Tanzaku
1 Prólogo
Notas iniciais
Os olhos da chinesa transmitiam os mais belos e puros sentimentos da exorcista. Com delicadeza pendurou seu pedido na árvore falsa, ajeitando-o. Um sorriso pequeno desenhou-se nos lábios finos, imersa no universo que apenas ela conhecia.
Com passos leves, fora andando para trás sem se virar realmente. A árvore verde parecia ser exata para a sala abandonada, cobrindo o vazio e chamando a atenção para si. Soberana e majestosa carregava consigo presentes abandonados, alguns poucos enfeites e desejos esquecidos.
Ao se virar, colidiu com um tronco masculino, fazendo com que voltasse alguns passos. Vendo quem era voltou a sorrir, feliz em saber que ao menos este estava realmente bem, exibindo seu característico e aconchegante sorriso enquanto coçava a cabeça um pouco encabulado.
– Foi mal, Lenalee. – uma leve coloração rubra apossou-se do jovem Bookman, preenchendo-lhe as bochechas firmes – Eu estava passando por aí, daí te vi aqui e...
A chinesa nada pode fazer além de sorrir.
– Tudo bem, Lavi. Você acabou de voltar daquela missão em Londres, não é? Se precisar de mim para... Pensando bem, será que o exorcista não tem algum desejo que gostaria de realizar? – Mudou de assunto, convidando-o a acreditar nas crenças antigas. A expressão dele oscilava de confuso para desentendido, chegando até a olhar a árvore que antes a morena estava mexendo, mas nada lhe veio em mente. Seria algo que ele não conhecia?
Um bookman não ser capaz de conseguir assimilar uma informação que parecia tão simples... Assim? Árvore, desejo, Lenalee... Natal? Não era época.
– Desculpe Lena... Não entendi o que disse.
A exorcista sorriu e o puxou pela mão, delicadamente, para perto de onde estava antes. A enorme árvore que manifestava tanta segurança e vida.
– É uma lenda japonesa se não me engano, bem antiga. Antes de o Conde transformar o país em... Bem, na sede dele. Se você tiver desejos que gostaria de realizar deve pendurá-los em uma árvore para, após a comemoração, seus pedidos sejam queimados e levados aos céus para serem realizados. – Enquanto ela explicava, o ruivo prestava atenção como um aluno aprendendo a escrever. Lenalee logo pensou que, de certa forma, não era uma informação importante para o futuro Bookman... Viu ele sorrir e assumir uma pose confiante, levantando o dedo na intenção de mostrar sabedoria e a completando fingindo-se convencido.
– A lenda diz que o pai de Orihime a separou de seu marido para que voltassem a trabalhar, já que antes haviam abandonado as obrigações, mas prometeu que a cada sétimo dia do sétimo mês eles poderiam cruzar o universo para se encontrarem. Os japoneses festejam o encontro dos apaixonados todo ano, certo? A sua comemoração me lembrou o Tanzaku e...
A voz mecânica do Supervisor os assustou, usando o Golem negro para se comunicar. Ele parecia desesperado pela companhia da irmã, implorando-lhe um café quentinho para que pudesse enfim, voltar ao árduo sacrifício de ler todos aqueles papéis. Podia-se ouvir também Reever ao fundo, mandando-o deixar a jovem em paz e parar de enrolar de uma vez.
– Incrível Lavi-kun! Vou ter que ir até o nii-san, mas fique a vontade. Você também deve ter sonhos, não é? Pendure-os e boa sorte.
Lavi a acompanhou com os olhos até ter certeza de que ela não voltaria tão cedo, vendo suas costas desaparecerem conforme andava pelos corredores da Ordem. Virou-se, encarando os vários papéis das mais variadas cores.
Realmente... Aquilo não era para ele. Um Bookman não precisa de coração.
Mas ainda era curioso, se tratando da Lenalee. Pela memória bem treinada que tinha, lembrava-se das cores e quais papéis a moça pendurou e cuidadosamente, pôs-se a lê-los, dando algumas voltas na árvore a fim de encontrar o último que recordava.
Era estranho, ele não estava enganado. Foram quatro desejos, no entanto só encontrou três sobre o Komui, saúde para todos, amigos importantes voltarem das missões perigosas... Estaria aquele falando sobre as intimidades da garota? Precisava lê-lo, seu orgulho de Bookman estava em jogo agora.
Mentira. Era apenas uma desculpa para se intrometer mais ainda na vida da garota.
Praticamente amassado, escondido entre os galhos principais cheios de outros pedidos e enfeites perdidos, o último desejo dela se encontrara. Lavi o pegou cheio de si, devaneando sobre seus “poderes adicionais” muito úteis.
Surpresa. Os olhos verdes se arregalaram levemente, entregando-o. No papelzinho humilde, palavras sinceras. Que o Allen-kun se entenda com o Kanda, que eles possam conviver com todas as dificuldades e aprenderem juntos as mais variadas emoções e situações. Que meus amigos sejam amigos uns dos outros. Obrigada.
Pelo que o jovem entendera a idéia não lhe parecia ruim. O problema é que Lenalee não percebeu o quanto... Ousado seu pedido poderia ser. Lavi se permitiu sorrir sacana, pegando um lápis esquecido do bolso de trás apenas para escrever um pequeno kanji de leve, a fim de que ninguém percebesse. Aquele seria seu presente a dupla de nervosinhos.
Amor.
Notas finais
Kalhens here. Tanto a ideia original, quando boa parte da fic em si, foi a Konan quem fez. Eu apenas fui me metendo cada vez mais porque a ideia de uma yullen com ela me animou~ Lembrem-se disso ao postar as reviews, reclamar, criticar, achar erros e tudo o mais~
HyuugaKonan here. Erros é com a Kalhens, foi ela quem betou afinal. ♥ Aliás, ela tá jogando os reviews para cima de mim para ter a desculpa de não respondê-los depois, saibam disso.
Atée ~
Fale com o autor