Tanzaku
10 A Nona Noite
Notas iniciais
– O que você faz aqui? – É. Ele parece surpreso também.
– Anny.
– Também?
Oh.
Tudo fez sentido. Para ambos.
De forma estranha e indiscutível, trocaram um olhar de compreensão e intensidade. Perceberam a armação, ou acaso surreal, mas a dúvida restante é: porque fizeram isso?
– Lenalee me convenceu e Lavi veio comigo. Ele sugeriu que nos separássemos para procurá-la... E agora, está ficando tarde, acabei ficando perdido e você se materializou na minha frente.
– Tsc.
O que Kanda jamais falaria para Allen é que Lenalee sentiu a nova atmosfera entre eles ao retornarem. Provavelmente, o plano veio dela. E Lavi apoiou a fim de ficar só com a jovem enquanto Anny estaria distraída na cozinha comendo bolos bem desenhados.
– M-mas Kanda, me diga uma coisa. Essa sua mania de andar sem camisa te persegue ATÉ numa floresta selvagem?
Ah, ótimo.
– Isso não é da sua conta.
Se ele dissesse que foi uma aposta que fizera com Lavi, a essa altura do campeonato, seria bem idiota. O coelho o irritou o suficiente para tal, mas é bom manter a dignidade de vez em quando.
E que aquele anão não tirava os olhos da sua tatuagem.
– Kanda... – Então, sua mão aproximou demonstrando preocupação sincera, vindo em direção ao corpo do espadachim. Ao dorso dele, as marcas negras que o corroíam. Em um momento de fraqueza, o lado humano de Allen que Kanda não tinha acesso, sofreu por ele.
Nos olhos claros, branda tristeza repentina.
E em um reflexo rápido de irritação, pegou o pulso do feijão antes que ele o tocasse de fato, torcendo-o o braço e pressionando contra uma arvore. Rápido, certeiro e másculo.
Másculo o suficiente para ter ódio de pena.
– Não me toque Moyashi.
De baixo, o albino viu a expressão distorcida. Repentino? Jamais.
E ainda exigia que não o tocasse, embora esteja forçando os corpos a se manterem colados. Allen estava sendo pressionado, a culpa não era dele.
– Por quê? Tem medo do que meu toque faz com você?
É. Numa situação de tensão, o melhor é lidar com tudo brincando. Ou provocando, nesse caso. Muito bom mesmo, ainda mais se tratando do espadachim.
Esse anão não podia ter tido ideia melhor.
E Kanda só o encarou, o sufocando ainda mais. Aproximou-se vagaroso do rosto dele, sóbrio. Ainda meio sério de mais, chegou perto orelha. Perto demais...
E Allen chegou a pensar que aquele animal seria muito bem capaz de arrancá-la com os dentes.
– Não. Você quem devia ter medo do que EU posso fazer contigo, Moyashi estúpido. – Oh. Voz arrastada, proximidade e sussurro. Arrepiou, mordendo o lábio.
Droga. Isso é o que acontece quando você tenta esquecer um assunto.
O assunto te persegue.
Foi exatamente assim que sentiu os lábios do espadachim encostados ao ouvido, respirando lascivo. Tremeu, sentindo um calor atípico o envolvendo rápido. Não sabia se Kanda havia percebido, mas ele foi descendo os lábios pelo pescoço arrepiado, decidido a brincar.
Então, uma mordida fraca despertou Allen do transe. Arregalou os olhos, percebendo a besteira que estava deixando acontecer. E, do nada, socou Kanda.
Tentou afastá-lo, empurrá-lo, fazer com que desse dois míseros passos para trás. Precisava respirar, respirar alto. Contar até dez, conversar com Mana. Sei lá, qualquer coisa, menos esse calor perigoso que estava o perturbando.
Kanda, nem ao menos mexeu um centímetro. Até que decidiu segurar os braços de Allen, dessa vez os dois, atrás do corpo deste, imobilizando-o. E com a outra mão, ergueu o rosto dele, controlador.
– Fraco.
Beijou-o. Intenso, surpreendente, apaixonado. Insaciável.
Allen, diante da ânsia que enfrentou, só conseguiu envolver-se ainda mais nesse calor lascivo. Soltou-se a força, levando as mãos loucas para o cabelo do espadachim, afundando os dedos no cabelo longo. Puxando para si, bagunçando. Envolveu-o, lamurioso, com vontade e pressão.
Como resposta, Kanda apertou os dedos nas suas nádegas fofas, fazendo com que gemesse levemente no meio do beijo. Sentiu-se mais pressionado, mais... Desejado.
E só queria se entregar a isso.
Tanto que, num ato impensado, rodeou a cintura dele com suas pernas.
Exposto e provocador,
Amado e amante.
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