Te Resta Pular
4 Sangue
As paredes brancas estavam manchadas de vermelho, um vermelho que fazia revirar o estômago, que seguia por todo o corredor. Mas ele havia tentado fazer parar.
Os remédios não foram sua culpa. Estava na hora estipulada pelo seu psicólogo, ele tinha que tomá-los... Mas não deu tempo. Ele tremia, o frasco tremia junto. Tentou separar as pílulas corretas, mas seu braço doía... Sua cabeça doía... O que não doía? Quantas eram mesmo?
A corda o chamava, presa na viga do meio, aparentava ser a mais forte... Seria forte o suficiente? Derrubou o frasco, as pílulas se espalharam. Ao inferno com teus medicamentos, eles nunca me ajudaram. As vozes estavam se aproximando. Ouviu passos no corredor, o pânico o fez correr. O pânico o fez gritar.
– SAIAAAAAM.
Mas sua garganta estava fechada. O grito ecoou em sua mente e pelos seus lábios apenas soluços saíram.
Se você pular eu pulo, se você for eu vou.
A voz de Katherine soava forte em sua cabeça e os flashes tornaram a aparecer. O quarto sumiu por alguns segundos.
'-'
Voltara para aquele lugar, distante de tudo. Sentiu o vento forte bater, estava sentado na beirada da ponte, a rua estava deserta. Olhou o rio, olhou o céu.
Azul demais.
Fitou Katherine, ela apertou sua mão em cima da barra em que se sentavam.
Azul demais.
Ele concordou.
Você sabe quais são as regras.
Ele fitou o rio novamente.
Se eu pular você pula.
Kathetine sorriu.
Se você for eu vou.
Ela completou desviando os olhos do rosto pálido dele para o rio que corria abaixo.
Não seria tão ruim, seria?
Katherine encolheu os ombros.
Para você ou para mim?
Ele a fitou.
Para eles.
Katherine estremeceu.
Seria o fim do mundo... Por alguns meses. E depois eles viveriam como se isso nunca tivesse acontecido.
Drake desviou os olhos.
Nossa queda?
Ela desviou os olhos também.
Nossa vida.
'-'
O quarto retornava aos poucos, as paredes antes brancas agora com manchas vermelhas, ele sorriu de lado. Mas agora não importava mais. Nem para eles, nem para ela. A queda e a vida. Seria o fim do mundo, por alguns meses. E ela viveria como se ele nunca tivesse vivido. Josh se certificaria de que ela ficaria bem.
Se você pular eu pulo.
Ele levantou-se meio tonto.
Se você for eu vou.
Ele subiu até onde conseguia ir. Colocou a corda como se colocasse um colar.
Venha pular comigo.
E deixou seu corpo cair. Não sentiu. A corda puxou. Não doeu. Era tarde para qualquer coisa. Era tarde para ficar acordado.
Só venha comigo.
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