Tan Enamorados - Betty e Armando Mendoza

83 Capítulo 83 Plano de Negócios: Gestão de Pessoas Apresentação


Notas iniciais
Betty tinha novas e arrojadas ideias para a EcoModa, um modelo de gestão que colocaria a empresa no Século XXI de fato, no entanto, para que fosse aprovado, precisava convencer a Diretoria, principalmente, os Valência

Uma semana depois, era chegado o Dia da Reunião de Diretoria, a primeira do ano. Desta vez, estariam presentes, Gutiérrez, Nicolás, Daniel, Marcela, Evans e Maria Beatriz, Roberto e Margarida. Júlia circulava pela Ecomoda com Camila nos braços, apoiada por Bertha, enquanto Betty presidia a reunião, onde apresentaria, além do balancete, o Novo Plano de Metas e Negócios:

—Está bem, meu amor?

—Ai, Armando! Sei que presido estas reuniões há quase dois anos, a maioria como presidente, mas por incrível que pareça, sempre é difícil para mim! Sempre sinto um frio na barriga!

—Eu sei! Mas também sei que sempre chega e arrasa, deixando todos impressionados!

—Ai, mí amor! É porque o tenho ao meu lado, me dando apoio, senão não sei se conseguiria...

—Conseguiria sim, pois tudo que está aí (aponta para o papel) sai desta cabecinha linda aponta para a testa) aqui! Eu sei do que você é capaz, sempre soube! -beijando-a -Desde sempre se sai muito bem! Sempre que abriu a boca, deixou todos, até seus detratores boquiabertos! E hoje, hoje não será diferente!

—Assim espero!

—Este projeto é perfeito! Já li sobre iniciativas empresariais como essa em várias revistas que tratam de Administração moderna. Inclusive um colega da Pós apresentou um Projeto assim e os professores deram as melhores notas da turma!

—Jura? E teria o contato dele? Sabe se está trabalhando em algum lugar?

—Por que ficou tão interessada?

—Ai, mí amor!

—Desculpa, Betty! É que ele é muito boa pinta.

—Há ha! Ele não pode ser mais boa pinta que você!

—Como pode ter tanta certeza?

—Porque ninguém é mais bonito que você!

—Hum, as garotas lá ficavam na dúvida! E ainda era inteligente.

—É? Mas Beatriz Pinzón.... -beijinhos

—Mendoza!

—Beatriz Pinzón de Mendoza, sua Betty, não acha ninguém mais bonito que você! -beijos

—Certeza?

—Sim. O mais lindo!

—Mas eu disse mais inteligente que eu!

—E daí? Não ligo!

Ele a abraça e a beija apaixonadamente

—Mas por que ficou tão interessada?

—Apenas achei interessante ter em nossa equipe um profissional que pense como pensamos, só isso!

—Bem, neste ponto, concordo com você! Mas faz muito tempo que não tenho contato com ele! Posso tentar, mas...

—Foi só uma ideia!

Aura María toca o telefone para avisá-los que os Valência e seus pais já chegaram e os aguardam na sala de reuniões:

—Já não era sem tempo! -coloca as mãos nos ombros de Betty -Escuta! Quero que entre nesta sala, confiante! E que defenda o seu projeto com unhas e dentes como uma leoa! Que não abaixe a cabeça para ninguém aí dentro desta sala, nem mesmo para mim, pois você é nossa Presidente! E é tão dona desta empresa quanto qualquer um que aí esteja!

—Sim, Armando! -também olhando no fundo dos olhos dele -Sim!

Quando Betty adentra a reunião séria com um Armando com um sorriso nos lábios, todos percebem que está recuperando aos poucos sua bela forma, inclusive, Daniel, que volta a lançar-lhe o velho olhar sedutor, que não fazia desde que estava com seis meses de gravidez. Betty, no entanto, olhou para cima e fingiu não ver. Como Armando olhava para ela, por sorte não percebeu. Todos se levantaram, Betty os cumprimentou e pediu que sentassem. Logo, Aura María começou a distribuir-lhes as pastas com os balancetes atualizados.

Roberto já sabia dos números, pois recebia antecipadamente os relatórios dos setores, conforme combinado desde o início da gestão de Beatriz. Camila, agora, reintegrada à Diretoria, também recebia, e aprovara tanto o balancete quanto o novo Plano de Negócios, os quais recebera por fax.

Logo, Betty já contava com dois votos a favor: dos irmãos Mendoza. Faltava à Betty agradar o lado dos Valencia e demais participantes do Corpo diretivo, como seus sogros e Gutiérrez, que detinha 1% das ações e representava nesta ocasião os sócios acionistas menores (tal como Mário Caldeirón que desde que fôra expulso da empresa não apareceu mais, mas também não renunciou ou colocou as ações à disposição como disse que faria):

—Muito bom! O balancete, pelo que entendo, está correto. Isto é, seus números forem esses mesmo!

—O que insinua, Danielito?

—Baseado em experiências anteriores, o que poderia estar insinuando?

—Se o senhor está desconfiando, Dr. Valência, terei prazer em explicar-lhe ponto por ponto detalhadamente -Betty respondeu muito séria -para que não reste nenhuma dúvida!

—Hum... para mim também seria um grande prazer! -deu uma risada cheia de segundas intenções

Na mesa de reuniões todos perceberam as intenções de Daniel. Gutiérrez fez seu costumeiro biquinho. Nicolás olhou para Armando, Evans deu uma tossida, Margarida e Roberto olharam para Daniel, repreendendo-o

—Daniel, por favor! -repreendeu Marcela

Armando cerrou os punhos e Betty segurou a mão dele, por baixo da mesa para acalmá-lo.

—Tudo bem! Quero crer que está tudo certo! -Daniel, colocando panos quentes, por conta o pedido da irmã (porque perante os outros gosta de bancar o justo, depois de provocar Armando) Desde que Beatriz tem estado à frente da empresa, meus cheques tem vindo em dia! Não tenho motivos para reclamar!

—Boa tarde! Já começaram?

—Sim, Maria Beatriz! A reunião era às 11 horas! -respondeu Armando -E já são 12:02hs.

—Ai, desculpa! E como estamos?

—Betty apresentou o balancete!

—E está tudo certo?

—Sim.

—Ah que ótimo! Então, já posso esperar meu cheque?

—Sim, hoje mesmo! Nicolás mandará Freddy depositar! -Betty respondeu, com um sorriso

—Ai, obrigadinha! Ai, Betty! Você está ótima!

—Grata, Maria Beatriz!

—Nem parece que acabou de ganhar uma criança! Já fez outra operação? Uma lipo para voltar à forma?

—Não, não! É genética das Pinzón! Somos assim magras para sempre.

—E lindas! -suspirou Armando

—Bem, podemos dar continuidade à reunião? Hoje mesmo teremos que voltar para Miami. -interrompeu Marcela

—Sim, sim, claro. -Betty continuou -Com o balancete aprovado. Podemos passar para outra parte: O novo Plano de Negócios.

Betty liga para Aura Maria:

—Aura Maria! Por favor, traga as pastas que deixei com você para distribuir na reunião!

—Sim, Betty!

—O Plano que Aura Maria está distribuindo é o terceiro da minha gestão e apresenta uma proposta com base no que grandes empresas de diversos setores estão adotando. No entanto, para o mundo da Moda, o seguimento da Ecomoda, sobretudo na Colômbia, é uma proposta ousada!

—A gestão moderna envolve Gestão de Pessoas:

Estes são os pontos principais do Plano que colocará a Ecomoda, de fato, no Século XX!, tornando-a não só referência no mundo da Moda, mas também como exemplo de Empresa preocupada com o bem-estar social, para os clientes externos, assim como para os clientes internos: os nossos funcionários.

(Daniel e Marcela riram baixinho, seguidos por Maria Beatriz e Gutiérrez mas ao encontrarem com os olhares de Evans, Roberto e Armando, de cara fechada, ficaram sérios. Betty e Nicolás, estavam tão concentrados que nenhum ruído externo poderia influenciá-los.)

Os pontos abordados são:

—Valorização e qualificação da mão-de-obra

—Vale Refeição e Vale transporte

—Financiamento de veículos para os funcionários se locomoverem

—Aquisição de Roupas da Ecomoda com desconto em folha

—Funcionário do Mês

—Valorização e qualificação da mão-de-obra

—Bem, vamos estudar um por um:

—Vale Refeição e Vale transporte: porque fui testemunha que várias vezes muitos funcionários da empresa ficaram sem almoçar ou sem terem como vir trabalhar porque não tinham dinheiro para isso

—Beatriz, não precisa mais se preocupar com isto! A Patrícia Fernandéz não trabalha mais aqui! -Daniel solta uma

Gutiérrez fez biquinho e riu

—O projeto não é destinado a uma pessoa específica e sim visa suprir as necessidades de todos os funcionários. Continuando...

—Financiamento de veículos para os funcionários se locomoverem. Da mesma que o Vale-Transporte. O funcionário poderá financiar seu meio de locomoção particular com a Concessionária parceira, que agora, também será um de nossos patrocinadores.

—Oferecendo transporte para modelos, fornecedores, Diretoria em dias de lançamento e desfiles do aeroporto à sede ou hotel onde estarão hospedados ou onde se realizará o desfile -continuou Nicolás

—Aquisição de Roupas da Ecomoda com desconto em folha, com desconto (como em algumas empresas de moda oferecem). -Betty continuou

—Muitos funcionários já fazem isso: adquirem roupas e são descontadas na folha -comentou Marcela

—E pelo que sei, a Ecomoda fornece às secretárias executivas, roupas para usarem no trabalho, uniformes elegantes, desde a sua primeira gestão, my dear lady! -comentou Gutiérrez

—Sim, Doutor! Mas a ideia é que os executivos, as secretárias e recepcionistas, bem como. todos os funcionários da empresa possam adquirir roupas da Ecomoda também para o dia-a-dia, para sair, para o cinema, para ir à uma festa. E adquirirem tais peças com desconto, cuja porcentagem, ainda será estudada, podendo ser dividida e descontada da folha ou à vista, como queira.

—Funcionário do Mês- Premiar o funcionário mais produtivo, mais pontual, aquele que, além de suas funções demonstrou compromisso, vestir a camisa da empresa, de cada setor.

O funcionário de cada setor seria indicado pelo executivo responsável correspondente. Os prêmios seriam: roupas da Ecomoda, cursos de qualificação, promoção.

—E estes pontos do projetos seriam apenas para os funcionários da sede ou também para os das franquias? -perguntou Evans

—Boa pergunta, doutor! A ideia é que todas as franquias adotem o programa!

—Muito bem!

—Uma vez que as franquias e os pontos de venda são extensões da Ecomoda, devem estar alinhadas ao Projeto.

—Concordo plenamente! -continuou Evans

—Valorização e qualificação da mão-de-obra

—Isto se refere aos nossos parceiros sindicatos e faculdades nas áreas de Design de Moda, Corte e costura, Departamento Pessoal, TI, Comunicacão Social Secretariado, Empreendedorismo, Administração, Logística, Finanças e Economia, Relações Públicas, Automatização e Tecnologia entre outras áreas diretamente ligadas ou correlatas ao Campo no qual a Ecomoda atua. Estes cursos seriam oferecidos aos nossos funcionários, não apenas os melhores, os funcionários do mês. Não! Mas a todos que tiverem interesse. Será uma oportunidade para cada funcionário desenvolver sua habilidade natural, fazendo valer os anos de experiência dedicados à empresa. Algumas das Faculdades consultados já aderiram ao Projeto, bem como Sindicatos. A maioria dos quais fizemos contato, estão apenas aguardando o Sinal verde para começarmos já na semana que vem. para fecharmos em breve, caso tenhamos o sinal verde nesta Reunião.

...

Ao final da apresentação, Armando exibia um sorriso de orgulho para a esposa, bem como, Catalina e Nicolás. Já Roberto permanecia calado, com os dedos indicados entre a testa e a boca, como se estivesse analisando tudo. Logo, Daniel tomou a palavra:

—Com todo o respeito e admiração por sua pessoa, Dra. Beatriz, como sabe que lhe tenho. Este projeto não parece ter sido elaborado por você com apoio do Sr. Mora, como os anteriores! Só vejo aumento de despesa! Esforços inúteis! Estaríamos nos metendo no campo pessoal, a escolha dos funcionários! Cabe a eles e não a nós se qualificarem para crescerem nas carreiras, caso tenham interesse. Isto aumentaria em muito o custo de manutenção da Ecomoda não creio que isto seja do interesse dos acionistas, ao menos do meu não é! -contestou Daniel

—Concordo com Daniel! Qual seria o propósito disso?-concordou Maria Beatriz, fingindo entender tudo o que havia dito até agora na reunião.

—Pois aí, é que o senhor se engana, Dr. Valência! Do orçamento da Ecomoda, pouco ou nada iria sair. As despesas referentes a nós seriam em torno de 15%, como pode ver na página 4. Atuaríamos como idealizadores e executores do projeto. Graças a parcerias com Sindicatos, Faculdades, Escolas de Idiomas e cursos técnicos, que ofereceriam seus cursos a nossos funcionários a um custo bastante acessível, que seria coberto pela Ecomoda (esta sim seria nossa despesa). Por favor, Nicolás, continue:

—Sim, conforme Betty, a Doutora, explicou, em torno de 10 a 15% seria o investimento da Ecomoda, que sairia do orçamento anual, de acordo com a projeção de lucros, 35% do total do valor do curso seria pago por cada funcionário, mas tal valor não seria, de forma alguma, descontado de uma vez, pois entendemos que nenhum dos funcionários teria como dispor do valor de uma vez, sem colocar em risco sua sobrevivência.

—Então, como pagariam? -quis saber Marcela

—Parcelado. Em pequenas parcelas de no máximo 5% cada a serem descontadas em folha a cada ano. A totalidade do valor poderia ser quitada em até 8 anos, permitindo ao funcionário interessado fazer uma faculdade, uma pós, ou um curso de especialização. -Nicolás explicou, pacientemente

—E os outros 50%?

—Os 50% se referem à bolsa concedida pela instituição! Ou seja, se o curso custa US$ 5.000 dólares, por exemplo, a Instituição escolhida concederá US$ 2.500,00 de desconto e os outros 50% seriam divididos entre a Ecomoda e o funcionário. Ou seja, no caso de Us$ 5000 -US$ 1625 o funcionário e a Ecomoda arcaria com US$ 875 . A diferença é que o funcionário teria quase 10 anos para pagar, gerando débito com a Instituição sem acréscimo de juros e a Ecomoda disporia do valor imediatamente.

—E quais seriam os funcionários indicados para esta primeira etapa da implantação do projeto, doctor?

—No caso, não seriam funcionários indicados, Dr. Gutiérrez! -Betty iinterviu

—No?

—Não. Todos que estejam interessados em incrementar seu currículo, em crescer profissionalmente, poderão integrar-se

(Pequeno burburinho pôde ser ouvido)

—Desde que preencha os requisitos exigidos, ou seja, idade mínima, escolaridade mínima, conhecimento básico ou experiência, estas coisas, como em qualquer curso ou Instituição. Neste caso, são eles que fazem as regras.

—E of course, todos poderiam ter acesso a estes cursos?

—Sim, desde o faxineiro até um alto executivo. Todos podem crescer, podem se qualificar, mas nem todos tem a oportunidade, ou acesso às ferramentas. E muito menos tem a chance de tornar-se alguém. Se com qualificação e escolaridade já é difícil, imagina sem isso!

—Fala por experiência própria? -perguntou Daniel, provocando-a

—Sim, certamente. Quando cheguei na empresa, tinha formação, mas precisava de oportunidade, a qual Armando me concedeu, assim como poderia ter concedido a qualquer outra pessoa. (Marcela e Margarida olharam uma para a outra)

—E qual seria o interesse destas faculdades e demais instituições em conceder bolsas aos funcionários da Ecomoda?

—Ora, isto melhora a imagem da Instituição, passa a imagem de uma empresa interessada em promover bem-estar social, promove intercâmbio entre alunos veteranos da própria Instituição com profissionais com experiência comprovada na função, mas sem a formação formal. -respondeu Armando

—Como por exemplo, Bertha Gonsalez que trabalha há anos com o Dr. Gutiérrez e conhece todo o funcionamento do Rh, ou Sofia que conhece bem a área financeira, trabalhando há mais de dez anos com vários profissionais do setor, atualmente com o dr. Nicolás. Estes dois exemplos que citei são apenas exemplos próximos que conheço bem... -respondeu Betty

—E são do seu interesse certamente... -completou Daniel

—Todos os funcionários desta empresa são de meu interesse, Doutor Valência, bem como o funcionamento de toda a empresa! Não apenas o quartel, mas todos. Poderia citar o exemplo de Dona Maria da Produção, que se divide entre dois empregos e trabalha para a empresa há mais de 15 anos, hoje é líder, graças à qualificação.

—Roberto, qual é sua opinião sobre isto? -questionou Margarida

—Sim, papai, por favor, qual seria sua opinião em relação ao Plano apresentado por Beatriz para este ano? -pediu Armando -E também ao Balancete.

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Notas finais
Será que Betty, Armando e Nicolás conseguirão a aprovação do Novo Plano de Negócios?