Teacher
1 Prólogo
Notas iniciais
FELICITY.
– Mas eu disse que era apenas físico, Sarah – resmunguei irritada.
– Já parou para pensar no quanto que ele ficou magoado? – essa é Sarah, minha melhor amiga e defensora de Roy, meu ex-namorado, se é que posso chama-lo assim.
Nós namoramos durante três meses, foi um longo tempo. Até hoje me pergunto como consegui passar tanto tempo com alguém, Roy é um cara legal o problema é que eu não conseguia sentir nada por ele além de atração física. Sarah tem raiva de mim por isso, porém para ser mais sincera acho que nem ele gosta de mim ou talvez eu seja apenas desligada para esse tipo de coisa.
– Ele nem ligou – dei de ombros.
– Isso é o que você está dizendo – é sempre assim, quando Sarah encuca com algo, só Jesus na causa – Vi Roy a pouco, ele estava calado e nós sabemos muito bem que ele não é assim.
– Olha aqui Sarah eu não vou ficar com uma pessoa só por que você acha que é certo – dobrei uma blusa calmamente, não queria brigar com ela, mas além de querer mandar em tudo na minha vida ela ainda se altera por qualquer coisa.
– Eu não acho que é certo, para falar a verdade nunca nem quis que vocês dois começassem.
– Sarah... – mas fui interrompida.
– Ok, chega de conversa me ajuda com isso aqui – ela apontou para a bagunça formada no quarto. Nos mudamos para a faculdade e como esperado dividimos o mesmo quarto.
Terminei o colegial, o que é algo triste. Eu era digamos... Uma garota popular na escola, tinha vários amigos e ficava com alguns garotos legais, mas nunca fui líder de torcida ou algo do tipo, não levo jeito para essas coisas, pelo contrário.
Na escola todos são tachados de alguma coisa, alguns são tachados por serem rejeitados, outros famosos por serem inteligentes, alguns são famosos por serem burros e eu sou tachada de Iron Lady, ridículo não é? O porquê desse apelido? Nem eu sei, o que sei é que se tenho vontade de ficar com alguém eu fico sem ligar para o que irão achar, deve ser por isso que minha reputação durante o colegial não era propriamente dita de uma garotinha indefesa que se vê em filmes.
Venho de uma família de classe média, mas como sou a única filha sempre fui muito paparicada por meus pais e sempre tive tudo o que quis. Apesar de tudo, eles nunca brigaram comigo por causa de comentários alheios e nunca passei por nenhum tipo de dificuldade, meus pais nunca deixariam isso acontecer.
Sinceramente? Me sinto estranha pois mais da metade dos pré-adultos/pós-adolescentes se sentem eufóricos por estarem na faculdade, mas eu não. Tudo o que há em mim é apenas um vazio imenso e vontade de voltar para casa.
– Hoje temos aula de Química Aplicada – Sarah me interrompe mostrando os horários escritos em uma folha que ela está segurando.
– Argh! – bufei – Cálculos no primeiro dia de aula, ótimo. Já amei – Sarah nem se importa com o que digo e solta uma risada abafada.
– Já ouviu comentários sobre as pessoas e os professores daqui? – ela falava enquanto colocava as roupas em uma cômoda – Tirando você e Roy todos são desconhecidos.
– Não conheço ninguém também. E sobre os professores: aposto que são carrancudos da barrigona por causa da cerveja e devem passar por problemas familiares – disse sarcasticamente e Sarah concordou rindo.
Depois de organizar o quarto ligo para minha mãe.
– Oi querida – ela disse toda empolgada – Como está indo?
– Bom, a parte mais difícil que é organizar o quarto já foi concluída então agora só me resta fazer as coisas que todos fazem aqui.
– Estou tão feliz por você Sweety – revirei os olhos, detesto quando mamãe me chama assim – Não esqueça de me ligar amanhã e contar como foi ok? – tinha esquecido que ela queria que eu ligasse todos os dias.
– Ok. Tenho que desligar agora mãe, tô atrasada. Beijo.
– Sinto sua falta.
– Também – desliguei e olhei a hora, se Sarah soubesse que eu nem havia tomado banho ainda ela com certeza me degolaria viva, jogo o celular na cama e corro para o banheiro.
Após tomar banho e almoçar eu e Sarah procuramos a sala de nossa primeira aula. Ao entrar na sala logo vejo Roy, que ótimo penso. Vamos ter aula de química aplicada juntos, tudo o que precisava em minha vida.
– Roy está olhando para você – ela sussurrou olhando para seu celular.
– Eu sei, acha que devo falar com ele? – pergunto me mexendo desconfortável na cadeira.
– Com certeza não, você terminou ontem, ele deve estar furioso.
Assinto com a cabeça e fico lendo um panfleto sobre astrologia que uma garota havia distribuído.
– Pega – Sarah entregou meu caderno e minha bolsinha de canetas.
– Que horas você acha que essa aula vai começar? Estou impaciente – fiquei com a cabeça baixa até Sarah puxar a manga de minha blusa.
– O que é aquilo? – perguntou Sarah com o rosto assustado.
– Aquilo o quê? – segui o seu olhar, na mesma hora entendendo o por que da reação de Sarah.
Eu o vi pela primeira vez, ele entrou na sala vestido com uma blusa social branca dobrada até o cotovelo, deixando suas veias salientes à mostra e uma calça jeans preta. Não era um poste de altura, mas chamava atenção mesmo assim e seus olhos são tão claros que mesmo de longe dava para vê-los perfeitamente. O professor se encostou na mesa como se fosse sentar, mas apenas se apoiou e cruzou os braços olhando atenciosamente para o fundo da sala, como se quisesse ver os alunos do fundo. Ao fazer isso seus braços pareciam que iam explodir a costura blusa e Sarah me cutucou sorrindo.
– Se os professores daqui forem barrigudos desse jeito, querida eu vou querer limpar minha vista sempre com eles – brincou.
– Bom dia pessoal – ele diz depois de um meio sorriso que faz com que eu engula em seco. Como um cara pode ser tão charmoso? Pego minha caneta e freneticamente a mordo, olhando para ele.
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