Teachers in Love
5 Gay-gossip-mobile
Nova York. Andrew participava de uma reunião importante quando sentiu o aparelho vibrar no bolso de seu paletó. O diretor apresentava um projeto importante, passando os slides no quadro de última geração. Talvez fosse melhor esperar... Mas e se fosse algo importante? O homem suspirou. Provavelmente não era... Devia ser uma fofoca qualquer. Uma fofoca quentinha... Andrew, se coçando de ansiedade, pediu licença e saiu.
Neste mesmo momento, no Rio de Janeiro, o jovem Rafael levava uma bronca do professor de física.
– Isso não é hore de mexer no celular! — resmungava ele.
E quem disse que aquilo era um aparelho celular?
– É importante, professor! Eu preciso sair... — e sem esperar resposta, o garoto se retirou de sala, deixando o homem com cara de bobo.
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O co-piloto de um voo que ia de Londres a Tóquio espantou-se quando precisou assumir a aeronave de repente. O capitão estava passando mal? Ele imaginou que sim... Mas o que o Sr. Lee Yang fazia no banheiro não era bem o que outro imaginava. O japonês tirou o aparelhinho cor-de-rosa do bolso e o olhou ansioso.
Ansioso, também ficou Aalap, um pedinte que vivia nas ruas de Mumbai. Nem esperou a velhinha depositar as moedas em seu chapéu, e tirou o aparelho do bolso para examiná-lo.
– Fica aqui pedindo esmola, mas tem um celular novinho? — reclamou a senhorinha.
– Não é um celular! — retrucou o homem.
A velha resmungou qualquer coisa, mas Aalap pouco ligou... Estava muito ocupado olhando a mensagem que recebera para perceber que a mulher pegava a esmola de volta, com juros e correção monetária.
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Andrew, Rafael, Lee Yang e Aalap, assim como vários outros adolescentes, jovens, homens mais maduros ou até velhos faziam era consultar o seu gay-gossip-mobile, um aparelhinho que conectava todos os homossexuais do sexo masculino que existiam no planeta. Ou, pelo menos, todos os assumidos...
– Ahhhh! Sam está namorando! Que pena, ele é tão bonito... — lamentavam-se uns. Outros, comemoravam desejando a felicidade do amigo. Todos, entretanto, foram unânimes em uma coisa: Sam e Brian formavam um belo casal.
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Sam sorriu ao receber os cumprimentos. Gostava de compartilhar fotos e, principalmente, sua felicidade, com os amigos. Quem não ficou satisfeito, entretanto, foi Brian. Descobriu através de um primo gay, que ligou para congratulá-lo.
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– Você contou para eles! Para todos os gays! — gritava Brian, nervoso. Estavam agora no jardim da escola, e já era de noite.
Winchester não entendia o motivo para tanta revolta. Eram namorados... E daí contar pra todo mundo?
– E daí que eu tenho um primo gay! E se ele não espalhar pro resto do mundo, algum outro conhecido vai! — reclamou ele.
– Mas Bê... — ponderava Sam — todos aqui na escola já sabem...
– Mas fora dela não sabem! Eu tenho a minha reputação! — vociferou o homem.
Dessa vez, Sam se irritou, e falou grosso com o namorado.
– Deixa de frescura e se assume logo! Todo mundo já sabe que você é gay! Você tem jeito de gay!
Brian foi ficando vermelho. Ele não era obviamente gay como o outro queria que acreditasse. Aliás, ele sempre fora heterossexual. Ficou gay só para poder ficar com Winchester... Era só dele que gostava...
– Retire o que disse! — berrou com raiva.
– Não retiro! — respondeu o professor de teatro, também já ficando nervoso.
Brian não se controlou, e empurrou o namorado com força. Winchester deu-lhe um tapa nos rosto. Em pouco tempo os dois estavam se esbofeteando.
Ruth que via tudo a distância ficou horrorizada. Ia correr até eles para separar os brigões quando Benbow chegou e a puxou pelos cabelos.
– Já pra dentro, garota! — disse o chato, com sua voz aguda. Existia uma regra estúpida naquele colégio que não deixava os alunos passearem pelos jardins a noite. Mesmo que não tivessem nenhum trabalho para fazer, e mesmo que não estivessem com sono...
Ruth não queria que ninguém se machucasse. Tentou avisar ao inspetor da briga, mas ele não pareceu lhe dar ouvidos.
– Não é da sua conta... Se quiserem se matar, que se matem! — opinou o homenzinho.
Mas, assim que tirou Ruth de perto, o maldoso sujeito se aproximou de Winchester e Scott, que agora rolavam no chão, aos socos e pontapés.
– Vou contar pro diretor, e vocês serão despedidos! — ameaçou o pentelho, sorrindo de lado.
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