As paredes brancas estavam manchadas de vermelho, um vermelho que fazia revirar o estômago, que seguia por todo o corredor. Mas ele havia tentado fazer parar.

Os remédios não foram sua culpa. Estava na hora estipulada pelo seu psicólogo, ele tinha que tomá-los... Mas não deu tempo. Ele tremia, o frasco tremia junto. Tentou separar as pílulas corretas, mas seu braço doía... Sua cabeça doía... O que não doía? Quantas eram mesmo?

A corda o chamava, presa na viga do meio, aparentava ser a mais forte... Seria forte o suficiente? Derrubou o frasco, as pílulas se espalharam. Ao inferno com teus medicamentos, eles nunca me ajudaram. As vozes estavam se aproximando. Ouviu passos no corredor, o pânico o fez correr. O pânico o fez gritar.

– SAIAAAAAM.

Mas sua garganta estava fechada. O grito ecoou em sua mente e pelos seus lábios apenas soluços saíram.

Se você pular eu pulo, se você for eu vou.

A voz de Katherine soava forte em sua cabeça e os flashes tornaram a aparecer. O quarto sumiu por alguns segundos.

'-'

Voltara para aquele lugar, distante de tudo. Sentiu o vento forte bater, estava sentado na beirada da ponte, a rua estava deserta. Olhou o rio, olhou o céu.

Azul demais.

Fitou Katherine, ela apertou sua mão em cima da barra em que se sentavam.

Azul demais.

Ele concordou.

Você sabe quais são as regras.

Ele fitou o rio novamente.

Se eu pular você pula.

Kathetine sorriu.

Se você for eu vou.

Ela completou desviando os olhos do rosto pálido dele para o rio que corria abaixo.

Não seria tão ruim, seria?

Katherine encolheu os ombros.

Para você ou para mim?

Ele a fitou.

Para eles.

Katherine estremeceu.

Seria o fim do mundo... Por alguns meses. E depois eles viveriam como se isso nunca tivesse acontecido.

Drake desviou os olhos.

Nossa queda?

Ela desviou os olhos também.

Nossa vida.

'-'

O quarto retornava aos poucos, as paredes antes brancas agora com manchas vermelhas, ele sorriu de lado. Mas agora não importava mais. Nem para eles, nem para ela. A queda e a vida. Seria o fim do mundo, por alguns meses. E ela viveria como se ele nunca tivesse vivido. Josh se certificaria de que ela ficaria bem.

Se você pular eu pulo.

Ele levantou-se meio tonto.

Se você for eu vou.

Ele subiu até onde conseguia ir. Colocou a corda como se colocasse um colar.

Venha pular comigo.

E deixou seu corpo cair. Não sentiu. A corda puxou. Não doeu. Era tarde para qualquer coisa. Era tarde para ficar acordado.

Só venha comigo.