Tecido E Pimenta

16 Capítulo 16: O passado que nos condena parte 2


Notas iniciais
E ai pessoal, hehe acho que por essa ninguem esperava né, dois capitulos na mesma semana, bem é minha forma de pedir perdão por ter me ausentado tanto :).
Agora só pra avisar, tem vezes em que os perssonagens vão narrar a história e tem vezes em que eu vou narrar, mas ta tudo bunitinho, então acho que ninguem vai se confundir, boa leitura.

17 anos atrás.

País, Japão.

Cidade de Sapporo.

Dia 27 de fevereiro, ano 2001.



Naquela época, eu juro que não me perguntava se eu era feliz, nem ligava para essas coisas, afinal eu tinha apenas 10 anos, só queria saber de curtir a vida com meu irmão e meus pais, todos os meus avós já haviam falecido, e meus pais eram filhos únicos, era uma família pequena, mas mesmo sem ter ninguém para mandar um cartão de aniversario, ou de natal, mesmo meu pai sendo muito rigoroso, e ter um pouco de inveja do meu irmão eu posso dizer que eu era feliz.



Eu me lembro de como eu enchia a boca para falar o sobrenome da nossa família, era uma coisa especial para mim, já que não tínhamos nenhum parente, sim, eu tinha muito orgulho de pertencer a família Uchiha.



Era uma tarde muito gostosa de primavera, na cidade de Sapporo, onde eu e minha família esperávamos ansiosos pelo festival da neve anual, com a sua maior atração, que era a competição de esculturas de neve e gelo, como aquela imensidão branca logo iria começar a derreter, o festival era muito agitado, até mesmo os adultos podiam participar, o meu pai nunca quis entrar comigo na competição, dizia que ra muito velho para ficar brincando na neve, o meu irmão Itachi em compensação treinava bastante comigo, nunca conseguimos ganhar o primeiro lugar, mas nesse ano estávamos muito confiantes, tínhamos certeza de que ganharíamos o troféu dessa vez.



A competição era no dia seguinte e eu como sempre nessa época eu estava muito animado, havia nevado bastante na noite passada, uma das ultimas vezes nesse ano, ou seja, matéria prima para treinar era o que não me faltava.



– Certo! Com toda essa neve posso passar o dia inteiro praticando, vou ganhar esse troféu mesmo que minhas luvas e mãos congelem!



Eu era uma criança bem mais animada, e inconsequente do que hoje em dia, mas afinal de contas eu tinha apenas 10 anos, não tenho nada do que me envergonhar...bem talvez uma travessura ou outra de vez em quando, o meu passa tempo favorito era tentar mudar a expressão séria do meu pai, o senhor Fukago vivia de cara amarrada e era muito engraçado ver o meu velho perder a compostura, eu gostava de usar um gorro de lã cinza e minhas luvas de couro preto eram bem quentinhas, vestia meu casaco de pele que sinceramente, me transformava em um bichinho de pelúcia e ficava durante horas brincando no quintal de casa.



– Vejo que esta muito entusiasmado como sempre, — Eu ouvi uma voz muito doce se pronunciando atrás de mim, e que eu conhecia muito bem – mas não vá exagerar e ficar doente antes da competição como no ano passado, tome isso para se aquecer meu filho – disse ela me estendendo uma caneca com o meu chocolate quente favorito.



– Obrigado mamãe, prometo me cuidar mais esse ano.



Uchiha Mikoto, se me perguntassem quem é a mulher mais linda do mundo, eu responderia na hora que era a minha mãe, podem falar o que quiser, mas eu a amava de mais, era o verdadeiro filhinho da mamãe, e eu adorava isso, me deitar no colo dela para me aquecer e usar o seus seios como travesseiro, eu perdi a conta de quantas vezes ela me ninou assim antes de dormir, aquele olhar sereno, a pele branquinha e alva, junto daqueles cabelos negros como carvão, até hoje eu não sei como um anjo como a minha mamãe se juntou com alguém como o meu pai, sempre que eu perguntava ela me respondia que ele tinha as suas qualidades, bem devo admitir que ele sempre a tratou muito bem, então não tenho motivos para reclamar.



– Eu me lembro de ter ouvido essa mesma frase no ano passado – Essa era outras voz que eu conhecia muito bem – e se me lembro direito, fui eu quem teve de passar a noite em claro cuidando de um certo alguém que ardia em febre.



– Ah fica quieto Itachi, no ano passado eu havia prometido isso ao papai, mas esse ano estou prometendo para a mamãe, você sabe que eu nunca quebro as minhas promessas com ela.



– Bem certamente, um filhinho de mamãe como você não aguentaria ver ela triste não é?



– É isso mesmo, algum problema com isso, bleeeh!



No final respondi mostrando a língua para ele, o meu irmão mais velho sempre pega no meu pé, acho que ele sente um pouco de ciúmes por eu monopolizar tanto a mamãe, mas quer saber, pior pra ele, quem mandou crescer tão rápido.



Itachi tem 14 anos, e é muito bonito, não eu não acho o meu irmão bonito, pra mim ele é uma ameba ambulante, tem a mesma cara do papai, mas como ele esta sempre rodeado de garotas então ele só pode ter algum atrativo, de dinheiro elas com certeza não estão atrás, a minha família é humilde, mas não chegamos a ser pobres também.



– Sasuke olhe os modos!



– Desculpe mamãe – Eu sempre respondia tímido, na rua eu podia até pagar de macho valente, mas bastava uma palavra de dona Mikoto para que eu me encolhesse todo, nunca gostei de deixar ela brava ou triste e me esforçava muito pra isso.



– Viu só, assim como eu disse, — Debochou Itachi saindo pela frente da casa, admito que naquela ora me controlei muito para não lhe mandar para um lugar muito feio – eu estou indo encontrar alguns amigos, então não precisa me esperar para o almoço mãe.



– Com amigos você quer dizer garotas, — Eu não podia me comportar mau, mas nada me impedia de irritar o meu irmão na mesma moeda – se não arranjar uma namorada fixa, logo logo vai ficar com fama de galinha pela cidade, e olha que Sapporo é bem grande onii-san.



– Cala a boca pirralho, cuide da sua vida!



– Ai ai, se continuarem agindo desse jeito não vai haver torta surpresa esta noite. – Disse Mikoto de forma provocativa com as duas mãos na cintura, fazendo parecer que estava zangada.



NÃO! – Gritamos eu e meu irmão ao mesmo tempo, se tem uma coisa que nós esperamos todo o ano mais do que o festival da neve, é a torta surpresa que a minha mãe fazia, ela só fazia uma vez por ano, um dia antes da competição para nos motivarmos, o legal dessa torta é que nós nunca sabíamos qual era o sabor antes de darmos a primeira garfada, e cá entre nós era sempre suuuuuuuper deliciosa!



Em resposta a nossa desesperada negação, mamãe simplesmente voltou a sorrir.



– Então se comportem e evitem brigar, os irmãos precisam se dar bem certo?



Siiim mamãe. – Respondemos eu e Itachi nos acalmando, acho que em uma família de quatro pessoas com só uma mulher todo o resto se rende aos seus caprichos, era difícil pro meu pai admitir, mas eu tinha certeza de que até ele comia na palma da mão da mamãe, hehe, esse tipo de pensamento nunca perdia a graça.



– Bem então eu já vou indo, Sasuke não exagere.



– Pode deixar onii-san.



Despois que Itachi já tinha ido embora mamãe se aproximou de mim para conversar.



– Ele tem o seu próprio jeito de mostrar preocupação, assim como o seu pai, você sabia que quando ficou doente no ano passado ele praticamente montou acampamento no seu quarto e disse que só sairia de la quando você estivesse melhor, fora que não deixou nem eu ou o seu pai nos aproximarmos enquanto você não melhorou.



– Ele provavelmente só queria lhe poupar trabalho, e também não queria que você ficasse doente mamãe.



– Hum, eu me pergunto sobre isso – Disse Mikoto com uma cara sapeca para o pequeno Uchiha.



– Além disso o onii-san é tão atrapalhado que acabou pegando a minha gripe no mesmo dia em que eu fiquei melhor, e no final das contas você teve de cuidar dele do mesmo jeito que cuidaria de – Foi nesse momento que algo pareceu apitar na cabeça do pequeno moreno – aaaaaaa não acredito, tudo isso dever ter sido um esquema pra ele ficar doente e só você poder cuidar dele grrrrr, Itachi-onii-san não passa de um aproveitador.



Concluiu o pequeno bufando e cruzando os braços.



– “ Ai ai, esse meu filho tem os raciocínios mais bizarros” – Pensou Mikoto em um longo suspiro enquanto afagava a cabeça do pequeno Uchiha, que logo voltou a sorrir.



Nesse mesmo instante, um som agudo e forte foi ouvido ao longe, cada vez mais se aproximando e Sasuke o reconheceu na hora, era o barulho do motor de algumas motocicletas que cada vez mais agitavam a vizinhança, não demorou muito para o moreno se esconder na barra da saia de sua mãe e ver dois homens estacionando em frente a sua casa, um tinha uma barba dourada e era meio gordo, usava um casaco bege e um lenço vermelho na cabeça, junto com óculos escuros, o outro era magro e vestia um conjunto de botas, casaco com capuz e luvas tudo branco, mas o que mais se destacava nele era o seu enorme topete do mesmo estilo de Elvis.



– Bom dia Mikoto-san, aproveitando os últimos dias de neve? Se não, podemos sair para beber! – Perguntou o mais rechonchudo.



– Baka, você parece até se esquecer que a Mikoto-san é casada Ojimbo, e tira esses óculos escuros pra enxergar melhor, não ta vendo que ela tem um filho pequeno pra cuidar?



– O baka aqui é você Sambou, o Sasuke-chan já não é mais tão pequeno ele pode vir beber com agente, ah, mas só suco obviamente huahahahaha!



Ojimbo e Sambou, são dois amigos da minha mãe, bem antigos mesmo, só pelo visual já fica bem na cara que são dois delinquentes, que fazem parte da maior gangue da cidade, nem me lembro qual é o nome de tal grupo e também não me interessa, agora, como um anjo como a minha mãe esta relacionada com esses dois vagabundos? Isso pode ser um choque para muita gente, mas a verdade é que antes de conhecer o meu pai, a mamãe não só era uma delinquente como também líder de uma das maiores gangues da cidade, acreditam que os meus pais se conheceram quando a mamãe abordou o papai e tentou roubar ele? Jeito estranho de conhecer o seu futuro marido não?



Quem conhece a mamãe depois que ela se casou com certeza não acreditaria nessa história, eu mesmo só passei a acreditar quando ela ficou realmente brava com o papai, por ele ter esquecido do aniversario de casamento deles, naquele dia o meu anjo parecia ter se transformado em um demônio, nossa casa virou de cabeça pra baixo e ela ficou dois dia inteiros sem voltar para nos ver, eu chorei tanto quando ela voltou que isso nunca mais aconteceu, só de me lembrar dela me afagando e do jeito que ela me olhava, acho que a consciência acabou pesando e ela percebeu o quanto a sua presença naqueles dois dias nos fizeram falta, naquele dia eu tive certeza do quanto ela me amava, a mim, o meu irmão e o meu pai, que aliais nunca mais esqueceu de uma única data importante que envolvesse a família, principalmente a mamãe.



– Vocês dois parecem estar se divertindo como sempre não? Apesar da idade. – Disse a minha mãe com aquela voz doce de sempre.



– Do que esta falando Mikoto-san eu vou ser um jovem aventureiro para sempre AU! – Nessa ora Ojimbo tentou se virar e fazer uma pose onde exibia as costas e seus músculos nos braços, mas a mamãe tinha mesmo razão, nenhum dos dois tinha mais idade para ficar fazendo aquele tipo de coisa – Minhas costas!



– Olha ae, ficou querendo se exibir é nisso que da. – Disse Sambou meio que zombando do amigo.



– Vai ficar ai me gozando ou vai ajudar?



– Calma matusalém, já estou indo ao seu socorro, — Com um pequeno movimento segurando os ombros dele, Sambou pareceu conseguir endireitar as costas de seu amigo – e ai, melhor?



– Uuuuu bem melhor, obrigado Sambou.



– Huhuhu, vamos ter de recusar o convite, mas é sério, cuidem melhor da saúde, vocês dois. – Respondeu a mamãe parecendo preocupada, admito ter ficado um pouco enciumado, é não adianta, acho que vou querer monopolizar a mamãe pra sempre.



– Não precisa se preocupar Mikoto-san, enquanto eu estiver por perto esse Papai Noel aqui vai continuar bem.



– Huff, bem não posso negar que ele ajuda mesmo, — Respondeu Ojimbo olhando para o seu relógio de pulso – Opa, nós temos de ir, até mais Mikoto-san, Sasuke-chan.



– Vão com cuidado, o gelo ainda esta escorregadio nas ruas da cidade.



Hai hai – Responderam os dois antes de darem a partida nas motocicletas, Sambou saiu catando pneus, mas Ojimbo ainda não havia saído do lugar, como se quisesse dizer alguma coisa.



– Eto...Mikoto-san.



– Hai?



– Amanhã a noite, tente não ir muito para o centro com a sua família. – Ojimbo estava suando apesar do frio, como se quisesse e não falar ao mesmo tempo.



– Vai acontecer alguma coisa Ojimbo?



– Hã, aa, n-não, só vai estar um pouco mais agitado que o normal, n-não vai ser um bom lugar, para se relaxar com a família.



O nervosismo de Ojimbo era óbvio, Mikoto sabia que ele queria dizer mais alguma coisa, mas como não era mais um membro da gangue não poderia exigir nada dele, já deveria estar sendo muito difícil para ele comentar sobre alguma coisa.



– Tudo bem, eu entendi – Disse ela voltando a sorrir – vá com cuidado.



– Claro pode deixar!



E assim Ojimbo saiu do mesmo jeito que seu amigo, até que não conseguimos mais velo, na época eu não havia entendido o verdadeiro significado daquela conversa, dei pouca importância como qualquer criança daria, mas se eu soubesse o que iria acontecer, eu gostaria de ter nascido ao mesmo tempo que o Itachi, para poder entender, aquela conversa de gente grande.



Observei o rosto pensativo de minha mãe e chamei pelo seu nome adoçando um pouco mais a voz, eu estava realmente preocupado, não que eu entendesse alguma coisa de verdade, eu só queria que ela voltasse a sorrir como sempre.



Quando ela me encarou e viu meu olhar pidão, rapidamente voltou a sorrir, me pegou no colo, deu um selinho na minha testa e me levou para dentro de casa.



– Quer ajudar a mamãe a preparar o almoço?



Eu percebi como ela simplesmente mudou de assunto, esquecendo do pequeno “papo” que teve com seus amigos, obviamente eu nem liguei e deixei passar.



– Legal! Posso cortar os legumes?



– Hai hai, devagar e com cuidado ok?



– Pode deixar!



Eu não vou negar o quanto gostava de ser mimado pela minha mãe, e...eu sei que eu já disse isso, mas eu desejava, com todas as minhas forças, que naquela época eu fosse mais velho.



Não demorou muito para que Ojimbo alcançasse seu companheiro, até porque ele estava seguindo o conselho de Mikoto e dirigindo devagar pelas ruas, só para variar um pouco, ambos ficaram em silencio por um tempo até que Sambou não se aguentou mais.



– Você contou para ela?



– Não, apenas disse para ficar longe do centro por um tempo.



Com isso Sambou deu uma pequena bufada e prosseguiu.



– Ela não faz mais parte da gangue, você deveria aprender a ficar quieto.



– O QUE ESTA DIZENDO SAMBOU!? – Gritou Ojimbo perdendo a calma, Sambou com o susto quase bateu a motocicleta num poste, mas conseguiu desviar indo para a calçada assustando alguns pedestres, na verdade parecia uma família inteira, pois era um grupo de umas 7 pessoas bem parecidas, ele pode ver uma mulher com uma criança no colo xingando e gritando com ele, também não era para menos, ele quase os atropelou, logo que se acalmou voltou para a estrada sem dizer nada, onde Ojimbo mais calmo, continuou – Se acontecesse alguma coisa com a família da Mikoto-san eu nunca iria me perdoar, eu sei que não podia falar tudo, mas um pequeno comentário não vai fazer mal, e nem tente me convencer de que você dormiria tranquilo esta noite, saiu na frente justamente porque também queria contar e não ia aguentar soltar só alguma coisinha!



– Aff! Eu sei, eu já sei muito bem disso, seu idiota, ...droga eu já disse o quanto eu odeio o fato de você conseguir me ler como um livro?



– Você podia dizer mais vezes.



–...


–...


– Ei.


– Hum?


–...obrigado.


– Hehe não por isso.


E assim os dois seguiram o resto do caminho em silencio, sem trocar mais nenhuma palavra.



30 minutos antes.



Era para ser apenas mais uma viagem, bem, talvez uma não tão comum assim, a final de contas era muito raro a família dos meus pais se misturarem e a gente viajar junto, era a minha primeira vez em Sapporo, também era a minha primeira vez vendo neve, mas o que mais me deixava animado era estar participando do festival que ocorreria naquela cidade.



No aeroporto de Sapporo, uma família composta por sete pessoas, sendo um casal de velhinhos, dois outros mais jovens e um menino de dez anos, chegavam animados aquela cidade, mas nenhum deles estava mais animado do que o pequeno rapazinho.



– É isso ai, chegamos para abalar esta cidade dattebayo!



O menino tinha uma maneira bem singular de falar, vestia um casaco e um conjunto todo laranja, as botas eram pretas e diferente dos outros estava sem luvas.



– Naruto não faça tanto escândalo, ainda estamos no aeroporto! – Se tem uma coisa da qual eu me lembro muito bem, eram das broncas que eu levava direto da minha mãe, eu fui uma criança muito mais “energética” do que o normal, e vivia me metendo em encrenca.



Sempre que eu voltava pra casa ao invés de correr para a minha mãe, eu me escondia atrás do meu pai, pois eu tinha certeza de que iria levar uma bela bronca dela, o legal de brigar com a minha mãe é que logo em seguida nós fazíamos as pazes, ela me abraçava, juntava nossas testas e me dava um selinho estilo esquimó, perdi a conta de quantas vezes eu cheguei a aprontar, só pra poder fazer as pazes com ela daquele jeito, mas se tem uma coisa da qual eu gostava mesmo, era abraçar a minha mãe por trás ficar horas enterrado naquele cabelo longo e ruivo, sentindo o seu perfume misturado com o cheirinho da minha mãe, acho que era a única coisa no mundo que me “desacelerava”, e me deixava em completa paz.



– E venha aqui para eu colocar as luvas em você! – Apesar de todo o carinho, Uzumaki Kushina era sem duvida uma mulher autoritária.



– Hãããã, mas com as luvas eu não vou conseguir sentir a neve direito, eu coloco depois de brincar! – O pior é que eu tenho certeza de ter puxado a veia autoritária da minha mãe, acho que é por isso que agente vivia brigando.



– Naruto!



– Ora vamos Kushina, é a primeira vez do garoto vendo neve, deixe ele curtir. – Disse o homem alto, elegante e loiro ao lado da ruiva.



– Minato você é muito mole com ele!



– “Olha só quem fala” E você é muito rígida.



– É por isso que vocês ficam tão bem juntos, um serve para balancear o outro – Disse o senhor bem velho de uns 70 anos, este era o pai do homem loiro, que fez todos soltarem uma sonora gargalhada com seu comentário, exceto Kushina que corou e desviou o olhar para um canto qualquer, sim, apesar de autoritária e casada, a ruiva ainda deixava escapar às vezes, um jeito de menina envergonhada, pelo qual o loiro era apaixonado.



Uzumaki Minato, o vovô tinha toda razão, no que minha mãe tinha de mandona o meu pai tinha de gentil e compreensivo para balancear, acreditem ou não o meu pai é quem cuida da casa e de mim enquanto a mamãe trabalha, ela adora ser mãe e esposa, mas disse que nunca teve jeito para dona de casa, e eu devo concordar que limpar e cozinhar não eram os fortes dela, o que ela faz? Mamãe é uma ótima advogada, pelo menos eu acho que ela é, apesar de ter fama por ameaçar alguns juízes e “advogados maus”, os casos que ela pegava às vezes virava noticia de jornal, o ultimo que eu me lembre dizia que ela tinha socado o acusado enquanto o interrogava, ela disse que ele estava mentindo em seu depoimento e eu é que não iria negar ou criticar as suas ações, naquela época eu achei que a viagem a Sapporo seria perfeita para ela descansar.



– Que seja não vou discutir com você, Naruto venha aqui. – Pediu ela sem levantar a voz e o menino voltou meio que a contra gosto – Escute, quando for brincar na neve pode tirar as luvas, mas até la eu quero que as use para manter as suas mãozinhas aquecidas, tudo bem? – Disse ela já colocando as luvas no rapazinho.



– Huuum, certo entendi.



– Huhu vem cá meu gatinho – Sempre que ela me chamava por esse apelido eu ia correndo para os braços dela, pois sabia que ia ganhar colo, o apelido é por causa de umas maquinas bem transparentes que eu tenho nas bochechas, minha mãe dizia que elas lembravam os bigodes de um gato – vamos pegar um taxi e ir logo para o hotel.



– que pressa toda é essa meu amor? Já ficamos horas sentados dentro de um avião, vamos fazer uma parte do caminho a pé para conhecer a cidade, quando estivermos cansado nós pegamos um taxi. – Sugeriu Minato seguido de sua mãe.



– Boa ideia, preciso esticar um pouco o esqueleto.



– Se esticar demais vai acabar quebrando.



– Ora fique quieto seu velho!



Os meus avós com certeza sabiam fazer cena para descontrair a família.



– Hahaha tudo bem, não tenho nada contra fazermos um pouco de turismo

–Disse Kushina colocando Naruto no chão e se pondo a andar.



Não demorou muito para saírem do aeroporto e se maravilharem com a paisagem, Naruto era o que mais estava aproveitando, a cada monte de neve que via queria parar para brincar, mas teria muito tempo para isso depois, agora era hora de passear.



– Ok já passeamos demais – Declarou Kushina – Minato chame um taxi!



– Mas amor estamos andando só a 20 minutos.



– É que esse sapato esta me matando, eu quero chegar logo no hotel e descaçar, além disso esses carros estão andando muito rápido mesmo com a pista congelada, sinto que posso ser atropelada a qualquer minuto.



– Ora vamos Kushina isso já é –



Enquanto Minato tentava argumentar com sua esposa eles ouviram o som de algo motorizado vindo em sua direção, o motoqueiro trajado de branco usava um topete ridículo e estava quase se chocando com o grupo.



Em um movimento só Kushina pegou o pequeno Naruto no colo e foi puxada para o canto por Minato, assim como seus pais e tios, depois que o motoqueiro passou por eles.



– PORRA SEU IMBECIL, MALUCO, FILHO DA PUTA, NÃO SABE DIRIGIR CARALHO!? – O resto dos pedestres olhavam abismados para aquela mãe tão alterada e o menino em seu colo, que parecia não entender o porque de seu pai estar cobrindo suas orelhas – O povo daqui só pode ser doido mesmo, Minato chame um taxi, não dou mais nem um passo com nosso filho nessa calçada.



– Pode deixar, só pare de gritar amor.


**********

Passado algum tempo, naquela noite Ojimbo e Sambou chegam ao esconderijo da gague e se preparavam para ouvir as ultimas ordens de seu líder.



– Obrigado a todos por se reunirem aqui esta noite, creio que todos aqui presentes sabem o que vai acontecer amanhã a noite, esta será a maior disputa de território que já houve nesta cidade, e eu quero ter certeza de que ninguém aqui ira hesitar quando as coisas ficarem feias de verdade, nada de farra esta noite, hoje voltarão para suas casas armados!



Com esta ultima declaração os membros vibravam pelo encorajamento de seu líder, todos exceto dois, que enxergavam a situação de maneira completamente diferente, aquilo não era mais uma simples disputa de território, nunca precisaram recorrer a armas de fogo, alguma coisa estava errada, muito errada.


**********

Nesta mesma noite, em Hokkaido, no QG de policia numero 22, um grupo de grandes figuras tanto relacionadas com a lei e com o exército, quanto com a politica se reunião para discutir os últimos detalhes do que poderia ser chamado, a maior de todas as operações militares dentro do país, o que era muito estranho, porque em um simples QG da policia se reuniriam tantas pessoas importantes? De qualquer forma, a reunião já era para ter começado, mas ao que parece uma pessoa ainda estava ausente.



– Onde ele esta? – Perguntava um homem que deveria ter em torno de uns 40 e poucos anos, usava a farda de uma alta patente do exército e pelo visto possuía um olho cego – Já atrasamos esta reunião por uma hora!



– Calma nenhum de nós aqui tem pressa. – Alegou um dos outros oficiais que parecia um tanto descontente, mas não pelo atraso na reunião.



– Fale por você capitão, eu tenho uma operação inteira para armar e não posso começar porque um simples tenente resolveu abusar da minha paciência.



Enquanto o general esbravejava, a porta dianteira do local se abre revelando o ultimo integrante que estava faltando.



??? – Desculpem pelo atraso.



– Até que em fim tenente, aguardávamos somente você.



– Desculpem por isso eu tive alguns imprevistos.



– Bem seja como for, finalmente podemos começar, primeiro como manda a boa etiqueta as apresentações, representando as forças armadas do nosso país, general Tomoyuki Yamashita, sua vez tenente.



– Muito bem, eto, representando as delegacias de policia de toda Tóquio assim como meus companheiros, Hatake Kakashi aos seus serviços senhores!



Continua...

Notas finais
Calma pessoal tamo ainda no comecinho, vamo relaxar, é o que eu gostaria de dizer,mas o final foi tudo menos relaxante huahuahauahuaha, bem vou estar um pouquinho mais ocupado então talvez só semana que vem, até la minna!