Tecido E Pimenta
37 Capítulo 37: Um passo para frente e dois para trás
Notas iniciais
Dia 24 de Dezembro
Véspera de Natal
08:00 horas da manhã
A manhã do dia 24 estava bem fria devido a forte nevasca da noite anterior, e devido à mesma todas as ruas de New York estavam cobertas de gelo, isto é, se ainda fosse à época de 11 anos atrás, agora a cidade, ou melhor, muitos países já dispunham de um serviço muito conveniente e barato que eram os robôs picadeiras, os pequenos dróides de pouco mais de um metro circulavam durante as altas horas da madrugada picando e quebrando o gelo que atrapalhava a estrada, seguidos por um caminhão de porte pequeno que vinha logo atrás derretendo os cubos de gelo com sua fornalha portátil.
Visando os direitos humanos as nações decidiram investir em áreas muito especificas da indústria robótica, I.A’s eram muito mais simples e medíocres do que realmente poderiam ser, e até mesmo os dróides eram controlados via satélite por pessoas, tudo para que algo semelhante à quebra das máquinas nunca voltasse a acontecer.
Era isso que Hinata explicava a sua “irmã” enquanto Naruto descia com as malas e as colocava no taxi, a Hyuuga estava de pé com um casaco branco com bordas de veludo, usava luvas e calça azul celeste e uma toca de algodão preta, Sakura estava agachada no meio fio com um casaco do mesmo estilo do de Hinata, porem na cor rosa, suas luva e calças eram pretas e a toca azul marinho estava em suas mãos.
A rosada mirava o meio da rua com um misto de emoções, se sentia culpada pela comoção que o seu sumiço causou no dia anterior e como consequência disso sua irmã havia ficado doente, mesmo dormindo sob duas cobertas Hinata amanheceu febril e com o nariz ainda mais entupido, a primeira coisa que Naruto fez foi encomendar uma dúzia de analgésicos, tônicos, em fim tudo que uma farmácia poderia lhe fornecer, depois disso veio o sermão, o loiro lhe disse poucas e boas e a rosada se sentiu uma verdadeira criança levando bronca, se desculpou uma dúzia de vezes prometendo pensar melhor em seus atos, mas o loiro não estendeu o assunto, por saber que BOA parte da culpa nessa história toda se devia a outro irresponsável.
Após a pequena conturbação Naruto deu a primeira noticia interessante do dia, todos eles estariam viajando naquela manhã mesmo para passar o Natal com a família Uchiha em Washington, Sakura apenas balançou a cabeça num ok quase inaudível e controlando internamente a empolgação que nasceu dentro de si, a rosada sabia exatamente o que Sasuke queria com aquele pedido, fazer de tudo para não passar o feriado sozinho com o irmão e tornar seus amigos o centro das atenções, mas se dependesse da Haruno os planos do moreno iriam por agua a baixo, já estava na hora de Sasuke perceber o quanto era sortudo por ainda ter uma família de sangue e ela o faria entender, por bem ou por mal.
– Muito bem meninas vamos entrando, nosso voo sai em duas horas, mas não quero dar motivos pro Sasuke reclamar tão cedo.
Hinata foi a primeira a se acomodar no banco de trás e agradeceu mentalmente ao motorista por ter deixado o aquecedor ligado, Naruto estava prestes a entrar também, mas reparou que a rosada não saia do lugar.
– Sakura!
A Haruno despertou de seus pensamentos e mirou o veículo pronto para partir apenas a aguardando, se levantou do meio fio e começou a caminhar a passos lentos, mesmo que já tivesse levado a bronca e sua mente pensasse em várias formas de importunar um certo Uchiha, não era como se a vergonha já tivesse passado e muito menos a culpa, não podia olhar para o rosto de Naruto sem sentir o peso de suas palavras, a última vez que havia sido repreendida daquela maneira foi a 17 anos e mesmo assim ainda se lembrava perfeitamente do ocorrido, assim como as palavras do pai. Com Hinata então era ainda pior, só de lembrar da última vez em que ela ficará doente a fazia tremer, sendo aparente ou não a Hyuuga não tinha o corpo mais forte do mundo, ainda mais uma princesinha que virou moradora de rua, foi uma experiência tão agonizante que logo tratou de afasta-la de sua mente, afinal tudo era diferente agora, elas tinham alguém de quem depender e vendo como Naruto a entupiu de cuidados só naquela manhã, com certeza não precisaria se preocupar pelo resto do feriado.
De repente sentiu seu corpo trombar com algo a sua frente, olhou para cima e viu Naruto com um olhar confuso e quando notou não havia dado mais do que três passos de onde estava.
O loiro pegou a toca de suas mãos e vestiu na cabeça.
– Não fique autistando no meio desse frio ou vai acabar ficando doente também, já tenho muito com o que me preocupar.
– Você fala como se estivesse cuidando de uma criança.
O loiro arqueou a sobrancelha e respondeu sarcástico.
– E estou mesmo, — abaixou um pouco o tronco e ficou na altura da rosada – cuidando de duas pra ser mais exato.
Sakura contorceu a boca num bico emburrado em desaprovação.
– EU não sou criança.
– Nesse caso vou precisar da sua ajuda como adulta. – Naruto apontou com a cabeça para o carro onde Sakura notou Hinata ainda tremendo de frio e de cabeça baixa. – A Hinata ainda está meio chateada por ter de passar o Natal nesse estado, então vê se me dá uma foça com ela.
– Hai hai, pode deixar, você não é o único que sabe cuidar de uma princesa. – Disse ela enquanto caminhava para o carro e agora era Naruto quem se encontrava estancado no lugar, o que ela queria dizer com isso? Suspirou levemente e desistiu de raciocinar, Sakura era uma verdadeira caixinha de surpresas.
Ao adentra no taxi Sakura tapou o rosto da irmã com suas luvas fazendo a mesma lhe notar ao seu lado, abraçou forte a Hyuuga contra o seu corpo naturalmente mais quente e colou suas bochechas sentindo o pequeno choque térmico, Hinata sorriu e retribuiu o abraço gostoso sentindo a pele quentinha da rosada. Naruto entrou logo em seguida passando o braço pelo ombro das meninas aquecendo as costas da namorada com a lateral do corpo.
Vendo seus passageiros acomodados o taxista puxou o freio de mão e um pensamento escuso tomou sua mente enquanto via aquela cena.
– “Hu, playboy”.
*****
09:00 horas da manhã
Aeroporto de New York
Usando um casaco negro e elegante que combinava perfeitamente com o tom de seus cabelos, Sasuke aguardava o trio que havia convidado para ajuda-lo a passar na “prova de ferro” que seria aquele Natal. Sua Ideia original era convidar apenas Naruto e Karin, mas era ridiculamente obvio que o Uzumaki não deixaria a namorada e a “parasita” sozinhas, de alguma forma esperava que isso se tornasse em algo positivo, pelo menos a família de seu irmão teria mais alvos para servir de atenção. Suspirou no lugar e bufou olhando para o relógio, contava os segundos para aquele dia acabar e ele mal havia começado.
O Uchiha só foi tirado de seus devaneios quando sentiu um tapa de mão cheia preencher sua cabeça, virou com ferocidade para xingar o atrevido, mas tinha quase certeza de que encontraria uma cabeleira loira como culpado...dito e feito.
– É com essa cara que você esta indo visitar o seu irmão? – Indagou o loiro com um carrinho de aeroporto e três malas sobre o mesmo.
– Essa é a única que eu tenho, caso não tenha notado não é possível trocar.
– Ouvir esse seu sarcasmo com essa cara de bunda logo pela manhã é mesmo revigorante.
– Tsc, e... onde estão as suas duas malas extras?
– Malas extras?
– É, uma azul marinho e outra cor de rosa.
– Espero realmente que não esteja se referindo a minha namorada. – Disse o loiro estreitando os olhos.
– Ah então a Sakura eu posso chamar de mala?
– Ela é uma malinha mesmo – Brincou o Uzumaki com um meio sorriso – mas é da família também então maneira no veneno.
– Blagh. – Sasuke soltou um grunhido de náusea – Ver você tão comprometido em brincar de casinha esta me dando vontade de vomitar.
O Uchiha mirou as duas mulheres que se aproximavam num ritmo lento e calmo devido a fraqueza da Hyuuga.
– Eu sei que, naquele dia no parque, fui eu a te dar um empurrãozinho e ver no que esse relacionamento iria dar, mas francamente você não deu uma chance, se atirou de cabeça de novo como um idiota, — Apesar de toda a provocação e mesmo que isso lhe irritasse, Naruto entendia o que Sasuke queria dizer, em seu ultimo relacionamento ele havia se entregado de corpo e alma, e quando o mesmo terminou de maneira tão covarde, tudo nele desabou junto. – vê se abre o olho.
–...Acredite, esta mais aberto do que eu gostaria. — Disse ele antes de se dirigir até as meninas e ajudar Hinata, mas antes se virou novamente para o amigo – Só pra você saber, eu já cansei de “brincar de casinha”, – Seus olhos se tornaram mais amenos enquanto voltava a olhar para as meninas – pra mim o que eu tenho hoje, é de verdade.
*****
Uma hora depois todos estavam acomodados dentro do avião, o mesmo decolou sem problemas e já estavam a meia hora em pleno ar, Naruto, Hinata e Sakura estavam uma fileira atrás de Sasuke porem na do lado esquerdo, enquanto o moreno estava isolado uma fileira a frente deles do lado direito, dando a todos uma visão diagonal, muitas vezes Sasuke se virava para o lugar onde seu amigo estava e a cena nunca mudava, Hinata dormia profundamente no meio do trio com a cabeça encaixada no pescoço do loiro, o Uzumaki por sua vez apenas zelava o sono da amada enquanto acariciava ambas as mão com os polegares, e Sakura, bem, esta não era importante, se não estava lendo uma revista estava pedindo um suco ou indo ao banheiro, bufou pela décima vez depois de se virar novamente, não conseguia parar de pensar na conversa que teve com o loiro no aeroporto e se lembrava de suas palavras irresponsáveis daquela sexta-feira, tudo bem que ele deveria dar uma chance ao que estava acontecendo, mas pelo amor da porra aquilo já era de mais, Naruto tratava aquela mulher como se fosse de cristal e mais pareciam recém casados do que namorados, era muita melação, muito compromisso de uma vez...
– Licencinha por favor.
Disse a rosada quase tropeçando nas pernas do Uchiha e se sentando ao seu lado.
– O que veio fazer aqui?
– Mudando um pouco os ares e vim tirar uma dúvida.
– Que seria?
– Bem...alguém te sacaneou no banheiro?
– Hum??
– Ta com o cú coçando?
– Sakura que MERDA está acontecendo?
– Eu que quero saber, de cinco em cinco segundos você fica virando pro nosso lado e depois vira com cara de desgosto, — Sakura se ajoelhou no assento e olhou descaradamente para todas as fileiras atrás de seu assento original – por acaso tem alguém se masturbando no fundo do avião e você não ta gostando?
– O QU – Hugh – Sakura senta e cale essa boca! – Ordenou ele enquanto literalmente puxava a Haruno para baixo e a ajeitava na cadeira, amarrando o cinto bem apertado só pra garantir. – Sua sem noção! — Vociferou e depois tudo o que saia eram apenas murmúrios – Cu coçando, masturbando no fundo do avião, eu mereço mesmo viu.
– Quando terminar de conversar com Deus me avisa ta?
– Grrrr – Sasuke soltou um leve rosnado enquanto sua paciência ia evaporando, em resposta Sakura enrolou uma pequena revista.
– Cachorro feio. — E bateu de leve na cara do moreno tendo de prender o riso com ambas as mãos pela cara de desacreditado do chefe. – E ai haha vamos treinar dar a patinha na próxima ou você vai me contar o que está te aborrecendo?
Talvez aquela fosse a sexagésima vez que ele bufava naquele dia, mas aquela pequena irritação desprovida de noção constante lhe serviu para o cérebro ter um respiro, coçou de leve a fuça onde a pouco lhe acertaram, cruzou os braços, assumiu aquela pose toda recatada e com o pouco de paciência que lhe restava respondeu.
– Ver o Naruto tão afundado no seu próprio mundinho está me tirando do sério, por várias razões.
– Bom, taaa quando eu olho praqueles dois da até pra ver os coraçõezinhos voando sobre eles, mas e dai?
– Dai que da última vez que tiveram coraçõezinhos voando o meu melhor amigo acabou no fundo do poço...foi meio que eu quem incentivou o Naruto a dar uma chance ao que ele estava sentindo, mas ver ele tão envolvido desse jeito de novo, começo a me arrepender.
– Está fazendo tempestade em copo d’agua, Hinata nunca faria algo pra magoar o Naruto.
– Foi isso que ela disse ao ex-noivo também?
Sakura virou-se de supetão encarando o Uchiha com uma expressão surpresa e séria.
– Não vou nem perguntar como você sabe sobre isso, mas eu te garanto que a Hinata ama de verdade o Naruto.
– A outra vadia dizia a mesma coisa, — Sakura estava prestes a dar uma bela bifa no Uchiha pela associação de baixo nível, afinal quem poderia comparar Hinata com uma vadia? Mas se deteve ao ver que ele ainda falava – em um mês ela passou de completa desconhecida para a mulher da vida dele e você a irmãzinha pra fechar com chave de ouro a família feliz, — Sasuke vomitava palavras como um sarcasmo cruel e até mesmo raivoso não deixando espaço para a Haruno se defender – essa brincadeirinha de vocês acabou se tornando uma coisa séria de uma hora pra outra e eu agora tenho de ficar de olho pra que aquele idiota não acabe quebrando a cara de novo, e quanto a você? Deve estar se divertindo muito com tudo isso não é? Por quanto tempo acha que tudo isso vai continuar? Acha que vão todos os três envelhecer juntinhos e tudo acabar num felizes para sempre? A vida não é esse conto de fadas que vocês estão encenando!
Depois de dizer tudo o que queria, e o que não devia, Sasuke procurou pelos olhos da rosada e tudo o que encontrou foi a cabeleira da Haruno cobrindo a face avermelhada e os orbes quase marejados exalavam irritação ao invés de tristeza, se levantou devagar para responder a altura, mas sua expressão foi mais que o suficiente para subir um bolo a garganta do moreno.
– Deixa eu te dizer só uma coisa, seja um mês, um ano, ou uma década, quando uma pessoa encontra alguém especial, quando você sente aquele aperto diferente no coração, quando uma pessoa está amando, ela pode até não querer admitir, mas ela percebe isso na hora, então eu acredito sim no que aqueles dois tem, e em cada palavra que já disseram, — Sakura se apoiou na cadeira para se levantar e agora nem mesmo encarava mais o moreno – quanto a mim...eu sei muito bem que isso não vai durar pra sempre, por isso, preciso aproveitar o máximo que puder.
Com isso a Haruna voltou a se sentar ao lado da irmã, mas antes de buscar por qualquer conforto ficou esperando que Sasuke se virasse mais uma vez, quando o moreno o fez Sakura o encarou com o olhar irritado e até um pouco magoado, se virou com claro desprezo e apoiou a cabeça no ombro da irmã buscando algum tipo de colo.
O Uchiha suspirou e bateu com força a cabeça contra seu acento enquanto se repreendia e se irritava mentalmente.
– “Inferno”.
*****
O Sol já havia deixado o alto do céu e começava a se por, eram 17:00 da tarde quando aquele grupo de 11 pessoas deixou a costa e se dirigiu para o centro da cidade, os jovens se dividiram em dois grupos de quatro e os dois que sobraram se juntaram ao mais velho, um homem alto de cabelos longos e morenos que refletia sobre os eventos da última noite.
Flash Back: ON
Depois de adentrarem o estranho armazém os doze homens desceram um grande elevador até bem abaixo no subsolo e adentraram por uma porta vermelha, por detrás dela estava um grande salão vazio com algumas arquibancadas altas e uma cadeira grande, quase como um trono em seu centro, enquanto aguardavam por alguém, ou que alguma coisa acontecesse, eram obrigados a continuar ensaiando aquela música estupida, sendo regida por aquele “porco” enorme.
– Mais uma vez, com entusiasmo!!
– Taram! Taram Taram TAM! Taram, Taram Taram tam tam, cuido com o Bunta que o Bunta te pega te pega daqui te pega de lá! Taram, Taram taram Huahahahahaha Taram, taram taram tam tam ta- De repente os olhos de Bunta se direcionaram a porta do esconderijo – iiiii.
No momento em que Yahiko adentrou o local e se deparou com aquele “barulho” horrível, não sabia o que questionar primeiro, sua reação indecisa elevou uma de suas sobrancelhas a um patamar nunca antes visto, na verdade se seu rosto permitisse ele a levantaria ainda mais.
– What in hell? – Questionou o ruivo.
– Huuum, a qual é chefe – Incitava Bunta com sua típica voz gorda – não gostou da música?
– Tenho certeza de que você está assassinando o folclore de algum país essa coisa.
Foi tudo o que disse antes de ir até a cadeira no centro do salão e se sentar, observou cada um dos homens que Bunta e Momimaru haviam trazido, este ultimo em questão lhe agradecia com os olhos por ter acabado com a cantoria de seu amigo, os rapazes dentre 20 e 25 anos usavam típicas roupas de trombadinha e pareciam apenas delinquentes sem nenhum rumo na vida, mas para uma ocasião tão fora do comum como aquela eles teriam de servir.
Com poucas palavras Yahiko deixou bem claras suas intenções, os lideres daquela pequena quadrilha haviam atacado Konan e receberam a devida retribuição por isso, morte, agora os membros restantes tinham apenas duas opções: servir a um novo líder ou serem mortos ali mesmo.
De início a ideia parecia absurda e nenhum deles realmente cogitava que aquele homem pudesse matar dez pessoas e sair ileso por isso, ainda mais sem nenhum remorso, porem ao encararem o rosto daquele ruivo, aqueles olhos tão frios e desdenhosos, olhos que os faziam se sentirem como vermes, cada um deles foi percebendo, uma recusa significaria a morte de cada um deles ali, e aquele homem não perderia um segundo de sono por ter tirado suas vidas, desde o início não havia outra escolha, se não aceitar a proposta.
Vendo que eles estavam mais sucintos a lhe dar ouvidos Yahiko explicou sem muitos detalhes as atividades de seu grupo, se focando principalmente no trabalho que seria executado na véspera de natal, vendo que todos lhe ouviram com máxima atenção Yahiko se levantou da poltrona e pegou uma maleta de bronze que estava escondida em baixo de seu acento.
– De joelhos! – Ele disse esperando que sua ordem fosse clara, mas os rapazes ainda lhe olhavam com incredibilidade. – Agora.
Sua voz soou mais grave e mesmo que devagar eles foram obedecendo, o ruivo abriu a maleta e dentro dela estava um cartucho estranho com um tipo de pistola mais estranha ainda e o que parecia ser um tipo de controle.
Ele carregou a arma com o cartucho e se postou atrás de um dos homens, empurrou a cabeça do delinquente para baixo e pressionou a arma contra o seu pescoço, o rapaz suava frio pensando que aquele seria o seu fim, mas qual não foi a sua surpresa ao sentir um momentâneo desconforto e uma forte pressão no local onde a arma estava, o rapaz sentia como se tivesse levado uma injeção e algo duro havia entrado em seu pescoço, Yahiko se dirigiu para o próximo jovem começando a explicar.
– Neste momento um chip muito especial está sendo implantado em cada um de vocês, como devem imaginar ele possui uma função de rastreamento, e bem precisa, todos eles são ativados via controle remoto e ele estará em pose de um de meus homens, que estará liderando vocês no trabalho de amanhã, e acreditem, vocês não vão querer descoubesse-lo.
– Hãããã? Só um chefe? – Questionou Bunta.
– O principal fator no trabalho de amanhã é o quanto vocês vão ser capazes de se misturar na multidão e serem rápidos no serviço, não subestimo sua velocidade, — Disse ele se virando para o gordo depois de injetar o ultimo chip — mas você é muito chamativo Bunta.
– Ghuuu, que pena.
– Sendo assim estarei contando com você Momimaru, agora para o pior dos casos –
– Hu, quanto a isso eu já estou adiantado, Boss.
GLUP
Todos ouviram o som de algo largo sendo engolido, ao se virar para Momimaro, Yahiko viu o meio sorriso com um pouco de baba no canto da boca, o mesmo lhe jogou uma pequena caixa e ruivo arregalou levemente os olhos por saber do que se tratava.
– Você não precisava ir tão longe, haviam outras opções.
– Não tem importância, afinal de contas é só eu não falhar não é?
Yahiko fechou os olhos em concordância se sentindo satisfeito pela lealdade de Momimaru.
– Estou contando com isso, boa sorte.
Flash Back: OFF
Em meio a essas lembranças Momimaru não pôde deixar de soltar um riso esganiçado devido ao quanto aquela cena era engraçada aos seus olhos, o conteúdo da caixa que ele havia engolido na noite anterior se tratava de uma bomba especial que se auto detonava quando o seu hospedeiro morria ou se o corpo sofresse um impacto extremamente forte e ficasse desacordado, no entanto para ativa-la era necessário apertar a ponta do dispositivo com força até que uma luz vermelha se ascendesse e só depois ingeri-la, se aproveitando da distração de seu líder Momimaru engoliu a bomba desativada, e o mais cômico disso tudo era a lealdade cega que Yahiko via nos membros mais antigos da organização, sua vida estava fora de risco e seus pontos com o chefe em alta, se continuasse assim dentro de alguns anos tomar o lugar do ruivo e tudo que ele possuía não lhe parecia um sonho tão distante.
O moreno ajeitou o controle dentro do casaco de lã preto e delegou suas ordens.
– Não sejam apressados, escolham bem seus alvos e quando terminarem a captura vão direto para a base, e acima de tudo sejam dis-cre-tos – todos assentiram e se colocaram de prontidão. – muito bem, vamos a caça.
*****
19:00 horas da noite.
Depois de se misturarem por duas horas na multidão a Hell Hound’s se posicionou em pontos estratégicos para observar suas possíveis mercadorias, mulheres bonitas iam e vinham, mas Momimaru procurava por qualidade, aquele ar de inocência, as de pele alva vendiam bem e as virgens então estouravam o preço das bancas, tudo bem que a inocência estava sendo perdida muito cedo, mas nem por isso ele deixava de procurar, estava prestes a entrar em contato com os outros grupos, pois ao que parece nenhum deles havia se decidido por uma presa, quando de repente seus olhos encontraram uma joia bruta no meio daquele enxame de pessoas, uma menina de no máximo 16 anos, os cabelos castanhos estavam trançados caindo uma mecha em cada ombro, usava óculos de grau e estava vestida no estilo “primeiro encontro” com um vestido leve cor de marfim e sapatilhas, apesar do frio que estava fazendo. A garota transbordava charme e vergonha por estar assim, mas parecia esperar pacientemente por alguém, o sorriso de Momimaru quase lhe rasgou a face, aquele seria o ovo de ouro da noite e como se a sorte estivesse ao seu lado a garota esperava do lado de fora de uma padaria, quase encostada ao beco que se seguia atrás dela, caminhou vagarosamente em sua direção, passou de leve a língua sobre os lábio já imaginando como seria delicioso treinar a mercadoria antes de vende-la, passou bem perto dela e pediu licença de cara lavada para entrar no beco, agora na posição perfeita só precisava agarra-la e fazer com que desmaiasse para só então chamar por transporte, tudo seria tão rápido que ninguém iria perceber, estalou os dedos de forma individual deixando as mão em forma de garras, e no momento em que iria dar o bote...sentiu seu ombro ser agarrado com força e uma presença que nunca pareceu estar ali agora se fazia presente, virou o rosto para sanar sua confusão e o que encontrou foi um homem quase de sua altura, cabelos vermelhos como sangue, e uma tatuagem na testa.
– Finalmente peguei um de vocês seu desgraçado. – Disse Gaara com uma satisfação incrível enquanto analisava o sujeito.
Mas, Momimaru fazia o mesmo, a frase lhe caiu como um balde de água fria e em um raciocínio monstruosamente rápido ele entendeu quem era aquele homem, “finalmente peguei um de vocês?” Vocês, significava que o ruivo sabia que ele não estava sozinho e só havia um tipo de pessoa que estaria procurando pelo seu grupo, a polícia!
Momimaru viu o braço livre de Gaara se contrair na direção da cintura, mas ele não se deixaria abater, tudo que precisava fazer era acabar com esse ruivinho metido e continuar seu trabalho, mais rápido do que o Sabaku poderia prever o moreno de cabelos longos tirou um revolver de dentro do casaco na região do tórax, enquanto se virava para finalizar o ruivo, Gaara em um movimento defensivo soltou o ombro do sujeito para segurar o braço que não estava armado, lhe agarrou o antebraço e usou a mão livre para bater pulso com pulso, bloqueando o trajeto do revolver que vinha em sua direção, no entanto, com a força do impacto a arma acabou disparando, o cano mirava para fora do beco e atingiu sem dó a menina de vestido marfim que jamais se encontraria com quem quer que estivesse esperando.
(https://www.youtube.com/watch?v=ljocB4rPieU)
Uma pequena comoção havia se iniciado na rua, o corpo da garota banhado em sangue e o som do disparo já haviam começado um pequeno rebuliço, Momimaru estava irritado, por culpa daquele ruivo seu disfarce fora arruinado, convicto em terminar de uma vez aquela disputa se virou para encarar o policialzinho de merda..., mas antes não o tivesse feito.
Gaara rangia os dentes e apertava com amais força ainda o antebraço, e quando Momimaru finalmente olhou em seus olhos um choque inexplicável passou por sua espinha, a temperatura do corpo havia caído pelo menos mais dez graus e todos os poros do corpo pareciam lhe suar frios, aqueles olhos, aquele olhar que transmitia muito mais do que irritação, sim, aquilo era ódio justificado, as orbes negras como carvão lhe miravam com clara intenção assassina, e por alguma razão inexplicável a imagem de seu líder se sobrepôs à de Gaara.
Assustado Momimaru lhe chutou o estomago para fugir beco a fora e disparou mais duas vezes na direção do escuro.
– KYAAAAAAAAAAA!!!
A comoção e o pânico agora eram gerais, as pessoas gritavam e corriam desordenadas pela rua tentando fugir, a imagem vista de cima parecia um formigueiro sendo atacado, Momimaru começou a correr e tudo o que viu foi um vulto rubro disparado do beco e indo ao seu encalço, nenhum do tiros haviam acertado o ruivo e ao que parece o chute no estomago também não lhe fez efeito, Momimaru corria derrubando e esbarrando em todas as pessoas em seu caminho, sem se importar muito em tentar desviar, virou-se novamente e disparou mais três vezes na direção do ruivo, mas tudo o que conseguiu foi atingir mais três pessoas desconhecidas, cada vez que olhava para trás a raiva de seu perseguidor só parecia aumentar.
Momimaru estava se desesperando, disparou mais quatro vezes e nada, eram pessoas de mais correndo, era pânico demais e o ruivo não desistia, a intenção assassina atrás de si só aumentava e isso fazia seu próprio medo e pânico aumentarem também.
– “Quem é esse cara?” “Será mesmo um policial?” – Olhou para trás novamente nunca deixando de correr, o rosto de Gaara se contorcia em ódio e mais uma vez a imagem de seu líder se sobrepôs a dele – “Porque? Porque essa cara mete tanto medo? Parece até que eu estou sendo perseguido pelo próprio Boss”.
Aquilo era simplesmente ridículo, como alguém além de seu chefe poderia lhe meter tanto medo, era inconcebível, mas de alguma forma estava acontecendo, Momimaru agora nem se atrevia a olhar para trás, a aura que Gaara transmitia era tão forte que provavelmente congelaria de medo se o encarasse novamente, sua fuga o levou até um cruzamento, mas para ambos ali pouco importava que o sinal estivesse vermelho para eles, o moreno nem sequer se preocupava mais em mirar, apenas esticou o braço para trás e começou a disparar aleatoriamente, quando aquela pressão toda sumisse teria certeza de que seu perseguidor estaria morto, porem tudo o que ouvia eram gritos e mais gritos, um motorista fora atingido na cabeça e sem controle o veículo invadiu a contramão, causando um acidente maior ainda, tudo parecia ocorrer em câmera lenta, ouvindo os disparos as pessoas se desesperavam e a racionalidade parecia não existir mais, alguns abandonaram seus carros e começaram a correr, outros afundavam os pés no acelerador tentando fugir, mas tudo o que conseguiam era atropelar as pessoas que estavam a sua frente também numa fuga desenfreada.
O tempo voltou a correr normalmente e Momimaru saltou pelo para-choque de um dos carros e se viu novamente em “segurança” na calçada, seus pés já começavam a doer, mas ele se recusava a parar de correr, a cada inocente morto ou ferido a raiva de Gaara só aumentava, acelerou ainda mais o passo abusando de seu coração, seu peito doía pelas batidas fortes e aceleradas, sua vista quase escurecia por saber que o sangue não estava chegando a todas as partes do corpo, mas ele não iria parar, não até colocar suas mão naquele filho da puta e arrasta-lo até o QG.
O Moreno por sua vez não estava muito melhor, mas tão pouco planejava se render, trocou o cartuxo de sua arma enquanto corria e recomeçou os disparos aleatórios, para qualquer lugar que fugisse o caos se espalhava e Gaara não o perdia de vista de jeito nenhum, a Jäger em seu braço o deixava mais lento, mas não poderia desativa-la, o dispositivo conectado ao nervo do braço havia transmitido o comando de Lock On em seu alvo e só por isso não perdera seu alvo, precisava de um lugar mais espaçoso para poder disparar, mas só a caçada já estava lhe exigindo muito de todo o corpo.
Momimaru se enfiou novamente num beco, mas ao invés de continuar correndo, quando chegou a esquina do mesmo se virou novamente para o ruivo e dessa vez seus tiros vinham com precisão acertando o ombro esquerdo do ruivo, auxiliado pela luva Gaara conseguiu se desviar dos outros dois disparos se colando na parede.
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Ambos ofegavam como animais, porem por mais cansado que estivesse a intenção assassina de Gaara não diminuía e aquilo só aumentava o desespero de Momimaru.
– “Ele vai me matar”. – Pensou o moreno – “Ele vai me matar droga! Que raios de monstro é esse? – Mesmo em pensamento o som da voz do moreno era embargado e mesmo que estivesse suando bicas ainda havia liquido em seu corpo para derramar lagrimas de medo – “ É como se eu estivesse sendo perseguido pelo próprio Boss, como é possível alguém meter tanto medo?”
O moreno se virou novamente para o beco e começou a atirar, uma, duas, três vezes até que tivesse certeza de que Gaara não se moveria. Em meio a todo aquele caos a adrenalina misturada ao breve momento de segurança lhe fez lembrar de que não estava sozinho naquele trabalho.
– “É ISSO!” Aqueles inúteis também estão na cidade, não podem ter ido muito longe, vou mandar pegarem as vans, traçar uma rota de fuga e ir pra bem longe do centro, depois é só abandona-los em algum lugar e continuar a fuga a pé, é perfeito!”
Enquanto completava seus pensamentos apertou a discagem rápida em seu celular e ligou para um dos novatos que estava com ele, de preferência o que dirigia, depois de quatro toques o outro lado finalmente atendeu.
– Sou eu, escute e não faça perguntas! O plano já era, e eu estou sendo perseguido por um tira dos infernos, reúna o pessoal e tragam os veículos para a entrada do centro ou estamos todos fodidos!
– Aaah você não faz ideia do quanto. – Uma voz desconhecida e grave respondeu do outro lado da linha, fazendo com que Momimaru voltasse a se desesperar.
– Q-q-quem está ai?
– Um outro “tira dos infernos”, fodido-san. – Brincou Kakashi enquanto se deliciava imaginado o desespero do homem do outro lado da linha. – Nós já capturamos todos os seus amiguinhos aqui no lado leste da cidade e os outros dois que lhe acompanhavam no centro já estão nas minhas mãos, espero que tenha apreciado seu pequeno tour pelo centro da cidade, porque depois que você for pego, não vai ver o sol de novo por um bom tempo.
A situação era bem pior do que o moreno esperava, seus subordinados haviam sido capturados, provavelmente por terem dado bandeira, os veículos de fuga estavam longe e seu corpo implorava por descanso, não podia ser pior.
– Droga, droga, droga, droga, DROGAAAA!! Bando de Imprestáveis! – Vociferou enquanto espatifava o celular na parede.
– E agora o que eu faço!?
Antes que tivesse chance de raciocinar seus instintos lhe relembraram que não estava sozinho ali, sentiu aquele ruivo dos infernos se aproximando rapidamente e continuar atirando só lhe pareceu perda de tempo, mais uma vez ele se pôs a correr, mas Gaara já estava perto de mais, pensou que seria pego, mas o ruivo se encontrava agachado com o braço direito estendido em sua direção, Momimaro não estava entendendo nada, mas nada o faria parrar de correr.
– Muito obrigado por se colocar em um lugar estreito e deserto. – Dizia Gaara com uma voz tão gélida que qualquer vida ao seu redor pularia uma batida do coração.
Gaara rapidamente jogou o casaco para longe e se posicionou para o abate.
– Wepon mode: On – Orders Stand By
Com o auxílio do nervo ótico ampliando sua visão Gaara previu todo o trajeto de Momimaru e com a mira perfeita e um rugido – TENTE FUGIR DISSO AQUI DESGRAÇADO! – disparou.
VIUSH!!
O Projetil segui uma linha perfeita enquanto os fios de metal giravam com força em direção ao alvo, o acertando!
– Nani!?
Os fios de aço se enroscavam com violência pelo corpo de Momimaru e depois da última volta a descarga elétrica percorreu por todo o seu corpo, queimando a pele onde haviam peças de metal....mas aquilo era o menor de seus problemas.
A descarga elétrica que percorreu por todo o seu corpo deu curto no controle dos chips que estava em seu bolso, mandando vários comandos antes de finalmente queimar, mas o pior de tudo era o local onde o choque havia sido desferido, as finas agulhas do projétil haviam se fincado na região superior da barriga e toda aquela eletricidade correndo pelo corpo ativou a até então dormente bomba que estava em seu estomago.
Quando a descarga elétrica finalmente cessou Momimaru ainda de pé estava pálido com lagrimas de desespero e o nariz escorrendo, Gaara pensou que estava presenciando a queda de um covarde, mas quando o viu convulsionar achou algo estranho, a barriga do moreno começou a emitir um som estranho até que se pode ver uma vermelhidão robusta expandindo o corpo todo, primeiro só o estomago, depois o tórax, até que todo o tronco se inchou formando uma esfera, em meio aos espasmos Gaara finalmente entendeu o que estava acontecendo, mas com seu corpo completamente esgotado, já era tarde demais.
– U-so...
BOOOOOOOOOOOOMMMMM!!!!!!!!
De dentro de Momimaru, uma explosão violenta gerou um som que pôde ser ouvido por pelo menos dez quilômetros dali, a força da mesma varreu o beco onde Gaara estava e tudo mais em um raio de 40 metros.
Continua...
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