Notas iniciais
Olha só eu aqui atualizando capítulo em 15 dias. Coisa boa hein???
À propósito, obrigada pelas felicitações da monografia no capítulo passado.
Alguém aí está ansioso?
Nos encontramos nas notas finais. Boa leitura ;)

POV BELLA

Eu estava bufando. Bufando e checando de minuto em minuto o relógio de parede localizado no alto, acima do quadro que estava nesse momento completamente tomado pelas malditas contas de geometria que o Sr. Dutton calculava. O meu cotovelo direito estava sobre a mesa, minha mão em punho debaixo do queixo, e a outra mão, a esquerda, tamborilando impaciente a madeira.

Tédio era pouco para descrever essa aula.

Eu odiava as segundas-feiras na escola. Especialmente esta. Primeiro dia de aula após o recesso de fim de ano, e volta antecipada do curso de teatro no Espejo – não via a hora de estar finalmente lá e descobrir o porquê da convocação antes da hora e, claro, para ver Edward – embora esses dois não fossem os únicos motivos para esta minha dose de irritação para com o mundo.

E não, não é TPM. Não costumo ter e nem poderia estar agora, uma vez que meu período chegara onze dias atrás.

Sei que estou sendo estúpida e egoísta, nem deveria estar me sentindo assim. Mas o que eu posso fazer? Eu estava mesmo com raiva, revoltada, irritada. Minha irmã não era a culpada, embora.

A minha sorte sim. Ela adorava estar contra mim.

Ergui os olhos novamente para o relógio quando vi uma bolinha de papel parar na minha mesa. Desinteressada, empurrei para o chão. Suspirei e mudei de posição, pois a anterior já estava me cansando, colocando agora o cotovelo esquerdo sobre a mesa e a mão apoiando a minha cabeça inclinada para o lado, os dois pequenos pingentes pendurados na pulseira do meu braço chamando a minha atenção. Eu adorava ficar assim, simplesmente olhando para ela, o melhor presente que eu já ganhara antes. O barco até poderia ser o maior, mas nada se comparava a esta pulseira, o presente mais significativo que Edward me dera, quando fizemos dois meses de namoro. Os dois pingentes de coração se encaixavam, formando um trecho do romance-tragédia Romeu e Julieta. A letra era tão minúscula que era quase impossível ler. “Minha bondade é tão ilimitada quanto o mar, e tão profundo como este é o meu amor. Quanto mais te dou, mais tenho, pois ambos são infinitos”.

Enquanto lia e relia a frase, senti uma bolinha de papel na parte de trás da minha cabeça. Olhei para trás, procurando o autor do arremesso.

- Foi a Jessica. – disse Jennie baixinho, sentada atrás de mim.

Olhei para trás novamente, no lado esquerdo, e encontrei Jessica remexendo-se freneticamente em sua cadeira.

- O que? – sussurrei.

- O que você tem? – sussurrou de volta.

- Eu? Nada. Por que você está me perguntando?

- Está inquieta e impaciente desde que chegou. – disse.

- Não é nada. Dor de cabeça. – murmurei, voltando a olhar para frente.

E então, quarenta e três minutos depois a tortura finalmente terminou. Jessica e eu saímos da aula e encontramos Angela no corredor, onde caminhamos ao refeitório.

Ao chegarmos lá, percebemos Lauren sentada sozinha, cabeça baixa, na nossa de sempre mesa de almoço. Não nos falamos desde o último episódio na minha casa, durante nossa semana de provas. Por insistência de Jessica, nos dirigimos à mesa em que ela estava.

- Oi Lauren. – cumprimentou Jessica, sorrindo.

Lauren deu um salto e levantou a cabeça, batendo os cílios com uma expressão surpresa, como se não tivesse notado a nossa aproximação e tivesse se assustado.

- Podemos nos sentar? – perguntou Jessica.

Ela olhou para cada uma de nós e deu um aceno de cabeça, assentindo. Enquanto nos sentávamos, olhei para seu almoço que por sinal parecia intocado em sua bandeja.

Nós três seguimos para a fila do almoço, não que eu fosse comer alguma coisa. Não tinha colocado nada no estômago desde que acordei, mas se eu não empurrasse nada para dentro agora, poderia ter sérios problemas mais tarde. E eu não estava mesmo a fim de desmaiar.

Com apenas uma garrafa de Sprite na mão, voltei para a mesa acompanhada por Angela e Jessica, com suas respectivas bandejas. Enquanto as meninas almoçavam e eu bebia meu refrigerante, começamos a conversar sobre o que fizemos durante o recesso e sobre as festas de fim de ano. Contei sobre os presentes que Edward havia me dado, o grito de Jessica ecoando pelo refeitório quando contei sobre o barco, chamando a atenção de todos, enquanto eu exibia com orgulho a minha pulseira, ouvindo as meninas suspirarem e confessarem que gostariam de ter um namorado assim. Bem, com exceção de Lauren, que parecia incomodada com o tópico da conversa.

- Quando vamos conhecê-lo oficialmente, Bella? – questionou Jessica.

- Não sei. – dei de ombros. – Quando tiver oportunidade?

- Poderíamos marcar de sair juntos, o que acham? — perguntou a mim e a Angela com um sorriso animado no rosto. – Eu chamaria o traste do Tyler a Ang poderia convidar o Ben.

- Por falar nisso, como vocês dois estão? – perguntei a Angela.

- Não estamos. – disse ela, brincando com a comida. – Às vezes acho que ele está a fim, outras não.

- Vocês precisam se encontrar mais vezes fora da escola. – comentou Jessica. – Mais um motivo para marcamos um encontro de casais. E então, Bella?

- Não sei. Como disse a vocês, Edward viaja na próxima sexta. – falei, sentindo o bolo na garganta voltando, como acontecia a cada vez que eu pensava ou falava no assunto.

- Você vai morrer quando Edward for embora. – disse Angela com uma expressão de compaixão.

- Ele não está indoi embora para sempre. – disse firmemente. – Ele está indo trabalhar. Não é como se ele não fosse voltar. – continuei.

- Eu sei, eu sei, mas... é que você parece tão dependente dele agora. – ela continuou. – Você está sempre com ele, quase não nos vemos mais, a não ser aqui na escola.

- E... isso é algo ruim? – questionei incerta.

- Não, não é, Bella. – respondeu Angela, sorrindo. – Você só está... muito apaixonada. – acrescentou com uma voz que dava a entender que isso era muito óbvio.

- Honestamente, é impressionante a diferença do seu namoro atual com o que era quando você e Mike namoravam. Vocês nunca foram desse jeito. – disse Jessica.

- De que jeito? – perguntei.

- Bella, a forma como você fala de Edward, é como se ele fosse toda a sua vida. Quando vocês estão juntos aposto que são um perigo à diabetes. E olha que eu só vi vocês aquele dia aqui, no estacionamento. – disse Jessica com uma risada.

- Nem me lembre aquele dia. – estremeci com a lembrança.

- Bem, seu namorado deu um bom corretivo naquele idiota. – disse ela, enfiando o garfo no tomate da pizza.

- Sabe, eu sei que não deveria dizer isso, mas... até que estou sentindo falta dele. Estudamos juntos tanto tempo. É estranha a escola sem ele. – Angela argumentou, olhando cautelosamente para mim.

- Tudo bem Angela. Eu entendo. – disse a ela. – Eu não o odeio agora, apesar de tudo. Mike foi meu amigo e primeiro namorado. Essas coisas são difíceis de serem esquecidas.

Lauren se levantou de repente e sem dizer uma palavra pegou sua mochila e saiu, nos deixando sem entender nada.

- O que diabos há com ela? – inquiriu Jessica irritada, olhando Lauren sumir do refeitório.

- Ela não falou em nenhum momento. Além disso, parecia incomodada com a nossa presença. – apontou Angela. – E isso começou no dia que fomos estudar na sua casa, Bella.

Assenti com a cabeça.

- Estou com a impressão que as atitudes dela têm a ver com o fato de eu terminado com Mike. – refleti, olhando para a então cadeira vazia.

- Você acha? – perguntou-me Jessica.

- Não sei. – respondi, ainda com os olhos na cadeira.

Ainda pensando na reação de Lauren fomos para nossas últimas aulas. Eu teria Espanhol com Angela. Quando finalmente o sinal tocou, encerrando a última aula, eu praticamente voei da minha carteira para fora da sala. Segui a passos largos em direção ao estacionamento, meu coração dando um salto quando vi a figura imóvel encostada na porta da frente do Volvo, os braços cruzados e um sorriso de enfraquecer as defesas de qualquer mulher, embora aquele sorriso, graças aos céus, era direcionado somente e exclusivamente a mim. Isso era o suficiente para a minha irritação do dia se dissipar.

- Oi. – falei com um sorriso enorme quando cheguei ao Volvo, antes de ficar na ponta dos pés e colocar meus abraços ao redor do seu pescoço para abraçá-lo, meu rosto contra o seu peito.

- Oi. – ele disse com o sorriso igualmente reluzente, colocando os braços ao redor da minha cintura ao mesmo tempo.

Afastei-me dele para olhar em seu rosto, sem quebrarmos o abraço.

- Como foi a aula? – perguntou a voz baixa e de anjo.

Revirei os olhos antes de responder.

- Tediosa.

Edward sorriu e então seus olhos desviaram-se dos meus, olhando por cima do meu ombro. Olhei para trás e vi Angela e Jessica paradas hesitantemente próximas de nós, olhando para Edward.

- Errr... você esqueceu isso na sala. – disse Angela, com o meu caderno na mão.

Edward recolheu as mãos da minha cintura e eu os meus braços do seu pescoço. Virei-me e sorri para as meninas.

- Obrigada Ang. – agradeci, dando um passo a frente e pegando de sua mão o meu caderno.

- Hmmm... tudo bem. – sussurrou.

- Ok. Acho que não foram apresentados. – peguei a mão de Edward e o trouxe para o meu lado. – Edward, essas são minhas amigas Angela e Jessica, meninas esse Edward, meu namorado.

Educadamente, Edward estendeu sua mão e com um sorriso torto no rosto e irresistível voz sedosa, cumprimentou primeiro Angela, em seguida Jessica.

- Prazer meninas.

- Oi. – elas disseram em uníssono, ainda hesitantes.

Sorri com a reação das meninas, embora não estivesse incomodada pelo fato delas estarem deslumbradas com Edward. Eu sei o efeito que ele causa nas pessoas sem fazer nenhum esforço.

- Bella fala muito sobre vocês. – disse Edward, a meu lado.

- Ela fala muito sobre você também. – Jessica comentou, fazendo meu namorado virar a cabeça para o lado e olhar para mim. Não precisei olhar para ele e ver que estava sorrindo.

- Er... acho que nós estamos indo. – disse Angela timidamente.

- Temos que ir também. – falei.

- A gente se vê amanhã. Até mais Edward. – despediu-se Angela, pegando a mão de Jessica e a puxando.

- Certo, certo. Tchau Bella... Edward. – acenou Jessica, indo embora.

- Suas amigas são engraçadas. – disse Edward, sorrindo, enquanto abria a porta do Volvo para mim.

– Engraçadas? – inquiri quando ele já estava dentro do carro, girando a chave na ignição. – Não usaria essa palavra.

- Hun? – Edward perguntou, confuso, tirando o carro do estacionamento.

- Nada. Esqueça. – sorri, fazendo sinal com a mão para que ele deixasse para lá. – E então, você conseguiu falar com o Gottan? – perguntei.

- Sim. – respondeu Edward com um suspiro, enquanto dirigia. – Ele já está no Espejo. Disse que não tem hora para sair de lá hoje.

- Não se preocupe. – corri com os dedos da minha mão esquerda pelo seu coro cabeludo, afagando o seu cabelo. – O Theatre Royal vai ficar pronto a tempo. Esse embargo não vai dar em nada.

Edward virou o rosto na minha direção e sorriu.

- Eu sei. – ele disse. – Falei com o Sr. Jones também. Ele disse que não nos preocupássemos. Que era uma incompatibilidade legal, mas que já estavam entrando em comum acordo, e que em dois dias a finalização da reforma seria retomada.

- Uh. Tanta coisa num único dia! – exclamei. – Oh! Já ia esquecendo de te perguntar. Verdade que o Max vai voltar para o CTE de Londres?

- Max? – Edward olhou para mim franzindo a testa. – Max Gottan?

- Sim. – respondi, assentindo juntamente com a cabeça. – Foi o comentário hoje na escola.

- Não, eu não sabia. Provavelmente meu pai também não sabe disso, ou ele teria me falado. Será que o David sabe disso?

- Bem, isso eu não sei. Mas eles ainda estão brigados, certo?

- Sim. – disse ele, pensativo. – Quer dizer, eles romperam sociedade há mais de um ano. Não acho que tenham feito as pazes. É estranho Max estar voltando para o CTE de Londres, principalmente agora com a peça, sabendo que David vai estar lá.

- De repente o Max não sabe disso. – dei de ombros.

- Não. Provavelmente ele sabe. – ele sacudiu a cabeça. – Enfim. Depois procuro saber essa história. – ele virou a cabeça para mim. – Tem certeza sobre me esperar até as dez da noite?

- De novo, Edward? – rolei os olhos. – Sim. E de lá vamos comer uma pizza. – sorri, dando-lhe uma piscadela.

- E se eu precisar ficar mais tempo?

- Não tem importância. Vou esperar de qualquer jeito. Quero passar cada minuto que posso dessa semana com você. – declarei, sentindo a dor lancinante em meu peito vindo forte e sem aviso com a lembrança da inevitável separação agora tão perto.

Ontem à noite, na frente da minha casa quando me despedia de Edward que estava indo para casa, depois que derramei espessas lágrimas em sua camisa por vários motivos, como os que já citei, a escola e o Espejo, e especialmente por causa da viagem que ele faria, combinamos que durante essa semana não tocaríamos no assunto, não ficaríamos tristes e aproveitaríamos cada minuto juntos. Ser apenas nós dois.

Eu estava tentando cumprir minha parte do trato. Mas não sentir tristeza a cada minuto que o dia 15 se aproximava era o mesmo que pedir para eu não respirar. Meu coração tinha todo o direito de sofrer por antecipação.

Edward tirou a mão direita do volante e com a agora mão livre segurou a minha, depositando um beijo nela, olhando rapidamente nos meus olhos antes de voltar a dar atenção na estrada à sua frente. Vi lampejos de tristeza em seus olhos, embora ele optasse por não comentar absolutamente nada.

Edward respirou profundamente antes de falar.

- Como está Rosalie? – perguntou, mudando de assunto.

- Resmungona. Mas isso não é nenhuma novidade. – eu sorri. – Ela já pôde colocar o pé engessado no chão hoje.

- Sua irmã teve muita sorte de ter tido apenas pequenos arranhões e quebrado o pé, considerando o estado em que o carro dela ficou. – comentou.

- Sim. – cruzei os braços. – O carro capotou seis vezes antes de sair da estrada. Não quero nem imaginar o que poderia ter acontecido se ele tivesse parado no meio da pista, com tanto carro vindo no sentido contrário.

- Não pense nisso. – Edward colocou a mão na minha coxa esquerda e a apertou de leve, me confortando. – Agora está tudo bem.

Abaixei a cabeça e olhei para a sua mão em minha perna, em seguida ergui a cabeça e olhei para o seu rosto, que estava virado para frente, atento ao tráfego. Observei quando ele passou a língua por seus lábios, num gesto tão inconsciente, mas ao mesmo tempo tão sedutor. Edward tirou a mão da minha coxa para passar a marcha, mas eu continuei olhando para ele, maravilhada com a perfeição que era o seu rosto. Virei o rosto para frente, inalando o ar profundamente. Mas tudo que pude sentir foi o cheiro delicioso de Edward. Deus, eu vou sentir tanta falta dele!

Quando finalmente chegamos ao Espejo, suspirei de alívio. Estava vendo o momento que meu coração não fosse agüentar e então eu desmoronaria.

Edward estacionou o Volvo na vaga para carros, na frente do teatro, e ao desligar o motor se virou para mim.

- Está tudo bem? – perguntou suavemente e se inclinou, colocando para trás alguns fios de cabelo caídos em meu ombro esquerdo.

Balancei a cabeça e apertei a mão dele em meu ombro.

- Sim. – tentei sorrir. – Está tudo bem, Edward.

Ele me olhou um tempo longo, desconfiado, mas não insistiu. Colocou uma mão atrás na minha nuca e me puxou, pressionando os lábios nos meus. Ele aprofundou o beijo por um instante, quando mergulhou a língua em minha boca, mas rapidamente diminuiu a velocidade. Edward afastou nossas bocas e encostou a testa na minha.

-Vamos. Antes que você se atrase. – disse, dando-me um selinho e depois saindo do carro.

Entramos de mãos dadas no Espejo, cumprimentando Carl na entrada. Nos despedimos rapidamente, onde eu me encaminhei para o vestiário feminino e Edward seguiu para mais uma de suas longas reuniões e encontro com a equipe, que se preparavam para a viagem de sexta. Troquei de roupa, vestindo uma calça legging preta, uma camiseta cinza, coloquei de volta o tênis, em seguida guardei minha bolsa no armário e fui para o salão de aulas de teatro, que após a chegada da Sra. Presley, milagrosamente dez minutos atrasada, enfim sanou a dúvida de todos sobre o porquê do chamado antecipado.

- Então vocês farão uma seleção obrigatória, que servirá para testes futuros – prosseguiu autoritária a Sra. Presley. –, e assim escolheremos o elenco para o espetáculo. Dúvidas?

- Haverá turnê? – perguntou Mary.

- Não. Só aqui mesmo em Sacramento. – respondeu. – No final desse semestre, como vocês já sabem, o CTE sairá em turnê com o remake de Pocahontas, protagonizado por Leah, e recentemente concluímos Sonhos Obscuros Nas Noites de Inverno”. – meu coração deu um salto, a peça que Edward protagonizou. – Infelizmente não temos patrocínio suficiente para arcar com as despesas. – concluiu.

- E ainda tem Dorian Gray. – lembrou Brian.

- Sim, mas Dorian não é realizado pelo Espejo. A peça foi montada em comemoração a reinauguração do Theatre Royal, sendo assim, financiada pelo governo e parceiros. E como Edward – a menção do nome do meu namorado fazendo meu coração dar mais um salto. – foi chamado para o papel e ele faz parte do CTE, o grupo está envolvido. – finalizou a Sra. Presley.

- E quais os critérios para a escolha de Rachel? – perguntou Anne. – Suponho que quem for a escolhida deverá ter os traços e as características descritos n...

- Isso não fará diferença. – Sra. Presley a cortou. – Como disse, a seleção será um teste, uma forma de avaliar o que vocês estão apreendendo juntamente com o que vocês já trouxeram antes de entrarem aqui. Mas eu quero que vocês encarem com bastante seriedade, porque o roteiro de “A Viagem” é bastante complexo. Por mais que estejamos trabalhando em deixar a adaptação da obra de Virginia Woolf mais leve, ainda assim vai exigir uma entrega profunda dos personagens.

- Quando será a seleção? – perguntou Paola.

- Pode ser qualquer dia. Agora vou dividir o grupo em duplas e distribuir as cenas, que será a mesma para todos e a dupla irá ensaiar a partir de hoje, para que estejam prontos para o teste de elenco que poderá acontecer em algum momento dessa semana ou na próxima. Enfim. Como temos aqui mais mulheres que homens, sobrarão para algumas o papel do Terence.

Após a divisão do grupo em duplas, eu ficando com a Mary, a Sra. Presley distribuiu as cenas.

- Bella, por favor, deixa eu fazer a Rachel e você o Terence? – pediu Mary.

- M-mas eu...

- Por favor. – ela me cortou. – Eu adoro esse livro. Eu queria fazer a Rachel.

- Mas isso é apenas um teste, Mary. – disse a ela.

- Sim, eu sei, mas é que eu não quero fazer o homem. Por favor. – implorou.

Olhei rapidamente a cena na minha mão, passando os olhos nas falas do Terence. Voltei para a primeira página e em seguida voltei para a Mary.

- Ta, tudo bem. Eu faço o Terence. – disse, fazendo-a bater palminhas de animação.

Mary e eu nos sentamos para estudar a cena, assim como as outras duplas. No intervalo, às 6 da tarde, corri para o vestiário e liguei para Edward, para perguntar se ele estava livre para tomar um suco comigo na lanchonete que ficava dentro do Espejo. Edward lamentou, dizendo que não podia ir naquele momento, pois estava no Skype com o pessoal de Londres organizando alguns detalhes urgentes. Disse a ele que tudo bem e tivemos que encerrar a ligação, porque ele estava ocupado. Bufei de frustração e joguei o celular novamente dentro da minha mochila.

- Oi Bella. – cumprimentou-me Paola, sentando ao meu lado.

- Oi. – sorri para ela.

- E aí, o que achou dessa novidade de hoje?

- Não sei. Vamos esperar para ver no que vai dar. – dei de ombros.

- Há algo errado? – perguntou.

- Desculpa. Eu estou... um pouco difícil hoje. – disse-lhe, abaixando a cabeça e fitando meus pés.

- Eu entendo.

Ergui a cabeça e olhei para ela.

- Eu estava entrando no vestiário e acabei ouvindo você conversando com Edward no celular. — começou a explicar. – É por causa da viagem dele à Londres que você está assim, não é? – perguntou-me calmamente.

Olhei para as minhas mãos e assenti com a cabeça. De que adiantaria negar?

- Bella, eu sei que ficar longe de quem amamos é triste, doloroso. – Paola iniciou. – Mas sabe, às vezes, ficar longe um do outro por um tempo não é algo ruim.

Continuei a encarando.

- A distância é bom porque aumenta a ansiedade de encontrar a pessoa, de estar juntos de novo. – ela sorriu. – Quando não estamos perto de quem amamos, ficamos pensando nele o tempo inteiro, imaginando o que está fazendo naquele momento, relembrando bons momentos que passaram juntos, desejando poder beijá-lo, abraçá-lo. Bate aquela saudade não é?

- É. – balancei a cabeça, sorrindo fracamente.

- Aquela dorzinha de saudade no peito, que nos faz sentir vivos, humanos... e só quem se apaixonou de verdade entende. – prosseguiu. – E com o passar dos dias ambos vão ver que a distância, a saudade e a vontade estar juntos só fará o amor aumentar.

- Você acha? – perguntei-lhe hesitante.

- Não só acho como já passei por isso. – respondeu.

- Sério?

- Sim. – balançou positivamente a cabeça. – O Derek, meu namorado e pai do meu bebê – ela passou a mão pela barriga. –, recebeu uma proposta no início desse ano. Ir para Washington fazer um estágio de seis meses numa empresa de grande porte. Derek e eu namoramos desde que tenho quinze anos, e durante todos esses anos, em nenhum momento nós estivemos separados. – ela olhou para frente, como se estivesse buscando da memória as lembranças. – Quando ele me deu a notícia, senti como se todo o meu sangue tivesse ido embora.

“vendo a minha reação, Derek começou a dizer que não iria aceitar, que não era justo da parte dele me deixar. Até então eu não sabia o que dizer. Então ficamos lá, abraçados em sua cama quando então refleti sobre o que ele estava prestes a fazer por minha causa. Eu percebi que não era justo permitir que ele não aceitasse o estágio. Seria puro egoísmo da minha parte. O estágio era uma oportunidade irrecusável que Derek estava tendo, por estar concluindo o curso de Engenharia Eletrônica, e eu não poderia permitir que ele sacrificasse sua carreira por mim.”

- Então, você o convenceu a ir?

- Sim. Nós conversamos e decidimos que ele iria aceitar. Nós sabíamos que seria difícil, mas eu o incentivei a agarrar a oportunidade, e mesmo à distância faríamos o nosso namoro dar certo.

- Pelo visto está dando certo. – sorri para ela.

- Deu certo. – ela sorriu – Derek voltou em outubro. E, bem, na nossa primeira noite juntos, concebemos este bebê. – disse ela , alisando a barriga por cima da camisa larga que vestia.

- Nossa! – exclamei. – Uau, eu... fico feliz que no final vocês... – meu sorriso se ampliou.

- É. E é por isso que eu amo demais esse pedacinho meu e do Derek. – ela ergueu os olhos da barriga para olhar o meu rosto. – Então, como você pôde ouvir, passei por uma separação ainda pior. Mas eu sobrevivi, e você vai sobreviver também. Porque não há distância para o amor, Bella.

- Obrigada Paola. – agradeci sinceramente. – Eu me sinto melhor agora, depois de conversarmos.

- Sempre disponha, Bella. – ela afagou minha mão.

- E... já sabe o sexo do bebê? – perguntei.

- Ainda não. – ela sorriu. – Meu bebê ainda é muito pequenininho, estou com um pouco mais de dois meses, então ainda não dá para ver.

Paola e eu ficamos ali sentadas conversando sobre o bebê que ela estava esperando por mais alguns minutos, até notarmos que o intervalo tinha terminado e precisávamos voltar.

Às oito da noite em ponto a Sra. Presley encerrava mais um dia de atividades da turma número do três do Espejo, ou seja, a minha. Fui para o vestiário, e tirei a minha mochila do armário, pegando meu celular. Tinha uma mensagem de Edward.

Boas notícias: estarei livre às nove. Pizza e beijos, o que você acha? – Edward.

Sorri ao ler sua mensagem de texto.

Isso soa perfeito. Estou muito faminta, especialmente do último. – Bella.

Não esperei a resposta e corri para tomar uma ducha. Já se passavam das oito e eu gostaria de ficar cheirosa para o meu namorado. No banho, enquanto me ensaboava, passei os dedos pela área sem pêlos do meu sexo, pensando no quanto tinha sido em vão a depilação, a lingerie nova.

Se Rosalie não tivesse sofrido um acidente...

Sacudi a cabeça, tentando afastar esses pensamentos. Minha irmã não era culpada. Ninguém se acidenta de propósito.

Edward e eu sairíamos na quinta-feira, na véspera de sua viagem. Se tudo der certo dessa vez...

Terminado o banho, troquei de roupa, peguei minha mochila, despedi-me de algumas das garotas que ainda estavam lá e saí do vestiário. Peguei meu celular, vendo que tinha mais uma mensagem de texto de Edward.

Bom saber. Depois não quero ouvir reclamações, caso tenha uma indigestão. – Edward.

Senti um arrepio perpassando o meu corpo com o pensamento de ter Edward me beijando a noite inteira e sorri como uma boba.

Procurei por Paola para me despedir, mas pelo visto ela já tinha ido embora. Decidi procurar Agatha em sua sala e fiquei um tempo com ela, batendo papo enquanto aguardava Edward, que dez minutos depois das nove me ligara, perguntando onde eu estava para então irmos embora.

A sessão de beijos começou bem antes do que eu pensei, ainda na calçada do estacionamento do Espejo, quando Edward me imprensou contra o Volvo. Os beijos se seguiram quando estávamos no carro, a cada vez que parávamos no sinal vermelho, e antes de entrarmos na pizzaria. Mesmo quando estávamos já dentro do estabelecimento, com tantas pessoas ao nosso redor, Edward continuou distribuindo beijos. Na minha bochecha, na minha testa, nas minhas têmporas e até na minha mão. Aproveitei o máximo do que ele me oferecia, os beijos, os afagos, as carícias. Ainda mais que dali a poucos dias seria privada de tudo isso.

Depois da pizza, Edward e eu ficamos um tempo na mesa, conversando sobre o nosso dia. Falei sobre a nova peça, o teste que será feito a qualquer momento, e do meu ensaio com a Mary. Edward ficou animado e me incentivou a fazer meu trabalho, dar o melhor de mim, sem me preocupar com o fato de estar ensaiando as falas de um personagem do sexo masculino. Ele me contou sobre o andamento de Dorian Gray, disse que conversou via skype com algumas pessoas do elenco, e que toda a equipe está muito animada com a estréia, que inicialmente seria dia 14 de fevereiro, dia se São Valentim, ou simplesmente dia dos namorados, mas que anteciparam para o dia 13, por convenientemente ser um sábado. Edward expressava uma aparência cansada, e como já se passava das dez da noite, propus irmos para casa. Ele pagou a conta e então seguimos para o Volvo.

Ainda trocamos beijos no caminho para o carro, dentro dele, antes de Edward ligar o motor e sair, e também no caminho para minha casa. Durante todo o trajeto conversamos pouco, nos limitando a fazer carinho um no outro e sorríamos o tempo todo. Até que minutos mais tarde Edward parava o carro na frente de casa.

- Emmett ainda está aqui. – disse Edward ao parar o Volvo atrás do Jeep Wrangler, pertencente a seu irmão.

- Hmm é. – me virei para Edward. – Você vai entrar um pouco?

- Você não acha que seu pai...

- Não. – o cortei. – Além do mais, Emmett também está lá dentro.

- Tudo bem. – ele disse, abrindo a porta e saindo do carro.

Edward caminhou até a minha porta, onde eu já estava saindo e segurou a minha mão, fechando-a em seguida, onde seguimos de mãos dadas até a entrada da minha casa. Passei a chave na porta, abrindo-a, encontrando Emmett e Rosalie sentados no sofá, com o meu cunhado tendo o braço esquerdo ao redor dos ombros de Rose, que estava sentada do lado esquerdo dele.

- Olha só a hora que o casalzinho chegou. – disse Emmett, olhando o relógio no pulso.

- Boa Noite pra você também, Emm. – Edward o cumprimentou, sarcástico.

- Como você está? – perguntei a Rosalie enquanto Edward e eu nos sentávamos no outro sofá.

- Tirando esse roxo na minha bochecha, esse corte acima do cílio, esse outro no canto da minha boca, esses arranhões nos braços, no cotovelo, no joelho e o pé quebrado, bem, acho que estou bem. – respondeu.

Sorri e olhei para a TV.

- Onde está o papai? – perguntei ao casal, franzindo a testa ao lembrar-me que Charlie sempre está nesta sala a essa hora, assistindo TV sentado em sua poltrona favorita.

- Ele e a mamãe foram dormir meia hora atrás. – Rose respondeu.

- Dormir? Sei. – comentou Emmett, sorrindo malicioso.

- Emmett! São os meus pais. – minha irmã o advertiu.

- E daí, baby? São velhos, mas ainda fazem sexo.

Rosalie e Edward sorriram, e a minha mente idiota teve uma evocação simbólica de uma imagem onde os meus pais estavam nus, um por cima do outro, numa cama. Sacudi a cabeça, empurrando para longe esses pensamentos. Argh!

- Está tudo bem? – Edward perguntou, afagando o meu braço.

-Oh, sim. – sorri. – Está sim.

- Ei, Edward. – chamou-lhe a atenção Emmett. – O que você vai fazer amanhã à noite?

- Namorar. Por quê?

- Depois do trabalho venho pegar Rosalie aqui. Que tal sessão de filme e fogueira no lago amanhã? Uma espécie de festa de despedida entre nós seis, já que o papai e a mamãe estão indo para o Tower Grill.

- Não sei. – Edward se voltou para mim. – O que você acha, Bella?

- Ah homem dominado. – resmungou o namorado da minha irmã.

- Por mim tudo bem. – respondi.

- Certo. – disse-lhe Edward. – Tenho umas coisas para resolver no horário da tarde, então venho pegar Bella depois. Rosalie poderia ir conosco, assim você não precisaria vir.

- Tudo bem se você for com o Edward, ursinha?

- Ok. Mas vou avisando que não vou até seu quarto. São dois andares para subir com esse gesso.

- Você sabe que isso não é problema. – Emmett a beijou rapidamente nos lábios. – Eu posso te carregar.

- Por falar nisso, você tem que me ajudar a subir para o meu quarto antes de ir embora. – ela bocejou.

- Você já quer ir dormir? – ele perguntou.

- Acho que sim. – respondeu minha irmã. – Estou cansada.

- Vem. – ele se levantou. – Coloca seus braços ao redor do meu pescoço que vou te levar pro quarto.

Rosalie atendeu os comandos de Emmett, que a segurou pelas pernas, levando-a para o andar de cima.

- Boa Noite. – disse Rosalie a mim e a Edward.

Desejamos Boa Noite a ela também, e assistimos quando eles sumiram pela escada.

Edward colocou a mão na minha cintura, e inclinou a cabeça para frente, aproximando o rosto do meu.

- Então, amanhã na minha casa. – disse, beijando-me suavemente nos lábios.

- Na sua casa. – repeti, aprofundando o beijo em pleno sofá da minha casa.

~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~

- Eu ainda estou tentando descobrir qual a graça de estarmos aqui, sentados no meio do mato, olhando uma fogueira queimar marshmallows. – resmungou Alice.

- Porque nunca fizemos isso e deixa de ser chata. – disse-lhe Emmett, dando um gole na sua cerveja, sentado sobre uma toalha, com Rosalie sentada no meio de suas pernas, as costas dela batendo em seu peito.

Estávamos sentados ao redor da fogueira feita pelos meninos, no meio da floresta que cercava a propriedade Cullen, próximo ao lago.

- Preferia estar no conforto da sala da casa de vocês. De preferência assistindo Meu Primeiro Amor e comendo pipoca de microondas.

- Ugh, Alice. Meu Primeiro Amor de novo? – sorri enquanto comia marshmallows melados com chocolate, sentada no colo de Edward, que estava sentado sobre um toco de árvore, seus braços ao redor da minha cintura.

- Você sabe que sou louca por esse filme. – ela disse. – Me passa o chocolate, por favor.

Levantei para passar-lhe o chocolate, voltando a sentar no colo de Edward, que envolveu novamente a minha cintura com seus braços, depositando um beijo suave em minha bochecha. Virei-me para ele e beijei-lhe nos lábios.

- Quando voltarmos vamos assistir Jogos Mortais. – disse Emmett.

- Não, esse não. – comentou Jasper. – Que tal um clássico?

- Prefiro um clássico. – disse Edward.

- Depende do clássico. – disse Rosalie.

- Qual Clássico? – perguntou Alice.

- O Exorcista? – sugeriu Jasper, piscando um olho para Alice, que estava sentada ao seu lado.

Quando questionei Alice sobre como estavam indo as coisas entre ela e Jasper, a mesma me informou que eles haviam decidido ir devagar, tornando-se amigos primeiramente e esperar que as coisas aconteçam naturalmente. Embora eu saiba que eles vivem se beijando quando estão a sós.

- Não! – disse-lhe a baixinha.

- Wow Jazz. Boa. Mas ainda prefiro O Iluminado. – disse Emmett.

- Não! – repetiu minha prima.

- Que tal Psicose? – questionou Edward, sorrindo no meu pescoço.

- Não. Nada de filme de terror. – sentenciou Alice.

- Quem diria que você tem medo de filme de terror, Alice! – exclamou Jazz, sorrindo.

- Não tenho medo. Eu só não gosto. – ela deu de ombros.

- Ela tem sim medo de filmes de terror. – Rosalie comentou.

- Não que eu tenha medo, mas, acho que vou com Alice. – eu disse.

- Pensei que não tivesse medo de filmes de terror, Bella. – Edward falou, divertido.

- E não tenho. Mas não sei... tenho a impressão que vocês três vão querer nos assustar. – disse-lhe.

- Pode apostar, Bella. – confessou Emmett, sorrindo debochado.

- Que tal voltarmos para a casa e assistirmos Meu Primeiro Amor?

- Não! – dissemos Rosalie, Emmett e eu, em uníssono.

Alice bufou e fez um bico, cruzando os braços na altura dos seios.

- Para ser sincero, não estou com vontade de assistir filme. – informou Edward, comendo do meu marshmallow.

- Eu também não. – concordou Emmett, jogando a lata de cerveja vazia numa sacola e pegando outra.

- Então o que vamos fazer? Ficar aqui sentados conversando, comendo marshmallows e bebendo cerveja? – inquiriu Alice, erguendo uma sobrancelha.

- Que tal cada um aqui contar uma história interessante? – sugeriu Emmett.

- Que tipo de história? – perguntei.

- Lendas urbanas.

- Lá vem o tema terror de novo. – reclamou Alice.

- Que tal fazermos um jogo, uma brincadeira, sei lá? – sugeriu Rosalie, dando de ombros.

- Ótima idéia. – se animou Alice.

- Olha, eu sei de uma lenda, a da Loira do Banheiro que...

- Poderíamos brincar de Jogo da Verdade. – continuou a baixinha, interrompendo Emmett.

- Verdade ou Conseqüência não seria melhor? – questionou Rosalie.

- Obrigado por me ignorarem aqui. – resmungou Emmett.

- Aw amor. Verdade ou Conseqüência é mais divertido. – disse Rosalie, inclinando a cabeça para trás para beijar o namorado nos lábios.

- E então, todos querem jogar? – quis saber Alice.

- Por mim tudo bem. – eu disse.

- Mas nada de perguntas pesadas. – avisou Jasper.

- E nada de desafios com trocas de casais. Não quero ver minha namorada dando beijo nos meus irmãos. – informou Emmett.

- Edward? – questionou Alice.

- Tudo bem. – respondeu Edward. – E concordo com Emmett. Nada de beijos, a não ser entre o casal.

- Ok. – Alice limpou a garganta. – Preciso explicar como funciona o jogo?

- Acho que todo mundo sabe como funciona, certo? – perguntou Rosalie.

Concordamos com a cabeça.

- Quem começa? – inquiriu Alice, eufórica.

- Eu posso começar. – se candidatou Jasper.

- Certo. – continuou Alice. – Jasper, quem você escolhe?

- Uh... escolho Rosalie. – ele sorriu. – Verdade ou Conseqüência?

- Verdade. – respondeu minha irmã com firmeza.

- Qual o maior defeito de Emmett?

- O maior? – ela pensou. – Nossa, essa é difícil. São tantos.

Emmett fez uma careta e todos nós começamos a rir.

- Humm, o maior defeito dele acho que é falar de boca cheia. Odeio quando ele faz isso.

- Essa não vale Rosalie. – disse Edward. – Você tem que dizer um defeito que a gente não saiba.

Emmett pegou uma lata de cerveja vazia e jogou em Edward. Estávamos todos rindo.

- Certo. Rosalie sua vez. – orientou Alice.

- Uh. Escolho Emmett. Verdade ou conseqüência, baby?

- Verdade, ursinha.

- Deixa de ser covarde, Emmett. – acusou Jasper.

- Cale a boca.

- Certo. Emm, o que você mais ama em mim?

- No seu corpo? – ele inquiriu.

- Pode ser.

- Ah essa é fácil. – ele deu um beijo no pescoço dela. – O seu bumbum. Baby, se eu pudesse ficava beijando ele o dia todo. – ele colocou a língua na orelha direita dela.

- Sério? – Rosalie o perguntou, enquanto inclinava a cabeça para o lado, para dar-lhe mais acesso ao pescoço.

- Eca. – grunhiu Alice. – Não queremos ouvir isso. – reclamou, jogando um punhado de folhas secas neles, que estavam no chão.

- Sua vez Emmett. – eu disse.

- Ok... Rose, quão bem dotado é o seu namorado? – Emmett riu.

- Hey, engraçadinho. Não vale. Você é o namorado dela! – gritou Alice.

- E daí? – Emmett a rebateu, continuando a rir. – Isso não me impede de querer saber a resposta dela.

Jasper e Edward começaram a rir também.

- Tudo bem. Eu posso responder Alice. – disse Rose com um sorriso malicioso antes de se virar para Emmett. – Meu namorado é grande, bem grande mesmo.

- Essa é minha ursinha! – rosnou Emmett com um sorriso presunçoso.

- Certo, agora é a vez de Rosalie de novo. – disse Jasper.

- Uh, Emm..

- Não. Emmett de novo não. – reclamou Edward.

- Se quiserem, nós vamos embora e deixamos vocês brincarem sozinhos. É só avisar, ok? – comentou Alice sarcasticamente.

- Certo, certo. Então escolho.... – ela passou os olhos em todo mundo e então parou em mim. –Bella. Verdade ou Conseqüência? – perguntou, e meu coração acelerou.

- Verdade.

- Uh, se você não tivesse conhecido Edward, ainda estaria namorando Mike? – perguntou minha irmã.

- Eu... bem, não sei. A-acho que sim. – respondi, praticamente gaguejando.

Edward apertou os braços ao redor da minha cintura e deu um beijo em meu ombro. Virei o rosto e o olhei, dando um ligeiro sorriso. Ele sorriu de volta, não parecia incomodado com a pergunta. Aliás, todos estavam indiferentes.

- Sua vez Bella. – disse Jasper.

- Hmm, para você Jasper. Verdade Ou Conseqüência? – perguntei.

- Verdade.

- Como você imagina sua vida daqui a dez anos?

- Bem – ele coçou o queixo. –, eu me imagino em meu escritório, como um dos melhores advogados do país e... feliz. – ele olhou na direção de Alice. – Quem sabe casado, com filhos. Não sei. – concluiu com um sorriso.

- Daqui a dez anos minha ursinha vai estar com um barrigão esperando nosso quarto filho, não é baby?

- Não eram três? – questionou Rosalie.

- Agora quero quatro. – respondeu-lhe Emmett.

- Quando você quer abrir a fila Emmett? – perguntou Alice.

- Não sei. Só sei que não quero ser pai muito tarde.

- E se Rosalie ficasse grávida, tipo agora? Você ia ficar muito louco com ela? – continuou a baixinha, sorrindo.

- Não. – ele disse, beijando minha irmã na bochecha. – Na verdade eu ia adorar.

- Certo. Mas eu não estou grávida. Sua vez Jasper. – disse minha irmã, nervosa. Embora só eu e Alice soubéssemos o porquê. Pelo menos o acidente que Rosalie sofreu no último sábado serviu para tirar a dúvida. Ela não estava grávida.

- Essa vai para Edward. – começou Jasper. – Verdade ou Conseqüência?

- Verdade. – respondeu Edward.

- Porra. Ninguém quer conseqüência. – reclamou Emmett.

- Por que você não escolhe na sua vez, então? – inquiriu Alice.

- Deixem Jasper fazer a pergunta! – Rosalie gritou.

- Hmm, alguma mulher já te bateu? Um tapa no rosto, ou algo assim?

- Não. – Edward riu, franzindo a testa. – Por que a pergunta?

- Sei lá, cara. Foi o que veio. – Jasper sorriu. – Você é sempre tão agradável com todo mundo. Pensei aqui se você já fez ou falou algo que levou alguém a fazer isso.

- Ah, qual é Edward. Nem da Tanya? Porque eu me lembro bem o dia que ela saiu furiosa de casa, quando você terminou o namoro com ela.

- Não, Emmett. Eu nunca levei um tapa de mulher nenhuma. Muito menos dela. – Disse-lhe Edward. – Acho que agora é a minha vez. Emmett, verdade ou conseqüência?

- Conseqüência! – gritou.

- Te desafio a... beijar o pé de Jasper. – ele riu.

- Ah, qual é Edw.. – Emmett tentou protestar, fazendo todo mundo rir, inclusive eu.

- Foda-se! – Edward o cortou, ainda rindo. – Vá até Jasper, tire o tênis e dê um beijinho no pé dele.

- Vai me pagar! – Emmett o ameaçou, se levantando.

Emmett passou por nós, indo até Jasper, ajoelhando-se perto dele.

- Diga que lavou a porra do pé hoje. – disse Emmett, tirando o tênis do pé de Jasper com cara de nojo.

- Lavei. – respondeu Jasper. – De manhã.

Todos nós morríamos de rir.

- Porra Jasper. Já são quase oito da noite! – Emmett choramingou.

O Cullen mais velho, após retirar o tênis, tirou a meia e ficou segurando o pé direito do irmão, mantendo-o bem distante. Quando todos nós começamos a gritar, para que fizesse logo a conseqüência, Emmett tapou o nariz com o polegar e o indicador, abaixando em seguida a cabeça e beijando rapidamente o pé de Jasper.

- Eca. Uhg. – grunhiu, se levantando e voltando para o lado da minha irmã.

Edward não parava de rir no meu pescoço.

- Vai pagar, Edward. – ameaçou Emmett, dando um gole em sua cerveja.

- Vai lá, cara. Sua vez. – disse Edward, cessando o riso.

- Alice. Verdade ou Conseqüência?

- Achei que ninguém ia me escolher. – ela virou os olhos. – Verdade.

- Quantos caras você já beijou? – perguntou.

- Quantos caras... – repetiu Alice, pensativa.

- Foram tantos assim? – questionou Emmett divertido. – Você está pensando muito, Alie, Alie.

- Acrescente também os garotos que beijou quando era criança, Alice. – provocou Rosalie, fazendo nossa prima mostrar a língua para ela.

- Não sei direito. Acho que... uns oito? – disse, soando mais como uma pergunta.

- Você é danada! Namorou oito caras? – inquiriu Emmett.

- Ei, você perguntou quantos eu beijei, e eu te dei o número. Eu só tive dois namorados em toda a minha vida. Pode perguntar a Rosalie e a Bella. Mas isso não quer dizer que eu...

- Respire Alice. – Emmett gargalhou, tentando conter uma Alice exasperada. – Só estava brincando com você, mulher.

- Argh Emmett! Para de ser assim! – Alice estava tão vermelha. É raro vê-la assim, tão envergonhada.

Emmett continuou rindo, enquanto Jasper se inclinou para Alice e segurou levemente o seu pulso, dando um sorriso.

- Ele só quer te irritar. – Ele sussurrou para Alice.

- Chega Emmett. Não tem mais graça. – repreendeu Rosalie, fazendo uma careta. – Continua o jogo Alice.

- Escolho Jasper. – ela se voltou para o loiro. – Verdade ou Conseqüência?

- Verdade. – ele sorriu para ela.

- Er... hum... b-bem... – gaguejou. – J-Jasper, você ficaria com uma garota sabendo que ela beijou oito rapazes antes de você?

Jasper sorriu, ao mesmo tempo em que Alice abaixou a sua cabeça, constrangida. Para falar a verdade, todos nós rimos com a sua pergunta. Ainda mais porque a pessoa da pergunta em questão, era ela mesma.

- Não me importo que você tenha beijado oito caras, Alice. – disse Jasper, enfatizando o “você”, embora Alice não tenha visto o sorriso que se espalhou nos lábios dele quando disse isso.

- Certo. – ela disse, tapando o rosto com as duas mãos, esboçando de um sorriso.

- Bom, minha vez de escolher. – Disse Jasper. – Rosalie, verdade ou conseqüência?

- Verdade. – respondeu ela com um sorriso.

- Hmm... deixa eu pensar. Sou péssimo para elaborar perguntas. Rosalie, qual a coisa mais constrangedora que você já fez?

- Tem que falar mesmo a verdade? – questionou.

- Claro né? – Alice rolou os olhos. – Por que você acha que o nome é “Verdade ou Conseqüência”?

- Tudo bem – ela limpou a garganta. – A coisa mais constrangedora foi... – ela parou. –, foi fazer sexo no carro no estacionamento da academia e ser pego no flagra por duas ou três pessoas por terem esquecido o vidro de uma das portas do carro aberto.

- Rosalie! – exclamei surpresa.

Emmett começou a tossir.

- Não me digam que vocês... ? – Edward sorriu, deixando a pergunta no ar.

- Vocês foram pegos fazendo sexo no carro? Com o vidro da porta aberto? – questionou Alice ceticamente.

- Merdas acontecem. – Emmett se defendeu.

- Rosalie, você... você é louca? – perguntei a ela, ainda descrente.

- Foi no início do namoro. Estávamos muito afobados, esquecemos de fechar o vidro do carro. Também não precisa me julgar!

- Mas vocês... – eu não conseguia esconder minha incredulidade. – Vocês não têm vergonha de fazer... no meio da rua? – Eu estava tão inquieta no colo de Edward, que senti as mãos dele me apertarem na cintura, tentando frear minha agitação.

- Não foi no meio da rua. Foi no carro.

- Não faz diferença. Foi num estacionamento. – grunhi.

- Bella, pelo amor de Deus. – intrometeu-se Emmett. – Todo mundo faz sexo dentro do carro, em local público, ou você e Edward nunca...

- Emmett. – Edward o cortou.

- Ah, qual é. Todos aqui estão falando da minha vida sexual e eu não posso... – ele parou no meio da frase, e de repente começou a rir, como se estivesse pensando em algo. – Certo. Vamos continuar o jogo. Sua vez ursinha.

- Alice, verdade ou Consequencia?

- Não confio em você para desafios. Escolho verdade.

- Você não devia ter dito isso. – minha irmã sorriu maliciosa. – Alie, você gostaria de namorar alguém que está participando dessa brincadeira?

Tapei a minha boca com uma mão para conter o meu riso. E enquanto o rosto de Alice assumia diversos tons de cores em apenas um segundo, Emmett e Rosalie gargalhavam, e Jasper, que apesar de estar sorrindo parecia constrangido por Alice, senti Edward enterrar o rosto no meu pescoço, depositando vários beijos no local, deixando minha pele arrepiada.

- Responde Alice. – determinou Emmett, rindo muito.

- Isso não se faz Rosalie! – rosnou.

- Estamos esperando sua resposta, prima querida. – Rosalie rebateu. – Embora devo confessar que estou bem apreensiva, levando em consideração que dois dos três homens aqui presentes já estejam comprometidos.

- Rosalie! – adverti. Já não bastava a vergonha que ela expôs a Alice?

- Sim. – Alice respondeu. – Maldita. Você me paga!

Jasper sorriu com a resposta, sem tirar os olhos de Alice, que não olhou de volta para ele nem uma vez.

- Boa garota. – disse minha irmã com um sorriso cínico no rosto.

- Não, você tem que dizer o nome. – Emmett rosnou.

- Isso é outra pergunta! – rebateu Alice. – Vou me vingar de vocês. Escolho Emmett. Verdade ou Conseqüência?

- Se ferrou Emmett. – Edward disse, sorrindo.

- Não tenho medo de mulheres vingativas! – gritou Emmett. – Verdade.

- Covarde! – Alice grunhiu.

- Não confio em você. Vai que me mande beijar um dos meus irmãos na boca? – disse o grandalhão, fazendo uma careta.

- Quantas mulheres você já transou? – perguntou Alice, com um sorriso maligno.

Emmett começou a rir.

- Qual é a graça? – questionou Alice, o sorriso esmaecendo.

- Você queria deixar Rosalie incomodada com o número, é isso? – ele rebateu. – Sinto informá-la, mas ela já sabe quantas eu fodi.

Alice estreitou os olhos para ele.

- Para sua informação, foi algo em torno de vinte e quatro. – ele lhe disse.

- E você sente orgulho em dizer um número tão alto?

- Isso já é outra pergunta, baby. – ele debochou. – Continuando... Edward, verdade ou conseqüência?

- Verdade. – respondeu meu namorado.

- Ed, Ed... – Emmett sorriu, antes de continuar. – Quando foi a última vez que você fez sexo?

Tensionei e senti Edward ficar tenso também.

- Por que você está me olhando com essa cara? – perguntou Emmett com uma risada, se fazendo de desentendido.

Ouvi Edward suspirar.

- Sete, oito meses, não sei exatamente. – respondeu Edward, visivelmente incomodado.

- Caralho, Bella, você está deixando as bolas do meu irmão azuis! – zombou Emmett.

Eu me mexi no colo de Edward, incomodada com o tópico da conversa.

- É a minha vez. Eu escolho Rosalie. Verdade ou...

- Não, espera. – Emmett o cortou, continuando a rir. – Desde Londres que você não transa com ninguém?

- Não vejo onde isso seja da sua conta! – Edward rosnou, fitando o irmão com raiva.

- Não tem graça Emmett. – disse Jasper, intercedendo por Edward.

- Faça a pergunta Edward. – pediu Alice.

- Ok, ok. Já parei.

Edward pôde então fazer a pergunta a Rosalie, continuando o jogo, embora eu não tivesse prestado atenção no que ela lhe respondera. Eu estava bem concentrada em meus pensamentos agora, com algo que de repente surgiu em minha mente, que não tinha passado pela minha cabeça antes. Edward me dissera uma vez, quando estávamos no meu quarto, que não tinha sexo com ninguém há algum tempo, bem antes de namorar comigo. Mas eu nunca parei para pensar ou sequer cogitei perguntá-lo com quem ele esteve intimamente ligado pela última vez. Se bem que isso não era algo que eu sinceramente gostaria de saber Mas o que Emmett havia perguntado a ele, estava martelando em minha mente: “Desde Londres que você não transa com ninguém?”

Quando nos conhecemos, Edward já morava em Sacramento há alguns meses. Teria ele se envolvido com alguém durante esse tempo, antes de me conhecer? Será que a última vez que ele transou foi com alguma garota de Sacramento? E se foi com alguém que eu conheça?

Sei que não tenho nenhum direito de ficar chateada, uma vez que não nos conhecíamos. Mas só de imaginar que alguém que vive próximo a mim esteve com Edward dessa maneira, me deixa profundamente nauseada. E não me ajuda nem um pouco pensar na hipótese que a ultima vez que ele tivera sexo com alguém, fora quando ainda estava em Londres, porque isso só me faz pensar em suas ex-namoradas, na viagem e no tempo que ele ficará por lá. Não que eu não confie em Edward, não é isso. Edward jamais me magoaria, e eu confio nele cegamente. Eu não confio, no entanto em Tanya, porque ela já telefonou para ele e aparentemente ainda nutre sentimentos por ele.

Tenho evitado há dias não pensar nisso, porque se eu permitir que esses pensamentos inundem minha mente e me atormentem, provavelmente irei desmoronar. E eu não quero preocupar ou chatear Edward com isso. Talvez, se no último sábado Rosalie não tivesse se acidentado e então tivéssemos feito o que programamos durante toda a semana passada, eu estaria agora menos apreensiva. Eu amo tanto Edward que às vezes tenho a sensação que meu coração irá explodir a qualquer momento. Eu o quero tanto que chega a doer, cada partícula do meu corpo. Eu não faço idéia de como fazer isso, do que me espera quando finalmente fizermos amor. Eu só sei que isso é tudo que eu mais quero na vida.

- Terra chamando Bella. – Alice riu, chamando-me a atenção.

- O que? – perguntei.

- Eu perguntei verdade ou conseqüência. – disse a baixinha.

- Uh, verdade.

- Vocês são uns bundões. Ninguém quer conseqüência. – resmungou Emmett.

- Quem sabe na próxima vez que cair para mim. – eu disse a ele.

- E por que não escolhe agora? – ele ergueu uma sobrancelha.

- Porque, porque ....

- Porque vocês são uns bundões. Eu faço qualquer desafio, podem mandar aí. Subir numa árvore, entrar no lago sem roupa, correr...

- Duvido! – Eu o cortei, rindo.

- O que você duvida?

- Entrar no lago sem roupa? Nesse frio? – inquiri. – Duvido.

- Quer apostar?

- Não vou apostar Emmett. Você não vai agüentar. – ri com deboche.

- Você que não agüenta, Bella. Francamente. – ele riu com desdém.

- Agüentaria, se estiver usando roupas. – informei-o. – E ainda ficaria por mais de dez minutos.

- Você? Mais de dez minutos dentro da água? Mentir é feio Bella. – sua risada aumentou.

- Você quer apostar? – eu o desafiei.

- Bella... – Edward me chamou.

- Você está querendo apostar comigo? – sua sobrancelha arqueou, enquanto o sorriso maldito dançava em seus lábios.

- Quero. – respondi.

- Bella, você não está falando sério, está? – perguntou Edward, com a voz suave.

- Cala a boca Edward. – ele voltou-se para mim. – O que quer apostar? Quem agüenta mais tempo dentro do lago? – perguntou-me, ficando em pé imediatamente.

- Não. – Edward respondeu.

- Sim. – respondi ao mesmo tempo.

- Você não vai entrar nessa água gelada, Bella. – ele murmurou com a voz séria.

Virei-me e olhei para ele.

- É só uma aposta Edward. – falei calmamente, passando minha mão no lado esquerdo do seu rosto.

- Não, Bella. Você ficou louca? – perguntou, os olhos fixos nos meus.

- Deixa de bobeira, Edward. – Alice intercedeu. – Uh, adoro apostas. – ela se levantou.

Tentei me levantar e Edward puxou-me novamente para o seu colo.

- Bella, não. – sua voz não era gentil.

- Qual é, Edward. É só uma aposta. – disse Emmett, enquanto ajudava Rosalie a se levantar. – Fazemos isso o tempo todo.

- Cale a boca Emmett. – disse-lhe Edward severamente antes de se voltar para mim. – Não fora você quem zombou das minhas apostas com Emmett uma vez, dizendo que eram imaturas?

- Eu sei que disse, mas... não é nada demais, é só uma brincadeira, Edward. Por favor? – implorei.

- Edward, você está estragando a diversão aqui. – disse Rosalie.

- Por favor? – implorei a ele mais uma vez

- Você quer ficar doente? – perguntou, seu olhar me censurando.

- Eu não vou ficar. – assegurei-lhe.

Seu olhar ficou paralisado no meu por um longo tempo. Ainda me encarando, Edward soltou um suspirou e afrouxou o aperto na minha cintura, deixando-me levantar de seu colo.

- É isso aí. Vamos lá. – disse Emmett com um sorriso radiante. – Perdedora. – acrescentou, perto do meu ouvido.

- Não diria isso se fosse você. – lancei para ele um sorriso debochado.

- Veremos. – disse ele. – Com roupa ou sem roupa?

- Bella, a temperatura agora é de 10°C e a sensação térmica algo em torno de 5°C. Você já pensou como está a água? – perguntou Edward enquanto se levantava, a expressão do seu rosto dizia claramente que ele não estava feliz.

- Deixa a garota ter um pouco de diversão, Edward. – rosnou Emmett, enquanto Edward e eu olhávamos um para o outro.

- É só uma brincadeira. – disse a ele.

- Bella, com roupa ou sem roupa? – repetiu Emmett.

- Com roupa. – sussurrei, olhando para Edward.

- Faça o que quiser. Nada vai mudar o meu pensamento de que isso é bastante imaturo. – disse duramente.

Considerei suas palavras um minuto, mas não desisti. Removi o meu casaco e o entreguei a Alice.

- O que vai querer apostar? – perguntei.

- 50 dólares?

- Fechado.

Entramos na água lado a lado e sim, estava gélida, sentia como se estivesse sendo açoitada, mas isso não era algo que eu iria dizer em voz alta. Parei numa altura onde a água batia na altura dos meus seios, e Emmett teve que se abaixar para ficarmos na mesma altura. Eu estava de tênis, jeans e blusa de manga comprida, enquanto Emmett estava vestido de forma semelhante, com exceção da sua camisa que era de mangas curtas. O irmão mais velho do meu namorado ficou me provocando o tempo todo, dizendo que eu iria desistir logo porque ‘mulherzinha’ não suportava frio e água gelada. Mostrei a língua para ele e em seguida olhei para onde estavam os outros, ou melhor, para onde Edward estava e eu poderia afirmar que ele não estava gostando de nada disso. Seu olhar era pétreo e a sua expressão era dura, os olhos fixos no local onde eu estava.

Desviei o olhar e me virei para Emmett, que estava batendo o queixo do frio, embora o sorriso não saísse de seu rosto. Meu corpo estava todo dolorido, minhas mãos e pernas estavam congelando e eu tentava não me mexer para não aumentar a sensação de dor. Estávamos aqui há cinco minutos e eu já estava louca para sair, mas não iria dar esse gosto. Cruzei os braços, abraçando o meu corpo, enquanto sentia os primeiros tremores dos meus dentes.

Quando estávamos aqui há aproximadamente dez minutos, fechei os meus olhos.

- Desista, Bella. – sussurrou Emmett.

- Não. – respondi, sem abrir os olhos.

Ele riu, mas não falou mais nada. Continuei de olhos fechados, ouvindo as vozes de Alice e de Rosalie. Por um minuto pensei que isso era mesmo uma idiotice, mas agora que tinha concordado, testaria os meus milites.

Um tempo depois, Edward enfim falou.

- Bella, isso não tem mais graça. – rosnou.

- Acho que ela vai ganhar. – comentou Alice.

- Desista, Bella. – pediu Emmett de novo. – Estamos aqui há vinte minutos.

Apertei os olhos e tentei me mexer, mas a verdade era que eu não conseguia sair do lugar. Será que meus pés tinham congelado?

- Ei pessoal. – disse Jasper. – Acho que já chega. Vocês vão ficar doentes.

- Bella e Emmett! – gritou Rosalie.

Quando eu estava prestes a abrir os olhos e dizer que tinha desistido dessa aposta, Emmett se pronunciou antes de mim.

- Bah! Desisto. – disse, tentando ficar em pé. – Você venceu, Bella.

Abri a boca e tentei sorrir, embora isso não tenha saído muito bem devido aos tremores do meu queixo. Emmett me ajudou a sair da água, e quando alcançamos o raso, Edward veio ao meu encontro e me cobriu com meu casaco.

- Vamos para casa. – disse, me abraçando e me tirando dali.

A verdade era que eu mal conseguia andar. A sensação era de que minha perna iria se desintegrar a qualquer momento, e os tremores de cada canto do meu corpo não estavam contribuindo muito também. Edward, percebendo que eu não conseguiria dar muitos passos, parou de caminhar e me ergueu do chão, carregando-me em seus braços até sua casa, minha cabeça tombando em seu peito, sentindo o calor do seu corpo aquecido. Enquanto ele me carregava, olhei em seu rosto, notando o seu queixo rígido e a expressão dura, como se estivesse com raiva

Ao chegarmos, ele continuou me carregando ao subir as escadas, chegando em seu quarto. Ele me colocou no sofá e saiu, voltando um minuto depois com toalha, uma pilha de roupas e um edredom.

- Tire suas roupas molhadas. – sua voz era tão fria quanto o meu corpo, e ele não olhou nem uma vez em meu rosto, desde o momento em que saímos do lago.

Eu sabia que ele estava muito chateado, então decidi não falar nada que piorasse o seu humor.

- Vou até a cozinha. – disse.

- Não vá. Fique aqui comigo. – disse enquanto tirava a minha blusa molhada e colada no meu corpo.

- Vou pegar algo quente para você beber. – disse sem olhar na direção do meu rosto, ignorando meu pedido.

Edward saiu deixando-me sozinha em seu quarto. Tirei o restante das roupas, enxugando-me com a toalha, vestindo depois a cueca boxer, a calça de flanela e moletom que ele trouxera. Enrolei-me no edredom e deitei encolhida no sofá. Minutos depois Edward abriu a porta do quarto.

- Trouxe café para você. – disse.

Fiz uma careta, porque odiava café e ele sabia disso.

- É cappuccino. Tem chocolate e canela aí dentro. – acrescentou.

Peguei a caneca de sua mão, enquanto ele caminhava até a janela, ficando de costas para mim.

- Edward. – chamei.

Ele ficou rígido, mas não se mexeu.

- Edward. Fale comigo. Por favor. – pedi.

Seus olhos se fecharam, e então ele se virou, mas não abriu os olhos. Como se estivesse evitando olhar para mim.

- Eu... me desculpe, Edward. – sussurrei. – Eu não devia... – olhei para baixo, depois voltei a olhar para a sua figura em pé, na minha frente, ainda de olhos fechados. – Desculpe por chatear você. Eu não devia ter entrado no lago.

- Eu estou tão puto com você, Bella. – disse, finalmente abrindo os olhos.

- Eu... eu sinto muito. – disse, sentindo a primeira lágrima cair pelo meu rosto.

Ele emitiu um som baixo, e então caminhou até o sofá, sentando do meu lado.

- E-eu não queria que você ficasse com raiva. – meus olhos já estavam inundados por lágrimas.

- Mas eu fiquei. – ele disse duramente.

- Eu sei. – tentei dizer enquanto as lágrimas desciam grossas dos meus olhos.

- Você poderia ter tido uma hipotermia, Bella. Você sabia disso?

- Eu sinto muito.

- Tudo bem. – ele suspirou. – Vem cá.

Ele tirou a caneca da minha mão, colocando-a no chão, pegou-me em seu colo e eu afundei o meu rosto em seu peito enquanto chorava, arrependendo-me da atitude imatura e impensada.

- Pare de chorar. – ele pediu suavemente, enxugando com seus dedos as lágrimas descontroladas que transbordavam dos meus olhos.

- Me desculpe. – eu pedi, soluçando.

- Shhh... está tudo bem. – disse enquanto me embalava.

- Você me perdoa?

Ele inclinou a cabeça para baixo e me olhou nos olhos.

- Claro que te perdôo. – sua voz era calma e ele deu um meio sorriso, beijando em seguida a minha testa.

E ali, com os olhos cheios de lágrimas, exausta e nos braços de Edward, peguei no sono.

~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~

Senti algo macio e suave tocando a minha testa, uma sensação parecida com um beijo. Tentei abrir as pálpebras, mas o esforço foi em vão. Talvez eu estivesse dormindo, mas num estado semiconsciente. Pois logo depois que a sensação de calor ao lado do meu corpo se foi, ouvi vozes incoerentes ao longe.

- Vá, meu filho. Você ficou aqui praticamente o dia inteiro.

- Eu posso voltar à noite? Se não for muito tarde?

- Claro que pode. Mas agora você precisa resolver suas coisas. Pode ir, eu vou cuidar dela.

Houve um breve silêncio.

- Ela não está mais tremendo.

- A febre deve ter abaixado, efeito do remédio. Mas temos que continuar de olho, caso ela volte.

- Ela precisa acordar em algum momento. Para se alimentar.

- Vou deixá-la dormir mais um pouco. Vá despreocupado, Edward. Eu vou te ligar se algo acontecer.

- Obrigado Renée.

- Obrigada você, querido.

Ouvi um click na porta, um silêncio e então afundei na inconsciência.

~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~

- Bella, minha filha. Acorde um pouco, baby. Você precisa se alimentar.

Abri meus olhos lentamente, sentindo uma vertigem enquanto tentava me sentar um pouco. Olhei a noite através da janela, me perguntando quantas horas teria dormido, fitando em seguida o meu quarto iluminado apenas com a luz do abajur. Minha cabeça febril foi lentamente se inclinando para o lado, encontrando minha mãe sentada na ponta da cama.

- Como está filha? – perguntou-me com um sorriso de ternura.

- Péssima. – respondi, passando a língua pelo meu lábio inferior e sentindo um gosto ruim de remédio.

- Trouxe uma canja para você. – disse, se levantando e pegando a bandeja em cima da mesinha, colocando-a em meu colo.

Fiz uma careta.

- Não estou com fome.

- Mas você precisa comer. Não comeu nada o dia todo.

- Dormi o dia inteiro?

- Sim. Delirou por conta da febre, mas dormiu bastante.

- Eu estou com um pouco de frio.

Renée colocou uma mão no meu pescoço, em seguida na minha testa.

- Sua febre está voltando. – disse ela. – Sua cabeça dói?

Assenti.

- Você só tomou tylenol de manhã. Depois que comer vai tomar outro comprimido.

- Tenho mesmo que comer isso? – perguntei, olhando para a canja no prato.

- Sim. – ela disse pegando a colher. – Aí tem tudo que você precisa para se recuperar. E adivinha quem deu a receita? – perguntou, levando a colher com a canja em minha boca.

- Quem? – questionei. – Mãe eu posso comer sozinha. – disse, abrindo a boca.

- Edward. – respondeu, pegando mais uma colher.

- Edward estava aqui? – perguntei, enquanto comia.

- Sim. Quando você não acordou para a escola, vim te ver e te encontrei queimando em febre. – ela disse, dando-me outra colherada. – Liguei para Edward e ele veio imediatamente.

- Acho que ouvi vocês conversando aqui no quarto.

- Sim. Edward precisava sair e resolver umas coisas da viagem, mas ele não queria te deixar. Eu tive que praticamente colocá-lo para fora. – ela riu, fazendo-me rir também.

- Ele vai voltar? – perguntei.

- Disse que voltaria. Mas acho que ele virá um pouco tarde, filha.

- Não tem problema, eu quero vê-lo. Não quero mais, mãe. – empurrei a bandeja do meu colo.

- Tudo bem. Pelo menos comeu um pouco. Agora tome esse comprimido. – disse, entregando-me também um copo de água.

Coloquei o comprimido na boca, e o empurrei garganta abaixo com um gole de água. Aconcheguei-me na cama e me cobri com o edredom, deitando-me de lado.

- Você quer que eu apague o abajur? – perguntou.

- Não, mãe. Assim está bom.

- Certo. Vou levar isso na cozinha e já volto. – disse, fechando a porta e saindo.

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Não vi quando Renée retornou para o meu quarto. Tinha dormido novamente.

Naquela noite, senti novamente o calor reconfortante ao meu lado, os dedos pela minha testa, pelo meu rosto, pelo meu ombro. Quando ouvi a voz melodiosa cantarolando em meu ouvido, era como sentir uma sensação de paz, de conforto. Eu queria despertar e aproveitar sua presença, abraçá-lo, beijá-lo. Mas eu estava muito grogue a pagada para isso. Rolei de lado e com muito esforço abri os olhos, encontrando-o deitado ao meu lado na cama. Estendi minha mão até seu rosto. Puxei-me para mais perto, e seus braços me envolveram, aninhando-me em seu peito. Com a distância estreita, ergui minha mão e toquei seus lábios. Antes que eu tomasse a iniciativa, Edward inclinou a cabeça para baixo e beijou-me delicadamente.

- Boa Noite, minha linda. – sussurrou em meus lábios.

~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~

Edward vai embora amanhã.

Edward vai embora amanhã.

Edward vai embora amanhã.

Essa frase não saia da minha cabeça desde a hora que acordei, sozinha e suada na cama. E eu estava tão irritada e decepcionada comigo mesma.

Eu tinha que ficar doente justo agora?

Eu era tão estúpida. Maldita hora que concordei em fazer aquela aposta com Emmett. Maldita a hora que não escutei Edward. Agora estou aqui, enclausurada em meu quarto há praticamente dois dias e amanhã Edward vai embora. Eu sou tão idiota.

Quebrei nosso trato, de ficarmos juntos durante toda a semana e não falarmos da viagem e focar apenas em nós dois. Além disso, fiz a coisa que mais odiava que era deixar Edward enfurecido com algo que eu tenha feito.

Nós tínhamos planos para hoje. E eu estraguei tudo.

O que mais poderia acontecer?

O que mais eu iria estragar?

Só faltava Edward não aparecer hoje aqui, alegando estar muito ocupado, se preparando para ir embora. E só esse pensamento me fez chorar de novo, algo que eu fazia desde que acordei, sozinha e suada.

Deitei-me na cama e afundei o rosto no meu travesseiro, me afogando em lágrimas e soluçando alto.

Edward ia embora.

E quanto mais eu pensava nisso, mais desesperada eu ficava e mais lágrimas caiam rapidamente pelo meu rosto, encharcando o meu travesseiro e entupindo minhas narinas. Eu não conseguia dar um freio ao choro, nem sabia como lidar com a dor lancinante que eu estava sentindo no peito muito mais forte agora.

Dormi quando já não tinha lágrimas para derramar.

Acordei com a sensação de ter dormido por muito tempo. Estava com uma dor de cabeça terrível, que já não era mais por causa do meu estado de saúde, e sim por causa do meu estado de espírito, devido a todo aquele choro do dia todo. Olhei para janela de vidro, contemplando mais um dia indo embora, dando lugar a noite, em toda sua glória. Respirei fundo e sentei-me na cama. Quando estava prestes a me levantar, a porta do quarto se abriu.

Edward sorria, mas logo o sorriso sumiu de seu rosto quando ele me olhou. Eu não precisava de um espelho para ver que eu estava horrível. Eu sentia.

- Bella? Você estava chorando? – perguntou, se aproximando da cama.

Abaixei a cabeça, sem responder nada.

- Você está sentindo alguma dor?

- Não estou sentindo nada Edward. – sussurrei, ainda olhando para o chão. – Não estou mais com febre.

Edward se sentou ao meu lado na cama, sua mão veio em direção ao meu rosto, e então ele ergueu delicadamente o meu queixo, forçando-me a olhar nos seus olhos.

- Qual o problema, Bella? – sua voz era baixa, preocupada e ansiosa.

- Me desculpa por ser tão idiota, Edward.

- Por que você está dizendo isso? Você não é idiota. Se for pelo que aconteceu no lago eu...

- Você vai embora amanhã. – interrompi. – E eu estraguei tudo.

Edward não disse nada de imediato, e o seu silêncio fez o meu peito arfar ligeiramente.

- Nós combinamos ficar juntos. E o que eu fiz? Concordei com aquela aposta, te chateei, fiquei doente, tínhamos combinado ficar juntos essa noite e...

- Eu estou aqui. Nós estamos juntos. – ele me interrompeu, passando a mão pelo meu rosto.

- Não é desse jeito que estou falando. – minha voz era quase um murmúrio.

- Eu sei que combinamos para esta noite, depois do incidente de sábado. Mas você ficou doente e...

- Eu sou uma estúpida. – disse asperamente. – Estraguei tudo que tínhamos combinado quando concordei em entrar naquela maldita água gelada. – senti meus olhos voltarem a se encher de lágrimas. – E amanhã você vai embora e nós não... não... – nesse momento eu já estava soluçando enquanto as lágrimas rolavam, manchando novamente o meu rosto.

- Shhhh, Bella. Não chore. Você não estragou nada. – ele disse, enquanto me puxava para o seu colo, me embalando em seus braços.

- Sim. Eu sou uma idiota. – falei, enquanto chorava e molhava sua camisa.

- Não vai fazer diferença se esperarmos mais um pouco. Temos todo o tempo do mundo, meu amor. – disse ele, beijando o topo da minha cabeça. Eu o abracei apertado enquanto as lágrimas deslizavam pelo meu rosto com mais força agora, depois de ouvir meu amor sair de seus lábios. Era a primeira vez que ele me chamava assim.

Após algum tempo, aos poucos o meu pânico foi cedendo, meu choro foi se acalmando, e o polegar de Edward enxugava a umidade em meu rosto. Quando minha respiração voltou ao normal e meus olhos estavam secos, afastei minha cabeça de seu peito e olhei para ele. Nossos olhos ficaram um tempo assim, fixos um no outro. Edward tocou o meu rosto, de repente quente como brasa. Ele se inclinou lentamente para frente. Fechei meus olhos e abri meus lábios, e então ele me beijou.

O beijo era suave e delicado, mas o suficiente para despertar o meu desejo por ele em toda parte. Sem me dar conta, meus dedos estavam em sua nuca, trazendo-o para mais perto. Gentilmente sua língua escorregou para dentro da minha boca, dando toda a intensidade a nosso beijo, cada extremidade nervosa do meu corpo estava agora estremecida. Eu podia sentir o desejo dele crescendo, no meio de suas calças, uma vez que eu estava sentada em seu colo. Delicadamente empurrei Edward para deitar-nos na cama, meu corpo por cima do dele. Suas mãos estavam por toda a lateral do meu corpo, deslizando-se para baixo e para cima, levantando a minha camisola. Edward nos rolou, ficando então por cima de mim, onde nós podíamos sentir tudo do outro, enquanto nossas bocas se moviam na mais perfeita sincronia.

Eu não tinha nenhuma dúvida agora. Eu estava pronta. Eu queria Edward mais que qualquer outra coisa que já quis na vida. O meu amor desesperado por ele não suportava mais esperar. Não queria e não podia esperar por mais quarenta dias.

Trêmulas, minhas mãos saíram das costas de Edward e foram até o zíper do seu casaco, descendo-o até deixá-lo completamente aberto. Quebramos nosso beijo, mas mantemos contato com os olhos enquanto Edward passava as mangas do casaco pelos braços, retirando. Livre da peça, sua boca voltou a explorar a minha, mas ainda havia um longo caminho pela frente, então me adiantei em abrir os primeiros botões da sua camisa. E antes que eu terminasse com eles, seus lábios se afastaram dos meus e sua mão segurou o meu pulso.

- O que está fazendo, Bella? – questionou, a voz rouca e quente.

- Eu quero você. – sussurrei, beijando-o rapidamente nos lábios.

- Você está doente. – sussurrou, seus olhos fitando os meus lábios.

- Não estou mais. Por favor, Edward. Eu quero você.

Edward desviou os olhos dos meus lábios para os meus olhos. Enquanto o observava, percebi o brilho do fogo ardendo por trás do verde de sua íris. Ele quer. Ele quer fazer isso agora tanto quanto eu.

- Faça amor comigo. – eu pedi.

Edward me olhou fixamente durante um tempo. Quando ele se levanta, sinto a rejeição me inundar e o bolo na garganta subir. Mas isso não dura mais que poucos segundos quando o vejo caminhar até a porta e trancá-la.

Quando ele volta para cama, tira o tênis e em seguida deita com o corpo novamente por cima do meu, sua boca instantaneamente reivindicando a minha. Seus lábios não são gentis, embora suas mãos explorassem meu corpo com delicadeza. Estou perdida em seu toque, suas mãos me queimando em cada lugar do meu corpo que seus dedos alcançam. Ele move os lábios para o meu pescoço, gemidos escapam da minha boca, e eu só consigo pensar no quanto é difícil cessar os sons, diante do beijo e do toque tão poderoso de suas mãos nos meus quadris. Meu corpo está completamente em chamas, minha pele parece que vai derreter a qualquer momento.

Edward abriu o restante dos botões da sua camisa, retirando-a, jogando-a no chão. Meu coração batia frenético quando estendi minhas mãos, tocando o seu peito e abdômen liso. Senti seu corpo tremer com o meu toque. Com uma das mãos, Edward puxou a minha, que estava tocando-o e a levou até os lábios, beijando-a. Seus olhos encontraram os meus por um momento e então ele se ajoelhou no colchão. Suas mãos seguraram a barra da minha camisola, e lentamente ele a ergueu, fazendo-me levantar os braços para que ele puxasse por cima da minha cabeça. Edward olhou faminto para os meus seios, desprovidos de sutiã. Ele se inclinou para frente, e quando pensei que ele fosse tocá-los, suas mãos foram para as laterais da minha calcinha. Gentilmente, ele puxou a minha roupa íntima para baixo, e então eu estava nua diante dele.

Edward espalhou beijos lentos em minha barriga, umbigo, no vão entre os meus seios, demorando um pouco mais tempo em cada um dos meus mamilos, roçou o nariz em minha clavícula, até chegar a minha boca.

Tudo em mim estava aceso enquanto nos beijávamos ardentemente. Depois de um longo tempo nos beijando, nos afastamos ofegantes. Meu coração disparou e a minha pele ficou toda a arrepiada com a intensidade do olhar e do sussurro de Edward.

- Você é tão linda. – ele diz.

A mão direita de Edward na minha cintura desceu até a minha coxa. Ele brincou com os dedos no local, fazendo pequenos círculos. Até que ele finalmente atendeu os meus pedidos silenciosos quando movimentou os dedos até a parte do meu corpo que tanto implorava pelo seu toque. Num ato inconsciente, minhas coxas se juntaram, prendendo a mão de Edward no meio de minhas pernas, e então ele fechou os olhos.

Minhas mãos correram até o botão de sua calça jeans, abrindo-o, descendo o zíper em seguida. Minhas mãos tocaram brevemente sua carne rígida através do tecido da cueca boxer e isso só me fez querer me livrar de suas roupas com muito mais pressa. Puxei seu jeans para baixo, levando junto a cueca. Edward retirou a mão da minha intimidade molhada e ansiosa por ele, e me ajudou a terminar de tirar suas únicas peças. Totalmente despedido, igualmente a mim, Edward se apoiou na cama com um braço, e cobriu o meu corpo com o dele, nossas pélvis se tocando sem roupas. Eu podia sentir o seu membro tocando minha coxa.

- Bella, eu não acho que isso esteja certo. Você ainda está doente, teve febre até hoje de manhã. – sua voz compartilhava um pouco de preocupação, embora o desejo ainda estivesse lá. Eu via em seus olhos, assim como sentia no seu corpo.

- Por favor. – segurei o seu rosto com minhas duas mãos e beijei seus lábios brevemente. – Nós vamos ficar separados por mais de um mês. Eu quero guardar essa lembrança.

- Droga! Não faz isso comigo, Bella. – murmurou, soa voz tomada por algo que eu não consegui identificar.

- O que foi, Edward? – perguntei suavemente.

- Eu... eu não tenho camisinha. – seu rosto exalou desespero.

- Ah... – murmurei. – Eu não lembrava disso. – completei, minha voz tomada de repente pela frustração.

- Eu sinto muito. – Edward murmurou. – Eu realmente quero você, Bella. Não foi de propósito. Eu só não ando com camisinhas.

Só então entendi o desespero na expressão do seu rosto e no seu tom de voz.

- Shhhh Edward. Eu sei. – passei minha mão pelo seu rosto. – Não era para ser hoje. Tudo bem.

- Eu quero você, Bella. Muito. Te amar fisicamente é o que mais desejo. Eu só não...

- Eu sei Edward. Está tudo bem. Você só não sabia que eu iria... te atacar. – sorri para ele.

Ele abriu um sorriso, mas ainda era desanimado. Com muita suavidade, quase não me tocando, Edward colocou uma mão em meu rosto. Aproveitei o momento e o puxei para pressionar a minha boca contra a dele, passando os meus braços pelo seu pescoço.

Estávamos nos beijando febrilmente como antes. E com o movimento dos nossos corpos se movendo enquanto nos beijamos, nossos sexos se encontraram. Arfei contra os lábios de Edward ao sentir o seu pênis na minha intimidade e ele estremeceu.

Congelados com a sensação, paramos de nos beijar, sem afastar nossos lábios.

— Eu posso te sentir, Bella? – perguntou, contra minha boca. – Eu não vou entrar, eu juro. Eu só quero te sentir.

- Sim. – eu quase não ouvi minha voz.

Ficamos parados, minha boca na dele, seu corpo no meu, incapazes de dizer algo ou fazer algum movimento. Eu não tinha palavras que definissem o que eu estava sentindo agora, que nomeasse a sensação de sentir o sexo dele no meu.

Edward foi o primeiro a se mexer, mas o seu movimento fez com que o seu pênis se acomodasse ainda mais no meio das minhas pernas. Eu abri os olhos, encontrando os dele abertos, e sem desviar os olhos dos meus, Edward inclinou o corpo para baixo, puxando-o em seguida para cima, esfregando lentamente o membro contra a minha intimidade molhada.

- Hum...tão bom. – murmurou, enquanto se movimentava.

Não sei para Edward, mas a maneira como nossos corpos estavam conectados, estava me matando.

- Eu não vou agüentar, Bella. – ele parou de se movimentar, fechando os olhos. – Eu quero entrar em você.

E no mesmo instante que o efeito das palavras que ele acabara de proferir me bateram, um barulho na maçaneta seguida de uma leve batida na porta, nos interrompe.

- Bella, trouxe sua canja.

Edward voou de cima de mim, recolhendo nossas roupas do chão.

- Só um minuto mãe. – eu gritei nervosamente.

- Não estou vendo em nenhum lugar a sua calcinha. – Edward sussurrou enquanto subia a calça jeans e eu passava a minha camisola pela cabeça.

Enquanto Edward fechava os botões da camisa, procurei a calcinha pelos lençóis, mas nada encontrei.

- Eu não sei onde foi parar. – disse a ele.

- Se cubra. Já demoramos muito tempo. – ele disse, colocando a cueca boxer no bolso da calça jeans, segurando o casaco na mão.

Encostei-me na cabeceira da cama e me cobri até a cintura, tentando arrumar os cabelos assim como Edward tentava domesticar os dele. Quando estávamos decentes, fiz o sinal para ele abrir a porta.

Minha mãe entrou no quarto dando um sorriso estranho para mim e para Edward, e pelo que eu a conheço, tenho certeza que estava desconfortável.

- Você vai comer agora ou quer que eu coloque na mesinha? – perguntou.

- Pode colocar na mesinha, mãe. Obrigada. – sorri para ela.

Antes de levar a bandeja até a mesinha, Renée olhou novamente de Edward para mim e de mim para Edward. Aposto que ela percebeu nossos lábios inchados, os cabelos bagunçados que tentamos arrumar em vão, nosso comportamento estranho e o casaco de Edward em sua mão, tentando esconder a ereção. Quando ela deixou a bandeja em cima da mesinha, notei seus olhos fixos num ponto no chão, próximo da minha cama, percebendo também uma mudança em sua expressão facial, como se ela tivesse ficado constrangida de repente.

- E-eu vou descer. – disse ela, caminhando até a porta. – Juro que não vou atrapalhar mais.

Quando minha mãe fechou a porta ao passar, Edward franziu a testa para mim. Levantei-me para ver o que ela estava vendo no chão, perto da minha cama. Fora quando finalmente encontrei a minha calcinha, jogada no tapete, próxima ao pé da cama. Estiquei o braço e a peguei, mostrando a Edward.

Ele caminhou até se sentar na ponta da cama, ao meu lado. Nos entreolhamos e no segundo seguinte explodimos de rir.

.

Notas finais
Hey amores
Espero que não tenha deixado ninguém decepcionado. No próximo capítulo vocês vão saber onde, quando e como será a primeira vez.
Acho que eu disse capítulos atrás que a primeira vez não passaria do capítulo 35, continuo mantendo a minha promessa.
Paciência eu sei que vocês têm. E agradeço muito por isso. O que tem de gente que desistiu de ler TSA porque ainda não rolou sexo.
Bom, mas tirando essa parte, acho que gostaram do capítulo, especialmente do final, hein?? rsss
Agradeço os reviews do capítulo passado, torcendo para ter tantos neste também, mas não de protesto kkkkkkk
Tenham um ótimo fim de semana.
E não esqueçam de passar na minha short-fic Private Party.
beijos ;)