Tears Of Blood
1 Ligação
Notas iniciais
Lizzy andava de forma apressadas pelos corredores da delegacia. Seus cabelos claros, quase brancos, balançavam seguindo o ritmo de seus movimentos. Enquanto seus olhos esverdeados transmitiam preocupação. Como ela gostaria de estar sentada dentro de um quarto lendo algum de seus livros ou fazendo alguma pesquisa sobre algum evento sobrenatural, mas Sophie tinha que ter esquecido de ligar o celular.
Ela estava ciente dos olhares que caiam sobre seu corpo, como tinha nojo dos homens. Sempre dispostos a fazer qualquer coisa por um rostinho bonito, até mesmo ferir as pessoas que mais amavam. Em todos seus dezenove anos a garota havia confiado em apenas um homem, o qual era o motivo de sua ida a delegacia.
– Entrarei em contato se tiver alguma novidade. – A voz do Xerife logo chegou aos seus ouvidos e segundos depois pode notar Sophie. Ela tinha por volta dos vinte e dois anos e um corpo de dar inveja a qualquer mulher em sua idade. Seus olhos e cabelo brilhavam em uma cor ônix.
– O FBI agradece a sua colaboração. – Sophie falou o que fez Lizzy revirar os olhos, sempre o mesmo disfarce. Era um milagre que da última vez que havia checado suas fichas ainda estivessem completamente limpas. Não demorou muito para que o olhar de ambas as garotas se encontrassem o que fez a mais velha rapidamente se aproximar da amiga.
Sophie não pode deixar de estranhar a atitude da mais nova, sabia que ela odiava frequentar lugares onde a quantidade de homens era grande e agora ali estava ela, parada no meio de um corredor de uma delegacia. Em passos rápidos se aproximou de Lizzy, podia notar o desconforto da garota de longe.
– O que você esta fazendo aqui?
– Bobby ligou. – Lizzy respondeu dando de ombros, havia jurado para si mesma que faria qualquer coisa por Bobby. Afinal ele havia salvado sua vida dezenas de vezes e a garota devia isso a ele. – Precisamos ir. Agora.
O silêncio tomou conta do ambiente, nenhuma das duas atreveu a falar uma única palavra. Sophie não se sentia confortável em abandonar um caso no meio, ainda mais pelas suspeitas de seres ações demoníacas, mas Bobby sempre seria mais importante que qualquer outra pessoa.
Não demorou muito para que ambas chegassem ao quarto de hotel, por sorte ele ficava há apenas três quadras da delegacia. Logo que colocou seu pé dentro do cômodo Lizzy sentiu seu corpo relaxar e ela sabia perfeitamente o único que conseguia fazer isso, Nathaniel.
– Ele esteve aqui? – Sophie perguntou o que fez a amiga assentir, elas haviam passado semanas tentando localizar Nath e agora quando finalmente haviam chegado perto o bastante ele havia voltado a sumir.
– O irritadinho disse algo sobre matar um demônio e depois nos encontrar. – A voz debochada de Joshua logo chegou aos ouvidos das garotas o que fez Lizzy cruzar seus braços, ela apenas não dava um tiro na cabeça do mesmo por ele ser um anjo e proteger Sophie.
Ele aparentava ter por volta de dezenove anos, cabelos e olhos castanhos. Usava uma touca, para impedir seus fios rebeldes de ficarem visíveis, e um óculos. Segundo o mesmo o acessório o deixava com um ar mais intelectual, apesar de Lizzy discordar completamente.
– E você não devia ir ajuda-lo?
– Não são necessários dois anjos para derrotar esse demônio. – Josh falou dando de ombros, mas logo seu rosto adquiriu uma feição seria. Algo que não acontecia com frequência, ele sempre preferia ser alguém debochado e brincalhão. — E agora mais do que nunca não podemos deixar que ninguém descubra sobre nós.
– Isso tem algo haver com o súbito interesse do Bobby em anjos? – Sophie perguntou e recebeu um aceno como resposta. Ela logo entendeu que não poderia exigir mais informações, Josh havia recebido uma ordem de protegê-la, mas isso não significava que ele podia sair dizendo informações do céu.
– E por isso que o Nath foi atrás do demônio não é? Ele odeia caçar. – Lizzy falou terminando de fechar sua mochila, já faziam mais de três anos que havia se encontrando com o mesmo e com o tempo acabou descobrindo o que ele gostava ou detestava.
– Eu só posso dizer que uma guerra está se aproximando e é melhor vocês não confiarem nos anjos. – Joshua disse dando de ombros. – Às vezes eles podem ser mais frios que os demônios. Se uma ordem for dada eles vão cumpri-la mesmo que para isso tenham que matar pessoas inocentes.
Sophie e Lizzy se entreolharam rapidamente, era obvio para as duas que o anjo parado no meio do quarto já havia dito mais do que poderia e elas eram gratas por isso, sempre haviam confiado na dupla de anjos e não seria agora que mudariam seus pensamentos. Mas algo que as duas sabiam era que se a vida de Bobby estivesse em perigo, elas não hesitariam um único segundo para dar qualquer tipo de informação.
– Eu vou com vocês, mas ninguém pode saber que eu sou um anjo. – Josh falou de forma seria, mas logo sorriu de forma debochada. – Não queremos que ninguém fique sem poder ver a beleza do mundo e dos doces.
Lizzy revirou os olhos e colocou sua mochila sobre seu ombro, apesar de não demonstrar estava preocupada com Nathaniel, eram raros os momentos que ele ficava tanto tempo sem dar noticias. E por odiar caçar a garota temia que ele se machucasse, afinal elas não sabiam que demônio estava na cidade.
– Ele sabe se cuidar. – Josh falou enquanto devorava um pacote de jujubas, era impressionante como seu corpo ainda não havia adquirido uma forma arredondada. Sempre que olhava para o garoto ele estava comendo algum doce. – E vai cumprir a promessa de nos encontrarmos na casa desse tal Groggy.
– É Bobby.
– Tanto faz.
Lizzy revirou os olhos, ela simplesmente não sabia como Sophie conseguia aturar aquela criatura por tanto tempo. Por sorte Nathaniel era o completo oposto, sempre calmo e objetivo. Raramente saia do serio e quando isso acontecia o melhor era não ficar por perto, já que ele se transformava em alguém assustador.
– Próxima parada a casa do Bobby. – Sophie disse ao sorrir, já faziam meses que não o viam e a saudade acabou se acumulando em seu peito. Sabia que o motivo desse reencontro não era um dos melhores, mas apenas de ver como Bobby estava à garota já não conseguia impedir um sorriso de se formar em seus lábios. Agora ao menos faltavam cerca de cinco horas para o reencontro.
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