Te Esperando
3 Hooked? Or Maybe Drunk?
Notas iniciais
Eu me virava de um lado para outro na cama. Olhei para o relógio: duas da manhã. Não conseguia dormir com tudo aquilo me atormentando. Seria a melhor coisa acabar com aquele casamento? Tinha minhas dúvidas se Neal ia levar a separação numa boa... Quanto mais uma divisão de custódia das crianças sem precisar de tribunal. Ele ia transformar minha vida num inferno ainda maior.
Decidi que eu precisava esfriar a cabeça. Me vesti e saí pelas ruas de Storybrooke procurando alguma coisa que me livrasse de tantos pensamentos. A cidade como sempre estava muito quieta, porém era possível ouvir alguns murmúrios ao longe. Fiquei curiosa... O que seria?
Andando um pouco mais vi varias luzes e pessoas rindo e conversando. Reconheci de cara o lugar... Ali eu e Regina vivemos nossas aventuras mais loucas... Depois que conseguimos nossas identidades falsas, quando não estávamos na praia de noite, estávamos ali.
Re adorava aquele lugar que mais parecia um poço de pecado. Mas não era por causa da sexualidade explicita que ela gostava dali... Ela simplesmente amava ver as mulheres dançando. Aquilo podia parecer um pouco pervertido, mas não era... Pelo menos não para Regina.
Eu me lembrava que a minha morena queria ser bailarina... Dança era a paixão dela! Quando ela não estava comigo estava na academia de dança de Storybrooke, ou assistindo aulas, ou ensinando. Um dia eu até me atrevi a fazer uma aula dela... Não deu muito certo... Numa escala de 0 a 10 minha coordenação é -1!Ela não... Era perfeita em cada movimento e eu me derretia com aquilo!
Não sabia por quê... Mas algo estava me chamando para entrar naquele lugar... Algo me puxava e eu pensei: “Ah... Que mal tem?”. Decidi entrar... Decidi me perder um pouco e esfriar a cabeça... Decidi, depois de anos, entrar no Rabbit Hole.
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A casa estava cheia, como sempre. Eu me remexia tentando parecer que estava gostando de estar ali. Aquele balcão era pequeno para as façanhas que eu e minhas colegas fazíamos com nossos corpos... Mas já estávamos acostumadas.
Muitos tarados tentavam se aproximar um pouco demais... Mas, felizmente, tínhamos segurança nesse ponto... Por causa daquela criança que eu deixei em casa eu não me submetia àquilo. Ele não merecia.
Sim! Eu sou mãe solteira e dançarina de boate... Foi o que eu consegui depois da morte dos meus pais. A minha vida mudou muito desde então... Na adolescência eu era uma garota meiga e engraçada... Agora eu só consigo olhar carinhosamente para o meu filho, meu pequeno menino, minha pequena luz naquele monte de trevas que eu tinha me tornado.
Mais um velho pervertido jogou dinheiro para mim... A carinha safada e falsa era obrigatória nessas horas, afinal, qualquer grana extra é um lucro e eu precisava alimentar um menino de dez anos que estava em casa com uma tigela de cereal apenas.
Sonhos? Eu tive... No embalo da música sensual da boate eu me perdia cada vez mais nas lembranças deles. Aquele de me tornar dançarina profissional foi arrancado de mim junto com o de ter uma família com ela...
Ela... Onde será que ela estava? Em algum momento pensou em mim? Pensou em voltar? E as nossas promessas? Ainda valiam? Meu polegar foi instantaneamente para aquele anel dourado que eu ainda mantinha no dedo. Fechei meus olhos e lembrei-me de seu rosto tentando não chorar.
Quando os abri, porém, desejei ter deixado eles fechados, quem sabe aquela ilusão não teria acontecido... Mas... Será que era ilusão? Alguns homens embaixo do balcão começaram a reclamar porque eu tinha parado de dançar... Mas não era pra menos... Eu estava em choque.
Mesmo com as luzes e a multidão que estava ali eu pude ver um ponto loiro entrar na boate. Engoli em seco. Eu estava doida? A fumaça de maconha tinha me afetado tanto assim? Não! Não era possível... Ela estava ali... Ela ia me ver... Ia ver o fracasso que eu era? Não consegui fugir, me esconder... Nada... Apenas quatro letras saíram da minha boca num sussurro apenas para mim:
– Emma?
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Logo que entrei a música tomou conta dos meus ouvidos e junto com ela as lembranças... Aquele lugar não tinha mudado em nada! Caminhei no meio da multidão e logo avistei as dançarinas tão famosas e lindas, como sempre. Uma parecia estar me encarando de um jeito estranho, mas eu não liguei.
Continuei andando na multidão até chegar ao bar.
– Uma dose de tequila, por favor – pedi para o garçom atrás do balcão. Ele veio com o copo e eu virei num gole só sentindo o líquido descer queimando a minha garganta e levando vários sentimentos ruins... Já me deixando um pouco tonta.
– Eu quero o mesmo que ela! – ouvi uma voz sedutora atrás de mim e uma pessoa que me parecia um tanto quanto familiar sentou do meu lado sorrindo de um jeito muito sexy. De repente a lembrança veio à tona
– Ai meu Deus! – eu disse ainda chocada – eu não acredito! – quando eu disse essas palavras àquela pessoa na minha frente pareceu me reconhecer também
– Emma?
– Hook?
– Sério mesmo? – ele riu e me abraçou. O cheiro de álcool denunciava que aquela não era a primeira dose que ele ia tomar – quando você voltou?
– Há mais ou menos uma semana... – respondi rindo também. Hook era meu amigo de infância... Praticamente crescemos juntos. Na adolescência ele tentou algo a mais comigo, mas eu sempre dei o gelo nele... Porém nada interferiu na nossa amizade – e você? Vive aqui desde aquela época?
– Sim... Na verdade, desde que eu comprei o bar não saio muito daqui... – meu ar sumiu por um segundo
– Como é que é? Você é dono daqui? – perguntei surpresa e ele riu da minha cara de chocada
– Sim! Esse paraíso é meu! – ele se gabou – mas e você? Que destino tomou Emma Swan? Pelo que eu vejo na sua mão um sortudo ganhou seu coração hein? – ele me deu um empurrãozinho se referindo à minha aliança e fez uma cara de desapontado... Tão “Hook”... Eu ri, mas minha expressão logo se fechou e ele percebeu – Xi... Acho que toquei num assunto que eu não devia?
Eu olhei para baixo e dei um profundo suspiro... Realmente eu não queria lembrar daquilo naquele momento.
– Digamos que o meu marido é o motivo de eu estar aqui... Se é que você me entende – eu dei um olhar cúmplice pra ele.
– Espera aí ele não te... – Eu entendi a pergunta e acenei com a cabeça antes que ele terminasse a frase
– Sim ele me traiu! – Eu dei uma risada cínica e levantei meus olhos para não chorar – Eu achei que poderia salvar nosso casamento se nos mudássemos para cá... Mas ele continuou se relacionando com a vadia por mensagens... Eu li algumas onde ele me chamava de idiota... Que iria me convencer a voltar para Nova Iorque... E como se não bastasse... – não pude conter uma lágrima teimosa – Quase me matou porque eu “mexi” nas coisas dele...
Hook parecia chocado, mas ao mesmo tempo compreensivo.
– Como um cara pode ser tão idiota a ponto de te trair? Você é tudo que um homem pode desejar... – ele disse e eu ri – hey é sério... Com todo respeito! Esse cara não te merece...
– Parece que me falta coragem pra admitir isso...
– Pois então eu proponho algo... – ele pediu duas cervejas. O garçom deu as canecas quase que instantaneamente e Hook levantou-a – proponho um brinde... A você, mas, o mais importante – ele chegou perto e sussurrou – à sanidade mental desse cara! – Eu ri e levantei minha caneca junto com ele
– Saúde!
Ficamos ali bebendo e conversando por muito tempo. Eu me sentia alterada, mas não estava ligando. Estava conseguindo esfriar minha cabeça depois de tudo... Eu me sentia aliviada como nunca...
– Emma, dança comigo? – Hook segurou minha mão e nem esperou a resposta. Foi logo me puxando para a pista.
Como eu tinha dito a minha coordenação não existe... Mas até que eu me saí bem. Hook se mexia conforme a música e parecia cada vez mais próximo. Suas mãos foram para a minha cintura e a boca para o meu pescoço.
Metade de mim achava aquilo completamente errado, mas a minha carência era tanta que eu estava me entregando. Ele me segurou pela nuca e virou meu rosto. Nossos lábios se colaram e um beijo puramente de luxúria aconteceu. Acabei abrindo meus olhos enquanto nos beijávamos. Meu olhar se perdia por cada ponto da boate. Até que eu vi um rosto em meio a fumaça de gelo seco.
– Regina? – eu sussurrei parando o beijo
– O que? – ele me olhou confuso. Eu estava mais confusa ainda...
– Nada... Eu achei... – Olhei para a mesma direção que tinha visto o rosto – Acho melhor eu ir embora...
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Confesso que não imaginei que me sentiria tão mal vendo uma cena como aquela... Emma estava beijando Hook? Sério mesmo? Pela primeira vez depois de anos eu pude sentir uma lágrima no meu rosto... Meu mundo tinha desabado. Eu precisava sair dali!
Como se não bastasse, Emma abriu os olhos durante o beijo e eu posso dizer com certeza que ela me viu. Sai rapidamente dali... Eu precisava respirar depois de ver a minha Emma nos braços de outra pessoa...
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– Embora? Não... Espera aí Emma...
– Hook eu não devia ter feito isso... Eu... – Antes que eu pudesse impedir ele me interrompeu me beijando de novo, mas eu me afastei – Hook... Eu tenho duas crianças me esperando em casa... – Eu disse aquilo e ele pareceu entender a situação
– Espera, você tem filhos? – ele perguntou e eu afirmei com a cabeça – Emma... Eu... Me desculpa... Eu não sabia...
– Tudo bem Hook... – eu sorri – Afinal, eu beijei de volta... – ele riu e eu também – Mas é melhor eu ir, de verdade... – Me virei e fui em direção à porta, mas ele me segurou pelo braço.
– Emma, espera... Me... Me deixa seu telefone pelo menos... – ele disse com aquela cara de safado típica... Como podia ser tão cara de pau? Mas me rendi... Dei um cartão com o meu telefone para ele, e ele fez o mesmo. Ao receber o dele não pude conter a risada
– Killian Jones, empresário de dançarinas profissionais? Sério? – ele também riu
– Se quiser agendar uma audição... – Ele piscou pra mim
– Você não presta mesmo... Tchau Hook... Foi bom te rever...
– Digo o mesmo Emma... Até outra vida! – ele sussurrou no meu ouvido e se perdeu no meio da multidão
Minha cabeça estava a mil... Enquanto eu tentava chegar na saída da boate eu me perdi nos meus pensamentos. Ainda estava tentando entender o que eu tinha feito... “Eu beijei o Hook? Ai meu Deus!” minha ficha caiu de repente... E aquela visão do rosto da Regina? O que foi aquilo?
Só voltei a mim quando trombei em uma mulher e fiz ela cair. Rapidamente me abaixei pra ajudá-la a se levantar
– Meu Deus! Me desculpa! Você ta bem? – peguei a mão da mulher... Aquelas mãos... Pareciam familiares...
– Tudo bem eu que não olhei onde estava ind... – Ela virou o rosto e olhou pra mim. Não estava acreditando... Não era possível...
– Regina? – Mal terminei de dizer o nome ela se soltou e correu em direção a uma porta cheia de seguranças. Eu a segui, mas fui impedida de entrar.
– Desculpa, senhorita. Daqui você não passa... – o segurança me bloqueou
– Por favor, eu preciso falar com ela! Por favor, me deixa passar...
– Aqui só entram as dançarinas da boate... Mais ninguém...
Aquilo me pegou de surpresa! Dançarinas da boate? Regina?
– Não... – levei minhas mãos até a boca devido ao meu estado de choque – Não pode ser...
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