Te Encontrei
16 Foi Por Isso
Notas iniciais
Acordei tarde no dia seguinte. Lembranças de ontem a noite vem à tona, e deixo escapar um sorriso bobo, Idiota. Mordo meu lábio e volto a realidade.
Me levanto, com ajuda de minhas muletas, e vou até a minha janela observar o tempo. Está nublado. Gosto de tempos nublados. Pego meu celular que está em cima da minha escrivaninha para ver se há alguma notificação. Observo que só há uma mensagens de Luana que diz "bom dia", mas nenhuma do Gustavo. Para de ser ridículo, meu subconsciente me repreende. Ele provavelmente está dormindo. Dou uma conferida para saber quando ele visualizou pela ultima vez e foi exatamente na hora que nos despedimos. Sorrio. É, ele com certeza está dormindo.
Respondo a mensagem de Luana em seguida:
"Bom dia, gatona."
"Ui, gatona haha. E ai, conversou muito com Gustavo ontem a noite?"
"É, até que sim."
"HMM, ai tem coisa. Sabia que entre vocês rolava algo."
"Aff, nada a ver."
"Está bem, então. O que você acha que o fez levar a pedir o seu número?"
"Existe uma coisa chamada 'amizade', Luana."
"E existe, também, uma coisa chamada 'Ele está afim de você', Eric."
"Aff, vamos mudar de assunto. O que fará hoje?"
"Meus pais estão afim de sair em família, hoje. Com certeza me obrigarão a ir."
"Vish...Iria com você se não fosse pelo meu tornozelo."
"Eu entendo. Mas enfim, e você? O que fará?"
"Talvez assistir televisão, ficar no pc, ou dormir o dia todo. É uma duvida cruel."
"Chame o Gustavo para fazer uma companhia a você, haha."
"Rárá, besta."
(...)
A pior coisa de acordar tarde é que você fica em duvida entre almoçar ou tomar café da manhã.
Mamãe está na cozinha fazendo almoço. Não há ninguém em casa, só ela. Adam provavelmente está na escola, e papai, tio Luke Ash no trabalho. Minha mãe só percebe minha presença quando puxo a cadeira para me sentar na mesa.
– Bom dia, mocinho. — Ela sorri. Seus lindos cabelos ruivos estão presos num coque, mas algumas mechas estão soltas. — Já ia subir para lhe chamar. Por acaso ia hibernar?
– Bem que eu queria. — Respondo pegando a garrafa de suco que está na mesa. — Mas a fome não deixou.
– Os pães e os biscoitos estão no armário, e na geladeira tem presunto. Comprei hoje de manhã.
– Opa. — Levanto num pulo. Amo presunto!
Faço meu café da manhã assobiando Heartbeat Song da Kelly Clarkson, e começo a dançar, mandando passinhos estranhos no ritmo da musica em minha cabeça. Viro-me e me deparo com minha mãe surpresa mas ao mesmo tempo divertida com a cena que acabou de assistir. Que mico.
– Que foi? — Pergunto, indo até a geladeira para disfarçar a vergonha.
– Parece que alguém acordou animado hoje, não é mesmo? Porque isso não é de se ver todo dia. — Ela diz entre seu sorriso. — O que aconteceu?
– Nada. — respondo o mais calmo possível.
– Está apaixonado?
– Que?! Não! — Falo, meio irritado. Será que estou mesmo apaixonado? Está tão na cara assim? Ai meu Deus, o que eu estou dizendo? Claro que eu não! - Claro que não!
Ela apóia uma de suas mãos em seu quadril, e me lança um olhar com uma de suas sobrancelha arqueada, o típico de olhar que ela faz quando quer vasculhar a minha alma.
– Uma mãe conhece o seu filho. E você me pareceu meio nervoso com essa pergunta, e isso te entregou.
– Nada a ver! O que você está dizendo?! — Se acalme, se acalme. — Não posso nem tomar meu café da manhã em paz?!
Ela solta uma gargalhada.
– Tudo bem, tudo bem. — Ela levanta as mãos, se rendendo. — Não irei falar mais nada.
– Ótimo. — Digo mordendo com raiva um pedaço de pão.
(...)
A tarde decido ler "Um Dia" para passar o tempo, e também para deixar minha ansiedade de lado por causa do Gustavo, que ate agora não me mandou nenhuma mensagem. Mas, mesmo assim, não vou morrer por isso. Será? Meu subconsciente está em seu melhor sarcasmo. Suspiro.
A campainha toca de repente.
– Adam, vai lá atender. — Digo a Adam, que está jogando em seu PSP.
– Por que você não vai? — Ele rebate.
– Porque estou com o pé machucado. — Minto, só estava com preguiça mesmo.
Adam suspira e vai até a porta para atender seja lá quem for.
– Tia Elena! — Adam grita de alegria.
Elena?!
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Mamãe sempre foi louca por crianças, o que acabou influenciando-a a seguir carreira como professora de alunos do jardim de infância. Ela trabalhou por 8 anos em uma escola na cidade, e largou o trabalho para cuidar do Adam, e só não voltou a trabalhar porque meu pai insistiu que já não preciso pois ele sozinho dava conta da casa, e que cuidar da gente já era um trabalho bem complicado para ela sozinha. O que era verdade.
Quando Tio Luke deu a noticia de que Elena estava grávida, mamãe simplesmente pirou. Ela começou meio que obrigar a Elena que viesse todos os finais de semana para a nossa casa, para que acompanhasse o desenvolvimento da criança. E quando Elena não podia vir mamãe dava um jeito de ir até ela, como se fosse uma segunda mãe de Elena, mas tava mais para uma psicopata.
– Olha só como está essa barriga. — Minha mãe diz assim que Elena nos recebe em sua casa. Na época Elena estava com 6 meses.
– Bela, nos vimos semana passada. — Elena diz meio sem jeito com toda aquele toque que mamãe estava fazendo em sua barriga.
Na verdade nunca entendi o porque das pessoas alisarem tanto a barriga de uma grávida. Tudo bem que lá está um bebê, mas para uma grávida deve ser meio constrangedor ter alguém mexendo em sua barriga.
– Mas cresceu nesse intervalo de tempo. — Mamãe está agachada em frente a barrida de Elena. — Titia Elena já está te esperando, Laizinha.
– Pensei que odiasse a palavra "Titia". — Diz meu pai, para irritar.
– Sou titia apenas para a Laís. — Mamãe volta a sua postura. — Onde está Luke?
– Adivinha.
– Dormindo?
– Exatamente. — Elena responde meio irritada. — Ainda não conseguiu arrumar um trabalho, então passa a maior parte do tempo dormindo.
Tio Luke estava desempregado havia dois meses, pois empresa onde ele trabalhava estava em crise, o que acabou demitindo alguns funcionários inclusive ele. Elena estava de licença no hospital onde trabalhava, por conta da gravidez. Com isso, mamãe e papai estão ajudando Elena e Luke nas despesas da casa.
– Está tudo bem, sabe que pode contar com a gente para tudo. — Diz minha mãe.
– Eu sei. — Elena sorri. — Obrigada, Bela.
No dia em que Elena foi dá a luz a pequena Laís, não pude ir. Eu e Adam ficamos na casa dos meus avós, enquanto mamãe e papai levaram Elena e Tio Luke a maternidade. Meu pai disse que Luke "Tremia feito uma vara verde" até chegarem na maternidade, além de que ele não pode ficar até o fim do parto porque estava se sentindo mal, o que garantiu altas risadas de todos lá, até da parteira.
– Parece que o jogo virou, não é, Luke? — Meu pai sempre comenta sobre isso em algum momento em família, para constranger tio Luke.
Depois que Laís nasceu, tio Luke ficou mais maduro, mais caseiro, mais família. Mamãe ficava orgulhosa em ver seu irmão se esforçando a aprender para trocar as fraudas, ou a dar banho na pequena Laís.
– E agora, o que eu faço? — Pergunta Luke, segurando Laís na banheirinha.
– Segura a cabecinha dela assim, firme, e não deixa escorregar. — Mamãe o guia. — E depois vai passando aguinha no corpo.
– Ai meu Deus, nunca pensei que seria tão complicado.
– Não é complicado, você que está complicando as coisas. Me dê ela. — Mamãe fala, então explica como se deve fazer, e Luke observa. — Pronto, agora sua vez.
Nunca mais se ouviu uma discussão se quer de Luke e Elena depois que a Laís nasceu... Não tão séria, até agora.
Pensei que depois da briga entre eles, Elena não iria nos visitar tão cedo por Luke está morando em nossa casa. Estava enganado...
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– Oi, Adam. — Elena diz, e coloca a pequena Laís no chão para abraçar Adam. Ai meu Deus, Laís já sabe andar?!
– Olha só quem está aqui. — Mamãe aparece de repente, indo em direção a Elena para um abraço. — Como você está?
– A pergunta seria como você está, até porque estou sabendo que esta casa está cheia. — Elena brinca.
– E realmente está. — Digo, indo até ela. — Daqui a pouco aqui se chamará "Pousada Isabela: Onde todos que entram são bem recebidos"
Elena ri, e minha mãe me lança um olhar ameaçador.
– O que houve com o seu pé, Eric? — Elena pergunta.
– Pois é. — Coço a cabeça. — É uma longa história.
– Olha só para ela. — Diz mamãe, se referindo a pequena Laís, com aquela voz idiota que todas as pessoas fazem quando se dirigem a crianças pequenas. No começo Laís estranha a minha mãe, mas depois de tanto insistir mamãe acaba conseguindo pega-la no colo. — Já está grandona, meu Deus. — Mamãe volta a olhar para Elena. — Vamos. Entre, Elena.
Largo meu livro para ficar de babá da Laís, enquanto minha mãe e Elena começam a colocar o papo em dia. De vez em quando dou uma olhada no meu celular, para conferir se tem alguma mensagem, mas até agora nada.
Sem querer acabo escutando a conversa entre minha mãe e Elena. Não é minha culpa se elas falam tão alto.
– ... Quer dizer, então, que ele finalmente arrumou um trabalho... — Elena diz.
É claro que o assunto é o Luke. Continuo a ouvir a conversa.
– ...Eu não entendi ainda. O que o Luke fez, exatamente, para você expulsar ele de casa? — Minha mãe consegue ser tão fofoqueira, meu Deus.
– ... Acredita que eu descobri que ele está me traindo?
Ergo minhas sobrancelhas, surpreso com o que ouvi. Tio Luke traiu Elena?!
– ... Mentira — Pelo tom de voz da minha mãe, garanto que ela também ficou surpresa.
–... Verdade. — Elena confirma. — Eu já desconfiava, mas não tinha certeza até que vi uma mensagem no celular dele.
Burro, nem pra trair sabe, penso. Elena estava certa de expulsa-lo de casa. O incrível é que eu nunca imaginaria que um dia tio Luke iria fazer tal coisa. Logo ele que sempre me pareceu apaixonado por ela. É, eu realmente estava surpreso
– ... Que coisa...
–... Pois é. Foi por isso que o mandei embora. Não dava para nós dois vivermos na mesma casa depois disso.
– ... Ele sempre me pareceu apaixonado por você. Não dá para acreditar...
– ... Talvez a culpa foi minha, pois eu não estava dando muita atenção a ele por causa da Laís.
– ... Claro que não! Não se culpe disso. Ele tinha mais era que compreender e te ajudar a cuidar da filha de vocês, e não ficar de fogo por ai atrás de outra mulher.
Imagino se isso acontecesse com meus pais. Do jeito que mamãe é super explosiva com certeza iria matar o meu pai se soubesse que ele estava traindo-a.
– ... Olha a hora, meu Deus. — Ouço o arrastar de uma cadeira e percebo que Elena se levantou.
– ... Mas já? Ta cedo.
–... Está tarde, Isabela. E, também, não quero encontrar com Luke.
–... Entendo.
Ouço Elena se aproximando.
– Laís? Vem filha, já vamos.
Laís corre em direção a Elena, que a pega no colo.
– Foi muito bom ver vocês de novo. — Diz minha mãe a Elena.
– Digo o mesmo. Tchau, Eric. Tchau, Adam.
– Tchau, tia Elena. — Adam a responde, sem tirar os olhos do seu PSP.
– Tchau. — Falo quase ao mesmo tempo que Adam.
– Vou te levar até a porta. — Mamãe a guia até a porta e, assim que abre, uma surpresa:
– Elena?! — Diz Luke, surpreso.
É, parece que o plano da Elena de não encontrar Tio Luke foi por água abaixo.
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