Notas iniciais
Olá
Mais um capítulo saindo ;)

POV EDWARD


Como na noite anterior fiquei horas arrumando as malas para a breve temporada que passaria viajando com a peça, indo dormir quando já se passava das duas horas da manhã, planejei dormir até mais tarde. Porém, como quase nada sai como planejamos, o som estridente do despertador fez-me lembrar que eu havia esquecido desligá-lo para que não despertasse às sete da manhã, horário que eu pretendia levantar-me da cama anteriormente.

O som cessou, fazendo-me enterrar novamente o rosto no meu travesseiro. Mas eu sabia que seria apenas por cerca de dois minutos, pois o barulho voltara logo em seguida. Ainda mais alto.

Merda!

Contrariado, e ainda de olhos fechados do sono, estiquei o braço até a mesa de cabeceira, apalpando todos os objetos na tentativa de encontrar o despertador. Mas quando o alcancei, sem querer acabei derrubando-o no chão. Pelo forte barulho quando tocou o piso, eu sabia que, no mínimo, o objeto estava em pedaços. Abri os olhos e então levantei da cama, vendo que não havia outro jeito, agachando-me para colher os restos dele. E no momento em que ainda estava agachado, ouço vindo do corredor a voz de Emmett e no segundo seguinte a porta do meu quarto se abrir.

– Ora, ora. Não é que o grande Edward dorme nu. – ele riu. – Já pensou se alguém entra aqui e te encontra assim? Como Adão no paraíso? – inquiriu Emmett, ainda rindo.

– Estou no meu quarto, e além de não ser da sua conta a forma que eu durmo pelo que eu sei não sou o único. – disse ainda com a voz grogue do sono, enquanto me deitava novamente na cama e me cobria.

– Que mau humor, hein?

– Emmett, são sete da manhã, eu estou muito cansado, não dormi o suficiente, tenho um dia cheio, viajo amanhã, e então faz um favor, diz logo o que você quer e me deixe dormir. – fechei os olhos.

– Vou numa entrevista de emprego. – respondeu.

Tornei a abrir os olhos no mesmo instante, vendo-o ir em direção ao meu closet.

– Sério? – franzi a testa, cético. Ouvir Emmett falar em entrevista de emprego não era algo muito comum. Ou melhor, nada comum.

– Por que não? Acha que é o único responsável aqui? – perguntou em uma voz calma, abrindo as portas do meu closet. – Refrescando sua memória, ainda sou formado em Publicidade. – completou.

– Mas nós dois sabemos que você nunca quis exercer a profissão. – eu disse, sentando-me na cama.


– Eu nunca disse que não queria exercer a profissão, Edward.

– Bem, não com essas palavras. – eu disse, tentando enxergar o que ele estava fazendo em meu closet. – O papai tentou te convencer a continuar na empresa dos Watson quando seu estágio terminou e você recusou a proposta que eles te ofereceram, lembra? Aquele seu amigo, o Scott, também te ofereceu uma vaga na empresa que ele... – me interrompi. – O que você está procurando aí? – perguntei, franzindo a testa.

– Achei. Sabia que você escondia a chave do carro do papai aqui. – ele disse, fechando as portas e rodando a chave em um dos dedos.

– Emmett, você não está pensando em ir com o carro do p...

– Estou, Edward. – interrompeu-me. – Não posso chegar num Jeep Wrangler no meu futuro local de trabalho. Você sabe que uma boa impressão ajuda na contratação, e eu quero parecer... sério.

– Ninguém dirigiu o Mercedes ainda, nem mesmo o papai. E se acontecer alguma coisa?

– Qual é, Edward? Eu não vou bater com o carro. Nós dois sabemos que aquele acidente não foi culpa minha.

– Mas se você não estivesse bêbado aquele dia, não teria mexido com uma mulher casada e o marido dela não teria te seguido, e conseqüentemente você não teria batido de frente com um poste tentando fugir dele. – lembrei-o.

– Mas eu não estou numa festa e muito menos bêbado, então relaxa que, sim, eu vou com o carro. – ele disse, caminhando para a porta.

– Hey, espera. – ele parou e olhou para mim. – Onde é a entrevista?

– J.W. Thompson.

– Não? – perguntei com ceticismo. A J.W.Thompson é uma das maiores agências do ramo de publicidade do mundo.

– Sim. Na J.W. Thompson. – repetiu, dando-me as costas e indo em direção a porta. Parou ao abrir, voltando a olhar para mim. – Não vai me desejar ‘boa sorte’?

– Desculpe. – eu ri. – Eu só fiquei um pouco surpreso. Boa sorte Emmett. – desejei com sinceridade.

– Te vejo mais tarde, Edward. – disse, fechando a porta ao deixar o meu quarto.

Emmett podia ter atitudes infantis, ser um babaca e se comportar como um completo idiota às vezes, além de ter um ego inflado, se preocupar demais com a aparência e pensar em sexo de uma forma anormal. Mas uma coisa eu tinha que reconhecer. Emmett era um homem inteligente, embora não demonstrasse sua capacidade com muita freqüência.

E apesar de ele ter sido um dos alunos mais faltosos em seu curso de Publicidade, tendo que contar com a ajuda do nosso pai, que apesar de não concordar, teve de intervir para que Emmett não fosse reprovado por faltas, já que seria impossível uma reprovação por notas baixas. Meu irmão mais velho era boêmio, gostava da noite e sua vida se resumia a flertar e freqüentar os pubs ingleses, até mesmo nos dias de semana, o que o levava a cabular muitas aulas, para o desespero dos nossos pais. Entretanto, Emmett nunca demonstrou interesse em abandonar a faculdade. Ao contrário, sempre pegava assunto atrasado com amigos, principalmente as amigas. Estudava por horas, tentando recuperar o que perdera, muitas vezes varando a madrugada, e ainda assim obtinha sempre notas excelentes. Tínhamos que dar-lhe os méritos. E vê-lo tentando dar um rumo na vida e sair da dependência do nosso pai, começando por uma empresa bem sucedida, era um grande passo.

Logo que Emmett deixara o quarto, meus olhos se fecharam e eu voltei a entregar-me ao sono, mas algum tempo depois, ouvi leves batidas na porta. Bufando, esfreguei os olhos.

– Entre. – gritei, quando então Jasper surgiu ao abrir a porta. – O que foi Jasper, entrevista de emprego também? – brinquei.

– Não. Só passar um recado. – ele riu. – O pessoal do teatro ligou e pediu para te avisar que a viagem foi adiada para o sábado.

– Que?

– Isso mesmo.

– Então não vamos mais viajar amanhã? – ele assentiu com a cabeça. – Bom, isso é realmente uma ótima notícia. – eu ri, bocejando em seguida. – Estou morto de cansado, queria dormir a manhã inteira, mas tinha um dia programado de coisas a fazer, e agora que ganhei mais um dia, posso deixar isso para... – bocejei. – amanhã. – puxei os lençóis, me cobrindo.

– Recado dado. – disse Jasper.

– Hmmm... – sibilei. A exaustão me fazendo cair em um sono profundo.


x-x-x-x-TSA-x-x-x-x


Não sei exatamente por quantas horas dormi, mas acredito que tenha sido por mais tempo do que previra. Mesmo acordado, permaneci um tempo deitado, com um braço nos olhos. Minutos depois, resolvi abri-los, espreguiçando-me em seguida. Decidindo que era hora de despertar, sentei-me na cama, flexionando braços e pescoço antes de me levantar. Caminhei até a janela, observando o céu nublado, embora não estivesse com jeito que fosse chover.

E enquanto permaneci ali, admirando a paisagem através da janela, senti meu estômago roncar. Foi quando meus olhos caíram sobre o relógio. Eram seis horas da tarde. Rumei ao banheiro para um rápido banho, chocado. Não me lembro de ter dormido tanto assim em toda a minha vida.

Quando terminei o banho, vesti uma bermuda preta e camiseta branca, saindo do quarto em seguida.

E enquanto descia as escadas: silêncio.

Jasper e Emmett haviam saído? Quero dizer, Emmett já deveria ter voltado há bastante tempo da entrevista e provavelmente estava na academia, mas Jasper sempre estava em casa neste horário.

Fui até a cozinha. Preparei dois sanduíches de frango grelhado que estava congelado, abri uma coca-cola, e sentei-me sobre o balcão.

– Você perdeu um dia na cama. – entrou de repente Jasper na cozinha, assustando-me e me fazendo engasgar com a coca-cola.

– Susto, Jasper! – me levantei para pegar um pano e limpar um pouco da coca-cola que caíra na minha camisa.

– Foi mal, Edward. – riu – Não queria te assustar.

– Tudo bem. E aí, o que eu perdi hoje? – perguntei enquanto me limpava.

– Nada demais. Emmett voltou da entrevista e agora está aguardando o resultado.

– E o que ele falou? Tem chances? – perguntei, voltando a comer o sanduíche.

– Bom... ele está bem otimista.

– Se acontecer, será ótimo para a carreira profissional dele. Começar na J.W.Thompson.

– Verdade. E um orgulho para o nosso pai.

– Emmett trabalhando. – eu ri. – Parece mentira.

– Já pensou o sossego que ficará esta casa com Emmett fora o dia todo? – Jasper comentou e nós dois rimos, quando então ouvimos o barulho do carro do lado de fora.

– Emmett. – sussurrei. – Melhor calarmos a boca.



POV EMMETT


Cheguei da academia um pouco frustrado. Achei que encontraria a Rose, mas ela não apareceu hoje.

Droga.

Eu estava tentando fazer um jogo com ela. E, por Deus, tinha que dar certo. Meu plano era: não demonstrar que estava interessado. Convidá-la para sair, ser um verdadeiro cavalheiro, não tentar beijá-la nenhuma vez e quando ela estivesse louca por mim, eu iria me aproveitar e levá-la para cama.

Soava um plano tão perfeito.

Abri um sorriso.

– Rindo sozinho, Emmett? – perguntou Jasper quando entrei na cozinha, que estava ao lado de Edward.

– Não enche. – disse um pouco ríspido.

– Opa. Não está mais aqui quem perguntou. – ele jogou os braços para cima.

– E a tal loira da academia? – perguntou Edward enquanto comia.

– Ela não foi hoje. – dei de ombros e percebi que os dois estavam rindo. – Vocês acham que não vou conseguir, não é? Não vai demorar muito. Escrevam aí.


Início Flasback


No meu primeiro dia na academia já percebia a mulherada dando mole pra mim. Eu, muito simpático, distribuía sorrisos para todas elas. Eu só conseguia pensar no quanto me daria bem nesta cidade.

Lógico que eu chamava atenção. Físico atlético, bonito, e para completar o meu currículo, eu tinha um Jeep Wrangler.

Durante semanas, entre uma série de exercício e outra, alguma garota se aproximava para bater papo comigo. E assim conheci a Nancy, Anna, Mandy, Kate... e muitas outras cujo nome não me recordava agora. Troquei telefone com as mais quentes, lógico.

Eis que em um desses dias, quando caminhava em direção ao meu carro no estacionamento para ir embora, meus olhos se focaram na deusa de cabeleira loira descer de um Pajero. Ela era gostosa pra caralho!

Meu Deus! O que era aquela mulher?

Ela vestia uma calça de ginástica preta bem justa, e eu me peguei imaginando como seria tocar aquelas coxas grossas. E que bumbum era aquele? E aqueles peitos? Não, aquilo só podia ser silicone. Não pude evitar que a minha mente imaginasse como deveria ser aquele espetáculo deitado em minha cama.

– Para Emmett. – ralhei com a minha mente.

Mas aquilo era mais forte que eu, porque fazia parte da minha natureza. Tentei lutar, mas não conseguia desviar os olhos dela, que deve ter percebido que eu a encarava boquiaberto, pois estava agora olhando para mim.

O que, ela estava... sorrindo?

Sim. Definitivamente ela estava sorrindo. E para mim.

Sorri para ela de volta, observando-a caminhar em direção a porta de entrada da academia.

Gata, você está na minha mira.

Soltei uma risada alta e então entrei no meu carro.

Na segunda-feira seguinte, fui mais tarde à academia, chegando exatamente na mesma hora em que a loira havia chegado dois dias atrás. Fiquei desapontado quando percebi que o carro dela não estava lá.

– Tudo bem, ela ainda vai aparecer. – disse para mim mesmo.

Comecei a malhar. Tentei fazer as séries de forma lenta, para dar tempo de encontrar a loira e então tentar puxar assunto com ela. Mas ela não chegara em nenhum momento.

E no dia seguinte, fiz o mesmo, indo novamente no mesmo horário. E ao chegar ao estacionamento, notei o Pajero.

Sorri com o conhecimento. Ela estava lá.

– Hoje ela não me escapa. – murmurei para mim mesmo enquanto entrava na academia.

Santo pai do céu! O que era aquela mulher malhando?

Eu não conseguia piscar os olhos. Eu e toda a comunidade masculina ali presente. A loira estava deitada de bruços num equipamento que trabalhava pernas e coxas. Sua bunda perfeita virada para cima enquanto ela executava os movimentos de levantar e abaixar as pernas. Ela levantava e abaixava, levantava e abaixava, levantava e abaixava... Meu Deus! Essa mulher será a minha morte!

– Gostosa não é?

– Han?

– A loira. Ela é bem quente! – disse um dos caras que treinava no supino comigo.

– É. Ela é bonita. Mas não fora do comum. – falei, dando de ombros. Não queria demonstrar para os caras o que ela despertava em mim.

– Fala sério, cara. Esta é a garota mais bonita e a mais gostosa da cidade. Mas, parece que ninguém aqui é bom o suficiente pra ela. Nunca a vi sair com nenhum dos caras da academia.



– Sério? Quer dizer, nenhum cara aqui saiu com ela ainda? – perguntei, de repente interessado. Eu não me importava com o passado das mulheres que eu costumava transar. Mas com esta mulher em particular, o fato que ninguém da academia tenha tido a oportunidade antes de mim deixou-me animado. Isso significava que ela não era fácil. E eu adorava um desafio.

– Bem que tentaram. Eu, inclusive. – ele riu. – Mas ela simplesmente dispensou todos nós.

– Humm... interessante. Digo, vai ver ela tem namorado.

– Não, ela não tem. Não no momento. Meu vizinho namora a irmã dela, e ele tem certeza que a Rose está solteira.

– Rose?

– Sim. Rosalie é seu nome. Rose deve ser apelido.

– Claro, claro.

“Solteira”. Pensei.

É, está tudo trabalhando a meu favor. Agora só falta demonstrar que não sou igual a esses babacas, para ela estar comendo na minha mão em poucos dias.

Primeiro passo: começar a malhar e fazer de conta que ela não estava chamando a minha atenção. E então o fiz. E enquanto treinava, pensava numa alternativa para me aproximar, em como puxar assunto sem parecer que eu estava flertando.

E quando de repente olhei em sua direção, a peguei olhando para mim.

É, parece que não vou ter tanto trabalho assim.

Aproximei-me da loira, dando-lhe um breve sorriso. E ela sorriu de volta. Bingo!

Peguei um par de halteres, sentei na bancada e comecei a trabalhar os bíceps. E então, minutos depois, para o meu ego e satisfação, ela falou comigo.

– Isso parece pesado. – comentou a loira, Rosalie, segundo o cara de minutos atrás.

Bingo!

– Nada. É levinho. Quer tentar? – comecei, tentando impressioná-la com a minha simpatia. Eu tinha que começar devagar.

– Não sei, parece pesado para mim. Mas, deixe-me ver. – ela tentou levantar os halteres, e lógico que não conseguiu. Era muito pesado para uma mulher.

Ela entregou-me de volta, sorrindo de uma forma que deveria ser crime. Sexy!

– Cuidado, você pode se machucar...

– Rosalie. Mas pode me chamar de Rose. E você? – ela estendeu a mão.

– Emmett. Prazer, Rose. – sorri, segurando a sua linda e pequena mão. Macia. Imaginando as loucuras que elas poderiam fazer comigo.

Sacudi esses pensamentos para longe. Pelo menos não enquanto ela estava aqui do meu lado.

Nós começamos a conversar enquanto malhávamos juntos. Conversamos sobre diversos assuntos: corpo perfeito, anabolizantes, vitaminas, silicone (descobri que ela não tem, mas pretende colocar 200mg em cada peito um dia). Ela percebeu meu sotaque britânico, expliquei que sou de Londres e que me mudei recentemente para Sacramento, com mais dois irmãos.

Sabe, gostei da Rose. Ela era inteligente. Tinha um papo legal, gostava das mesmas coisas que eu. Tudo a ver comigo.

Quando estávamos feitos, na hora da saída eu a acompanhei até o carro.

– Rose, foi bom te conhecer, malharmos juntos e conversar.

– Verdade, Emmett. O treino com você foi bem proveitoso. Se bem que conversamos mais que malhamos – ela riu.

Sorri também. Ela tinha razão, conversamos mais que malhamos.

– Er... Rose, você gostaria de dar uma volta amanhã à noite? Depois da academia? Podíamos conversar um pouco mais, se não tiver nada para fazer, claro. – diz que sim.

– Não, eu não tenho. Por mim tudo bem. – ela sorriu.

Bingo!

– Você pode me passar o número do seu telefone? Assim te ligo para combinarmos melhor. – pedi, usando o meu tom de voz mais sedutor.

– Claro. Você tem onde anotar?

E foi assim que Rosalie e eu nos conhecemos. Trocamos o número de telefone, mas no dia seguinte ela não pode ir à academia, muito menos dar um passeio comigo. Explicou-me que era aniversário da irmã e que a família faria uma festa em sua casa.


Fim Flasback


– Talvez ela não queira mesmo sair com você, Emmett, e arrumou uma desculpa. Já pensou nessa possibilidade? – questionou Jasper.

– Desculpa para sair comigo? – ri sarcástico. – Ontem foi aniversário da irmã dela, por isso ela não pôde ir. Tenho certeza que se eu ligasse para ela neste momento ela aceitaria sair comigo.

– Como pode ter tanta certeza assim? – inquiriu Jasper.

– Porque eu me chamo Emmett Cullen.

Jasper e Edward rolaram os olhos.

– Querem pagar para ver? Vou ligar para ela agora chamado-a para sair hoje. Querem apostar que ela vai?

– Estou fora. – disse Edward.

– Jasper? – eu o desafiei.

– O que você quer apostar? – perguntou.

– Se ela aceitar sair comigo, você terá que vir conosco. – Jasper odiava sair comigo quando Edward não ia. Ele sempre terminava a noite indo sozinho para casa.

– E se ela não for, você terá que ficar um mês sem transar. Aposta feita? – propôs Jasper e Edward riu.

– Porra. Um mês? – perguntei perplexo.

– É pegar ou largar. – Jasper me encarou.

– A minha sentença é bem leve, a sua é muito pesada. Escolhe outra. – falei.

– Quinze dias e não quero outra coisa.

– Caralho. É muito ainda.

– O que foi Emmett? Não se garante? Ou por acaso também acha que ela não vai aceitar sair com você hoje? – eu sabia que Jasper só estava tentando me provocar, mas eu não daria esse gosto a ele. Eu odiava perder apostas, por mais idiota que ela fosse.

– Fechado. Se ela for, você vai comigo. Caso ela recuse o meu convite, fico quinze dias sem sexo. – fiz uma careta.

– E também não pode se masturbar. – acrescentou Jasper.

Revirei os olhos.

– Tudo bem. Quinze dias sem orgasmo. – bufei.

– Essa eu quero ver. – comentou Edward, rindo.

– Vou ligar para ela agora. Assistam.

Peguei o telefone celular, disquei o número de Rose, que mesmo não estando gravado na agenda, eu já decorara.

Alô? – ouvi a voz responder do outro lado da linha.

– Olá. Como vai a garota mais linda da Beautiful Body? – eu tinha que inflar um pouco o seu ego. Se bem que ela não precisava disso.

Emmett? – tão sexy o som do meu nome saindo de sua boca. Imaginando como seria no momento em que ela...

Calma Emmett.

Ele mesmo. Espero não estar incomodando. – falei.

– Não, claro que não. Você incomodar alguém? Impossível. E agradeço o elogio, apesar de achar que não é para tanto. A mais linda da academia? – Ah, você sabe que é!

– Garanto que ninguém duvida disso. E aí, como você está?perguntei.

– Melhor agora. E você? – “Melhor agora?" É, Emmett, parece que isso vai ser mais fácil do que você pensava.

Bem... mais ou menos, depois do bolo que você me deu ontem. – Um conselho: as mulheres adoram quando fazemos a imagem de coitadinhos.

– Oh, não dei um bolo. Expliquei que era aniversário da minha irmã. Esqueci totalmente deste detalhe quando marquei o encontro com você. Sinto muito. – Maldito aniversário.

– Tudo bem, desculpas aceitas. Mas, e hoje? Você vai fazer alguma coisa, tem alguma outra festa? – Não me decepcione. Não hoje, não depois da aposta.

– A resposta dela agora. – disse Jasper, atento a conversa, assim como Edward.

– Hoje? Humm. – ela parou, parecendo estar pensando, depois continuou. – Er... eu estou com uma prima que vai passar a morar na minha casa, sabe. Prometi ajudá-la com a mudança, e é o que nós estamos fazendo agora. – Droga! Outra desculpa não.

Olhei para a expressão de expectativa de Jasper e então tive uma ideia...

Sua prima pode vir junto também. Assim ela poderia fazer companhia a meu irmão. Eu pensei em chamá-lo também. – sugeri, olhando ao mesmo tempo para Jasper, que pela expressão que o seu rosto agora assumia, não gostou nada disso.

– Que você está dizendo, Emmett? Eu só irei se perder a aposta. – avisou um Jasper extremamente irritado.

– Eu preciso perguntar a ela. Espera um minuto? – pediu Rosalie.

– O tempo que quiser, Rose. – disse a ela.

Enquanto Rose falava com a prima sobre a saída, voltei-me para o meu irmão.

– Fazer companhia a prima dela. Custa nada. – eu lhe disse.

– Custa. Emmett, eu não vou com você para nenhum lugar.

– Jazz, deixa de ser idiota. E se a prima da Rose for gostosa também? – perguntei.

– Ela pode ter o corpo mais perfeito do mundo, mas se não tiver conteúdo eu jamais me interessaria. Você me conhece demais para saber que este não é meu tipo de garota. – retrucou Jasper.

– Falando francamente, faz algum tempo que nenhuma garota parece fazer o seu tipo, certo Jasper?

– Emmett... – Edward me advertiu.

– Não estou falando nenhuma mentira. – rolei os olhos. – Não estou dizendo para você namorar a garota, Jasper. Estou propondo que você venha sair conosco, e você vai. A prima indo, ou só a Rosalie indo.

Ouvi a voz de Rosalie, então voltei ao celular.

– Emmett? Tudo certo, ela vai. Onde nos encontramos?

Ela vai! Obrigado meu Deus!

Fiz sinal de ok para meus irmãos. Jasper parecia ainda mais aborrecido, e Edward começou a rir.

– Pensei numa casa noturna que abriu na Truxel Road, um amigo disse que é legal. Podemos pegar uma mesa, e assim conversar, nos conhecer melhor, quem sabe dançar um pouco depois. O que você acha?

– Hmm... sei qual é. A que horas te encontro lá? – perguntou. Se encontrar? Não. Não. Eu vou buscá-las, uma vez que eu propus. E assim sigo com o meu plano de conquista.

– A que horas quer que eu pegue vocês? E por favor, me passe seu endereço.

– Não precisa, vou no meu carro. Que horas?

Droga! Esqueci que ela tem carro, o Pajero. Mas eu insistiria.

Ah, qual é Rose, eu fiz o convite. Eu pego vocês em casa, faço questão. – pedindo com jeito ela não vai resistir.

– Não, Emmett. Não precisar se incomodar. Nós vamos no meu carro. – que mulher irredutível!

Ok, ela venceu.

– Se prefere assim. Bom, que tal às nove?

– Ótimo. Estaremos lá às nove. Até mais, Emmett. – que voz era essa? É de deixar um cara com tesão só em ouvir.

– Até mais garota. Um beijo. – disse, e encerramos a chamada em seguida.

– Eu disse que ela ia. Perdeu otário! Vamos lá, Jasper. Vamos nos arrumar. Rose e sua prima nos espera! – exclamei, gargalhando até a morte.

– Eu não vou passar a noite toda lá, ok? Meia-noite, no máximo, estarei voltando para casa.

– Você que sabe. Não vou transar com a Rose, mesmo. Bem, pelo menos não hoje. – eu ri.

– Ei, Edward. Você bem que podia vir também. – falou Jasper.

– Acho que vou deixar passar essa. – disse Edward.

– Jasper, vocês são gêmeos, mas não nasceram colados. – revirei os olhos, mas Jasper me ignorou totalmente, voltando a falar com Edward.

– Qual é, Edward, sua viagem até foi adiada. Além do mais não vou demorar muito tempo. À meia-noite estou voltando. – insistia Jasper.

– Vamos nessa, Edward. – terminei por me render também. – Só vou te ver quando? Daqui a dois, três meses, sei lá. Vamos beber um pouco. Quero dizer, só eu vou beber porque vocês não atingiram a idade legal ainda. – eu ri, fazendo o último comentário com o intuito de provocar os meus irmãos um pouco. Eles ainda tinham vinte anos, completando idade nova apenas mês que vem, mas ao contrário de como era em nosso país de origem, aqui na América eles ainda não eram permitidos.

– Como se isso nos impedisse. – comentou Jasper referindo-se às identidades falsas que eles tinham, revirando os olhos antes de se voltar para Edward. – E então?

– Nos EUA é proibida a venda de bebida alcoólica para menores de vinte e um anos. – eu disse tentando soar sério, mas explodindo em risos em seguida, adorando deixar Jasper e Edward irritados.

– Emmett, cala a boca. – pediu Edward, me fazendo rir mais ainda. – Tudo bem, eu vou. E estou indo no meu carro.

– Vou com você então. – disse Jasper a Edward. – Mesmo porque não precisamos usar os três carros.

– Algum problema com o meu Jeep ou em ir comigo? – inquiri, fingindo estar magoado.

– Quer mesmo que eu responda? – questionou Jasper.

– Ok. – eu ri. – Estou indo tomar banho. – comecei a andar, mas parando quando dei dois passos e voltei minha atenção para os dois. – Vocês verão. Rose vai ser minha. – eu disse, antes de sair da cozinha.



POV EDWARD



– Ele está tão confiante. – disse Jasper quando Emmett saíra.

– Bom, vamos ver esta noite onde isso vai dar. – eu disse.

– Mudando um pouco de assunto, você já reparou como esta casa está? Temos que dar um jeito, conseguir uma diarista caso Irina não possa voltar este fim de semana, antes dos nossos pais chegarem.

– Quando eles chegam? – inquiri.

– Ainda este mês. Papai ligou hoje de manhã, dizendo que já está liberado para assumir o cargo no Hospital de Sacramento, mas que precisava de uns dias para resolver algumas coisas por lá ainda.

– E a mamãe? Falou com ela também? – perguntei.

– Sim. – Jasper sorriu. – Disse que está com saudades de todos nós e perguntou como estávamos nos virando sem Irina. E, você sabe, capaz da nossa mãe passar mal quando vir sua casa assim. – disse e ele não estava exagerando.

– Ela provavelmente vai pirar.

Esme, assim como a maioria da população feminina mundial, amava uma casa organizada e limpa, e a nossa estava longe de organizada. Além de enorme a casa era antiga, apesar das mudanças que meus pais fizeram, dando-a uma aparência moderna, herança que o meu avô deixou para o meu pai. Carlisle era filho único, e quando sua mãe, a minha avó, morreu no parto, meu avô mudou-se para Londres meses depois, sua terra natal, levando Carlisle, obviamente. Morreu de tuberculose quinze anos depois.

Carlisle sempre quis conhecer os Estados Unidos, sua terra natal. E dois anos após a morte do vovô, ele realizou seu desejo. Procurou a casa que seus pais deixaram em Sacramento e a reformou, para quando quisesse passar qualquer temporada na cidade. Ele retornou para a América apenas anos depois, e dessa vez trouxera minha mãe, Esme. Eles tinham acabado de se casar e vieram passar a lua de mel. Foi nesta casa que Emmett fora encomendado, hoje com vinte e dois anos. Jasper e eu nascemos quase dois anos depois. Somos gêmeos, mas não idênticos. Na verdade somos bastante diferentes fisicamente. Muitas pessoas até acham que Jasper é mais velho que eu, o que não deixa de ser verdade, uma vez que ele nasceu minutos antes de mim.

– Precisamos telefonar para Irina.

– Sim. E dependendo de sua resposta contratar uma diarista antes que nossos pais cheguem. – eu disse. – Bem, você terá que ficar encarregado disso. Emmett não se interessa e eu não estarei mais aqui.

– Primeiro aniversário que não vamos comemorar juntos. – Jasper comentou.

– É. – concordei. – Bem, dependendo da agenda, até posso voltar para passar a data aqui.

– Acha que é possível?

– Sim, caso dia vinte caia em um dia de semana. As apresentações são nos finais de semana, então não vejo problema.

– Eu no seu lugar enlouqueceria passar tanto tempo viajando assim. – Jasper riu.

– Bom, essa será minha primeira vez. Mas a Lily, que já está há bastante...

– Lily? – Jasper me interrompeu.

– Lily Gibson, uma das atrizes. – respondi.

– Ah, a que telefonou semana passada, te convidando para uma festa e você não foi. Sei... – ele riu malicioso.

– Por quê? Não entendi o riso. – perguntei.

– Eu não disse nada.

– E precisa? – eu ri. – Olha, a Lily é ótima, mas não está acontecendo nada. Ela é bonita, claro, mas não há interesse por parte de nenhum de nós. Eu gosto dela, mas só como amigo, e ela se sente da mesma forma.

– Já que você diz. – ele deu de ombros. – Só achei que pudesse rolar alguma coisa, já que você não se envolveu com ninguém desde que chegou nesta cidade.

–Você também não, Jasper.

– Mas é diferente. Você não passou pelo que eu passei e... bom, você sabe que não gosto muito de falar sobre isso. – Jasper ficara incomodado de repente. Apesar de que eu conhecia bem os motivos.

– Eu sei, Jazz. Vou continuar dizendo que te entendo, mas você precisa seguir em frente e descobrir que há muitas garotas legais lá fora, que realmente valem a pena.

– Valeu, Edward. – ele disse ainda um pouco desconfortável. – Mas e aí? Você ainda não conheceu nenhuma garota legal? Nem no teatro? – perguntou, voltando o assunto para mim.

– Bom... você sabe que conheci algumas garotas, mas nenhuma que realmente tenha me interessado. – e então um par de olhos castanhos encheu minha mente e minha vista. – Quer dizer, conheci uma garota ontem, lá no Espejo. Ela é realmente muito bonita. – sorri torto.

– Só se conheceram? Não conversaram?

– Conversamos. Ela estava lá para fazer um teste, e eu fui o escolhido para fazer a cena com ela. Conversamos muito depois disso. Mas não sei se vou vê-la outra vez. Se ela não ficar no grupo, é praticamente impossível nos encontrarmos de novo.

– Não pegou o número do telefone dela?

– Pegar o telefone de quem? – perguntou Emmett que chegava novamente à cozinha.

– Já tomou banho? – perguntei.

– Ainda não. O telefone de quem? – ele perguntou novamente.

– De ninguém, Emmett. – disse, revirando os olhos e levantando-me da cadeira.

– Já sei. Vai tirar o atraso já que vai ficar três meses viajando, han? Se bem que transar com uma mulher de cada lugar que você estiver será uma experiência e tanto, Edward. Já pensou? Eu faria isso se fosse você. – Sim, Emmett só pensa em sexo.

– Adianta eu dizer alguma coisa? – eu perguntei a Jasper.

– Não. Não adianta. – Jasper riu.

– Que é que tem falar que vai fazer sexo com uma garota? Eu por exemplo conto todas as minhas experiências para vocês.

– Porque você geralmente não se importa com os sentimentos delas. – Jasper lhe disse.

– E vocês se importam? Você falou sobre a sua primeira vez, Jasper, e o Edward sobre como era o sexo com a Tanya.

– Você não sabe mesmo diferenciar. – acusei. – Querem saber? Vou para o meu quarto. Estarei aqui embaixo antes das nove.

– É bom mesmo. Daqui a pouco chega a hora de sairmos e vocês ainda estão aqui de papinho. Não quero deixar minha loira esperando. – falou Emmett.

Fui para o quarto, descendo apenas quando estava pronto para irmos à casa noturna. Emmett saiu primeiro, indo no próprio carro enquantoJasper e eu saíamos em meu Volvo prata.

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Notas finais
Um diálogo entre os três irmãos e POV Emmett para vocês entenderem como ele e Rosalie se conheceram.
Espero que tenham curtido!
R E V I E W S
;)