Tanzaku
3 Segunda Noite
Notas iniciais
Boa leituuura ~ ♥
Saiu secando os fios sem cor na pequena toalha, procurando em vão, inconscientemente, aliais, pelo japonês. Onde se meteu...? Conformado já com o fato de que acabaria tendo de servir como babá, decidiu que, ao menos, o procuraria só depois de se alimentar. Esperava, com todas suas forças, que dessa vez a moça da recepção fosse mais gentil consigo.- Bom dia! – E aquele sorriso encantador. Se eu for cavalheiro ao máximo, será que ela me arranja comida depois também?- B-bom dia Senhor! Aliás, perdoe-me, mas ainda não sei seu nome... - Allen Walker, senhorita. Poderia me dizer o seu? – Tim estranhava o comportamento mais do que excessivamente amável do seu dono, ainda que este fosse o sempre certinho e cavalheiresco Allen. Rodopiava entre voltas ao redor da cabeça do garoto.Acordava bem disposto, afinal.- Mika Hatsuki! Prazer.- Prazer. Mika-san, a senhorita sabe me informar sobre o Kanda? – Foram conversando em direção as mesas cheias de variações de comidas, as palavras se encontrando por entre sorrisos e gestos graciosos. Mas, no final, ela não sabia de nada. O Kanda saiu sem dar a mínima pista de onde foi... Como ele quer que eu adivinhe? Talvez fosse melhor procurar logo pela innocence... Comeu. Saiu da sala de refeições oferecendo um último sorriso a moça, deixando pra trás apenas o choque da mesma ao contar a quantidade de tigelas, pratos e objetos que ele, magro e jovem, conseguiu comer no pouco tempo em que ela mastigava seu pequeno prato regulado a base de dieta. Impressionante, diria. Ou assustador. Tim voava ao seu lado, fiel como sempre, enquanto procuravam por Kanda. De certo, não estava lá muito entusiasmado com aquilo. A questão é que, acima de tudo, era um exorcista. Um exorcista em uma missão. E como tal, sabia que precisava levar as coisas mais a sério do que ficar se prendendo àquelas brigas e discussões.Afastou alguns fios teimosos que insistiam em cair nos olhos antes de avançar, os pés leves trazendo a sinfonia de folhas e galhos estalando a cada passo avante, entranhando-se numa densa floresta que, afinal, encontrara.A voz de Komui ainda ressoava em seus ouvidos.‘’Não temos muita certeza, mas apesar dos Finders terem voltados inteiros, a enfermeira provou que todos andam tendo alucinações variadas. Um deles chegou a tentar enforcá-la com os lençóis... Ainda não temos resultado sobre os efeitos das medicações que aplicamos. E parece que o quadro tem se alastrado na cidade.É só por garantir mesmo, mas não temos certeza.’’Já se acostumara a isso.Mas, ainda assim, não entendia a mania do chinês em colocá-lo junto de Kanda! Claro que bem sabia que ele não se dava bem com ninguém mesmo...Se bem que Lenalee parecia gostar dele... E ele até que era educado com a garota.E tinha o Lavi também, a despeito de viver sendo ameaçado. Mas, ao ter que desviar de um pedaço de madeira que voou em sua direção, e teria lhe rendido mais uma bela marca no rosto não fosse seu braço esquerdo, Allen simplesmente resolveu que não valia a pena perder seus neurônios tentando entender que raios aqueles dois tinham visto nesse homem.- Você quer me matar é?- esbravejou para as árvores, sabendo muito bem que Kanda estava por ali — Nós ainda temos uma missão a cumprir aqui sabia?- Ficar atento é o mínimo, Moyashi. — a voz tomou forma por entre as delicadas sombras junto ao corpo, (que ao menos dessa vez não saira por ai semi-nu, dando-se ao decoro de ao menos vestir um colete) o moreno de olhos afilados, um ar de zombaria zunindo nas pupilas, a mugen pousada no ombro por onde alguns fios escorriam. — A não ser que queira morrer.- Como sempre muito bem humorado. – Sorriu em deboche completo. Kanda conseguia ativar o lado negro de Allen apenas por estar no mesmo espaço que ele – Encare os fatos BaKanda. Você não me venceria. – acompanhando a frase estufada, vieram os gestos exagerados para ajudar na clara afirmação. A resposta do japonês fora rápida. Ergueu a mugen e a cruzou na horizontal, rente ao pescoço do exorcista. Allen se surpreendeu com a ousadia. - KANDA! Com um ar de convencido, o espadachim deu as costas definidas a Allen, zombando descaradamente dele. Mesmo sem sorrisos, palavras e gestos, Kanda conseguia muito bem pregar peças. Foi o que o amaldiçoado percebera.
- Que foi Moyashi? Incomodado?Um suspiro ruidoso se deu em resposta. Allen decidiu não bancar mais a babá.- Vamos procurar a innocence. Venha.- Não. Você atrapalhou meu treino, pretendo terminá-lo antes. - Mas Kanda! Qual é o mal de treinar depois? Você não vai morrer só porque não se aqueceu. Se bem que sendo você, é capaz de morrer mesmo...- Se eu morro fácil, você já está morto.- Não enche e vem logo! – em um ato tremendamente impensado, meramente natural, Allen segurou o pulso do mais velho e o puxou, na intenção de fazê-lo andar de uma vez. Kanda deu-lhe uma cotovelada forte, rígida, obrigando Allen a dar alguns passos para trás, soltando-o no meio do atrapalhado ato. Virou-se e saiu andando por entre as raízes e folhas, os modos tranquilos, como se o desafiasse a tentar convencê-lo na violência novamente. - Fica então! Mas vê se não se perde, porque eu não me importo de deixá-lo aí para sempre. Pisando fundo e bufando como uma criança contrariada, o amaldiçoado fez o caminho inverso, voltando para a cidade enfim. Seus maiores desejos no momento eram encontrar a innocence e terminar a missão. Por tabela, deixar Kanda para trás.Duas horas depois as árvores retalhadas davam espaço ao japonês habilidoso que havia terminado seu querido treino. Perto dali, a moça da recepção voltava do mercado com compras e vendo-o, resolveu esperá-lo. É incrível como os dois conseguem ser fortes e manter os corpos normais, pensava. O Senhor Kanda consegue ter, até mesmo, o rosto delicado como de uma bela mulher...-Ah! Muito bom dia senhor Kanda! Ele apenas passou reto, um leve aceno de cabeça denunciado apenas pelo movimento retardado do cabelo negro.E apenas isso já lhe acelerava em algumas batidas o coração ingênuo.- O s-senhor Allen conseguiu lhe encontrar? Ele estava te procurando hoje mais...A expressão não morreu, de fato. Apenas foi perdendo força conforme era esmagada impiedosamente pelo olhar que ele, afinal, lhe dirigiu.- Não fique me falando daquele idiota fraco.- Sim senhor.A resposta veio rápida, quase que uma continência.Ele subiu as escadas, escoltado pelo olhar curioso.Como será que eles conseguiam dividir um quarto?- Ah, muito bom dia Mika!Veio a saudação espanar os pensamentos antigos para conceder-lhes novos.Como o fato daquela gravata nova combinar perfeitamente com os cabelos aloirados, mas ainda assim castanhos, do homem que avançava pela porta.- Ah, Senhor Willian! Quanto tempo não aparece por aqui! Seu tom estava um grau mais agudo do que o costume. Nervosismo. Mas Mas nada de gaguejos. Aquele era o dono do hotel, vulgo, seu chefe.E não cai bem ficar gaguejando na frente do chefe.- Como estão as coisas? Muitos hóspedes novos?- Ah, não. Apenas três- logo um bloquinho de notas tinha as páginas exploradas. Conhecia bem o procedimento. Por algum motivo, seu chefe sempre gostava de saber exatamente quem estava ali. Ah, na verdade, isso era normal né?- A senhorita Anya Guest, que ocupou o quarto onde antes estava aquele senhor bigodudo, e dois senhores chamados Allen Walker e Yuu Kanda, que se hospedaram no quarto de casal.- Mika! E você deixou dois homens juntos no único quarto com cama de casal!? Esse é um hotel de respeito!- M-me -não gagueje!- desculpe senhor! É que os dois chegaram e exigiram o quarto e... Senhor? Mas Senhor Willian já não a ouvia, a face determinada e mesmo séria voltada, decidida, para a escada onde os passos duros, mas ainda assim discretos, de Kanda não seriam o suficiente para lhe chamar a atenção. Mas mesmo assim, chamara.- Ah! Já está de saída, senhor Kanda?A Roise Crux brilhava no manto da ordem.Um alvo. Os olhos se cruzaram, mas apenas para logo irem cada um para seu caminho, deixando cair uma certeza.Matar. Pegou sua espada e tornou a descer, algo lhe dizia que era melhor mantê-la bem perto de seu corpo. Instinto, talvez. E como essa anormal percepção não costumava falhar, o melhor a fazer era levá-la a sério. Cruzou o hall de entrada, indo almoçar. Pediu sua característica soba e se sentou à mesa do canto, esperando-a. Pretendia continuar assim, divagando sobre a innocence e se Allen a encontrara afinal, já que estavam demorando demais para uma situação corriqueira como essa. Mas tinha seus motivos. Antes de partirem Komui lhe explicou que era melhor ter cautela, tendo que talvez passar dias analisando a cidade em si. Os acontecimentos estranhos se limitavam a pessoas loucas e sutis desaparecimentos, que poderiam ser causados por Akumas sedentos. A maior questão, porém, era onde raio a innocence se escondera. Antigos exorcistas tentaram capturá-la, mas todos os finders que os acompanharam voltaram diferentes, sendo alvos de possíveis doenças mentais. A Divisão de Ciências não confirmava nada, mas para a possibilidade chegar aos ouvidos das grandes mentes de lá, não era necessário nenhum tipo de confirmação oficial. Tinha algum mistério.Ainda mais porque, ao que parece, os exorcistas não saíram afetados. Talvez fosse apenas reação das próprias innocences, talvez não fosse... — Senhor Kanda? – os olhos impiedosos encararam a mulher em sua frente. Sisuda, de aparência forte e destemida, com roupa de cozinheira. Como ela descobriu o nome do exorcista era outro mistério. Colocou a bandeja em cima da mesa sem muita cerimônia, e saiu rebolando pelas mesas até desaparecer porta adentro. O homem que havia visto na recepção um tempo atrás apareceu, esbanjando simpatia e bons modos. Ele procurou com os olhos algum dos hóspedes e vendo Kanda sentado parecendo querer comer em paz, um sorriso desdenhoso congelou em seus lábios enquanto ia precisamente a sua direção. Atrás de Willian vinha Mika, pedindo-o atenção para repassar os dados e anotações importantes, segurando seu fiel bloquinho obeso.- Olá meus 550 ienes ambulantes! Quem o infeliz achava que era para interromper sua refeição e ainda usar da intimidade que não tinham? Nem se deu ao trabalho de respondê-lo, voltando à concentração para o soba.- Oe, oe, não seja antipático! – virou uma das cadeiras da mesa e se sentou, cada perna de um lado. Sua personalidade denunciava que Kanda não o suportaria. – Vamos, diga-me, o que um jovem como você faz nessa pacata cidade?- Não lhe importa. As típicas respostas educadas costumavam assustar os desconhecidos, mas este, porém, reagiu armando-se de uma gargalhada aconchegante. Leve, solta e livre, dançava entre as cadeiras vazias. Mika ao fundo juntou as mãos, com bloco e tudo, na região dos seios. Os maiores homens de sua vida conversavam bem em frente! - Claro que importa meu jovem! Sou um empreendedor, preciso ter cartas na manga se quiser me manter influente. Essa cidade não tem nada além de mulheres, bebida e doenças. A única resposta que recebeu dessa vez foi um estreitar de olhos onde um ‘’e eu com isso? Foda-se sua vida, vai se lamentar pra alguém que esteja interessado’’ acenava nas entrelinhas.- Ora vamos, não precisa me olhar com essa cara feia! Hey, Mika- a moça ficou em posição de sentido, ereta e obediente ao ouvir seu nome- poderia nos trazer um café? Obrigado.Kanda fez menção de levantar-se. É, não queria café. Muito menos na companhia daquele sorridente imbecil.- Ei, porque tanta pressa, senhor ‘’membro da ordem negra‘’?- O que foi que disse? Normalmente não teria dado qualquer valor ao comentário. Roise crux era discreta que só.O fato é que o homem não fizera qualquer menção anterior de ter reconhecido o brasão que carregava.- Isso no seu peito, é o emblema da Ordem não é?- o tom cordial mantinha-se a despeito do volume mais baixo — Que veio fazer aqui? Não é o primeiro, sabe? Como deve ter notado, esse é praticamente o único hotel da cidade, mas não me queixo disso, haha. Uma ou duas senhoras soltaram gritinhos abafados quando viram uma lâmina do que provavelmente seria uma espada perto demais do pescoço do respeitável homem de aparência tão afável.- Fale logo o que quer com tudo isso e pare de gastar meu tempo.Métodos de persuasão from Kanda. Geralmente, funcionam.- Gosto de gente que nem você, que sabe o que quer!- teria continuado com o teatro, mas aquela lâmina não seria nada agradável se recebesse um pouco mais que fosse de pressão- vou direto ao ponto então. Sei o que está acontecendo, e acho que sei como ajudar, se tiver uns dois minutinhos para me ouvir.
Tsc.Aquilo era serviço de Finder.Pousou Mugen sob os ombros. A bainha distante.- Se só me fizer perder mais tempo eu te faço em pedacinhos, entendeu?- Perfeitamente, meu caro... Kanda, não é? Resposta pra quê, né? Mugen falava por si, mesmo quando tudo o que fazia era se deixar apertar com força.- Eu não sei ao certo o que causa essas coisas. Se for ver, estou quase que na mesma que vocês. Mas algo eu adianto, todos os que passaram por aqui começaram agir de modo mais esquisito depois que voltaram lá da área de comércio.- Só me fale exatamente aonde ir. Se não souber, pode calar a boca.- Lá na área tem muitos mendigos. Muuuuitos mesmo. De dia eles ficam quietinhos na deles, mas a noite... Ai já era. E uma coisa eu sei, todos eles voltaram já quase amanhecendo, muitos sequer passaram a noite aqui. Até cheguei a ir lá por mim mesmo uma ou duas vezes, mas é perigoso para um homem de posses como eu eei! Você está me ouvindo?Perdido em suas divagações, recebeu um aceno pouco cortez do rabo de cavalo que se afastava.- Já ouvi o que precisava. Mas antes que pudesse finalmente resolver tudo, a porta abriu mais uma vez. E por ela, um cansado exorcista suspirante entrou no recinto reclamando baixinho sobre o japonês não ter consideração alguma consigo e...E viu os sapatos de Kanda na frente dos seus. As pernas conhecidas, acompanhadas da roupa característica da Ordem Negra. Até mesmo os cabelos longos estavam presos no rabo de cavalo casual!- K-kanda...?! Por um momento as palavras lhe faltaram. Mas acabou se esquecendo da leve surpresa, sentindo seu olho esquerdo ativar. O som da agonia tomando forma nos ruídos provocados pelo desenvolver da pequena maldição. O sol mesclava energia nas sombras espalhadas pelo salão quase abandonado, delineando os poucos corpos ali presentes. Viu Kanda em sua frente se virar, compreendendo o sinal involuntário do corpo de Walker.Ao fundo, o Senhor Willian sorria sádico. A cabeça ao contrário convidava os jovens exorcistas a mais uma dança carmesim.- Tsc. Foi só você aparecer...
Notas finais
Kalhens and Hyuuga Konan: E pensar que o que deu mais trabalho foi a porcaria da dança pra qual o titio Willian queria chamar os dois infelizes...
Desgaste mental mandou um beijo depois dessa maldita frase.
Aliás, agradecemos as fofas que mandaram reviews! ♥
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