Tecido E Pimenta

19 Capítulo 19: O que estou disposto a sacrificar


Notas iniciais
E ai pessoal quase um mês heim, pois é fim de ano é duro mesmo, hoje trago para vcs mais um capitulo fresquinho com mais um link do youtube, eu recomendo muito a musica para a cena, e vcs ja sabem como se usa né, entãos sem tutorial dessa vez, detalhe importante esse é um capitulo para desvendar as artimanhas do passado então prestem bastante atenção, Vamos la!

– “Me lembro de cada detalhe daquela noite, seria impossível de esquecer, se arrependimento matasse, então Kaito que estava nos meus braços, não seria o único morto ali, meu arrependimento? Não ter enfiado minha arma goela abaixo daquele mafioso maldito e descarregado nele toda minha munição quando tive a chance.”



– “Precisava me mover dali, encontrar um lugar para depositar o corpo de Kaito e depois escapar daquele inferno, mas , estava tão difícil, me sentia tão impotente naquele momento, eu não sabia mais em quem confiar, se o que Kaito disse fosse mesmo verdade, então o motivo de eu estar ali era porque meus próprios superiores me queriam morto, queria tanto alguns poucos minutos para descansar e colocar minha cabeça no lugar, mas só de pensar que a qualquer momento uma nova bomba poderia explodir bem ao meu lado, esse tipo de pensamento fazia o meu corpo inteiro gelar, definitivamente eu precisava sair dali.



Com essa ideia fixa na cabeça Kakashi reuniu o que lhe restava de forças para se levantar, depois de ajeitar o corpo de Kaito devidamente em suas costas é claro, a cada passo que dava ficava ainda mais difícil de prosseguir, o cheiro de sangue e carne queimada entupiam suas narinas causando náusea e uma forte vontade de vomitar, a visão dos corpos de diferentes tamanhos destroçados a sua frente também não ajudava, por um momento até mesmo a ideiade andar com a respiração presa e olhos fechados lhe pareciam validas agora, obviamente tratou de afastar aquele absurdo de sua mente, por mais que quisesse se distrair precisava se manter atento, as bombas não eram o único perigo dali, a qualquer momento o falso exército de Kisame poderia começar a fechar o cerco ao redor da cidade e terminar de eliminar qualquer remanescente.



O Hatake andou por aproximadamente meia hora carregando o corpo de seu amigo, para ele pareceram horas intermináveis, se sentia meio tonto, já havia perdido a conta de por quantos corpos havia passado, sem falar na quantidade de fumaça respirada, seu único momento de paz foi quando avistou através de um dos becos uma pequena praça, se não estivesse enganado um pouco depois dali estaria uma das saídas da cidade, mas logo sua paz morreu ao ter uma melhor visão daquele lugar, as ruas infestadas de corpos, e as arvores chamuscadas em negro pelo fogo, a pouca neve que restara no chão brilhava em rubro pelo fogo e vermelho sangue de tanto que a mesma havia absorvido.



Foi ai que seu verdadeiro desespero começou, estava tão cansadoe mesmo que conseguisse chegar até a borda da cidade os homens de Kisameirião trucidá-lo, enquanto balbuciava indignações avulsas achou um pequeno cantinho de grama perto a uma das árvores onde poderia depositar o corpo de seu colega, estirou o cadáver ali mesmo e o encarou por alguns segundos, pensando em como se despedir.



– Vou ser sincero com você, eu...eu não sou nem um pouco bom nessas coisas,...sabe Kaito, nunca conheci minha mãe e meu pai morreu a quase sete anos, mas eu não me lembro de ter chorado no funeral dele, as vezes eu me pergunto se sou assim tão insensível, talvez seja pelo fato de que eu e meu velho não éramos lá muito próximos, mas quem diria que olhando para um colega de trabalho, que conheci a tão pouco tempo, eu não imaginei que fosse me sentir tão mal – Nessa hora o Hatake deixou um grande soluço escapar por sua garganta, e não fez mais questão de segurar suas lagrimas, chorou ali ao lado de seu “amigo”, chorou lagrimas de indignação, ódio e tristeza, chorou até mesmo as lagrimas que não derramou no enterro de seu pai, naquele momento deixou seu orgulho de lado e botou tudo para fora, sejam policias ou soldados ninguém é de ferro, não importa quantas barreiras invisíveis os humanos criem em seus corações, todos tem o seu momento de fraqueza, de deixarem seus sentimentos falarem mais alto e para Kakashi aquele era o seu momento.



O grisalho estava tão compenetrado em seu momento de fraqueza, que demorou um pouco para notar uma voz muito fina chamando por algo ou alguém.



– eeei COF COF, eeeeeei , alguém cof algueeeeem.



A voz era tão baixa que dificilmente alguém poderia ouvi-la, mas assim que a percebeu Kakashi tratou logo de se recompor, demorou alguns segundos para limpar as lagrimas em seu rosto e então finalmente começou a procurar pelo dono dos sussurros.



Chegou a se abaixar para deixar o ouvido mais próximo da terra, para que pudesse seguir melhor aquele som tão escasso, os ruídos o guiaram para o outro lado da árvore que estava bem a sua frente, se deparando com o que ele menos esperava naquele lugar, uma pessoa viva.



– Ei, ei você esta bem? Consegue se levantar?



O homem de aparência robusta e barba dourada escarlate, devido ao sangue que escorria em sua boca, tomou boas tragadas de ar antes que pudesse responder.



– Arf, nem se incomode em perguntar mais rapaz, arf...arf...eu já não tenho muito tempo.



Infelizmente era verdade, o analisando melhor Kakashi pôde enxergar os vários ferimentos à bala espalhados pelo corpo daquele senhor, já havia perdido muito sangue, logo ele estaria se juntando ao seu colega de trabalho no outro lado.



– Tem alguma coisa que eu possa fazer pelo senhor? – Perguntou o grisalho tentando de alguma forma trazer conforto para os últimos momentos de vida daquele estranho.



– Arf...arf, me-meu amigo esta caído logo ali – Disse ele apontando com os olhos, pois já não havia força alguma em seus braços – poderia trazê-lo para perto de mim?



– Claro...como ele é?



–... arf...roupas brancas, provavelmente vermelhas agora, e arf...um topete grande e mal feito. – Era eminente o grande esforço que aquele homem fazia para falar, tendo a descrição de seu amigo, Kakashi apertou um pouco o passo para trazê-lo.



Depois de 15 passos chegou até uma pequenina colina de onde pôde avistar o rapaz do qual o robusto senhor falava, iria começar a descer o pequeno monte de terra quando seus olhos se depararam com algo mais, que estava bem perto daquele homem.



Kakashi praticamente disparou em sua direção, não podia acreditar em sua sorte, bem ao lado do rapaz morto estava o corpo de um dos falsos soldados de Kisame, provavelmente os dois devem ter se matado, o grisalho nunca foi do tipo religioso, mas naquele momento estava agradecendo a Kami por ter conseguido chegar naquele parque, agora tinha uma chance de se salvar, só precisava se disfarçar como soldado e dar o fora dali junto dos homens do Hoshigaki.



Alguns momentos depois ele parou e deixou sua excitação de lado, ainda precisava voltar àquela árvore com o corpo daquele rapaz ao chão, ficou um pouco receoso, mas por fim o colocou em suas costas e se pôs a andar na direção da árvore, aquele soldado estava morto mesmo não iria sair dali.



Não demorou mais do que um minuto para voltar, notou que a hora do homem robusto estava bem perto, então tratou logo de depositar o corpo em seus braços bem perto do mesmo.



– Arf...obrigado...meu jovem. – Agradeceu ele enquanto fechava seus olhos, ainda respirava, mas já não conseguia manter as pálpebras levantadas.



– Não, eu que agradeço, graças a vocês talvez eu consiga sair vivo daqui.



– Entendo...que bom.



–...



–...



– Não se preocupe mais comigo meu jovem...arf vá.



O grisalho acenou com a cabeça e se curvou em agradecimento enquanto se despedia, com ele já longe o robusto senhor fez um pouco mais de força para abri seus olhos e ver o amigo encostado em seu ombro.



– Arf...quem disse que você podia ir primeiro que eu? Bem arf...pelo menos me espere ai do outro lado arfarf...logo vou estar ai te perturbando de novo,...eu já estou chegando Sambou.



Com seu ultimo suspiro Ojimbo parte para o mesmo lugar que seu amigo, agradecendo mentalmente ao gentil estranho que realizou seu ultimo pedido.



*****



Depois de algum tempo Kakashi finalmente havia chegado a uma das bordas da cidade, limpou o maximo que pôde do sangue naquele uniforme depois de ter se livrado do corpo é claro, afinal quem disse que os mortos não contam histórias? Se alguém reconhecesse o cadáver daquele soldado seu disfarce estaria arruinado, mas isso era o de menos, pois o que não lhe faltava neste momento eram prédios e casas em chamas para desovar o pobre bastardo, depois de estar mais ou menos limpo, agora parecia um verdadeiro soldado, vestir aquela farda novamente o levou a um breve momento de nostalgia, no tempo em que era apenas um recruta com o sonho de defender seu país, sonho esse que deixou para trás seguindo carreira como policial, que certamente agora parecia algo distante.



Saindo de seus devaneios se preparou mentalmente para se juntar aos falsos soldados e começar a atuar, seria muito difícil manter a compostura na frente deles, já que sua vontade era a de pular na garganta de cada um deles, estava pronto encará-los quando uma conversa chamou sua atenção.



– Já teve noticias de algum batalhão sobre esse cara? – Perguntou um dos soldados com o que parecia ser uma foto em suas mãos.



– Cara isso aqui ta a sala de estar do próprio capiroto, você acha mesmo que alguém vai ter a sorte de topar com esse infeliz, – Argumentou o outro mostrando também a sua foto para o amigo, Kakashi que estava escondido observando tudo quase estragou seu esconderijo pelo susto, era ele quem estava naquela foto – verdade seja dita amigo, aquela história de “quem conseguir me trazer a cabeça de um desses dois vai ganhar um bônus” aaaa fala sério mano, os únicos que vão ganhar bônus aqui são as porras das bombas!



– Nunca se sabe, daqui a pouco vamos começar a fechar o cerco e juntar todo mundo no centro, quem sabe agente não topa com a cabeça desse infeliz.



– É vai ser uma puta caça ao tesouro.



E os dois se puseram a rir de suas próprias piadas infames.



Em seu momento de esclarecimento Kakashi começou a tatear os bolsos de sua farda até encontrar o que procurava em um deles estava duas fotos mostrando tanto o rosto dele quanto o de Kaito, o que fazer? Agora só a farda não adiantava nada, assim que vissem seu rosto estaria a caminho do Hoshigaki em uma bandeja de prata.



– Droga! Cheguei tão longe para acabar assim? Eu poderia tentar pega-los, mas deve haver muito mais deles aqui, o resto deve estar no meio dos becos só esperando para ver quem atira mais rápido, Kami o que eu faço?



Parecia não haver saída, logo os falsos soldados estariam marchando em sua direção e o sacrifício de Kaito teria sido em vão, em seu momento de desesperança o grisalho apoiou suas costas na parede e começou a deslizar até cair sentado, quando suas nádegas tocaram o chão frio Kakashi sentiu alguma coisa dura contra suas costelas, abriu um pouco mais os botões do uniforme e se deparou com uma típica faca do exército, daquelas que são enfeitadas com pequenas cavidades em suas costas.



Primeiramente olhou com zombaria para o objeto, o que faria com uma maldita faca? Brincaria de tiro ao alvo e depois morreria metralhado? Estava pronto para se livrar do aparente inútil objeto de metal, quando teve uma ideia, aqueles soldados nunca o viram pessoalmente, tudo o que tinham era uma misera foto, se seu rosto estivesse irreconhecível se misturaria sem problemas.



Agora sabia exatamente o que fazer e o faria sem hesitar, se afastou um pouco da borda da cidade e entrou em um dos prédios que já não ardia mais em chamas, empunhou a faca e olhou seu reflexo na mesma, seria a ultima vez que veria seu rosto com aquele ar de ingenuidade, só de pensar no que iria fazer seu corpo começou a tremer involuntariamente, bateu o pé algumas poucas vezes no chão e segurou a faca com as duas mãos.



Primeiro procurou por alguma parte do prédio que ainda estivesse pegando fogo, o que não foi difícil de encontrar, depois deixou a lâmina sobre as chamas elevando sua temperatura e eliminando qualquer bactéria que estivesse na mesma, após cinco minutos metade da faca brilhava em rubro, já estava quase tudo pronto, agora só precisava dar um jeito de abafar sua voz, desvestiu uma das mangas de seu uniforme, a enrolou um pouco e fez um nó envolvendo sua boca, passando pela nuca e a amarrando bem apertado, agora precisava se apressar para que a faca não esfriasse.



Fazer aquilo devagar seria muito torturante, mas também não poderia ser rápido demais, precisava deixar o calor fazer seu trabalho, sem mais hesitar fincou o metal escaldante em sua bochecha esquerda e deu graças a Kami por ter aquele pedaço de pano para morder e abafar seus gritos começou então a descer e rasgar ainda mais seu rosto até se formar uma linha vertical no mesmo, o calor do fogo impedia seu rosto de sangrar e o mini processo de cremação tornava rapidamente o corte em uma cicatriz.



– “Kami, arf arf, como isso arde arf”.



Olhou para o metal vermelho em suas mãos e teve medo de aproximá-lo novamente de seu rosto, afinal ninguém gosta de se machucar ou se torturar, os humanos institivamente evitavam duas coisas, dor e solidão.



O medo instintivo quase fez com que Kakashi largasse a faca de suas mãos e desistisse daquela ideia absurda, quando se lembrou das ultimas palavras de Kaito.



–----------------------------------------Mini flash back------------------------------

– O pior arf, é que o exército não esta sabendo de nada, o general Yamashita recebeu um suborno enorme para calar a boca de qualquer um que tentar se intrometer nesse caso, arf arf, e o pior de tudo é o apoio que o Hoshigaki vai receber por parte da policia e das forças armadas para subir de cargo no nosso país ARF ARF, Kakashi não importa como e não importa o quanto tempo leve, mas por favor viva, viva e faça os desgraçados responsáveis por isso pagarem com suas vidas UGHaaa, ughhaaggh.

–--------------------------------Fim do Mini flash back-----------------------------



NÃO!



Não iria hesitar, não deixaria a morte de Kaito ser em vão, sairia dali de cabeça erguida e acabaria com a raça dos monstros que destruíram Sapporo!



Empunhou novamente aquela maldita faca com as duas mãos e fincou a ponta em seu queixo, o cortando até que chegasse em seus lábios e a retirando, agora era a vez de sua bochecha direita, repetiu o mesmo processo em um corte diagonal, na mesma região fez a mesma coisa só que do lado aposto formando um corte em X no lado de sua face, cada urro e gemido de dor eram abafados pelo pano em sua boca e involuntariamente pequenas lágrimas escorriam por sua face, para terminar fez um caminho horizontal com a faca cortando exatamente na metade se seu nariz, ao terminar o ultimo corte não pode evitar de se ajoelhar e cuspir o pedaço de pano em sua boca, esperou alguns instantes para que os cortes do metal quente em sua pele cicatrizassem para logo em seguida arranjar um pouco de neve e esfregar em seu rosto.



– Arf ARF, ARRGH como isso arde UGH, arf arf, arf. – Esbravejou ele ainda no chão, mal acreditava no que havia acabado de fazer e só rezava para que tivesse valido a pena, empunhou a faca novamente para olhar seu reflexo, com certeza estava diferente, mas uma coisa ainda parecia lhe denunciar o penteado de seu cabelo.



– Haha hahaha, depois de quase estragar o meu rosto, eu é que não vou chiar por uns míseros fios a menos.



Novamente decidido pegou um pequeno punhado de seus exóticos fios grisalhos e tratou logo de apara-los com sua faca, fez isso mais algumas vezes sempre olhando no reflexo do metal em suas mãos, para ter certeza de que não iria errar no corte, no final seu cabelo que já era meio curto agora estava baixo mesmo, cada fio com no máximo cinco centímetros de altura, olhou-se uma ultima e para ter certeza de que o trabalho estava bem feito.



– Hunf, ótimo, acho que nem mesmo meu pai me reconheceria, haha ainda bem porque se reconhecesse ele me daria uma surra.



Agora tudo estava no lugar, só não podia aparecer daquele jeito na frente dos soldados, pois eles poderiam se assustar, rasgou um pedaço de sua roupa e a enrolou no rosto como se fosse uma mascara, respirou fundo antes de empunhar novamente a metralhadora UZI ao seu lado, notou que ainda segurava a faca em suas mãos, por um momento pesou em atira-la longe a xingando de todas as formas possíveis, mas até aquele ponto ela tinha lhe sido muito útil, talvez no futuro lhe fosse ainda mais, guardou-a novamente dentro do uniforme e seguiu para onde os falsos soldados estavam.



Mal deu três passos na direção dos mesmo e já estavam lhe apontando as armas.



– Nem mais um passo espertinho, quem é você? – Perguntou um deles mirando na cabeça do grisalho.



–“Ok é agora, preciso ser convincente” Abaixa essa merda seu infeliz, não ta vendo que sou eu? – Exclamou Kakashi continuando a andar e balançando sua arma de forma desleixada.



– Hãã é um dos nossos, mas eu não te conheço? – Insistiu ele.



– Eu também não e nem por isso to te apontando a minha UZI.



– Hum, isso ta muito suspeito, especialmente essa tua mascara, tira essa isso e me deixa ver o seu rosto.



– Sério mesmo?



– Anda logo!



– Aff você é quem sabe. – Por fim acabou obedecendo e vendo a cara de espanto e deboche do mesmo ao levantar sua mascara improvisada.



– UOU uou caralha mano, abaixa essa porra, quem foi que mastigou o teu rosto? Hihiahiahaha.



– Parece até que brincaram de jogo da velha com a tua cara. – Se manifestou o outro soldado que até agora não havia falado nada, fazendo ambos rirem ainda mais.



– Muito engraçado, quando pegarem um trabalho de verdade vão ver o que é bom. – Afirmou o grisalho um pouco espantado consigo mesmo, quem diria que pudesse atuar tão bem.



Estavam quase trocando mais “gentilezas” entre si quando o radio de um deles tocou.



– Aqui é a churrascaria de Sapporo onde tudo é bem passado, gostaria de alguma carne em especial? – Zuou ele atendendo o aparelho, agora não faltava vontade mesmo de encher aqueles retardados de chumbo.



– Sim, eu vou querer o teu cu enfiado num espeto seu viado, pare de palhaçada e comecem logo a fechar esse cerco, hum! – Respondeu ferozmente alguém do outro lado da linha.



– Ta bom ta bom, nossa que humor heim, o cara não deixa passar nem uma piadinha. – Reclamou o soldado retardado.



– Não liga não, o Deidara-senpai só esta de mal humor por ter de ficar plantado em uma das bordas da cidade, ele queria ter invadido a cidade e mostrado a sua “arte” para os novatos.



– Arte, sei, tsc maldito pervertido por bombas, quase arrancou as minhas sobrancelhas na base com uma de suas artes, aquele maníaco pirotécnico, TOMARA QUE ALGUM DIA SE EXPLODA!



– Calma, não adianta ficar resmungando, ele é assim mesmo – Kakashi observava com cuidado o conteúdo na conversa de ambos, gravando o máximo de informações possível, observou o soldado mais sério puxar um pouco de ar e percebeu que ele iria gritar – BATALHÃO NÚMERO 11 DEIXAR POSIÇÕES!



Ao termino de sua ordem Kakashi teve de se segurar muito para conter o espanto, dos prédios ao seu redor, incluindo os becos, saiam soldados e mais soldados, a maioria equipados com UZIs enquanto que outros empunhavam rifles, a arma clássica de todo sniper, por um momento pensou que estava se convertendo em algum tipo de religioso, pois mais uma vez agradeceu a Kami por não ter se aproximado demais e sem cuidado das bordas da cidade na primeira vez, poderia ter levado um tiro na nuca e nem ao menos saberia como havia morrido.



– Todos para dentro dos jipes, vamos fechar esse cerco, terminar o serviço e tomar uma boa cerveja depois!



A comoção era geral, os urros de comemoração eram ensurdecedores enquanto aquele batalhão se dirigia para os veículos.



– Cara uma boa cerveja vai cair muito bem.



– Eu to morrendo de fome.



– Depois de ver tanto defunto? Você é louco!



– Para de bixisse só porque viu algumas tripas já perde a fome.



– Ae será rola mulher no esconderijo?



– Nem a pau, o chefe disse que não quer ninguém bêbado dando com a língua nos desntes.



– Aff, vejam se acham alguma vadia no fechamento do cerco!



– Uma pro batalhão todo? Não vai dar nem pro cheiro.



– É só arranjar mais ué.



– Já devem estar todas fodidas e faltando membros.



– Se eu achar uma que ainda esteja quentinha então ta valendo!



– É um animal mesmo esse necrófilo filho da puta!



– HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!



Os homens do Hoshigaki se divertiam com seus comentários obscenos enquanto se amontoavam em seus veículos, se tivesse de aguentar aquela ladainha pelo resto da noite Kakashi iria acabar metendo uma bala em alguém.



Depois de posicionados o cerco começou a ser fechado lentamente, todos ficavam atentos a qualquer movimento que indicasse vida, mas nada, não havia um único ser sortudo que tivesse escapado das explosões, pelo menos não no campo de seus olhos, a verdade é que já estavam pouco se fudendo para aquele trabalho cansativo queriam sair logo dali, se empanturrar de comida e beber até desmaiar, esse comportamento desleixado é o que salvaria algumas vidas naquela noite.



Logo todos já estavam no centro da cidade e os lideres de cada grupo reportavam baixas e se houve algum imprevisto, quando o pelotão do grisalho relatou não haver baixas Kakashi pôde finalmente relaxar, seu disfarce estava perfeito, de repente todos os rádios tocaram ao mesmo tempo e um helicóptero conhecido por todos se mostrou sobrevoando a cidade.



http://www.youtube.com/watch?v=rYmsjocHajI



– Senhores a operação foi um sucesso, todas as gangues foram completamente eliminadas, não resta uma única vida inútil em Sapporo, permissão para retornarem concedida, missão cumprida.



Após o pronunciamento do líder a visão do grisalho parecia ter entrado em câmera lenta, todos comemoraram com altos gritos e dispararam como loucos suas UZIs no ar, mentalmente Kakashi pedia para que as balas caíssem e acabassem com cada um deles, especialmente o monstro que se pronunciou pelo radio.



Depois de dispararem o quanto quiseram, todos montaram novamente nos jipes e começaram a deixar a cidade, a excitação agora era menor e todos pensavam em suas recompensas, menos é claro Kakashi.



Enquanto passam uma ultima vez pela cidade o grisalho manteve o olhar fixo na estrada, nos prédios, nas casas e até mesmo nos corpos inertes que eram esmagados sem piedade pelos pesados veículos, sentia que a qualquer momento poderia desmaiar, o corpo estava pesado e quente, mas sentia o suor frio em seu rosto, esquentar a faca não deve ter ajudado muito, pois sentia que estava ficando febril, a cada corpo e paisagem destruída as feridas de Kakashi ardiam e incomodavam, mas ele se recusava a desviar o olhar, gravaria aquelas cenas em sua cabeça para sempre, assim como os rostos e os nomes das pessoas que conheceu naquele dia, não se esqueceria de Kaito e muito menos da promessa que fez ao mesmo.



Logo chegaram até a borda da cidade e ele vislumbrou pela ultima vez a destruição do local, ainda era cedo, mas aquele dia ficaria gravado na história do Japão como o atentado mais brutal e sangrento do país, mais tarde o dia 28 de Fevereiro de 2001 seria lembrado como “A noite de neve escarlate de Sapporo”.



*****



Quatro dias depois.



Kakashi estava no quarto de um hotel em Tóquio pensando em como cumprir sua promessa, não entrou em contato com ninguém depois do terrível incidente afinal de contas não sabia mais em quem confiar e para seus superiores ele deveria estar cremado e sido levado pelo vento há quatro dias atrás, naquele dia havia voltado para seu apartamento e pegado somente o necessário e sem ser notado, não que alguém fosse reconhece-lo já que agora seu cabelo estava bem curto e metade de seu rosto coberto de cicatrizes, nem ao menos prestava atenção no conteúdo da televisão a sua frente, até que uma noticia lhe chamou a atenção.



–---------------------------------------Televisão ON----------------------------------

– Nizuma Takahashi estamos aqui ao vivo direto da cidade de Saporro ou pelo menos o que restou dela, a policia das cidades vizinhas assim como o exército foram convocados para ajudar na retirada de destroços e no possível resgate de algumas vitimas, aqui comigo estão o chefe da delegacia 22 da cidade assim como o general Yamashita para explicar melhor a situação atual.



Ao ouvir aqueles nomes as cicatrizes de Kakashi pareciam voltar a queimar, aqueles desgraçados tinham a cara de pau de aparecerem em rede nacional para encobrir a atrocidade cometida a mando do Hoshigaki.



– Então senhorita Nizuma, chegou ao nosso conhecimento que esta cidade seria o possível point de uma grande disputa de território entre as gangues não só de Sapporo como também dessa região, ou seja uma grande quantidade de delinquentes estavam reunidos aqui a uns quatro dias atrás. – Relatou o delegado com toda a calma do mundo.



– E a policia tomou alguma providencia quanto a isso? – Perguntou ela.



– Sim, nós posicionamos varias unidades pela cidade para tentar conter essa disputa quando ela viesse a acontecer, porém isso acabou se tornando numa grande catástrofe, não sabemos como ainda, mas ao que parece às gangues estavam disputando não só usando armas de fogo, como também com potentes explosivos, de granadas até bombas caseiras, estamos também investigando no momento um possível atentado terrorista.



– Atentado terrorista é o cacete! FORAM VOCÊS QUE ARMARAM TUDO ISSO SEUS DISGRAÇADOS! – Esbravejou o grisalho inutilmente para o aparelho de televisão.



– Obrigada pelas informações – Agradeceu Nizuma – além do exército e da policia há mais uma pessoa que veio não só para ver este desastre com seus próprios olhos, como também para fazer um anuncio uma das grandes figuras concorrendo a cargos políticos desse ano o Sr Hoshigaki Kisame.



Pronto, era isso, Kakashi estava a ponto de ter uma sincope, assim que o rosto daquele verme ficou nítido na televisão, podia ser notada uma veia saltando na testa do Hatake.



– Obrigado senhorita Nizuma, assim que fiquei sabendo desta terrível tragédia meu coração se partiu, em pleno festival da neve com a cidade cheia de turistas e famílias, é uma grande calamidade pensar no desespero que eles sentiram quando tudo aconteceu. – Nessa hora o Hoshigaki estava com a mão tapando a boca mostrando se sentir emocionado com o estado da cidade, mas Kakashi podia jurar que debaixo daquela mão o filho da puta esta dando um de seus largos sorrisos.



– O senhor disse que veio aqui porque tinha um grande anuncio a fazer, correto?



– Hai, Sapporo foi uma cidade a qual eu tive o grande privilégio de passar vários anos de minha infância, ela me proporcionou muitas memória agradáveis e por isso tomei uma decisão, estou começando este ano mesmo o “Projeto Neo Sapporo” irei investir minha fortuna na reconstrução desta maravilhosa cidade e devolverei ao Japão o pedaço de seu coração que lhe foi cruelmente arrancado.



– DRESGRAÇADO! – Nãos se contendo mais Kakashi em um ataque de ódio atirou com todas as forças o controle remoto contra a TV destruindo ambos.



– É muita cara de pau, como, COMO CONSEGUE DIZER TUDO ISSO COM ESSA CARA DESLAVADA!? Apenas me espere porque eu estou indo atrás de você seu canalha!



Infelizmente já era tarde de mais a reconstrução da cidade de Sapporo foi a melhor jogada politica que Kisame precisava, ele não precisou gastar um único centavo em propaganda politica de tanto apoio que estava recebendo do povo.



Quando a Kakashi todas as suas tentativas de se aproximar do Hoshigaki foram em vão, sempre bem vigiado e guardado por seus capangas armados até os dentes, sem visitas a lugares públicos, nada, nada que desse uma brecha para que o grisalho pudesse agir, e infelizmente Kakashi estava sozinho, sem poder contar com ninguém e sem recusos.



2 meses depois aconteceu o inevitável, Hoshigaki Kisame foi eleito o Primeiro Ministro do Japão o cargo mais alto do país, derrotado, humilhado e sem recursos Kakashi não poderia cumprir sua promessa daquela maneira, sua única escolha foi se mudar para bem longe onde pudesse reconstruí sua vida e se preparar para abater o Hoshigaki.



13 anos mais tarde em New York Kakashi reencontrou dois rostos que pensou que nunca mais iria ver de novo, eram os meninos da competição de esculturas de neve da cidade de Sapporo, ele se lembrava de seus nomes até hoje Uzumaki Naruto e Uchiha Sasuke, que dois anos depois abririão juntos o que seria conhecida como uma das melhores empresas de lingeries do país e até mesmo fariam parte de sua vida pessoal, mas uma pergunta ainda ressoa na cabeça do grisalho por todos esses anos, como eles sobreviveram ao dia de sangue escarlate de Sapporo, como cresceram se sustentaram e se tornaram o que eles são hoje? Até hoje ele não sabia a resposta, mas aquele inverno traria consigo muitas respostas e muitas sombras do passado também.



Continua...

Notas finais
E as injustiças continuuuuuuuuão, eu sei deve ta todo mundo querendo saber, " e o Sasuku e o Naruto, o que aconteceu com eles depois daquela noite??" isso vcs conferem no próximo capitulo XD.
Aliais pobre Kakashi tudo da errado e ele ainda teve de corta o rostinho T-T, mas agora vcs sabem pq ele usa mascara :).