que os dias 24 e 25 serão um prato cheio para esses criminosos, com as ruas de New York lotadas abordar e sequestrar mulheres seria uma tarefa simples para os mesmos, como se não bastasse nós da polícia estamos em desvantagem, pois usar nossas armas em ruas abarrotadas de pessoas seria o mesmo que pedir para matar um inocente.
Kakashi voltou para frente enquanto Gaara ia na direção de um dos containers.
– Por isso resolvemos tomar medidas drásticas, com a devida autorização é claro, Gaara faça as honras.
O ruivo que se encontrava ao lado de um dos containers bateu o punho de lado em um botão retangular que logo começou a dividir a grande caixa de metal pela metade, revelando o seu conteúdo.
Dentro deles estava uma espécie de luva metálica que cobriria facilmente até a altura do cotovelo de um ser humano, as cores variavam entre o azul claro e o branco cinzento, nas costas da mão havia uma cavidade em forma de meia lua e nas bordas do braço saliências que lembravam o corpo de uma flecha.
Kakashi e Gaara equiparam uma luva cada um e o grisalho voltou a se pronunciar.
– Esta é uma das tecnologias mais avançadas em questão de armamento e controle de criminologia, infelizmente não existem siglas chamativas para nomeá-la com um nome extremamente grande, por isso foram batizadas de Jäger.
Visto que alguns murmúrios se iniciaram Kakashi tirou a dúvida que deveria ser geral, afinal ninguém era obrigado a saber aquela língua.
– Para aqueles que não sabem, Jäger significa caçador em alemão.
Um dos subordinados mais a frente ergueu a mão em questionamento.
– Sim?
– Capitão, porque a batizaram com esse nome?
– Por causa de sua funcionalidade e porque seu inventor foi um alemão.
Bem, nem tudo precisa de uma razão complicada para existir não é?
Sem dar atenção aos futuros questionamentos que se seguiram ambos os oficias pressionaram com força o punho protegido pela luva metálica, e depois de alguns segundos os equipamentos começaram a se metamorfosear, o corpo das luvas se tornou mais quadriculado como se representasse o braço de uma armadura, pequenos rios de energia circularam pela máquina lhe proporcionando o fraco brilho da cor azul piscina e uma voz mecânica pôde ser ouvida.
– Mode Glove: On – Orders Stand By
– Depois de equipada e ativada a Jäger funciona totalmente por controle mental, o receptor neural é conectado na veia que divide o antebraço e forma uma ligação entre o cérebro e a arma, em outras palavras, você a utiliza com sua mente.
–...
– Eu e Gaara faremos uma demonstração, tragam um boneco de testes de borracha, não quero nada aqui pegando fogo.
Logo um dos agentes havia trazido o tal boneco, que sustentava a aparência de um João bobo, o ruivo e o grisalho se afastaram cerca de 10 metros do alvo e ficaram de costas para o mesmo.
– Agora preciso que alguém o arremesse com toda a força que puder para longe, — Ordenou o grisalho – e antes que alguém pergunte o óbvio, mesmo isto sendo apenas uma demonstração nossos alvos reais também estarão em movimento, quanto mais realista melhor.
Um dos agentes mais “parrudos” ergueu o boneco com ambos os braços e se colocou em posição.
– Vou contar até três e depois jogar.
– Que assim seja.
O homem permaneceu imóvel por mais alguns segundos devido as expectativas, tomou folego e começou a contagem.
– 1...2...
– Wepon mode: On – Orders Stand By
– 3!
A distância de 10 metros somada a um arremesso violento fez com que o boneco se afastasse 22 metros do capitão e seu pupilo girando no ar, por um momento o pobre agente se martirizava por ter colocado força de mais nos braços, prevendo que lhe chamariam atenção por ter atrapalhado na demonstração...mas a cena que se seguiu foi bem diferente do esperado.
Kakashi e Gaara se viraram e fizeram o mesmo movimento sincronizado, o braço equipado com a Jäger mirava perfeitamente o seu alvo e logo as duas armas foram disparadas, de dentro da abertura de meia lua foi disparado um projétil muito peculiar, uma pequena esfera com dois espinhos de ponta dupla giravam no sentido anti-horário e se moviam muito rápido, a cada volta completada os espinhos se distanciavam de seu centro e um fio que ligava os espinhos a pequena esfera ficava cada vez mais claro, a pontaria dos dois havia sido perfeita, quando as esferas se chocaram contra o boneco ainda em pleno ar o mesmo foi envolto e preso pelo fio de aço reforçado, cada fio envolveu seu alvo por cerca de duas voltas e quando os espinhos foram cravados na “pele” do boneco o verdadeiro poder daquele projétil se mostrou, o boneco sofreu um choque tão forte que a descarga elétrica podia ser vista a olho nu, no fim o boneco soltava uma grande quantidade de fumaça e um cheiro incomodo de queimado preencheu todo o salão.
Alguns segundos após a demonstração os agentes gritaram de euforia correndo até os containers desesperados para terem uma luva.
– Isso foi incrível!
– Quero usar uma dessas todos os dias.
– Eu vou postar no face.
– Se liga, eu vou fazer self com a minha!
Diante de tais comentários o Hatake considerava seriamente atirar em cada um de seus subordinados, se aquele era o futuro da polícia então New York estava perdida.
– CALEM A BOCA! – Ordenou Gaara em alto e bom som – Acham que isso aqui é brincadeira? Cada uma dessas luvas vale mais do que 10 anos de salário de cada um de vocês.
Ao ouvirem isso muitos dos agentes depositaram as Jägers de volta nas caixas com muito cuidado, alguns até mesmo tentavam apagar as digitais com manga do uniforme.
– Continuando, como vocês puderam notar estas luvas são literalmente controladas por pensamento, não é preciso comando de voz e nem uma mira tão perfeita para acertar um disparo, e o mais importante a descarga elétrica é forte mas não letal, com elas as chances de conseguirmos finalmente capturar um dos sequestradores é bem alta.
–...sernhor Sabaku, se me permite perguntar... – Questionou um dos oficiais.
– Sim?
– Se tínhamos um equipamento tão bom como este, porque não o usamos logo no início, quando as capturas começaram a dar problema?
Os outros colegas também começavam a se questionar pensando a mesma coisa, diante disso o Capitão Hatake se viu obrigado a intervir novamente.
– Primeiramente, nós nunca tivemos acesso a estas armas, as Jägers são um produto militar de elite, sua construção e manutenção é absurdamente cara para os padrões de hoje, no que ela fornece em descrição é compensada em peso, pode não parecer mas uma destas pesa cerca de 25 quilos, como já foi apontado pelo Gaara todo o controle da luva é feito por impulsos neurais, resumindo se você não tiver disciplina suficiente para imaginar o disparo somente quando quiser mesmo disparar, podem ter certeza de que vão acabar como aquele boneco tostado. – Finalizou ele apontando para o amontoado de borracha chamuscado no canto da sala.
Muitos dos agentes ficaram temerosos por terem de usar algo tão caro e difícil, como se a própria operação em si já não fosse desgastante o suficiente.
– Começaremos a patrulhar todas as ruas de New York as exatas 09:00 da manhã, — Alertou o Sabaku – e podem ter certeza de que nenhum dos senhores irá dormir antes de aprenderem a como usar uma Jäger, agora chega de perder tempo! Formem uma fila e equipem suas luvas, temos seis horas antes da operação começar!
*****
Dia 24 de Dezembro
Véspera de Natal
07:00 horas da manhã
A quase mansão estava completamente deserta, todos os empregados e seguranças haviam sido dispensados na noite anterior, a mesa da sala e da cozinha se encontravam vazias, mas a primeira estava em alta atividade, o ruivo preparava uma bandeja de café da manhã vasto para todos os gostos, enchia uma pequena jarra com suco de uva enquanto o café ficava pronto, três tipos de pães e duas opções de recheio, entre elas manteiga e requeijão, as panquecas estavam no ponto e o presente havia sido entregue mas 04:00 da manhã, tudo estava devidamente arrumado e preparado para tornar aquela manhã e o resto do dia no melhor natal que ele poderia lhe proporcionar.
Com a bandeja em mãos e arrastando o presente com os pés se dirigiu para o quarto da azulada, que ainda dormia, pensou em acorda-la da maneira romântica tradicional, mas uma ideia sapeca lhe ocorreu, deixou a bandeja escorada no criado mudo, entreabriu a janela para dar mais claridade ao quarto e abriu o presente no corredor mesmo, com o pequeno em seus braços o aproximou do rosto da amada o suficiente para que o focinho gelado incomodasse seu nariz e a criaturinha pudesse lambe-la.
No entanto devido a sensação estranha e nada rotineira os instintos que os anos lhe proporcionaram praticamente dispararam, em um movimento rápido a azulada tirou uma faca de baixo do travesseiro postando a lâmina com ambas as mãos na garganta do ruivo, conforme encarava o intruso e seu corpo ia realmente despertando, sua visão nublada se tornou clara e sua expressão assassina deu lugar a uma surpresa.
– Yahiko o que-
A fala morreu em seus lábios sentido algo lamber suas mãos, que aliais ainda ameaçavam o namorado.
–...feliz natal? – Disse o ruivo com um sorriso torto e até mesmo inédito.
Konan depois de um alto suspiro de alivio voltou a se deitar, finalmente afastando a faca de seu companheiro.
– Está querendo me matar de susto?
– Eu é que pergunto, — disse ele depositando o filho de Husk no colo de sua nova dona e retirando com cuidado a faca das mãos da amada – sei que sempre lhe disse para se precaver, mas essa da faca no travesseiro nem eu sabia.
– Hehe, toda mulher tem seus segredinhos. – disse com uma piscada marota.
– Agradeceria se seus fossem menos mortais.
– Hahahaha-hahaha.
Konan ria não de seu comentário, mas sim da sensação do filhote em seu colo, que se apoiou nas patas traseiras e passou a lamber o queixo da azulada.
– Ei você, acho que eu reconheço esses olhinhos. — Ela o pegou no colo e o mirou mais de perto – É você mesmo! — Como se entendesse a mulher a sua frente o pequeno latiu com vigor abando o rabo — É o filhote daquele pet, mas como –
Mais uma vez se auto interrompeu pelo raciocínio ser mais do que lógico, mirou o ruivo ao seu lado e o mesmo se encontrava de braços cruzados com um sorriso sínico no rosto.
– Como e quando?
– Mesmo dia, compra sigilosa e entrega as 04:00 da manhã de hoje, aquele senhor fez tantas exceções que lhe dei uma gorjeta extra pelo serviço.
– Espirito natalino? – Perguntou ela como uma sobrancelha arqueada.
– Não comece, sabe que eu não acredito em magia negra.
A azulada deu uma sonora gargalhada e aconchegou o pequeno Husk em um dos ombros aproveitando aquele momento, mas pouco tempo depois a realidade lhe bateu mais forte e ela se viu obrigada a argumentar.
– Eu disse pra você que não vamos ter tempo, como vou cuidar dele se –
– Criaremos esse tempo, — Disse o ruivo acariciando a cabeça do filhote, que mais uma vez balançava sua cauda de alegria – você pode leva-lo com você para a base e no escritório.
Konan por sua vez soltou um som agudo e esganiçado de desaprovação.
– Leva-lo para a base, — repetiu ela – vou parecer muito intimidadora com um filhotinho de Husk no meu colo.
– Se alguém perguntar diga que ele é seu cão de guarda.
– Com essa carinha? – Disse ela erguendo o filhote e fazendo o mesmo encarar o namorado, muitos adjetivos poderiam ser dados a pequena criatura, mas ameaçador não seria uma delas.
– Diga que ele está em treinamento, afinal ninguém mete mais medo naquele lugar do que você.
– Vou encarar como elogio por que é natal ta bom. – Disse ela se virando na cama e abraçando o filhote novamente.
– Já que está fazendo tanta questão de tocar no assunto, o que acha de curtimos o feriado primeiro e depois nos preocuparmos com isso?
– O pessoal vai me encher o saco no trabalho. – Murmurou continuando a se preocupar.
– Em último caso pode dizer que está praticando para ser mamãe.
Com isso a azulada lhe empurrou da cama e antes que o mesmo pudesse reclamar teve o travesseiro arremessado contra sua cara.
– Eu não estou gravida! – Exclamou Konan com o rosto levemente rosado, coisa rara de se ver hoje.
– Sei que não, mas quem sabe, é natal então talvez eu também ganhe um presente.
Enquanto provocava a namorada Yahiko ia se aproximando e subindo na cama apoiado nos joelhos e braços, com o olhar sedutor que sempre derretia sua parceira, mas bastou para que ele chegasse perto de seus lábios, para que o filhote levantasse a cabeça e mordesse o pescoço do ruivo, seus pequenos dentinhos não fizeram mais do que um pequeno arranhão, mas foi o suficiente para assustar o casal.
O pequeno mirava Yahiko com o que parecia ser a tentativa de um olhar intimidador.
– AU AU!
–...
–...
– Se continuar com essa atitude nós vamos ter um problema. – Disse o ruivo num tom sério que não combinava em nada com a situação.
– AU!
Konan por sua vez não pôde mais se segurar e se jogou na cama aos risos, pensar que alguém como Yahiko iria se enciumar por causa de um cãozinho que ele mesmo trouxe para casa não poderia soar mais cômico para a azulada, mesmo que fosse só por dois dias Konan seguiria o conselho do amado e deixaria suas preocupações de lado.
Aquele Natal prometia ser o início de muitas coisas...e também o fim de outras...
Continua...
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