Tan Enamorados - Betty e Armando Mendoza
67 Capítulo 67 Na Clínica Renaissance
Notas iniciais
Armando apenas cochilava na poltrona. E quando fechava os olhos, sonhava com Betty ou com Camila já crescida, o que logo o despertava. Imaginava-se na poltrona com Betty em uma de suas pernas e Camilita na outra. Agarrava as duas bem forte, eram suas, só suas. Pelo menos em seus sonhos, sempre seriam. Quando acordava via Betty, adormecida. A esposa exibia uma expressão de tranquilidade, de certeza de dever cumprido.
“Merece mesmo este sono. Cumpriste a missão de dar à luz a nosso amor e me fazer muito feliz. Ainda que eu não mereça.” –dando-lhe um beijo demorado na testa.
Betty aproveitava cada minuto para descansar, já que de hora em hora, entrava uma enfermeira para tirar a pressão, fazer exames de sangue. Mas o melhor era quando traziam sua filha para mamar em Betty, aquela era a visão do paraíso: sua Betty deitada com os cabelos levemente ondulados caídos sobre os ombros desnudos e sua filha faminta sugando todo o leite que ali havia. Que apetite!
Geralmente, quando se faz parto normal, liberam logo no dia seguinte, mas a obstetra de Betty determinou que ficasse ao menos três dias, pois Betty teve alguns problemas como pressão alta, deficiência de vitaminas (também nunca se alimentava direito) e infecção urinária. Esta última preocupava mais, pois poderia prejudicar também Camila.
—Boas notícias! Se tudo correr bem, estará em casa amanhã! -brindou-lhes a obstetra Dra.María com a boa notícia.
—Não vejo a hora! -riu-se Armando
—Mas vão ter que me prometer que continuar alimentando-se bem, afinal, a senhora está amamentando.
—Sim, eu me comprometo! -intrometeu-se Armando
—Ótimo! Logo, nossa equipe pediátrica virá e passará a vocês as recomendações de como cuidar de sua filha, como dar banho, alimentar e outras coisas.
(Betty virou os olhos, pois na sua cabeça faria tal como aprendera com sua família.)
Os pais de Armando, ainda estavam em Londres e como Roberto não se encontrava bem de saúde, aguardavam com ansiedade a felicidade de conhecer a netinha, o fariam em tempo oportuno na casa da família, conforme falaram à Betty e seu filho.
Já Hermes e Júlia, todos os dias passavam para visita-los. Seu Hermes estava totalmente encantado pela menina, que para ele lembrava muito sua filhinha quando bebê. Armando, aproveitou que Dona Júlia e Seu Hermes faziam companhia à Betty para comer algo e passar em uma papelaria: queria fazer uma surpresa à esposa. Ao retornar, encontrou Betty acabando de dar de mamar (perdera isso? Ah...) e logo, seus sogros se despediram.
—Veja, Armando! Te deixo com o que tenho de mais valioso! Cuide delas!
—Sim, Seu Hermes! (Deram-se as testas e Hermes bateu a mão esquerda em seu ombro. Embora, não concordasse com a forma que seu sogro tratava Dona Júlia às vezes e mesmo Betty, gostava do senhor e sabia que ele amava as duas (e agora as três0 mais que tudo. Nisto se sentia parecido com ele. Só nisso.
Quando seu sogro saiu, virou-se para a esposa:
—Olhe, minha doutora, trouxe-lhe uma lembrancinha!
—Para mim? Mas nem estou fazendo aniversário! -riu-se
—Abra!
Betty abriu a enorme caixa e encontrou um estojo enorme de canetas, adesivos, e dois cadernos: um liso e um florido.
—Nossa!
—Isto é para você que gosta de escrever: um novo diário para escrever sobre nossa vida, nossa filha e outro caderno para fazer o que quiser. E as canetas são de todo tipo.
—Adorei, meu amor!
—Não, é bem um presente, Beatriz, mas comprei porque lembrei de você...
—Te amo! -beijo -Vou começar já!
Betty desembrulhou o celofane que embrulhava o caderno e deparou-se com um cartão.
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Minha Betty,
Hoje, me brindaste com mais uma faceta do amor que não conhecia: nosso amor agora não é apenas um sentimento o qual apenas nós dois podemos viver e sentir.
Camila, não é apenas mais um bebê a nascer no mundo.
É nossa amálgama, nosso amor em forma de pessoa.
Ela é tão bela, e tão cheia de vida.
Agora, todos que a virem vão saber e perceber quanto nos amamos. Este é nosso presente. A confirmação de quanto nos amamos e de quanto fomos abençoados e perdoados pelos erros do passado.
Que sempre que olhar nossa pequena princesa, possa perceber o quanto te amo e continuarei te amando todos os dias de minha vida.
Do sempre seu,
Armando. (Obrigado por me converter no que sou.)
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Betty deixa cair uma lágrima e Armando a abraça.
Ela sabe, que Armando não é detalhista, e que não é de escrever cartões sem qualquer motivo. Não, de verdade. Se escreveu, é porque realmente sentiu.
—Sabe que eu, de verdade, não é meu estilo, você sabe. -segurou seu queixo -e a beijou. -Sou um homem de ações, prefiro fazer, falar olhando em seus olhos, mas... este é um momento especial!
—Sim, eu sei, mí amor! Eu sei! E prefiro que seja assim, você sabe.
—Lógico que todo dia contigo é especial, mas para isto te digo: te amo, te beijo. Mas um dia como hoje, com nossa Camila, merece que o registremos.
—Sim. -beijo
—Boa tarde! Com licença! Hora do mamada!
—Ah sim! -Armando esfregou as mãos
—Logo depois, o pediatra irá passar as informações e procedimentos sobre Camila.
Camila ainda mamava quando ouviram uma batida na porta, logo, um homem alto de cabelo preto abriu a porta e entrou:
—Ah, já acabou de mamar nossa menina?
(Armando saiu puxando o lençol.)
—Vai sufocar a menina! -repreendeu-o Betty
—Bem... (Armando bateu as mãos e fingiu um sorriso)
—Boa tarde! Desculpe-me! Sou Dr. Santiago, pediatra do hospital!
—Ah sim... “Mas por quê um homem?”
—Sua filha nasceu bem saudável, Senhor Mendoza, mesmo com os problemas que sua esposa teve como o descolamento, estresse, estas coisas... Sua filha nasceu forte, resistente. Vai ser uma vencedora!
—Assim, como sua mãe!
—Ela nasceu pequena, mas está se recuperando bem, mas precisamos que fique aqui para que ganhe peso.
—Ficar aqui, doutor?
—Veja, Seu Mendoza! Ela nasceu pequena, 2.220 , 2 kilos e meio, inchada, roxinha. Mas é perfeitamente normal. Só precisa ficar uns dias na incubadora.
—Mas...
—Então, mas Dra. Maria disse que eu estaria de alta hoje!
—Sim, está, Sra. Mendoza! Mas sua filha não.
—Não! -Betty ficou gelada
—É para o bem dela.
—Doutor Santiago! Posso ficar com ela?
—Sim, logicamente é recomendável que, além do suprimento, sua filha possa tomar o leite materno, que é o melhor alimento.
—Então, vou ficar! -determinou Betty
—Sim. Vamos ficar aqui!
—Armando, sei que tem viagens marcadas para as franquias... Encontros de negócios.
—Não, Beatriz! Não entende?
—Bem, senhores, tenho outros pacientes. Volto mais tarde.
Quando o doutor saiu, Betty disse:
—É serio, doutor! Eu sei de tua agenda, não pode deixar sua irmã cuidando disso sozinha, não tem a sua experiência neste ramo!É sério! É muito importante!
—Sabe o que importante, Beatriz?
—...
—Estes dias aqui. Ficar com você e com nossa filha! -beijo
—Para quê serve o molenga? Acumule isto também. Mas de perto de vocês duas, não saio!
—Armando!
—Seu sonho não era que eu me importasse mais com você e menos com a Ecomoda? Então, você e nossa filha são o que mais me importam na vida e se ficam aqui, não tenho o que fazer na empresa!
—Armando, escute...
—Não escuto nada. – beijo- Te prometi em nossa reconciliação, que seria a mais importante, como vou passar por mentiroso agora? Tenho dois bons motivos agora. Olha, Beatriz! És tudo na minha vida. Não a empresa! A empresa tem quem cuide. -beijo -Que foi?
—Me emocionou.
—Então...
(O casal comunica à Dra. que vão ficar na clínica)
—Não temos nada que fazer sem nossa filhinha em casa, de acordo, Beatriz?
—Sim, pode ficar e me acompanhar!
Logo, a equipe pediátrica ensinam Betty e Armando a dar banho, trocar a fralda e outros procedimentos. (Betty já sabia algumas coisas, graças ás vezes que ficava na casa das Tias Pinzóns, e as via cuidando dos filhos e depois dos netos, mas para ele tudo era novidade. Nunca vira um bebê de perto, a primeira seria sua princesinha.
—Não vejo a hora de poder pegar no meu colo.
—Mas o senhor pode, Sr. Mendoza!
—É que... que... eu nunca peguei um bebê no colo, tenho medo de fazer errado.
—Mas é fácil! Faça assim: (a enfermeira faz os gestos que Armando imita e coloca a bebê nos braços dele, que emocionado, sorri.
—Gosta de ficar com o papai, hein? Gosta? (Logo, a abraça e a beija. A menina dá um gemidinho.)
—Ai, que me desculpe, é que sou um ogro, o Dr. Monstro! Com o tempo me ensina a ser mais doce e carinhoso que sua mãe me ensinou! Sempre estarei com você!
Logo, a enfermeira tem que levar a menina de volta para a incubadora e Armando fica chateado, pois estava pegando o jeito.
—Daqui a uma hora volta para mamar!
—Vou chamar a Nicolás! Para falarmos da questão da empresa.
—E o caso do filho da oxigenada?
-Ai, estive tão preocupada com o nascimento de Camila e quando esteve aqui, nem quis me contar!
—Alô, Nicolás? Sim, estamos bem! Nossa Camila também. Mas vamos ter que ficar uns dias para que ganhe peso, por isso, necessitamos que venho aqui para te passar umas coisas da empresa!
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