Tecido E Pimenta
17 Capítulo 17: O passado que nos condena parte 3
Notas iniciais
Só para constar eu nã queria estar postando hoje, mas até eu escrever até a parte que eu queria 1: vcs iria ter de esperar mais uns 4 ou 5 dias e 2: o capitulo ficari gigantesco ( sem brincadeira iria passar das 10 mil palavras e eu num ia querer revisar isso de jeito nenhum XD ).
Mas em fim ja falei de mais, VAMOS AO CAP ;)
Era uma sala um pouco fora do comum, alguns monitores e teclados avulsos que pareciam conter os registros da cidade, isso incluía endereços e dados de identificação pessoal, uma mesa redonda onde caberiam facilmente umas 10 pessoas, sendo que havia seis no local, o vento gelado do ar-condicionado deixaria a pele de qualquer um arrepiada, se não estivesse bem agasalhado, mas se tem uma coisa que dava muito mais arrepios do que o ar gélido daquele local, era o olhar dos indivíduos presentes, que pareciam querer devorar com os olhos cada um ao seu redor, no pior sentido possível da palavra, com toda a certeza aquilo não era uma reunião de amigos.
O homem que se apresentou media por volta de 1,85, tinha cabelos da cor prata, muito exótica para um oficial, os fios grisalhos ficavam penteados para trás destacando sua testa, mas o que mais se destacava era o seu rosto esbelto, usava o uniforme de uma alta patente da policia.
- General agora eu sou apenas um oficial da policia de Tóquio, me afastei do exército há muito tempo, precisa parar de me chamar de tenente. – Respondeu o grisalho com o olhar cansado.
- No dia em que você parar de chegar atrasado para os seus compromissos eu penso no seu caso, se ainda estivesse no meu batalhão eu o faria correr em volta do quartel!
- “Mas nós estamos em uma delegacia da policia”- Pensou Kakashi.
- Se os senhores já terminaram de relembrar o passado – Se manifestou o homem que mais se destacava naquela sala, mais até do que o grisalho – eu gostaria de prosseguir com o protocolo.
O homem se pôs de pé e prosseguiu.
- Representando o meu partido político que concordou em apoiar esta operação, Hoshigaki Kisame.
- “Concordou em apoiar depois da gorda propina e do apoio que irá receber na próxima eleição, — Completou Kakashi em pensamento – eu não queria admitir, mas estou literalmente enfiado num ninho de ratos.”
Kisame era um homem completamente peculiar, seu corpo era estranho e diferente, possuía os olhos esbugalhados com a íris pequena, pele tão pálida que chegava a ser azul, cabelos curtos e arrepiados da mesma cor um pouco mais escura, usava um conjunto de terno, gravata e sapatos pretos, com uma camisa social branca por dentro, sua arrogância era tão grande que enquanto os outros membros pareciam desconfortáveis e tensos, ele estava calmo, desfrutando de uma boa taça de vinho do porto, era muito conhecido em seu ramo de trabalho por sempre buscar muito poder, estava tentado colocar o seu partido inteiro no poder politico, e se tudo corresse como planejado ele seria eleito facilmente.
- Bem, creio que eu seja o próximo, estou aqui representando tanto a CIA quanto o FBI para garantir que esta será uma operação dentro dos limites da lei, Mamoru Kaito.
-“ No meio de tanta sujeira, creio que eu e esse tal de Kaito somos os únicos que queremos evitar um derramamento de sangue desnecessário”. – Completou o grisalho.
Kaito parecia mais morto do que vivo, seus cabelos eram densos e negros, assim como seus olhos de íris dilatada e suas enormes olheiras, usava uma calça jeans e um chinelo meio surrado, assim como a camisa branca que vestia, comparado ao resto do grupo ele era o mais desleixado, e diga-se de passagem o menos amedrontador também.
- É uma grande honra termos alguém representando as maiores defesas do nosso país nesta pequena limpa. – Afirmou o general, com um sorriso pouco confiável na opinião de alguns.
- Limpa general? – Perguntou Kakashi.
- Desculpe, creio ter me expressado mal, quis dizer contenção, nós poderíamos continuar com as apresentações, mas estamos com o prazo apertado, portanto creio que devemos começar logo esta reunião, tenente o senhor pode ir primeiro. – Exclamou Yamashita sem se importar com a opinião dos outros três naquela sala, provavelmente eram “peixes menores”, ou ele simplesmente deveria estar com pressa de ouvir os relatos.
- Bem, depois de ficar infiltrado por um mês na maior gangue desta cidade a Black Wing, posso afirmar que eles passam muito longe do que nós esperávamos. – Afirmou Kakashi com toda a calma do mundo.
- O que quer dizer com isso?
- General, admito que seja um bando de delinquentes, mas a maioria é inofensiva, raramente provocam brigas ou incomodam os civis, na verdade eles até patrulham a cidade para garantir que esta tudo em paz, até mesmo a policia da cidade não tem problemas com eles, sinceramente eu não entendo o que se passa na cabeça das outras gangues.
- Nesse caso permita-me explicar. – Interrompeu Kaito.
- Poupe-nos de detalhes melosos sim, — Pediu o general – coloque todas as cartas na mesa Mamoru-san.
-“Detalhes melosos? Eu só estou fazendo o meu trabalho.”
- Hai, de acordo com a minha investigação a gangue Black Wing foi fundada a 19 anos atrás por Susanoo Mikoto, que hoje em dia atende pelo sobrenome Uchiha, é casada, possui dois filhos e –
- Mamoru-san – Interrompeu novamente o general – essa parece até a mesma ladainha do Kakashi, a fundadora nem deve mais fazer parte da gangue, diga algo que seja relevante a nossa operação.
-“ Ladainha!? Se não fosse pelos velhos tempos eu já teria atirado em seus pés, general.”
- Hai, minhas desculpas general, vou me apressar um pouco, continuando, na época em que Mikoto era a líder da gangue ela impunha muito respeito não só para os outros delinquentes da cidade mais também para o resto das gangues rivais espelhadas pelos arredores de Sapporo, todos conheciam muito bem a sua força e por isso ninguém seria louco em desafia-la, no entanto depois que se casou e deixou a Black Wing, o novo líder aparentemente mantem a mesma situação.
- Aparentemente?
- Hai, a gangue já não possui mais a mesma quantidade de membros, nem a força da juventude de antigamente, enquanto que as outras gangues estão sempre passando o poder para uma segunda geração, mais jovem e mais forte, Sapporo possui a melhor localização da região para “negócios ilícitos” por assim dizer, creio que o senhor Kisame saiba a que estou me referindo. – Nesse momento todos os olhares se voltaram para o senhor Hoshigaki.
- O general Yamashita pediu para colocar todas as cartas na mesa, correto Mamoru-kun – Respondeu o azulado com um sorriso frio e aberto, mostrando seus dentes estranhos, todos com a aparência de caninos, afinal de contas o que aquele homem fez consigo mesmo? – aqui dentro desta sala ninguém precisa ter medo dos seus negócios, afinal creio que minha conexão com a máfia local seja bem conhecida pelos senhores.
- Fora algumas atrocidades a mais, não é?
- Mamoru-san, estamos tratando de um assunto delicado aqui, nesta reunião eu não quero os “podres” de ninguém sendo apontados, todos concordaram em deixar suas rivalidades de lado, pelo bem desta operação.
- Yamashita-san – Disse Kisame apertando o ombro do general – todos estão cientes do nosso pequeno “acordo de paz”, mas eu agradeceria se o senhor não menosprezasse o meu trabalho, — afirmava ele encarando de perto aquele velho, que já começara a suar frio — todos sabem que o uma sociedade pacifica custa muito dinheiro para se manter, nisso um pouco de trabalho sujo é necessário, então, não quero ser criticado por sujar as mãos no lugar de vocês.
- Perdoe a minha intromissão – Exclamou o grisalho se levantando – mas eu creio não ter entendido bem a indireta, esta zombando do trabalho da policia, Kisame?
- Longe de mim Kakashi-san, no entanto o senhor precisa admitir que os lugares onde a lei pode exercer o seu dever, não cobre nem mesmo metade de um país, – Kakashi cerrava cada vez mais os punhos, vendo de um ângulo ou de outro, aquele homem estava claramente fazendo pouco caso da policia e da própria lei, o clima naquela sala estava claramente ficando muito tenso e isso só aumentou devido ao senhor Hoshigaki ter se levantado e começado a caminhar na direção de Kakashi, os deixando a centímetros de distância, se encarando nos olhos – na verdade é o suor de meus homens e o dinheiro manchado de sangue, que permitem a vocês deitarem em suas camas e terem uma boa noite de sono.
- Infelizmente eu passo a maior parte das minhas noites caçando criminosos como você.
- Ooora creio que as indiretas acabaram não?
- Ainda vou ter o prazer de ver você apodrecendo em uma das minhas celas!
- CHEGA! – Exclamou o general Yamashita tentando controlar a situação – Não vou tolerar mais nenhum comentário deste tipo, todos aqui e eu digo TODOS, concordaram em manter suas diferenças de lado pelo menos por enquanto, depois que esta operação estiver concluída vocês podem se atracar como feras selvagens que não vou estar nem ai, mas até lá exijo que honrem o compromisso as suas palavras!
Dito isso os dois homens voltaram a se sentar e evitaram trocar qualquer contato visual, pois a vontade de Kakashi era voar no pescoço daquele mafioso cara de pau.
- Por favor, continue com seu relatório Mamoru-san.
- Hai, como eu dizia o novo líder da Black Wing é incapaz de manter a ordem entre as outras gangues que rodeiam a cidade de Sapporo, a situação se agravou ao ponto de estourar uma disputa enorme por território, para compensar a sua falta de pessoal a Black Wing chegou até mesmo a apelar para armas de fogo, nada muito extravagante, mas alguém com certeza vai acabar morrendo.
- E é ai que nós entramos, — Exclamou o general – nossa missão é evitar que essa disputa estoure em Sapporo e leve gente inocente com ela, temos agentes infiltrados em cada grupo de marginais que vai tentar atacar esta cidade, quando eles iniciarem o ataque, nossos agentes deverão capturar seus lideres e disparar para os céus, chamando a atenção de todos para si, com uma arma apontada para a cabeça de seus chefes eles terão de se render.
- Com licença general, — Pediu Mamoru – eu não estou entendendo onde a cooperação do senhor Hoshigaki é necessária nesta missão.
Yamashita pareceu abrir a boca por algumas vezes, até que o próprio Kisame resolveu responder.
- Como você deve saber o exército não possui homens o suficiente para “desperdiçar” em uma operação como esta, por isso fui gentil o bastante para disponibilizar alguns de meus homens para ajudarmos a manter a paz nesta cidade.
- Em troca de alguns benefícios a mais, envolvendo a região eu suponho. – Completou Kakashi com sua voz firme encarando o bandido a sua frente.
- Naturalmente. – O Hoshigaki se resumiu a isso, respondia de maneira natural como se estivesse apenas fechando mais um negócio.
A atitude do grisalho fez Yamashita bufar, querendo encerrar logo aquele assunto.
- Bem, se não houver mais duvidas então a reunião esta encerrada, espero ver todos vocês de novo daqui a dois dias.
Terminadas as palavras do general, Kakashi encarou o ser repugnante uma ultima vez antes de sair a passos pesados daquela sala, se continuasse ali por mais tempo, talvez seguisse as palavras de Yamashita, e se atracaria com aquele homem até que o tivesse preso em suas algemas e a caminho de uma de suas celas em Tóquio.
Assim como o grisalho, Kaito se despediu rapidamente e tomou seu caminho para fora dali, depois de ter certeza que nenhum dos dois iria voltar, o general desabou em sua cadeira se permitindo relaxar.
- Hihihihihi Há ah ah ah ah, qual o problema Yamashita, esta tenso?
Antes de responder, o general se inclinou um pouco para frente na mesa, pegando a garrafa de vinho perto do Hoshigaki e tomando grandes goladas antes de se pronunciar.
- Quando você avançou em direção ao Kakashi, por um momento eu achei que os dois fossem mesmo se matar aqui nesta sala.
- Vontade é o que não me falta, antes mesmo de subir de posto na policia, ele vem se metendo nos meus negócios.
??? – Chefe já podemos tirar essas coisas da cara? – Perguntou um dos outros três membros naquela mesa, que se mantiveram quietos durante toda a reunião.
- Fiquem a vontade.
Os três homens então, começam a rasgar os próprios rostos, revelando ser uma pele artificial muito bem feita, retiram a farda apertada do exército ficando somente de blusas regata, eram homens muito mais jovens do que as mascaras aparentavam, deveriam ter no máximo vinte anos.
- Cara essa coisa é quente de mais, suei que nem um condenado.
- Comigo eu não sei se foi a mascara, ou a conversa super amigável entre o chefe e aquele tirazinho.
Enquanto os rapazes continuavam a reclamar do calor, apesar do ar-condicionado ter ficado ligado todo o tempo, Yamashita ponderava silenciosamente em sua cadeira, sobre a operação do dia seguinte.
- Você acha que eles desconfiam de alguma coisa?
- Mesmo que desconfiem não vai fazer diferença, meus homens já estão em posição só esperando pelo horário combinado, amanhã à noite se tudo correr como planejado, não só nós vamos fazer a maior limpa social que este país já viu, como eu talvez também consiga me livrar de um certo empecilho.
Dito isso, Kisame pegou o que restava em sua taça de vinho e a ergueu oferecendo um brinde a sua futura conquista.
- Um brinde general, amanhã nós fazemos história.
Depois do timbrar da taça e garrafa quase vazias o sorriso satisfatório e macabro se impregnou por toda a face do Hoshigaki, enquanto que Yamashita se mantinha sério, enterrado em sua poltrona, não era mais possível parar, já havia ido longe de mais, o plano, não, pensou ele, não possuía falhas, a única dor com a qual teria de lidar seria com a de sua consciência, todas as noites, pelo resto de sua vida.
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Já fora da delegacia número 22 Kakashi andava a passos largos e pesados, estava morrendo de raiva por não poder avançar naquele mafioso e arrancar aquele sorriso prepotente de sua face, parou em uma maquina de bebidas no meio da rua e escolheu tomar um chá verde, precisava tentar se acalmar, se bem que parando um pouco para pensar, só de imaginar o exército de seu país dependendo da ajuda de criminosos, já lhe dava vontade de vomitar, se tem uma coisa que o grisalho não sabia fazer era vista grossa, uma vez que essa operação estivesse terminada daria um jeito de caçar Kisame até os quintos dos infernos, estava tão absorto em seus pensamentos que nem notou a aproximação de outro individuo daquela reunião.
- Boa noite Kakashi-san, se sente mais calmo?
- Ah, Mamoru-san, não, para ser sincero, a minha vontade é a de voltar lá, apontar uma arma na cabeça de todo mundo e joga-los dentro da minha delegacia, até mesmo o general Yamashita, fazendo acordo com um mafioso, onde o exército esta com a cabeça?
-...Para falar a verdade, isso também já esta me incomodando a algum tempo, para começar uma operação como esta não requer uma intervenção militar, imagine então da máfia, o mais correto seria que a mandar agentes da própria policia da região junto com alguns agentes da CIA em uma operação bem armada e esquematizada, não consigo enxergar de onde vem as decisões dos meus superiores.
Kakashi ponderou por um momento, até que resolveu se sentar e colocou a garrafa gelada de chá em sua cabeça, para ajudar a pensar.
- Se for para analisar desse ângulo, a única explicação plausível seria se o próprio exército estivesse sendo chantageado pela máfia, ou pelo menos alguém do alto escalão como o general.
- Acredita mesmo nisso?
- Eu só estou especulando, mas só porque um homem veste a farda que simboliza a proteção do nosso país, isso não quer dizer que ele esteja acima da lei ou imune aos pecados, ninguém é perfeito, todos tem os seus podres, alguém na sua área de trabalho já deveria saber, informação é a arma mais poderosa que existe, e se você souber como usa-la você se torna quase intocável. – Terminou sua narrativa abrindo a garrafa e tomando alguns goles da mesma, para molhar a garganta.
- Aff, ficar aqui esquentando a cabeça não vai fazer para nenhum de nós, o que pretende fazer amanhã até a hora da missão.
- Hum, bem já que estamos nesta época do anoem Sapporo seria um grande desperdício não desfrutar do festival da neve.
- Pretende entrar na competição?
- Hahahaha, e eu la tenho idade para ficar brincando na neve? Já estou com mais de 20 anos.
- Só para a sua informação, muitas famílias participam juntas do torneio de esculturas de neve e gelo.
- Naah eu vou só assistir e aproveitar o resto do festival, e você?
- Parece ser um bom programa, vamos ver se agente se esbarra na hora da competição, vai ser legal torcer.
- Então esta combinado, ja ne.
O grisalho se levantou do asfalto, se despediu e ambos seguiram seu caminho, no trajeto para o hotel Kakashi parou para observar melhor o céu, era uma linda noite estrelada, que prometia um ótimo clima para o próximo dia.
- O céu daqui é muito bonito, espero que continue assim amanhã também.
*************
Enquanto isso, já em suas camas, bem tarde da noite dois garotinhos sonhavam alegres com toda a diversão que lhes aguardava no dia seguinte, despreocupados com a vida e inocentes.
Chega a ser engraçado o quanto o destino e a vida gostam de brincar conosco, um dia nos dá a total sensação de conforto e segurança, para no minuto seguinte arrancar tudo de uma vez só, com suas mãos frias, sem aviso ou compaixão, afinal de contas, o quão frágil é uma vida?
Continua...
Notas finais
Eu não sei se vcs repararam MAS O KAKASHI N ESTA USANDO MASCARA! Hum pq sera? Huahauhhauhuahuahuhuha, mais uma coisa para os leitores ficarem quebrando a cachola kkkkkk, bom é isso gente FUI!
OPA voltei ^-^, só um recadinho gente, eu estou revisando os primeiros capitulos da fic, que sinceramente estavam uma vergonha em se tratando de português T-T, então quem quiser deem uma olhadinha, por enquanto eu só revisei o 1º capitulo, mas se kami quiser esta tudo livre de erros :).
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