Te Estranho
2 Capítulo 2 - Lar doce lar.
Notas iniciais
Fechei o portão. Entrei, fechei a porta e olhei pra dentro, pra minha casa. Saí olhando tudo, enfeites, fotos, adesivos na geladeira, a lista de telefones que Beto tinha deixado nela. Sai andando pela casa.
A sala era o primeiro cômodo da casa, logo atrás a cozinha, uma pequena lavanderia e um banheiro. No começo da sala, na direção da porta de entrada estava uma escada que deduzia eu dar acesso aos quartos. Subi-as, quadros enfeitavam toda a escada, imagens de mar, cavalos, flores, tudo muito bonito e agradável de ver. Havia um corredor à esquerda, entrei na primeira porta, era um quarto na cor lilás claro com o teto azul, uma cama com uma colcha lilás também e o guarda roupa branco com detalhes lilás, pensei “Acho que eu adorava lilás.” Uma penteadeira da cor do guarda roupa e um rack branco com uma TV e um aparelho de DVD. Na cabeceira da cama havia um mural com muitas fotos, a maioria de nós, Dani, Beto, Eu e muitas do Julinho. Havia outras pessoas que eu não conhecia, quer dizer não me lembrava. Na cômoda estava um abajur lilás com os dizeres “Pra maior vovó do mundo” e uma foto do Julinho sorrindo em cima da frase e eu percebi, não era meu quarto e sim da mamãe, então eu morava com ela.
Sentei na cama, quer dizer, desabei. Passei a mão na colcha com se lhe fizesse carinho puxei o travesseiro e cheirei, tinha um cheiro gostoso, suave, acho que era o cheiro de mamãe.
- Se você estivesse aqui acho que seria mais fácil. – disse já com o nó na garganta e lágrimas saindo dos olhos.
Fiquei um tempo lá olhando tudo. Abri o guarda roupa, vi cremes, perfumes, cheirei os eram de lavanda, lilás é claro, deveria ser sua cor favorita. Sapato, bolsas, jóias, estava tudo como ela deixara, eu pensei. Decidi sair daquele quarto, ele me causava uma tristeza tão grande, me dava uma dor no peito tão forte que acho que não seria possível suportar. Minha mente esqueceu-se de mamãe, mas meus sentimentos não.
Segui pelo corredor até o final, passei por um bonito banheiro no meio dos quartos até chegar numa porta azul, estava escrito “O mundo de Sofia”. Abri a porta bem devagar, sabia que estava pra desvendar mistérios de mim mesma, me causava um pouco de medo. O quarto era todo desenhado como se estivesse na praia, do lado da porta árvores e coqueiros e uma barraquinha com cadeiras e mesas de madeira e pessoas sentadas conversando e comendo de roupa de banho, e nas paredes laterais continuava, areia, pessoas bronzeando se, crianças brincando empinando pipa, garotos jogando bola, guarda sol, sorvetes e água de coco. Na última parede em frente a porta o mar, havia um guarda roupa azul parecia que foi pintado da cor da parede pra ficar camuflado e por fim no teto o sol brilhante lindo e alaranjado. Achei o quarto muito legal, era agradável, com certeza era meu quarto porque amei aquele ambiente, praia.
No lado da janela havia um mural em cima de uma linda penteadeira- sapateira e uma cama Box encostada na parede do lado esquerdo do quarto, uma TV e um aparelho de DVD pendurado na lateral esquerda também. Olhei tudo com muito carinho, tudo aquilo era algo que eu tinha escolhido e eu gostava me sentia feliz e a vontade naquele quarto. Fui olhar as fotos no mural, reconheci só os apresentados, Julinho, Dani e Beto. Eu e muitas pessoas que não fazia idéia quem eram, estávamos em festas, eu parecia feliz. Abri o guarda roupa mar e vi as roupas, perfumes, bijuterias, livros, muitos livros. Escolhi uma roupa, precisava de um banho e trocar de roupa afinal tudo aquilo era meu mesmo. Fui até a penteadeira e abri as gavetas uma por uma, havia roupas íntimas, meias nas duas primeiras, na penúltima CDs e um notebook, mas a última estava vazia. Era estranho.
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Meu irmão apareceu no dia seguinte como combinado. Eu arrumei a casa, fiz comida, fui me familiarizando com as coisas novamente.
-E ai gostou da casa? – perguntou Beto.
-Sim, muito linda, com muitos enfeites. – respondi
- Engraçado...- comentou ele.
- O quê? – perguntei
- É que você sempre detestou enfeites, dizia que... jogaria tudo fora um dia. – e deu uma risadinha falsa, parecia que tinha lembrado algo triste e tentou disfarçar. Resolvi perguntar já que tinha lembrar teria que saber.
- O que foi. Porque ficou triste de repente? – pedi
- Nada. – respondeu
- Me fala, eu devo saber, pra me ajudar a lembrar – expliquei
- Tudo bem, é que você dizia que quando nossa mãe morresse você jogaria todos os enfeites fora. — acabou confessando.
Fiquei sem fala, não sabia o que dizer. Porque eu jogaria tudo fora? Só por não gostar? Eram lembranças de minha mãe. Olhei para Beto que continuava a me olhar com tristeza.
- Bem, eu acho que não detestava tanto assim, né? Porque continuam aqui, ou ainda bem que não deu tempo. – disse com tom alegre pra descontrair. Doía-me ver meu irmão tão dedicado com aquele aspecto triste.
Conversamos mais um pouco sentados na sala com a televisão ligada. Beto me contava histórias que haviam acontecido conosco em família ou quando adolescente. Descobri que Beto era apenas um ano e três meses mais novo que eu, então crescemos juntos.
- Beto, nós éramos bem chegados como irmãos? – quis saber.
- Bem, como irmãos conversávamos muito, mas o que você fazia quando saia e com quem saia isso você não dizia. Pelo menos não pra mim. Você contava tudo pra mamãe. – respondeu Beto.
- Beto – disse pausadamente com certo receio – como morreu mamãe?
- Mamãe morreu de câncer, dois meses antes do seu acidente. – respondeu ele.
Respirei aliviada. Cheguei a pensar que eu tivesse causado sua morte, de carro talvez, mas se não foi isso, como fiquei em coma? Quando fui perguntar a Beto tocou seu celular.
- Alô! Sim amor, claro. Te esperamos então, beijo. – disse Beto ao celular.
- A Dani ta vindo com o jantar. Comprado é claro, ela ainda lembra seu sanduíche preferido. Bem, espero que ainda seja o preferido. – disse
Que bom que pelo menos certas coisas nem preciso me lembrar, lembram por mim. Iria descobrir o meu lanche preferido. Me deu até fome.
/°°°°\\
Estava deitada, não conseguia dormir. Levantei-me e peguei um dos livros que eu tinha.
- Será que eu me lembro da história? Nem sei se realmente cheguei a ler este livro. – disse alto pra mim mesma.
Gostei do título. Liguei a luz do abajur e comecei a ler.
Depois de um tempo o sono começou a aparecer e perdida entre os dois mundos, o daqui e o do sono deixei cair o livro da minha mão. Acordei com o susto e me abaixei pra pegar o livro e notei que tinha caído uma folha de papel de dentro dele. Peguei a folha e abri.
“Blog o mundo de Sofia em Brasil” – estava escrito. Também tinha um endereço eletrônico e a senha.
Bem, fiquei sem memória, mas não burra. Sabia o que era um blog só não sabia que tinha um. Lembrei do notebook na gaveta. Fui até lá e o peguei. Abri-o, mas não ligou, estava sem bateria é claro depois de tanto tempo sem uso. Peguei o cabo e o coloquei na tomada. Fazia aquilo quase como automático, eu deveria saber de computadores. Claro, tenho um. Esperei um tempo e o liguei. Pediu senha.
- Puxa vida, uma senha?! – fiquei parada pensativa, não me vinha nada na mente. O meu automático tinha se desligado, quando pensei.
- Vou tentar a senha do blog. – e assim o fiz. E pra minha surpresa funcionou. – Nossa, como você é burrinha Sofia, deve ter colocado a mesma senha em tudo. – e ri alto por ter superado a mim mesma.
Comecei a fuçar, tinham fotos, minhas com pessoas que não lembrava em lugares com muita bagunça e bebidas. Haviam músicas nas quais eu as coloquei pra tocar, queria conhecer meu gosto musical. Eu não conseguia parar de escutá-las gostei muito de ouvir, me surpreendi cantando algumas. É, aos poucos vou lembrando como disse o Doutor.
Olhei tudo o que tinha no note, mas pra entrar no blog precisava de internet. Comecei a olhar em volta do quarto até achar o que eu não tinha certeza. Achei um fio de telefone, ou de internet. Conectei o note e entrei na rede. Digitei o endereço do blog e enquanto carregava não conseguia conter a ansiedade. O que eu iria encontrar? Estava prestes a me desvendar, isso era excitante. Carregou e abriu.
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