Tan Enamorados - Betty e Armando Mendoza
66 Capítulo O nascimento de Camila
Notas iniciais
No outro dia, Betty acorda com cólicas que vão e voltam, além da sensação de ter “comido um cabo de guarda-chuva” na boca. Mas não quer preocupar Armando.
—Que há contigo? Está querendo carinho?
—Não, não. (a abraça e beija seu cabelo)
—Me diz, então.... (beija sua mão, apoiando suas costas em seu corpo.)
—Armando, estou começando a ter umas contrações.
—Betty, será que está na hora?
—Não, Armando.
—Como pode saber? Que eu saiba sua formação é em Economia e Finanças!
—Porque estudei, conversei com a doutora e sou uma Pinzón. Acompanhei o nascimento de algumas primas e somos assim.
Armando já pega o telefone para ligar para a obstetra de Betty.
—Armando!
—Vamos na doutora agora!
—Armando, fomos ontem, fomos ontem! E está normal.
—Betty, estou preocupado. Tem certeza que quer esperar para ter normal? Será que você vai aguentar? Olha, posso alugar um quarto, onde ficaremos hospedados nós dois e logo nós três. Receber visitas e tudo. E Camila poderá nascer no dia programado, com toda segurança.
—Armando, a Dra. Recomendou parto normal, está encaixada. E todos os filhos das Pinzón e das Solano nasceram de parto normal. Eu vou aguentar e vou ser forte o suficiente parar parir o fruto de nosso amor: nossa Camila.
—É que é arriscado, Betty... Eu não vou saber o que fazer!
—Quem vai fazer sou eu! -ela alisa seu rosto -Acalme-se!
—Só me acalmo se formos à doutora hoje e ver se está tudo normal e se preciso nos internarmos hoje mesmo!
—Está bem. Vai ficar mais calmo assim?
—Sim.
—Alô, doutora?
A dra. diz a Armando que durante estes dias, Betty vai ter esta azia, cólicas que vão e voltam, vai se sentir um pouco tonta, mas que são normais neste período. E que convém ficar em casa, de repouso. Armando insiste em perguntar se Betty não pode ser internada por precaução.
—Olha, poder, ela pode. Mas não creio que com 38-39 emanas como ela está, faz-se necessário que passe por uma cesárea desnecessariamente. A filha de vocês está bem encaixada e seguindo o histórico da família, caso não tenha algum contratempo pode naturalmente submeter-se ao parto normal.
—Mas doutora...
—Armando está com muito medo. -explicou Betty
—É natural. O primeiro filho de vocês!
—Estou muito nervosa. Doutora. Estas duas são tudo que tenho na minha vida de mais precioso! -declarou Armando
—Betty! Cabe a você decidir se quer ser internada preventivamente ou não.
Betty conversa com Armando e eles decidem ficar em casa, em troca, ela promete que qualquer coisa que sentir, comunicará a ele. E que ficará deitada, de perna levantada para não inchar, e não em pé, de forma alguma.
—Está bem!
—Entenda....
—Eu entendo. Sei que é por amor. Armando!
Apesar de aceitar continuar em casa, Armando praticamente amarra Betty na cama, sendo apoiado por Júlia, Hermes, Margarida e Nicolás. Já sua cunhada Camila e as do quartel sabem que Armando é exagerado.
—Ai, minha filha, mas é que você está com descolamento, por isso a preocupação dele.
—Sim, mãe! Eu sei, senão, eu faria é com Dona Luzia, a parteira do bairro.
—Mas nunca que ele iria deixar que sua filha nascesse assim! -riu-se Nicolás
—É acho que não!
—Também não quero desagradá-lo! Camila é a união de dois mundos. Rs. Ela mexeu! Acho que concorda!
—Minha filha, Armandito é um marido de ouro! Faz isto porque quer cuidar de você, se preocupa. Como pode reclamar? Não é o que sonhava?
—Sim, mamá! ele é muito mais do que eu sonhava!
—Do que falam? -Armando chega no quarto
—Estou falando aqui com minha mãe o sonho de marido e pai que você é! -beijo
—Eu que sou privilegiado, Dona Júlia de ter me casado com um anjo!
—Mas quanta babação! -riu-se Nicolás
—_______________
Betty segue as recomendações de sua médica e também de Armando.
Betty conversava com sua mãe ao telefone:
—Então, mamá! Ontem Camila se mexeu bastante, anteontem também! Já desde hoje de manhã não sinto nada!
—Então, mihija! Pode se preparar! Até amanhã nasce! Com você foi o mesmo!
—Ai, mamá! Vou ficar atenta!
—Está tudo separado?
—Sim, desde o sexto mês!
Betty deita ao lado de Armando, mas não dorme, apenas cochila, pois se preocupa. Armando, ao seu lado, dorme tranquilamente, apoiando suas costas, com um braço debaixo da cabeça (dela) e outro na barriga. Betty começa a sentir algumas contrações permanentes, vai até o banheiro fazer xixi e vê que saiu o tampão. Logo, prepara um banho de banheira, como sua médica recomendou para preparar o trabalho de parto. Armando tateia a cama e percebe que sua esposa não dorme a seu lado. Logo, mesmo sonolento vai atrás dela. No banheiro da suíte. Armando a encontra relaxando, fazendo exercícios de respiração, dentro da banheira.
—Por que não me chamou? Não pode ficar sozinha! Pode ter tontura!
—Dormia tão gostoso!
—O que combinamos? Estou aqui para cuidar de vocês. Tem que me acordar! Agora vamos! Isto é hora de tomar banho? -Armando pega o roupão para envolver sua Betty
—Vou ficar mais um pouco, é bom.
—E se pega um golpe de ar e fica resfriada? Não, mocinha!
—Estou bem! Mas quando sente as contrações, é recomendável tomar banhos mornos para preparar para o parto.
—O quê? Já está com contrações? Temos que ir para o hospital! Com quantas semanas está?
—Com 40 daqui a dois dias!
—Como sabe estas coisas de cabeça?
Isto é fácil!
Armando senta-se na cadeira à beira da banheira, mesmo com sono, pois não quer deixá-la sozinha.
—Armando, está com sono! Vai deitar.
—De forma alguma! Enquanto estiver aqui, fico contigo! Vai que sente algo...
—Estou só com as primeiras contrações! Se apertar, vamos ao hospital!
—Betty!
—Está bem. Podemos ir para o quarto.
—Precisamos continuar fazendo os exercícios respiratórios. Encoste em mim, para te apoiar!
—Armando, sabe que está chegando a hora. E tudo o que conversamos estes meses temos que colocar em prática: ficar calmo, não gritar com os enfermeiros!
—Enfermeiros?
—Armando!
—Está bem! Não tem como eles pensarem em outras coisas nesta situação, ou tem?
Armando!
—Estou brincando. Vou tentar ficar calmo! Tenho certeza que vão fazer tudo certo. Mas você está bem?
—Sim, estou. Tão logo, estejamos a caminho do hospital, você liga para meus pais e as do quartel, prometi que iam na maternidade!
—Está bem!
Mesmo tentando fingir calma, Armando está tremendo de nervoso.
—Ai ai!
—Betty! Vamos para o hospital!
—Liga para a doutora! Sim?
—Alô, doutora! Boa noite! Minha filha está para nascer! Está com contrações! Tampão? Que tampão?
—Sim, fala que saiu!
—Sim, saiu! É sério? O quê? Mas como não me preocupar? Só se a bolsa estourar! Falar é fácil!
—Armando!
—Sim, estou calmo! A bolsa? Aquela água, não é? Não, não saiu! Ela tomou um banho quente de banheira e está aqui fazendo os exercícios. De quanto tempo as contrações? Ah...
—de 15 em 15 mais ou menos!
—Está bem, doutora! Nos vemos!
—A dra. disse para continuar os exercícios! E contar o tempo das contrações! Mas disse que daqui a duas horas estará lá na maternidade! Que coisa, Betty! O tampão saiu e não me falou. Fica assim, como se não fosse nada!
—Armando! Demora do tampão até o trabalho de parto. É recomendável tomar banho morno e...
—Não importa! Temos que ir para o hospital! Nascimento de criança não é como cálculos! Não tem como colocar regras e controlar isso, Betty! É minha filha! Não a filha dos médicos! Eu vou me vestir!
Betty faz um pouco de cara de dor e Armando se atrapalha um pouco para se vestir, se enroscando nas calças.
—Calma, Betty! Desculpa, brigar contigo!
Armando pega uma bolsa e leva Betty apoiada, quase arrastada, só não a carrega no colo, pois está muito pesada.
No carro, ele liga para dona Júlia, que tratará de avisar as meninas do quartel. Também liga para Camila.
Ao chegar no hospital:
—Ela está ganhando! Está para nascer! -Armando grita, agoniado, para a recepcionista
—De quanto em quanto estão as contrações, senhor?
—Eu lá sei! Não estamos aqui para fazer Cálculos! Minha filha está para nascer! -pega um enfermeiro pelo colarinho
—Acho melhor o senhor se acalmar ou vou ter que chamar o segurança!
—Desculpe! -Lembra-se da promessa à Betty -Mas preciso que a ajudem! Ela tem descolamento de placenta!
—Está bem, senhor, entendo. -ele, então, pede uma cadeira de rodas.
Logo, Betty é conduzida à sala de espera, enquanto, Armando preenche a ficha. Após o primeiro atendimento e colocarem o soro, Betty é conduzida para exame, onde verificam a intensidade das contrações, bem como o tempo entre elas, se há sangramento, pressão, condições gerais, enquanto esperam a obstetra de Betty chegar. Logo, ela verifica os exames e deixa Betty em observação.
Armando está muito nervoso e nem a chegada de Júlia e Hermes o ajuda a ficar calmo.
—É que eu preferia que Betty fizesse cesárea e fosse tudo monitorado!
—Armandito! Bettica é uma mulher de fibra e se diz que fazer normal e tem condições de fazê-lo, ela vai fazer! -tranquilizou-o Júlia
—Ainda mais é melhor que ficar com um corte na barriga, homem!
—Será que ninguém me ouve? Ela está gritando de dores! Não posso aguentar isso!
—Armando! Armando!
—Sr. Mendoza, ela o está chamando!
—Sim, eu vou!
—Mas só pode ir se prometer manter a calma.
—Vou tentar!
—Ela precisa muito do senhor agora, neste momento.
—Sim.
Armando vai para o quarto onde Betty aguarda fazendo exercícios respiratórios, sentindo as contrações!
—Armando!
—Estou aqui, Betty!
—Você sumiu! Preciso de você! Na hora de fazer, estava comigo! AAAAAAIIIIIIII!!!!
Ela segura forte sua mão
—Calma! Estou aqui! Respira fundo! Assim...
—Dane-se! Você não está em meu lugar! AAAAIIIIIIIII!!!
Betty segura tão forte a mão dele que chega a ficar rôxa.
—Esquece! Me dá anestesia! Quero fazer cesariana! -gritou Betty
—Betty! Seja corajosa! Logo estará com ela aqui! Está com boa dilatação! -pediu a médica
As meninas do quartel chegam e ficam com Seu Hermes e Camila.
Já Betty sente cada vez mais o tempo de dilatação diminuir e aperta muito a mão de Armando, gritando todo o tipo de coisa. Ele finge não ouvir, repetindo que a ama e a fazendo repetir os exercícios de respiração.
—Vai me largar se ficar gorda, inchada e meus órgãos nunca votarem ao normal!
—Vou te amar de qualquer jeito!
—Vou voltar a ser feia e vai me largar!
—Nunca! Vou te amar mesmo que fique feia, pois nunca será feia para mim! Força, Betty! Te amo!
—AAAAAIIIIIIII!!!! Te amo, Armando! Mas vai me amar para sempre?
—Sim, a você e a nossa filha! Vem, Camila!
—Está coroando! Estou vendo a cabeça! -fala a médica
Ao Armando ver aquela menina enorme saindo de dentro de sua esposa, sente tontura e quase desmaia. Mas não pode sair dali ou vão levá-lo embora. Betty precisa de suas mãos fortes para segurar as suas.
Camila nasce e não se ouve choro. Betty está exausta e desmaia. Armando fica desesperado. Logo, Camila começa a gritar a plenos pulmões. Um sorriso largo surge na boca de Armando. Ele chora e ri ao mesmo tempo. A menina com cara de mal-humorada grita a plenos pulmões.
Depois cortam o cordão umbilical e colocam nos braços de Betty que está meio adormecida, mas abre os olhos ao ver a filha. Levam a pequena Camila para ser lavada e Armando fica com Betty. Betty cochila e logo é acordada para dar de mamar à sua filha. Armando está maravilhado. Enquanto vislumbra aquela cena: a primeira mamada, lembra-se dos momentos que passou com Betty desde que a conheceu, os beijos, as noites de amor, a reconciliação, a lua-de-mel, os abraços, a gravidez, o nascimento de sua filha há poucos minutos e agora a primeira mamada. Está com lágrimas e sorrindo ao mesmo tempo. Beija a testa de Betty enquanto ela dá de mamar.
—Sempre estarei aqui, Betty! Obrigado por este momento e por todos os outros! Não sei o que era antes de você em minha vida!
—Provavelmente era como eu: solitário-riso- Mas ao menos você já era lindo! E podia fingir que era feliz!
—Que adiantava? (encosta a testa na dela)
Quando Camila acaba a mamada, Armando dá um beijinho na bochechinha da filha
—Isto pode? -perguntou Betty
—Deve-se evitar, mas... É o pai!
Então, Betty também dá o seu. Logo, Camila adormece, e é colocada no berçário, enquanto Betty recupera suas forças dormindo.
Do lado de fora, a enfermeira apresenta através do vidro, a pequena Camila para as meninas do quartel, Freddy, Wilson, Camila, Nicolás e os pais de Betty. Todos com exceção dos pais de Betty e Armando estranham a menina. Camila nasceu bem inchada e roxinha. Já Armando e Seu Hermes um com a mão no ombro do outro suspiram.
—Aiai! Ela é tão linda! -suspirou Armando, apaixonado
—Uma autêntica Pinzón! Parece com Betty quando nasceu! suspirou Hermes
Quando Betty acorda, dá de mamar novamente e recebe visitas no quarto, já a filha fica no berçário. Liberada para caminhar pelo andar, Betty também vai ver sua filha também do vidro do berçário.
—Nossa filha! -beijo- Parece com você! Ela é linda!
Betty sorri timidamente.
Naquela noite, depois de 9 meses de ansiedade, Betty e Armando dormem tranquilos (Betty na cama e Armando na poltrona) de mãos dadas. Sua filha nasceu saudável e estão mais contentes e unidos.
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