Talvez Seja Amor
31 Capítulo 31
Notas iniciais
Uau, nunca demorei TANTO para atualizar isso aqui. Mas como vocês sabem, fiquei ausente por causa da minha monografia. Infelizmente não apresentei no início de julho como previra, mas sim dia 29 de julho. Por isso demorei tanto com o capítulo de TSA. Um outro motivo para o atraso é que comecei a escrever uma short fic (PRIVATE PARTY), que é bem diferente de TSA. Enquanto aqui a galera está se mordendo de ansiedade pela primeira vez de Edward e Bella, em PRIVATE PARTY, as coisas acontecem já no primeiro capítulo rsrs.
Link para quem tiver interesse: http://www.fanfiction.com.br/historia/154063/Private_Party
Gente NÃO VOU ABANDONAR TSA, para quem me perguntou no twitter ou através de review. Como falei, o atraso se deu especialmente por causa da monografia. E veja só, tirei 10!!!! Obrigada pela força gente! A energia de vocês me ajudaram a chegar lá.
Agora vou deixar de conversa e deixar vocês lerem. Eu queria ter escrito um capítulo melhor, mas isso foi tudo que consegui. Espero sinceramente que gostem. Ignorem os erros, já é mais de meia-noite e provavelmente deixei algo escapar na hora da revisar o capítulo rsrs.
=)
POV BELLA
Eu não estava totalmente acordada, mas também não estava mais entregue à inconsciência, dormindo profundamente. Na verdade eu estava... com preguiça. Porém, tinha plena consciência do colchão macio em que estava deitada, de bruços, a cabeça inclinada para o lado direito, e parecia que algo mexia em meu cabelo, deixando-me imersa naquela sonolência. Tão bom!
Será que eu tinha sonhado enquanto dormia que alguém mexia em meu cabelo que agora sentia como se estivesse mesmo acontecendo? Só sei que era bom demais para ser apenas uma sensação. Até a minha cama parecia mais macia, aconchegante. Talvez seja loucura minha, mas podia jurar que eu estava sentindo o cheiro de Edward. Podia jurar também que eram os dedos dele que tocavam quase que imperceptível e suavemente os fios do meu cabelo.
Um barulho de celular vibrando começou a ecoar de repente no silêncio do quarto. Não, eu não estou dormindo, mas também não quero me levantar agora. Ainda não quero abrir os olhos. Mas a sensação de dedos mexendo em meus cabelos inesperadamente para. E logo depois o barulho do celular vibrando também.
Eu devo estar mesmo ficando louca. Estou até ouvindo sussurros, uma voz baixa, macia e suave. A inconfundível e a mais linda voz de todo o universo. A voz do meu namorado. Tenho certeza que sorri nessa hora.
Segundos mais tarde senti algo se deslizando suavemente em minhas costas. Dedos. Eles estavam acariciando a pele por debaixo da minha blusa. Quer dizer, eu acho que estava usando uma blusa, do meu pijama. Engraçado, não lembro o que vesti para dormir na noite passada. Quer dizer, eu não lembro como cheguei em casa.
Espera. Eu não estava indo para casa após a festa, mas sim para a casa de Edward.
E esta... esta não parece minha cama.
Além disso, estou sentindo o cheiro de Edward.
E ainda tem essa mão deslizando em minhas costas.
Isso só pode significar que...
Virei abruptamente a minha cabeça para o lado esquerdo e abri finalmente as pálpebras, dando de frente com os brilhantes olhos verdes e o sorriso perfeito de Edward, seu rosto a poucos centímetros do meu. Ele estava deitado de lado, apoiado em um dos cotovelos. Ele inclinou a cabeça para frente e beijou-me rapidamente, apenas um selinho.
– Eu dormi aqui? – perguntei.
Ele sorriu de canto dos lábios.
– Eu sabia que não iria lembrar. – disse com a sua voz baixa, tranqüila.
– Não lembro. – disse-lhe, minha voz rouca de sono.
– Você estava totalmente apagada quando chegamos. – começou a explicar. – Tentei te acordar, mas você começou a resmungar então tive que te pegar no colo e te trazer até aqui em cima. Não sei como consegui fazer isso sem nos derrubar na escada. – ele sorriu, provavelmente se lembrando.
– Hmmm. – assenti, sem conseguir lembrar-me de nada disso.
Virei-me para ficar de frente para o teto enquanto esfregava os olhos. Foi então que percebi o que estava vestindo.
– Você quem colocou meu pijama? – questionei.
– Sim. Você não queria acordar de jeito nenhum.
– Ah...
– O que? Não se lembra de nada disso? – Edward questionou, erguendo uma sobrancelha.
– Na verdade não. – mordi o lábio inferior, apertando os olhos enquanto tentava me lembrar. Em vão.
– Nada? Nem do que aconteceu antes de chegarmos aqui?
Flashes da noite anterior atingiram a minha mente instantaneamente.
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– O que você está fazendo? – perguntei ao sentir a sua mão na parte interior da minha coxa.
– Checando se você está mesmo excitada. Você disse que eu não seria capaz de fazer isso na frente de tanta gente. Estou aproveitando que não há ninguém olhando. – murmurou.
Ele afastou a minha calcinha para o lado, dois de seus dedos deslizando-se pela minha umidade.
– Você está tão molhada. – disse esmagando a boca contra a minha.
– Edward. Isso é tão bom. – gemi, jogando a cabeça para trás.
FLASH FLASH FLASH FLASH FLASH FLASH FLASH FLASH
Olhei para o pênis de Edward, duro, totalmente ereto e apontando para mim, na mesma altura da minha cabeça. Eu já não era dona das minhas ações há muito tempo, desde que havia empurrado tanto álcool para dentro do meu organismo. Estava claramente mais afoita, desinibida, cheia de vontades. Naquele momento eu só sabia que queria tocá-lo, reverenciá-lo. Então deslizei a minha mão por toda a extensão, com movimentos leves para baixo e para cima, olhando o tempo todo para o membro rígido enquanto o acariciava suavemente. Eu não poderia descrever o quão bom era senti-lo na minha mão. Mas eu estava com uma vontade esmagadora de saber como era senti-lo em minha boca, principalmente após ouvir Rosalie e Alice comentarem sobre suas experiências.
Desviei relutantemente os olhos do membro de Edward e os movi para cima, encontrando os seus olhos, flamejantes e brilhantes, fitando-me intensamente. Ele sorriu para mim, e naquele momento eu tive mais certeza ainda do que iria fazer a seguir, quando sorri de volta. Mordi o lábio inferior, voltando a olhar para a minha mão deslizando sobre o pênis dele, apertando-a ao redor dele com um pouco mais de força, sentindo as veias pulsando em minha mão. Um som estrangulado escapou da garganta de Edward, que em seguida fechou os olhos, o corpo se contorcendo e deleitando-se ao meu toque. Eu não queria mais esperar. Queria senti-lo em minha boca.
E assim o fiz. Segurei firmemente e o levei de encontro a minha língua, lambendo a ponta, sentindo o gosto do líquido que por ali se acumulava. Eu não estava olhando em seu rosto, mas podia sentir os tremores vindos do corpo de Edward quando fiz isso. No instante seguinte segurei a base do membro, e o mergulhei por completo em minha boca. Ele soltou um silvo alto quando comecei a deslizar o pênis com movimento de dentro para fora.
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– Eu lembro nitidamente de tudo que nós… — hesitei, ponderando as minhas palavras, continuando em seguida. –, de antes de chegarmos aqui. – declarei a ele.
Edward inclinou a cabeça para frente, e começou a esfregar o nariz no meu pescoço.
– Fico feliz que se lembre. – disse ele, sorrindo, afagando levemente o meu rosto. – Não queria ter de forçá-la a lembrar.
Um sorriso tímido se espalhou pelo meu rosto.
– Talvez você tenha que fazer isso. – murmurei. – Talvez eu não lembre algumas... partes.
– Quer que eu comece agora? – perguntou, inclinando a cabeça para me beijar.
– Se você quiser... – falei, minha boca colada na dele.
– Eu sempre quero. – ele partiu seus lábios e sua língua brincou com meu lábio inferior. – Mas parece que toda a população dessa casa quer que a gente desça para almoçar.
– Como assim? – franzi o cenho.
Edward virou-se para o seu lado na cama, sua cabeça caindo sobre o travesseiro, colocando os braços atrás dela.
– Emmett já bateu na porta e Alice ligou no seu celular duas vezes. Por isso estava tentando te acordar.
– Alice dormiu aqui também? – perguntei.
– Sim. No quarto de hóspedes. E Rosalie também.
– No quarto de hóspedes? Com Alice?
– Não, Bella. – ele riu. – Com Emmett.
– Ah.
Tirei o edredom de cima de mim e virei-me para cima de Edward, deixando meu joelho esquerdo no meio de suas pernas e a minha cabeça em seu peito. Suas mãos abraçaram o meu corpo.
– Temos mesmo que descer agora? – perguntei.
– Sim. – ele disse, afagando minhas costas. – Depois voltamos para cá e podemos fazer o que você quiser. – completou.
Sorri e inclinei-me para beijá-lo. Só então percebi que estava com hálito matinal.
– Hmmm... acho melhor ir escovar os dentes. – falei, saindo de cima dele e levantando-me da cama.
Estava indo em direção ao banheiro quando Edward me chamou.
– Bella. – Virei-me rapidamente a tempo de vê-lo erguendo os olhos para o meu rosto. Definitivamente ele estava olhando para o meu traseiro segundos atrás.
Sorri, um pouco convencida. Eu estava usando um conjunto de short doll bege, de algodão, bem juvenil, mas era bem colado no corpo. O melhor de tudo era saber que Edward que o vestiu em mim.
– Sim? – perguntei, sem tirar o sorriso.
Porém o sorriso não chegou a Edward, que me olhava parecendo um pouco... constrangido?
– Eu acho que você... menstruou. – disse, se sentando na cama, apontando para o meu short. No mesmo instante meu sorriso se esvaiu.
– Você está brincando? – perguntei, virando a minha cabeça para trás, tentando olhar a parte de trás do meu short.
– Bem, eu tenho certeza que não tinha essa mancha aí quando vesti em você.
– E-está muito sujo? – perguntei, completamente envergonhada.
– Há um pequeno... círculo. – Edward coçou a cabeça. – Dá pra ver claramente que é sangue.
Não sabia quem mais estava constrangido, se era Edward ou eu.
Pus uma mão no meu cabelo e o joguei para trás, sem saber direito o que fazer.
– É muito a minha cara mesmo menstruar no primeiro dia do ano. – reclamei.
– Você não sabe o dia que chega? – perguntou.
– Não. Quer dizer, eu imagino mais ou menos a data, de acordo com o dia que veio no mês anterior. Pensei que chegaria dia quatro ou dia cinco. Eu odeio não saber o dia certo!
– Bem, algumas mulheres conseguem ter o controle disso. – ele fez sinal com a mão. – Tomando anticoncepcional.
– Sim. Mas eu não tomo. Nunca tomei na verdade. Nunca precisei tomar isso. – falei, refletindo os motivos que levam a maioria das mulheres tomarem pílulas anticoncepcionais, que raramente são por causa de controle de ciclo menstrual, mas sim para evitar gravidez.
– Claro. – murmurou, apostando eu que em seus pensamentos passaram o mesmo que o meu.
– E... e e-eu não tenho absorvente comigo. – lembrei.
– Você quer que eu chame Rosalie ou Alice? – perguntou, levantando-se da cama. Só agora percebi que ele estava de cueca samba canção. Com apenas isso.
– Você pode chamar Alice? – perguntei enquanto ele colocava uma bermuda azul escuro por cima.
– Já volto. – ele disse, vestindo um moletom preto e saindo descalço do quarto.
Corri para o banheiro e fui olhar através do espelho a mancha em meu short de dormir, constatando que realmente menstruei. Poucos minutos depois ouço batidas na porta.
– Bella? – é a voz de Alice.
– Entra.
– Edward falou que você queria falar comigo. O que houve?
– Você por acaso tem algum absorvente?
– Hmm não.
– Merda.
– Menstruou? – ela fez uma careta.
– Sim. – bufei.
– Vou ver se Rosalie tem. – disse saindo do banheiro.
Não quis sair para ver, mas acho que Edward estava no quarto.
Três minutos depois Alice volta.
– Rosalie também não tem, Bella.
– Eu posso sair e comprar pra você. – disse Edward, entrando logo atrás de Alice no banheiro.
– Nossa, Edward, você vai demorar uma eternidade pra voltar. Não tem absorvente nessa casa? – perguntou minha prima.
– Bem, só há minha mãe de mulher. Posso ver se ela tem. – disse ele, me olhando.
– É, e sua mãe ainda deve menstruar.
– Alice! – adverti.
– Vou perguntar a ela. – disse Edward, saindo.
– Que falta de sorte hein? – Alice piscou o olho quando estávamos sozinhas.
– Você sabe que não costumo ser beneficiada pela sorte. – dei-lhe as costas e fiquei de frente para o espelho, olhando a minha imagem refletida.
Eu estava um horror. Cabelos bagunçados, vestígio de maquiagem ainda da noite anterior nos olhos. Não acredito que Edward me viu desse jeito.
– Você só menstruou agora? Ou desde ontem, ainda na festa?
– Não. Deve ter chegado há pouco tempo. A mancha de sangue ainda está fresca no meu short.
– Eu vejo. – disse ela. – Então deu para se divertirem um pouquinho? – perguntou, maliciosa.
– Não comece. – avisei a ela.
– Vai, Bella, me conta. – ela bateu no meu ombro. – O que vocês fazem quando estão sozinhos? Eu sei que você já disse que ainda é virgem, mas...
– Alice. Para. – pedi. – Edward pode chegar e ouvir.
– Então me responde logo. – revirou os olhos, sorrindo. – Você não entrou em tantos detalhes da outra vez, quando estávamos conversando eu, você e Rosalie.
– Eu disse o que fizemos.
– Você não vai cooperar não é? Bella, eu sempre te contei tudo.
– Eu sei Alice é que...
– Onde vocês costumam ficar? Aqui?
– Consegui com a minha mãe. – disse Edward entrando novamente no banheiro com um pacote de absorventes na mão. Espero que ele não tenha conseguido ouvir alguma parte da conversa.
Sorri para ele em agradecimento, que sorriu de volta para mim, enquanto eu pegava o pacote de sua mão estendida.
– Salva. – anunciou Alice. – Bom, vou descendo. Só estamos esperando vocês para almoçar. – disse, saindo do banheiro em seguida.
– Não sabia que era tão tarde. – disse a Edward.
– Sim. É quase meio-dia. Mamãe pediu almoço. Sabe como é, Irina está de folga, passando ano novo com a família.
– Eu sei.
– Vou esperar você no quarto.
– Vou tomar um banho rápido. – disse, antes que ele realmente saísse.
– Já sabe onde estão as toalhas. – ele disse, piscando o olho, puxando a maçaneta da porta.
– Edward! – chamei, antes que ele fechasse a porta. – Hmmm, você poderia pegar uma roupa e sutiã e calcinha na minha mochila? – perguntei.
A essa altura, a última coisa que eu poderia ter era vergonha de Edward mexendo nas minhas roupas, nas minhas peças íntimas. Já tínhamos ido longe demais para que eu tivesse esse tipo de constrangimento. Eu não me importava, de verdade. Ele já viu muito mais de mim que simples conjuntos de calcinhas e sutiãs.
– Claro. – ele sorriu. – Só um minuto.
Edward voltou logo depois, segurando um jeans skinny, uma regata azul-marinho e um conjunto de calcinha e sutiã, ambos preto.
– Obrigada.
– Não por isso. – ele sorriu. – Estou aqui fora. – disse, fechando a porta do banheiro.
Tomei um banho rápido. Coloquei o absorvente, e em seguida me vesti. Escovei os dentes, com a escova que Edward comprou e deixou ao lado da sua para quando eu estivesse aqui, depois saí para o quarto.
Encontrei Edward sentado no sofá, olhando alguns papéis.
– O que você está fazendo? – perguntei.
Edward ergueu a cabeça e sorriu para mim, juntando a folhas.
– Nada demais. Só estava olhando umas velhas partituras de violão, que encontrei outro dia quando estava arrumando o armário. – disse, olhando para os papéis enquanto os juntava.
– De que são?
– São da minha antiga banda.
Caminhei até ele, ficando em pé ao seu lado, afagando o seu cabelo com a minha mão direita. Edward envolveu o braço esquerdo na minha cintura, levando-me para mais perto dele.
– Posso ver? – perguntei.
– Pode. – respondeu, entregando-me algumas folhas.
– Purple Heads? – perguntei, franzindo a testa.
Edward sorriu um pouco alto.
– Não me pergunte por que esse era o nome da banda. Até hoje nunca entendi a escolha.
Havia muitas partituras de músicas que eu não conhecia. Algumas sem estarem concluídas, pude perceber.
– Vocês gravaram algum disco, na época?
– Apenas um, depois de muito sacrifício.
– Você compôs alguma música? – perguntei, colocando as partituras no sofá, me sentando no colo de Edward.
– Na verdade sim. Duas músicas sozinho, outra com o Bobby e duas com o Matt.
– Eu nunca ouvi você cantar. – falei, olhando-o nos olhos.
Ele sorriu, beijando a ponta do meu nariz.
– Talvez um dia.
– Também nunca vi você tocar violão. Eu sei que você tem um aqui, eu já vi.
– Eu tenho. Guardei, já que não costumo mais tocar.
– Por quê? – perguntei.
Edward suspirou.
– Porque me faz lembrar aquela época.
– Você desistiu mesmo? Da música?
– Desisti. – a expressão no rosto de Edward transformou-se. Ele parecia triste agora. – Não deu certo uma vez. Enquanto puder, vou evitar frustrações de novo. E tem a faculdade de medicina agora, você sabe.
– Você pode fazer os dois. Ou melhor, os três, com o teatro.
– E ficar sem tempo para a minha namorada? – indagou sorrindo torto, beijando-me rapidamente nos lábios. – De jeito nenhum.
Sorri.
– Também não quero isso, mas não quero que você desista dos seus sonhos, Edward. Não esqueci aquela nossa conversa, bem aqui nesse quarto, quando estive pela primeira vez.
– Você lembra? – seu sorriso esfriou.
– De cada palavra. – disse a ele. – Lembro perfeitamente de você falar que a música ocupava o primeiro lugar numa escala de preferência. Tenho certeza que isso não mudou.
– Não, não mudou. É só que... – ele pausou, olhando para o chão. –, é complicado. Ao mesmo tempo em que foi uma época boa, os tempos da banda também foram uma época ruim da minha vida, que eu não quero reviver. Desde que Bobby morreu evitei tudo relacionado à banda. As músicas, o violão, a guitarra, até dos amigos eu me afastei. Mesmo Tom, que eu tenho contato até hoje, não é como antes.
– Você precisa superar isso, Edward.
– Eu sei. Eu tenho pensado muito nisso ultimamente, por causa da minha ida à Londres. Tom sempre foi meu melhor amigo, o companheiro de todas as horas. Nos conhecemos desde de... desde sempre, sabíamos tudo da vida do outro, nunca houve um assunto em que não compartilhamos. Mas há quase quatro anos, sequer conseguimos falar sobre o Bobby, o fim da banda, nada.
– Eu sinto muito. – disse, passando a minha mão levemente em seu rosto.
– Nós cinco éramos como inseparáveis. Morávamos perto um do outro, estudávamos na mesma escola. E depois... puff! É como se algo tivesse se perdido. A realização da banda, a amizade.
– Você sente falta disso.
– Sentir falta não é a questão. É como tudo terminou. Eu não quero conviver com a sensação eterna de querer apagar esses três anos da minha vida. Eu queria poder falar dessa época com saudade, mas eu não consigo. Eu só consigo sentir tristeza, frustração.
– Você não pode simplesmente apagar. Aconteceu, Edward.
– Eu sei, mas eu queria que tivesse sido diferente, que não tivesse saído do controle. Que mesmo que a banda não tivesse dado certo, que tudo continuasse como antes, que Bobby não tivesse morrido, que Matt não precisasse se mudar, que Tom e eu ainda continuássemos amigos, como sempre fomos. – ele suspirou. – Se eu não tivesse colocado essa idéia pra frente.
Então tive um click.
– É por isso que você se afasta de tudo relacionado à música? – levantei de seu colo e fiquei em pé, de frente para ele. – Edward vocês eram jovens, imaturos, inexperientes. Você não pode pensar que algo que não deu certo no passado vai acontecer de novo. O fato de você ter sido o responsável pela criação da banda não tem nada a ver. Você não pode se culpar pelos erros dos outros!
– Não me sinto culpado. – ele passou a mão pelos cabelos. – Mas se eu não tivesse insistido na banda, talvez...
– Pare. – segurei seu rosto delicadamente em minhas mãos, forçando-o a olhar para mim. – As coisas acontecem quando têm de acontecer. Eu já te disse isso da outra vez, mas vou repetir. O que aconteceu com o seu amigo foi uma fatalidade. Nem a banda nem ninguém têm culpa disso.
– Eu o vi morrer. Eu e o Tom vimos. – o olhar de Edward era profundamente triste. – Não pudemos fazer nada. Tinha pó em seu nariz e muitas garrafas de bebida vazias no chão do quarto dele, quando o encontramos. Antes mesmo que chamássemos a ambulância, ele estava morto.
– Você tentou ajudá-lo, Edward. Fez o que esteve ao seu alcance. O aconselhou, tentou abrir os olhos. Era o máximo que você podia ter feito. – tentei confortá-lo.
Ele olhou nos meus olhos, assentindo. Soltei seu rosto e Edward encostou a bochecha em minha barriga, envolvendo os braços na minha cintura enquanto eu colocava meus braços ao redor do seu pescoço, abraçando-o. Vê-lo daquele jeito me entristecia também.
– Quanto ao Tom, ainda podem resolver essa situação. Vocês precisam conversar, falar sobre o assunto, parar de fazer de conta que isso não aconteceu.
Após alguns minutos de silêncio, Edward voltou a falar.
– Hoje a banda estaria completando seis anos de existência. – disse.
– Agora entendo por que você está assim. – falei, compreendendo.
– Vem cá. – disse, puxando-me novamente para sentar em seu colo. – Desculpa, Bella. Eu sempre me lembro, mas normalmente nunca fico assim. Talvez tenha sido por causa das partituras que encontrei, o Tom me ligou hoje cedo para desejar Feliz Ano Novo também. – ele beijou meu ombro. – Veio tudo à tona.
– Não se desculpe. Você sabe que pode conversar sobre tudo comigo. Eu quero saber. – disse a ele, beijando-o na testa. – Então foi no primeiro dia do ano que tudo começou?
– Eu sempre insisti em montarmos uma banda. Matt foi o primeiro a me apoiar. Durante meses nos juntamos para tocar violão, guitarra, até tentamos compor algumas músicas. Mas tudo começou mesmo na festa de Ano Novo, quando nós dois, junto com Tom, Bobby e Tyson pegamos uns instrumentos e começamos a tocar e a cantar para animar a festa. No dia seguinte, estávamos os cinco reunidos na garagem do Matt, decidindo o nome da banda. Lembro como se fosse hoje Emmett dizendo que deveria se chamar The Tramps. – ele sorriu, com a lembrança.
– Isso é típico do seu irmão. – sorri, contente que o humor de Edward estivesse melhorando. Não gostava de vê-lo triste, desse jeito.
– Lógico que essa foi a primeira e última vez que ele participou de um ensaio. Só dias depois que surgiu o nome Purple Heads, e a maioria concordou, embora eu não.
– E qual nome você queria?
– Não tinha muitos nomes em mente, mas definitivamente Purple Heads não era o que eu queria.
Edward pronunciou o nome da ex-banda com um sotaque tão inglês que eu até sorri.
– O que foi? – ele perguntou.
– Você. Heads. Faz tempo que não escutava seu sotaque.
Edward sorriu.
– Existem coisas que nunca mudam. – ele disse.
– Não estou reclamando. – continuei sorrindo. – Na verdade eu gosto do sotaque inglês. Você quase não tem que eu até acho estranho quando você escorrega numa palavra ou outra.
– Acho que foram os dez minutos que falei com Tom ao celular. À propósito, ele vai se casar.
– Sério?
– Sim. Não foi nenhuma surpresa para mim. Tom e Diane namoram antes mesmo da banda existir. Terminaram durante uma época, mas voltaram um ano depois. Estão juntos há mais de quatro anos.
– Realmente é muito tempo.
– Ele me convidou para ser padrinho. Na verdade você também, como madrinha, mas disse que... – ele parou.
– O que ele disse?
– Que queria conhecer você. O casamento será em julho ainda, e ele assegurou que faria uma visita antes, com Diane.
– Viu? Nem tudo está perdido, Edward. Vocês ainda podem voltar a serem amigos como antes. – passei meus braços ao redor da sua nuca.
– Foi o que pensei. – ele disse, colocando os lábios no meu pescoço. – Marcamos de nos encontrar em Londres, quando eu for.
– Espero que...
Antes de concluir, fui interrompida pelo som alto da voz de Emmett, vindo provavelmente da escada.
– Edward, seu come-quieto. Dá pra tirar suas mãos de cima de Bella por um tempo e descer para almoçar? Tem pessoas aqui embaixo com bastante fome! – disse um Emmett exasperado. Outras vozes foram ouvidas, mas não foi possível identificarmos.
– Emmett quando quer ser irritante... – Edward comentou.
– Você sabe como ele é quando está com fome. – falei, rindo.
– Sim, eu sei, altamente mal-humorado. Vamos descer antes que alguém venha e nos arraste escada abaixo. – disse, dando um tapinha na minha cintura enquanto nos levantávamos.
Calcei minhas sapatilhas pretas, Edward apenas um chinelo e descemos de mãos dadas, encontrando todos na sala, nos esperando.
– Finalmente! – gritou Emmett, desligando a televisão e levantando-se do sofá com Rosalie.
– Bella, Edward. – Esme se aproximou e nos abraçou. – Feliz Ano Novo, crianças.
– Feliz Ano Novo, mãe. Mas já desejamos um ao outro ontem. – Meu namorado sorriu.
– Sim, mas ontem foi véspera. Hoje que importa. – sorriu sua mãe, afagando sua bochecha. – Bella. Como você está? – perguntou a mim. Pela expressão em seu rosto, logo percebi que ela se referia a minha menstruação.
– Está tudo bem, Esme. Er... obrigada. – agradeci, sorrindo.
– Não por isso querida. – ela sorriu. – Vou chamar o pai de vocês na biblioteca para almoçarmos.
Enquanto Esme saía à procura de Carlisle, nos dirigimos à sala de jantar, com os três casais sentando lado a lado. Bem, Alice e Jasper era uma incógnita. Eles tinham ficado ontem, mas não sei se já conversaram sobre isso. Também não vi os dois de mãos dadas em nenhum momento, mas pareciam felizes enquanto conversavam. Minutos depois os pais de Edward chegaram. Carlisle caminhou até a mim e Edward, nos abraçando e desejando Feliz Ano Novo.
Começamos a almoçar logo em seguida. Esme havia feito um delicioso Salmão grelhado com molho de alcaparras, servido com salada, arroz branco e brócolis. Ela e Carlisle nos contava sobre a festa de Ano Novo na casa dos Weber, e o quanto adoraram comemorar com os meus pais. Emmett esvaziou o prato enquanto contava o sucesso da festa que fomos, organizada por ele e o amigo, mas logo em seguida encheu o prato novamente, iniciando a segunda rodada. Edward, quando terminou o dele, começou a beliscar do meu prato.
– Ah, Edward. Já tinha esquecido. Isso aqui é para você. – disse Jasper, tirando algo do bolso da camisa e entregando-lhe. Era um envelope cinza, bem elegante. – Acho que ninguém olhou a caixa do Correio esses dias, peguei isso ontem.
Edward soltou a minha mão para abrir.
– O que é CTE? – perguntou o irmão gêmeo. – Está escrito no remetente.
– Companhia Teatro Espejo. – Edward respondeu.
– O Espejo é logo ali. Por que eles te mandaram uma carta? – perguntou o irmão mais velho.
– É do Espejo de Londres. Mensagem de Ano Novo. – respondeu enquanto lia.
– Quando é que você vai mesmo viajar? – perguntou Rosalie.
– Dia 9. – respondeu Jasper.
Engasguei com a água.
– Dia 9? – me virei para Edward, a minha voz falhando e meus olhos vermelhos por causa do engasgo.
– Não vou mais dia 9.
– E desde quando você ia dia 9? Que eu saiba era dia 15. – o questionei.
– Eles queriam antecipar a ida dele. – disse-me Esme.
Olhei para Edward, pedindo silenciosamente uma explicação.
– Eles queriam antecipar minha viagem. – começou Edward, olhando para a mesa. – Você sabe, Dorian estréia dia 13 de fevereiro, o restante do elenco já está ensaiando há quase um mês e eles queriam que eu, como papel principal, já estivesse lá. – ele ergueu a cabeça e me olhou. – Mas eu pedi para ensaiar aqui e só viajar dia 15, como combinado desde o início.
– Você não me contou sobre isso. – o acusei.
– Eu sei. Não queria te falar. Eu queria resolver antes, tentar convencê-los a ficar em Sacramento. Eles não gostaram, mas concordaram.
– Isso não vai te prejudicar? – perguntei. – Digo, você terá um pouco menos de um mês de ensaio com o restante do elenco.
– Não, não vai. Eu vou começar a ensaiar no Espejo a partir de amanhã e em Londres serão 26 dias exaustivos de ensaio. Serão oito horas por dia, de domingo a domingo.
– Já amanhã?
– Sim. Todas as noites.
– Bom, pelo menos teremos o dia para ficarmos juntos. – eu disse.
Ele sorriu, colocando alguns fios de cabelo atrás da minha orelha.
– Sim, teremos. Por você que eu pedi pra ficar mais dias.
Sorri, voltando a comer.
Depois do almoço Esme trouxe a sobremesa, um Petit Gateau de doce de leite com creme inglês. Estava tão bom que repeti e ainda peguei um pouco do de Edward.
Os homens foram para a sala, enquanto eu, Alice e Rosalie ajudamos Esme a tirar a mesa e lavar a louça, enquanto continuamos a conversar sobre as festas de Ano Novo que fomos. Fiquei super envergonhada quando Rosalie disse a Esme que eu bebi um pouco além da conta e fiquei muito animada, assim como Edward. Minha sogra apenas sorriu, dizendo que nunca teve um momento de embriaguez e que se pudesse voltar no tempo, essa seria uma das coisas que gostaria de fazer. Senti-me melhor após ouvi-la dizer isso.
Quando voltamos para a sala, Carlisle anunciou ter comprado algo para os meninos. Assim que ele subiu as escadas, fui para o lado de Edward no sofá, que beijou-me na bochecha quando me sentei. Pouco tempo depois Carlisle voltou com uma caixa. Bastante curiosos, os três irmãos Cullens correram em direção a caixa, rasgando o embrulho, soltando gritos de satisfação quando viram que era um Xbox. Definitivamente eles tinham voltado a ser crianças.
– Puta merda, pai! Desde Londres não jogamos Xbox. Valeu pelo presente. – disse-lhe Emmett.
– Não jogo Xbox há quase um ano. – disse Edward, enquanto pegava os controles. – Valeu pai. – disse, abraçando-o.
Jasper abraçou o pai também, agradecendo, e logo os três saíram para instalar o game numa das salas do térreo que Esme preparou para que eles transformassem numa sala de jogos. Enquanto os homens da casa, inclusive Carlisle, gastaram a tarde jogando Xbox, nós, mulheres, subimos para o quarto de Esme, onde passamos um tempo conversando, vendo fotos antigas da família e depois discutindo sobre o que faríamos para o jantar. Nesse meio tempo, Rosalie e eu ligamos para nossa mãe e nosso pai. Charlie estava de ressaca, não demorando muito tempo conosco no telefone. Renée disse que ele já tinha vomitado duas vezes e que estava cuidando dele. Ela nos perguntou, divertida, se não queríamos nos mudar logo para casa dos Cullen. Antes de desligar ela falou com Alice e Esme.
Descendo as escadas, indo em direção a cozinha, podíamos ouvir os gritos dos garotos, principalmente os de Emmett, que parecia ser o mais competitivo. Decidimos fazer comida italiana, um penne gratinado aos quatro queijos com cogumelo e tomates secos. Estava em pé, junto à mesa, cortando legumes quando senti dois braços ao redor da minha cintura e um queixo sendo depositado em meu ombro direito, deixando-me arrepiada. Sorri, soltando a faca e limpando as mãos na toalha, virando-me para ficar de frente para ele. Edward segurou-me pelos quadris e eu joguei meus braços atrás do seu pescoço, enquanto aproximávamos nossos rostos para trocarmos um beijo.
– Senti saudade. – disse ele, beijando-me novamente.
– Eu também. – disse contra seus lábios. – mas você me trocou por um Xbox. – sorri.
– Vou te compensar mais tarde. – ele piscou o olho.
Mordi o lábio, nervosa.
– Eu não... você sabe, estou... menstruada. – sussurrei, só para ele ouvir.
Edward jogou a cabeça para trás e deu uma risada frouxa, antes de olhar de novo para mim.
– Não estava falando disso, bobinha. – deu-me um selinho. – Eu pensei em sairmos, ir ao cinema, não sei. Algo só eu e você.
– Hmmm. – meu rosto estava quente, de vergonha.
– Adoro ver o rubor no seu rosto, mas não fique envergonhada. – ele beijou-me rapidamente de novo nos lábios. – Fico feliz que você tenha pensado que eu me referia a isso. A propósito, a noite passada foi incrível.
– Er... certo. – sorri bem de leve. Deus, Edward é tão adorável, até dizendo algo assim. As borboletas no meu estômago faziam seus costumeiros movimentos.
– Bella, agiliza isso aí. – disse Rosalie, se referindo as batatas que eu cortava.
Edward deu-me um último beijo e me soltou, saindo da cozinha.
Um pouco mais tarde nos juntamos novamente à mesa e jantamos, cujo assunto da noite fora, logicamente, o novo Xbox. Emmett se gabava que havia sido o melhor no “Call of Duty 4”, enquanto os outros, principalmente Edward, contestavam a opinião dele, chamando um ao outro de impostor.
Após o jantar pedi que Edward subisse para tomar um banho e se trocar enquanto eu ajudava Esme e as meninas a arrumar a cozinha. Quanto terminei subi rapidamente para o quarto de Edward, que acabava de sair do banheiro. Ao contrário de ontem, ele não estava enrolado numa toalha. Vestia uma calça jeans e ainda estava sem camisa. Fui até minha mochila, peguei um conjunto de calcinha e sutiã, um novo absorvente, tirei as sapatilhas e me encaminhei em seguida até o banheiro, recebendo um ligeiro beijo de Edward antes de entrar para um banho. Ele disse que ia se trocar e me esperar lá embaixo.
Fiz um coque no alto e não lavei o cabelo dessa vez, para não demorar. Assim que terminei, me enxuguei e vesti o conjunto de peça íntima, indo depois para o quarto, enrolada na toalha. Edward não estava mais no quarto, deixando apenas o cheiro do seu Polo Black. Vesti a mesma calça skinny que estava anteriormente e peguei um suéter cinza longo de manga comprida, xingando-me mentalmente por não ter trazido a minha bota bege de cano curto e sem salto que combinaria com o que eu estava vestindo. Por falta de opção, coloquei nos pés as mesmas sapatilhas pretas. Soltei o cabelo, que caiu volumosamente em cachos nas minhas costas, coloquei gloss nos lábios, um pouco de perfume na nuca e desci, levando as minhas coisas, já que após nosso passeio Edward me levaria para casa.
Edward estava sentado, no sofá, a minha espera. Vestia uma calça jeans preta, tênis adidas, camisa de xadrez de botões azul e preto e uma jaqueta preta por cima. Despedi-me de todos, dando um abraço em Esme e Carlisle. Rosalie disse que logo estaria indo embora também com Alice. Caminhamos até a garagem, e Edward abriu a porta do passageiro do volvo para mim. Antes que ele contornasse o carro e entrasse pelo lado do condutor, coloquei minhas coisas no banco de trás, sendo assaltada novamente por flashes do que fizemos aqui após a festa de réveillon. Edward se sentou e sorriu para mim, antes de colocar o cinto. Me pergunto se ele teve o mesmo pensamento que eu. Coloquei o cinto e então Edward ligou o carro, acelerou e o tirou da garagem.
– Então, o que quer fazer? – perguntou, virando-se para me olhar enquanto mudava a marcha.
– Hmmm. Cinema? – disse a ele, soando mais como uma pergunta.
– Cinema. – ele sorriu e voltou a dar atenção a estrada.
Fomos durante todo o trajeto conversando sobre como seria a agenda de Edward a partir do dia seguinte. Estudar o roteiro, ir todas as noites, de segunda a sexta, ao Espejo, ensaiar com um dos diretores da peça, provar figurinos. Edward estava claramente animado, eu podia ver o brilho em seus olhos enquanto ele falava. Eu estava orgulhosa por ele, mas ao mesmo tempo sentia uma profunda tristeza quando lembrava que não ficaríamos o tempo todo juntos e daqui uns dias ele iria para Londres. Eu sei, estou sendo egoísta. Mas não há nada que eu possa fazer quanto a isso, é mais forte que eu. Não suporto a idéia de ficar mais de um mês longe dele. Sei que estes serão os piores dias da minha vida.
Edward entrou no estacionamento do cinema e rapidamente encontrou um bom lugar para estacionar. Não havia muitos carros. Era de se esperar, uma vez que hoje era apenas o primeiro dia do ano e as pessoas estavam em casa, curando a ressaca, chegando de viagem ou se preparando para mais um turno de trabalho no dia seguinte. Caminhamos de mãos dadas até a entrada, parando para analisar no painel as opções. Decidimos assistir The Box, com Cameron Dias e James Marsden, já que estaria começando em dez minutos. Edward comprou refrigerante e pipoca, em seguida nos acomodamos na penúltima fileira da sala. Duas horas depois saímos do cinema, eu totalmente confusa.
– Edward eu não entendi!
– O que você não entendeu meu anjo? – perguntou Edward, enquanto voltávamos para o carro de mãos dadas.
– Muita coisa. Por que os narizes das pessoas sangravam?
– Não lembro os motivos de alguns narizes sangrarem. Mas você lembra a parte que eles falam que não conseguiam controlar a hemorragia nasal?
– Lembro. Mas queria saber o porquê. Não ficou claro. – falei enquanto Edward abria a porta para eu entrar no carro.
Edward contornou o carro e se sentou em seu assento.
– Na verdade, muita coisa não ficou muito clara e me deixou intrigado. – ele disse, ligando o carro e saindo do estacionamento. – O final, por exemplo, o que foi aquilo?
– Quando aquele casal aperta o botão? – o inquiri.
– Sim. Tipo, no momento que Arthur mata a esposa, um outro casal aperta um botão. Então isso quer dizer que eles foram os responsáveis pela morte dela?
– Também fiquei boiando nessa parte. Eu não gostei.
– O filme é denso, a proposta é boa, gostei muito da atuação dos dois, mas sei lá, acho que deixou um pouco a desejar. Acho que a narrativa ficou meio que perdida, sem falar que quase tudo é previsível e não teve um final fechado.
– Eu não gostei. – disse sinceramente.
– Você já disse isso umas dez vezes desde que o filme terminou. – ele riu.
– Argh. É porque não gostei mesmo.
Ele riu.
– Então, mudando de assunto... você quer caminhar um pouco no lago?
– Eu adoraria. – sorri.
Edward parou o carro no meio fio, próximo ao parque que ficava às margens do Lago Blyth. Sempre cavalheiro, contornou o carro e abriu a porta para eu sair, estendendo a sua mão. Segurei-a dando-lhe um sorriso. Caminhamos abraçados, observando a paisagem calma, silenciosa, vendo outros casais caminhando, grupos de amigos, alguns idosos reunidos nos vários bancos enquanto conversavam.
Caminhamos mais um pouco e sentamos num dos bancos vazios, um pouco distante de onde se tinha mais gente concentrada, próximo ao píer. Edward me colou em seu colo e eu aconcheguei minha cabeça entre o seu ombro esquerdo e o pescoço, os braços dele ao redor da minha cintura. Ficamos um bom tempo assim, em silêncio, apenas... juntos. Curtindo o cheiro e a companhia do outro, ignorando o clima frio. Eu amava isso. Essa sensação de conforto, de proteção. Eu amava estar em seus braços. Eram neles que eu me sentia verdadeiramente em casa.
Suspendi a cabeça e olhei para Edward, que virou a cabeça no mesmo instante, dando-me aquele sorriso de tirar o fôlego. Minha mão esquerda foi em direção ao seu rosto. Meus dedos alisaram sua bochecha, indo para o seu lábio inferior, meus olhos acompanhando cada movimento que eu fazia. Eu não consegui evitar pensar nas coisas que Edward me faz sentir quando estamos a sós, na sensação de ter seus lábios nos meus, sua língua tocando todos os cantos da minha boca, no que fizemos nessa madrugada dentro do carro e no quanto quero estar com ele dessa forma de novo. Talvez eu esteja obcecada, mas a verdade é que eu queria estar com Edward o tempo todo. E quando isso não era possível, é como se eu sentisse uma dor física. Meus sentimentos eram tão intensos, tão reais. Não imaginava que chegasse a sentir isso por alguém um dia, aliás, nunca pensei que amar fosse dessa forma. Eu amava Edward demais.
Ultimamente tenho pensado muito nisso, mas só depois dessa noite tudo pareceu muito mais claro agora. Eu queria saber como era amar de verdade. Fisicamente. Edward havia me ensinado muitas coisas, e tudo que fizemos juntos foi extremamente surreal. Mas agora, todas essas experiências pareciam insuficientes. Eu queria mais. Eu me sentia pronta, eu estava pronta.
Eu tinha que dizer isso para ele. Agora. Mas não sabia como começar.
Recolhi minha mão e abaixei os olhos, mordendo a ponta do meu polegar.
– Você sabe que vai acabar ficando sem unhas se continuar roendo desse jeito. – ele disse divertido.
– Na verdade estou tirando o esmalte com os dentes. – mostrei minhas unhas a ele.
– Não faça isso. Eu gosto das suas unhas pintadas. – seu sorriso foi tão encantador.
Sorri um pouco tensa, sem fazer algum comentário.
– Você vai me dizer o que tanto está pensando?
Edward me conhecia muito bem.
– Em muitas coisas. – disse a ele, erguendo o rosto para olhá-lo. Nossos rostos estavam tão próximos que eu podia sentir a sua respiração, e ele a minha.
– Posso saber? – ele pergunta hesitantemente.
– Claro. – eu desviei o olhar, de repente achando interessante encarar as minhas mãos. – Estou pensando em você. Em nós, na verdade.
Ele não tira os olhos de mim, esperando. No minuto seguinte, o que pareceram horas depois, voltei a olhar para ele, que continuava na mesma posição, me encarando.
Suspiro, prendendo a minha respiração, sem saber como dizer isso a ele.
– O que você estava pensando Bella? – seu olhar é intenso e a sua voz é quase um sussurro, de tão baixa. Tudo que sei é que posso ver o que eu quero no fundo dos seus olhos.
– Eu... acho que nós não devemos mais esperar.
Ele franziu ligeiramente a testa.
– Eu não quero mais esperar, Edward.
Sua expressão continuava confusa.
– Eu estou pronta. – digo devagar.
O rosto dele se ilumina, provavelmente entendendo agora sobre o que estou dizendo.
– Eu estou pronta para darmos esse passo. Sempre ouvi as pessoas dizendo que toda mulher sabe quando está pronta. E agora eu simplesmente sei. Eu não quero mais esperar. Não vejo o porquê de esperarmos. Eu amo você, e graças aos céus você também me ama. Eu sinto essa vontade... essa vontade de estar próxima a você, de me ligar a você de todas as formas. De estar ligada a você fisicamente. E eu sinto... sinto uma dor dentro do peito, como se meu coração fosse explodir de tanto amor que eu sinto por você. Eu preciso de você Edward. Eu quero ter você dessa forma. Você me quer assim também?
Eu estava sem fôlego quando terminei. Nunca pensei que conseguisse soltar todas essas palavras. Até fiquei perturbada. Provavelmente Edward também, que me olhava atordoado. Ele parecia estar em choque.
Eu ainda estava ofegante, esperando que ele dissesse alguma coisa.
Quase uma eternidade depois seus cílios começaram a se agitar e então o meu sorriso favorito iluminou todo o seu rosto.
– Você tem certeza? – perguntou.
– Nunca tive tanta certeza de uma coisa. – disse a ele.
– Porque eu...
– Edward. – o cortei. – Você também me quer dessa forma? – perguntei novamente.
Edward colocou suas mãos em cada lado do meu rosto e olhou-me profundamente, como se pudesse ver a minha alma.
– É o que mais desejo nesse mundo.
Sua testa tocou a minha e eu fechei os olhos, sentindo uma avalanche de emoção e juro, eu queria chorar. Ele me queria. Sinto os lábios macios de Edward tocando levemente os meus. Tenho certeza que nós trememos nessa hora. Separei meus lábios e deixei Edward aprofundar o beijo. Meus lábios puxavam o seu lábio inferior e os dele puxavam o meu superior. Nosso beijo era lento, muito lento, mas intenso, forte, como nunca havíamos nos beijado antes. Eu podia sentir todo sentimento que ele depositava naquele beijo, como se sua vida dependesse disso. Minha mão esquerda foi para parte de trás do seu pescoço quando ele introduziu delicadamente a sua língua dentro da minha boca. Nossos corações e emoções estão enlouquecidos e eu só conseguia pensar que gostaria de viver assim para sempre.
Somente quando nos faltou o ar, nos separamos, os seus polegares afagando as minhas bochechas, nossas testas ficaram unidas.
– Eu te amo, Bella. – disse com a voz doce, enquanto sorria.
– Eu também te amo, Edward. Muito. – falei, colando a minha boca à dele mais uma vez.
Ficamos ali, nos beijando por um longo tempo. E fora apenas quando percebemos que não havia quase ninguém no parque, e que deveria ser bastante tarde, nos levantamos. Enrolei meus braços ao redor do pescoço de Edward, não querendo me afastar dele, não ainda. Precisávamos conversar sobre quando faríamos isso. Nos beijamos um pouco mais, em pé, antes que eu puxasse o assunto.
– Edward? – chamei sua atenção, afastando nossos lábios.
– Hmm? – ele me olhou, suas mãos subindo e descendo em minhas costas.
– Quando? – perguntei.
– Hmm... quando você acha que a sua menstruação vai embora? – ele pergunta olhando fixamente para mim.
– Em quatro dias. – respondo-lhe.
– No próximo sábado? – ele pergunta, subindo uma das mãos para tirar uns fios de cabelo do meu olho.
– Na sua casa?
– Na minha casa? – ele franziu os olhos.
– Na minha é impossível.
– Eu sei. – ele ficou de repente pensativo.
– Onde, então? – perguntei.
Edward ficou olhando um bom tempo para mim, antes de falar.
– Bella, eu esperei muito por esse momento. Não quero que a nossa primeira vez seja feita de qualquer jeito, com pressa, com interrupções. Na minha casa não é uma boa idéia. Por vários motivos. Você sabe, meu pai está de férias do hospital, Jasper da faculdade, e Emmett provavelmente estará em casa, com a sua irmã quase todas as noites e finais de semana. A minha casa não vai ser uma boa.
– Então onde? – perguntei novamente.
– Estou pensado.
Desviei o olhar de Edward e fitei o lago ao nosso lado. Então tive o timing perfeito.
– No barco. – disse a Edward.
– Hm?
– Nós podemos fazer isso no barco. No barco que você me deu.
– No barco?
– Você queria que eu o usasse de alguma forma. – disse timidamente. – E lá há um quarto. – senti um rubor preencher o meu rosto.
– Sim. Sim, o barco! Por que não pensei nisso? – perguntou retoricamente, com um sorriso de canto de lábio.
– É. No barco. – repeti.
– É. E lá tem um quarto. – ele disse antes de inclinar a cabeça para frente e me beijar novamente.
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Edward e eu aproveitamos nossa semana de folga fazendo vários programas de casais. Teatro, cinema, jantares. Semana que vem, voltaria tudo ao normal. Quer dizer, voltaria ao normal para mim, com a escola e o Espejo. Edward já estava indo todas as noites, envolvido com a produção de Dorian Gray, e semana que vem ele estaria indo embora. Nem gostava de pensar nisso.
E amanhã finalmente aconteceria. Nós iríamos fazer sexo pela primeira vez.
Hoje era final da tarde de sexta-feira. Estava no tédio em casa. Para não dizer nervosa e ansiosa. Principalmente sabendo eu que Edward estava nesse exato momento no barco, organizando tudo para amanhã.
Acho que vou desmaiar a qualquer momento. Passei a semana toda com Edward conversando comigo sobre isso, sobre como eu não devo ficar tensa, tentando me tranqüilizar e passar confiança. Eu confiava nele, óbvio, cegamente. Mas não havia nada que eu podia fazer para evitar esse nervosismo. E ficar aqui trancada nesse quarto, sem ter o que fazer, com a minha mente pensando em Edward a cada segundo e no que aconteceria na tarde/noite de amanhã, estava me enlouquecendo. Eu precisava conversar, compartilhar isso com alguém ou teria um ataque do coração a qualquer momento.
Decidi ligar para Alice.
– Oi Bella.- respondeu ao atender.
– Ei, Alie. Er... você já está saindo do trabalho? – perguntei.
– Daqui a meia hora. Por quê?
– Hmm... eu preciso conversar com alg.. com você.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou alarmada.
– Hmm não. Eu só queria conversar mesmo.
Ela ficou em silêncio no outro lado da linha, antes de voltar a falar.
– Tudo bem. Vou tentar chegar em casa em menos de uma hora. – ela sorriu.
Nos despedimos e resolvi ligar a televisão na esperança de algo me distrair. E então uma hora e vinte minutos depois, Alice bateu em minha porta.
– Você demorou. – disse a ela, olhando a hora no meu celular.
– Me desculpe. Tive uns imprevistos.
– Certo.
– E então. O que quer conversar? Juro, você me deixou ansiosa. Me ligar assim, de repente. Deve ser muito importante. – ela estava sorrindo.
Será que ela tinha alguma idéia do assunto?
– É. É importante. – comentei.
– Sou toda ouvidos. – disse, tirando os sapatos e se sentando em minha cama com as pernas cruzadas.
Olhei para ela durante um tempo, refletindo se deveria mesmo contar. Alice além de prima era minha amiga e confidente, eu sabia de praticamente tudo dela. Inclusive sobre a perda da sua virgindade. Eu sabia onde foi, com quem foi, só pedi para poupar-me dos detalhes.
Definitivamente, eu precisava dizer a ela.
Então, respirei fundo.
– Bom... – limpei a garganta. – Como fui a primeira pessoa que você contou, quando perdeu a virgindade...
– Você e Edward transaram? – ela me interrompeu.
– Não. Ainda não. – disse rapidamente.
– Ainda não?
– Sim. Na verdade é sobre isso que quero conversar com você.
Olhei para as minhas mãos e mordi o lábio inferior.
– Nós vamos fazer amanhã.
– Amanhã? Sério? – perguntou eufórica.
– Sim. – assenti.
– Awwww Bella. Finalmente você vai sentir o que é ser mulher. – disse, batendo agitadamente palminhas. – E conhecendo Edward como conheço, tenho certeza que ele vai ser perfeito.
– Eu preciso de conselhos. – pedi, sentindo a tensão tomar conta de mim.
– Bella, você tem que deixar tudo acontecer naturalmente. Ainda mais quando se trata de você e Edward, que são loucos um pelo outro. Tenho certeza que ele vai ser gentil, carinhoso, amoroso. Não há muitos segredos. É só relaxar e deixar acontecer.
– Esse relaxar está difícil. – disse esfregando as minhas mãos uma na outra.
– Você já sabe o que vai usar?
– Usar? – franzi a testa.
– Sim. Quando vocês forem transar. O que você vai usar?
– Alice. – meu rosto ficou rubro. – Desde quando para fazer sexo precisa usar alguma coisa?
– Bella, ouça. Claro que durante o ato em si quanto menos roupa melhor. Eu quero dizer antes do sexo. Você precisa vestir algo sexy para Edward.
– Algo sexy? – questionei.
– Sim. Uma bela e sexy lingerie deixam os homens ainda mais sedentos, excitados. Vai por mim. Você precisa usar algo especial.
– Eu não tenho nada especial. – balancei a cabeça.
– Não tinha. Vamos comprar agora!
Quinze minutos depois Alice me arrastava até a Victoria’s Secret.
Entramos na loja e começamos a olhar as araras quando uma vendedora se aproximou de nós.
– Boa tarde, garotas. Posso ajudá-las? – disse simpática.
– Sim. Precisamos de um conjunto sexy, do tipo que deixa um homem apaixonado sem fôlego. Mas nada vulgar. – respondeu Alice.
– Posso providenciar. Já volto. – disse a vendedora antes de sair.
– Tem certeza que eu preciso disso, Alice?
– Bella. Vai por mim. Edward vai me agradecer depois. – ela piscou o olho.
Minutos depois a vendedora voltou com algumas opções. Conjunto de renda branco, azul, preto, alguns estampados, de oncinha, de lycra, outros bem provocantes, transparentes, fio-dental, esses últimos nem morta que eu iria usar.
– Que tal esse? – perguntou Alice, mostrando um conjunto de lycra, sutiã meia-taça de bojo, a calcinha era bem comportada, nada de fio-dental ou transparência. O problema era a cor. Verde-limão. Eu detesto verde-limão em mim.
– Hmm não. Não gostei da cor. – disse-lhe.
– E que tal esse? – ela ergueu outro. Quase não dava para esconder alguma coisa na frente de tão transparente.
– De jeito nenhum. – disse a ela. – E se eu levar esse? – mostrei-lhe um conjunto na cor romã com detalhe em preto no busto. Era bonito e nada revelador, combinava mais comigo.
– Com essa liga? – perguntou Alice.
– É removível. – intrometeu-se a vendedora. – É só retirar. Desculpa, é para você não é? – ela se dirigiu a mim.
– Sim. – respondi um pouco envergonhada.
– Se eu fosse você, levaria esse. Combina mesmo com você e com o seu tom de pele.
– Não sei. Eu ainda acho que você deveria usar algo provocativo. – comentou Alice. – Mas tudo bem. Ele é lindo. Edward vai gostar de ver em você.
– Alice! – adverti.
– Que? – perguntou desentendida. – Ai, Bella. Toda mulher se veste pensando no que o seu homem vai achar, quem não sabe disso, não é verdade? – questionou ela, olhando para a vendedora.
– Tenho que concordar. – ela sorriu.
– Certo. Vou levar esse. – falei.
Alice fez questão de pagar, dizendo que era um presente de Ano Novo, que eu só aceitei por causa do quase escândalo que ela estava fazendo na loja.
– Agora só falta uma única coisa. – disse ela enquanto saíamos.
– O que?
– Depilação.
– Não, Alice. Eu não...
– Sim, sim, sim. Bella, ter os pêlos aparados é imprescindível. Você não quer parecer a Chita ou coisa parecida, você quer?
– Eu não tenho muitos pêlos. – reclamei.
– Mas homens gostam de mulheres com nenhum pêlo. Vamos.
– Alice!
– Bella, por favor? Eu só estou querendo ajudar. Vai por mim, Edward vai adorar ver você depilada.
– Eu não quero isso. Digo, toda lisa?
– Tudo bem. Deixamos um pouquinho, pode ser?
Avaliei a situação. Já vi em muitos programas de TV e li em revistas, mulheres comentando que os homens gostavam mais quando elas não possuíam pêlos. Mas isso era muito novo para mim. Eu não tinha nenhuma experiência, também não era nem um pouquinho sexy. Eu não podia simplesmente usar uma lingerie nova e fazer depilação e me mostrar para Edward. Eu tinha que ir devagar. Precisava me acostumar primeiro.
– Eu só quero fazer cantinho. – disse a Alice.
– Tudo bem. Só cantinho. – ela bufou. – Vamos. Tem um ótimo salão aqui perto. Você nem vai sentir dor.
Entramos no salão e uma mulher loira, muito bonita, com aproximadamente 35 anos, veio nos receber.
– Olá. Posso ajudar as garotas?
– Sim. Minha prima aqui veio fazer depilação. – respondeu Alice.
– Oh, sim. O que vai querer depilar querida? – perguntou a mim.
– Bem...
– Ela vai fazer cantinho. – replicou Alice.
– Hmm. Certo. Você vai querer normal, ou cavado?
– Normal. – eu respondi. – Cavado. – respondeu Alice ao mesmo tempo que eu.
A loira ergueu a sobrancelha.
– Alice, eu não vou fazer cavado. – disse a ela.
– Vai sim. Bella, você já não vai depilar tudo, então pode fazer o favor de depilar cavado?
Bufei.
– Vai sobrar algum pêlo? – questionei a mulher.
– Vai, querida. Não se preocupe. Ela pode fazer um cavado não muito cavado, entende?
– Ok.
– Então vamos lá. Como é seu nome?
– Bella. – respondi.
– O meu é Sally. Me acompanhe. Sua prima pode vir também.
Entramos num corredor e Sally abriu uma porta toda branca. Sala de depilação, estava escrito.
– Tire a calça jeans e a calcinha e pode se deitar na maca Bella. – disse ela, saindo em seguida.
Trêmula, fui descendo a minha calça jeans pelas minhas pernas. Eu não acreditava ainda que tinha concordado em fazer isso.
– Alice. Eu acho melhor eu n...
– Bella, baby. Você não vai se arrepender. Não precisa ficar nervosa ou com medo. Toda mulher se depila, independente de estar indo fazer sexo. É questão de higiene.
– E se Edward não gostar?
– Vamos fazer uma aposta? – ela deu um sorriso diabólico.
– Não. – sacudi a cabeça.
– Então deixa de neura e tira essa calcinha pra ficar bonita.
Desci a calcinha, passando pelas minhas pernas e deitei-me na maca, colocando uma toalhinha por cima, que estava por ali, para não ficar tão exposta.
Minutos depois Sally voltou à sala, acompanhada de uma segunda mulher.
– Bella, essa é Amy. Nossa melhor depiladora.
– Olá, Bella. Tudo bem? – perguntou-me Amy com um sorriso simpático.
– Oi. – a cumprimentei.
Amy vestia uma bata branca, estava colocando as luvas nas mãos e não parecia ser mais velha que Rosalie.
– Então. É a primeira vez? – perguntou, enquanto mexia em uma das gavetas do armário ao lado.
Prendi a minha respiração.
– Sim. – respondi, sentindo meu rosto muito mais quente.
– Pode doer um pouco. – disse ela, pegando umas etiquetas.
– Eu imagino. – disse a ela.
– E você está preparada? – ela olhou para mim.
– Sim. Quero muito isso. – mordi meu lábio inferior.
– Uau. Você é uma das poucas pessoas que se dizem preparadas para a primeira depilação de cera. Na maioria das vezes...
– Espera. Você estava me perguntando se era a primeira vez que eu fazia depilação? – inquiri, franzindo a testa.
Alice soltou uma alta gargalhada.
– Sim. O que você pensava? – perguntou confusa, mas logo pareceu entender quando seu rosto suavizou e ela sorriu. – Oh, não, não. Eu não quis perguntar isso. Eu não costumo ser invasiva com minhas clientes, nunca pergunto sobre suas vidas pessoais e só converso sobre isso quando elas se sentem à vontade para compartilhar.
Tenho certeza que o meu rosto, nesse momento, estava tingido de todos os tons. Acabei de confessar indiretamente a uma desconhecida que estava fazendo depilação porque estava indo fazer sexo pela primeira vez.
– Tudo bem, Amy. Bella entendeu errado. – disse Alice. – A propósito, sou Alice, a prima dela.
– Olá Alice. – ela sorriu para ela. – E então, Bella. Você deseja cera quente ou fria?
Olhei para Alice. Não entendia nada disso.
– A quente é melhor Bella. Dói menos.
– Quente então. – respondi.
– Ótimo. Uma boa opção porque a cera quente dilata os poros e com ela os pêlos demoram mais a crescer. A parte depilada vai ficar lisinha por uns vinte dias. Sally me falou que você quer cantinho cavado, não é? – perguntou.
– Não muito cavado. – respondi.
– Certo. Já sei como deixar, não se preocupe.
Amy preparou a cera em um potinho preto, em seguida o colocou numa mesa ao lado da maca em que eu estava deitada.
– Essa cera é à base de mel, própolis e produtos naturais, certo. – explicou. – Vamos lá então. Tire a toalha, querida.
Tirei a toalha do meu corpo e a joguei numa cadeira ao lado da maca. Amy pediu para que eu abrisse as pernas e colocasse os meus pés no encosto, ficando totalmente exposta e aberta como nunca fiquei antes, apenas para Edward. E foi o pensamento nele que me deu forças para tentar ignorar esse fato e permitir que ela continuasse. Com uma espátula, Amy espalhou cera por toda a minha virilha e, acredite, a sensação da cera na minha pele até que era boa.
– O segredo é aplicar a cera no sentido do crescimento do pelo. – ela continuou espalhando.
Amy colocou uma etiqueta por cima da cera e começou a alisar. Quando viu que estava do seu agrado, ela puxou a folha, e nesse momento eu achei que fosse desmaiar.
Puta merda. Isso dói! E muito! E eu nem tive chance de reclamar porque logo depois ela puxou em outra área. E dessa vez eu deixei escapar um gemido de dor.
– Dói, querida. Eu sei. Mas você vai se acostumar. Eu garanto. – tentou tranqüilizar-me Amy, puxando mais pêlos.
– Morde isso aqui Bella. – disse Alice, entregando-me uma toalha. O que foi de grande ajuda, pois com ela abafei os sons dos meus gritos.
– Já está terminando, Bella. – disse Amy, dando mais alguns puxões.
A essas alturas eu nem sentia mais dor, enquanto sentia os puxões e as lágrimas rolavam dos meus olhos. Como mulher sofre!
– Prontinho, querida. Só vou tirar um ou dois pêlos com a pinça e você estará livre. Abra um pouco mais suas pernas.
Oh meu Deus. Pinça?
Amy tirou alguns pêlos, que segundo ela a cera não conseguiu retirar por ainda estarem curtos.
– Agora sim, Bella. Depilação concluída. Pode abrir os olhos.
Abri lentamente os olhos e vi Amy e Alice olhando para a região do meu sexo. Nunca me imaginei nessas situações.
– Bella. Está tão lindo! – disse Alice.
– Não está? Ficou ótimo. Os pêlos dela não são grossos, o que ajudou bastante a ficar assim.
Relutantemente olhei para a minha intimidade, vendo praticamente nada de pêlos. No entanto, estava legal. Estava quase tudo tão lisinho que parecia sexo de criança.
– O que você achou Bella? – perguntou Amy.
– Hmm... ficou bom. – respondi a ela.
– Ficou ótimo Amy. Da próxima vez eu quero fazer com você. Quero desse jeitinho aí, mas sem nenhum pêlo.
– Pode vir quando quiser Alice. Também atendo a domicilio quando a cliente não pode vir de nenhum jeito. Aqui está meu cartão. – ela disse, pegando um cartão numa das gavetas, entregando a Alice.
– Obrigada Amy.
– Agora deixa eu colocar um removedor de cera e um pouco de creme na região para não encravar e deixar os pêlos hidratados. – disse Amy.
Com suas mãos delicadas ela passou os produtos na região e em seguida disse que eu estava livre para ir para casa.
Vesti a calcinha e minha calça jeans, pegando a minha bolsa e sacola que estava com Alice.
– Até mais Amy. – disse.
– Obrigada Amy. – agradeci com um sorriso.
– De nada, garotas. Voltem sempre.
Saímos pela porta e Alice foi até o caixa, pagar. Outro presente dela que eu não queria mesmo discutir, como na Victoria’s Secret.
Deixei Alice dirigir meu carro na volta e na metade do caminho meu celular vibrou. Eu não precisava ver o visor, eu sabia quem era.
– Edward? – falei ao atender.
– Oi linda. Er... eu já terminei. Estou indo para o Espejo agora. – disse ele.
– Er... amanhã, eu vou até você ou você...
– Eu vou te buscar. – ele me cortou. – Na hora que combinamos?
– Sim. Às 5 da tarde está bom.
– Queria passar o dia todo com você, mas tenho essa reunião de manhã no Espejo.
– Tudo bem, Edward. Já conversamos sobre isso. E.. bem... nós teremos – olhei para Alice que, no volante, olhava para a frente mas estava sorrindo, ouvindo toda a conversa. –, a noite toda. – completei sem me importar se ela estava ouvindo.
– Sim. Teremos a noite toda. – ele deu uma pausa. – Não vejo a hora de estar com você, Bella.
– Eu também. – mordi o lábio inferior.
Nos despedimos relutantemente porque Edward estava dirigindo e precisava mesmo ir para o Espejo. Joguei o celular de volta à minha bolsa e ignorei os comentários de Alice. Fiquei apenas pensando no dia de amanhã.
Eu não via a hora. Finamente eu me entregaria a Edward de corpo e alma. Finalmente eu saberia o que era amar dessa forma. Depois de amanhã, eu não seria mais a mesma.
Notas finais
Vou comentar nada desse capítulo. Apenas me desculpar mais uma vez pela demora e por não ter ficado tão bom como eu queria. Mas lógico que eu quero saber a opinião de vocês!!
Ah, vou comentar uma coisinha sim: como depilação com cera dói!!!!! Argh!!!!! Eu sei, Bella. Eu entendo a sua dor querida.
Mereço reviews? Espero que sim.
Um super beijo e nos vemos em Private Party ;)
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