Tecido E Pimenta
35 Capítulo 35: Uma pequena lembrança
Notas iniciais
– “Eu ainda não acredito no que ele esta fazendo comigo, tá, eu deveria ter me segurado com aquela piadinha dos MIB, até porque estava bem claro que o Uchiha tava de mal humor, mas porra! O cara me arrasta do nada pro estacionamento e me enfia no carro dele!? Isso é sequestro! Qualquer câmera naquela maldita empresa deve ter gravado essa loucura, huff, é bom que ele me leve de volta sem um fio de cabelo danificado, ou ele vai ver só!”
Enquanto Sakura dava um chilique mental por falta de opções, Sasuke estava concentrado em chegar o mais rápido possível no centro comercial mais próximo, apesar de que agora que estava um pouco mais calmo, sua mente havia recuperado um pouco de lucides, e só por isso, percebeu a burrice que havia cometido.
– “No que raios eu estava pensando? Olhando por qualquer ângulo eu acabei de sequestrar uma funcionária, que desculpa eu vou dar ao Gai quando ele der por falta da Sakura...que desculpa eu vou dar A KARIN QUE ESTA TRABALHANDO COM GAI E QUE TAMBÉM VAI NOTAR A AUSENCIA DA SAKURA!?”
Dizem que a impulsividade é um dos vários defeitos que uma pessoa pode ter, mas a verdade é que ela só é um defeito quando a pessoa não sabe utiliza-la, Naruto por exemplo, suas ações, na maioria das vezes impulsivas, lhe trouxeram não só felicidade como também já lhe salvaram a vida muitas vezes, enquanto que no caso do Uchiha esse tipo de atitude só o colocava em problemas ou provinha uma grande dor de cabeça. Defeito? Isso varia de pessoa para pessoa, e definitivamente Uchiha Sasuke não havia nascido para ser impulsivo, pois quando o era...só fazia merda.
Ainda em meio a um conflito mental o corpo de Sasuke se movia em automático, sem desviar-se de seu objetivo inicial, encostou o carro numa esquina qualquer, saiu do automóvel e só depois de andar quase dez metros se lembrou de que não estava sozinho, ou melhor, o sapato que foi atirado contra sua cabeça o lembrou disso.
– Me sequestrou pra me deixar no carro é!? –Vociferou a rosada recolhendo seu calçado – E se não quiser que o roubem eu sugiro que tranque as portas e ligue o alarme.
E assim o Uchiha o fez, mesmo estando desconcertado, tentando recolocar sua mascara de indiferença costumeira logo em seguida.
– Me siga. – Ordenou ele com sua voz calma e fria de sempre, sendo respondido com uma sapatada ainda mais forte dessa fez, já que a “arma” em questão agora estava nas mãos de sua dona.
– Me siga é o cacete! – Esbravejou Sakura com seu calçado em uma das mãos apontando o mesmo na cara do moreno, como se aquele pequeno tamanco fosse uma faca. – Agora escute aqui, eu estou me lixando se você é o meu chefe ou não, o caso é que você deu um piti e me arrastou da empresa até aqui me ignorando durante todo o caminho, então aqui estão as suas opções senhor Uchiha: Fala direito comigo e me diz o que você quer ou eu vou embora agora e te denuncio por sequestro, ou pro Naruto, o que for pior!
Não é preciso dizer o quanto o moreno já estava se arrependendo de toda aquela ideia maluca, que aliais nem era uma ideia na verdade, estava com os nervos à flor da pele naquela hora e tudo que queria era alguém para descontar sua raiva e compartilhar de sua frustração, infelizmente Sakura era não só a pessoa mais próxima, como também a com maior habilidade em tira-lo do sério.
Sasuke deu um suspiro cansado e se viu obrigado, depois de muito tempo, a baixar seu semblante.
– Preciso comprar um presente para minha sobrinha de 2 anos e não faço ideia de por onde começar...me ajuda?
Sakura calçou seu tamanco e rejuvenesceu seu humor em um simpático sorriso.
– Viu só? Caiu alguma coisa por falar direito comigo? – Disse ela num tom brincalhão andando na frente do moreno. – Vamos? Não temos o dia inteiro né?
Se foi ou não uma boa ideia contar com a ajuda da rosada, Sasuke estava prestes a descobrir.
*****
O centro comercial para o qual se dirigiram ficava a exatamente uma hora da empresa, uma distancia que percorrida de carro não é algo exuberante, mas que a pé com certeza daria algum trabalho, então voltar para a empresa sozinha não era uma das opções de Sakura.
A primeira coisa que pediu ao moreno foi para lhe comprar uns três pares de meias, já que andar de tamanco no inverno era o mesmo que pedir para congelar os pés, se sentindo parcialmente aquecida eles percorreram uma boa distancia entre vários e vários estandes, procurando por algo que lhes chamasse a atenção, porem nada parecia lhes puxar tal interesse.
– Assim não dá, — Resmungou a rosada – estamos andando igual a duas baratas tontas.
– Já disse, vamos comprar uma boneca bonita e ponto, meninas gostam de bonecas.
– Bonecas meu caro, só são divertidas quando você tem amigas com quem brincar, caso contrario se torna algo bem solitário.
– Ela deve ter com quem brincar. – Ponderou o moreno.
– Aé? – Interrogou Sakura parando na frente de Sasuke e encarando o mesmo. – Quem são as amigas dela? Do que ela gosta? A mãe costuma brincar com ela?
–...não faço ideia.
– Exatamente! Temos de escolher alguma coisa que vá agradar a qualquer tipo de criança, caso contrario chefinho pode se colocar na lista dos tios chatos.
Aquela frase caiu como uma roxa na cabeça do Uchiha, deixando o coitado com um ar depressivo e a maldita frase ecoando por seus ouvidos.
Tio chato
Tio chato
Tio chato
Tio chato, chato, chato chato...
Enquanto Sasuke se martirizava a rosado continuava a analisar os vários estandes ao seu redor, até que uma fina linha de raciocínio passou por seus pensamentos.
– Espera ai...você não sabe nada dela mesmo? Digo do que ela gosta ou qual é a relação dela com a mãe?
O moreno fechou os olhos por alguns momentos visualizando sua ultima memória da família de seu irmão, reabrindo-os só depois de uma leve fungada, devido ao frio, eles não estavam devidamente agasalhados.
– A minha situação com o meu irmão é um pouquinho complicada, passamos por alguns episódios que são difíceis de esquecer, ele provavelmente nem liga mais pra nada disso, mas eu ligo. – Sasuke remexeu em seu bolso, pegou sua carteira e de lá tirou uma foto até que recente, sem dobraduras nem nada do gênero, ela mostrava exatamente a visão que ele visualizou momentos atrás – Nós voltamos a vida um do outro de modo muito brusco e diferente, ficamos anos sem nos ver achando um que o outro estava morto e visse versa.
Sakura se apoio no ombro do moreno por trás para visualizar a foto, nela estavam Itachi abraçado a sua esposa e Sasuke segurando sua pequena sobrinha recém-nascida, o moreno não olhava para a câmera e sim para a pequena em seus braços, e seu olhar surpreendeu e em muito a rosada, naquela fina imagem ela conseguia enxergar uma ternura palpável com que Sasuke segura a pequena Setsuna, um olhar tão cheio de sentimento que beirava o choro.
– Eu estou com 25 nessa foto, a minha sobrinha nasceu praticamente na mesma época que a empresa, mas eu reencontrei o meu irmão dois anos antes disso.
–...porque você estava quase chorando?
O comentário pegou o moreno completamente desprevenido.
– Da pra notar?
– Uhum, e a sua boca esta um pouco tremula também.
– Aff, e eu achei que tinha me segurado bem, — Reclamou guardando rapidamente a foto — ...foi nesse dia que eu senti que havia voltado a fazer parte da vida do meu irmão.
– E mesmo assim ainda se vê como um intruso? Isso é meio controverso. – Afirmou Sakura com uma sobrancelha arqueada.
– O sentimento nunca vai embora por completo, eu chego a sentir vergonha quando estou com a família dele, mesmo gostando muito delas não consigo deixar de pensar que estou no meio deles e não com eles.
Sakura suspirou forte como se estivesse ouvindo um absurdo ao invés de um pensamento.
– Já falei pra tirar isso da cabeça, você não é só irmão do Itachi, também é tio da sua sobrinha, tem de entender que você também faz parte dessa família.
– Isso sou eu que devo interpretar. – Disse ele bagunçando os cabelos da rosada com uma das mãos, como quando uma criança diz algo sem pensar.
– Isso é um fato, aceite!
– Vou pensar no seu caso tá. – Sasuke lançou-lhe uma piscada provocativa como se quisesse irritar a rosada de propósito. – Vamos logo achar esse presente antes que um de nós congele.
Sakura o observou se distanciar um pouco enquanto arrumava seus cabelos e bufou em desaprovação.
– Ele não é sincero com sigo mesmo, em vários sentidos.
Seguindo ele logo depois.
Aquela pequena tarde ainda estava longe de acabar.
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Enquanto isso, na empresa.
– Huurrrrrrr. – Uma figura irritadiça e desgostosa encarava a porta do salão de treinamento das modelos, esperando que alguém transpassasse por ela, e quando o fizesse, essa pessoa levaria uma voadora no estomago. – Onde-ela-esta? – Perguntou Gai entre os dentes e pela primeira vez com voz de macho.
– Se tem tempo para ficar ai de cara amarrada então vá ajudar a Karin com as outras modelos. – Aconselhou Tsunade enquanto fazia seus alongamentos – Uma hora ou outra ela aparece, não esquente a cabeça.
– NÃO ESQUENTAR A CABEÇA!? – Gritou o instrutor com sua costumeira voz fina e enjoada – Temos duas semanas até o nosso glorioooooso desfile de inverno, e eu me recuso a deixar qualquer uma de vocês subir em uma passarela sem o meu ALVARÁ! Especialmente aquela rosada, yãããh, temos ainda tanto o que fazeeeer – contava ele/ela nos dedos – ela não sabe andar, não sabe desfilar e positivamente ainda não sabe se colocar a cima dos outros.
Tsunade só pôde suspirar vendo que teria de debater aquele assunto com Gai pela centésima vez.
– Eu sei que nós já discutimos isso muitas vezes nesses dois anos, mas Gai, nem todas as modelos precisam parecer deusas em uma passarela, as vezes mostrar um pouco de insegurança e inocência atiça ainda mais a libido delas.
– Hu, fala por experiência própria Boing Boing?
– JÁ DISSE PRA NÂO ME CHAMAR ASSIM! – Vociferou a loira mandando um potente gancho contra o rosto de Gai, rosto esse que foi protegido por ambas as mãos do moreno, expandindo seus músculos e tornando a roupa de bailarina ainda mais apertada.
– Noooo, na cara não, na cara não Boing Boing! – Pediu ele repetindo inocentemente o “apelido carinhoso” de sua modelo veterana, vendo uma grossa veia saltar da testa da mesma logo em seguida.
– Gai, acho que tem um cabelinho fora do lugar na sua sobrancelha, — “Alertou” ela enquanto estalava um dos punhos com intenções tão maldosas que até um cego poderia ver – me deixa tirar pra você.
– No n-no NOOOOOOOOOOOOOOONNN! – Gritou a bicha saindo em disparada.
– Volte aqui!
– NOOOOOOOOOOOOONNN!
– É Hoje que eu vou ajeitar essa sua cara na mão!!
A situação, por mais cômica que fosse, só atrapalhava e atrasava tudo o que devia ser feito naquele dia, as modelos tinham um horário fixo de treinamento, então Karin tinha de fazer o melhor que podia para instruir as outras com o pouco tempo que tinha. Luzes, maquinário, fotógrafos, revistas, propaganda, convidados e mais uma penca de outras coisas que deveriam estar ajeitadas e perfeitas até o dia do desfile, ou seja, mais uma noite de muitas outras que chegaria tarde em casa deixando seu amado sozinho, o que lhe dava animo para continuar tão empenhada era saber que amanhã seria um grande dia, iria conhecer o restante da família Uchiha e passaria o natal sozinha com eles, sendo apresentada oficialmente como companheira de Sasuke, sentiria um pouco de pena por passar essa data longe de seu primo e de Hinata, mas esse era um passo importante em sua relação, e ela seria perfeita.
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Depois de mais uma hora caminhando por aquele centro comercial, que Sasuke com certeza não se lembrava de ser tão grande, os dois estavam quase desistindo e se enfiando num shopping, mais pelo aquecedor do que pelas opções de lojas.
– Atchin, bruuuuh é impressão minha ou esfriou mais ainda? – Perguntou a rosada.
– Já estamos quase no meio da tarde é normal esfriar com a noite chegando. – Respondeu ele também sentindo um pouco mais de frio, mas até que seu paletó estava dando conta do recado. – Vamos para outro lugar, os estandes já estão começando a fechar, mas ainda tem outros que ficam abertos até mais tarde.
Ou seja eles ainda sim continuariam no frio.
– Certo, v-vamos. – Disse a rosada esperando que o próximo local estivesse um pouco mais quente, sentia seus dedos ficando cada vez mais duros, mesmo com a camada de meias protegendo seus pés.
Estavam quase indo em bora quando Sakura escutou um pequeno som.
Uma fina melodia que se destacava no cortante vento frio de inverno, a rosada seguiu institivamente o som, como se estivesse hipnotizada pela melodia e quando deu por sí estava agachada na beira de um estande mais surrado que os outros, mirando uma caixinha de musica, uma caixinha redonda com uma abóboda que se abria revelando um casal dançando em seu centro, e aquela melodia puxou uma memória profunda de seu coração, a lembrança de quando abrira seus presentes de aniversário de seis anos....
Flash Back: ON
http://www.youtube.com/watch?v=hVoYNP4wxIA
– Yosh agora chegou a vez do presente do papai. – Afirmou o homem muito animado e de corpo largo, com músculos bem definidos que o suéter azul não conseguia esconder, sua maior peculiaridade eram os cabelos na forma de uma flor de cerejeira e com a tonalidade da mesma, de sua aparência podia-se deduzir que já estava perto dos 40 anos.
– Legal legal! Me da papai me dá!! – Pedia uma garotinha de cabelos tão róseos quanto os do pai, a menininha vestia uma blusinha de algodão vermelho com um cachecol branco do mesmo tecido.
– Calma Sakura, o presente não vai fugir de você. – Uma moça de no máximo 30 anos com cabelos beges e olhos verdes esmeralda acalmava a menina.
– Eu sei mamãe, mas é que os presentes do papai são sempre feitos à mão, e ele nunca me deixa ver o que esta construindo. – Disse ela estufando as bochechas como se fosse um resmungo.
– Kahahaha é porque senão não seria surpresa minha filha, bem aqui esta cerejinha, pode abrir.
A pequena jovem não tardou em rasgar com vigor a embalagem simples de papelão, tomando cuidado para não estragar o laço muito bonito do embrulho, e se maravilhou ao ver o conteúdo, apesar de que...
– Nossa nossa nossa que incrível!...mas o que é isso papai? – Perguntou ela com a cabecinha pendida para o lado.
– KaHAHAHA, todo essa empolgação sem saber o que é filha. – Riu o robusto homem enquanto apontava para o pequeno objeto e se divertia com as expressões da filha.
– Ah, mas é que é muito bonito! – Afirmou a rosada com uma bolinha dourada cheia de detalhes em suas duas mãozinhas.
– Esta vendo o botão que parece uma manivela? Gire ela até ouvir um “click” e depois solte.
E assim a pequena o fez, com grande expectativa do que poderia acontecer e quando terminou de girar, o pequeno globo durado se abriu com uma linda melodia e dois bonequinhos dançando em seu centro.
– Uma caixinha de música! Que massa! Obrigada papai! – Dizia ela enquanto pulava e abraçava o pai esfregando o rostinho nas bochechas ásperas, devido a barba do pai, que ela tanto gostava.
– Kahahaha agradeça a sua mãe também, foi ela quem me deu a ideia.
A pequena abriu um dos braços para a mãe se aproximar e repetiu o mesmo carinho nela.
– Muito obrigada, vocês são os melhores pais do mundo!
– Então você deve ser a melhor filha do mundo não é? – Brincou a mãe enquanto fazia o carinho brincalhão da família, esfregando o rosto em uma das bochechas da filha, sendo imitada pelo marido.
– Kahahaha
– Hahahahahihihahahahaha...........
Flash Back: OFF
Sakura retornou a realidade com os olhos pesados e um gosto amargo na boca, decorados por um sorriso melancólico que certamente não combinava em nada com a usual “personalidade” animada da rosada, mas a voz firme do moreno atrás de sí a recompôs quase de imediato.
– Achou alguma coisa?
Ela enxugou os olhos enquanto fingia que limpava no nariz e se voltou para ele de volta a sua expressão normal, ou ao menos assim ela achava, Sasuke notou na hora a diferença na face da rosada, devido as experiência em uma parte de sua vida era bem difícil mentirem e conseguirem enganar o Uchiha, mas em consideração a ela não comentaria sobre isso agora, até porque ela não parecia disposta a compartilhar nada no momento.
– Isso. – Apontou ela para o pequeno globo á sua frente, o qual o moreno não tardou em segurar em mãos para avaliar.
– Ora veja só, uma caixinha de musica, — Analisou ele girando a pequena manivela para escutar a melodia. – boa aparência, melodia agradável, até os bonequinhos são bem feitos, é quem diria que acharíamos algo assim aqui. Eu vou levar, quanto custa senhor?
– Cem dólares.
– Aqui. – Respondeu o moreno no automático fazendo os olhos do vendedor se exaltar.
– Rapaz eu estava só brincando, essa coisinha ai não chega nem a 20 dólares, no máximo uns 15.
Com tal informação Sakura sentiu uma pequena pontada no peito...é triste pensar que algo que compõe uma memoria importante para nós, pode ter um valor tão baixo.
– Bom eu não tenho nota menor do que essa, e vocês com certeza não aceitam cartão aqui.
– Mas –
– Olha se o problema for o troco pode ficar eu não faço questão! – Disse ele apressado, pois o frio só aumentava e o vento ficava cada vez mais forte, já se podendo notar aquela assovio fino no ar.
– Opa que beleza, não vá se arrepender heim senhor. – Dizia o homem enquanto arrumava com agilidade os produtos de seu estande e jogava tudo em uma trouxa.
– Pode deixar eu não vou.
– Então tá, bom feriado! – Se despediu com pressa e sumiu de vista em instantes.
– Bom, demorou, mas valeu a pena, agora só preciso de um bom embrulho e esta feito. – Disse ele com um sorriso enquanto admirava o objeto, a caixinha era realmente bonita.
– Atchin, p-podemos f-fazer uma pausa? – Pediu a rosada com a voz um pouco estranha e arranhada.
–Tsc, deixe de moleza! – Reprovou ele desviando o olhar do objeto – Depois de achar uma boa papelaria nós podem –
Mas a frase morreu na garganta do Uchiha quando mirou a rosada, os joelhos dela tremiam, sua pele estava mais pálida que o normal, destacando o nariz avermelhado e talvez entupido, os braços estavam colados ao corpo enquanto ela tentava inutilmente aquecer sua mãos com pequenas baforadas tremulas, e agora que olhava ao seu redor o vento forte de antes já havia se transformado em uma nevasca.
Sasuke engoliu em seco tendo vontade de se jogar num lago congelado, havia notado sim a queda de temperatura conforme o tempo passava, mas estava tão compenetrado em achar algo naqueles estandes que em momento algum parou para olhara o estado da rosada, e agora ela estava ali, azul de frio e só deus sabe por quanto tempo, tudo por culpa de suas atitudes impulsivas, arrastou-a do nada pela empresa com tanta pressa que ela nem pôde pegar seu casaco e suas botas no hall, mais uma vez havia se colocado a frente de tudo e a todos por seus próprios interesses.
O que o tirou de seu transe foi ver os espirros da Haruno se transformarem em uma forte tosse, imediatamente se despiu de seu paletó e cobriu Sakura com ele passando um dos braços por seu ombro e segurando ambas as mãos da rosada por dentro do paletó.
– O-oque esta fazendo?
– Não fale muito, vai incomodar a garganta, — Disse ele com o tom de uma ordem, mas ao mesmo tempo preocupado enquanto já conduzia a rosada para fora dali – vamos sair daqui antes que você fique doente.
Terminou trazendo-a para mais perto de si, já que seu corpo estava bem mais aquecido, e ela, não recusou a aproximação.
#####
Alguns minutos depois a rosada se encontrava dentro de um cybercafé apreciando sua segunda caneca de chocolate quente cremoso, sua cor havia melhorado consideravelmente e ela ainda vestia o paletó do Uchiha, Sasuke por sua vez se encontrava quieto em sua cadeira sem proferir uma única palavra desde que adentraram o local, hora seus olhos miravam a mesa , a janela cheia de gelo e as feições de Sakura enquanto se esquentava com sua bebida, e sem saber ao certo quando, o olhar do moreno repousava agora somente sobre a rosada.
Sua expressão parecia tão diferente dos habituais gracejos e falta de educação com o qual ele estava acostumado a presenciar, seus olhos se mantinham semi-cerrados e concentrados na bebida achocolatada, seu sorriso radiante pareceu que nunca havia existido e o ar sobre si beirava a algo melancólico.
– Ei, — Chamou ele depois de meia hora em completo silencio, a rosada subiu o olhar, mas sem retirar a caneca de seus lábios – você esta bem?
Sakura baixou a peça de mármore e lhe sorriu de forma costumeira, porem sem conseguir voltar a sua expressão habitual.
– Sim, já estou melhor, só precisava de algo para me aquecer, — Ela falava meio pausada e com um tom tão calmo que era como se seu corpo clamasse por um sono longo e profundo – obrigada.
Porque ela agradecia? Era culpa dele não era? O estado em que se encontrava era divido a irresponsabilidade dele...então, porque?
Em um súbito sentimento de vergonha Sasuke cobriu sua face com uma das mãos sem coragem de mira-la novamente.
– Eu sou um idiota.
– Não fale assim.
– Um irresponsável. – Insistiu ele.
– Sasuke –
– O que eu faço se acontecesse algo com você? O Naruto me mata! – O moreno se recostou na cadeira e se permitiu uma postura desleixada, ao menos naquele momento – O que eu estou fazendo? – Se perguntava ele englobando aquela interrogativa a todas as decisões que havia tomado em sua vida, mas era óbvio que Sakura não entenderia assim.
– No momento esta agindo feito um bobo, — Com tal comentário o moreno ergueu o olhar – você se martiriza demais por qualquer coisa que faz de errado, se da um desconto vai chefe, eu faço merda o tempo inteiro e nem por isso fico pra baixo.
Sasuke após um longo suspiro se arrumou em sua cadeira e apoiou uma das mãos ao queixo, sem mirar a rosada.
– Chego a ter inveja sabia? De pessoas despreocupadas como você.
– Huff quem aqui é despreocupada? – Reclamou ela com uma virada de rosto indignada – Saiba que eu tenho muitas preocupações tá.
– Tipo o que?
– Huuuum – Pensava ela com um indicador na testa fazendo várias expressões diferentes – parando para pensar a maior parte delas é sobre o desfile. – Tendo a atenção do moreno para si novamente Sakura começou a contar nos dedos – Ainda não sei desfilar, como me comportar na passarela, segundo o Gai não sei nem como andar direito...me atrapalho toda...não tenho um corpão como o das outras modelos...me pergunto se o Naruto não me contratou só por contratar.
– Se esse fosse o caso eu já teria te colocado pra fora há muito tempo, — Sakura encarou o Uchiha com surpresa ao notar que o mesmo passara de deprimido para sério sem ela perceber – em seus primeiros dias de trabalho já havia ganhado a atenção de muitos funcionários da empresa inclusive a simpatia do Chouji, você cativa as pessoas com facilidade e essa é uma ótima qualidade nesse ramo, tenho certeza de que aquele loiro tapado viu alguma coisa em você também. – dizia enquanto pegava a caneca de Sakura e tomava o resto do conteúdo cremoso – Se eu me martirizo demais, então você não se da crédito algum, pelo menos uma qualidade você tem e esta rodeada de bons profissionais, vai dar tudo certo, daqui duas semanas você estará estreando como uma verdadeira modelo, e eu vou te ajudar, então melhora essa cara vai, nem parece você.
–...Sasuke.
– O que?
– Esse chocolate é meu.
– Huff. – O moreno simplesmente apontou com a cabeça para a vidraça que os separava da rua e Sakura arregalou os olhos com tal visão, o vidro estava tão branco que mal podia-se ver o lado de fora – A nevasca de antes se transformou em uma bela tempestade, infelizmente não vamos sair daqui tão cedo, então peça quantos chocolates quiser.
– Eu espero que um lanchinho também esteja incluso, depois daquela andança toda tô morrendo de fome.
– E eu só espero que o cozinheiro daqui te aguente.
E assim os dois passaram o resto daquela fria tarde de inverno conversando sobre os assuntos mais banais, as vezes tocando no nome de Naruto, Hinata e até mesmo alguns funcionários da empresa, mas em momento algum o nome de Karin fora mencionado, ou, sequer lembrado.
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Cerca de cinco horas depois os dois finalmente haviam conseguido sair do cybercafé, as ruas que deveriam estar abarrotadas de neve eram rapidamente limpas e escavadas pelos primeiros robôs varredores, seres automatizados e exclusivos dos órgãos públicos do governo, as maquinas eram um pouco menores do que tratores, sendo que cabiam dois em cada via das ruas, suas cores variavam entre o branco e um vermelho forte e vibrante para que as maquinas não fossem camufladas pela neve, estes “seres” por assim dizer causavam uma impressão tão grande, que as pequenas cabines onde se encontravam seus renomados motoristas eram facilmente esquecidas.
– Até hoje me impressiono vendo uma coisa dessas passando pelas ruas, — Comentou a rosada – parece até coisa de gibi.
– Bem, querendo ou não os anos estão passando e o progresso esta ai para provar, as empresas automobilísticas estão quase finalizando a primeira linha carros voadores.
– E é claro que certa pessoa que não é nada extravagante vai ser a primeira a querer comprar. – Sarcasteou Sakura com uma sobrancelha levemente voltada para o moreno.
– Seja quem for essa pessoa lhe desejo boa sorte.
– Hã? Você não quer um desses?
– Bom, querer até quero, mas os primeiros modelos sempre vem com algum defeito, fora que o custo pra se manter um veiculo desses deve ser alto demais, se eu for comprar um desses será daqui uns 20 anos, tenho pena do excêntrico que comprar o primeiro modelo.
– Hum, bem, eu só sei de um grupo que eu vou ter pena daqui vinte anos.
– Quem?
– Dos vendedores de pneus.
– Hahahahaha
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As exatas 23:00 horas a dupla havia finalmente conseguido chegar até o Chrysler Building, era um pouco tarde então Sakura insistiu que não queria acordar ninguém da casa, logo, pediu a Sasuke para que abrisse a porta do apartamento com sua chave reserva, no entanto, ao soar do trinco a porta foi bruscamente aberta por um loiro irritado em suas vestes de dormir, mas que estancou com a visão a sua frente, Sasuke pelo susto segura a Haruno contra o peito e esta ainda vestia o paletó do Uchiha por cima dos ombros, o moreno foi o primeiro a se recuperar do choque e tratou logo de se recompor, soltando a rosada que estava tão desconcertada quanto ele.
– Que sus-
– Onde você estava!? – Vociferou o loiro para a rosada sem dar atenção ao amigo.
– E-eu –
– Tem ideia de que horas são!? Você não tem celular, seu casaco ainda estava na empresa e você me some durante o dia inteiro sem dizer nada! – Com a bronca em tom elevado acordou até mesmo Hinata, que antes se encontrava deitada no sofá da sala trajando um roupão branco. – O Gai invadiu a minha sala aos berros perguntando por você! Como acha que eu fiquei!?
– Da pra baixar o tom de voz comigo, eu não sou criança pra ter de ficar te dando satisfação. – Argumentou a rosada sem pensar realmente em suas palavras, e se o loiro já estava irritado antes, agora estava soltando fogo.
– Você é minha funcionária e sumiu sem dizer nada, então me deve satisfações, — O modo pausado como o loiro se pronunciava arrepiou até o ultimo fio de cabelo róseo da Haruno, era tão diferente de seu tom habitual de quando estava bravo, parecia que aquela era a primeira vez que Sakura via o Uzumaki realmente enfurecido. – mas principalmente, você é membro desta família, se for para sumir então ao menos nos diga alguma coisa antes, Hinata saiu no meio daquela tempestade para te procurar.
Ao reparar melhor em sua “irmã” Sakura pode notar a coloração mais opaca na pela da Hyuuga e um avermelhamento destacado em seu nariz, mas o principal era o cansaço transparente em seus olhos, de quem havia andado por horas procurando por um borrão rosa naquela tempestade de neve, o peito da Haruno não poderia se encher mais de culpa mesmo se ela quisesse.
– E quanto a te tratar como criança, bem Sakura, hoje você agiu como uma e eu só estou lhe tratando como tal.
– Olha Naruto, antes que você continue com o sermão, — Começou Sasuke mas este foi prontamente interrompido pelo loiro.
– Já lido com você, vamos entre logo! – Ordenou ele a Haruno e esta o atendeu a passos lentos e cabeça baixa, pendurou inconscientemente o paletó do moreno em uma das cadeiras, passou silenciosamente por Hinata que a acompanhava pelo olhar, e a mesma fez questão de acompanha-la até o quarto, deixando os dois homens sozinhos.
– Entre. – Disse o loiro dando as costas para o amigo e se sentando na poltrona da sala, o Uchiha após trancar a porta o seguiu sem dar um pio, e se ajeitou no sofá ao lado da poltrona.
Naruto suspirou alto e só depois de esfriar os nervos se dispôs a ouvir o amigo.
– Não precisava falar daquele jeito com ela, deve tela assustado, — Alfinetou o moreno vendo o loiro de cabeça baixa – a culpa é minha você já sabe disso.
– (Longo suspiro) É eu percebi assim que abri a porta, mas isso não muda o fato de ela ter nos deixado preocupados, só queria que ela entendesse como nós nos sentimos durante a tarde toda...agora quanto a você, — Sasuke quase deu um pulo do sofá ao ver a cara do amigo e o mesmo se preparando para se levantar da poltrona, mas... – ah esquece – Naruto voltou a se sentar – a minha vontade é de afundar a sua testa, mas eu tô muito cansado pra isso.
– Ufa, sorte minha então –
– Não pense que se safou ainda, dependendo da sua resposta de boto pra fora daqui com as pernas do avesso.
– “Glup”
– Onde se meteram durante a tarde e o que estavam fazendo.
Vendo que não adiantaria mentir-lhe, e na verdade nem era preciso, Sasuke narrou tudo o que passara com a rosada, desde aquele inicio de tarde até as altas horas de agora, a vontade de agredir o Uchiha não havia diminuído, mas tão pouco seu cansaço, prolongar tal assunto seria ainda mais cansativo então pra que se estressar.
– Vou ser curto e grosso com você ok?
– ...manda.
– Apronta uma dessas de novo e eu explodo o seu carro,se você vai estar dentro dele ou não eu decido na hora.
–...ok, mensagem recebida, mas porque isso tudo? Digo –
– Eu estava realmente preocupado com ela, no mínimo assustado, que algo tivesse acontecido e ela teria fugido, voltado a antiga vida dela.
– Ora vamos, com tudo que você tem oferecido a Sakura porque ela faria isso? Como ela cogitaria algo assim?
– Não sei, e é exatamente isso que me amedronta...ela é uma bomba relógio Sasuke, pronta para explodir a qualquer momento e liberar todas as emoções que estão reprimidas.
– Então...apenas, desarme a bomba. – Disse o moreno como se a resposta fosse simples e cumpri-la mais ainda. Naruto o olhou meio sobressaltado, mas sem deixar realmente transparecer isso.
– É o que eu tenho tentado fazer, mas — Disse o loiro se levantando – a essa hora da noite eu não desarmo nem o meu despertador, você sabe onde é a saída, tchau.
– Ei ei espera um pouco! – Exclamou o moreno segurando o loiro pelo braço.
– Que é?
– Acha que eu entrei aqui só pra ouvir sermão, eu também quero falar com você.
– Sobre?
– Hum...bem...eto...sobre o...o....
– Sasuke, eu estou realmente a ponto de te enxotar daqui, me diz o que você quer de formar simples e objetiva.
– Simples e objetiva?
– Sim.
–...ta bom (suspiro) vem pra Washington comigo?
–...
–...
– Ok, talvez você precise complicar um pouco pra mim.
Continua...
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