First Chapter no ar! Espero que gostem! E ah, está sem betar! Quaisquer erros são meus por direito!

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Tasting Life

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Haviam poucos dias que ela saíra de casa. Não sabia porque, mas tinha a leve impressão que, dessa vez, finalmente era definitivo. Suportar tantas brigas era doloroso demais. Suportar também o modo que ela tratava o filho era ainda pior. Porque sim, ela transformava-o cada vez mais em alguém sem personalidade, jogado ao mundo apenas para obedecer e servir. À ela, claro. Nenhum outro propósito. Era como se fosse seu escravo pessoal. A ajudava com seus trabalhos, sua agenda, com afazeres da casa... E na escola, era sempre quieto demais, o que não era de todo usual para alguém de sua idade. Talvez por isso levasse nomes de afetado, inútil, dentre outros. E agora, tudo o que podia vez, era alguém sem rumo. Ele ainda a esperava até adormecer no sofá, todos os dias, mesmo nos últimos treze. E nos últimos sete, questionamentos haviam surgido, mas com o tipo de relação que tinham, não se deixava, aliás, não se achava no direito de responde-lo. Era fato que sempre fora ausente demais, mas a presença dela o coagia a isso, ao menos nos últimos dez anos.

E então, estavam ali, frente a frente, beira à uma resposta que estilhaçaria ainda mais o pobre coração adolescente.

— Ela não vai voltar, não é mesmo?

A voz baixa demais, temerosa demais. Os olhos azuis escondidos pelo cabelo longo, desgrenhado, cor de ouro. Era como se tivesse medo de falar até mesmo dentro de casa, como se ela fosse puni-lo, mesmo não estando por perto.

— Não.

Respondeu. Seco. Não sabia como trata-lo realmente. E era uma das piores coisas no mundo, com certeza, desconhecer a esse ponto o próprio filho.

Viu uma lágrima trilhar a face do mesmo. E viu que ele tentara correr. O tomou o pulso num ato reflexo, puxando-o contra seu corpo, no intuito de protege-lo.

— Me solte! — ele gritou, enfim chorando, quase que descontrolado — Eu quero a minha mãe!

Se debateu até ser contido por um agarre forte.

— Contenha-se. É doloroso para todos nós. Mas...

— Não é doloroso pra você!

Ainda gritou, um pouco mais baixo, um pouco mais quieto. Não sabia porque, mas estar ali, sentir-se apoiado, o fizera querer dormir, como quando ainda era uma criança.

— Pshhh... Vai ficar tudo bem.

O mais velho se limitou a não responder. Não queria entrar num conflito agora. Ele já estava devastado demais. E podia ser tudo, menos covarde. Apenas permaneceu acolhendo-o, sussurrando qualquer música, como fizera algumas poucas vezes, e logo o sentiu ruir. Havia adormecido. Talvez por tanto chorar. Talvez por sentir-se protegido.

O pegou no colo e subiu as escadas, depositando-o na cama luxuosa de seu quarto, a que pouco usava, pois sempre dormia na sala, aguardando-a chegar, mesmo que soubesse que não importava.

O olhou... Não parecia muito com ela. Talvez alguns traços. E parecia tão deixado... Sabia, sua missão de agora em diante, seria árdua demais. Continuar no escritório seria inevitável, e mesmo como um dos sócios majoritários, continuaria tendo uma carga extenuante de trabalho. Teria que saber conciliar, talvez conversar com os outros e explicar a situação, porque seu filho, finalmente aos seus cuidados, precisaria de apoio para se reerguer.

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O sol raiou sobre a cidade. Seus olhos azuis se abriram. Um sorriso despontou no rosto marcado por olheiras e ele logo se levantou, correndo, indo escada abaixo e procurando-a.

— Mamãe!

Chamou. Chamou algumas vezes. A procurou por toda a casa, procurou as roupas, o carro... Procurou até mesmo o sorriso frio, enquanto suas esperanças se esvaíam e seus olhos enchiam de lágrimas mal contidas. Caiu.

Com as mãos contra o rosto, chorou, tentando abafar suas lamúrias, tentando fazer com que aquele pesadelo simplesmente acabasse, mas não, nada mudou.

— Naruto?

Ouviu a voz chamando do alto das escadas, voltou-se à ela. Era seu pai. Ele vinha, passo a passo, pouco a pouco. Então, deixou-se continuar chorando enquanto estendia os braços a ele, como uma criança que pede por colo.

O acolheu, abaixando-se ao lado do mesmo, acariciando os fios loiros enquanto o ouvia chorar, enquanto ouvia a constatação óbvia:

— Ela não vai voltar... ela não vai...

Era fato que ele não havia engolido muito bem aquele fato, não ainda. Ao menos havia entendido que por hora, ela estaria longe, e ao menos não estava mais tão arisco.

— Escuta, por que não vamos até a cozinha e preparamos um café da manhã bem gostoso?

Perguntou. Ele ponderou por alguns instantes.

— Ela sempre fazia isso...

— Eu sei, eu sei...

Disse, ninando-o como se fosse uma criança de colo. Logo notou que ele aceitara a proposta, porque fizera algum esforço para se levantar. Já era um grande passo. O ajudou, mas ele não se desfez do contato. Ainda escondia o rosto contra seu pijama de flanela. Podia sentir como ele estava mal. Parecia ter emagrecido ainda mais que o de costume, e parecia fraco. Sentira pena por um instante, e a angústia tomara conta de seu peito. Como ela havia se deixado partir sabendo que o devastaria desse modo? Como ousara simplesmente deixa-lo para trás? Ah, já era de se esperar. Tratando-se de alguém como Kushina, qualquer abandono era inevitável. Não só por não se apegar de todo, mas também pelo fato de ser individualista demais e pouco se importar com alguém que não lhe fosse mais interessante.

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— Eu não sei Minato, ainda não tive notícias e nenhum sinal de vida. Ela não parece querer o divórcio ou qualquer outra coisa... Eu não sei...

A voz no telefone lhe indicava sérios problemas. Se Kushina não havia aparecido com mais uma lista de exigências é porque havia algo de errado no ar. Não era do feitio dela, não mesmo.

— Kakashi, por favor, você precisa descobrir onde ela está, se está bem.

— Madara-sama não te disse? Está no litoral, e sim, está bem. Até demais.

— O que isso quer dizer?

Parou ante a base do telefone.

— Quer dizer, Minato, que está se preocupando a toa. Só espero que Naruto esteja bem.

— Ele não está. Me dói tanto... Ele parece... destruído.

— Acho que posso imaginar. Era apegado demais à mãe. Como se ela se importasse...

— É... é verdade. Mas acho que Kushina não fez por mal. É da natureza dela, desde que nos casamos.

— Vocês eram praticamente crianças Minato... Não sei como esse relacionamento ainda durou quinze anos...

— Nem eu, mas ainda a amo.

— Não direi nada a você. Se te conheço bem... enfim, preciso desligar. Ainda tenho centenas de folhas para ler e assinar, e não quero perder todo o meu sábado preso aqui.

— Até logo. Mantenha-me informado.

— Certo. Até logo.

Desligou a chamada. Voltou-se à porta apenas para se deparar com o filho, encostado à mesma, com os olhos cheios de lágrimas.

— Por que ela nos odeia tanto? Por que nos abandonou?

Ele atreveu-se a perguntar, um pouco menos recatado. Seus olhos brilhavam de um modo diferente, um tanto quanto doloroso.

— Eu não sei, filho... — aproximou-se dele e colocou uma mecha de cabelo do mesmo para trás da orelha — Eu prometo, vamos ficar bem.

Naruto o abraçou, antes de sair correndo escada acima e se trancar no quarto com um estrondo. Minato esfregou as têmporas. Toda essa situação o estava deixando exasperado. Não suportava ver o filho sofrendo, ainda mais por caprichos dela. Como poderia ter partido para o litoral sem nem mesmo avisá-los? Simplesmente sumira! Era fato que ainda se conservava um pouco infantil aos trinta, mas isso era golpe baixo. Ainda mais sabendo como havia criado o garoto... Mas não, não o deixaria ficar triste por muito tempo. Prometeu-se, que faria o melhor por ele, justo como ela sempre impedira.

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Continua...