Talvez Seja Amor
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Que saudades de vocês!!
Sei que esse capítulo demorou horrores e acho que vocês não me aguentam mais falando sobre o quanto a minha vida está atarefada e agitada.
Mas vê só que coisa boa, o capítulo ficou tão grande que tive que dividir em dois.. rsrsrs
Então vai o capítulo 29 agora e logo após lido já terá o capítulo 30 disponível.
Ah, vou aproveitar que esse é menor que o próximo e deixar um recadinho nas notas finais, ok?
Boa leitura ;)
POV ALICE
- AAAAHHHHHH
- O que você está fazendo aqui? – perguntou Rosalie praticamente berrando. – Alice, desliga isso!
Eu não conseguia pronunciar nenhuma sílaba tamanha a minha vergonha diante da pessoa parada na porta do quarto de Bella nos olhando como se enxergasse três seres de outro planeta. Nunca havia imaginado passar uma situação semelhante a essa: eu sendo flagrada assistindo filme pornô. E para piorar a situação, ser flagrada pela última pessoa que eu esperava aparecer assim de repente na casa: Jasper.
- Alice, desliga a TV! – gritou Rosalie mais uma vez.
- Ai meu Deus, que vergonha! – disse Bella.
Eu não conseguia falar, agir. Apenas ouvia vozes. Vozes de Bella, Rosalie. E o pior, as vozes dos atores que ainda transavam entre tapas, insultos e puxões de cabelo na TV.
Isso era uma falta de sorte sem tamanho.
- Achei! – disse Rose ao pegar o controle remoto que estava debaixo do travesseiro onde meus pés repousavam. No segundo seguinte finalmente o silêncio.
- Jasper, não é o que você está pensando. Nós...
- É o que você está pensando sim. Nós estávamos vendo filme pornô. – disse Rosalie, interrompendo Bella. – Do que adianta mentir?
- Er... acho que não vim numa boa hora. Com licença. – disse Jasper, saindo por onde veio.
- Espera. Jasper. – chamou Bella indo atrás dele.
E eu continuava na mesma posição.
- Você ficou muda? – ouvi a voz de Rose ao meu lado.
- Eu não estou acreditando no que está acontecendo. – finalmente consegui falar.
- Agora já era. Ele viu. O que podemos fazer?
- Eu quero enterrar a minha cabeça num buraco. – levantei da cama e comecei a andar de um lado a outro no quarto.
- Para com isso, Alice. Vai dizer que Jasper nunca assistiu esse tipo de filme? Faz favor. Os Cullen não são santos!
- O que ele veio fazer aqui? – de repente me vi perguntando.
- Não faço idéia. – disse ela.
Eu tentava encontrar um motivo, mas não conseguia pensar em nada. Meu coração tentava me convencer que ele estava aqui para conversar comigo, principalmente após saber que ele perguntou por mim no Natal. Mas eu não queria me iludir. Jasper havia me magoado e eu não queria despertar em mim algum tipo de esperanças.
- Você vai ficar aí parada? – questionou-me Rosalie.
- Que? Como assim?
- Não faço idéia do que Jasper veio fazer aqui, mas tenho certeza que não era por mim ou por Bella. Vá atrás dele, Alice!
As palavras de Rose me bateram em cheio quando finalmente sai do quarto. Antes que pudesse alcançar os primeiros degraus, ouvi a conversa no andar debaixo e parei para ouvir.
- Você sabe que pode se abrir comigo, Jasper. – disse Bella.
Houve um longo silêncio. Até que ouvi a voz de Jasper em seguida.
- Eu lembrei dela, Bella. Carolyn.
Carolyn? Quem diabos é Carolyn?
- Lembrou dela? – murmurou Bella.
- Sim. Aquelas falas do filme. – Uma pausa. Então ele continuou. – No dia que flagrei, foram aquelas palavras que ouvi quando abri a porta.
Que porra eles estão falando? O que Jasper flagrou que tem a ver com o filme?
- Sinto muito. – se lamentou minha prima.
O que quer que tenha acontecido com ele, Bella sabia. Isso era inegável. Mas o que diabos acontecera que ninguém havia me contado?
A curiosidade estava me corroendo. Desci as escadas de uma vez em busca de explicações.
- Posso saber o que você veio fazer aqui? – perguntei sobressaltada assim que pus os pés na sala. Jasper estava sentado no sofá com as mãos nas têmporas e seus olhos se arregalaram ao me ver chegar. Bella estava no sofá de frente para ele.
- Alice. Calma. – pediu Bella, se levantando.
- Tudo bem, Bella. – disse Jasper. – Será que podíamos conversar? – perguntou olhando para mim.
Amoleci na minha posição ao ser pega de surpresa com a sua pergunta. Ele veio mesmo me procurar?
— Eu... vou deixar vocês conversarem. Estarei no meu quarto. – disse Bella antes de subir as escadas.
E então estávamos sozinhos.
Continuei em pé, esperando. Se ele queria conversar comigo que começasse.
Assisti quando ele passeou involuntariamente a mão pelos fios dos cabelos loiros. Eu sabia que isso era reflexo da tensão que ele visivelmente se encontrava, mas não pude deixar de pensar no quão sexy esse gesto para mim soara. Deus, ele era tão lindo!
Sacudi minha cabeça. Não podia permitir que meu coração amolecesse, então decidi que deveria começar logo com isso sem esperar por ele.
- Jasper. Não me leve a mal, mas não tenho a noite toda. – não queria, mas meu tom de voz acabou saindo rude.
Ele me olhou alarmado e assentiu, levantando-se em seguida. Caminhou até a janela, colocando as duas mãos nos bolsos da calça jeans escura que usava. Deu um longo suspiro e então se virou para me olhar.
- Eu queria conversar com você sobre o meu passado.
Não esbocei nenhuma reação. Apenas continuei parada, ainda em pé, olhando para ele.
- Quando eu tinha dezesseis anos e estava no segundo colegial, me apaixonei por uma garota da minha sala de química. – ele começou. – Ela era nova na cidade, tinha chegado na metade do primeiro semestre e morava com uma senhora de idade avançada que dias depois descobri que era sua avó.
“Carolyn era linda. Sua pele era pálida, tinha cabelos loiros encaracolados, olhos azuis. Rapidamente ela se transformou no sonho de consumo de todos os garotos da escola, e o pior que ela não havia feito nenhum esforço para isso. Ela parecia tímida, não conversava com ninguém no início, porque todas as meninas sentiam inveja dela. A primeira pessoa que vi se aproximar dela foi Albert, um nerd da minha turma de espanhol. Isso provocou a ira da maioria dos garotos da escola, que nunca tivera uma chance de se aproximar dela. Albert passou a sofrer bullying por causa disso. Se aproveitavam quando ele não estava com Carolyn para xingá-lo, colar cartazes com apelidos ofensivos em suas costas, colocavam o pé para ele cair por onde passava, e várias outras coisas que não vale a pena comentar.”
“Randy era o que mais se divertia em importunar Albert. Certa vez ouvi ele combinar com os outros rapazes em pegar Albert na saída da escola. Eles iriam sedá-lo, tirar a sua roupa e tirar várias fotos para espalhar por toda a escola. Me senti mal ouvindo aquilo. Mas o que eu poderia fazer? Poderia correr e avisar a Albert dessa vez, mas e nas outras vezes? E quando eu não estivesse por perto para ouvir ou interferir? Eu estava de mãos e pés atados.”
Eu ainda não sabia onde Jasper queria chegar contando-me esses fatos da época de escola, sobre essa Carolyn, Albert, Randy, mas por alguma razão eu entendia que devia ouvi-lo.
“Quando o sinal soou avisando que as aulas do dia terminara, corri para a saída da escola. Vi quando Carolyn se despediu do Albert com um beijo na bochecha, e deu-lhe as costas. Sorrindo como bobo e com uma mão no local em que os lábios dela tocaram, ele caminhava pela rua, indo para casa. Minutos depois Randy e mais dois amigos se aproximaram de Albert, dando-lhe uma rasteira. Não pensei duas vezes e corri para ajudá-lo. Antes que eles pudessem levá-lo para onde quer que pensavam, eu desferi um soco no rosto de Randy. Ele me olhou cético e antes que reagisse eu o empurrei, e ele caiu no chão sentado. Os seus dois amigos me agarraram e quando Randy se levantou para descontar o soco que levou, ouvimos a voz de Carolyn. Não tínhamos percebido que ela tinha chegado.”
“Albert em dez segundos narrou o que tinha acontecido e Carolyn pôs as duas mãos na cintura, serrando os olhos para Randy, que ordenou que os seus dois amigos me soltassem. Ele pediu desculpas a Carolyn e se mandou. Foi tão estranho aquilo, embora eu não tivesse percebido nada naquela época. Ela olhou e ele simplesmente foi embora. Albert me agradeceu por tê-lo ajudado e Carolyn também. Fora a primeira vez que a vi sorrindo para mim. Depois disso passamos a nos falar na escola. Carolyn era legal, divertida, e com quase duas semanas de convivência percebi que ela não era essa garota frágil e tímida que aparentava. Foi nesse tempo que descobri que seus pais morreram num acidente de carro quando ela tinha dois anos e desde então ela morava com a avó paterna. Em um mês, todos perceberam que Carolyn estava mais próxima de mim que de Albert. Eu não tinha notado antes, mas Albert realmente tinha se afastado dela. Randy não havia mais tentado algo contra Albert e também não vingara o soco que eu lhe dera. Mas o olhar que ele me lançava quando eu andava com Carolyn pela escola me dizia para estar sempre em alerta.”
“Carolyn e eu nos tornamos amigos também fora da escola, e ela passou a freqüentar minha casa. Ela se tornou amiga da minha mãe, e dizia que queria ter tido uma mãe como a minha. Logo, ela havia conquistado todos da minha família. Emmett e Edward começaram a fazer piadas sobre o status de amizade que tínhamos. Até então eu não havia percebido que estava me apaixonando por ela.”
Jasper esfregou os olhos e em seguida caminhou até o sofá que antes estava, se sentando. Imitei o movimento, me sentado no sofá de frente para ele.
- Você está bem? – perguntei de súbito. Achei que devia perguntar de alguma forma.
- Sim. – ele respondeu, me olhando firme. – Eu vou terminar.
Assenti e esperei.
- Quando me vi perdidamente apaixonado por ela, tive medo. Eu não sabia como ela reagiria se soubesse dos meus sentimentos, e a última coisa que eu queria era estragar o vínculo de amizade que havíamos construído. Decidi que não deveria contar, que guardaria isso para mim. Continuei agindo normalmente, como um grande amigo que era.”
“Carolyn nunca havia dormido na minha casa. Quando escurecia, ela sempre ia embora. Mas numa certa noite, meus pais tinham viajado, Edward estava com a banda e Emmett tinha saído com amigos para um pub, sugeri a ela dormir na minha casa. Ela abriu um amplo sorriso, concordando. Perguntei se não queria avisar a avó, mas ela disse que não precisava, que a avó não ligava. Quando fomos para o meu quarto, coloquei um colchão no chão, para eu dormir e deixei minha cama para ela. Ela não gostou, disse que não podia concordar com isso, que não queria me tirar da minha própria cama e que era ela quem deveria dormir no chão. Para finalizar a discussão ela sugeriu que dormíssemos os dois na cama. Refleti o pedido e concordei, afinal, amigos também poderiam dividir a cama.”
“Sabe, eu não tinha nenhuma intenção quando aceitei dormirmos na cama. Mesmo apaixonado por ela eu sequer cogitei me aproveitar da proximidade para tentar alguma coisa. Mas parece que ela tinha outros planos. Quando já estávamos deitados, e eu apaguei a luz do quarto, deixando apenas a claridade que vinha do lado de fora da janela, senti a mão dela no meu rosto. Na hora pensei que era apenas um carinho, mas então ela aproximou o corpo do meu e seus lábios tocaram os meus. Meu coração parou naquele instante.”
“Eu havia desejado muitas vezes aquele beijo, mas não imaginava que ele aconteceria, ainda mais iniciado por ela. Carolyn jamais havia deixado transparecer que correspondia aos meus sentimentos. Não me restava nada além de aproveitar o momento. Só não imaginei que iríamos longe demais. Nós acabamos transando aquela noite. Tinha sido a minha primeira vez, mas ao contrário do que imaginei, não era a primeira vez dela.”
“Ela me contou que havia perdido a virgindade com um namorado na cidade que morava antes de ir com a avó para Londres. Que ele espalhou que ela não era mais pura e que por esse motivo havia se mudado. Fiquei sentido com a história e disse-lhe que jamais faria isso com uma garota, ainda mais se a garota em questão fosse ela. Ela me beijou ardentemente e se declarou para mim. Disse que se apaixonou por mim desde o dia que eu havia ajudado Albert.”
“Começamos a namorar depois disso e Carolyn se tornou o centro do meu mundo. Estávamos sempre juntos, na escola, na minha casa, só não freqüentávamos muito a casa dela. A Sra. Hutsherson, sua avó, pelo que contava detestava receber visitas. Quando estávamos no primeiro semestre do último ano ela faleceu após ter um enfarte. Carolyn agora estava totalmente sozinha. Não me agradava ter que deixá-la desprotegida em casa, sem ninguém por perto. Então passei a levá-la para dormir na minha casa. No início meus pais não se importavam, sensibilizados com a situação que ela estava. Mas um tempo depois minha mãe começou a dizer que as pessoas iam passar a falar, pois ainda tínhamos dezessete anos e estávamos morando na mesma casa, dormindo na mesma cama todas as noites como se fôssemos casados. Carolyn decidiu voltar para casa, e os dias que se sucederam foram bem difíceis. Eu já estava acostumado a dormir com ela. E num desses momentos tomei uma decisão e lhe fiz uma proposta que se eu pudesse voltar no tempo eu jamais teria feito.”
- Que proposta? – minha voz saíra quase anasalada.
- Eu a pedi em casamento.
Acho que meus olhos se arregalaram em choque porque Jasper logo em seguida continuou.
- Felizmente esse dia não chegou. – sua voz era tensa.
- Ela não aceitou? – perguntei.
- Aceitou. — respondeu.
Minha testa se franziu. Ele me olhou e a expressão de seu rosto era tão dolorosa.
- Ela aceitou, mas não chegamos a nos casar, Alice.
Ele se levantou novamente, prosseguindo.
- Quando propus, achei que Carolyn não iria aceitar. Mesmo emancipada prematuramente, ganhando o próprio dinheiro já que ela recebia todo mês uma boa pensão dos pais falecidos, pensei que ela acharia precipitado. Ela pediu para pensar e no dia seguinte foi até minha casa dizendo que aceitava. Aquele tinha sido o dia mais feliz da minha vida.
“Quando contei para os meus pais, de início eles não queriam aceitar. Achavam que éramos muito novos para assumir tal compromisso. Entramos num acordo, que seria casarmos após terminarmos o colegial e tivéssemos dezoito anos. E mesmo sabendo que ainda esperaríamos um tempo, ficamos noivos.”
“Tudo parecia caminhar bem. Fui aceito na Universidade de Londres, já tinha estágio para quando começasse o primeiro semestre de Direito, meu pai nos dera um apartamento mobiliado de presente, só faltava marcar a data do casório. Então meses depois da formatura do colegial algo parecia ter mudado. Carolyn não parecia tão animada como antes. Muitas vezes eu a peguei pensativa, e o seu sorriso não me passava tanta firmeza como sempre demonstrava. Quando falávamos sobre o casamento ela mudava de assunto rapidamente, e comecei a notar que já não nos víamos com tanta freqüência como desde o início do namoro. Ela estava distante.”
Eu já estava começando a ficar nervosa com a narração dos fatos. Meu coração e o tom de voz de Jasper me diziam que boa coisa não viria.
“Num final de semana teria uma apresentação do The Verve na cidade vizinha e Edward praticamente intimou a mim e a Emmett para irmos. Passaríamos o fim de semana fora, e Carolyn me incentivou a ir, dizendo que eu precisava passar um tempo com meus irmãos e me divertir. De início concordei com ela, eu realmente sentia falta de passar a noite com os caras. Ela parecia radiante quando finalmente aceitei viajar de carro com meus irmãos para o show do The Verve. Só não contava que eu fosse até sua casa de madrugada depois da viagem de volta, quando quebramos os planos de dormir na cidade e só voltar na manhã seguinte. E eu não contava com o que vi ao abrir aquela porta.”
A voz de Jasper praticamente falhou nessa última parte e eu pude ver os seus olhos marejados de lágrimas.
- O que você viu Jasper? – perguntei alarmada. Na verdade não sabia se realmente queria ouvir o que ele estava prestes a dizer.
Jasper soltou o ar preso na garganta antes de voltar a contar.
- Desde que a avó da Carolyn havia falecido eu tinha a cópia da chave da casa dela. Não usei muitas vezes, apenas quando queria fazer uma surpresa, como pensei em fazer aquele dia. Cheguei no meio da noite e silenciosamente abri a porta de entrada. Caminhei na ponta dos pés, sem fazer barulho e quando me aproximei da porta do quarto, ouvi vozes vindo de dentro do cômodo. – seus olhos se apertaram, como se estivesse reunindo forças para continuar. – Quando toquei a maçaneta senti uma sensação ruim percorrer o meu corpo, mas não recuei e a abri. – uma lágrima caiu de seus olhos. – Carolyn estava na cama transando com o Randy.
Refleti sobre isso, esperando que eu não tivesse ouvido o que ele acabara de despejar. Mas sim, eu tinha ouvido bem. Tenho quase certeza que meu coração parou de bater naquele segundo. Eu imaginei todas as situações do mundo para a não realização do casamento de Jasper, mas em nenhum momento passou pela minha cabeça que o motivo seria algo dessa natureza.
Minha primeira reação foi levar as minhas duas mãos à boca. Eu estava chocada.
- Jasper... – engoli em seco. Eu não sabia o que dizer.
- Estou te contado porque você merece saber a razão por trás das minhas atitudes. – lágrimas silenciosas caíram de seus olhos. – Eu sinto muito Alice.
- Eu não sei o que dizer. – meu tom de voz era estranho. Eu estava tensa.
- Eu sei. – ele assentiu, limpando o rosto com as costas da mão. – Não precisa dizer nada.
- Ela não... – pausei, mas não me contive em perguntar o que veio a seguir. – Ela tinha um caso com o Randy?
Ele suspirou e eu me arrependi rapidamente de ter feito aquela pergunta. Quando estava prestes a dizer que ele não precisava falar mais nada, ele continuou.
- Albert também estava na mesma Universidade que eu, mas em quase um ano nunca tínhamos nos encontrado antes. Coincidentemente após o meu rompimento com Carolyn nos esbarramos pelo campus. Convidou-me para um café e eu não imaginava que o motivo por trás era falar sobre Carolyn, por isso acabei aceitando o convite. Eu devia ter sabido que não teríamos outro assunto. – Jasper colocou os cotovelos na coxa e as suas mãos enlaçadas abaixo do queixo, olhando para os pés. – Ele me confidenciou ter tido uma paixão platônica por ela naquela época, e quando a viu comigo decidiu se afastar, porque sabia que nunca teria uma chance. Contou-me que após o incidente com o Randy, dois anos atrás, ele flagrou os dois se beijando atrás do campo de basquete.
- Oh meu Deus. Você está me dizendo que eles tinham um caso antes mesmo de vocês namorarem?
- Foi a mesma pergunta que fiz a Albert. Ele disse que não. Que a confrontou no dia seguinte e ela lhe dissera que tinha sido apenas um beijo. Que o Randy a agarrou, ela cedeu, mas se arrependera, porque ele era um garoto encrenqueiro, sem futuro, que não se aproximaria mais dele. – ele pausou. – Albert disse-me que acredita que ela realmente tinha sido sincera. Que mesmo de longe a acompanhava e que tinha cumprido com a palavra de não se aproximar mais dele, que nunca viu os dois juntos novamente. – pausou mais uma vez. – Até o dia da nossa formatura.
Formatura?
- Sabe, ela me deixou uma carta antes de ir embora. Tive vontade de rasgar, mas por algum motivo a mantive guardada. Após a conversa com Albert, tive uma vontade súbita de ler e assim o fiz. Naquela mesma noite. Então vi que tudo se encaixou. – ele virou-se para mim. – Na carta, Carolyn dizia que eles tinham se beijado antes mesmo de namorar comigo, mas depois não houve mais nada. E que só ficou com ele novamente no dia da nossa formatura. Naquela noite, quando ela fora ao banheiro, ele a seguiu, empurrou-a para dentro de uma das cabines e a beijou à força. No início ela tentou se desvencilhar, mas acabou correspondendo, e que acreditava que havia feito aquilo porque estavam todos bêbados. – Jasper mudou de posição, apertando a ponta do nariz com o polegar e o indicador. – Lembro com todos os detalhes aquele dia. Carolyn demorou a voltar à mesa e quando voltou estava estranha. Até me pediu para ir embora, alegando estar enjoada. Quando a deixei em casa, nem quis me beijar. Disse que tinha vomitado.
- Bandida! – exclamei com indignação. Só depois percebi o que havia soltado. – Desculpa, Jasper. Eu não...
- Tudo bem, Alice. – ele riu sem humor. – Já ouvi coisa pior.
- O que mais ela dizia na carta?
Ele demorou um pouco antes de continuar.
- Que um tempo após a formatura o encontrou na rua e percebeu que se sentia atraída. Que não havia notado quando já estava envolvida por ele, que confundiu os sentimentos e que gostava de mim como amigo. Para finalizar confessou que eles se encontravam há dois meses, mas a primeira vez que eles transaram fora quando os flagrei, e que esperava que eu a perdoasse um dia.
Agora eu estava tensa de raiva.
Ela queria que ele a perdoasse? Depois de toda essa nojeira?
- Prometi a mim mesmo que jamais me apaixonaria por alguém novamente. – sua voz me pegou desprevenida. – Durante todo esse tempo tenho evitado qualquer tipo de envolvimento e compromisso. Sempre acreditei que jamais conseguiria me entregar a alguém por inteiro. Que seria incapaz de confiar numa mulher outra vez, que não poderia me apaixonar, mergulhar num relacionamento, fazer planos para o futuro. – Seu olhar em mim de repente ficou diferente – Até que eu conheci você.
E então parei de respirar.
Paralisei por alguns segundos, fitando a figura imóvel na minha frente cujos olhos intensos me observavam melancolicamente.
- Sinto muito ter te magoado Alice. Sobre o beijo e tudo mais. Você não merecia o modo como me comportei.
Mexi meus lábios, mas a minha voz simplesmente não saía.
- Não era você, nunca foi você. O problema sou eu.
Eu precisava dizer alguma coisa, não podia deixar essa oportunidade passar.
- Você não tem idéia do quanto me senti péssima, rejeitada. – comecei. – Mas agora, após você me contar toda a sua história, o que você passou, eu... eu sinto tanto, Jasper.
- Não se desculpe. Você não fez nada. Eu quem tenho que me desculpar.
- Tudo bem que eu estava um pouco alta aquela noite. Mas se eu soubesse, eu não tinha te beijado.
Ele sorriu com tristeza.
- Alice. Você não faz idéia do que aquele beijo significou para mim. Eu sei que me comportei mal e sinto muito por isso. Mas conhecer você foi a melhor coisa que aconteceu comigo.
Eu sorri. Ele também sorriu, mas ainda tristonho.
- Você também foi a melhor coisa que aconteceu comigo, Jasper. Você sabe, eu me apaixonei por você. – falei de uma vez. Não podia deixar passar o momento.
Ele virou o rosto e fitou a janela.
Respirou fundo e olhou para mim de novo.
- Desculpe. Eu ainda não consigo.
- Não tem que se desculpar. Você não tem que dizer o mesmo para mim.
- Eu sei que não deveria te pedir, mas eu queria muito que você tivesse um pouco de paciência Alice. – ele segurou firmemente as minhas mãos. – Eu quero ter coragem de assumir o que sinto por você, mas eu ainda não consigo. Vou fazer terapia, trabalhar esse medo dentro de mim e..
- Eu espero. – o interrompi.
- Desculpa, espera o que? – seus olhos lampejaram.
- Eu vou esperar você. – apertei a sua mão.
Seu sorriso de repente era estonteante.
- Você está falando sério?
- Acredite em mim. – beijei as nossas mãos entrelaçadas. – Vou esperar o tempo que for. Eu quero muito isso.
Ficamos sentados olhando-nos nos olhos num longo silêncio. Até que ele quebrou, suspirando.
- Por que não conheci você nos meus dezesseis anos? – perguntou ele olhando as nossas mãos. Eu sabia que ele estava pensando nas lembranças amargas quando seu sorriso desvaneceu.
- Porque não era o momento. Tudo acontece na hora certa, quando deve acontecer.
Jasper ergueu os olhos e nos encaramos mais uma vez.
- Obrigado por me esperar, Alice.
- Obrigada por se abrir comigo. – sorri.
- Eu te devia uma explicação. Mas se um dia voltar a te decepcionar, se eu não conseguir...
- Shiu. – soltei uma de minhas mãos da sua e coloquei um dedo nos seus lábios. – Nem pense em dizer isso novamente.
Fora a vez dele de beijar a minha mão.
- Você é incrível. – sussurrou.
- Então... voltamos a posição de amigos? – perguntei-lhe.
Ele sorriu largamente.
- Sim, amigos. – assentiu. – A propósito, você vai à festa de Réveillon? Conosco?
Suspirei e sorri para ele.
- Já que vocês insistem tanto... Sim. – brinquei com ele. – Podem contar comigo.
A risada dele que se seguiu foi incrivelmente alta.
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Notas finais
A pessoa pergunta se eu tenho 12 anos, e como a maioria aqui deve saber a resposta é não. Tenho 25 anos, trabalho, já sou formada, e por muitas vezes comento nas minhas notas que estou fazendo monografia da minha pós-graduação, mas pelo que parece passou batido. Sobre as críticas, elas são bem-vindas, não hesite em fazê-las. Você comentou que a fic peca pela falta de cenas "hots", que precisa disso para dar um "up" porque para você esse tipo de cena é imprescindível, e até concordo com você nesse último ponto. Mas o que se precisa entender é que a estória ainda não pediu essa parte, porque além da Bella ter apenas 17 anos e ser virgem, se você leu os capítulos viu que a duração do namoro dela e do Edward não passou muito tempo, apenas dois meses. Só queria te dar um exemplo de uma fanfic que acompanho e que para mim ela é uma das melhores fanfics brasileiras, que é A Infiltrada. Quem lê sabe que ela já está no capítulo 46 e até agora também não rolou nenhum sexo entre Beward, e olhe que o Edward tem 29 ou 30 anos e a Bella parece que tem 26, mas nem por isso a fanfic, que é adulta, está cansativa ou sem emoção, muito pelo contrário.
Vou utilizar as mesmas palavras da Natália, autota de #AI, Talvez Seja Amor terá sexo entre os protagonistas mas no momento certo. Me desculpe mas não vou colocar de qualquer jeito por pressão das leitoras. E na minha humilde opinião fanfic que só tem sexo o tempo todo cansa.
Para quem não sabe Talvez Seja Amor será uma fanfic muito longa, vocês verão nosso casal lindo crescendo, amadurecendo, enfim se tornando adultos. E vou continuar respeitando a fase deles e escrever como minha mente louca construiu e tem construido o relacionamento deles. Peço paciência, que não desistam e que confiem em mim.
Agradeço a quem compreender!!
E pode apertar o botão de próximo que já tem leitura rsrs
Ah, MAS QUERO REVIEWS DESSE VIU??
KKKKKKKKKK
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