Te Encontrei

17 Encontros


Notas iniciais
HEY HEY Saudades? Novamente peço desculpas pela demora em postar capítulos novos. Tenho tido pouco tempo, além de ter sofrido aquele sintoma chamado bloqueio criativo. Mas, pela honra e glória de do senhor gzuis cris thor consegui terminar esse capitulo que, nossa... ta enorme (Exagerei um pouco) Enfim Boa leitura ^^

– Elena?! — Luke diz, surpreso com a presença de Elena. Ele não é o único, claro.

– Luke. — Elena praticamente cospe seu nome. Estar frente a frente com Luke não era a sua intenção.

Luke a encara por alguns segundos, ainda não acreditando que Elena estava ali. Depois, seus olhos param em sua filha, Laís. Ele corre em direção a filha, tirando dos braços de Elena, que não hesita e deixa que Laís seja conduzida ao colo do pai.

– Meu Deus, filha! — Luke abraça forte sua filha. Pai e filha matam a saudade um do outro. — Que saudades papai estava de você!

Elena os observa em silêncio. Mamãe está em seu lado, também observando tudo. Papai entra em casa, e sua reação ao ver Elena não é diferente.

– Oh! Elena? — Diz meu pai. Nem ele acreditava que ela estava ali. — Ora, que surpresa. Como vai?

– Estou bem, até... — Elena, que a alguns segundos estava olhando fixamente para Luke e sua filha, desvia seu olhar para meu pai. Ela afasta uma mecha de seu cabelo do rosto. O cabelo de Elena é mais comprido do que o da mamãe. Lisos e loiros, que combina perfeitamente com o seu rosto magro e seus olhos castanhos claros. — E você, Sid?

–Estou ótimo. Então... — Os olhos de meu pai encontram o de minha mãe por cima dos ombros de Elena. Por leitura labial, entendo minha mãe dizer sem som: "Faz alguma coisa" — Err... — Meu pai tenta fazer algo para melhorar aquele clima tenso. — Vai ficar para o jantar, Elena?

– Não. — Ela diz rispidamente. — Já estou de saída. Mas, muito obrigada.

– Mas está cedo... — Luke diz, colocando Laís no chão. Ela fica de pé, segurando a mão de seu pai. — E está um pouco frio lá fora, então é melhor...

– Eu sei o que é melhor. — Elena o interrompe. — E ficar aqui com você não é a melhor coisa a se fazer.

– Elena... — Luke faz uma grande pausa. Talvez ele esteja procurando as palavras certa para usar naquele momento. Laís continua segurando e mão de seu pai. Mal sabe ela o quanto ele magoou sua mãe. — Eu e você...Nós precisamos conversar.

– Não tenho nada para falar com você. — Elena o responde.

– Mas eu tenho. — Luke rebate. — Eu sei que eu errei e que te devo explica...

– Não quero explicações. Já está mais que na cara.

– O que já está mais que na cara?

– Que tudo entre nós acabou! — Elena diz em voz alta, o que acaba assustando até a pequena Laís.

Luke fica em silencio, absorvendo aquelas palavras. Desvio meu olhar para o lado e percebo que essa D.R pescou até a atenção de Adam, que largou seu PSP só para assistir essa briga de camarote.

Elena dá um longo suspiro, e logo se acalma

– Desculpe Bela e Sid, mas preciso ir. Vamos, filha, vamos para casa. — Elena diz a pequena Laís. — Dá tchau para seu pai.

Luke dá o ultimo beijo em sua filha, e então Laís caminha em direção a Elena. As duas se vão, fechando a porta ao saírem.

Assim que Elena se vai com sua filha, Luke senta nos primeiros degraus da nossa escada, com as mão cobrindo o seu rosto, abalado com tudo aquilo. Vendo ele daquele jeito me deixou com um pouco de pena, mas logo passou quando me lembro do que ele fez. De todas as coisas ruins no mundo, a traição é uma das piores.

Alguns minutos depois Ash entra em casa. Depois de observar Luke em choros na escada, Ash me olha procurando uma explicação. Faço um gesto com meus dois dedos indicadores dizendo "Depois lhe conto".

Meu pai coloca a mão sobre o ombro de Luke, talvez para confortá-lo, mas só piora. Luke começa a soluçar como uma criança.

– Não sei o que dizer, amigo. — É a única coisa que meu pai diz.

– Não precisa dizer nada. — Luke diz ainda com as mãos tampando seu rosto. — Eu errei, e mereço isso.

– Não fala assim, — Meu pai senta no degrau da escada, ao seu lado. — Errar é humano.

É que o senhor não sabe o que ele fez, penso.

– Não importa! Elena nunca vai me perdoar. — Luke olha diretamente para o rosto do meu pai. — Você viu que ela não quer nem olhar para minha cara. Eu sou muito burro! burro! burro! — Ele abaixa a cabeça, e começa a chorar novamente.

– Não fala assim...

– A única coisa que me preocupa é minha filha. Como vai ser agora? — Luke diz, ainda de cabeça baixa. — Crescer com pais separados. Eu não queria isso... Eu não queria isso para Ela.

Está bem, isso realmente foi triste. Sei que vai ser mais difícil para a pequena Laís do que para Luke aceitar essa separação. Mas não tem nada que eu possa fazer... Ou será que tem?

Luke seca suas lagrimas e se põe de pé.

– Eu preciso ficar um pouco sozinho no meu quarto.

– Claro, nós entendemos. — Meu pai diz, e Luke dá as costas sai.

Meu pais trocam olhares assim que Luke some no corredor.

– Vamos conversar na cozinha? — Sugere meu pai, e minha mãe concorda.

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Teve uma época em que achei que meus pais iriam se separar

Como a maioria dos meus colegas de classe tinham pais divorciados, achava não ia demorar muito para que meus, também, se divorciarem.

– Hoje eu acordei com meus pais discutindo de madrugada. — Comentei com Luana no intervalo da escola. — Isso não acontece muito.

– Iiih... Meus pais começaram assim, também. Até que, um dia, se separaram.

– Seus pais são separados? — Nessa época estávamos no primeiro ano do ensino médio. Tinha conhecido Luana a pouco tempo, então não sabia muito sobre vida familiar.

– Sim. — Ela me respondeu, olhando para o nada. — Ele são divorciados a 2 anos. Eles viviam brigando e, como meu pai só chegava do trabalho de madrugada, ainda por cima bêbado, eu sempre acordava com as gritarias entre eles.

– Acha que meus pais vão se separar? — Perguntei, um pouco assustado. Pensar nisso era duro. Para algumas pessoas a ideia de ter que conviver com pais separados pode parecer normal, mas para mim era diferente. Não sei se suportaria isso.

– Não sei. Não estou dizendo que só porque eles discutiram uma vez nessa madrugada é sinal de que eles vão se separar. Mas, é bom se preparar caso isso aconteça, né?

– Espero que isso não aconteça...

Dois dias depois daquela discussão, uma outro incidente me fez acreditar que eles iriam se divorciar. Mamãe teve a brilhante ideia de visitar meus avós no final de semana, porém papai não poderia ir pois o pessoal da empresa onde ele trabalha precisava que dele naquele mesmo dia.

– Como assim você tem que trabalhar hoje?! — Mamãe levanta a voz.

– Bela, são sete da manhã, você vai acordar os vizinhos. — Disse meu pai a ela.

– Não me importo! O vizinho da frente sempre coloca a porra do som alto e ninguém reclama, então por que eu não posso gritar dentro da minha própria casa?

– Não estou dizendo que você não pode gritar, mas sim para que você tenha a noção de que...

– Não muda de assunto! — Minha mãe o interrompe. — Por que você tem que trabalhar justamente no dia do aniversário do meu pai? Se fosse sogra tudo bem, mas sogro?! Ele convidou a todos nós, não só eu e ascrianças. Ele vai ficar decepcionado, Sid. E outra, o buffet já está pago para todos nós, inclusive para você!

– Desculpa, — Disse meu pai, tentando se justificar. — eu tinha esquecido.

– Como sempre você esqueceu, né? Vou ter que colar por todos os cantos da casas lembretes para que você não se esqueça das coisas importantes?!

– Desculpa, mas eu não posso fazer nada, Bela.

– Tem certeza de que não pode fazer nada? Adiar para outro dia, sei lá...

– Infelizmente não poderei ir. Desculpa.

– Tudo bem. — Ela amarra o cabelo num coque imperfeito. — Então, só vai eu e as crianças. Espero que se divirta bastante no seu trabalho. Agora, se me dá licença, irei lavar a louça. — Mamãe encerra a discussão e sai de cara amarrada indo em direção a cozinha. De todos os lugares da casa, a cozinha é o preferido da mamãe. Ela diz que lá é um lugar sagrado, e que só de estar ali, lavando a louça, todos os problemas parecem se resolver.

Meu pai suspira, e logo me nota na sala observando-o. Ele se aproxima e se senta, ao meu lado, no sofá.

– E ai, animado para a festa do seu avô?

– Um pouco. — Respondo-o, e minha voz sai rouca.

– Hum. — Ele me observa atentamente. — O que foi? Tem algo incomodando você?

– Não. — Minto.

– Então, está bem. — Ele se levanta.

– Espera. — Peço. Aquela seria a hora perfeita para perguntar o que estava acontecendo entre ele e a mamãe, e se eles estavam planejando mesmo uma separação. — Tem algo me incomodando sim.

Ele volta a se sentar e me olha atentamente.

– Então?

– É que... a minha mãe, ela...

– Ela vai ficar bem. — Ele disse sem deixar que eu terminasse a frase. — Sabe que quando ela se estressa é melhor sair de seu caminho.

– Não é isso. É que... — Faço uma pausa, pensando nas palavras que eu deveria usar.

– É que...?

– Você e minha mãe estão brigando demais ultimamente. -Solto. — Estou com medo de que... vocês acabem como os pais dos meus colegas, sabe? Que vocês acabem se... divorciando.

– Não, que isso. — Meu pai sorri. — Que história é essa, Eric?

– É que uma amiga, Luana, me disse que os pais dela, antigamente, brigavam bastante. Acabou que agora eles são divorciados. Estou com medo de que isso aconteça com vocês também.

– Eric, filho. Casais, as vezes, discutem. Isso é normal.

– Mas, vocês estão brigando muito ultimamente. A ultima vez foi a três dias atrás, de madrugada. Acordei com vocês gritando um com o outro.

– Aquilo? — Ele gargalha um pouco. — Aquilo não foi nada sério, Eric.

– O que aconteceu, então? — Pergunto. Queria uma explicação.

– Bom... É que, quando se está com sono, você fica mal humorado. Você sabe disso muito bem.

O que ele quis dizer com isso? Penso, mas logo ignoro. Ele continua:

– Nesse dia um documento meu do trabalho havia sumido e, como é sua mãe quem arruma a casa, acabei achando que foi ela que guardou. Mas, ela não sabia onde estava, então me desesperei um pouco. Acabou que eu encontrei esse documento em cima da mesa do meu escritório, no trabalho. Ou seja, discussão desnecessária.

– Ah sim... — Agora entendia. — Então foi por isso.

– Exatamente.

Suspirei.

– Ainda bem. Pensei que fosse algo grave.

Papai sorri.

– Sua mãe e eu nunca vamos nos separar por coisas que são simples de se resolver, como o sumiço do meu sapato, por exemplo. — Ele me olha, ainda sorrindo. — É que nem quando você está na quinta série: As vezes rola umas briguinhas bobas com seus amiguinhos, mas logo tudo se resolve e vocês fazem as pazes. É assim o meu relacionamento com a sua mãe. Ela pode ser um pouco explosiva as vezes, mas eu a amo. Assim como amo você e seu irmão. E nada, nada nesse mundo irá separar vocês de mim.

Abraço-o forte e logo ele me retribui com um mais forte ainda. Estava emocionado e ao mesmo tempo aliviado por ouvir aquilo.

– Você não pode ir mesmo na festa do meu avô? — Pergunto assim que o abraço se desfaz.

Ele nega com a cabeça.

– Eu sinto muito.

– Tudo bem. — Falo, sorrindo. — Trago um pedaço de bolo para você.

– Ficarei feliz.

Já a tarde, quando estávamos quase prontos para ir a festa do meu avô, uma surpresa.

– É o papai! — Adam grita pela janela da sala.

Levanto, não acreditando, até que vejo seu carro entrando na garagem.

– É ele mesmo!

– Seu pai? — Mamãe pergunta, confusa, colocando seu brinco dourado em uma de suas orelhas. — Mas ele disse que...

A porta se abre e ele entra em casa. Adam o abraça, como de costume quando meu pai chega do trabalho.

– O que você ta fazendo aqui? Não era para você estar no trabalho? — Mamãe perguntou, grosseira como sempre.

– Sim, mas eu consegui fazer tudo o que precisava fazer no trabalho e fui dispensado mais cedo. Você acha mesmo que eu ia perder a festa do meu sogrão? — Papai pisca um de seus olhos para mim, por cima dos ombros de minha mãe.

– Idiota. — Disse minha mãe a ele, com um pequeno sorriso no rosto. — Me ajude a colocar esse meu colar.

Minha mãe fica de costas para meu pai e, quando enfim ele consegue colocar o colar nela, mamãe se vira e dá um beijo em sua boca.

– Me desculpe. — Disse ela.

– Eu que peço desculpas por ter esquecido do aniversário do seu pai. Tenho que ser mais atento as coisas.

– Tem mesmo. — Concorda minha mãe. — Agora vamos, se não vamos chegar atrasados na festa.

Para minha surpresa, a festa foi animada. Meu avô, o aniversariante, nos recebeu carinhosamente, feliz com a nossa presença. Eu também estava feliz, feliz por meu pai estar ali, com a gente, e ainda mais por ver que tanto ele quanto minha mãe estavam felizes com a companhia um do outro. E, aquela história de separação nunca mais veio em minha cabeça, porque agora sei que os dois, mesmo discutindo as vezes, se amam. Sabe como é, entre tapas e beijos.

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Cinco dias se passaram desde a discussão entre Luke e Elena, desde então nada de novo aconteceu. Hoje irei ao médico saber como está o meu tornozelo e, talvez, retirar o meu gesso. Aleluia, penso. Hoje, também, é a final da competição na minha escola. Hensei e Coates, as duas escolas mais conhecidas da região. Penso em Gustavo. Ele deve estar animado, e nervoso também. Até hoje ele não me mandou nenhuma mensagem e, também, parei de esperar.

– Vamos? — Mamãe pergunta. É ela quem irá me levar ao médico hoje.

– Vamos.

(...)

Esperamos sentados, na recepção, até sermos atendidos. Sentia meu tornozelo bem melhor, mas mesmo assim trouxe minhas muletas. Claro, fui obrigado pela minha mãe a trazer-las, mesmo não precisando delas.

Dr. Roberto, pai de Edílio, é quem nos recebe. Ele continua o mesmo: Sério e observador. É isso que faz ele parecer charmoso.

– Senhorita Isabela, como está?

– Estou ótima. E o senhor, doutor?

– Estou bem. — Ele diz, em seguida seus olhos me encontram — E ai garoto, como vai o tornozelo?

– Bem melhor, eu acho. Não sinto mais dor ao andar, nem preciso mais usar isso. — Digo, me referindo as muletas.

– Isso é bom. — Ele sorri, um sorriso pequeno mas verdadeiro.

– E como vai o Edílio? — Achei necessidade de perguntar por ele. Nem ao menos peguei o numero do seu celular.

– Ele está bem. — É a única coisa que ele diz.

– Ah sim. — Falo por fim.

– Vamos ter que tirar um raio X do seu tornozelo para saber se está tudo bem. Me acompanhem.

(...)

Ficamos mais ou menos uma hora e meia presos naquele hospital. Estava louco para ir embora, e mais louco ainda para saber se iria tirar aquele gesso infeliz do meu pé. Quando estava quase me jogando da janela do consultório, Dr. Roberto finalmente aparece com uma envelope.

– Bom — Ele faz uma pausa, se sentando em sua cadeira. -, aqui está o resultado do raio X.

Ele abre o envelope e tira o exame. Ele observa o exame atentamente enquanto eu fico apreensivo, observando sua reação. Quando ele termina, para seus olhos em mim. Sua expressão é séria.

– E então, Doutro? — Pergunto, curioso pela resposta.

O ar de suspense acaba quando ele sorri.

– Seu tornozelo está ótimo.

– Isso significa que eu já posso tirar o gesso? — Estou louco parar tirar esse gesso!

– Mas é claro. Vamos retira-lo.

(...)

Quando eu chego em casa, conto a Luana a novidade via mensagem. Ela fica contente e, horas depois, vem até minha casa me visitar. Chegando, ela me conta as novidades do jogo. Coates venceu de 3 a 1 e, pelo que parece, foi Pedro quem fez o gol da vitória. Luana disse isso sorrindo feito uma boba.

– Pedro irá dar uma festa nesse final de semana.

– Você vai? — Pergunto, mas é claro que eu sabia a resposta.

– Sim, Pedro me convidou. Convidou você também, mas, como eu já te conheço, você não vai querer ir.

– Sim, esta certíssima. Mas, também, o médico disse que não posso forçar muito meu tornozelo.

– Que pena. — Luana fala. — Gustavo perguntou por você.

– Ah, é? — Tento parecer calmo, mas por dentro meu coração está acelerado. Por que ele e faz me sentir assim? – O que ele perguntou?

–Perguntou se seu tornozelo estava melhor. Disse a ele que você estava sentindo seu tornozelo melhor e que você iria ao médico saber se estava tudo bem mesmo. Também disse que talvez iria tirar seu gesso hoje.

– E o que ele disse depois?

Ela sorri maliciosamente.

– Ele ficou feliz por isso, e triste por você não poder ir ver a final hoje.

– Engraçado é que ele não me mandou uma mensagem perguntando se eu estava bem. — Falei.

– Ah, e ele também mandou avisar sobre isso. O telefone dele foi roubado. Disse que não tinha como te avisar sobre isso já que você não tem facebook.

Isso explicava tudo. Estava feliz e ao mesmo tempo triste por saber disso.

– A Daniela estava com ele?

– Não. Parece que eles estão brigados ainda.

Aquilo me deixava feliz.

Ash aparece minutos depois e se junta conosco na sala, sentando-se no sofá.

– Vocês viram o Luke?

– Provavelmente no quarto, chorando. — Respondo a ele.

– Já fui em seu quarto e ele não está lá.

– Então não faço a mínima ideia.

– Chorando? O que aconteceu? — Luana pergunta, sem entender.

– Você não contou a ela? — Ash me pergunta.

– Não me contou o que?

– Sobre a discussão que Luke e Elena tiveram semana passada.

– Não. — Luana responde a ele, ainda confusa.

– Não contei? Ah, é. — Lembro que não contei. — Nesse dia você tinha saído com seu namorado e deixado seu amigo aqui, sozinho.

Luana me olha, não achando graça daquilo.

– Me conta logo, Eric.

–É melhor conversarmos sobre isso no meu quarto. — Falei.

Chegando no meu quarto conto toda a história para ela, desde a parte em que eu ouvi sobre o que Luke fez até a discussão dele com Elena. A reação dela não é diferente que a minha.

– Eita... — É tudo que ela diz depois de ouvir sobre a história.

– Pois é. — Falo.

– Tem certeza disso? — Ela pergunta. — Sempre achei eles tão apaixonados, principalmente o Luke.

– Todos achavam isso. — Ash fala. — Mas essa é a verdade. Pelo menos, foi isso que o Eric disse.

– Sim, ouvi isso da própria boca da Elena. — Falei

– Que loucura. — Disse Luana, ainda não acreditando. — Não dá para acreditar que o Luke tenha traído a Elena.

– O pior é que eu estou com pena.

– De quem? Do Luke? — Ash pergunta, e sem esperar resposta continua: — Ele deu mole, cara. Merece isso mesmo.

– Não estou com pena do Luke. — Corrijo-o. — Estou com pena da pequena Laís. Ela vai crescer com pais separados. O pior é que ela não sabe de nada sobre o que está acontecendo.

– Sei como é crescer com pais separados. — Luana olha para o chão, pensativa. — É horrível.

– Acredito que seja. — Diz Ash. Ele sabe mais ou menos de como é isso. Seu pai o abandonou ainda criança, deixando ele com a mãe. Depois disso, Ash nunca mais teve noticias sobre ele. — Não podemos fazer nada.

Deito na minha cama, de barriga para cima. Começo a observar o teto, achando uma resposta para aquilo, uma solução, uma ideia.

– Ou talvez podemos fazer alguma coisa. — Falo. — Eu tenho um plano que pode juntar Luke e Elena de novo, mas para isso preciso da ajuda de vocês e, principalmente, do Luke.

Os dois me encaram.

– Eric, estamos falando de traição. — Ash me diz.

– É, Eric. — Luana concorda com Ash. — Isso não vai ser tão simples.

– Eu sei, mas não custa tentar, né? Pela Laís. — Digo, olhando para os dois

– Está bem, eu estou com você. -Luana diz, sorrindo. — Pela Laís.

Ash nos encara, coçando a cabeça.

– Eu estou com vocês, mas não estou colocando muita fé nisso.

– Pessoas negativas me irritam, Ash. — Digo a ele. — A não ser que você queria levar um soco, acho melhor ser um pouquinho mais positivo do meu lado.

Ele ri.

– Me perdoe, rosin... — Eu o encaro friamente antes que ele terminasse a palavra. — Eric. — Ele corrige. — Desculpe, é costume.

Luana sorri para ele, e ele retribui com outro sorriso. Talvez esse plano junte não só Luke e Elena, mas também Luana e Ash.

– E quando vamos começar com o plano? — Luana pergunta.

– Tenho que convencer o tio Luke a participar conosco. — Falei. — Ele é a chave para esse plano.

– Mas não sabemos onde ele está. — Ash fala.

– Não tem nenhuma ideia de onde ele esteja?

Ash nega com a cabeça.

– Eu só sei que no trabalho ele não está, porque estava se sentindo mal hoje de manhã. Perguntei a sua mãe e ela disse que não viu ele sair de casa.

– Ótimo. O plano agora é: achar Luke. — Falo, roendo a unha. — O pior é que eu não tenho a mínima idéia de onde ele esteja. — Fico alguns minutos em silencio, pensando. — Ele não conhece muitos lugares nessa região, então... — Falo para mim mesmo. Mas, então, me vem na cabeça: Luke estava deprimido. E, se eu fosse ele, só haveria um lugar para onde iria. Um lugar na qual Luke amava ir antes de conhecer Elena, um lugar na qual ele teve que parar de frequentar por causa de dela. — Bar!

(...)

Decidimos nos dividir para ir atrás de Luke em todos os bares da região. Ignorei o fato de eu não poder forçar o meu tornozelo, por ordens do Dr. Roberto, mas estava de saco cheio de ficar preso em casa. Não foi uma tarefa fácil já que haviam muito bares por ali. Passei horas procurando-o, até que finalmente, quando já estava desistindo, acabei encontrando-o.

Era a primeira vez que eu estava em um bar. O lugar estava cheio de pessoas, a maioria homens com a aparência velha. Avistei Luke nos fundos, sentado solitário na bancada. Fui em direção a ele, ignorando as olhadelas que as pessoas me lançavam.

– Depois de tudo, acabo encontrando você em um bar, Luke. — Falo, sentando num banco ao seu lado. — Pensei que tinha tomado jeito depois das broncas que a Elena deu em você.

– O que você faz aqui? — Luke pergunta. Seu bafo é álcool puro. — Aqui não é lugar para crianças.

– Então o que você faz aqui? — Não aguentei ser chamado de criança.

Ele toma um gole de sua cerveja, me ignorando. Luke estava viajando em seus pensamentos, olhando para o nada.

– Se você estar aqui para me chamar de idiota ou coisa parecida é melhor...

– Não estou aqui para isso. — Falo, interrompendo-o. — Até porque você sabe que foi um idiota por ter feito o que fez.

– Você sabe o que fiz?

Afirmo com a cabeça.

– Que ótimo. — Ele diz. — Foi Elena quem te disse? Quem mais sabe?

– Isso não importa. — respondo-o, meio sem paciência. — Estou aqui para conversar com você.

– Não quero conversar, apenas ficar sozinho. — Ele toma outro gole de cerveja. — Então, por favor, vá embora.

– Vale apena escutar.

– Não quero escutar nada. Só quero ficar sozinho, não ouviu?!

– Isso pode fazer com que Elena te perdoe!

Ele me encara, confuso.

– Nada pode fazer com que ela me perdoe! Você não viu o que ela disse? Tudo entre a gente acabou. — Ele toma o ultimo gole de sua cerveja. — Ela não me ama mais.

– Como você pode ter tanta certeza disso? — Pergunto. E, sem esperar resposta, continuo: — Vocês tem uma história juntos, e uma filha linda também. Vai desistir assim, tão fácil?

– Não posso fazer nada. — Ele diz.

– Claro que você pode, Luke. — Insisto.

– Então, o que eu faço? — Ele pergunta, procurando uma resposta em meus olhos.

– Reconquiste-a. Faça com que ela se apaixone por você novamente.

– E você acha que isso pode dar certo?

– Não sei. — Respondo. — Mas sei que ficar aqui bebendo não vai te ajudar em nada.

Ele fica em silencio, olhando para o chão.

– Porque está me ajudando? — Ele pergunta.

– Não estou ajudando você. — Corrijo-o. Ele me encara, sem entender. E, então, continuo: — Estou fazendo isso pela Laís. Não quero que ela cresça com pais separados. Ela não merece isso.

Luke me encara em silencio. Talvez ele esteja pensando no que me dizer, talvez esteja lembrando de sua filha ou talvez em Elena. Lagrimas surgem em seus olhos.

– Obrigado. — Ele diz, por fim.

– Não precisa agradecer. — Falo, sorrindo para ele. Um sorriso sincero. — Vamos para casa. Ah, e chegando lá, sugiro que entre pela porta dos fundos. Senhorita Isabela não irá gostar nada de saber que você andou bebendo.

– Ta certo. — Ele sorri. Em seguida ergue uma de suas mão e assobia para um barman próximo, este se aproxima de nós. Logo, observo que esse barman me é familiar. Ele é...

– Edílio?

Notas finais
E então, gostaram? Odiaram? Comentem. Qualquer erro no capitulo me avisem, ok? Até a próxima o/