Tears Of Blood

2 Dean Winchester


O ponteiro do velocímetro não saia do cem, mas isso não pareceu importar para Lizzy. Seu pé se mantinha no acelerador, não dando importância alguma as dezenas de placas que falavam sobre a velocidade máxima naquela rodovia. Ela apenas precisava encontrar Bobby o mais rápido possível. Sophie estava visivelmente tensa ao seu lado, mas isso não parecia lhe importar.

— Essa coisa não anda mais rápido? – Josh perguntou enquanto devorava algum doce qualquer, Sophie não pode deixar de arregalar os olhos. Ele simplesmente não podia estar falando sério.

Lizzy estava prestes a responder a provocação do garoto quando Boulevard of Broken Dreams começou a tocar na rádio, ela simplesmente amava essa música por conta do quanto ela se encaixava em sua vida. Um pequeno sorriso sapeca se formou em seus lábios enquanto o botão do volume era girado até o máximo, ela sabia que Josh possuía uma audição apurada e que isso certamente o incomodava. Em resposta o anjo apenas fez uma pequena careta e voltou a se concentrar em seus doces.

O resto da viagem continuou de forma tranquila, apesar dos constantes resmungos de Josh sobre o gosto musical da mais nova. Sophie apenas decidiu se manter calada enquanto pesquisava informações sobre algum possível próximo caso. Quando o carro finalmente parou na frente da casa de Bobby a morena já havia reunido mais de vinte possíveis casos.

— Então essa é a casa do tal Groggy? – Joshua perguntou depois de dois minutos em silêncio absoluto, o que para Lizzy já havia sido o recorde de tempo que ele conseguiu ficar sem falar. Mas o mesmo logo franziu a testa e sua feição brincalhona se tornou extremamente seria.

O instrumental de 21 Guns logo encheu o carro o que fez Lizzy rapidamente pegar seu celular. Sem hesitar um único segundo ela levou o aparelho ao ouvido.

— Liz. – A voz de Bobby chegou aos ouvidos da garota o que a fez soltar a respiração, que nem ao menos lembrava de estar segurando. – Onde vocês estão?

— Acabamos de chegar na sua casa. – Ela pode ouvir o homem suspirar de forma aliviada o que a fez arquear uma sobrancelha. Que droga estava acontecendo?

— Eu vou explicar quando chegar. Mas por enquanto estejam preparadas para possíveis ataques de fantasmas. – Bobby falou o que a fez assentir levemente, mesmo sabendo que o homem não conseguia lhe ver. – Atirem em tudo que se mexer.

— Tenha cuidado. – Lizzy murmurou antes de desligar o telefone, quando olhou pelo espelho retrovisor não pode deixar de notar que Josh havia desaparecido. Isso era de certa forma comum, o anjo sempre saia e vinha quando bem entendia.

— O que houve? – Sophie perguntou ao bater contra o vidro com o cano de uma das espingardas, o que acabou surpreendendo Liz que nem ao menos havia notado quando a amiga havia deixado o carro. – Você está pálida.

— Temos problemas. – Lizzy resmungou ao sair do carro e pegar uma das armas da mão da morena, que franziu a testa em confusão. – Bobby disse algo sobre ataque de fantasmas e que era para termos cuidado.

~x~

Sophie suspirou, pelo o que devia ser a décima vez em menos de cinco minutos. Seus olhos paravam sobre o relógio a cada trinta segundos. Lizzy havia saído há cerca de meia hora, resmungando alguma coisa sobre precisar de ar puro. Ela não podia culpar a amiga, afinal já estavam sentadas há mais de seis horas enquanto esperavam Bobby voltar. Ela não havia se afastado um único centímetro da arma, algo em seu interior a alertava que se ela soltasse o objeto seria o mesmo que abandonar sua vida.

— Ela não vai voltar. – Uma voz infantil chegou aos ouvidos da morena o que a fez franzir a testa e rapidamente girar na direção do som, disparando no mesmo instante que seus olhos pousaram sobre a figura de uma garota de no máximo cinco anos. Ela simplesmente havia sido ensinada a atirar primeiro e perguntar depois.

O som de estática logo chegou aos ouvidos de Sophia o que a fez franzir a testa, como ela não havia ouvido isso antes. Bobby havia alertado sobre possíveis ataques sobre fantasmas, mas ela acabou esquecendo esse detalhe devido à demora de Lizzy. Ela simplesmente se sentia patética.

— Deixe ela morrer. – A voz da criança novamente ecoou pela casa e no mesmo segundo Sophie girou seu corpo. Seu coração batia de forma acelerada, ela simplesmente não conseguia entender o motivo de logo aquela criança estar ali. Já não era o suficiente ela se culpar todas as noites por ter ignorado o mais simples dos sinais e ter deixado ela morrer? – Essa é a única coisa que você é boa em fazer.

— Você cometeu um erro. – A voz de Lizzy ecoou em sua mente, já havia ouvido aquelas palavras dezenas de vezes. Sempre que acordava chorando a amiga era a primeira a correr em sua direção e garantir que tudo estava bem, que ela não teve culpa alguma e que erros simplesmente aconteciam. – Nosso trabalho infelizmente vai acabar atraindo mortes, mas é nosso dever continuar seguindo em frente e salvar o máximo de pessoas que pudermos.

Em um movimento rápido Sophie apontou sua arma em direção a cabeça da criança e efetuou dois disparos, a figura da menina logo se desfez em uma espécie de nevoa e desapareceu. Não estava no momento de se culpar, ela precisava se livrar desse maldito fantasma e ir atrás de Lizzy, ela sabia que algo havia acontecido. Era obvio que ainda se sentia culpada pela morte da menina, mas não havia nada que ela pudesse fazer para voltar atrás e salva-la.

— Eu prometi que nunca mais iria permitir que alguém importante morresse. – Sophie gritou, seus olhos rapidamente olhando ao seu redor para qualquer sinal do fantasma. – Então trate de aparecer para que eu possa me livrar de você e ir atrás dela.

Quase que instantaneamente a garota pode ouvir uma voz masculina murmurar alguma coisa, segundos depois o som da porta principal sendo aberta ecoou pela casa. A mão esquerda de Sophie pousou sobre sua cintura, onde ela pode sentir a bainha de sua faca de prata. Algo que a garota sempre deixava por perto. Em passos lentos ela se aproximou da divisão da sala e foi então que notou a figura de um homem. Cabelos castanhos e uma boa estrutura física.

— Eu sei que você está aí. – O homem gritou o que a fez franzir a testa, por algum motivo ele não era um completo estranho para ela. – Saia agora e com as mãos para cima, se não quer levar um tiro no meio da cabeça.

Os passos do homem ecoavam pela casa e em questão de segundos o mesmo acabou passando pela garota, o que a fez balançar levemente a cabeça. Em um movimento rápido sua faca havia ido de encontro ao pescoço do mesmo.

— Eu acho que seria melhor você soltar a sua arma. – Sophie falou de forma fria. – Dean Winchester.

Notas finais
Brih sorry pela demora. Espero que tenha gostado
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.