Tanzaku

8 A Sétima Noite


Notas iniciais
Boa leituuura~

Kanda tinha muitos problemas, sim. Ele era um viciado em soba, não cortava o cabelo inútil, tratava as damas com o mínimo de respeito e só pensava em retalhar.


Mas, um dos seus maiores problemas era outro. Comunicação, sem dúvidas.


Às vezes ele parecia simplesmente não saber como funcionava um diálogo!

Sabe, nem sempre você pode simplesmente soltar um ‘’tsc’’, virar a cara e sair andando com uma espada a tiracolo.

É preciso responder a pessoa.


– FICA LONGE DE MIM, SEU CABELUDO IMUNDO!


– Você acha mesmo que precisamos de você? Posso muito bem cortar seu pescoço e levar só a innocence!


– Kanda, por favor, guarde a Mugen...


– E VOCÊ NÃO SE METE MOYASHI!


– Kanda ela é só uma criança e parece ser a compatível!


– E VOCÊ FIQUE LONGE TAMBÉM, SEU BAIXINHO PASSIVO!


Pelo menos estavam conversando, certo?

Otimismo, otimismo. Claro que Any estava pendurada no bagageiro, depois de tentar saltar pela janela e Allen estava quase tendo que esgrimar com o babaca ali para que ele se acalmasse.

Se bem que...


O sol quente enfeitava a linda tarde com suas nuvens, numa espécie de dança coreografada. Muito bonitinha, por sinal. Bem brilhante e natural.

Tanto quanto a jovem senhora aos prantos, largada no chão, com o óculos embaçado de drama e saudade de algo que nem se foi.

Aquela era Mika. Ao lado, estava nosso exorcista fazendo sua típica expressão confusa e inocente, com pensamentos a mil tentando encontrar uma forma usar seu cavalheirismo para acalmar o coração daquela irmã de coração.

À frente, uma pequena criança sendo segurada por duas pessoas em dois lugares diferentes. Em baixo, pela jovem chorosa. Acima, por um estranho homem de longos cabelos sedosos.

Este, inclusive, parecia raivoso.


– NÃAAAAAAO! POR FAVOOOOR, EU IMPLOOOOROOO...


Isso? Súplicas. Ela havia concordado, há muito custo, que sua menina deveria ser levada para aquele tal de lugar chamado Negro alguma coisa. Disse também para Any se cuidar, enquanto arrumava as humildes trouxas que a mesma carregaria.

Já tinha até chorado antes, a coitada!

Mas nada se comparava ao final real, a decepção e alegria de uma mãe ao ver sua cria aprendendo a voar para longe, para conquistar o imenso mundo... Distante das asas protetoras da eterna coruja.

Exceto que ambas não tinham ligação sanguínea, como fora dito antes.


– Senhorita Mika, tente entender que...


Entender que nada. As pessoas olhavam ao redor curiosas, interesseiras, fofoqueiras. Algumas apontavam o acontecido, outras cochichavam de longe. Na maioria mulheres, claro, com suas risadinhas ácidas e provocantes. Os homens liam seus jornais, indiferentes a idiotice alheia.

Os lamentos duplicaram quando a barra do manto negro de Kanda finalmente sumiu pela porta. Mika faltou agarrar-se no pescoço mais próximo, o que realmente teria feito, não fosse o apito longo e emburrado do trem.


Hora de partir.

Deu ainda um último sorriso acalentado à Mika, que sequer tentava recompor-se.


– Não se preocupe Senhorita Mika. A missão já acabou, ficará tudo bem. Prometo que cuidarei da Any.

Os olhos enormes voltaram para si e ela chegou mesmo a responder-lhe o aceno enquanto o trem avançava.

Bem, não dava pra dizer que não estava tentando.



– Any, aonde você vai?!


Um segundo de flashback e a menina já estava com a porta da cabine escancarada?


– Se tentar me obrigar a ficar aqui nessa cabine, eu grito que vocês estão me sequestrando — nem parecia aquela jovem histérica de segundos atrás, ainda mais com aquele olhar frio e ameaçador — Ordem negra ou não, quero saber quem protegeria vocês, dois pervertidos, gays, tentando roubar uma menina e ainda mantê-la presa sem sair na cabine particular de um trem!


– Se a gente quiser te obrigar a ficar aqui, você vai ficar. E calada.


A frase não teria lá grandes efeitos assim, sozinha.

Mas colocando junto um Kanda não muito feliz, de olhos estreitos e veias prestes a estourar, com uma mão rija agarrada no cabo de uma espada, quem sabe?


– Você devia era me agradecer. Agora pode comer o seu broto de feijão em paz.


A estranha mania de Kanda de encerrar toda e qualquer discussão com ‘’Tsc’’ Any também tinha. Só que era sempre com a porta batendo.

Cada um com sua onomatopéia, todos com o mesmo jeito insuportável!


E ela ainda tinha aquela capacidade de levar consigo toda a dignidade inexistente do lugar. Ah, se ao menos tivesse saído de boca calada, ou falado qualquer outra coisa, Allen já se sentiria no lucro.


Nesse clima delicioso do silêncio constrangedor, Kanda não ajudava em nada.


Óbvio que depois de tanto tempo juntos, não esperava alguma colaboração também. Mas ele poderia ao menos fazer de conta de que algo estava acontecendo.


... O que estava acontecendo, Allen?


Só o pensamento já era deplorável. Por mais que tivesse passado por toda aquela... Situação no hotel, com direito a mão boba na coxa, fora apenas aquela vez.

Aquilo era irritante. Kanda tinha esse dom, sabe?

De ser irritante, mesmo sem fazer nada. Correção, por nunca fazer nada.


– Porque essa cara horrível, Kanda? Não que você possa fazer muito, mas eu não preciso ficar a viagem inteira vendo isso.


A não ser que começassem por ele.


– É só sair do vagão.


– EU tenho que sair porque VOCÊ é insuportável? – Bufava, cruzando os braços. Ele estava ficando frustrado e parecia não ser o único ali.


– “Os incomodados que se mudem.”


– Ah, claro. Tinha que citar uma frase idiota dessas. – Sim, Allen estranhou. Desde quando Kanda citava frases feitas como esta?


– Moyashi, Cala a boca. Não me importa se está incomodado com essa porra desse silêncio, só CALA essa BOCA.


Ah.

Incômodo, sei.


– Só acho que deveríamos conversar sobre isso! Mas parece que é impossí-


E mais uma vez, aconteceu muito rápido. Allen começou assunto rápido demais, Kanda se irritou com muita rapidez e agora, ele o puxava pela nuca com igual velocidade.

Isso tinha nome.

E não era “romance.”


Allen interrompeu a ação, dando um soco no estofado da cabine. A milímetros do rosto do moreno, da boca, da respiração tensa...


– Kanda, é sério.


...


– Tsc.


Sentiu um alívio na nuca, até ver a mão do espadachim escorregar para a coxa do mesmo. Punho fechado.


Ele estava se segurando. Era um sinal de alerta.

Não dizia nada sobre “Ele vai te atacar, estraçalhar e espalhar os pedacinhos por todo o trem” e sim, “está se controlando.”


E isso sim, era muito mais estranho que a pressa de antes.

Até contraditório...

Suspirou.


Estavam confusos, né? Fato.

Impressionante como o brutamontes do BaKanda tinha, as vezes, essa capacidade de mostrar resquícios de ser um humano qualquer, dentro dos padrões da normalidade. Isso só ajudava a piorar as coisas... Para Allen.


– Olha, eu sei que isso vai soar estranho e muito, mas muito do homossexual, ma-

Interrompido.


Denovo.


E dessa vez, não teve reflexo rápido o suficiente para interromper a interrupção.


Como consequência, um beijo apressado se sucedeu. Para confusão e desespero do albino.


Preocupação inexistente, vontade incontrolável e “foda-se” ligado. As vezes, Allen se sentia influenciado pelo temperamento explosivo de Kanda, outras ele tinha certeza.


Naquele momento, ele não se importou de simplesmente não saber o que acontecia, com quem acontecia e quando acontecia.


Apenas deixou-se levar, sentindo as sensações que, ousava dizer, só Kanda conseguia despertar de uns tempos para cá.

E assim foram, rápidos, em direção a Ordem Negra.


Eles não parariam dessa vez. Nem se Any aparecesse com um pirulito enorme na boca pedindo dinheiro para pagar.


Notas finais
"VAI LER TANZAKU! e_e"
"... Porque os dois se beijaram naquele dia mesmo, da mão boba? *não lembra mais nem a ordem das coisas*"
"Porque eu quis. /aham "
"CARALHO, EU RI AGORA //apanha. Pensei ''deve ter sido isso mesmo xD''"
"... Vamos postar assim mesmo? *Olhar distante*"
"ok, ok. Ficou lindo e.... EU IA TE FALAR ISSO"
HyuugaKonan está com EunHae na cabeça e Kalhens, Junjou Romantica.
E foi bem por aí que esse capítulo saiu.
Cuidado, está aloprado.
De qualquer forma, agora a fic engata AEAEAEAEE ... Mentira, não sabemos o que fazer. Sugestões? '-'
Konan se recusa a colocar as notas de Kalhens dessa vez por justificativas óbvias e /corre