Notas iniciais
-Visita de Seu Hermes

Na manhã do dia seguinte...

Após uma noite de intenso prazer, Betty acordou e vendo que Armando estava dormindo, tirou o braço dele de cima dela e ia saindo devagarinho.

—Onde a senhora pensa que vai?

—-Ai, Armando! -riu-se do seu jeito, com a mão no peito -Que susto! -Ai, não se pode nem ir ao banheiro? (cobrindo-se, com as mãos, pois estava nua, com apenas o cabelo cobrindo seus seios)

—Bem, aí pode! Mas vá e volte correndo aos meus braços, hein?

“Olha só! Ainda fica tímida -risos – quando me vê!” Adoro este jeitinho dela!”

Betty aproveita para escovar os dentes, pentear os cabelos, passar um creme e lógico, colocar o roupão que estava no banheiro, pois não sabia onde estava a camisola, roupa íntima, nada.

—Você demorou! -beijo -Bom dia, mí amor!

—Bom dia, Armando!

—Já estava com saudades! Vamos ficar o dia inteiro aqui hoje!

—Meu amor! Esqueceu que minha mãe está aí fora com Camila?

—Ai, é mesmo! Ainda bem que não é Seu Hermes, pois com os gemidos que a senhora deu ontem, ele me mataria! -risos

—Eu só, hein?

—Eu grito mesmo haha! Sou gritão!

—Sempre foi!

—Mas estes gritos são melhores que os que eu dava em você quando era minha secretária, não? -risos e beijos

—Com certeza! -risos -Muito melhores.

Logo ouviu o choro de Camila

—Olha aí nossa filha, colocando a boca no mundo!

—Ai, vou ver!

Betty vai ao encontro da filha e encontra Dona Júlia no corredor.

—Oi, mãe! Vem cá, Camila!

—Juro que fiz de tudo para que não te chamar, filha! Mas ela está com fome! E as mamadeiras que fizeste acabaram.

—Nossa! Mas eram cinco.

—Ah, minha neta mama tudo que você não mamava, minha filha! Por isto está enorme!

—Quando digo que puxou ao pai, ninguém concorda. Falando nisso, obrigada, mamãe! Deu tudo certo!

—Que bom, minha filha! Armandinho é tão apaixonado por você!

—E eu por ele. (Betty sentava-se para dar de mamar à Camila)

—Eu fiz café da manhã para vocês!

—Vou tomar quando acabar, aí chamo Armando.

—Não será necessário! Bom dia, minha sogra!

—Bom dia, Armandinho! Fiz um desjejum para vocês!

—Espero Betty acabar de dar de mamar para Camila e tomamos todos juntos.

Depois de mamar, Camila vai no colo do pai. Enquanto Betty ajuda Júlia a trazer as coisas para a mesa.

—Hum....

Os três tomavam o café, pão, pão doce, quando a campainha soou.

—Quem será esta hora?

—Deixa que vou ver, mí amor! Deve ser alguém vendendo alguma coisa.

Quando Armando olha pela câmera, não acredita no que vê. É seu Hermes.

—É seu pai, Betty! (Armando abre a porta)

—Papai! -Betty exclama, segurando Camila

—Bom dia, doutor!

—Bom dia, filha! Minha neta.

—Sim, seu Hermes, seja bem-vindo!

—Desculpa a invasão, doutor, não vim fazer visita, vim buscar Júlia.

—Ah, mamá! (Júlia estava na cozinha, buscando um pouco mais de café)

—Hermes! -Júlia assustada, pois não esperava seu marido tão cedo

—Vim te buscar, Júlia! É que sabe como é, doutor! Ela já ficou ontem fora de casa...

Armando sorriu, poucas vezes entendeu seu sogro tanto quanto nesta hora. Lógico que não fora fácil para ele dormir sem sua esposa, depois de 30 anos dormindo junto. Se estava há quase um ano dormindo direto com Betty e já não conseguia imaginar-se sem ela, imagina se conseguiria dormir sem ela depois de 30 anos. Ele sabia quanto Seu Hermes amava aquela família embora para um homem à moda antiga fosse tão difícil mostrar os sentimentos.

—Fica à vontade, Seu Hermes! -sorriu-lhe

—-Oi, Hermes! O que faz aqui?

—Como o que faço aqui? Vim buscar-lhe!

—Mas Armandinho ia me levar daqui a pouco.

—Mas preferi vim buscá-la para não dar trabalho ao doutor!

—Trabalho nenhum, Seu Hermes!

—Sente-se, papá! Tome café conosco!

Seu Hermes tomou café e comeu pão, afinal, sem Júlia, não havia comido nada. Depois ficou brincando com sua neta no sofá. Acabou saindo só depois do almoço, que Júlia fez questão de fazer, com ajuda de Betty.

Quando eles saíram...

—Ufa! -Betty suspirou

—Ai, meu amor! Até compreendo seu pai neste caso. Não conseguiria dormir uma noite sem você. -beijo — Ele pode ser durão, mas ama muito sua mãe.

—Hum...

—Também não é difícil amar Dona Júlia, imagino...

—Hummm...Você é uma das poucas pessoas que conheço que gosta da sogra -riu-se

—Mas estou errado?

—Não, mí amor. E ela também te adora.

—Sei. Eu sei de quem puxou a doçura. -beijo

—Você soube conquistá-la!

—Creio que parte disto se deve ao fato de cuidar muito bem da filha dela.

—Humm... não sei. Não sei se trata bem...

—Não trato bem não, é? E quais são suas queixas, Senhora Mendoza? Diga-me no que posso melhorar para satisfazer a senhora? -Ele foi se aproximando, louco para enlaçá-la em seus braços

—A Camila!

—Ah sim. -riu do seu próprio descontrole. Oh! Mas ela está quase dormindo.

Enquanto ficam conversando, Camila adormece mamando. Então, Betty coloca-a calmamente. Mas tão logo a coloca, Camilla acorda. Então, a pega no colo, balança, faz carinho, e de novo quando vai colocar no berço, ela acorda.

—Deixe-me tentar.

Armando a pega, dá carinho, começa a conversar, e a menina cochila nos braços do pai e docilmente cede à cama.

—Eu consegui, Betty! Coloquei a doce mostrinha para dormir!

—Mais uma!

—O quê?

—Nossa filha é mais uma que não conseguiu resistir a seu charme! Assim como eu, assim como a minha mãe!

—Ah é? E a senhora não consegue resistir a mim, não? -beijo

Mas Betty lembra de uma cena que aconteceu há uns dois anos e desata a rir.

—O que foi, Betty?

Ela continua a rir e não consegue parar.

—São cócegas, ou o quê?

—Não, não — E ria. Fazendo com que ele começasse a ficar meio bravo.

—Ai, desculpa! É que falamos da minha mãe — ria –e lembrei-me que quando lemos uma reportagem sobre a Ecomoda na revista, achamos você muito charmoso e bonito. -continuou rindo -Aí, quando você foi em casa montado de Drag Queen, a cara de decepção de minha mãe. “Eu imaginava ele diferente”

—Ah isso? -Logo, ele começou a rir também -Acho que nunca ela ia imaginar que alguns meses depois eu estaria pedindo sua mão. Haha por pouco Seu Hermes não me pegou! Parecia cena de “A gaiola das Loucas”.

—Sim, assisti com Nicolás no cinema. Fomos escondido, pois meu pai disse que este tipo de filme não podia, mas achamos muito engraçado!

—E é muito engraçado! Agora imagina! Se ele visse o futuro genro, então. Jamais teria me dado sua mão. -beijou a mão de Betty

—Haha! Não daria a mão? Ele teria me arrancado da Ecomoda se suspeitasse que meu chefe estava em nossa casa e ainda vestido assim! Haha

—Foi aí que eu comecei a ver que estaria comigo em todas as horas, uma amiga mesmo!

—Você andando assim e de salto haha deve ter ficado com dois metros de altura!

—Estava ridículo, tive muito medo de ser preso. Estes caras sofrem. E que dificuldade para tirar aquela maquiagem, os colares, a roupa! Haha!

—Sim! Haha!

—Você que me ajudou. Haha hummm... imagina quase fiquei nu na sua sala!

—Sim. (Ela para de rir e fica bem vermelha)

—Escuta...

—Ah não, Armando, não me pergunte isso! (Betty fica sem jeito, imaginando o que ele vai perguntar)

—Você já gostava de mim, já me achava bonito, por acaso não aproveitou...

—Ai, não, Armando.

—Aproveitou, não é? Do meu desespero!– riu -Ajudou-me a tirar os aparatos, passou creme no meu rosto, no meu pescoço, ajudou-me a me despir...

—Foi meu prêmio, de onde te resgatei era muito perigoso!

—Ah, espertona! -beijou-a -Merece muito mais!

—Sim?

—Sim. -beijo, beijo

Os dois se abraçam, sentindo-se cúmplices do mesmo desejo e continuam a se beijar, enquanto ele a carrega para a cama para amá-la intensamente mais uma vez.

—Naquela noite, fiquei escrevendo em meu diário e nem consegui dormir pensando em você! Queria tanto abraçar o seu corpo enquanto tirava seu vestido!

—É uma fantasia sexual bem esquisita! Agarrar o homem que ama vestido de Drag Queen! -risos

—É máximo com o que poderia sonhar nestes dias!

Os dois continuam se entregando ao desejo até chegarem ao clímax juntos.

Durante aquela semana, hora mais romântica, hora mais ardente, Armando quis recuperar o tempo, afinal foram quase 4 meses de resguardo de Betty.

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