– E o que você vê?

Katherine apertou os olhos e estremeceu.

– É uma sala escura, pouco dá para ver... Mas tem alguém chorando.

Trevor escrevia rápido sem tirar os olhos do rosto pálido da menina.

– E você consegue ver quem é?

Katherine balançou a cabeça negativamente. Trevor apertou os lábios.

– Continue andando.

– Tem uma janela... Mas está escuro lá fora.

– Concentre-se no choro, Katherine.

– Vem de um corredor. Tem uma porta no fim do corredor... A luz está acesa, mas a porta está fechada... Tentei abrir... Ela não cedeu.

Suas mãos se fecharam fortes nos braços da poltrona. Trevor abriu a boca.

– O choro parou.

O homem parou.

– Não tem mais som nenhum vindo do quarto. Consegui abrir a porta.

Katherine apertou mais os olhos, Trevor voltou a abrir a boca.

– Tem... Tem sangue por todo o lado... E a luz é forte, queima meus olhos. Tem alguns remédios caídos no chão e...

Katherine começou a chorar, um soluço escapou-lhe pelos lábios. Trevor a chamou.

– Ele está pendurado... Tem vigas de madeira no teto e tem uma... Tem uma corda.

Ela tentava conciliar as coisas entre os soluços, os olhos apertados quase que para não ver o que se passava em sua mente. Novamente ele a chamou, mas ela sacudiu a cabeça.

– Ele está longe do chão... Ele não está respirando... Ele não está respirando...

– Katherine.

Ele chamou, um pouco mais alto, e tocou a mão da menina. Katherine abriu os olhos, os soluços cessaram, Trevor sorriu reconfortante.

– Não é minha culpa.

– Não é tua culpa.

– Ele não estava bem... Ele precisava de ajuda... Mas ninguém o ajudou.

– Não é tua culpa, Katherine.

– Mas eu o vi pedir ajuda... Eu o vi ser ignorado...

– Katherine.

– Eu o segui até lá naquela noite.

Trevor parou.

– Eu entrei na casa depois dele, eu segui o sangue até o banheiro e depois até o quarto.

Trevor estremeceu.

– Eu o vi preparar a corda... EU O VI PULAR.

Katherine agarrou os joelhos e escondeu o rosto. Trevor desligou o gravador que estava em cima da mesa de vidro que separava a menina em crise e o psicólogo inútil. Ela havia contado tudo, pela primeira vez em quatro meses ela havia contado exatamente o que acontecera naquela noite.


Notas finais
Sim, Trevor é um inútil... Mas não é o único da história poof/