Notas iniciais
Boa leituura~!

Quando se está apaixonado por alguém cenas de ciúmes acabam preenchendo sua mente, mesmo em momentos íntimos do casal, como beijos e afagos. Aliás, cenas de ciúmes golpeiam até quando ainda não se é um casal, mas um dos lados sente mais do que reles afeição pelo outro.


Normal, normal.


Então isso explica porque Allen Walker lembrara-se novamente do beijo cálido que Mika trocara com Kanda enquanto esse último está, literalmente, por cima de si roubando-lhe mais do que apenas um beijo cálido?


O exorcista abriu os olhos por reflexo. Em sua mente insana ou o que sobrara de consciente nela, fleches do maldito acontecimento batiam e batiam nas paredes do seu eu. Sorte dele que nada conseguia se desenvolver a ponto de virar foco enquanto sentia a boca do moreno em seu pescoço, provocante, fazendo-o ofegar.

Ofegante e enciumado...


Aquele era o Allen mesmo?

Agarrou-se aos fios longos, sentindo quão bons eram. Por impulso, puxou-os para si, obrigando proximidade. Pelos lábios secos e ansiosos, aliás, pelo próximo beijo, sairia um pequeno gemido de entrega.


Kanda adoraria tê-lo ouvido. Poderia tirar sarro do jovem depois.

Mas não ouviu. Porque não aconteceu.


Batidas rudes na porta de madeira interromperam o momento. Allen prendera a respiração, levemente vermelho, levando um balde de sanidade no rosto enquanto Kanda, ah Kanda, desviara sua cabeça em direção a possuidora de tamanha ousadia com um quase rugido.


Aquela pirralha queria mesmo morrer.


Pior que ela não esperou. Anunciou sua entrada e a fez sem respeito algum, entrando pela porta nem tão fechada assim.


–... Oh... Fantástico.


Supõe-se que você tenha formado sua família. Sendo mulher, perdoem-me os homens, casou-se com um maravilhoso homem e teve uma linda filhinha. E então, em um dia qualquer, seu marido te ataca. Sim, sim, ataca! Com beijos e carícias, claro, encima da grande e macia cama de casal que compartilham.

Você se envolve e até gosta, começando a relaxar, entrando na situação. E então, a amada filha abre a porta do quarto sem mais nem menos reclamando que não conseguia dormir.


Pois é. Allen sem querer imaginou algo assim, tirando que a filha dele não falaria “fantástico” que nem uma maníaca cheia de sarcasmo.

Então, estupefato, empurrou e chutou o pobre coitado que nada tinha ligação com sua imaginação cômica, derrubando-o no chão. Lembrando que não tinham uma cama de casal.


Lembrando, ALIÁS, que NÃO eram um casal!


– ... Any, v-veja bem... – tentou até se aproximar da jovem, querendo persuadi-la com as táticas do seu mestre mulherengo, mas ela lhe lançou um olhar de descaso. Clássico “fica longe, lixo.” Allen conhecia esse tipo mesquinho de olhar.


– Olha, eu não quero saber de vocês dois. Só vim agradecer por que Mika pediu, então Gay-Kanda, obrigada. Muuito obrigada. Principalmente pela cena digna de quebrar o coração da mana em pedaços miúdos! – Olhando o exorcista largado no chão, inclinou-se em uma reverência.


Estranhamente, Allen sentia que eles se entediam. Eram duas crianças birrentas.


Acabou por olhar para seu infeliz companheiro de missão, se dando conta enfim de que o jogara no chão segundos antes. Kanda parecia não ter nem processado esse detalhe, ainda encarando a pequena Any com fúria. Emanava uma áurea negra e misteriosa, oscilando entre demonstrar sua vontade assassina e parecer frio o suficiente para arrancar-lhe os imensos olhos castanhos com um fio de cabelo.


– Quê?- exclamou, quase com desafio — Foi mal, então! Não queria ter atrapalhado você no momento único de morder o pescoço do albino fresco tá!


– COMO?! – Com um suspiro, sentou-se derrotado. Até discutiria se tivesse sido Kanda que falara isso, mas ah, foi a garotinha... Ahh... Não sabia se deprimia por tal ou sorria conformado com esse tipo de pensamento.


A sorte nunca sorriria pra si, é assim mesmo?

É, é exatamente assim.


– Geeente, tá ficando todo vermelho. – Allen levou as mãos ao rosto antes que pudesse refrear-se — Devo ter interrompido algo realmente importante, hum. Vou deixá-los sozinhos de novo.


E, tão absurdo quanto sua entrada, foi sua saída, dando as costas como se aquela tivesse sido a conversa mais corriqueira do mundo, fechando a porta atrás de si com um estrondo de pouco caso.

Allen ainda se recuperava, os argumentos entalados na garganta, quando ele e Kanda levantaram quase que sincronizados.


Nem que soasse um alarme na Ordem a prontidão teria sido igual quanto à voz infantil que subia aguda e potente pelas escadas.


– Mana Miiiiika, adivinha só o que o seu moreno gostoso e o baixinho estavam fazendo!


Dessa vez a parede sofreu junto quando a maçaneta bateu com força contra si, no desespero dos dois em estripar e silenciar pra sempre aquela infeliz e...

Certo, exorcistas. Salvar a humanidade. Akumas maus, humanos bons.


– Pensa no baixinho só de toalha, acho que eu vi até o...


ANY MÁ, ANY MUITO MÁ!


Allen chegou primeiro, as mãos fechando-se ao redor da boca da garota, que tentou morder-lhe.

Kanda veio atrás, a Mugen parecendo ter sido conjurada em suas mãos.


– O-olá, Mika-san!... Lindo dia, não?


Lindo dia.

Lindo dia.

LINDO DIA?!

Por favor, era discípulo de Cross Marian e aquela tinha sido sua melhor frase?


E como reação a sua ridícula tentativa de conversa, a jovem fizera algo surpreendente.

Estava certo que seu comprimento não fora dos melhores, mas isso não justificava que Mika lhe desse as costas assim, com tanta grosseria!


Sentir-se-ia até mesmo ofendido com o gesto tão descortês, se Any não tivesse lhe dado uma cotovelada no estômago tentando se soltar.


Ah, ainda estava apertando a boca de uma pobre criança. Coisa feia.


– Ah, descul...


– Escuta aqui, branquelo, seu morenão pode até gostar, mas eu não estou a fim de ficar com um tarado só de toalha me agarrando por trás! –... Ih.


Não sabia com o que ficava mais chocado: com a crueza daquela declaração ou com o fato de realmente ter se prestado ao papel de sair por aí assim, só de toalha, de encontro a uma dama!


– Mika-san, perdoe-me! Por favor, com licença! — estava a meio caminho de uma reverência, quando resolveu que talvez não fosse a coisa mais sensata a fazer. O que menos queria no momento era que a bendita toalha caísse de vez.


Foi subindo rapidamente as escadas, sentindo-se no pleno direito de ignorar os olhares que obviamente lhe perfuravam a pele como estacas em uma crucificação.

Sequer se deu ao trabalho de prestar atenção no ‘’então você gosta de um baixinho, gay-Kanda? Isso não é pedofilia não?’’, ocupando-se em fechar-se no banheiro.


Seu orgulho como cavalheiro ganhara mais uma rachadura, afinal. Ou uma trinca, daquelas nem tão fortes assim, mas que enfeitavam o vidro com um arranhão deslocado.

Que... Patético?

Mas isso, no momento, não foi o mais alarmante. Como exorcista já passou pela morte várias vezes e aprendeu com isso a lidar seu lado mortal.

Vergonha era apenas mais uma característica humana. Vergonha de perder, por exemplo, aprende-se lutando.


Mas... Vergonha de mudar?


Passou os dedos pelo pescoço, deixando-os subirem para os lábios, arrepiando-se. Os beijos vieram à mente, fortes como chupões levados. Ouvira em algum lugar que a verdade sempre incomoda mais do que a mentira.


Só não... Tinha mais tanta certeza de suas verdades.


Sabia que não sabia definir o que eles fizeram e o motivo real disso. O homem que desenvolvera um relacionamento explosivo e ruidoso, o infeliz que o fez muitas vezes descer dos padrões de bons costumes apenas para alfinetá-lo.

Kanda.

Certo... Soava até estranho pensar assim. Fazendo uma retrospectiva mental, eles sempre brigaram. Até mesmo lembrou-se de pensamentos antigos no início da missão, reclamando por ter vindo com ele.

Com um sorriso mínimo de conforto, Allen percebera que agora sim entrava em terras conhecidas.

E tendo a certeza de que estava firme, poderia seguir.

Pena que a parte chata desse “seguir” incluía vestir as roupas e pedir desculpas decentes, mas fazer o quê.


Quase pode pressentir a Mugen sendo desembainhada.


Ok, ok. Nada de mudar.

Kanda estava praticamente arrancando a cabeça de Any com Mika atrás de si, indecisa entre sentir os músculos dele ou tentar de fato empurrá-lo para longe dela.

Ao menos, estava de mão nuas, certo? Certo.

Desespero, exagero e innocence.


Bem vindo de volta, Walker.


– KANDA! – Não que Allen não quisesse ver a cabeça de Any numa bandeja, longe disso, mas e se ela fosse compatível?! Podia ver Komui forçá-lo a danificar sua innocence apenas para torturá-lo vagarosamente na hora do reparo...


Imagine as consequências que tal desperdício traria para a guerra santa, Allen. Guerra santa!


Empurrando o demônio-Kanda para longe do pescoço da menina, apaziguou a situação aos poucos. Após algumas boas golfadas de ar, suspiros e comentários da parte dos três, foi a vez do albino tomar posição naquela... Conversa.


– Desculpe! Não foi minha intenção causar desconforto as senhoritas, Any, Mika. – Insira reverência aqui. E silêncio, também.


Any riu, Mika ficou vermelhinha. E Kanda...


– Moyashi estúpido.

– É Allen, BaKanda! – Ergueu-se conseguindo conter um sorriso de alívio. Ao menos, a situação já estava sobre controle.

– Quem vê assim nem imagina o que vocês fazem...


Ou talvez fosse só impressão.


– Como? – Mika, inocente, piscou seus olhos.


Yare, yare.


– Hohoho! É verdade mana, não te contei a cena do ano...

– DEIXANDO ISSO DE LADO... Any, precisamos conversar. – Uma tosse falsa, uma forçada na voz, a saída de mestre. Era o jeito que Allen deu para disfarçar, ou fugir mesmo, do assunto.


Era mestre em sair de situações desfavoráveis a si. Trapaças, blefes e algumas mentiras faziam parte da sua especialidade. Anos de Poker.


Mas... Afinal, fazia tempo que não lhe passavam a mão tão fácil assim.



Notas finais
HyuugaKonan. Altos dramas nessa fic.
Estamos ainda mais ocupadas, ainda mais esquecidas e ainda mais... Enfim.
Provas, afazeres, preguiça, tédio etc etc etc. Só que dessa vez, chegamos ao extremo de pensar que Kalhens fosse sair da fic. Eu ia postar o capítulo antes e preparar uma despedida e tal, mas... Não deu. Não consigo continuar essa história sem ela, saibam disso. Prefiro demorar meses esperando achar uma brecha nas nossas rotinas.
Espero que gostem~! Está meio interrompido por culpa da nossa lerdeza, mas dá para aguentar :3
Acho, cof.
Kalhens here. Nem avisei pra Konan, mas enfim.
Vocês quaaase se livraram de mim. Mas a Konan não deixa~.
Essa Via de Mão Única da Estupidez, que me faz largar provas pra dar uma última lida no capítulo. Que não me permite me matar em paz, sempre com um motivo em mãos que me faça continuar.
Espero que gostem desse capítulo enrolado //apanha