Tecido E Pimenta
34 Capítulo 34: Um dia de reflexão
Notas iniciais
Após passarem pela recepção, chamando um pouco a atenção de Kakashi, as duas moças subiram sem muitos problemas até o ultimo andar, chegando finalmente à cobertura, Hinata colocou Konan no maior sofá da sala para só depois guardar sua compra na cozinha.
Enquanto esperava a jovem voltar, Konan não pôde deixar de notar na decoração da casa, era uma cobertura enorme onde se via de tudo, lembrava um pouco sua própria casa, mas ali parecia haver um aconchego diferente, fora que a própria mobília de sua mansão era bem mais cara e chique que a do apartamento, mas o que realmente chamou a atenção da azulada, foi o fato de não haver um único toque feminino no ambiente.
A sala era o ponto central da cobertura, dando uma ampla visão de uma boa parte do recinto, e para todo lugar que ela olhasse, tudo parecia muito masculino, nem uma delicadeza ou frescor por assim dizer, aquelas cores vivas com que ela mesma fazia questão de decorar sua casa, mesmo que não fosse de todo agrado de seu companheiro, mas ele nunca diria isso abertamente para ela. Pelo pouco que teve a oportunidade de conhecer sobre Hinata, ela esperava por um lugar...com mais frescura.
Poucos minutos depois a Hyuuga já estava de volta e trazia com sigo uma bolsa de gelo improvisada.
– Muito bem agora vamos ver esse pé. – Cantarolou ela como se fosse uma criança prestes a brincar de médica.
Konan obedeceu prontamente e com um pouco de dificuldade retirou sua bota de cano alto, surpreendendo a si mesma e a Hyuuga com a visão, seu tornozelo oscilava entre a cor roxa e vermelha, formando uma pequena bolota inchada no local.
– Meu Kami, Konan-san como você conseguiu andar desse jeito? – Perguntou ela enquanto prensava gentilmente a bolsa na região dolorida, antes de respondê-la Konan soltou um alto suspiro de alivio com um sorriso largo no rosto.
– Com o tempo eu aprendi a ignorar certas dores, algo desse nível me parece apenas um leve incomodo, mas por causa disso acabo subestimando meus machucados e superestimando o meu corpo, — Narrava calmamente retirando a bolsa das mãos da Hyuuga e pressionando com um pouco mais de força. – pensei que o incomodo de mais cedo fosse apenas o latejo depois de quebrar a cara daqueles imbecis, mas pelo visto eu estava arrebentando a minha perna junto, — Se recostou mais confortável no sofá e trouxe a perna machucada para cima também, enquanto ainda pressionava o gelo. – eu provavelmente só perceberia o machucado tarde da noite, quando meu tornozelo já estivesse bem pior, — Concluiu ela encarando a Hyuuga. – obrigada por insistir de eu ficar, ah e pelo chute também. – Alfinetou-a propositalmente.
– Eu já pedi desculpas por isso poxa.
– Huhuhu, eu sei, só estou te provocando.
– Hehe, eu vou trazer alguma coisa pra gente beber, — Avisou-a já se direcionando a cozinha. – gosta de suco de melancia?
– Pode ser! – Elevou a voz ao responder, pois a Hyuuga já se encontrava longe.
Vendo-se sozinha por alguns momentos se aconchegou ainda mais no enorme sofá, estava acostumada a ficar acordada até tarde da noite ajudando com pequenos assuntos do negócio de fachada de seu namorado, lhe tornando uma criatura diurna, mas aquele móvel de couro tão macio fez seu corpo inteiro relaxar, abatendo e soltando todo o cansaço no mesmo, respirou fundo contra o móvel e estranhou ao exalar um cheiro gostoso, um odor que não sentia há muito tempo, algo quente e reconfortante.
– Esse cheiro...que nostálgico, me faz lembrar daquela melodia,...porque? – Foi tudo o que disse antes de cair em suas mais profundas lembranças, junto a um sono pesado e necessitado.
Após isso Hinata já havia voltado à sala com um copo de suco em mãos, mas antes que pudesse se manifestar percebeu o gostoso sono em que a gentil estranha se encontrava, depositou o copo na mesinha de centro e correu para o quarto de Naruto em busca de um cobertor, voltou para sala e retirou com cuidado a outra bota da azulada para não acorda-la, depois cobriu-a com a grande coberta de algodão, e enquanto a ajeitava perto da região do pescoço, notou que Konan murmurava algo em seus sonhos.
–...na...Naruto...
–...
Os olhos de Hinata se arregalaram de leve, e sua boca entre abriu, como se quisesse dizer alguma coisa, se afastou um pouco da azulada, e depois de observar o sono da mesma por alguns minutos, riu baixinho e envergonhada passando uma das mãos agitadas em sua nuca.
– Haahahaha, as peças que a mente prega na gente, eu penso tanto no Naruto-kun que já comecei até a ouvir o nome dele em tudo que é canto! – Deu duas tapinhas de leve na bochecha para despertar e renovou sua força de vontade. – Yosh, Naruto-kun e Sakura-chan vão chegar famintos do trabalho, especialmente a Sakura-chan, preciso terminar essa sopa antes da noite chegar!
Com isso Hinata correu na ponta dos pés de volta para a cozinha, preparando-se para se aventurar no mundo da culinária, deixando sua convidada descansando mais do que confortável na sala de estar.
...As vezes, como meio de nos proteger, a mente realmente chega a pregar peças em seus donos, mas...talvez, só talvez, a verdade, fosse muito melhor, do que uma proteção tão frágil como essa.
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De volta à empresa.
Sasuke já devia ter dado pelo menos uma volta completa por toda Tecido e Pimenta, sem um rumo certo a seguir, nem mesmo ele havia notado o trajeto percorrido por suas pernas, que aliais não era pouca coisa, mas as palavras da rosada ainda ecoavam fundo em sua mente.
Há quanto tempo não visitava seu irmão? Provavelmente mais de um ano, pois a ultima vez que o vira, de modo pessoal, foi no primeiro aniversário de sua sobrinha, fato este que o fez se remoer mais uma vez, há um mês havia sido o aniversário de dois anos dela, e ele como ótimo tio que era...esqueceu-se completamente do evento, é, seu presente de natal teria de ser no mínimo espetacular para remediar a situação, dizem que crianças pequenas guardam magoas pelo resto da vida...ou seriam os gatos? Sinceramente não sabia dizer.
Estava tão absorto com sigo mesmo que nem notou quando uma mão leve e carinhosa tocou-lhe o ombro, fazendo seu compasso sessar.
– Até que em fim te alcancei, não estava me escutando? – Reclamou Karin ao seu lado.
– Karin? O que esta fazendo aqui?
– Hããã eu trabalho aqui, e estou em horário de almoço? – Brincou ela no mesmo tom que seu namorado, apesar de que Sakuse estava realmente confuso. – Que aliais nós deveríamos passar juntos, já que o tempo agora é o meu maior inimigo.
– ...
– Amor, — Chamou ela despertando o moreno. – esta com algum problema?
–...Acho que não é exatamente um problema, é só que, eu vou passar o natal com meu irmão.
– Hum?
– Acho que eu já te falei dele não é?
– Eto, ichi...ita – Formulava ela com um indicador na testa — ...Itachi-san?
– Ele mesmo, disse que é uma data para se passar em família e bem a Saeko-san também esta pedindo.
– E ela seria?
– Esposa dele.
– Acho que essa é a primeira vez que você me conta algo sobre ele. É bem mais velho que você?
– Quatro anos de diferença.
– Huuum, filhos? – Continuava ela a questionar, não era sempre que se podia ter uma conversa sendo a família de Sasuke o tópico principal.
– Setsuna, dois anos...deixei de ir ao aniversario dela no mês passado.
– Isso é muito feio.
– Eu sei.
–...
–...
– Eu quero te levar comigo. – Anunciou ele com a mesma calma que manteve nos últimos minutos.
– O que?
– Quero te levar, e te apresentar direito a minha família.
Karin não pôde evitar de sentir uma grande felicidade dentro de si, pois para ela, aquilo significava um grande avanço na relação dos dois...mas
– Mesmo na véspera de amanhã eu ainda devo trabalhar até tarde. Onde ele mora?
–...em Washington.
– Em Washington!? – Exclamou ela se mostrando mais descontente do que deveria. – Sasukeee isso é muito longe, não vou conseguir chegar antes do Natal. – Pigarreou, pois essa era sua chance de ser cordialmente apresentada a família de sangue do moreno, mas com todo o trabalho que tinha pela frente, seria muito difícil estar presente para a ocasião.
Sasuke por sua vez não pode deixar de se sentir feliz com a coloração mais viva no rosto da namorada e o brilho em seus olhos, apesar de ainda notar uma pontinha de tristeza.
– Vai sim, vou deixar assentos reservados em todos os voos da noite e da madrugada de amanhã para você. De um jeito ou de outro você vai estar lá, e vamos passar o nosso primeiro natal em família.
Apesar do sorriso em seu rosto a ruiva bufou em reprovação.
– Tá eu vou, mas você tem de perder essa mania de esbanjar tanto dinheiro.
– Se for só de vez em quando não faz mal né?
– Hu, e isso vai estar valendo a partir de quando?
– Huuum, pode ser a partir de agora?
– Haha certo.
–...
– A minha hora de almoço acabou eu tenho de voltar ao trabalho. – Disse a ruiva encarando o moreno por alguns segundos, como se esperasse alguma coisa por parte dele, o que depois de longos minutos, não aconteceu,...era sempre assim, um passo para frente e dois para trás, se aproximou para dar um beijo no Uchiha e se desviou de seus lábios dando apenas um selinho na bochecha, sem mais nada a dizer se retirou para seus afazeres, deixando Sasuke do mesmo jeito que havia-o encontrado. O moreno por sua vez, apenas virou-se para o outro lado decidindo ir almoçar, mesmo o horário do mesmo já tendo terminado....
“Naquele dia, eu não sabia o que os olhos da Karin queriam me dizer, não entendi o porque de ela me encarar daquele jeito, de evitar um beijo direito, e o semblante que tinha quando partiu, eu não pude, ou não quis entender, na hora, não me interessava entender, mas se pudesse voltar aquele mesmo momento quando ela se despediu de mim, com certeza me daria um soco na fuça, daqueles de arrancar os dentes, seria muito melhor sentir a dor de uma boca quebrada, do que da solidão que eu senti naquela noite”.
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Três horas depois...
Após um longo cochilo Konan despertou quase num salto pelo susto de não estar em casa, como ainda não estava louca nem nada, logo se lembrou dos acontecimentos naquela tarde, relaxando e voltando a se deitar, notou a coberta macia sobre o seu corpo e a falta de suas botas, então seus pensamentos pararam em Hinata.
– Essa menina é mesmo anjo. Quem trata um estranho tão bem assim hoje em dia? – Argumentou ela com um logo suspiro, sentindo suas narinas serem impregnadas por um perfume gostoso, o mesmo cheiro que sentiu ao se deitar naquele sofá, porem agora muito mais vívido, ficou ali sem saber ao certo por quanto tempo fungando com deleite naquela coberta, quase voltando a cair no sono, porem quando sua mente passou a analisar melhor aquele cheiro, uma pequena porção de realidade tombou sobre si, lhe atirando uma conclusão um tanto perturbadora.
Fazendo com que a azulada afastasse a coberta e mirasse a mesma.
– O que eu estou fazendo fungando na coberta de outra pessoa? Por acaso virei uma pervertida? – Se auto questionava com real confusão sobre suas ultimas ações, no entanto isso não a impediu de respirar mais uma vez a essência naquele algodão macio, e constatar mais uma coisa. – Mas esse cheiro, não tenho duvida de que isso é cheiro de homem. – Concluiu ela olhando mais uma vez ao redor da casa. Queria retomar o raciocínio, porem um barulho alto e um gritinho agudo chamaram sua atenção, logo constatou que o som vinha de uma área próxima a da sala.
Tentou calçar suas botas para andar, mas a dor logo a fez recuar, apesar do inchaço ter diminuído a dor ainda era bem incomoda, sentiu o geladinho gostoso do chão de madeira sob seus pés e se pôs a caminhar, mancando bem menos do que antes.
Chegando a fonte da prévia comoção a moça não pôde deixar de se espantar, não pela beleza da cozinha em si, mas sim pelo caos cobrindo a mesma, algumas panelas e frigideiras jogadas ao chão, assim como alguns utensílios, sobre o fogão uma panela tentava transformar água em neblina instantânea de tão alta que era a temperatura do fogo, logo seus olhos caíram sobre a pia, onde viu-se uma figura, que ela julgou ser Hinata, tentando cortar alguma coisa, e com mais violência do que deveria.
– Eto, H-Hinata?
– Ah Konan-san!
A visão que Konan teve a seguir foi talvez a mais assustadora de toda sua vida, a jovem Hyuuga tinha sangue (tomate) espalhado por toda sua face, mãos, cabelo e roupa, e apesar de lhe virar com um sorriso no rosto a faca empunhada estava tendida para baixo e completamente empapada de sangue (tomate), dando a Konan a visão de uma assassina querendo seu corpinho, mesmo todas as experiências de vida da azulada não haviam lhe preparado para aquele tipo de visão, chegando até a sentir sua espinha gelar.
A dor no tornozelo só contribuiu para que suas pernas falhassem levando Konan quase que prontamente ao chão, Hinata por sua vez logo se aproximou para ver o seu estado, mas...teria sido muito melhor deixar a faca na pia em vez de leva-la com sigo, pois logo que se abaixou para amparar a desconhecida, viu o rosto de Konan empalidecer no mesmo tom que seus cabelos, e jurou ter escutado um gemido muito baixinho por parte dela.
– Konan-san você esta bem? Não deveria se esforçar se ainda esta sentindo tanta dor. – Hinata lhe ofereceu a mão para levantar, mas logo a recolheu notando o estado da mesma. – Opa, só um minutinho. – Pediu ela caçando um pano para se limpar. – Eu estou toda melecada, não sabia que tomate podia fazer tanta sujeira.
– To-ma-te? – Repetiu a azulada olhando mais uma vez para a pia, fogão, o resto da cozinha e Hinata, depois foi só juntar dois mais dois para a azulada lacrimejar e rir de sua própria confusão. – Tomate hahahahaaaa TOMATE HAHHAHAHAAHAA!
– E-eto, Konan-san, o que tem de tão engraçado em tomates?
– Hahaha nada, absolutamente nada querida, me desculpe acho que ainda estava muito sonolenta. – Afirmou ela se levantando por conta própria e notando algo mais em suas palavras. – Por falar nisso, eu sinto muito, não sei como fui cair no sono.
– Que é isso, não tem problema nenhum, deveria esta muito cansada.
– É, preciso rever as minhas horas de sono...por falar nisso que horas são?
– Acho que quase umas cinco da tarde.
– Ah tá cinco da...cinco da tarde!?
– H-hai?
– Ai Kami como pude dormir tanto tempo?
– Eu falei que você devia estar cansada.
– Onde esta a minha bolsa?
– Na mesinha de centro da sala.
Logo que ouviu a resposta Konan voltou ao local o mais rápido que seu tornozelo lhe permitiu, arrancou o celular da bolsa e constatou zero mensagens não lidas, zero chamadas não atendidas, suspirou em alivio por ainda não terem dado por sua falta.
– Você tinha algum compromisso? – Perguntou Hinata meio temerosa, pensando que talvez tivesse sido melhor acorda-la mais cedo.
– Não, não é isso, eu apenas fiquei um pouco preocupada pelo meu namorado, ele é um pouco...possessivo, e se desse pela minha falta era capaz de sair pelas ruas me procurando.
– Huuum, então Konan-san tem namorado, hehe, bem não é de se estranhar né.
– Hã? Como assim?
– Ta brincando né Konan-san, já se olhou no espelho? Você é linda. – Afirmou a Hyuuga com seu sorriso mais doce e sincero, daqueles que se tende à cabeça para o lado e os olhos se fecham juntos involuntariamente.
Konan por sua vez não pôde deixar de corar e arregalar um pouco seus orbes, receber elogios de Yahiko não eram assim tão raros, mas dificilmente continham muita emoção, já Hinata parecia transmitir carinho palpável em suas palavras, e por serem tão sinceras constrangiam a azulada mais ainda.
– M-muito obrigada...mas você também, não fica atrás não é mocinha?
– Hã?
– Perdoe a indelicadeza, mas eu estive reparando um pouco no lugar desde que cheguei aqui, e...não percebi nenhum toque feminino, você mora aqui com alguém não é?
– É claro, se morasse sozinha não escolheria um apartamento grande desses de jeito nenhum. – Afirmou a Hyuuga expandindo os braços e dando pequenas voltas na sala, agora que lhe fora comentado não havia um único toque no ambiente que denunciasse uma presença feminina ocupando aquele local, tirando é claro a roupa intima na lavanderia. – Seria muito solitário chegar de noite do trabalho, e encontrar somente uma casa enorme e vazia para te receber. – Disse ela passando sua mão limpa por uma das paredes. – O que graças a Kami não é o meu caso, minha irmã e meu namorado deixam esse lugar mais do que aconchegante e agitado.
– ...Então, vocês duas moram com ele?
– Sim, muitas coisas levaram a isso, e aqui estamos nós... – Respondeu ela tomando um ar pensativo, relembrando os últimos dois anos de sua vida, o dia em que resolveu partir, seu encontro com Sakura...e aquela noite pouco mais de um mês atrás, onde foi salva por seu atual namorado.... – a vida realmente é muito engraçada, adora pregar peças e remexer na nossa zona de conforto.
– S-se eu estiver sendo muito atrevida pode falar! Conhecemo-nos hoje e-e eu estou fazendo esse tipo de pergunta –
Hinata simplesmente balançou a cabeça em negativo.
– Se eu não quisesse não responderia, então pode ficar tranquila, até porque – Disse ela muito mais animada – da vontade de gritar aos quatro cantos da terra que eu tenho o melhor namorado do mundo.
Konan por sua vez demonstrou um sorriso fraco e abaixou o semblante.
– “O mesmo dizem as muitas outras mulheres no mundo...algumas mais do que as outras.”
Quando pensou em fazer outro comentário, Konan notou uma estranha fumaça branco escuro cobrindo a sala e o cheiro de algo desagradável no ar.
– Ei Hinata você não estava cozinhando algo?
– Bem cozinhando não é bem a palavra mas – Hinata se deteve ao notar a fumaça crescente a sua volta, se tornando cada vez mais escura, quando se virou na direção da cozinha tomou as providencias que qualquer futura dona de casa tomaria...- KYAAAAAAAAAAAA FOGO NA COZINHA FOGO NA COZINHA!!!
É...ela precisava praticar um pouco mais.
Vendo a jovem correr na direção da fumaça Konan tratou logo de fazer o mesmo, na velocidade que suas pernas lhe permitiam, do jeito que as coisas iam era bem capaz de Hinata se machucar.
10 minutos depois...
Por sorte toda aquela fumaça não havia passado de um pequeno acidente, a panela no fogo máximo havia evaporado toda sua água, começando a fritar o que deveria ser um tomate cozido, no entanto alguns outros ingredientes ali espalhados pela pia de mármore contribuíram para que a fumaça ficasse ainda mais densa, devido às chamas fortes terem lhes alcançado.
Ao todo o estrago foi bem pequeno, uma panela destruída, um tomate transformado em carvão, e alguns temperos carbonizados. Konan teve de conter praticamente todo o desastre, pois Hinata em seu desesperou não tardou em escorregar em uma das frigideiras espalhadas pelo chão, agora a Hyuuga apertava uma compressa de gelo sobre a cabeça, onde mais tarde com certeza nasceria um galo, enquanto Konan chutava os utensílios no chão para algum canto distante e jogava a panela estragada no lixo.
– Desculpa Konan-san, mesmo sendo visita e estando machucada ainda esta me ajudando a limpar a minha bagunça. – Murmurava uma Hinata cabisbaixa por sua falta de habilidade.
– Não se preocupe com isso querida, todas cometemos erros de vez em quando. – A acalmava chutando, com sua perna boa, a ultima frigideira para longe. – Mas deixando isso de lado, o que tentava fazer?
– Sopa de tomate.
Konan se manteve em silencio por alguns segundos digerindo tal informação, pois uma simples sopa não levava nem metade do que se estava espalhado naquele chão, e no próprio corpo da Hyuuga, aproveitou que já estava de pé e catou uma toalha de mesa para limpar o rosto da jovem...sim, toalha de mesa, ou você acha que ainda restava algum pano limpo naquela cozinha?
– É a sua primeira vez tentando fazer sopa? – Perguntou a azulada enquanto esfregava o rosto da jovem.
– É a minha primeira vez cozinhando, não sei fazer nada. – Admitiu ela meio irritada por sua própria incompetência. – Se tentasse fazer um suco sou capaz de colocar fogo nessa cozinha de novo!
– Calma, não fale assim, vamos por partes ok?
– Uhum.
– Esse cara com quem você esta morando, já é seu namorado não é?
– Uhum.
– Então não precisa se esforçar tanto numa coisa que não sabe, se já enlaçou seu coração não precisar tentar fisgar-lhe pelo estomago.
–...Essa não é a questão. – Disse ela apertando firme a barra do vestido. – Eu, até agora, só dei trabalho a ele, dependendo dele pra tudo...para ser sincera nem sei como ele se apaixonou por alguém como eu, cuja única habilidade é saber desenhar...é frustrante saber que o meu corpo pode ser o meu único atrativo, ele diz que não, mas eu já não tenho tanta certeza...digo, olha só pra mim, olha o estado em que eu deixei a cozinha tentando fazer uma misera sopa, quando chegar em casa vai ficar furioso comigo.
Konan por sua vez, escutou atentamente o pequeno desabafo da jovem, fazendo sua mente voltar ao passado por alguns instantes, e pensando bem, naquela época , não tinha metade das qualidade que possui hoje, era bonita como Hinata, mas ainda mais dependente das pessoas que lhe cercava, tudo o que foi capaz de aprender até hoje, foi devido ao seu relacionamento com Yahiko, e algumas pequenas coisas enquanto estava na companhia de Naruto...ironicamente, uma delas foi aprender a cozinhar, sua primeira tentativa foi um frango assado, que no final das contas envolveu alguma piada com a palavra salmonela, definitivamente sua primeira tentativa também foi um grande fracasso, e voltando a encarar o rosto de Hinata, agora tão tristonha, fez surgir um grande sentimento de simpatia pela jovem.
Não precisa se esforçar tanto em algo que você não sabe...quando foi que ela se tornou assim? Em que ponto passou a ter esse tipo de opinião? Talvez essa fosse uma das manias feias dos adultos, que se acomodam por qualquer coisa, e passam a desistir de algo com facilidade.
Tomou as de Hinata com delicadeza e a mirou novamente, cheia de compreensão.
– É bom não é?
– Hã?
– Quando eles nos elogiam, quando nos fazem sorrir, quando ficam do nosso lado, seja de noite ou de dia, nos dando proteção, nos dando carinho e pequenos mimos, é nessas horas que nós pensamos: quero fazer alguma coisa por ele, quero que o motivo de ele sorrir seja por algo que eu fiz, e que todas as noites de todos os dias ele termine dizendo que me ama, não pela minha aparência, mas por quem eu sou e pelo que posso fazer. – Hinata a olhou estupefada para a azulada, que parecia ler todos os seus pensamentos, seria possível todas as mulheres que amam se sentirem da mesma maneira? – É assim que se sente, não é?
Hinata assentiu fortemente com sua cabeça, emocionada perante tanta compreensão, e Konan, por sua vez, suspirou alto olhando para o teto, como se algo importante lhe fosse devolvido.
– “Depois de mais de sete anos de namoro, eu achei que já tinha me esquecido de como é se sentir apaixonada.” – Pensou ela voltando a encarar a Hyuuga. – “Ah querida, esses olhos brilhantes que seguram as finas lágrimas de uma garota apaixonada...que saudades de possuir olhos assim...”
Recobrando sua compostura Konan se afastou por alguns instantes buscando por seu celular, falou algo rápido ao telefone e logo já estava de volta.
– Querida, ainda quer aprender a cozinhar?
–...Quero.
– Pois bem. – Konan estalou a coluna e os dedos, espreguiçou bem o corpo e caçou algo que lhe servisse como avental. – Eu agendei um taxi para mim, ele chega daqui uma hora, até lá eu juro que antes de sair deste apartamento você vai saber ao menos como preparar uma sopa, estamos entendidas?
– HAI! Afirmou a Hyuuga cheia de alegria, era incrível como a disposição de Konan lhe contagiava, afastou os pensamentos tristes de sua mente e logo estava pronta para começar, sacou um dos poucos tomates que restaram em cima da pia e logo já empunhava a faca novamente. – Certo vamos começar!
Disse ela estendendo alto sua faca, mas antes que essa pudesse mergulhar em direção do pobre tomate, sentiu sua mão ser detida pela de Konan.
– Vamos começar devagar querida, bem devagar...e Hinata, pare de segurar essa faca como se fosse uma assassina, esta me dando até pena do tomate.
– Hehehehe...entendi. Afirmou ela com uma risada amarela.
50 minutos depois...
Depois de passar menos de uma hora naquela cozinha ensinando Hinata, Konan teve certeza de uma coisa, a Hyuuga podia ser uma garota muito doce, porem era também muito mimada, se chateava com os mínimos erros que cometia e as vezes encarava os conselhos de Konan como se fossem uma bronca, até porque a azulada ensinava com a voz forte e autoritária, quase como se a estivesse comandando, uma pequena mania que adquiriu depois de tantos anos gerenciando uma gangue, com muito sacrifício e pelas expressões de Hinata a azulada tirou paciência sabe-se lá de onde para amansar sua voz e lhe ensinar do jeito mais doce que lhe era capaz, no final das contas, saber falar com jeito era tudo o que precisava para guiar Hinata.
Por sua vez, a Hyuuga se mostrou fascinada e ao mesmo tempo até meio envergonhada por ver o quão pratico e simples era fazer uma sopa, Konan se mostrou muito rígida, na opinião dela, quando se dispunha a ensinar, mas conforme o tempo passava ela ficava cada vez mais dócil, lhe guiando de uma maneira gentil e por uma estranha razão, em meio a todo aquele processo Hinata pareceu reviver uma memória a muito esquecida em sua mente, uma pequena lembrança de sua infância, quando sua mãe ainda era viva e a mesma tentava lhe ensinar algo ao qual ela não parecia querer prestar atenção...mas seja lá o que fosse, queria ter prestado, agora que a saudade lhe batia forte quando se pegava pensando nela, de vez em quando.
– Bom isso deve dar. – Anunciou a azulada retirando o avental que pegou emprestado. – Coloque temperos a gosto na mesa e uma cesta com pães no centro, deve ser o suficiente para um jantar light.
– Não sabe o quanto lhe agradeço por isso Konan-san, apesar de ainda precisar praticar um pouquinho.
A resposta de Konan veio na forma de uma sobrancelha levantada e um claro olhar provocativo de deboche.
– Ta booom, ainda tenho de praticar muito, mas já é um começo né?
– Sim querida, só de você ter aprendido a segurar uma faca direito eu já me sinto realizada.
As duas riram de leve e dirigiram seu olhar para o relógio na cozinha, sabendo que havia chegado a hora da despedida.
Konan voltou até a sala e com a ajuda de Hinata calçou novamente sua bota de cano alto, vestiu seu cachecol e logo ambas já se encontravam na porta.
– Não foi o encontro mais casual que eu já tive, mas com certeza não foi desagradável. – Argumentou a azulada.
– Sim, obrigada mais uma vez Konan-san, por tudo.
– Se quer mesmo me agradecer então pare de usar o “san”, é formal demais pro meu gosto.
– Hihi, então, a gente vai se ver de novo?
– Não sei por quanto tempo vou permanecer por aqui, mas quem sabe não nos esbarramos pelas ruas de novo? Ah, mas nada de becos escuros para você ouviu? Se possível saia sempre acompanhada.
– Entendi, eu queria trocar contatos com você, mas a verdade é que eu não tenho celular.
– Apesar de achar isso uma loucura nos dias de hoje, eu acredito.
– Mas, eu posso te dar o numero aqui de casa –
Em meio a sua despedida o telefone começou a tocar chamando a atenção de ambas.
– Acho que vai ficar para uma próxima. – Disse a azulada de certa forma aliviada.
–Mas
Trrrrrin Trrrrrrin
– Eu prometo que venho lhe visitar em outra ocasião, mas agora eu tenho um táxi para pegar e você tem um telefone para atender.
Trrrrrrrrin
– HUUUUUUM, — Resmungou a Hyuuga, pois queria poder se despedir com mais calma de sua nova amiga – então é uma promessa heim. – Com isso, de modo inesperado, Hinata deu um pulinho e depositou um rápido selinho no rosto da azulada, para só então correr e atender o bendito aparelho. – Até mais Konan-chan!!
Konan por sua vez ficou ali estancada por cerca de 6 segundos, surpresa e com a mão na bochecha onde havia sido beijada, deu um sorriso fraco e se recompôs.
– E não se esqueça de trancar a porta. – Disse ela fechando a mesma e segurando a maçaneta da mesma por alguns instantes, de cabeça baixa e meio pensativa, se despediu silenciosamente por detrás daquela porta, que agora barrava qualquer som baixo que quisesse de propagar. – Adeus querida.
E com isso se retirou o mais rápido que pôde dali, saiu apressada do elevador sem olhar para mais nada ao seu redor, adentrou o taxi e apenas proferiu seu destino para depois se calar durante todo o percurso.
Jamais poderia voltar a ver Hinata de novo, uma moça tão meiga e bela com certeza seria alvo da Hell Hounds algum dia, e se voltassem a se encontrar novamente seus sentimentos dificultariam seu trabalho, por mais hediondo que fosse já havia se conformado de que este era apenas um bom negócio, lucrativo, e exercido por muitos outros no exterior.
Uma vez disseram que não existe espaço para sentimentalismo e ética no capitalismo, e essa pessoa não poderia estar mais certa, agora, gostar daquilo que fazia era algo completamente diferente.
Sinceramente, pensar naquele tipo de coisa só lhe aborrecia, á muito tempo se conformou de que aquela era sua profissão e a cumpriria sem dar desfalques, se pudesse poupar algumas jovens daquela vida pelo caminho, assim seria, se não, bem, novamente, é apenas um bom negócio.
– “ Se eu a tivesse conhecido em outras circunstancias, provavelmente a teria levado para a base na mesma hora, alguém como ela vale muito dinheiro.”
E foi esse tipo de pensamento que levou Konan a imaginar como teria sido o seu encontro com Hinata de uma forma diferente, onde ela era apenas mais uma mercadoria de qualidade, mas não foi assim, sabia o nome dela, conhecera sua doçura, bondade e inocência...só de pensar nos membros da organização a treinando, violando e dominando, até que ela estivesse “pronta” para ser vendida, esse ínfimo pensamento fez Konan se contorcer nos bancos daquele taxí, segurando com força a própria garganta para não vomitar...é, definitivamente não havia espaço para sentimentos naquele tipo de profissão, e pensar sobre isso, só lhe trazia remorso.
Decidida a limpar sua mente de tais pensamentos pensou em fazer algo diferente para esta noite, parou em uma confeitaria e comprou uma bela torta de morangos, chegou em casa e tomou um bom banho de banheira, deixando o tornozelo machucado o mais relaxado possível, vestiu seu avental e improvisou um jantar simples, mas gostoso para ela e Yahiko, depois vestiu sua melhor camisola e esperou por ele, aproveitar a companhia do amado era certamente a melhor maneira de se esquecer um pouco dos problemas...porem, as horas foram passando, uma, duas, três, quando olhou para o relógio pela vigésima vez, já eram quase 01:30 da manhã, o celular dele estava desligado e não havia um único bilhete ou mensagem justificando seu atraso, provavelmente estaria ocupado com o seu verdadeiro trabalho.
O jantar foi jogado sem pudor no lixo da cozinha e a torta de morango a muito havia congelado no freezer, se jogou na cama esperando dar a sua mente um pouco de paz, mas sua noite foi cheia de pesadelos, todos sendo protagonizados pela pessoa que lhe rendeu tantas preocupações naquele dia, Hinata.
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Meia noite, daquele mesmo dia.
O pequeno bosque que se estendia até a base da Hell Hounds geralmente era calmo e tranquilo, ou ao menos assim os membros o faziam parecer, pois as maiores atividades da gangue aconteciam de noite.
Talvez seja errôneo continuar a classifica-los como tal, afinal, a Hell Hounds já havia deixado de ser uma simples gangue há muito tempo, agora era uma organização influente em três países desenvolvidos, apesar de ainda estar longe de ser comparada com os cabeças de cada região, Itália, Japão e agora Estados Unidos, em todos eles Yahiko possuía contatos e influencia, porem para a maioria eles não passavam de simples “mercadores” que jamais almejariam posições governamentais ou real poder dentro de um país, no caso de Yahiko isso era bem verdade, por mais que seu negócio pudesse ser comparado a uma atrocidade ele era: lucrativo e bem aceito pelo mercado negro no exterior, enquanto pudesse se sustentar disso ele estaria bem consigo mesmo, apesar de algumas coisas inacabadas em seu passado que ele pretendia resolver antes de se ver em paz com sua vida, mesmo que seu ente mais querido fosse contra aquilo tudo, existem certos assuntos que uma pessoa deve passar pente fino em sua vida se quiser viver em paz, e encarar Sasuke e principalmente Naruto mais uma vez, era uma delas.
Voltando ao dito bosque, algo estava diferente naquela noite, pois sempre que os membros chegavam e iam em bora tudo era feito com máxima minuciosidade, porem naquele inicio de madrugada, podia-se ouvir um som estranho ao longe, as arvores e o próprio solo tremiam como se recebessem fortes pancadas, o som ia ficando cada vez mais alto e as pancadas ainda mais fortes, até que em uma pequena clareira foi possível identificar um grupo de 12 pessoas, sendo duas delas Bunta e Momimaru.
O homem grande e gordo saltitava pela mata com dois jovens em seus ombros enquanto cantarolava alguma coisa, Momimaru ia logo atrás com outros oito rapazes, suas idades variavam dentre 20 e 25 anos, mas todos usavam o mesmo estilo de roupa, camisas leves e vermelhas sem manga, o que na opinião do moreno era um absurdo devido ao frio do inverno, calças de moletom e talvez o mais absurdo além da blusa, chinelos, todos usavam chinelos de dedo em um frio de quase 2 graus, como eles conseguiam?
Enquanto faziam seu caminho até a base Bunta foi pegando ritmo em sua própria canção, sendo que logo a mesma adquiriu um tom conhecido por alguns e a letra ganhou sua forma através da voz grossa e gorda do porco.
– Taram! Taram Taram TAM! Taram, Taram Taram tam tam, cuido com o Bunta que o Bunta te pega te pega daqui te pega de lá! Taram, Taram taram Huahahahahaha Taram, taram taram tam tam Vamos lá pessoal todos juntos agora! Ordenou ele aos jovens que caminhavam abismados ao lado de Momimaru.
– Tam, tam tam tam, tam tam – Começaram alguns deles a tentar cantar, mas aquilo era tão absurdo que por um momento se perguntaram se deveriam ou não levar aquilo a sério.
– Não assim não! Coloquem emoção nisso. – Ordenou o porco encarando os rapazes atrás de sí com um olhar que dizia, “ou você canta ou eu te devoro”.
– Taram! Taram taram, tam. Taram, taram taram, tam, tam.
– Agora sim! Cuidado com o Bunta que o Bunta te pega te pega daqui te pega de lá!
– Cuidado com o Bunta que o Bunta te pega te pega daqui te pega de lá! – Repetiu o coro desafinado de marginais.
– Taram, taram taram Huahahahahaha!
– Taram, taam Hiahahaaiiihiahai!
– Precisamos treinar essa risada maligna mais tarde rapazes!
Depois de tal afirmação todos só conseguiram se perguntar a mesma coisa.
– “Nós vamos ter de cantar de novo mais tarde?”
– Mais uma vez pessoal do inicio!
– “Ah não!”
– TARAM, TARAM TAR-
– CHEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEGAAA!!!!!!!
O grito de Momimaru foi de tal proporção que não só Bunta se calou, como também qualquer ser vivo noturno que transmitisse algum tipo de som, o moreno estava ofegante e vermelho, encarava Bunta com uma veia saltada em sua testa, enquanto que o outro o olhava surpreso e de braços levantados.
– Que susto Momimaru, porque gritou assim de repente?
– Pra ver se acabava com essa tortura.
– Tortura? Que tortura?
– Esse barulho dos infernos que é você cantando.
O gordo pigarreou abrindo sua boca do tamanho de uma melancia e emitiu um som de descontentamento que chegava ao nível de ser retardado, alias, a cara de retardado do dono contribuía em muito para isso.
– Ããããããããããããããã, qual é Momimaru não estava tão ruim assim. – Argumentou ele muito perto da cara do amigo, quase que cuspindo no mesmo.
– Não estava ruim!? Parecia um cabrito, um cavalo, um marreco, um aye aye, um cachorro e um tatu, já que um desses infelizes é mudo e não pode cantar, sendo regidos por um porco!
– Huff, não liguem para ele rapazes, é pura inveja por não saber cantar, e não de atenção a ele também Roberto, você estava fantástico. – Disse ele “consolando” o rapaz, que aliais, era o mudinho.
– Que seja! Apertem o passo todos vocês, o chefe não vai ficar nos esperando para sempre.
– Hum, isso tudo é consideração com o chefe, ou é a sua esperança deque a patroa esteja lá para nos recepcionar também?
– Cala-a-boca-e-an-da!
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Depois de ficar quase meia hora com Naruto no telefone, Hinata dedicou o resto da tarde/noite para tentar arrumar a cozinha, no final das contas a ligeira estava entupida de coisas, assim como um pobre armário que foi praticamente estuprado com frigideiras e panelas de proporção que ele não podia suportar, quem quer que fosse o infeliz que o abrisse ficaria com uma bela dor de cabeça.
Depois de tudo limpo (escondido) Hinata dedicou um pouco de tempo para si mesma, tomou um longo e relaxante banho de espuma e sais, queria estar bem cheirosa para quando ele chegasse e lhe provocar um pouquinho, além disso, precisava tirar aquele aroma de tomate do cabelo, não era ruim, mas não queria ser chamada de salada.
Naruto e Sakura chegaram exaustos do primeiro dia corriqueiro de fim de ano, mas isso não impediu a rosada de correr para a cozinha ao sentir um leve cheiro adocicado no ar e o aroma de pães fresquinhos.
Hinata praticamente pulou em cima do namorado derrubando ambos em um glorioso beijo de boas vindas, o ato de carinho pareceu despertar mais o loiro e recuperar um pouquinho de suas forças, aquela época do ano era realmente desgastante.
A sopa que havia sido mantida em fogo baixo foi logo servida em elegante porcelana, a melhor que a Hyuuga pôde encontrar pela casa, se a comida não estivesse muito boa, pelo menos estaria bonita. Para seu alivio não restou uma única gota no prato de nenhum deles, os pães que deveriam sobrar para o café Sakura comeu com gosto sem deixar rastros, Naruto fez um elogio muito mais simples do que ela esperava, e até meio desanimado em sua opinião, mas era apenas uma sopa e ele devia estar morto de cansaço, não iria fazer birra por causa disso, estava decidida a crescer rápido e se tornar um exemplo de futura esposa, tais pensamentos a fizeram corar involuntariamente, mas no momento estava pouco se lixando, aquele era seu primeiro relacionamento e esperava que fosse o ultimo, até que a morte os separasse, com isso até mesmo suas orelhas se envergonharam.
Despachou Sakura para o quarto e depois de ter certeza de que a rosada iria se higienizar antes de dormir, rumou para o quarto de Naruto, o loiro já se encontrava no banho e provavelmente logo terminaria, ao sair encontrou Hinata em sua cama já trocada, usava um pijama cor de pele, era até fofo, mas precisava comprar algumas camisolas para ela, a morena estava com a coberta aberta só esperando por ele se deitar, se aconchegou no colchão e puxou Hinata para mais perto de si, sentiu seu pescoço ser envolvido pelos braços da amada e logo a sensação macia de que tanto gostava invadiu sua boca, o beijo era tão calmo e terno que parecia uma poção do sono instantânea, quando voltou a abrir os olhos e notou que o amado adormecera logo após terminar sua caricia, ficou por alguns segundos alisando seu e brincando com alguns fios de cabelo até finalmente o sono lhe abater, roubo-lhe mais um selinho e só depois se aconchegou em seu peito para dormir, tendo apenas as lembranças agradáveis daquele dia para lhe ninar, inclusive, os momentos que passou com sua nova amiga.
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Terça-feira
23 de Dezembro de 2018
Contagem regressiva para o Natal: 2 dias.
Estava emburrado, estava emburrado e cansado, estava emburrado, cansado e irritado, estava emburrado, cansado, irritado e com olheiras! Sasuke Uchiha depois de mais de dois anos estava com olheiras que de tão grandes foi preciso ir para o trabalho de óculos escuros, junte isso ao seu habitual paletó e terá um projeto de mafioso brega, ou um segurança de shopping.
Aquela definitivamente foi a terceira pior noite de sua vida, passou quase que toda a madrugada em claro e com dor de cabeça, sua mente estava cheia de tantas coisas que se via impossível de ter paz, o desfile, a ausência de Karin, a visita que faria ao irmão amanhã à tarde, era de enlouquecer qualquer um.
Quando chegou em casa na noite passada tomou apenas uma xicara de café e ficou acordado até tarde esperando Karin chegar, por volta das duas da manhã a ruiva adentrou a casa só o pó, simplesmente se deitou na cama e não dirigiu uma única palavra se quer ao moreno, Sasuke até tentou se aproximar, mas o cheiro de rua estava ainda bem impregnado no corpo da Uzumaki, que de tão cansada não tinha forças nem para um banho, não que Sasuke ligasse muito para isso, afinal em certa época o Uchiha já fora bem desleixado e liberal, no entanto o sono dela estava mais inquieto do que nunca naquela noite, a toda hora se remexia ou chutava o moreno, e após levar uma cotovelada no nariz teve certeza de que não conseguiria dormir ali, ao final das contas o sofá da sala foi seu refugio em plenas cinco da manhã, não muito depois a ruiva já havia despertado, feito sua higiene pessoal e partido mais uma vez para a empresa.
Conclusão: além de uma baita dor na coluna e no nariz, estava cansado e sem contato direito com Karin deste a tarde do dia anterior, e ainda tinha de se preocupar com tudo o que estava por vir naquelas duas semana, é, era realmente de enlouquecer qualquer um, e Sasuke estava pronta para surtar por qualquer coisa naquele dia.
Eram cerca de duas da tarde quando o moreno percorria os corredores da empresa buscando pela saída mais próxima, com a viagem a Washington tão perto teria de aprontar tudo o que estava pendente hoje, e uma dessas coisas eram seus presentes de Natal.
No meio de um dos corredores encontrou Sakura sentada em um banco perto da maquina de café próxima a ele, ela saboreava com gosto seu capuchino até também avistar o moreno e sua cara se contorcer de leve e ela soltar uma pequena risada debochada.
– Puff kahahaahaha que que é isso chefe? Brincando de homens de preto? Hahahaha.
Essa-foi-a-gota-d’agua.
Em um movimento rápido Sasuke agarrou o braço da Haruno com força, e em um só puxão percorria apressado o resto do corredor em busca da saída mais próxima.
– Ei ei o que pensa que esta fazendo?
– É tudo culpa sua... – Murmurou ele.
– Hã?
– Disse que é tudo culpa sua! Se não tivesse se intrometido agora eu não estaria tão desconfortável!
– Aff ainda é sobre a parada com o teu irmão? Deixa de birra.
– Não é birra, é só complicado! – Retrucava ele ainda arrastando a rosada pelo corredor.
– Se é complicado então me explica.
– Não é da sua conta!
– Olha ai ta vendo? É por isso que não da pra conversar, você é muito fechado. – Disse ela já no estacionamento da empresa.
– Eu realmente não estou com paciência pra isso hoje Haruno, só cala a boca e me segue! – Ordenou o moreno quase que jogando Sakura para dentro do carro.
– Te seguir? Eu to é sendo sequestrada. – Sasuke puxou o sinto do lado do passageiro e o partou bem para garantir que ela não fugisse. – Pelo menos pode me dizer a onde esta me levando?
– Você vai tomar responsabilidade pelos seus atos, e a primeira delas é me ajudar a escolher um presente pra uma menina de dois anos.
– Como é!?
Nem houve tempo para argumentar, pois logo depois de terminar seu pequeno esbravejo Sasuke afundou o pé no acelerador de seu Porche e saiu catando pneus pelo estacionamento, com uma rosada histérica em seu ouvido. Aquele dia estava apenas começando.
Continua...
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