Tasting Life
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Second Chapter! Só pra dar o gostinho xD
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Tasting Life
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Terminou de se vestir. Era fim de tarde e a chuva começava a ficar cada vez mais ameaçadora. Estava exausto, mas havia concordado em sair com o pai. Olhou para o próprio cabelo. Sentia-se feio, muito feio. Pouco conseguiu se suportar ante o espelho. Suas olheiras eram evidentes, parecia um... nada. Suspirou. Alcançou seu celular com seus fones e desceu as escadas, esperando-o na sala.
Logo, o aroma do perfume amadeirado se fez presente. Cochilava, e quando abriu os olhos, pôde percebê-lo com o mesmo tipo de roupa que usava. Teve vontade de rir, mas estava cansado demais para fazê-lo.
— Vamos?
Levantou-se, seguindo-o. Logo que entrou no carro, deixou-se cochilar outra vez. Se sentia tão cansado...
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— Naruto?
O toque leve em seu ombro o fez despertar. Estavam num estacionamento.
— Onde...
— No shopping. Eu te disse mais cedo que tínhamos que vir ao supermercado.
— Tudo bem...
Esfregou os olhos e desceu, esperando Minato travar o carro e seguindo-o pelo imenso local. Seus passos eram lentos, quase que descompromissados. Podia observar as famílias que passavam perto, e a cada uma delas, seus olhos ameaçavam marejar.
Sentiu um braço em seus ombros.
— Qual é, não fique assim. Vamos, tenho algo que talvez te faça se sentir melhor.
Ele sorria, mesmo sofrendo. Naruto podia ver que ele estava tentando aceitar. O observou. Era tão bonito... Mesmo com aquela expressão alegre mascarando o olhar triste, ainda conseguia brilhar, ao contrário de sua pessoa. Franziu o cenho, seguindo-o por alguns corredores enquanto se lembrava das palavras de Kakashi ao telefone. Teria que fazer como ele, mesmo que não acreditasse ainda que fora abandonado. Teria que aceitar e fazer sua parte, porque sabia, não era o único que estava sofrendo.
Avistou uma vitrine com imagens interessantes de cabelos coloridos, maquiagens, mulheres bonitas...
— Espera...
Disse, soltando-se do contato e indo até ela. Ele o seguiu.
— O que quer fazer?
— Eu não sei...
— Se veio até aqui, provavelmente tem um motivo.
— É que... — tocou nos próprios cabelos — Eu me sinto estranho. Eu... queria mudar.
— Então por que não tenta?
— Ela gostava do meu cabelo assim...
Ao ver o garoto com aquela expressão pesarosa, brincou:
— Ah, ela vai gostar sempre, de todo jeito!
Sorriu para ele, logo sendo retribuído. Quando adentraram aquele salão, ele segurou forte sua mão, como se tivesse algum tipo de receio, que logo foi desfeito quando as atendentes vieram, brincando, conversando...
Minato o observou de longe, enquanto escolhia algo. E viu quando foi apontado, logo desviando o olhar. Não queria constranger o filho, fazê-lo sentir-se vigiado. As mulheres sorriram audivelmente antes de começar a trabalhar com a tesoura. E Minato via as mechas longas indo ao chão, via os fios tomando um formato familiar que ficava rapidamente mais e mais bonito. E ele sorria, mesmo que temeroso. Era um tanto que adorável.
O mais velho estranhou quando uma das atendentes se aproximou do garoto com um estojo grande enquanto a outra escovava os cabelos. E num instante, tudo se acabou.
Hesitante, Naruto se levantou e voltou-se ao pai, sorrindo de canto, tímido, ainda por detrás de uma franja longa. E por fim, o mais velho reconheceu: aquele era seu corte de cabelo.
— Naruto... — o observou, um sorriso bobo no rosto. Ele parecia um anjo, um boneco de porcelana, e os olhos azuis brilhavam outra vez, mesmo que tímidos. Tocou a face levemente. Estava sem olheiras — está... perfeito!
Alguns segundos se passaram e enfim teve que deixar o garoto para pagar o que quer que fosse. Ele sorria ante o espelho, adorando o cabelo então curto, despontado, e a pele adoravelmente uniforme. Sentia-se feliz, ao menos por um momento, e não, não conseguia se lembrar muito bem dos últimos ocorridos.
— Vamos?
Ouviu o pai chamar, e foi até ele acenando para aquelas que haviam transformado seu dia. Com uma mão atada a dele, andaram por mais bons metros, o garoto finalmente sorrindo como costumava fazer vez ou outra em casa, quando ela estava por perto e o elogiava. Decerto perderiam horas por ali, mas quem disse que se importavam?
Só o fato de estarem longe de casa, com as mentes ocupadas demais, já tornava as coisas mais fáceis. Minato, por ver Naruto sorrir, e o mesmo, por estar ao lado do pai, se divertindo finalmente.
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— Otou-san, pra que tantas coisas?
— Metade delas acabam antes do fim da semana, pode ter certeza, e o resto, err.. — riu ante seu exagero — O resto delas é só por precaução!
Já em casa, era como se ela estivesse apenas no trabalho, ou em uma conferência longe dali... Naruto se forçava a não lembrar, evitava até mesmo fazer as coisas que fazia quando ela estava por perto, como esperar sua chegada no sofá ou ajeitar o jantar. Sabia, a noite seria difícil, mas tudo bem, podia se fingir forte, porque sabia que seu pai estava sorrindo por estar sorrindo. Não queria vê-lo magoado, não queria perder mais uma de suas pessoas, mais um dos que tanto amava, mesmo que à ele não soubesse demonstrar.
Deixou a cozinha enquanto ele preparava o jantar. Pensar que viria durante a semana um extenso feriado era um tanto quanto assustador. Conseguiria passar todos os dias em casa sem pensar nela, sem sentir falta?
Temeu. Talvez só precisasse se concentrar em outras coisas, talvez precisasse estudar um pouco ou até mesmo ouvir música. Porque por suposto, seu pai voltaria ao trabalho na segunda.
Ouviu o telefone tocar. Seu coração disparou. O tanto que correu de seu quarto até ele quase o fez cair quando atendeu.
— Mãe?
Um silêncio na linha, apenas sua respiração ofegante reverberando. E então, a tão conhecida voz se fez presente.
— Oi querido! Seja útil e passe para seu pai, não tenho tempo.
— Mas mãe...
— Agora Naruto!
Praticamente gritou, destroçando o pequeno coração mais uma vez. Minato, então do seu lado, tomou sutilmente o aparelho, acolhendo-o num abraço enquanto falava. Aquilo demorou bastante, ela se exaltando de um lado, ele tentando colocar calma na situação e coisas horríveis gritadas, podendo ser ouvidas pelo garoto, mesmo que Minato tentasse não permitir, do modo que fosse.
E então ele desligou. Naruto chorava. Mais uma vez, de volta à estaca zero. O tomou em seus braços e subiu as escadas, sussurrando, consolando... tentando responder todos aqueles questionamentos dolorosos demais para uma criança de treze anos. Entender os motivos da mãe praticamente odiá-lo agora era algo impossível. Só sentia culpa, dor... só coisas ruins se passavam por sua mente. E mesmo as palavras doces de Minato não ajudavam muito...
Foi colocado em sua cama, dentre os edredons, e encolheu-se, voltando as costas ao mais velho, quem ainda tentava, em vão, fazê-lo se sentir melhor enquanto acariciava os fios loiros.
Algum tempo passou e, como esperado, Naruto adormeceu. Minato se levantou, indo até o telefone. Discou um número já conhecido.
— Yondaime?
A voz da mulher de meia idade se fez presente. Tão amigos eram, e ela já ciente da situação, estaria disposta a ajuda-lo no que quer que fosse.
— Tsunade... Preciso de um favor.
— Diga, sem medo.
Ele suspirou, antes de atualizá-la sobre a situação, contar como Naruto estava e ouvir conselhos, palavras amigas da mesma.
— Então acho que ele já tem notas altas o bastante pra não mais voltar esse ano. São só três meses, não é mesmo?
— Ainda que não tivesse, Minato, eu não me importaria em dar um jeito. Acho que ele realmente precisa disso, assim como você. Só espero que fiquem bem, e quanto aos trâmites legais, pode deixar comigo... Só o faça ler uns livros vez ou outra... caso precisar lembra-lo disso.
Ela riu. Ele também. Ambos sabiam do apreço do garoto pelos estudos. Mesmo que Kushina vez ou outra dissesse que não era necessário, muito menos saudável, ele continuava, sempre do mesmo modo, entendendo tudo, procurando sempre por mais.
— Fiquem bem. E mande notícias, certo?
— Tudo bem, a gente se vê por aí.
Minato disse antes de desligar. Tivera uma ideia incrível, e por suposto, faria bem ao garoto. O ensinaria do modo mais simples, a amar tudo na vida que o fizesse bem, a conhecer o mundo, e se esquecer de toda a negatividade.
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Continua...
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