Talvez Seja Amor
8 Capítulo 8
POV BELLA
Na manhã seguinte ao meu aniversário, quando acordei notei que Rosalie não estava mais no quarto, apenas Alice dormia. Sem fazer muito barulho para não acordá-la, corri para o banheiro, e após fazer minha higiene matinal e trocar de roupa, desci para o café da manhã, voltando ao quarto apenas para escovar os dentes e pegar minha mochila.
Fora uma manhã normal na escola, como qualquer outra. Assisti a todas as aulas daquela quinta-feira, muita lição para casa, trabalho em grupo, encontrei os meus amigos no intervalo, e fui mimada pelo meu namorado. O de sempre.
Na saída, Mike me acompanhou até o meu carro.
– Então... tudo certo hoje à noite? – ele perguntou.
– Claro. – assenti, jogando minha mochila no banco de trás do carro.
– Estou te pegando às oito horas – avisou.
– Ok. – sorri.
– Bella, posso te perguntar uma coisa? – Mike parecia incomodado.
– Claro. O que?
– Por que Alice não gosta de mim? – quis saber.
Limpei a garganta antes de responder.
– Não é que ela não goste de você. Ela... Alice só está sendo um pouco ciumenta. – ele esboçou protestar, então continuei. – Entenda, Mike. Quando morávamos em Los Angeles, nós duas éramos muito amigas, fazíamos muitas coisas juntas. E... depois que me mudei, nas vezes que Alice veio nos visitar, você está sempre comigo, e isso, bem... ela acha que nossa amizade não é mais como antes por sua causa.
– Tem certeza que é só isso? – ele ergueu uma sobrancelha.
– Sim, só isso. – menti.
Não era apenas isso. Deixei de fora as partes que ela me convencia de que ele não era o garoto certo para mim, e que no fundo eu gostava dele apenas como amigo. Se Mike cogitar sonhar todas as coisas que Alice me dissera na noite passada, isso seria um grande problema. Era realmente uma pena que os dois não se dessem bem.
– Ainda assim não acho que isso seja um motivo pra tanta hostilidade. – se queixou. – Mas... não vamos mais falar disso. – ele me puxou contra o peito. – Espero que agora que ela está indo morar com vocês, pare de reclamar sua atenção. – falou em um tom desgostoso.
– Espera. – me desvencilhei dos seus braços para encará-lo. – Você está chateado porque Alice vai morar na minha casa?
– Não. Com o fato que ela ficará mais tempo com você do que eu.
– Você também não, Mike. Era só o que faltava, você com ciúmes da Alice. – rolei os olhos.
– Não pense que não sinto ciúmes de você, porque eu sinto sim. Só não demonstro. – ele disse, dando de ombros.
– Então continue não demonstrando. Não tem motivos para isso. – falei, cruzando os braços.
– Não tenho motivos? Lembra quando você chegou na escola e todos os garotos ficavam te olhando, querendo saber quem era a garota nova, tentando se aproximar de você? Acha que isso não me incomodou? – ele inquiriu.
Não entendi o porquê do assunto agora, tanto tempo depois. Ele nunca falou sobre isso antes.
– Mike. – suspirei. – Nenhum outro garoto desta escola olhou diferente para mim. Sem falar que nós começamos a namorar pouco tempo depois que cheguei. Pare com isso. – pedi categórica.
– Porque você não notava. Até o Tyler tinha uma queda por você, sabia? Por isso criei coragem e te convidei para sair antes que alguém tomasse a iniciativa antes de mim. – confessou, rindo.
– Mike, por que o assunto agora? Aonde você quer chegar? – perguntei.
– Em lugar nenhum. Só estou dizendo que senti e ainda sinto ciúmes de você. Você é muito bonita, e eu sei que há uma fila esperando por uma oportunidade.
– Certo. Você não sabe o que está dizendo. Agora eu preciso ir. – falei, tentando encerrar o assunto.
– Pego você mais tarde então. – disse, dando-me um selinho em seguida.
– Ok. Até mais tarde. – nos despedimos e entrei no meu carro, enquanto ele se dirigia para o próprio automóvel.
Dirigi um pouco mais rápido que de costume para casa. Ontem à noite, antes de cairmos no sono, tinha prometido ajudar Alice na arrumação do quarto de hóspedes quando voltasse da escola. Na verdade, o quarto já era dela, uma vez que estava sempre pronto para quando ela nos visitava.
Ao chegar, perguntei a minha mãe onde Alice estava, que me informou que ela estava arrumando o quarto. Quando entrei, a observei sentada no chão, olhando para todas as suas coisas, que não eram poucas, devo dizer.
– Hey, Alice. – sorri para ela.
– Bella. – ela abriu um amplo sorriso. – Que bom que você já está aqui. Eu não sei por onde começar. – ela apontou para as malas abertas, e as roupas e objetos espalhados pelo chão e cama. Você me ajuda? – pediu em tom de súplica.
– Nós combinamos que eu ajudaria, lembra? – sorri. – Por onde começamos? – perguntei animada.
– Diga você. – ela riu.
Sentei-me no mar de malas e então me fiz a mesma pergunta: Por onde começar?
Sempre soube que Alice era uma amante de roupas e tinha muitas delas. Mas, agora compreendi que eu havia subestimado a quantidade. Ela não tinha apenas muitas roupas. Alice tinha na verdade uma quantidade de roupas que daria para abrir uma loja. Nem preciso mencionar os tantos pares de sapatos, bolsas, maquiagem, entre outros acessórios. Alice era a personificação do consumismo, assim como Rosalie. Nesse ponto, as duas tinham muito em comum.
Horas mais tarde, óbvio que não terminamos de arrumar tudo. E óbvio que não caberia tudo no closet. Alice ficou de decidir o que faria, e disse que eu poderia ir, uma vez que eu tinha um encontro com Mike naquela noite. Como Rosalie já tinha chegado do trabalho, se prontificou a ajudá-la.
– Queria muito ficar e ajudar um pouco mais, mas preciso concluir uma lição antes de me arrumar para sair. – eu disse a elas.
– Não se preocupe, Bella. Você me ajudou muito. Obrigada. – agradeceu Alice com um sorriso.
– Sabe que não precisa me agradecer. – falei, e me virei para sair do quarto quando a voz de Rosalie me fez parar na porta do quarto.
– Vai lá, irmãzinha. E não se esqueça de vestir uma lingerie sexy por baixo. Essa é a mais importante que a roupa principal. – provocou Rosalie, rindo.
Virei-me para dar uma resposta desaforada, mas quando a encontrei rindo, assim como Alice, achei melhor não dizer nada. Não adiantava dizer alguma coisa a essas duas. Engoli a irritação e saí do quarto, batendo a porta com força.
POV ROSALIE
Não entendo por que Bella ficava tão irritada com as insinuações sobre sexo. Não sabe ela o que está perdendo. Porque se eu soubesse que fazer sexo fosse tão bom, não tinha esperado tanto tempo.
Passada a crise de risos após a reação da Bella, ou a falta dela, Alice e eu continuamos a organizar suas coisas no quarto.
– Não vai à academia hoje? – perguntou Alice.
– Não. Eu não vou todos os dias. – respondi enquanto pendurava os seus vestidos.
– Oh. A rainha da malhação também sente preguiça? – ela riu.
– Na verdade não. Você sabe, estou satisfeita com o meu corpo. Chegou onde eu queria, então vou à academia apenas para mantê-lo. Duas ou três vezes por semana é o suficiente. – informei despreocupada.
– Convencida. – ela riu ainda mais.
– Só estou falando a verdade, Alice. – sorri, jogando uma peça de roupa nela.
– Eu sei sua boba. – ela riu. – Mas confessa, no fundo você é um pouquinho. – ela jogou a peça de volta em mim.
Sorri, continuando a fazer o que fazia.
– Quanta roupa você tem! – eu disse a ela. – Achei que a Bella estava exagerando, mas estou constatando que não. – Alice tinha mais do dobro da quantidade de roupa que eu tinha. Definitivamente, precisava aumentar a freqüência das minhas idas ao shopping e apelar para um aumento também.
– Eu não tinha metade disso há um ano. – ela informou.
– Seu salário era tão bom assim?
– Digamos que dava para sobreviver com conforto. – Alice riu. – Bom, a grande maioria eu comprei, mas muitas das peças ganhei. Sabe como é, tive a oportunidade de conhecer muita gente envolvida com moda, com as grandes marcas.
– Entendi. – abaixei-me para pegar mais uma muda de roupa na mala quando a vi dobrar algo que me chamou a atenção. – O que é isso que você acabou de dobrar? É um vestido?
– Sim, é um vestido. – ela o abriu. – Você quer ver?
– Quero.
Ela o jogou em seguida à minha mão.
– É lindo! – exclamei. – Tão sexy. – Era um tomara-que-caia com estampas psicodélicas, bem justo, curto e decotado.
– Perfeito, não é?
– Onde você conseguiu isso?
– Ganhei, mas nunca usei. – ela deu de ombros. – É um Emílio Pucci.
– Emílio Pucci? Uau, Alie, você vai ter que me emprestá-lo qualquer noite dessas.
– Pode ficar com ele.
– Você está falando sério? Você está me dando? – inquiri incrédula.
– Sim. A partir de agora ele é seu.
Avancei até ela e a abracei em agradecimento.
– Você é o máximo, Alie. Obrigada, obrigada, obrigada. – a enchi de beijos na bochecha. Nesse momento, meu telefone celular começou a tocar. Afastei-me de Alice para olhar o visor. Meu coração acelerou e o meu sorriso cresceu na mesma hora.
– Ai meu coração. – coloquei a mão no peito.
– Que foi Rose? Quem é? – perguntou Alice.
– Emmett. O carinha que falei a vocês ontem à noite, lembra?
– Então atende logo. – pediu-me, animada.
– Alô? – falei ao atender.
– Olá. Como vai a garota mais linda da Beautiful Body?
– Emmett? – perguntei, tentando fazer de conta que não sabia que era ele quem me ligara. Claro que eu tinha gravado seu número no meu celular.
– Ele mesmo. Espero não estar incomodando. – ele tinha uma voz tão sexy.
– Não, claro que não. Você incomodar alguém? Impossível. E agradeço o elogio, apesar de achar que não é para tanto. A mais linda da academia? – sorri, fingindo surpresa e ceticismo. Eu sabia que não havia alguém que chamasse mais a atenção que eu na academia.
– Garanto que ninguém duvida disso. E aí, como você está? – perguntou.
– Melhor agora. E você? – perguntei, tentando demonstrar sutilmente o interesse.
– Bem... mais ou menos, depois do bolo que você me deu ontem. – Bingo! Eu sabia que a festa de aniversário da Bella tinha vindo a calhar. Agora ele estava louco de vontade de sair comigo.
– Oh, não dei um bolo. Expliquei que era aniversário da minha irmã. Esqueci totalmente deste detalhe quando marquei o encontro com você. Sinto muito.
– Tudo bem, desculpas aceitas. Mas, e hoje? Você vai fazer alguma coisa, tem alguma outra festa? – ouvi o som do seu sorriso do outro lado da linha.
Merda. Ele queria sair hoje. E agora?
– Hoje? Humm. – ergui os olhos para Alice, na tentativa de pedir ajuda, mas ela começou a gesticular algo que eu não conseguia entender. – Er... eu estou com uma prima que vai passar a morar na minha casa, sabe. Prometi ajudá-la com a mudança, e é o que nós estamos fazendo agora.
– Pode ir, Rose. Eu cuido disso sozinha. – murmurou Alice.
Droga, eu realmente quero ir, mas queria deixá-lo esperando um pouco mais.
– Sua prima pode vir junto também. Assim ela poderia fazer companhia a meu irmão. Eu pensei em chamá-lo também. – sugeriu Emmett. Até que seria uma boa sair com ele e Alice vir junto. Ela poderia ficar com o tal irmão, e eu com o Emmett. Perfeito.
– Eu preciso perguntar a ela. Espera um minuto? – pedi.
– O tempo que quiser, Rose.
Coloquei a mão no telefone para que Emmett não pudesse ouvir a minha conversa com Alice.
– Perguntar o que? – Alice franziu a testa.
– Emmett quer que eu leve você, assim ele vai com o irmão. E então? Não aceito não como resposta.
– Sei não, Rose. Não acho isso uma boa idéia.
– Por favor, Alice. Venha. Você não tem idéia do quanto ele é irresistível. Estou muito a fim, e você indo é uma garantia que não vou acabar a noite na cama dele. E aí? Sim? – implorei, em um sussurro.
– Rose, pelo amor de Deus! Você está tão desesperada assim? – perguntou num tom de voz um pouco alto.
– Shiuu, ele pode ouvir. – adverti. – Você sabe que desde o John não sei o que é sexo. E se você conhecesse o Emmett, entenderia minha necessidade.
– Tudo bem, eu vou. – ela revirou os olhos. – Mas só porque quero matar a curiosidade mesmo. Ver o que esse Emmett tem de tão maravilhoso.
– Te amo, Alice. – a abracei. – E oh, quem sabe o irmão dele seja bonitinho. – pisquei um olho para ela, empolgada com a idéia.
– Rose, não ouse tentar me empurrar para o irmão dele. E nem pense que este encontro vai sair barato, vou cobrar o favor depois. – ela cerrou os olhos.
Sorri e voltei ao celular.
– Emmett? Tudo certo, ela vai. Onde nos encontramos?
– Pensei numa casa noturna que abriu na Truxel Road, um amigo disse que é legal. Podemos pegar uma mesa, e assim conversar, nos conhecer melhor, quem sabe dançar um pouco depois. O que você acha?
– Hmm... sei qual é. A que horas te encontro lá? – perguntei.
– A que horas quer que eu pegue vocês? E por favor, me passe seu endereço.
– Não precisa, vou no meu carro. Que horas?
– Ah, qual é Rose, eu fiz o convite. Eu pego vocês em casa, faço questão. – insistia.
– Não, Emmett. Não precisar se incomodar. Nós vamos no meu carro.
– Se prefere assim. Bom, que tal às nove?
– Ótimo. Estaremos lá às nove. Até mais, Emmett. – falei, usando o tom de voz mais sexy que eu sabia falar.
– Até mais garota. Um beijo. – disse, desligando em seguida.
Um beijo? Ai meu deus! A noite promete.
– Alie, vamos deixar isso para amanhã. Temos que ficar lindas para esta noite. – falei, começando a fechar sua mala. – A propósito, vou com o seu vestido, ou melhor, o meu vestido – eu ri. O encontro com Emmett sem dúvida era uma boa oportunidade para usar o vestido. O que ele tinha de perfeito tinha de provocativo. Uma ótima pedida para quem queria incitar alguém, nesse caso, o Emmett.
– Claro, ele agora é seu. Agora, por que a pressa se você marcou só às nove? – ela franziu a testa.
– Porque não quero me atrasar, óbvio.
– Se você quer mesmo tê-lo na mão, os atrasos fazem parte da conquista. Deixe-o esperando um pouco.
– Você acha? – perguntei.
– Confie em mim. Vamos chegar depois das nove e meia.
– Ok. – sorri. – Bem, então vou pegar algo na cozinha para comermos. Depois, banho. – suspirei. – Quero ficar bonita, cheirosa e o principal: irresistível.
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Notas finais
Acho que esse encontro vai dar o que falar. Agora, qual será o irmão que o Emmett vai levar? Edward? Jasper?
Querem me deixar feliz? Façam uma coisa simples, deixem uma review :)
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