Notas iniciais
BOA LEITUUUURA AEAEAEAEAE o/!

A cabeça latejou, marcando o início de um incômodo enjoo. Levou a mão às têmporas, enquanto usava a outra para se apoiar a fim de levantar-se.

Estava... Complicado sentar sem ajuda.

Foi se arrastando vagaroso, tentando achar uma posição que melhor chegasse perto do termo “tronco ereto” sem parecer um inválido qualquer. A situação o irritava, mas tentava respirar fundo e se controlar.

Não porque queria, era mais por não conseguir regular as contrações rápidas dos pulmões mesmo. Ou o suor frio que descia pela testa franzida.

E então, aconteceu.

Um bolo quente e perigoso subiu pelas suas entranhas, ameaçando explodir em uma patética poça de algo muito nojento e repugnante bem a sua frente. Por puro instinto ergueu as pernas, reparando em segundos quão difícil estava sendo se sustentar, mas acabou conseguindo correr mesmo, alucinado, em direção a porta do banheiro.

Ao banheiro.

Especificadamente, para deixar nítida a preferência, ao vaso sanitário.

A parte inferior do vaso, na qual vomitou de uma única vez.

Tudo o que comeu. O que não significava muito, mas ainda sim, parecia ter conseguido arranjar mais conteúdo para seu desprezado ato de por para fora suas energias.

Passou as costas da mão pela boca fechada, envolvido no cheiro podre com cara de quem iria cuspir o intestino grosso a qualquer momento. Levantou a cabeça, balançando os imensos fios azuis... Sujos.

Merda.

Maldito Moyashi que o engravidara.



– MAS QUE PORR... – Acordou assustado, pondo a mão no coração pulsante. Quase acreditara no absurdo que seus olhos diziam no sonho, na realidade dos fatos... Realidade, realidade em um homem grávido!



E, aliás, isso deixaria explícito seu papel de passivo.

Até parece que aquele botão estúpido iria domá-lo assim, na maior casualidade dos tempos, pondo-o de quatro e enfiando tudo no se-

– Kanda! – E então, entra uma Lenalee Lee com olhos marejados no quarto do exorcista em crise existencial, segurando as mãos em frente ao busto com expressão de culpa e martírio. – A Anny... A Anny fugiu.

–... Hã? – Foi a melhor reação que teve, tirando o franzir da testa numa junção de “foda-se” com “ela estava tentando fugir?” e resquícios de um “foda-se, que morra na floresta” convincente.

E Lenalee desatou a falar, sentindo-se extremamente triste por ter se descuidado, de como fora o plano da mocinha sapeca que desatara a correr quando a chinesa voltava à sede para pegar dois bastões de madeira para continuarem o treino. Ainda disse que pediu a Allen que ajudasse a procurá-la, mas o albino apenas riu, garantindo que não havia necessidade para tanta preocupação.

Um ‘’não vou te ajudar a procurar aquele capeta em forma de gente’’ bem sutil e educado.

O que era muito curioso, aliás, é ver Lenalee pensar que logo KANDA iria mover um dedo para catar a pirralha por aí.

–... Lembrei que você adora aquela floresta e pensei que talvez pudesse, por favor, me ajudar a...

– Não.

– Mas, Kanda!

O espadachim levantou, procurando uma blusa para vestir. A chinesa não se importou, familiarizada com o corpo do outro pelos anos de convivência, missões, treinos e traumas, indo atrás dele conforme o mesmo andava para fora do próprio quarto.

Como sempre, odiosamente, Lenalee falava demais.



– Olha, Kanda, eu sei que isso não tem a ver com você, que a responsabilidade foi minha... — e note-se o glorioso autocontrole do sempre másculo e gentil exorcista em se refrear a simplesmente concordar com tudo e manda-la embora — Mas eu estou preocupada! Ela é só uma criança e já veio para a Guerra Santa...



A voz baixou de tom, como que sufocado por lágrimas que se arriscavam a rolar pelo rosto já contraído de dor e angústia.

– Nós também éramos crianças, Kanda... Você sabe como é... Não poder contar com ninguém... Ela também é uma exorcista, assim como eu era... Eu só... Só...

Dramalhão besta e lacrimejante logo depois de um sonho imbecil daqueles, ninguém merece.

Soltou um sonzinho característico no canto da boca.

– Me arranja um prendedor.

– Hã?

Mudança de assunto, oi.

– Você não vai ficar quieta até que ache essa porcaria de garota. Então vamos logo.

Lenalee até deixou um sorriso escapar, ao invés da bronca que aquele abusado merecia.

Ao menos, conseguira.

E Kanda nem se questionou porque diabos a própria chinesa não poderia procurar Anny, uma vez que é tão acostumada à floresta quanto ele mesmo. Afinal, eles cresceram ali. Que área da Ordem Lenalee não conhecia completamente?



Não é que não quisesse ajudar a Lenalee.



Na verdade, realmente ficara preocupado ao vê-la naquele estado, tão preocupada!

Quase chegou mesmo a ir diretamente a sua direção, com uma jura de auxilio bem estendida.

Se ela não tivesse logo de cara deixado claro o motivo de tal estado...

– Vamos, Allen, a gente tem que achar a coitada antes que se perca de vez!

Suspirou, enquanto seguia as costas de Lavi, aquelas ali, se enfiando por entre as árvores com um ânimo devastador e irritante.

Não é que não quisesse ajudar a Lenalee, sabe.

Não queria mesmo era ajudar a Anny.

Pronto.

– Lavi, eu já disse que não precisa de tudo isso... Eu conheço a Anny. Se duvidar, ela já achou o caminho de volta pra Ordem e está lá rindo da gente...

– Credo, não conhecia esse seu lado! Quantas partes negras tem ai dentro, huh? Vai mesmo largar uma criança que chegou aqui não tem nem uma semana nessa floresta que só o Yuu entra?! Sempre pensei que você fosse um cara mais legal! — E voltou-se pra frente, as mãos ao lado da boca, numa tentativa meio vã de amplificar seus gritos.

O nome da pobre garota perdida ecoava pela floresta, repetidamente, enquanto Allen se forçava a, ao menos, dar uma olhada pros lados, só para que não dissessem que nem estava se esforçando.

A verdade é que se sentia exausto.

Não uma exaustão física. Até porque, finalmente havia voltado daquela vergonhosa missão, que lhe trouxera tantas... Recordações.

Era mais mental mesmo.

O esforço de se evitar pensar em... Tudo.

Anny.

Kanda.

Em Anny e Kanda.

No que Anny dissera sobre Kanda.

No que fizera Kanda para que Anny dissesse aquelas coisas.

E, o pior, no que acontecera entre ele próprio e Kanda antes que Anny os visse e...

Ah, droga.

Viu?

Agora, multiplique isso. Infinitamente, num looping maldito que só fazia reproduzir-se assim que sua mente estava um pouco menos alerta...

– Allen, que cor que é o cabelo dela mesmo? Acho que vi alguma coisa meio castanha se mexendo pra lá...

... Como agora.

– Eram loiros Lavi... — E mesmo assim continuava, como sempre, andando — Eu realmente não acho que faríamos mal em voltar para a Ordem... Mais um pouco e nós mesmos acabaremos perdidos.

– Bem, você é mesmo capaz de algo assim — E riu um pouco... Demais.

Sobrancelhas alvas se aproximaram pensativas.

Talvez, estivesse ficando paranoico, o que era bem capaz, mas tudo ali parecia... Forçado.

Oras Allen, deixa de ser ridículo! É só por conta daquela... Garota, que você está se deixando pensar assim!

Porque ela, com aquela boca enorme e irrefreável, aquele jeito insuportável de ficar deturpando tudo e...


Porcaria...



De novo.



Espera um pouco.



Tinha alguma coisa que não encaixava muito bem.

Podia ser apenas suposição sua, mas a impressão que teve era que Lenalee não estava conseguindo se afastar dele enquanto procuravam e, por isso, sugeriu que cada um fosse para uma direção.

Até porque, ela CONHECE a floresta. E Kanda conhece Lenalee.

Cenas da procura se passaram pela cabeça e, na maioria delas, a garota se aproveitava das árvores e sombras para tentar... Fugir?

Com que tipo de propósito?

Todos sabem que Kanda treinava ali. Ele nunca se perderia, se essa fosse a ideia.

–... Kanda?

– Moyashi? – Se virou. Allen suado, arranhado por galhos e com folhas de árvores no cabelo desorganizado surgiu, repentinamente, ao seu lado. Não podia dizer que não tinha surpreendido um pouco essa coisa toda.

– O que você faz aqui? – É. Ele parece surpreso também.

– Anny.

– Também?


Oh.


Notas finais
VOLTAMOS! O/
Na verdade, não. Nossa vida está ainda mais cheia haha
Mas alguém ainda lê algo aqui? XD
Percebam, quase nove meses sem atualizar. É praticamente o marco do nascimento do filho do Kanda e-
Desculpem-nos. D:
E não, não seguimos o fluxo do capítulo anterior. Sim, foi para deixarmos todas curiosas :3 Ou simplesmente não sabíamos como continuar...
Enfim. Reviews? Konan/Amarulla promete cenas melhores! o/
Obrigada à todos que leram~
Beijo.
Kalhens quem betou e dividiu o capítulo. Reclamações com ela ♥
Espero que gostem. :3

Kalhens aqui.
A Konan me traiu D: Eu estava de boas no cinema, quando ela me vem mandando mensagem falando que está com tanzaku. Me sinto uma corna u.u
Mas enfim, como eu adoro ler os capítulos, nem reclamo ♥
Obrigada pela leitura o/