Te conhecer foi mágico
3 Joaninha Querida
Existia uma pequena vila, que nasceu na estrada, como ponto de parada para viajantes e comerciantes, era um lugar próximo a Floresta Joie, a floresta do rei, e embora próximos ninguém da vila tinha coragem de chegar perto daqueles árvores, não por causa da consequência que teriam por parte da monarquia mas porque todos acreditavam que a floresta era amaldiçoada.
Nessa vila também existia uma jovem de cabelos escuros azulados e olhos puxados cinzentos, se distinguia de todas as outras jovens por causa disso, Sabine, tinha uma beleza exótica, que chamava a atenção de muitos, todo mais afortunado que passava por ali oferecia quantias que podiam sustentar a vila inteira, só para se casar com ela.
Mas a jovem recusava a todos, pois seu coração já tinha um dono, era um humilde padeiro da vila, Tom que a fazia feliz, divertia e completava. E quando os dois finalmente conseguiram se casar, a festa foi grande, tão grande que acabou chamando a atenção de uma moradora da floresta, que se aproximou das festividades, sem ser percebida pela maioria, menos pela noiva. Que se aproximou da mulher estranha e logo pode ver os cabelos dela, simplesmente lindos e únicos, isso já a deixou impressionada.
— Licença, senhora, o que está fazendo aqui? Sabe que essa floresta é amaldiçoada. – Sabine falou admirando a da pessoa a sua frente.
A mulher tinha cabelos vermelhos, além dos olhos violeta, raros. A estranha estava impressionada com uma asiática, já que nunca tinha se deparado com aquele tipo de aparência assim como Sabine. Demorou um pouco até que elas começassem a falar, mas quando começaram não pararam. No mesmo dia as duas já se tornaram boas amigas.
Sabine descobriu que o nome da moradora da floresta era Tikki, que ela morava com seu companheiro Plagg, que parecia, na opinião da asiática, um pouco grosseiro, porém que se importava muito com Tikki, e como ela o amava, só de tocar no nome dele os olhos da ruiva brilhavam intensamente. Quando finalmente pode conhece-lo ela ainda o achava um pouco rude, mas isso era só porque ele falava pouco e era direto em suas opiniões.
Com o tempo a vila toda acabou conhecendo Tikki e Plagg, e todos gostaram deles, e a não ser Sabine e Tom, ninguém sabia que usavam magia, mas sabiam que Tikki era boa em fazer medicamentos, então todos começaram a pedir remédios para ela, e ela atendia os pedidos de bom grado, sempre levava uma cesta de remédios para a vila, e não pedia nada em troca, mas vez ou outra ganhava algo, queijos, leite, ovos, galinhas, uma vez até ganhou uma vaca por curar o filho de um fazendeiro. O povo a adorava. Até mesmo quando a igreja chegou na vila, os dois mágicos sabiam que seria perigoso, mesmo assim Tikki continuou a levar os medicamentos.
Enquanto isso Sabine e Tom estavam muito felizes juntos, com a ajuda de Sabine a padaria tinha crescido, e claro, ser o único que fazia pães na vila ajudava muito, e depois de alguns anos a felicidade dos dois cresceu eles teriam seu primeiro filho, quer dizer, filha, Marinette, uma menininha de cabelos escuros azulados como o céu da noite, olhos azuis claros brilhantes como estrelas e a pele branca como a lua, por isso a mãe a apelidou de Pequena Noite.
Tikki rapidamente se encantou pela menina, uma criança simpática e risonha, mesmo tão pequena já dizia algumas palavras e ostentava felicidade plena, e como madrinha a ruiva não podia deixar de presentear a menininha, deu a ela um par de brincos vermelhos com pontinhos pretos, uma linda estampa de joaninha. Tikki disse aos pais que essa joia era preciosa, feitas com uma magia poderosa e com todo o amor que a ela tinha pela menina, que quando Marinette precisasse esses brincos a protegeriam e a levariam para um lugar seguro quando estivesse perdida, pediu para que não tirassem os brincos da menina.
Explicou também uma pessoa mágica só fabrica e dá esses tipos de joias, a alguém que ele goste muito e tenha muita importância, como um irmão ou filho, já que o próprio mágico que fabricou não pode usá-lo. Claro que Sabine e Tom ficaram muito agradecidos, eles confiavam nas palavras de Tikki. Dez anos se passaram e Marinette, apesar de pequena já se notava que ela iria se tornar uma linda mulher, tinha a beleza exótica de sua mãe, e, por ser mestiça seus olhos eram mais arredondados, o que dava a ela uma expressão fofa. Pequena Noite sempre enxia a boca para dizer que, como sua mãe, ela só iria se casar por amor.
Tudo ocorria bem na família e na vila, até o dia que um dos fanáticos religiosos viu Tikki praticando magia ao curar um machucado de Marinette, que havia caído e ralado os joelhos. Não demorou para mais religiosos, saberem disso, e logo ao entardecer, quando Tikki, que estava voltando para sua casa, foi cercada por homens da igreja com tochas na mão. Um dos homens a amarrou e ela foi arrastada para frente da igreja, tudo foi preparado bem rápido, como se já estivessem esperando que algo assim acontecesse naquela vila. Tikki foi amarrada em um tronco e foi cercada com madeira embebida em óleo. Os habitantes da vila, vendo o que estava acontecendo começaram a pedir piedade, estavam desesperados, como uma pessoa tão boa como Tikki podia ser acusada de fazer pacto com o diabo?
O povo pensava que poderia ajudar, mas os argumentos dos homens da igreja eram fortes, falavam: “Como pode uma mulher com a cor de cabelo do fogo do inferno ser curandeira? Como ela pode curar as pessoas ser pelas mãos do poderoso Deus?” Quando Tom e Sabine chegaram já era tarde, Tikki tinha sido sentenciada, e os dois só poderiam se lamentar pelo que tinha acontecido. Os gritos de Tikki, silenciaram a todos que pediam por misericórdia, uns desabavam em choro, outros revoltados, tentavam tirar a ruiva do lugar, mas os homens da igreja não deixavam, diziam que isso limparia todas as impurezas da vila.
E quando os gritos pararam, o fogo se erguia cada vez mais alto nos céus e os homens de batina estavam rezando pela alma da pobre ruiva que tinha vendido sua alma, mas algo saiu do controle, as chamas não cessaram, elas só correram e se espelharam mais, os homens de batina foram instantaneamente queimados, e a igreja foi a primeira a pegar fogo, e logo as casas da vila também pegaram fogo, o lugar estava sendo destruído. A multidão começou a correr para suas casas para salvar o que podiam, mas o fogo consumia rápido, ninguém sabia direito o que estava acontecendo e não sabiam a quem culpar, muitos colocaram culpa na mulher que tinha “vendido sua alma”.
Mas o casal Dupain-Cheng não acreditava nisso, olhando para a floresta eles sabiam quem poderia ter causado aquele fogo, conseguiam até imaginar seus olhos verdes brilhando de raiva, porém não nutriam nenhum sentimento ruim em relação a Plagg, somente sentiam compaixão, imaginaram o que fariam se perdessem um ao outro com os poderes que o mágico tinha. Não o condenaram, apenas pegaram suas coisas e tristes partiram para uma nova vida, com sua filha, o destino da família era Paris.
Alguns anos se passaram, Marinette tinha crescido e se tornado uma linda moça de 18 anos, a mudança para Paris foi difícil, diferente da vila eles não eram a única padaria e fazer o negócio crescer estava se tornando cada vez mais difícil, conseguiam se sustentar, o problema era que com o recente adoecimento de Sabine a as más plantações do ano fizeram com que a família atrasasse no pagamento do aluguel da padaria e casa em que estavam. Marinette ajudava como podia, ela era responsável pelas entregas e agora pelo atendimento da loja, todas as manhãs antes de trabalhar a moça se sentava ao lado da cama da mãe, e ficava um tempo ali, hoje não era diferente.
— Olá Pequena Noite. – Disse Sabine fraca, ao abrir os olhos. – Como está? – Marinette sorriu.
— Eu vou bem mamãe, mas a senhora precisa descansar e se recuperar logo. – Acariciou a cabeça da mãe.
— Eu sei querida. Onde está seu pai?
— Cuidando da padaria, preparando fornadas quentinhas para esta manhã. – Marinette sorria esperançosa. – Precisamos comprar remédios para você mãe. – Ao ouvir isso Sabine fica com o olhar perdido.
— Filha já lhe contei sobre Tikki?
— Sim mamãe, mas eu gostaria de ouvir de novo, me lembro muito pouco dela. – Disse, o incêndio na vila impressionou e chocou tanto Marinette que tudo que aconteceu antes daquilo foi quase completamente esquecido, e algumas memórias eram confusas, uma dessas memórias era sobre Tikki.
— Tikki era uma mulher linda e boa, era uma amiga e uma ótima madrinha para você, ela e o companheiro dela, seu padrinho um homem de poucas palavras e amizades, mas era gentil. – Se Marinette lembrava pouco de Tikki ela se lembrava menos ainda de Plagg, não se lembrava nem de seu nome, mas sabia mito bem que ele carregava olhos verdes intensos. – Tikki tinha mãos habilidosas para fazer remédios, ela fazia de bom grado os remédios que as pessoas da vila solicitavam, usava magia.
— Magia? – Era a primeira vez que sua mãe falava sobre esse lado de Tikki.
— As pessoas estão bem enganadas sobre magia, na vila em que morávamos Tikki era quem ajudava e curava todos, ela me explicou uma vez que magia era uma ciência que estudava tudo que usava a energia presente ao nosso redor... Essa era a explicação certa... Mas eu adorei e entendi melhor quando Tikki chamou a magia de Miraculous, pequenos milagres, que as pessoas mágicas são capazes de fazer. Então ela me mostrou tudo que podia, falou sobre as magias de proteção, de cura, também aquelas capazes de controlar o clima, de fazer as coisas levitarem... Eu fiquei com tanta inveja... – Sabine riu... – Que saudades daquele tempo... Foi Tikki que fez esses brincos, ela fez especialmente para você.
Apontou para a orelha da mestiça que tinha brincos, Marinette tocou neles, ela não se lembrava que era Tikki quem tinha lhe dado os brincos e não sabia também que ela era uma pessoa que usava magia, isso só a deixou mais orgulhosa em saber o tipo de pessoa que sua madrinha era.
— MARINETTE! – Tom chamava pela filha.
— JÁ VOU. – Respondeu e se virou para Sabine. – Tenho que ir mãe.
— Vá ajudar seu pai.
A menina desceu as escadas com presa e ficou de frente ao pai.
— Filha, preciso que leve isso ao Barão. – O pai entregou um envelope.
Marinette odiava o Barão mais que tudo na vida, era um homem egocêntrico, idiota, arrogante e isso dava enjoos nela.
— Eu não quero chegar perto daquele homem! – Disse revoltada.
— Eu sei filha, eu também não gosto dele, mas é ele quem nos deixa ficar aqui com o aluguel tão atrasado, precisamos ser gratos, e pagar, pelo menos um pouco desse atraso. Além disso, eu estou ocupado na padaria. Agora vá, antes que a paciência dele acabe.
A moça não iria discutir com o pai, então quanto mais cedo mais cedo chegasse na casa do Barão e entregasse o aluguel mais cedo voltava, pegou o agasalho, estava inverno e as ruas com certeza já estavam bancas da neve, e saiu rápido de casa. No caminha foi atraída por um tumulto vindo da praça principal, se aproximo e ficou espantada ao ver um palanque baixo e em cina dele um tronco rodeado por lenha, uma cela de grades de metal com um homem dentro e dois homens discutiam em cima do palanque.
Marinette se aproximou um pouco mais do prisioneiro, os cabelos negros bagunçados não eram estranhos para ela, até que esse homem, que antes prestava atenção na discussão, se virou para a moça, arregalou os olhos e se aproximou das barras de ferro que o prendiam, as correntes, em seus pulsos tilintaram.
— Pequena Noite? – Disse o preso inseguro de que fosse ela mesma.
Marinette se aproximou mais, queria saber quem era o homem que sabia de seu apelido de família, ele tinha olhos verdes intensos, pensou um pouco.
— Plagg? – Não sabia de onde conhecia aquele nome, ele simplesmente saiu.
— Se lembra de mim? Que bom. – Falou emocionado e com um sorriso pequeno.
— Poderia ser?... – Era o companheiro de Tikki e seu padrinho, tinha certeza. – Plagg, o que faz aqui? – Disse preocupada.
— As pessoas precisam culpar alguém pelas colheitas malsucedidas deste ano. – Riu.
— O que? – Marinette queria entender aquele absurdo.
— Estou aqui porque fui pego na floresta do rei, e como ninguém chega perto daquela floresta, logo deduziram que eu seria um bruxo, não estão errados de fato. Mas vender minha alma para o diabo, acho isso um exagero. E como as colheitas não foram boas, botaram a culpa em mim também. Minha pena de morte será a fogueira.
Marinette não era dona da razão, mas sabia que ele era um amigo da família, era gentil e não poderia ter feito algo ruim a ponto de causar fome em pessoas inocentes, como poderia ter feito tais coisas? Ela começou a ficar revoltada com a situação, como podem dar a pena de morte sem provar nada?
— Isso não está certo! A pena de morte não é mais valida para quem entra na Floresta Joie. Você não pode ser acusado assim. – Marinette estava revoltada.
— Menina, se você dizer algo, vão achar que você tem alguma relação comigo e com o crime que cometi, e irão matar também. – Respirou fundo. – Eu estou pagando pelo erro que cometi, a anos atrás.
— Plagg... – Marinette se aproximou das grades.
— Vejo que ainda usa os brincos. – Sorriu. – Que bom. Escute, eu já aceitei esse destino, eu já passei muito tempo aqui... Sou velho, apesar de não parecer, chegou a hora de descansar e reencontrar minha amada.
— Plagg. – Marinette segurava as lágrimas.
— Pequena Noite, uma última coisa que quero saber, como estão seus pais?
— Papai está bem, trabalhando muito... Mamãe. – Ela fez uma pausa, segurou as lágrimas. – Mamãe está muito doente...
— Tudo bem, menina, vá para a Floresta Joie, tem alguém lá que pode te ajudar, seus brincos vão te ajudar a achar o caminho. Agora vá embora, antes que alguém a veja.
E foi o que Marinette fez, saiu correndo, limpando o chora em direção a casa do Barão, chegando lá, já estava melhor, com o rosto menos vermelho e com as lágrimas controladas, foi recebida por um dos empregados que pediu para que ela esperasse isso deu tempo para ela respirar e se recuperar um pouco do que tinha acontecido. Não demorou até ser chamada para o escritório.
— Com licença, senhor. – Disse um dos mordomos abrindo a grande porta do escritório do Barão. – Senhorita Dupain-Cheng. – Apresentou Marinette, se curvou e deu espaço para que ela entrasse.
— Vim lhe entregar o aluguel senhor. – Falou tímida se aproximando da mesa enquanto o Barão que olhava para os papéis.
— Está atrasado. – Respondeu grosso. – Da próxima vez... – Tirou os olhos dos papéis e finalmente olhou para Marinette. – Me desculpe... Senhorita?
— Dupain-Cheng, Marinette Dupain-Cheng.
— Senhorita Marinette. – Disse dessa vez mais doce. – Sabe que sua família está me devendo alguns meses de aluguel, e você só me trouxe um pagamento?
— Me desculpe senhor, com o inverno e a colheita ruim nossas vendas caíram muito, além disso, minha mãe está doente...
Marinette começou a se desculpar, o Barão não dizia nada, esperando a menina se recompor.
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A neve caia e o vento fazia a sensação térmica ficar menor. Marinette andava pela floresta na esperança de achar a ajuda o que Plagg tinha prometido a ela. Diferente de muitos, a garota não tinha medo de entrar na floresta do rei, a avisaram que a era amaldiçoada, mas ela também não se deixou amedrontar. A desvantagem é que não imaginava que a temperatura abaixasse tanto.
Pequena Noite já tinha adentrado muito a floresta, não sabendo a que direção seguir, ela só foi em frente, como sua intuição mandava, andava devagar quando percebeu, no canto de seus olhos uma luz vermelha que emanava de seus brincos. No início ela se assustou, mas logo sentiu seu corpo quente, essa era a proteção que tinha nos brincos como sua mãe disse. Marinette continuou caminhando, começou a sentir a fadiga tomar todo o seu corpo, suas pernas fraquejaram e os olhos pesaram, quando viu uma silhueta negra se aproximando.
— Quem...? – Estava tão fraca que só pode dizer isso.
O corpo dela caiu na neve fofa. E Marinette não se lembra de mais nada, quando acordou estava em um quarto todo de madeira, em uma cama que ficava de frente para a porta que estava fechada, o lugar estava um pouco escuro.
— Onde estou? – Perguntou tonta.
— Você desmaiou. – Disse uma voz vinda do seu lado, sentado em uma cadeira, um rapaz, de cabelos loiros e olhos verdes. – O que te trouxe aqui?
— Eu estava procurando ajuda na Floresta Joie. – A moça se virou para ele, com esperança dele ser a ajuda.
— Que tipo de ajuda acharia na floresta? – Perguntou confuso.
— Minha mãe está muito doente. – A moça falou triste. – Me disseram que eu poderia encontrar ajuda aqui.
— Quem disse? – E rapaz se preocupou, quem poderia saber daquele lugar e da existência dele?
— Plagg, meu padrinho. – Disse com uma das mãos na cabeça. – Quem é você? – O rapaz excitou, sabia quem era aquela garota, não esperava encontra-la naquela situação, ou melhor não esperava encontra-lo nunca.
— Adrien. – Disse simplesmente.
— Adrien? – Chamou. – É você quem pode me ajudar?
Marinette fala com uma esperança tanto em sua voz quanto em seus olhos, ela estava realmente precisando de ajuda, uma ajuda que só poderia vir de mágica.
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