Notas iniciais
Olá meu amores como estão?
Espero que bem.
Capítulo demorou um pouco hein? Devo admitir. Sabem como é, trabalhando muito, estágio, faculdade, e eu como boa filha de Deus viajei e fui arriscar um sambinha no carnaval do Rio rsrs.
Este capítulo está muito fofo, amei ter escrito. Muitos diálogos e ficou enorme como os últimos haha. Espero que curtam o final.
Quero me desculpar pelo fraco capítulo que foi o anterior, confesso que não me dediquei muito a escrevê-lo e isso me deixou super chateada. Conversarei sobre isso nas notas finais.
E quero agradecer a Nana-andrade pela recomendação *-*
Uma ÓTIMA leitura!

POV BELLA

Eram raros os momentos em que eu me pegava sentada no sofá da sala da minha casa assistindo algo na TV. Geralmente, preferia o conforto da minha cama ou ainda a sala de vídeos, que abrigava a maior TV da casa. Sempre me perguntei por que o meu pai jamais ficava lá, optando por este sofá, e por essa TV menor. Mas hoje, por alguma força ou motivo desconhecido por mim, ele estava lá. Assistindo, claro, football.

Vai entender.

Vai entender também por que eu estou aqui sentada, após chegar do último dia no Espejo que entrará em recesso de fim de ano a partir de segunda-feira, assistindo a um sitcom quando deveria estar estudando para as provas. Talvez porque eu imaginava que o telefone tocaria e a ligação seria para mim.

- Alô? – atendi no segundo toque.

- Bella? – disse a voz feminina conhecida.

- Esme? Que surpresa! – exclamei.

- Oh querida. Como você está?

- Estou bem. Apreensiva com as provas, mas bem.

- Compreendo. – seu tom era tão amável – Semana de prova tende a ser desgastante e exige um pouco mais de comprometimento e concentração.

- Concentração. – repeti. – Não consegui encontrar isso ainda. – confessei, sorrindo.

- Espero que o meu filho não seja o responsável por isso. – disse do outro lado da linha. Acho que ela estava sorrindo também.

- Mais ou menos isso. – murmurei envergonhada. Ainda bem que ela não podia me ver.

- Já que a sua cabecinha está voltada para ele, será que eu podia me aproveitar um pouco disso?

- Hummm... não entendi. – comentei.

- Bella, Edward está voltando, pensei em fazer um jantar aqui na nossa casa na noite de sua chegada. Seria uma ótima oportunidade para juntarmos as duas famílias. Sabe, eu adoraria rever a sua mãe, conhecer o seu pai. E Carlisle ainda não os conhece.

- Um jantar? – perguntei.

- Sim. O que você acha?

- Eu acho ótimo! – exclamei, me animando com a idéia. As duas famílias reunidas pela primeira vez, e ainda para receber Edward!

- Eu sabia que você aprovaria. – disse Esme.

- Claro que sim. Tenho certeza que Edward vai gostar. – concordei, erguendo a minha cabeça para ver a minha mãe que acabara de chegar ali.

- É a Esme? – perguntou Renée. Assenti com a cabeça.

- Eu poderia ir até sua casa para conversarmos sobre isso? – pedi.

- Claro que sim, Bella. Queria mesmo te propor isso. Bem... perdi as contas das vezes que ouvi Edward falar o quanto você cozinha bem, especialmente sobre o seu Pollo a La Mexicana, então pensei que talvez você poderia cozinhar para ele.

- Ah, não é para tanto. Edward exagera. – disse rindo. – Mas será um prazer preparar o prato que ele gosta.

- Ótimo. Você pode vir quando quiser. Só me ligue antes para confirmar se estarei em casa. Com a proximidade das festas de fim de ano, as encomendas de flores duplicaram. – disse Esme, que agora trabalhava para fora com decoração e encomenda de flores.

- Ligarei. Poderíamos nos ver na próxima semana? Minhas provas acabam na terça e ficarei livre em seguida. – inquiri.

- Perfeito, querida. Er... a sua mãe está em casa?

- Sim. Está aqui na minha frente. – disse olhando novamente para a minha mãe.

- Você poderia passar o telefone para ela? Pensei em encomendar alguns doces também.

- Claro. Só um minuto. – disse, estendendo o aparelho para a minha mãe.

- Esme, querida. Como você está? – iniciou minha mãe.

As duas conversaram um bom tempo pelo telefone. Pareciam amigas de longa data. E olha que só se viram uma única vez, que foi no dia em que Edward deixara o meu carro na escola, após passar no trabalho da minha mãe acompanhado de Esme para pegar a chave do meu carro.

Pelo que ouvi da conversa, Esme queria encomendar doces da SW Buffet, uma sociedade entre a minha mãe e a senhora Weber, que em apenas dois meses de existência já era considerado como um dos melhores Buffet para festa da região. Mas a minha mãe se negou a receber alguma coisa, dizendo que ficaria por conta da casa. Um “presente para o genro”. Palavras dela.

Naquela noite, após o jantar com toda a família à mesa, incluindo Emmett, me refugiei no quarto. Acordaria cedo no dia seguinte, um sábado, para receber em casa Angela, Jessica e também a Lauren, que embora não seja tão nossa amiga, havia pedido para estudar conosco para a prova de biologia que teríamos na segunda-feira. Não vi nenhum problema, até porque eu a considerava legal.

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- Já estou cansada de estudar. – resmungou Jessica, tirando o lápis que prendia o cabelo na cabeça, deitando em seguida com as costas no piso. Estávamos todas sentadas em cima do tapete, vários livros e cadernos espalhados.

- Estudamos Aneuplóidias Autossômicas, Aneuplóidias dos Cromossomos, Aberrações Cromossômicas, Ação Gênica Complementar, mas ainda falta fazermos uma revisão sobre as Leis de Mendel. – disse Angela.

- Não, Ang, não vai cair esse assunto. Anotei aqui. – falei mostrando a página do meu caderno que havia anotado os conteúdos. – Vão cair esses assuntos que estudamos e mais Herança Quantitativa.

- É mesmo, Bella. – concordou Angela, coçando de leve a cabeça. – Então é melhor começarmos logo, não estudei nada desse assunto.

- Ugh. Já estamos aqui há quatro horas. Vamos dar uma pausa porque eu não quero enlouquecer. – reclamou Jessica.

- Nada de pausa. – disse Angela, seguido por uma bufada de Jessica.

- Bella, me ajuda com essa questão. – pedira Lauren. – Aqui pergunta qual é a síndrome resultante de uma anormalidade na constituição cromossômica, cujos indivíduos passam a constituir em suas células...

- Bella! – gritou uma Alice entrando no meu quarto. – Oh, desculpe, achei que as meninas já tinham ido embora. – falou, escondendo algo atrás de si.

- Oi Alice. – cumprimentaram-na Jessica e Angela.

- Tudo bem, Alice. A propósito esta é Lauren. – falei.

- Olá Lauren. – disse Alice, sorridente.

- Oi. – disse Lauren, sorrindo de volta.

- Bem... então estou indo. – falou, dando as costas.

- O que você queria Alice? – perguntei.

- Hmmm... nada importante. – se virou para me olhar. – Só mostrar algo... que eu comprei. – Alice hesitante? Isso era novidade.

- Tudo bem, outra hora você me mostra.

- Certo, er... vou indo. – disse, saindo do quarto de repente saltitante.

O que será que ela estava aprontando?

Sacudi a cabeça, voltando a me concentrar nos estudos. Tirei a dúvida de Lauren, que me elogiou com um ‘você é muito boa em biologia’.

Prosseguimos, as quatro, por mais algum tempo fazendo revisões e ajudando a sanar a dificuldade da outra. Jessica e Lauren eram as que mais estavam inseguras. Eu realmente não estava preocupada com biologia, que eu tirava ótimas notas, e sim com física cuja prova havia sido no dia anterior. Esse sim era o meu bicho-papão.

- Quando Edward chega, Bella? – perguntou Jessica, quebrando a minha concentração. Até o que eu estava escrevendo saiu da linha com a menção.

- Semana que vem, no domingo. – respondi a ela.

- Você é tão sortuda por ter um namorado como ele. – disse ela olhando as fotos de nós dois juntos expostas no meu mural.

Apenas a olhei, assentindo. Não tinha o que contestar. Pensava da mesma maneira.

- Vocês formam um casal tão lindo. – disse Angela, suspirando.

- E Mike, Bella? Você parece ter esquecido tão rápido dele. – perguntou Lauren, pegando-me de surpresa. Nunca havíamos conversado sobre Mike, ou qualquer assunto pessoal antes.

- Hmmm... eu... o que tivemos passou Lauren. – comentei, um pouco evasiva devo confessar.

- Sempre soube que você ia terminar com ele um dia. Era visível que ele te sufocava. – apontou Jessica.

- Isso era verdade. Quase não podíamos fazer nada juntas. Ele sempre queria acompanhar Bella, isso quando não ligava de meia em meia hora. – disse Angela, revirando os olhos.

- Sufocar? É isso que vocês acham que ele fazia? – inquiriu Lauren erguendo uma sobrancelha, olhando para Jessica e Angela.

- Sim, é o que eu acho. – confirmou Jessica. – Nenhuma mulher gosta de homem assim.

- Não acho. – disse Lauren, balançando a cabeça em negação. – Talvez fosse só a forma que ele tinha para demonstrar que gostava dela. – continuou.

Eu estava em silêncio, apenas observando o diálogo e movimentando a cabeça na direção de quem estava com a palavra.

- Diz isso porque não foi com você. Duvido que teria essa opinião se sentisse na pele o que é ter um garoto querendo estar com você vinte e quatro horas do dia. – rebateu Jessica.

- Mike era fora do normal. – acrescentou Angela.

- Não vejo nada de anormal nisso. – prosseguiu Lauren.

- Eu vejo. Não gosto de homem assim. – brandiu Jessica. – Acho que Bella ainda agüentou muito tempo.

- Bella foi realmente muito paciente. Devo admitir. – disse Angela, olhando para mim.

- Paciente? – questionou Lauren, de repente seu tom de voz tinha aumentado alguns decibéis. – Bella nunca gostou de Mike, essa é a verdade. Namorava por conveniência e porque ele era um idiota apaixonado que estava sempre a disposição para o que ela lhe pedisse. Foi só o primeiro aparecer que ela rapidamente lhe deu um chute.

Depois do discurso, um silêncio pairou no quarto. Jessica, Angela e eu olhávamos chocadas para Lauren. Eu estava completamente surpresa com a sua reação repentina, porque já fazia tanto tempo que Mike e eu havíamos terminado e ela jamais havia falado ou demonstrado algo que indicasse qualquer indício de hostilidade. Eu nunca imaginei que ela pensava isso de mim.

- Lauren... você... você não sabe de nada. – eu disse, feliz por conseguir dizer isso com certa firmeza na voz.

Lauren me olhou um tempo. Suas sobrancelhas começaram a se agitar rapidamente. Ela recolheu os próprios cadernos e então se levantou.

- Me desculpa. Eu não queria dizer isso. Eu... tenho que ir. – disse ela, saindo pela porta em seguida.

Nós três nos olhamos, boquiabertas.

- O que deu nela? – inquiriu Angela.

- Não faço a mínima idéia. – declarei.

- Ela tomou as dores de Mike. Parecia com raiva de você, Bella. – disse Jessica.

- Tomou as dores? Ela nem era amiga dele! – exclamou Angela.

- Isso foi muito estranho. – comentou Jessica.

- Muito. Muito, estranho. – assinalei, pensativa.

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Mal conseguia esconder o sorriso ao caminhar pelo corredor da escola com Jessica e Angela, em direção a saída.

Adeus provas, aulas, professores, alunos.

Viva o recesso de fim de ano!

E claro, viva o domingo que se aproximava.

Faltavam cinco dias e três horas para eu ter Edward de volta. E só por esse motivo uma pequena parte de mim ficara triste com a pausa das aulas. Pelo menos ir à escola era algo que fazia o tempo passar mais rápido e agora eu não tinha nada para me ocupar enquanto esperava os dias passarem.

- Vou sentir saudade de vocês. – disse Angela com olhos chorosos, ao chegarmos ao estacionamento.

- Qual é, Angela, você só vai passar vinte dias fora. Nem vai dar tempo de sentir nossa falta. – comentou Jessica, sorrindo.

- Sua insensível. – rebateu Angela.

- Aproveita o México, Angela. Não esquece de trazer receitas para mim. – falei, abraçando-a.

Enquanto nos despedíamos, vimos Lauren passar próximo de nós. Não sei se ela nos viu, e se viu, fez que não viu. Desde o sábado não nos falamos mais. Na verdade parecia que ela estava nos evitando. Nenhuma de nós conseguiu entender ainda o que deu nela àquela tarde.

Já no meu carro, liguei para Esme, dizendo-lhe que já estava a caminho. Minutos depois, estacionava o carro na frente da casa dos Cullen.

- Bella! – disse minha sogra, com um sorriso largo nos lábios, ao abrir a porta para mim.

Abraçamos-nos, nos encaminhando em seguida para a cozinha.

Passamos o resto da tarde toda lá, acertando os detalhes para o jantar de domingo.

Voltei para casa o sol já havia se posto. Estava emburrada por não ter tido oportunidade de conversar com Jasper.

No jantar, questionei Alice mais uma vez sobre o que ela queria me mostrar no sábado. Mas a diaba anã dizia o tempo todo que não era nada. Eu sabia que ela estava me escondendo alguma coisa. Só não imaginava o que era.

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- Pai. Dá para andar logo? – gritei no pé da escada, irritada, olhando as horas no relógio que estava no meu pulso.

- Já vou, só estava ajeitando essa gravata. – disse ele descendo as escadas. Charlie vestia sapatos de couro preto, calça jeans, uma camisa de botões branca, uma jaqueta também de couro e, agora, a gravata.

- Pior que mulher para se arrumar. Argh! – eu disse, rolando os olhos.

- Vamos? – pediu ele ao chegar à sala.

- Vem cá, querido. A gravata está torta. – disse minha mãe, aproximando-se dele para arrumar a gravata. Renée usava um vestido de alças grossas marrom, o comprimento descia até um pouco abaixo do joelho, um scarpin preto nos pés não muito alto, e um casaco longo de vison bege por cima do vestido. Estava muito frio lá fora.

Bufei impaciente.

- Calma, baby, chegaremos a tempo. Edward nem chegou ao aeroporto ainda. – expôs minha mãe, numa tentativa de me acalmar. Mas nada funcionaria hoje comigo. Minha ansiedade ultrapassava todos os limites.

Tinha sido o período mais longo que ficamos longe um do outro. Doze dias. E por mais que nos falássemos todos os dias por telefone, a ausência física parecia estar ficando muito pior. Principalmente depois de declararmos eu te amo ao outro.

Nem quero pensar quando chegar a segunda quinzena de janeiro.

Estremeci ao lembrar.

- É compreensível ela estar assim, tia. Dá um desconto. – disse Alice, sentada no sofá, com um pequeno espelho na mão checando o cabelo e a maquiagem. Ela usava um tomara-que-caia branco com algumas bolas pretas, do mesmo tamanho que o que a minha mãe usava, decote em forma de coração, justo abaixo do busto, descendo um pouco rodado até a ponta. Ela também usava um casaco de vison, só que era preto. Tinha nas mãos uma bolsa vermelha e nos pés, um Louboutin do mesmo tom.

- E eu não sei? Já tive a idade de vocês, querida. – comentou a minha mãe, sorrindo, ainda dando atenção à gravata de Charlie.

— Não é fácil namorar a distância. – disse meu pai, num tom despreocupado.

Meus olhos se estreitaram.

- Eu não namoro a distância! – exclamei, enervada. – Será que já podemos sair? Agora? – perguntei, aumentando a voz ao pronunciar a última palavra.

Todos os três pararam alguns segundos para olhar para mim.

- Er... vamos, vamos. – falou minha mãe, quebrando o repentino silêncio.

Fui a primeira a abrir a porta de casa e saí, com Alice logo atrás de mim. Parei na calçada para esperar meu pai tirar o carro da garagem. Iríamos todos no carro dele. Rosalie já estava na casa dos Cullen, uma vez que passara a tarde lá, assim como eu. Com a diferença de que eu estava ajudando Esme com os preparativos do jantar, e ela ficara com Emmett. Trancados no quarto.

— Ansiosa? – perguntou uma Alice, lançando um leve sorriso enquanto entrelaçava o próprio braço ao meu.

- Você não imagina o quanto. – murmurei, tremendo. Não conseguia distinguir se o tremor provinha do frio ou do meu perceptível estado de ansiedade.

- Meu Deus. Você está tremendo! – exclamou Alice. – Bella, assim você me deixa preocupada. Você tem que estar preparada quando Edward for para Londres. – dissera ela.

- Eu sei. Eu só... – pausei, meu rosto devia estar aflito nesse momento. – Eu só estou com saudade dele. – guinchei.

- Tudo bem, isso já vai acabar. Vamos. – disse, nos guiando para dentro do carro.

Já no interior do automóvel, notei que as minhas pernas continuavam inquietas. Eu simplesmente não conseguia parar de balançar a perna. Impaciente. Meu pai dirigia muito, muito devagar.

- Pai, anda logo. – soprei.

- Calma, Bells. O que eu posso fazer se a família do seu namorado mora longe?

Cruzei os braços na altura do peito, olhando novamente para a janela e bufei.

- Hey, tio. Daqui a uns 50 metros vai aparecer a seta para virar à direita. É lá que você vai entrar. – disse Alice, sentada ao meu lado.

- Certo. Seta à direita. – repetiu Charlie.

Senti o celular vibrar dentro da minha bolsa de mão.

Meu coração palpitou instantaneamente. Acho que nunca atendi uma chamada no celular tão rápido como dessa vez. O nome de Esme piscava no visor.

- Ele chegou? – perguntei assim que atendi. Nem tive tempo de pensar em cumprimentá-la.

- Sim. O avião dele acabou de pousar, querida. – disse Esme com uma voz animada. – Você ainda não chegou?

- Ainda não, por culpa do meu pai. – comentei, com desdém. – Chegaremos em poucos minutos.

- Bem... ele ainda terá que esperar a mala ser despachada, ainda tem o caminho até em casa... acho que chegaremos em um pouco mais de meia hora. – assinalou.

- Hmmm... e... você acha que ele não vai desconfiar? Não fui muito convincente com a história da amiga aniversariante. – eu disse, preocupada.

Não queria pensar nisso, mas devo dizer que uma parcela da minha aflição, aliás, grande parte dela, deve-se ao fato de eu ter mentido para Edward hoje, logo cedo, pelo telefone. Ele queria ir direto para minha casa quando saísse do aeroporto, e eu tive que atuar um pouquinho, dizendo-lhe que ele não fosse, porque Angela estava fazendo aniversário e eu havia prometido que apareceria. Edward sugeriu me acompanhar, e eu, com um aperto no peito, tive que dizer que era uma festinha só de mulheres e que ligaria para saber se ele já estava na cidade e então nos encontraríamos. Edward ficou um bom tempo mudo do outro lado da linha, e quando voltou a falar novamente a sua voz estava estranha. Eu sei que ele não gostou e eu não faço idéia do que ele estava pensando agora.

- Não, ele não vai. Embora eu saiba que ele vai querer ir atrás de você. Bella, desligue o seu celular agora, ok? Ele vai te ligar.

- Tudo bem, vou desligá-lo. – murmurei triste. A situação ficaria ainda pior quando ele ligasse e visse que meu celular estava desligado.

- Não fica assim, querida. Eu sei o que você está pensando. Conheço meu filho, sei que ele vai ficar chateado. Mas lembre-se que tudo será abstraído quando Edward passar pela porta e ver você, sua família, os irmãos e tudo que preparamos para ele com tanto carinho.

- Eu espero. – disse tristemente.

- Oun, Bella, por favor, não fique triste. – condescendeu. – Está usando o vestido lilás?

- Sim. – respondi, sorrindo fraco.

Há cinco dias, minha mãe, Alice e eu fomos ao shopping no final da tarde e encontramos Esme por acaso. Enquanto minha mãe e Esme se sentaram para conversar, Alice pegou o rumo para comprar uma bota e eu fui procurar algo para dar a Edward de presente. Desde que começamos a namorar ele já tinha me dado tanta coisa, e eu nada a ele. Queria dar-lhe algo especial, simbólico e que representasse o que sentíamos um pelo outro. Não demorei a encontrar. Quando voltei, decidimos jantar na praça de alimentação. No caminho, passamos por uma loja e as três literalmente gritaram por causa de um vestido lilás que estava exposto na vitrine. Disseram que o vestido era a minha “cara” e me fizeram entrar e experimentá-lo. Ele realmente ficou lindo, apesar de um pouco curto. Alice dissera que estava do tamanho ideal, que era só falta de costume. Minha mãe e Esme insistiram que eu deveria levá-lo e usá-lo no jantar. E não sossegaram até eu finalmente concordar. Depois de muita discussão de quem me presentearia, as duas, Renée e Esme, decidiram rachar e o compraram para mim.

- Perfeito. – disse Esme. – Quando Edward colocar os olhos em você vai até se esquecer por que motivo ele tinha ficado chateado.

Será?

Eu sinceramente esperava que sim.

- Bella, eu tenho que ir. Antes que Edward saia ou ligue para você. Não esqueça, desligue o celular.

- Tudo bem, Esme. Vou desligar. Te vejo daqui a pouco. – falei. Ela se despediu e em seguida desligou.

Fiquei com o celular na mão, pensando. Será que Edward estava chateado comigo? Se ele não tiver agora, vai ficar quando me ligar e o meu celular apontar desligado.

Decidi deixá-lo ligado. Não quero piorar a situação.

- Você não vai desligar? – perguntou Alice, apontando o dedo para o meu celular.

- Hmmmm. Não.

- Bella... – advertiu.

- Não vou atender se ele ligar. Prometo. – disse, incerta. Eu não ia mesmo atender?

- Bella, você não vai querer estragar a surpresa, vai? – perguntou ela.

- Claro que não! – exclamei. – Eu só... ai, Alice, eu não vou atender, já disse.

- Isso é o que eu quero ver. – ela falou, virando-se para frente. – É aquela casa ali na frente tio Charlie. – disse ela ao meu pai.

Assim que os meus Peep Toes brancos de salto pisaram o chão fora do carro apertei-me ao meu casaco. Estava um frio de rachar. Infelizmente não poderia fazer nada pelas minhas pernas descobertas a não ser correr e entrar o mais rapidamente dentro da casa.

Assim que passei pela porta, sentindo o calor do aquecedor, tirei o meu casaco.

- Fiu, fiu. – assobiou Emmett assim que entrei. – Bellinha, que pernas!

- Emmett! – disse Rosalie, batendo no seu braço.

- Que? – inquiriu ele. – Pô, ela é sua irmã!

- Por isso mesmo. Se para as pernas da minha irmã, que por sinal é namorada do seu irmão você olha descarado, imagino o que você não olha por aí, quando não está comigo. – disse ela, fuzilando-o com os olhos.

- Cristo, Rose. Eu só olho para as suas pernas! – exclamou ele, inclinando o corpo para baixo, passando a mão na coxa dela.

- Ei, ei, ei, ei. Eu estou aqui, não estão vendo? – questionou o meu pai, que acabara de entrar, censurando a cena.

- Pai, não começa. – sussurrou Rosalie.

- Humpft! – ele resmungou. Tive que sorrir depois disso.

- Rose, minha filha. Você parece morar aqui e passeia na nossa casa. – disse minha mãe, abraçando-a.

Rosalie sorriu, os dentes ainda mais brancos contrastando com o batom fortemente vermelho nos lábios. Olhando-a agora, parecia uma cópia da Christina Aguilera com esse cabelo completamente descolorido. Estava com um vestido de estampa verde curto e justo, as alças eram compridas, e um Louboutin nude nos pés.

- Não exagera mãe. – replicou. – Hey, Alice, você está linda!

- Você também, Rose. – disse uma Alice, de repente amuada. Eu bem sabia o porquê. Jasper estava na sala.

- Bella, tenho que admitir. Você está perfeita com esse vestido. – comentou Rose, olhando-me de cima a baixo. Eu estava com um mini vestido de organza, lilás, que ia até metade das minhas coxas. Era um pouco justo, gola alta de renda francesa até o pescoço, cavado, deixando braços e ombros descobertos.

- Obrigada. Você também, como sempre. – falei.

- Vamos lá, sogrinhos. Entrem aí, fiquem à vontade. Jasper vocês já conhecem, então não preciso apresentar. – disse Emmett, receptivo.

- Boa Noite Sr e Sra. Swan. – cumprimentou Jasper.

- Oi Jasper. Por favor, nos chame de Charlie e Renée. – disse-lhe minha mãe.

- Perfeitamente, Renée. – disse ele, a cordialidade em pessoa. – Oi Bella, Alice. – o nome de Alice saiu quase como um murmúrio.

- Oi de novo Jasper. – cumprimentei-o pela segunda vez no dia, sentando-me no sofá. Alice não disse nada. Apenas balançou a cabeça, sorrindo quase que sem vontade para ele e sentou-se ao meu lado.

- O que vai querer beber Charlie? – perguntou Emmett.

- Tem o que eu sempre bebo? – questionou meu pai, sentado no sofá ao lado da minha mãe, erguendo uma sobrancelha.

- Isso é pergunta que se faça? Mas é claro que sim. Essa família é movida a cerveja. Já volto. – falou ele, beijando rapidamente Rosalie nos lábios e saindo.

Ficamos ali, reunidos na sala, conversando em dois grupos. Emmett, Jasper e meu pai iniciaram uma conversa sobre baseball enquanto eu, mamãe, Alice e Rosalie discutíamos sobre quem deveria ganhar o American Idol. Retificando, apenas mamãe, Rosalie e Alice conversavam porque eu só estava ali em corpo, mas o meu pensamento...

Quase pulei de susto quando senti o celular vibrando dentro da bolsa no meu colo. Minhas mãos tremiam no momento que tentava abrir o botão. Quando peguei o celular e vi o nome piscando tive vontade de chorar.

- Bella, você não vai atender. – disse Alice duramente.

- Por favor. – praticamente implorei.

- Não! – decretaram ela e minha mãe ao mesmo tempo. Ela puxou o celular, que ainda vibrava, da minha mão.

Pisquei os olhos várias vezes para as lágrimas não descerem.

- É Edward que está ligando? – perguntou Jasper.

- Sim. – respondeu Alice, sem olhar para ele.

- Meu irmão está fodido mesmo. Mal colocou os pés na cidade já quer ver a mulher dele. – comentou Emmett. Meu pai engasgou com a cerveja.

- Emmett, olha a boca. Respeita os seus sogros. – chamou-lhe a atenção Jasper.

- Perdão. Força do hábito. – desculpou-se.

- Tudo bem, Emmett. – disse minha mãe, compassiva.

- Edward parece ser mais apaixonado pela Bella que você por mim. – apontou minha irmã.

- Vai começar, ursinha? – perguntou-lhe, em seu rosto fluía uma expressão divertida.

- Ursinha? – perguntou o meu pai, incrédulo. – Oh, Deus, onde é o banheiro?

- Eu te acompanho Charlie. – disse Jasper, sorrindo.

Os dois se levantaram, saindo da sala. Emmett e Rosalie falavam baixo entre si, como se estivessem discutindo. Rose de repente se levantou, parecendo aborrecida e Emmett foi atrás dela.

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Vinte minutos depois, eu continuava na mesma posição. Sentada, calada e dispersa. Meus pais conversavam num sofá, Emmett e Rosalie ainda não tinham voltado. Jasper estava sentado numa das cadeiras próximas aos dois sofás, e Alice estava estática ao meu lado, de repente muito concentrada na internet do celular. Eu sabia que ela só estava fazendo isso para não ter que encarar Jasper, que não fazia nada além de beber a própria cerveja.

- Eles chegaram! – anunciou Rosalie, descendo as escadas com Emmett.

Acho que eu fiquei tonta.

- Ah, meu Deus. Como vamos fazer? Nos esconder? – perguntou minha mãe.

- Hummm... vamos todos para aquele lado. Se ficarmos aqui Edward vai nos ver mesmo de dentro do carro por causa da parede e da porta de vidro. – disse Alice.

Todos caminharam rápido para o canto da sala, onde Edward só podia nos ver quando passasse pela porta. Fui a última a chegar lá, surpresa por ter conseguido andar com as minhas pernas bambas de nervoso.

- Bella, você está bem? Parece que vai desmaiar. – comentou Alice, baixinho. Apenas assenti com a cabeça.

Um barulho de carro parou na frente da casa, em seguida o motor foi desligado. Comecei a ofegar.

- Foco, Bella. É Edward. – disse Alice.

Respirei fundo.

Meus olhos fitavam ansiosos a porta de entrada. Eu já podia ouvir as vozes que se aproximavam, embora nenhuma delas fosse baixa e aveludada como a voz que dominava a minha mente. Abaixei a cabeça e fechei os olhos, me preparando. E quando enfim ouvi o click da maçaneta, ergui meu rosto para cima abrindo os olhos. E então o vi.

Mal percebi Carlisle, ou mesmo Esme, que estavam ao seu lado. Minha visão não era capaz de enxergar mais nada. Acho que fiquei cega momentaneamente. Ou melhor, acho que fiquei cega por Edward.

Quando seus olhos finalmente encontraram os meus, ele parecia ter se transformado numa escultura.

— Bem-vindo ao lar, filho. – disse Esme, esfuziante, tentando abraçá-lo. Mas ele mal parecia se mexer.

Todos caminharam em direção a ele, dando-lhe abraços de boas-vindas, o que o obrigou a desviar nossos olhares e dar-lhes atenção. Fiquei um pouco atrás, aguardando a minha vez. Não pude deixar de sorrir quando Emmett e Jasper o jogaram no chão, relembrando os tempos em que eram crianças, fazendo montinho.

Quando Edward se levantou, recompondo-se, felizmente a única pessoa que faltava para falar-lhe era eu.

Ficamos nos olhando um longo tempo, a certa distância um do outro. Mas eu não queria e nem agüentava mais ficar um segundo sequer longe dele, então, dei o primeiro passo. Edward abriu um sorriso exultante, desses de tirar o fôlego, avançando um passo para frente. Segundos depois nossos corpos se chocaram, em um abraço. Edward apertou os seus braços em volta da minha cintura, agarrando-me firmemente. Automaticamente, também apertei meus braços em volta do seu pescoço. Percebi que meus pés não tocavam o chão, e só então me dei conta que ele me suspendia. Antes que eu pudesse me preocupar se o vestido que eu usava estava subindo, mostrando demais, seus lábios pressionaram os meus, urgentes. Se ele não estava nem um pouco preocupado que tínhamos platéia, eu, muito menos, me preocuparia.

Ouvi alguém cancelar a garganta. Nem precisava olhar para saber quem era.

- Charlie! — minha mãe advertiu.

- O que? Fiz nada. – se fez de desentendido.

Lentamente diminuímos o ritmo do beijo, trocando leves selinhos, até Edward me colocar de volta ao chão.

- Aniversário de Angela só com mulheres, han? – inquiriu ele, sua testa colada a minha.

- Não consegui pensar numa outra desculpa. – murmurei, de olhos fechados.

— Mil coisas se passaram na minha cabeça quando te liguei agora e você não atendeu, sabia? Pensei que não estava ansiosa em me ver como eu estava.

- Nunca mais diga isso, Edward. – falei, afastando nossas testas e abrindo os olhos. Encontrei os dele também abertos, me fitando. – Eu sempre vou querer estar com você. Nunca duvide disso.

Ele me abraçou um pouco mais forte por um segundo, e então me soltou, pegando o meu rosto em suas mãos.

- Eu não duvido. – sussurrou, me beijando por um momento.

- Er... acho que estamos todos sobrando aqui... – comentou Carlisle, com um sorriso. Todos riram. Meu rosto foi preenchido pelo rubor, podia sentir esquentando.

- Sejam bem-vindos Renée, Charlie, Alice. É um prazer finalmente conhecer o patriarca da família Swan. – disse Esme, com sua sempre extrema simpatia. Aproximando-se dos meus pais com Carlisle ao seu lado.

- É muito bom conhecer finalmente os sogros das minhas filhas. – disse meu pai com sinceridade, estendendo a mão.

- É um prazer conhecê-los, Charlie, Renée. – cumprimentou, sorrindo, Carlisle.

- Prazer, Carlisle. E obrigada, Esme, pela recepção. Já estava mesmo em tempo de juntar as famílias. – disse minha mãe, sorrindo simpática. – A casa de vocês é linda. – completou ela.

- Obrigada Renée. Quer me acompanhar até a cozinha? Vou te mostrar toda a casa. – perguntou Esme.

- Claro, vamos. Com licença querido. – disse minha mãe, beijando-o de leve nos lábios. Depois disso as duas seguiram, casa adentro. Carlisle e Charlie engataram uma conversa.

Edward e eu, de mãos dadas, nos aproximamos de Rosalie, Emmett, Jasper e Alice. Nos sentamos no sofá, ouvindo de Edward, atentos, a narração da sua última viagem. Enquanto ele falava, observei as bolsas levemente escuras logo abaixo de seus olhos e o semblante exausto estampado na sua face. Ele deveria estar muito cansado. Algum tempo depois Edward aproximou de repente a sua boca até o meu ouvido, mordiscando o lóbulo. Arrepiei-me na mesma hora. Ele sorriu, e em seguida sussurrou que subiria rápido até o quarto, para guardar a mala que ainda estava no chão, da porta de entrada, e iria rápido ao banheiro. Assenti, mas fiquei me perguntando por que ele não me chamara para acompanhá-lo.

Ele me beijou, em seguida pegou a mala, pedindo licença a todos, e subiu.

Agora que tudo estava bem, pude prestar um pouco mais atenção no comportamento de Jasper e Alice. Ambos estavam sentados no mesmo sofá, mas estavam a certa distância do outro. E por mais que estivéssemos no mesmo círculo, eles não conversavam ou olhavam entre si. Pareciam dois desconhecidos.

Decidi puxar assunto com eles, tentando provocar algum tipo de interação entre os dois. Mas nem isso funcionou. A situação parecia estar caminhando de mal a pior. Eu precisava conversar o quanto antes com Edward.

Por falar nele, para quem iria apenas guardar a mala e usar o banheiro ele estava demorando muito. Esme e minha mãe já estavam de volta. No entanto nenhum sinal dele. Quando já estava pensando em procurá-lo, checar por que estava demorando, ele finalmente desce as escadas. Os cabelos molhados, roupa trocada e um sorriso no rosto estonteante.

Edward havia ido tomar banho.

Agora entendo o porquê dele não ter me pedido para acompanhá-lo. Emmett no mínimo soltaria uma piada, e meu pai fecharia a cara com o comentário.

Edward se aproximou de mim e antes que ele se sentasse ao meu lado, tive um vislumbre de seus olhos fitando rapidamente as minhas pernas. Olhei para ele e sorri, sem deixar transparecer que o peguei olhando. Seu sorriso de resposta me deixou nas nuvens.

A noite se seguiu, os homens bebendo cerveja, as mulheres no champagne ou bebendo vinho. Menos eu. Tinha ficado tão enjoada antes de Edward chegar que preferi ficar no refrigerante. Embora eu ache que algumas gotas de vinho agora para relaxar seria uma perfeita distração. Porque eu precisava urgentemente me concentrar em qualquer coisa que não fosse Edward, do meu lado, conversando despreocupadamente enquanto bebia cerveja alisando a minha coxa com uma de suas mãos.

Será que ele não percebia que esse carinho estava me enlouquecendo?

Depois de tanto Emmett reclamar estar faminto, Esme decidiu servir o jantar. Levantei-me do sofá, puxando Edward pela mão. Andávamos de mãos dadas até a cozinha, eu um pouco na sua frente. Quase tive uma síncope quando Edward de repente envolveu seus braços na minha cintura, abraçando-me por trás, fazendo-me sentir um certo volume tocar o meu bumbum. E foi assim, abraçados nessa posição que caminhamos até a cozinha. Ele me encheu de beijos quando finalmente viu qual seria o prato servido nesse jantar de boas-vindas.

O jantar fluíra perfeito, as famílias interagindo e Emmett animando com as suas piadas e comentários engraçados. Todos elogiaram o meu Pollo e, quando terminado, se encaminharam de volta a sala. Antes, ajudei Esme e minha mãe a tirar a mesa.

Aproveitei e dei uma passada no banheiro que tinha no corredor. Há algum tempo estava louca para esvaziar minha bexiga, mas não queria sair de perto de Edward enquanto ele comprometia o meu juízo alisando a minha perna.

Quando voltei, percebi que todos tinham ocupado o sofá de formato em L . Só havia agora as cadeiras, que ficavam próximas à mesa de centro, mas era longe de Edward e eu nem cogitava essa possibilidade. Quando já estava pedindo para Alice sentar em uma das cadeiras para que eu pudesse sentar no seu lugar, Edward fez sinal com a mão, me chamando. Durante os poucos passos que caminhei até parar na frente dele, vi novamente seus olhos passearem pelas minhas pernas. Mas dessa vez demoraram muito mais tempo.

Não consegui esconder que não vi. Levei as minhas mãos até a barra do vestido, descendo-o um pouco. Edward olhou diretamente no meu rosto, depois abaixou a cabeça, sorrindo torto, enquanto coçava com o polegar o canto da boca, sacudindo a cabeça.

Quando parei na sua frente percebi o quanto ele se esforçara em erguer a cabeça sem fitar de novo a parte de mim que o vestido não cobria. Não evitei sorrir. Mas logo meu sorriso morrera, dando lugar a um vermelho intenso no rosto quando ele me surpreendeu, puxando-me pela cintura e me colocando sentada no seu colo.

Acho que vou morrer.

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Dezembro era oficialmente o mês mais frio em Sacramento. Hoje o dia continuava nublado e sem chuva, mas a temperatura parecia ainda mais baixa que no dia anterior. Contudo, o frio lá fora nem de longe diminuía a minha euforia quando o dia finalmente nasceu, depois de passar a noite toda suspirando que finalmente eu veria Edward todos os dias, mesmo que em menos de um mês nos distanciaríamos novamente. Mas não pensaria nisso agora. Por hora, eu só queria estar com ele todo o tempo, todos os minutos, compensar os dias que estivemos longe um do outro.

Alegremente saltei da cama. Como combinado ontem à noite, passaria o dia na casa de Edward, para em seguida sairmos para jantar e passear juntos por aí. Uma espécie de comemoração para o nosso segundo mês de aniversário.

A minha ansiedade em vê-lo era tamanha que nem me demorei no banho, muito menos me preocupei em me alimentar. Até porque estava sem fome. Só queria me apressar e chegar o quanto antes à casa dos Cullen. Porém, não havia passado pela minha cabeça que precisava de algo para vestir essa noite. Não poderia sair com Edward de jeans e casaco de frio. Abri o meu closet, vistoriando alguma opção que me agradasse e principalmente que agradasse Edward. Mas nada que havia ali chamava a minha atenção. Os poucos vestidos que eu tinha ou eram sem graça ou Edward já os tinha visto, como o nude que eu usara no dia do seu aniversário, há exatos dois meses atrás, o preto que vesti quando fomos ao coquetel preparado para Carlisle em comemoração ao novo cargo de diretor do Hospital Geral de Sacramento, ocorrido mês passado, ou o lilás que eu havia usado ontem.

Soltei um suspiro de frustração.

Na mesma hora meu celular vibrou, e o nome Alice piscava no visor, que já deveria estar no trabalho. Não tive oportunidade de conversar sobre o estranho encontro que ela tivera com Jasper na noite anterior. Pareciam dois desconhecidos. Imaginei que ela estivesse se corroendo e morrendo de vontade de desabafar com alguém sobre isso. Assim que atendi, ela quis saber a que horas eu estaria em casa, para conversar comigo, como eu havia previsto. Não tinha essa resposta, até porque Edward tinha planos para depois do jantar e eu ainda não sabia quais seriam eles. Ela bufou e eu senti muito por isso. Eu tinha que ajudar Alice, para esquecer ou para tentar conquistar Jasper de uma vez, porque eu não tirava da minha mente que ele sentia algo por ela, mas por algum motivo desconhecido por mim, e que talvez Edward soubesse, ele não externava.

Pedi para ela me esperar que conversaríamos independentemente da hora que eu estivesse em casa. Em seguida Alice me perguntou se eu já estava me preparando para sair. Confirmei bufando novamente em frustração ao me lembrar que ainda não sabia o que vestir. Ela me questionou a mudança de humor e eu lhe expliquei o motivo. Alice gargalhou do outro lado, dizendo-me que isso não era mais um problema. Ainda na linha, pediu para que eu me encaminhasse até o seu quarto e abrisse a última porta do lado esquerdo do closet. Em seguida ordenou-me pegar uma sacola preta da Dior que estava na última prateleira. Segui seu comando, puxando-o. Quando abri encontrei um tomara-que-caia quadriculado cromático, cinza, branco e preto, e que pelo tamanho sabia que deixaria minhas coxas à mostra. Pensei no frio que estava lá fora e o quanto a temperatura estaria ainda mais baixa à noite. Relatei minha preocupação à Alice que sugeriu usá-lo com meia calça escura e colocar um casaco longo por cima. Lembrei que tinha o casaco longo de organza preto e alguns pares de meia-calça da mesma cor que eu havia comprado quando fui à Nova York no ano anterior.

Dei uma nova olhada no vestido e pensei “ele era bonito”. Talvez Edward gostasse. Logo os acontecimentos da noite passada inundaram a minha mente. Edward gostara do vestido lilás, melhor dizendo, ele gostara do tanto que o vestido mostrava, embora não tenha feito nenhum comentário. Mas nem era preciso dizer nada. Seus olhos e sorriso malicioso por si demonstravam. Uma pena que meu pai tenha olhado torto quando sentei-me no colo dele. Não permaneci nem por dois minutos sentada ali. Edward rapidamente se levantou, intimidado por Charlie, sussurrando em meu ouvido que era melhor não o provocarmos. Alice, sorrindo, percebendo tudo, ofereceu o seu lugar no sofá e foi se sentar na cadeira, permitindo Edward e eu sentarmos lado a lado. E a noite infelizmente acabou muito cedo, me obrigando a deixá-lo.

Ainda bem que tudo se repetiria na ceia de Natal. Meus pais e os pais de Edward resolveram juntar as duas famílias mais uma vez nessa data.

Voltei a falar com Alice ao celular e agradeci o empréstimo, confirmando que o usaria. Nos despedimos e voltei para o meu quarto, decidindo prová-lo. Peguei uma meia-calça preta e vesti, na sequência coloquei o vestido. Como imaginei, este ficou no meio das minhas coxas. Peguei o comprido casaco de organza também negro, que caia na altura dos meus joelhos, e o joguei por cima, o que deu uma certa elegância. Calcei o fechado par de sapatos do Brian Atwood, segundo Rosalie, e então estava fechado o look.

Gostei do que vi. Combinando com o meu desordenado cabelo pós-sono minha aparência lembrava um estilo rocker, porém elegante. Corri até a minha pequena caixa que abrigava os poucos acessórios que eu mantinha, uma vez que eu não tinha orelhas furadas, logo não usava brincos, e tirei de lá um colar, que eu dificilmente usava, mas que ao jogar com o vestido de repente parecia uma combinação perfeita.

Distraidamente meus olhos, que antes miravam o espelho, lançaram-se para o relógio do despertador, em cima do criado-mudo, que apontava onze horas da manhã. Como um foguete, tirei rapidamente todas as peças do corpo, guardando-as dentro de uma sacola e tratando de colocar uma roupa e correr para casa de Edward. Essa era a hora que eu deveria estar lá, tocando a campainha. E olha onde eu ainda estava!

Peguei a sacola com a roupa, em seguida fui até o closet pegar o presente que eu tinha comprado para ele. Como não era grande, guardei-o junto à roupa. Quando já estava descendo as escadas lembrei que não havia colocado nenhuma lingerie e voltei para pegar o único conjunto de calcinha com o sutiã sem alças, já que era um tomara-que-caia e este pedia um modelo de sutiã assim. Corri até a cozinha, beijando a minha mãe na bochecha, avisando- a que já estava indo para a casa de Edward e que só voltaria no final da noite. Ela sorriu, desejando-me um ótimo dia.

Assim que passei pela porta, já do lado de fora, ajustei o capuz do meu casaco. Logo, um vento gelado se infiltrou pelo tecido da roupa, intumescendo os meus mamilos. No mesmo segundo me abracei. Estava realmente muito frio.

O caminho para a casa de Edward foi rápido, uma vez que eu já estava mais de meia hora atrasada do horário combinado. Eu ainda estava dentro do carro, abrindo a porta para sair quando meu celular vibrou no bolso do casaco. Sorri ao ver o nome do motivo dos meus suspiros piscando no visor.

- Oi Edward. – respondi ao atender.

- Bella... você já está vindo?

- Estou na frente da sua casa. – disse sorrindo.

- Está? – perguntou do outro lado da linha.

Estava prestes a confirmar quando vi a porta da mansão Cullen se abrir e um Edward sem camisa surgir no meu campo de visão. De repente a minha boca estava seca e comecei a hiperventilar.

Santo Deus! Como poderia existir alguém tão lindo assim? A beleza de Edward era tão ultrajante que por muitas vezes me peguei imaginando como ele estaria daqui a alguns anos. Se com vinte e um anos ele me deixava sem fôlego, não quero nem pensar na minha reação no auge dos seus vinte e cinco, vinte e seis anos.

Será que estaríamos juntos? Eu sinceramente espero que sim e nem quero imaginar essa não possibilidade porque só de pensar nisso meu coração falhou uma batida. Minha vida sem Edward não teria sentido e eu não acredito que seria feliz se não for ao lado dele.

Repreendi-me por permitir que esses pensamentos me inundassem e os expulsei, focando-me na figura masculina parado em pé, na entrada. Ele sorriu, o meu sorriso favorito resplandecente desenhado em sua face, ainda com o telefone na altura do ouvido. Percebi que eu também ainda estava com o meu.

- Você está demorando muito para chegar. – ele disse. Sua voz ecoando através do celular, mas perfeitamente audível a poucos metros de mim.

Edward tirou o celular do ouvido e o ergueu. Sorri, saindo finalmente do carro com a sacola de roupa na mão, fechando a porta, soltando o ar que eu nem havia percebido que estava prendendo. Meu sorriso era tão grande que por um segundo me perguntei se a minha devoção por Edward era tão óbvia a ponto de me deixar tão boba. Ok, não boba. Só apaixonada. Muito apaixonada. Ofegando de ansiedade caminhei a passos largos, ignorando o frio e sem me preocupar em tropeçar e cair. Eu só queria chegar ao meu objetivo.

Mesmo tentando sustentar o meu olhar no de Edward, não pude evitar desviar, no entanto, para a visão que era o seu tórax perfeito, os poucos pêlos que ali se encontravam formando uma linha que descia do peitoral, passando pelo abdômen e se perdendo por dentro da bermuda preta que ele usava.

Estava subindo os últimos degraus quando de repente tropecei, mas antes que eu pudesse alcançar o chão, duas mãos fortes impediram a humilhante cena, o toque na minha pele provocando um batimento errático em meu coração. Incrível como essa corrente elétrica que havia entre nós nunca se dissipava.

Ele me pegou firmemente e me abraçou. Minhas mãos tocaram as suas costas e eu percebi que ele estava... suado?

- Você está suado? – deixei minha curiosidade falar mais alto.

Ele sorriu e se afastou, passando a mão pelo meu rosto, em seguida seus olhos verdes pararam nos meus.

- Estava me exercitando enquanto você não chegava. – disse a voz baixa e musical, alisando o meu cabelo. Depois que Emmett começou a trabalhar, tendo apenas as noites livres para namorar a minha irmã, resolveu montar uma pequena academia em casa. Edward me falara que vez em quando dava um pulo por lá. Hoje parecia ter sido um desses dias.

- Hmmm... – murmurei.

- Não se preocupe, vou tomar banho. – declarou, apertando a ponta do meu nariz.

- Não está me incomodando. Você continua cheirando bem. – analisei. Não estava falando nenhuma mentira. Mesmo suado, Edward continuava com o seu característico cheiro almiscarado.

- É mesmo? – inquiriu, juntando as sobrancelhas, dando aquele sorriso torto que me deixava olhando para ele como uma idiota.

Antes que eu pudesse falar alguma coisa, senti novamente o frio encrespar a minha espinha, me arrepiando. Edward percebeu.

- Vamos. Está muito frio aqui fora. – falou, depositando a mão nas minhas costas, me guiando para o interior da casa.

Assim que entramos para o quente, Edward fechou a porta de vidro atrás de mim.

- Melhor? – perguntou, ajudando-me a tirar o casaco.

- Muito. Lá fora está de congelar. – reclamei. Edward sorriu.

- Vamos subir? Mesmo você dizendo que eu continuo cheirando bem, eu realmente preciso de um banho. – falou pegando a minha mão, enquanto caminhávamos, com a outra ele segurava o meu casaco.

- Sim, precisa. Mesmo cheirando bem não quero ser abraçada por um corpo suado. – brinquei.

Edward parou de caminhar e se virou para minha frente, sua boca se contraindo em um meio sorriso ao mesmo tempo em que ele olhava para as nossas mãos entrelaçadas. Ele se aproximou perigosamente perto para a minha sanidade, deixando os nossos rostos a poucos centímetros de distância quando finalmente me olhou nos olhos e murmurou:

- Você não devia ter dito isso. – e me pegou no colo, correndo em direção as escadas como se tivesse carregando o objeto mais leve do mundo.

- Edward, me põe no chão! – implorei, rindo.

Numa velocidade quase inumana chegamos ao andar superior, no seu quarto mais precisamente. Edward fechou a porta com o pé, em seguida me colocou deitada com as costas em sua cama e lançou-se sobre mim, sustentando-se para eu não sentir seu peso. A sacola que eu segurava caiu no chão enquanto eu tentava ignorar a perfeição que era o seu abdômen enquanto ele me encarava.

Mas era inútil. Eu sempre escorregava.

Meus olhos vagaram sem a minha permissão para o seu corpo. Deliberadamente, passei a mão suavemente pelos músculos perfeitos do seu peitoral, sentindo maravilhada a textura máscula e lisa da sua barriga. Percebi Edward estremecer com o contato, mas não parei o que estava fazendo. Ergui a cabeça a tempo de ver seus olhos se fecharem.

Desci meus olhos, continuando meus movimentos, passeando com meus dedos pelos contornos dos seus braços firmes. Notei que também estava tremendo. Era tão bom estarmos assim, tão próximos como agora, embora momentos como esse provocassem em mim uma espécie de dor de física inexplicável. Sem falar do rastro de queimação que iniciava na ponta do pé, e só terminava no meu fio de cabelo. Todos os lugares que Edward me tocava, qualquer contato da sua pele com a minha, era como um choque no meu sistema.

- Continua não querendo ser abraçada pelo meu corpo suado? – perguntou, com a voz baixa. Seu hálito doce e delicioso perturbando meu processo de pensamento. – ergui novamente meus olhos, vendo os dele de repente me fitando intensamente.

- Não. Não me importo. – minha voz parecia estranha.

- O que você está pensando? – perguntou-me.

“Em você, em mim, em nós dois”. Pensei em responder, mas continuei o encarando, assim como ele fazia. Passamos um longo minuto assim, ambos sem ao menos piscar os olhos. Percebi sua íris ainda mais verde, me hipnotizando. E ao invés de responder alguma coisa, desviei meus olhos para os seus lábios, vendo-os carnudos, vermelhos, tão convidativos. Mordi meu lábio inferior e levei as minhas mãos até a sua nuca, puxando-o para fazermos o que ainda não tínhamos feito desde que cheguei. Porque definitivamente não conseguia ficar muito tempo longe de seus lábios.

Quando o beijo se expandiu, e as nossas línguas eram sedentas, gemi contra a boca de Edward que pressionou o aperto da sua mão na minha cintura, sua ação fazendo-me puxar com força os cabelos em sua nuca. Agora era ele quem gemera.

Sua boca foi descendo, trilhando um caminho lento e torturoso pelo meu queixo, passando pelo pescoço até parar no meu ombro. Edward mordeu de leve o local e se afastou, saindo de cima de mim.

Ai Edward! Por que parou?

Olhei para ele frustrada, que tinha uma expressão divertida no rosto.

- Castigo por reclamar do meu suor. – disse ele tirando os tênis dos pés. Franzi o cenho.

- Pensei que eu tivesse dito que não me importava mais. – falei, me sentando na cama, observando Edward guardar a sacola que eu trouxera em seu closet.

- Tarde demais. – disse, fechando a porta e vindo até mim. – A primeira resposta é a que vale. – prosseguiu e me beijou de leve nos lábios, em seguida caminhou para o banheiro.

- Isso tem troco, Edward. – falei um pouco alto para que ele pudesse escutar. Apenas ouvi sua risada gutural.

Suspirei e tentei recuperar o fôlego que havia se perdido minutos atrás. No segundo seguinte ouvi o chuveiro ser ligado e o barulho da água caindo no piso. Tirei meu par de tênis, deixando-os no chão, e estiquei-me, estendendo o meu braço até o sofá ao lado da cama para tentar pegar o controle remoto da televisão. Mas não consegui e tive mesmo que me levantar para pegá-lo. De volta à cama e com o controle na mão, passei os canais e parei em um cuja imagem do Ryan Reynolds chamou-me a atenção. Era um filme que eu já tinha assistido, que eu gostava bastante por sinal. Apenas Amigos. Não demorou e eu já estava soltando altas gargalhadas.

Ouvi uma batida na porta.

- Posso entrar? – a voz suave de Esme ecoou no corredor.

- Entre Esme. – respondi.

A figura baixa e esguia da minha sogra se revelou pela porta. Ela sorria enquanto seus olhos quentes me fitaram. O rosto sempre com o semblante amável estampado.

- Bella, querida. – disse, se sentando na ponta da cama. Estiquei meu corpo para frente e a abracei.

- Está de saída? – perguntei ao perceber as roupas que ela vestia. Não que ela andasse desarrumada dentro de casa, muito pelo contrário. Mas era perceptível que ela estava vestida para sair.

- Sim. Tenho um encontro com duas clientes agora. – respondera.

- Uau, Esme. Você está sendo muito requisitada. Não pensa em abrir definitivamente uma empresa de decoração?

- Tenho conversado com Carlisle e ele acha que eu deveria considerar essa idéia. Até conversei ontem com a sua mãe, já que ela abrira uma recentemente com a Sra Weber. Por enquanto vou fazendo uma festa aqui, decorando um casamento ali, mas venho pensando muito nisso. Vamos ver lá na frente, no que vai dar.

- Do jeito que as coisas vão, tenho certeza que não vai demorar para que isso aconteça. Suas flores são lindas e o seu trabalho é perfeito Esme! – disse sincera, acompanhado de um sorriso.

- Oh, querida. Fico lisonjeada vindo de você. – declarou, segurando a minha mão.

A porta do banheiro de repente se abriu e um Edward só de toalha passou por ela.

Oh. Definitivamente ele queria me matar.

- Já vai sair? – perguntou Edward à mãe ao mesmo tempo em que caminhava até o closet.

- Sim. – respondeu ela, se levantando. – Marquei um almoço agora com uma cliente, e logo depois terei um encontro com outra. Provavelmente chegarei tarde em casa. Não me preocupei com o jantar porque sei que sairão hoje à noite.

- Não, não se preocupe mãe. Vamos jantar fora. – ele respondeu, se virando para piscar o olho para mim. Em sua mão estava algo que identifiquei como um calção vermelho.

- Seu pai e eu também vamos sair para jantar. – disse Esme.

- É? Quem sabe não nos encontramos no mesmo restaurante? – perguntou Edward voltando ao banheiro.

- Não. Não queremos atrapalhar os dois. Hoje é um dia especial para vocês. – disse Esme um pouco alto para que ele escutasse do banheiro.

- N-não vai atrapalhar. – murmurei, surpresa por conseguir encontrar a minha voz após a visão de Edward com os cabelos molhados usando apenas uma toalha enrolada na cintura.

Só de toalha.

Sacudi a cabeça porque esse pensamento não ia me ajudar.

- Ainda assim, prefiro que não nos encontremos. Talvez Carlisle e eu vamos esticar a noite em algum lugar. Sabe como é. – ela praticamente sussurrou a última parte, soltando uma piscadela. Só então entendi o que ela quis dizer e arregalei os olhos.

Sorri tímida e por um momento me senti idiota por ficar envergonhada com esse comentário.

Poxa, isso é o que todos os casais do mundo fazem, certo?

Errado.

Todos os casais menos eu e Edward.

Tudo porque eu ainda era virgem e nem tinha idéia de quando estaria finalmente preparada para tal.

Quando sabemos que estamos preparadas? Por que eu não recebo um sinal?

Sei que isso soa clichê, e assim como Edward me dissera um dia, eu também não queria que fosse de qualquer jeito. Quero que seja especial, inesquecível. Tanto para mim quanto para ele. Nós tínhamos alguns passos parar dar antes de finalmente darmos o passo final. Disso eu tinha certeza. Mas eu precisava, por exemplo, parar de fantasiar em como seria o pênis de Edward. Pensamento esse que me consome há dias e só em pensar na minha reação ao ver pela primeira vez, eu ficava completamente apavorada.

Droga. Eu queria agir normal. Mas conhecendo-me como conheço sei do risco de isso não ser possível.

- Bella? – ouvi a voz de Esme chamando-me. Sai de meus devaneios percebendo que Edward já estava no quarto, vestindo apenas o calção vermelho, sem camisa e descalço, ambos olhando para mim.

- Oi? – respondi.

- Tudo bem? Chamamos você algumas vezes, mas não respondeu. – dissera Edward.

- S-sim. Só me distraí um pouco. – murmurei, envergonhada. Edward sorriu torto, em seguida olhou para baixo. Será que ele sabia o que eu estava pensando?

Oh, droga. Eu preciso ser mais cuidadosa.

- Bom... estou indo antes que me atrase. Tenham um bom dia e, claro, uma ótima noite.

- Obrigada, Esme. Você também. – eu disse, lançando-lhe um sorriso.

- Obrigado, mãe. – falou Edward, dando-lhe um beijo na testa. Incrível como ele era bem mais alto que ela. – Boa sorte com as clientes.

Ela sorriu e em seguida saiu, nos deixando novamente sozinhos no quarto.

- Posso saber por que você tanto ria enquanto eu estava no banho? – perguntou Edward se aproximando da cama, apoiando as duas mãos em cima do colchão em cada lado do meu quadril, se inclinando para frente deixando nossos rostos novamente a poucos centímetros de distância.

- D-do filme. – respondi, mordendo meu lábio inferior. A minha coerência estava no nível abaixo de cinco.

Edward virou a cabeça para trás, para olhar o filme na tela. Seus cabelos ainda estavam molhados e o cheiro do shampoo masculino perfurou violentamente as minhas narinas, assim como o cheiro característico do seu corpo.

- Ryan Reynolds, han? – perguntou ao voltar-se para mim.

- Hmmm... é. – balbuciei.

- Você o acha bonito, Isabella? – Por que o meu nome inteiro na boca de Edward soava tão... sexy?

Sexy? Eu realmente pensei isso?

Sim, eu pensei, porque é exatamente isso que ele é.

- Sim. – murmurei. – Mas você é mais bonito que ele. – completei sem pensar duas vezes. Para mim Edward era o homem mais lindo do mundo.

Ele sorriu e fitou os meus lábios. Engoli em seco.

- Você me acha bonito, Isabella? – indagou, cerrando os olhos para mim.

- Você sabe que é. – sussurrei.

- Eu sei que sou... – ele reprimiu um sorriso. Em seguida abaixou a cabeça, beijando o meu pescoço.

- Quanta modéstia. – tentei soar sarcástica, porém meu murmúrio denunciava a minha fragilidade diante dele.

Por reflexo, inclinei o meu pescoço para dar-lhe acesso. Seus beijos eram lentos, e eu não pude evitar arfar com o contato de seus lábios na minha pele que a essas alturas estava borbulhando de calor. Em pensar que meia hora atrás eu estava tremendo de frio.

- Você que é, Bella. Perfeitamente linda. – sussurrou próximo ao meu ouvido.

Edward suspirou e se afastou de novo, mas dessa vez não saiu de perto de mim. Rolou de lado, deitando-se ao meu lado na cama e puxou para deitar-me com a cabeça em seu peito, beijando a minha testa.

- Não tivemos muito tempo para conversar ontem. Quando sai as notas das suas provas? – perguntou afagando meu braço com uma mão, e com a outra pegava o controle remoto da televisão para ver os canais.

- Ugh. Nem me lembre. Estou com medo de ter levado pau em física. – declarei aconchegando-me no peito de Edward, meus lábios na altura de seu pescoço.

Permanecemos deitados abraçadinhos um longo tempo enquanto falávamos sobre nossas atividades e sobre os mais variados assuntos do dia-a-dia. Quanto mais conversávamos, mais eu conhecia um pouco sobre Edward. Havia muitas coisas que eu ainda não sabia sobre ele e que eu não fazia idéia, como a sua paixão por cachorros por exemplo. Ele me falou que está tentando adotar o que eles usaram na peça, para que ele não tivesse de voltar para um abrigo de animais. Fiquei muito feliz com a sua atitude e confessei que sempre tive vontade de ter um cachorro, mas a mamãe nunca quis que criássemos um dentro de casa.

- Sério? Ela não gosta de cachorros? – perguntou-me enquanto fazia um carinho na minha cabeça.

- Não é que ela não gosta. Ela diz que dá muito trabalho e deixa a casa fedendo. – disse sorrindo.

- É só criar um canto para ele ficar e adestrá-lo. Uma vez adestrado ele não vai fazer as necessidades dentro de casa. – explicou.

- Eu sei. O difícil é convencê-la. – bufei.

- Você ainda gostaria de ter um? – me inquiriu.

- A minha mãe não vai deixar. Não adianta. Desde que morávamos em Santa Mônica que eu pedi para ter um. Até já desisti da idéia. – dei de ombros.

- Certo. Mas... e quando você sair de casa? – continuou.

- Hummm. Não sei. Nunca pensei nisso.

- Em que? Sair de casa ou ter um cachorro quando sair de casa? – questionou-me.

- Nos dois. – sorri. – Na verdade já pensei em morar só, quando meus pais resolveram se mudar para Sacramento, e quando pensava sobre a Universidade. Mas nunca pensei muito sobre isso.

- Hmmm. – murmurou Edward, não precisava olhar em seu rosto para perceber que ele estava pensativo.

- Por quê? – perguntei.

- Hmmm... nada, quer dizer... lembra quando conversamos outro dia, no restaurante, sobre estudarmos na Universidade de Sacramento?

- Sim. Eu nunca vou esquecer aquele dia. – declarei melancólica, de repente assaltada por recordações.

Edward parou de fazer o carinho na minha cabeça e segurou o meu queixo, puxando-me levemente para olhá-lo, se inclinando para baixo para depositar um beijo em meus lábios.

- Eu também não. – disse ele, em seguida. – A propósito, eu amo você.

Meu coração disparou e as borboletas dançavam frenética no meu estômago. Era tão bom ouvir isso.

- Eu também amo você. – declarei. Porque assim como ouvir, falar também era muito bom. Era libertador.

Sorrimos e voltamos à mesma posição, com Edward continuando a fazer carinho na minha cabeça.

- Como eu estava dizendo, pensei bastante sobre aquela nossa conversa nesses últimos dias. – prosseguiu Edward.

- Pensou? Você está querendo fazer alguma mudança? – inquiri.

- Na verdade sim.

- E qual seria?

- Bella, você já pensou em voltar a morar Los Angeles?

- Antes de conhecer você, sim. – confessei. Isso era uma grande verdade. Mesmo quando namorava Mike, desejava que minha família pudesse voltar a morar lá novamente.

Edward sorriu e beijou o topo da minha cabeça.

- Eu agradeço todos os dias pelo meu pai ter conseguido esse emprego e eu pude então te conhecer.

- Não foi por acaso, Bella. Nos conheceríamos de alguma forma.

- Eu sei. Eu também sinto isso. Mas sabe... às vezes me pergunto como seria se a minha família não tivesse se mudado para cá. Não estaríamos juntos aqui, agora.

- Nunca se sabe. Talvez tivéssemos nos conhecido antes.

- Hmmm. É... nunca se sabe. – murmurei contemplativa.

- Mas vamos parar de fazer suposições sobre o que poderia e o que não poderia ter acontecido. O que importa é que estamos aqui, e agora.

- Você tem razão. Me desculpa, prossiga.

- Eu até esqueci o que estava falando. – disse Edward sorrindo contra o meu cabelo.

Sorri junto com ele.

- Você tinha me perguntado sobre voltar a morar em Los Angeles.

- Oh, sim, isso. Bem... como estava dizendo, eu pensei esses dias em talvez mudarmos nossos planos.

- E quais seriam essas mudanças e onde Los Angeles entra na história? Você está pensando em tentar alguma Universidade lá? Morar lá? – perguntei várias coisas ao mesmo tempo.

- Calma, linda. Respira. – brincou Edward. – Sim. Estive pensando em não estudarmos mais aqui. Poderíamos tentar a UCLA, a USC. Isso se você quiser abrir mão do Espejo.

- Eu gosto de lá. – comentei.

- Eu também. Você sabe, poderemos entrar em qualquer escola de teatro. Esse não seria o problema. O problema seria conciliar com os estudos. Universidade é diferente de escola, Bella. Haverá dias em que teremos de ficar lá integralmente. – lembrou Edward.

- É, eu sei. Os estudos nos consumindo. – falei.

- Exato. – concordou.

- E se passarmos nessas que você citou, teremos que nos mudar para lá, conseqüentemente.

- Exato. – repetiu Edward.

- E como seria se formos aceitos? Onde iríamos morar? Alojamento? – perguntei ao lembrar. Pelo menos cursando na Universidade de Sacramento eu teria a minha casa, moradia não seria uma preocupação e ainda continuaria perto da minha família.

- Não, alojamento não. Er... bem, eu pensei que poderíamos morar juntos.

Parei de respirar.

- Morar juntos? Tipo... só você e eu? – inquiri, vacilante.

- Sim. – respondeu Edward, hesitante. De repente ele parou de fazer o carinho no meu cabelo.

Nesse momento, lembrei-me de uma conversa que tivera com Mike há algum tempo atrás. Ele tinha planos de ir para Dartmouth, e eu pensei, na época, na possibilidade de ir também. Ele fizera a mesma proposta que Edward, de morarmos juntos. A idéia para mim foi repugnante. Imaginar Mike e eu, vivendo sob o mesmo teto, como se já fôssemos marido e mulher não era algo que me agradava. Mas agora, me imaginando sob a mesma condição, mas com Edward ao invés de Mike, era totalmente diferente.

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Minha imaginação vislumbrou um futuro próximo onde Edward e eu vivíamos juntos dentro de uma casa. Íamos à aula juntos, fazíamos compras, dividíamos os afazeres domésticos, como cozinhar, acordando e dormindo na mesma cama...

Se eu deixar minha imaginação vai longe.

Mas como eu iria aceitar morar com Edward, viver como se fôssemos marido e mulher se nem sexo tínhamos feito ainda?

Bem... ir para a Universidade não era uma coisa que faríamos amanhã. Antes eu ainda tenho que terminar o Ensino Médio. Eram planos só para o segundo semestre do ano que vem. Muita coisa para rolar ainda. Sexo, seria uma delas. Porque não íamos esperar por mais oito meses. Ou íamos?

- E então? – perguntou Edward quando continuei muda. Muda com as palavras, claro. Porque em pensamento... Minha mente estava nesse momento a duzentos e vinte volts.

- Já pensou na reação do meu pai quando souber disso? – sorri, lembrando do dia em que meu pai quase surtou quando soube que dormimos juntos na casa de praia.

- Er... não. Esqueci totalmente de Charlie. Você acha que ele poderia implicar? – perguntou preocupado.

- Acho que não, quer dizer, não sei. Meu pai é muito imprevisível. Ele tem aquele jeitão, e ao mesmo tempo ele é tão bobo, brincalhão, sem se importar com nada. Além do que ele gosta muito de você Edward, você sabe.

Edward se mexeu, saindo da posição que estava. Ele inclinou o corpo de lado, na minha direção, colocando o cotovelo esquerdo na cama. Ele ficou me olhando por alguns segundos antes de voltar a falar.

- Você ainda não respondeu a minha pergunta. Moraria comigo, Bella? – inquiriu Edward, a voz mais macia que seda, me encarando com toda a potência dos seus olhos. Ele sabia o poder que os seus olhos tinham, e o quanto eu me perdia neles com tamanha facilidade. Mas ele não precisava contar com essa arma. Eu já tinha a minha resposta.

- Eu... vou adorar morar com você, Edward. – declarei.

- Isso é um sim? – questionou, arregalando os olhos.

- O que você acha? Sim, sim! Quer que eu desenhe? – perguntei em tom de brincadeira, sorrindo.

Algo brilhou diferente nos olhos de Edward e então ele me abraçou com força. Em seguida nos levantou da cama e começou a me girar no quarto, como se fôssemos duas crianças rindo á toa. Não sabia quem gargalhava mais alto, se era eu ou se era ele.

Caímos os dois com as costas na cama, lado a lado, tontos e vendo tudo girar. As risadas não cessaram até voltarmos ao nosso estado normal. Edward virou a cabeça para o lado e me olhou. Seu semblante era tão sereno, mas havia algo de seriedade naquele olhar.

- O que foi? – perguntei depois de um tempo, querendo saber o que ele estava vendo.

- Nada. – respondeu simplesmente.

- Como nada? Você fica me olhando desse jeito e diz que não é nada? – questionei, virando-me de bruços na cama.

- Nada. Só estava olhando o quanto você é linda, mas isso você já sabe. – ele soltou.

- Eu sei que sou. – repeti as suas palavras de logo cedo.

Edward gargalhou e eu o acompanhei.

- Quanta modéstia! – falou, dessa vez repetindo as minhas.

Estiquei-me e dei um selinho em seus lábios. Mas beijar Edward era tão viciante que não me contive e aprofundei o beijo em seguida. Só paramos porque ouvimos o maldito barulho do meu estômago.

- Está com fome? – perguntou, tirando os fios de cabelos que caiam pelo meu rosto, colocando-os atrás da minha orelha.

- Na verdade sim. – respondi.

- Bella, você comeu hoje? – indagou Edward.

Neguei com a cabeça.

- Já falei que qualquer dia você vai pegar uma fraqueza por pular o café-da-manhã. – disse se levantando, puxando-me pela mão. – Vem, vou preparar algo para almoçarmos.

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Estava sentada à mesa, com Edward colocando macarronada na minha boca enquanto ríamos e nos lambuzávamos com o molho, quando Jasper entrou na cozinha. Na mesma hora me lembrei de Alice. Quando estou com Edward perco a linha de pensamento que até esqueci-me de sondar sobre o seu irmão gêmeo.

-Hey, Bella. – cumprimentou-me com um sorriso. Era tão estranho Edward ter um irmão gêmeo que ao mesmo tempo não parecia nada com ele. Jasper era bonito, devo dizer, mas não mais que Edward. Porque, como já disse, para mim o meu namorado era o homem mais lindo que já existiu.

- Oi Jasper. Vai almoçar com a gente? – perguntei, limpando a minha boca com o guardanapo.

- Bem que gostaria, mas estou atrasado. Tenho uma prova de segunda chamada hoje. – disse abrindo a geladeira, pegando a caixa de suco de uva.

- Aquela de Direito Penal II que você perdeu? – perguntou Edward a ele.

- Essa mesmo. Se eu não fizer hoje ficarei sem nota. – falou, colocando o líquido no copo, bebendo em seguida.

- Você é bom em Penal, aposto que vai tirar de letra. – incentivou Edward.

- Valeu, Ed. Essas provas são cansativas, já vi que vou passar umas quatro horas respondendo. – falou colocando o copo vazio na pia. – Vou indo antes que me atrase. A casa é de vocês.

- Tchau Jasper, boa sorte. – falei.

Ele sorriu e fez sinal com o polegar, saindo da cozinha. Esperei ele passar pela porta de entrada e me virei para Edward.

- Edward. Posso te perguntar uma coisa?

- O que quiser. – ele disse, levando o garfo a boca.

- O que aconteceu com Jasper?

- O que aconteceu? – perguntou, franzindo a testa.

- Sim. Eu sei que há alguma coisa com o passado dele, por isso ele age estranho com Alice.

Edward se engasgou.

Sorri e entreguei-lhe o copo de suco.

Edward bebeu, colocando o copo novamente em cima da mesa. Ele me olhou e suspirou.

- Eu não consigo esconder nada de você. – disse ele.

O que se seguiu me deixou de olhos arregalados e incrédulos.

- Nossa, Edward. Eu... nem sei o que dizer. – murmurei, chocada, após ouvir tudo. – Ele... Jasper não merecia. – disse indignada.

- É exatamente isso que mais o tortura. Ele não fez por onde passar pelo que passou. – disse Edward.

- Mas... ele não pode viver desse jeito. As pessoas são diferentes.

- Ele tem medo.

- Você sabe que a minha prima é apaixonada por ele. – lembrei-o.

- Eu sei. E sinto muito por isso. Eu já conversei com Jasper, mas... eu não sei mais o que dizer a ele.

- Precisamos fazer alguma coisa, mas eu não quero contar a Alice. Ela precisa saber, mas queria que soubesse pelo próprio Jasper. Que ele se abrisse para ela. Eu a conheço, ela iria ajudá-lo.

- Jasper não vai contar isso a ela, Bella. Ele nunca contou isso para ninguém. – disse Edward, triste.

- Vamos dar um jeito. A ceia de Natal pode ser uma grande oportunidade para tentarmos juntar os dois, criar uma situação, não sei. O que sei é que precisamos fazer alguma coisa, mesmo que seja para fazer os dois apenas amigos. Nem isso mais eles são. Você viu ontem.

- Eu vi. É uma pena que tenha chegado a esse ponto. Terminou? – perguntou Edward se referindo ao almoço.

- Sim. – respondi, ajudando-o a tirar a mesa.

Tentamos bolar uma idéias para fazer Jasper e Alice se aproximarem durante a ceia de Natal enquanto usávamos a máquina de lavar louças. Sabemos que não será fácil, uma vez que Jasper não se abre nem se dá uma chance, mas não custava nada tentar.

Após uma cozinha limpa, subimos novamente, porém, antes, Edward trancou a porta de entrada para nos manter seguros, já que não havia ninguém na casa. Por mais que os roubos fosse praticamente nulos nessa região, não abusaríamos da sorte.

Entramos no quarto e Edward se jogou na cama, ligando novamente a TV. Deitou com as duas mãos atrás da sua cabeça, que estava por cima do travesseiro.

- Bella, por que você não tira esse jeans? – perguntou de repente, seu tom era informal.

- Como? – perguntei, sem entender.

- Sua calça. – ele hesitou por um momento. – Por que você não tira?

- E ficar só de... calcinha? – indaguei, meu coração de repente batendo irregular.

- Não! – exclamou. – O que eu quis dizer é – fez uma pausa –, você não trouxe nenhuma outra roupa além da que usará quando sairmos?

- Hum... não. – respondi.

- Você não quer ficar mais à vontade? Poderia usar alguma coisa minha. Uma bermuda, não sei.

- Sério? – perguntei, com um meio sorriso, franzindo a testa.

- Eu estou falando sério, Bella. – dessa vez fora ele quem sorriu. – Eu queria que você vestisse algo que a deixasse mais a vontade quando estivesse aqui. Como as que você usa na sua própria casa.

- Ah. – murmurei, sem saber exatamente o que dizer. Sim, eu queria realmente tirar essa calça jeans apertada. Mas... usar algo de Edward?

- Foi só uma sugestão. – disse ele, dando de ombros.

- Não, tudo bem, eu... bem... acho que vou aceitar sua proposta. Esse jeans está mesmo me apertando.

- Como imaginei. – disse ele, se levantando.

Edward caminhou até o closet, demorando por lá enquanto procurava alguma peça. Na certa estava tentando encontrar algo que coubesse em mim. O que seria uma tarefa difícil, uma vez que Edward era bem mais alto e eu era muito magra.

- Achei. – falou, tirando algo dentro de uma gaveta. – Está pequeno em mim, talvez não fique tão grande em você. – disse e entregou-me.

Abri a peça com as duas mãos, verificando que tratava-se de um calção. Parecido com o que ele usava agora e com os que usara quando estávamos em Long Beach.

- Hum... obrigada. Vou... er... me trocar. – falei, rumando ao banheiro.

Levei o calção ao nariz e inspirei o cheiro de Edward. Era tão bom. Agora ficaria impregnado em mim depois que eu vestisse. Tirei o jeans e o coloquei, olhando no espelho como ele não havia ficado tão grande assim.

Peguei minha calça jeans e voltei para o quarto.

- Hummm. – murmurou Edward, olhando-me de cima a baixo.

- O que? – perguntei.

- Nada. Só olhando como você ficou bem com uma roupa minha. – declarou, voltando a olhar para cima, na direção dos meus olhos.

Sorri lembrando a noite anterior, quando ele olhou para as minhas pernas. Joguei a minha calça no braço do sofá, sentando-me nele em seguida.

- Nossa, estou me sentindo gorda. – refleti.

- Você nem comeu muito. – disse ele.

- Comi sim. Você me obrigou, dando-me na boca. – comentei sorrindo.

- Será assim sempre que não tomar café. – disse ele. – Vem cá, vem. – chamou-me esticando um braço.

- Está tão bom aqui nesse sofá. – falei, jogando a minha cabeça para trás, fechando os olhos.

Quando pensei em abri-los, já estava sendo levada para a cama.

- Calma, eu vou me deitar. – falei sentando-me com as pernas cruzadas em cima da cama. – Me dê apenas um minuto para descansar. Minha barriga está cheia.

Edward se sentou também, suas costas na cabeceira da cama. Senti as suas duas mãos entrelaçando a minha cintura, puxando-me para ficar sentada no meio de suas pernas. Joguei a minha cabeça para trás, deitando-a em seu ombro.

- Aonde vamos essa noite? – perguntei, de repente curiosa.

- Jantar. – ele disse, acariciando o meu cabelo.

- Eu sei que vamos jantar. Mas onde? Só não vale dizer que é num restaurante. – comentei, rindo.

- Hey, você pegou minha resposta. Era isso que eu ia dizer. – disse ele, rindo.

- Edward! – exclamei.

- Bella, não estrague a surpresa.

- Não quero estragar. É só que é ruim não saber.

- Você vai saber. Mais tarde. – disse, beijando de leve o meu pescoço.

Bufei e voltei a minha atenção para a TV.

- Sabe, nós não desejamos ao outro um feliz aniversário de mês de namoro. – falou Edward quebrando o silêncio.

Eu ri.

- Feliz aniversário de mês de namoro, Edward.

- Feliz aniversário de mês de namoro, Bella. – sorriu.

Edward inclinou a cabeça para frente, e eu sabia o que ele pretendia fazer, então virei a minha de encontro a sua e nos beijamos. De leve, apenas escovando nossos lábios.

- As pessoas comemoram aniversário de mês de namoro? – perguntei.

- Não sei. Talvez? Bem, comemoraremos todos os meses. – disse ele.

- Não no mês que vem. Você não estará aqui. – comentei com a voz baixa. Não que eu quisesse trazer um pouco de tristeza nesse momento, mas isso era um detalhe que infelizmente não poderíamos evitar.

- Eu sei. E eu sinto muito. – falou Edward voltando a mexer no meu cabelo, seu tom de voz soava triste.

- Tudo bem, já conversamos sobre isso. Não vamos falar disso agora. – pedi.

- Sabe, às vezes fico pensando, só namoramos há dois meses e nos conhecemos há mais de três, mas a sensação que tenho é que namoramos há anos. – declarou Edward, mudando de assunto. Agradeci mentalmente por isso.

- Também sinto isso. – concordei, contraindo minha boca num sorriso. Pensava da mesma forma.

- Faremos uma grande festa quando completarmos um ano juntos. – disse ele.

- Claro que faremos. É o seu aniversário, esqueceu? – perguntei.

- Com certeza não. Esta data tornou-se a mais importante para mim. Não por ser o meu aniversário, mas por ser o dia em que tudo começou entre nós dois.

- O dia do meu aniversário também se tornou importante. Não por ser a data em que completo idade nova também. Mas por ser o dia em que nos conhecemos. – revelei.

Edward abraçou-me por trás e beijou a minha cabeça, fechei os olhos com o contato. Não precisávamos falar nada. Nem sempre palavras precisavam ser ditas. Ambos sabiam o que o outro sentia.

Não poderia prever o amanhã, mas eu tinha plena convicção que é nesses braços que quero estar pelo resto da minha vida.

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Se qualquer pessoa que mexia em meu cabelo me dava vontade de dormir, imagina quando eram as mãos de Edward fazendo isso.

- Vou dormir desse jeito. – sussurrei.

- Não está gostando? – perguntou, continuando a mexer no meu cabelo.

- Claro que estou. Por isso que estou prestes a dormir. Está tão bom.

- Então aproveite e fique quieta. – não precisava olhar para saber que ele estava rindo.

- Sim senhor. – falei sorrindo.

Fechei os olhos, aproveitando seja lá o que Edward fazia no meu cabelo, quando enfim me dei conta.

- Você está tentando fazer uma trança, é isso? – perguntei.

- Como você sabe? – questionou ele.

- Porque dá para perceber. Deixe-me ver. – pedi, erguendo a minha cabeça, puxando todo o meu cabelo por cima de um ombro só. – Nossa, Edward que trança horrível! – exclamei ao ver a sua obra, tentando reprimir um sorriso.

- Bella, assim você me ofende. – retrucou ele, numa falsa expressão de ressentimento.

- Vou te ensinar. – falei, lançando-me um pouco para frente.

Soltei todo o meu cabelo, passando os dedos por entre os fios para desembaraçá-los. Meu cabelo estava muito grande, já passando do meio das minhas costas.

- Acho lindo esses cachos nas pontas. – comentou Edward, observando, divertido, os meus movimentos.

- Obrigada. Agora presta bem atenção, é muito simples. Você vai dividir o cabelo em três partes iguais e não em duas, como você estava fazendo. – sorri. – Daí você vai segurar a parte do meio, e vai trazendo as partes laterais para o centro, passando por cima uma da outra. Assim ó. – falei, pegando a parte do lado direito e passando por cima da parte do meio, depois peguei a parte do lado esquerdo e passei por cima das duas outras mechas que já tinham sido trançadas.

- Hummm. Não parece ser difícil. – disse ele.

- Não, não é. Tenta continuar. É só seguir a sequência e alternar as mechas, Edward.

Edward me puxou para trás, aproximando novamente minhas costas em seu peito, continuando o que comecei fazendo.

Automaticamente, como forma de apoio, minhas mãos voaram para as coxas de Edward, mais precisamente para cada joelho, cujas pernas estavam esticadas na cama, enquanto eu continuava sentada no meio entre elas. Minutos depois me peguei alisando de leve o local, fazendo movimentos de baixo para cima em sua coxa. Havia poucos pêlos ali, a concentração era maior abaixo do joelho.

Olhei para a televisão, tentando encontrar interesse no filme que estava sendo exibido agora, mas eu só conseguia pensar em como era bom as mãos de Edward no meu cabelo. Fechei meus olhos, curtindo a sensação de seus dedos por entre os meus fios, que vez ou outra tocavam de leve a minha nuca e as minhas costas. Suas mãos eram divinas, e o contato delas em qualquer parte do meu corpo, por mais simples que fosse o toque, sempre causava um formigamento. Não pude resisti lembrar das duas vezes em que ele me tocou intimamente, recordar as suas mãos se fechando em concha nos meus seios. Senti um calor percorrer todo o meu corpo só com a lembrança e naquele instante não consegui controlar o impulso do meu corpo se arrepiando. Involuntariamente minhas mãos apertaram as coxas de Edward.

Então tudo aconteceu muito rápido.

Edward soltou um gemido baixo. Eu podia sentir a sua respiração no lado direito do meu pescoço agora exposto com o cabelo preso em uma trança que ele havia feito. Me contorci, sentindo novamente um violento arrepio percorrer o meu corpo quando uma de suas mãos, que antes estava no meu cabelo, desceu até a minha cintura, ao mesmo tempo em que ele dava um beijo estalado no meu pescoço.

Mas eu não estava preparada para o que veio a seguir.

Senti algo bater no meu traseiro. Então congelei. Eu sabia o que era aquilo. Era a ereção de Edward muito proeminente, que estava nesse momento pressionando o meu bumbum.

Senti a tensão edificando em mim.

Edward segurou a minha mão, levando-a até a sua boca, mordiscando a minha pele. Sentia o calor cada vez mais crescente dentro de mim, como se estivesse prestes a entrar em combustão. Meu cérebro parecia que ia entrar em curto-circuito. Porque eu não podia ignorar o membro de Edward duro atrás de mim.

Foi então que pensei no quanto eu estava negligenciando suas necessidades. Edward era homem, tinha uma vida sexual ativa antes de mim, e eu não podia tirar isso dele. Ele fez com que eu me sentisse bem por duas vezes, e eu ainda não tinha dado nada em troca. E eu queria fazer isso para ele, como eu queria.

Prendi minha respiração quando senti a sua língua correr pela lateral do meu pescoço indo em direção a minha orelha. Fui ao céu e voltei quando ele a colocou dentro, correndo ao longo das linhas. Gemi, acho que um pouco alto, perdendo a linha de pensamento, apertando mais uma vez as minhas mãos que ainda estavam presas em sua coxa. Em resposta, Edward pressionou o aperto na minha cintura, fazendo com que eu sentisse ainda mais a sua dureza contra o meu bumbum.

Levantei-me, girando na cama para parar de frente para ele.

Sua expressão era séria e seus olhos flamejavam, totalmente intensos perfurando os meus.

Avancei para frente, ficando de joelhos na cama envolvendo os braços em seu pescoço. Logo após isso passei as minhas pernas em cada lado do seu quadril, entrelaçando com elas a sua cintura, sentada agora em seu colo. Nossas intimidades se tocaram através das roupas.

Edward soltou um sussurro e eu tremi com o contato.

Sem fechar os olhos, ele inclinou a cabeça para frente, pressionando seus lábios nos meus. Segurei o seu rosto com as duas mãos e o afastei, olhando-o intensamente. Fechei meus olhos e o puxei novamente para mim, beijando-o com todo o amor que eu sentia. Era tão forte que chegava a doer.

Esse beijo fora diferente de qualquer outro que já havíamos trocado antes. Edward empurrava a sua língua contra a minha, e eu tentava capturar a sua. Ambas urgentes, desejosas, se degustando uma na outra. Suas mãos se deslocavam nas minhas costas e as minhas agarravam fortemente os seus cabelos na nuca. Quando dei por mim, já estava empurrando o meu quadril, roçando nossas intimidades no meio das pernas.

- Bella... você tem noção do que está fazendo comigo? – perguntou contra os meus lábios.

Afastei-me um pouco, parando o que estava fazendo.

- Não. – disse ele. – Não para. Eu quero que você faça isso de novo. – pediu, a voz embargada.

Segurei novamente o rosto de Edward, diminuindo o ritmo do nosso beijo, dando um selinho, antes de afastar nossos rostos.

Mantive nossos olhos conectados. Ainda segurando o seu rosto. Gostava do que via neles. Desejo, fogo, amor. Sorri, acariciando a sua bochecha. Edward fechou os olhos e sorriu também.

- Edward, eu... eu quero te pedir uma coisa. – falei, não perguntei. Minha voz um pouco nervosa. Eu tinha que dar o primeiro passo.

- O que você quer pedir? – seus olhos se abriram, analisando a minha expressão.

Mordi meu lábio, mas não ia desistir agora.

- Eu quero ver, Edward.

Ele franziu a sobrancelha, e ficou me olhando por alguns segundos. Pelo seu olhar, eu sabia que ele não tinha entendido sobre o que eu estava falando.

Arrancando uma ousadia não sei de onde, levei a minha mão até a sua excitação, repetindo minhas palavras anteriores. Edward estremeceu ao sentir a minha mão ali.

- Eu quero ver, Edward. – meu rosto fervia.

Finalmente ele entendeu. Eu podia ver o conflito em seus olhos.

- Bella, você tem certeza? – sua voz era incerta, porém rouca de desejo. Ele não podia me negar isso, negar isso para ele. Mas eu não podia negar o fato de que gostava desse seu jeito de não querer apressar nosso relacionamento físico.

- Tenho, Edward. Eu quero isso. Por favor. Eu quero ver. – pedi mais uma vez, tirando a minha mão de lá, pousando as duas em sua nuca.

Inclinei-me novamente para frente, escovando nossos lábios num beijo rápido, dando minúsculas mordidas em seu lábio inferior.

Minhas mãos desceram até as suas costas, enquanto Edward levava uma de suas mãos para a parte de trás da minha cabeça, e a outra apertava a minha cintura me levando mais para perto, aprofundando o beijo. Ele me segurava com força, nossos quadris se contorcendo em um ritmo lento. Estávamos ficando sem fôlego, e logo precisávamos nos afastar para respirar. Mas nenhum dos dois parecia se importar com isso.

Por mais difícil que seja parar quando nos beijávamos dessa maneira, fiz um caminho com a minha boca até o pescoço de Edward. Na verdade era sempre ele quem fazia isso, mas nesse momento estava tentando empurrar de lado qualquer constrangimento ou timidez e me deixar levar por esses sentimentos que agora me dominavam. E sentir, literalmente, a excitação de Edward claramente evidente, sabendo que eu o deixava assim, despertou em mim algum tipo de coragem.

- Eu vou fazer o que você quer, Bella. – disse ele, me surpreendendo, fazendo-me parar o que estava fazendo.

- O que nós queremos, Edward. Você também quer. – disse em um sussurro, erguendo a minha cabeça para encará-lo.

Sua mão soltou a minha cintura, e acariciou o meu rosto. Ele inclinou-se, dando-me um leve beijo.

- Sim. – sussurrou. – Eu quero – assinalou, sua voz de seda fazendo-me estremecer.

Edward segurou a barra da minha camiseta e a levantou. Ergui os meus braços, facilitando a saída da peça pela minha cabeça. Minha respiração nunca esteve tão pesada.

Ele se afastou, tirando-me do seu colo, e ficou me olhando em silêncio por um momento que mais parecia uma eternidade. Uma emoção desconhecida invadiu todo o meu sistema, provocando em mim um leve tremor. E mesmo com as mãos trêmulas consegui tirar em seguida o calção dele que eu usava, ficando agora apenas de lingerie.

Edward suspirou e pendeu a cabeça para trás. Quando voltou, suas mãos foram até o seu calção. Ele hesitou, sondando a minha expressão, mas não demorou muito tempo para continuar e rapidamente ficou livre daquela peça.

Oh. Meu. Deus!

Arfei vendo Edward de boxer preta, sentado de frente para mim. Cristo! Ele era muito grande! Eu podia ver a protuberância, algo que não foi possível perceber quando estávamos no carro no dia em que fomos pegos pelo policial, pois estava muito escuro.

Eu olhava para ele, tentando sem sucesso conter a minha excitação e o meu entusiasmo. Minha respiração era descompassada e eu sentia as borboletas no estômago extremamente agitadas. Um ligeiro nervosismo me assolou e eu comecei a mordiscar o meu lábio. Minha boca de repente estava seca.

Edward não dizia nada. Eu muito menos. A minha voz ficou perdida em algum lugar desconhecido por mim e me deixou no constrangimento.

Depois do que pareceu uma eternidade, ele pegou a minha mão e a colocou sobre seu boxer. Quase engasguei quando senti pela segunda vez a sua dureza, separada dos meus olhos por um fino tecido. Meus olhos miravam a mão de Edward sobre a minha mão, que acariciava o seu comprimento através do material da cueca. Isso era tão excitante. E por mais que aquela imagem me prendesse, consegui desviar da visão e olhei para ele, cujos olhos me fitavam, intensos.

Eu queria tocá-lo, senti-lo. Queria fazer ele gozar e se sentir bem, assim como ele fizera comigo. Mas eu não conseguia dizer tudo isso, porque por mais que tivesse tendo muita coragem agora, minha timidez ainda era um empecilho.

Então, sem quebrar o contato dos nossos olhos movi minhas mãos até o elástico da sua boxer, puxando a sua cueca lentamente para baixo, torcendo internamente para não tremer. Meu batimento cardíaco disparava em antecipação. Edward me ajudou, movendo-a junto comigo. Quando a boxer chegou em seu joelho, ele se inclinou para frente, e eu recolhi as minhas mãos, enquanto ele se esticava para passá-la pelas pernas.

Agora, ele estava livre da última peça.

Continuei encarando-o, lutando para não olhar para baixo agora. Eu estava com medo. Não de ver exatamente, mas com medo de como eu iria reagir. Edward permaneceu parado, seus olhos faiscavam e eu sabia que ele estava estudando a minha reação. Meu corpo inteiro estava em alerta e preparado. Agora era comigo.

Eu finalmente deixei meus olhos se afastarem dos dele, quebrando o contato visual, e então olhei para baixo.

A minha reação não fora como temia, embora eu não negasse que meus olhos se arregalaram em puro choque ao conhecer a sua masculinidade. Mas não era de vergonha e nem mesmo o rubor me dominou. Se isso era possível, eu estava ainda mais quente e excitada com a visão: Edward sentado com as costas na cabeceira da cama branca, completamente nu, olhando lascivamente para mim. Isso era desnorteante! Como sempre imaginei, seu pênis era grande, grosso e estava proeminente ereto e duro. Meus olhos acompanharam os contornos das veias, fotografando o comprimento que era pálido como a sua pele, mas a ponta era corada, e os pêlos negros que se estendiam pela virilha.

Eu estava paralisada. Sem saber o que fazer ou o que dizer.

Depois de alguns segundos que mais pareceram horas, ergui a minha mão, decidida a tocá-lo. Ao mesmo tempo, Edward elevava a sua, que acabou batendo involuntariamente na minha. Nos olhamos no mesmo instante e compartilhamos uma risada nervosa.

Edward recolheu a sua mão, mas eu não podia permitir que a tensão me dominasse, então, deliberadamente prossegui. Minha mão direita tocou levemente o seu pênis, sentindo a dureza e o calor que provinha dele. Eu continuei parada, sem saber ao certo o que fazer, como fazer. Minha palma capturou um molhado em sua ponta. Curiosa, rocei o meu polegar no local, fazendo Edward tremer e soltar um suspiro. Seus olhos estavam fechados quando o olhei para ele.

- Er... c-como eu... eu não sei o que... – falei, finalmente. Hesitante e gaguejando.

Droga, Bella, não gagueja!

- Não precisa ficar nervosa. – ele sorriu, abrindo os olhos. – Assim. – disse pegando carinhosamente a minha mão, envolvendo a sua por cima da minha. – É só fazer movimentos de baixo para cima. – prosseguiu, me guiando.

- Assim? – perguntei, movimentando levemente a minha mão pelo seu eixo.

- Humm... sim. Pode colocar mais força, Bella. – falou Edward, sua mão ainda por cima da minha.

- E... não vai doer? – perguntei, incerta.

Ele riu.

- Não, Bella. Não vai doer.

Sorri para Edward, voltando a olhar o movimento das nossas mãos que embalavam o seu pênis. Mordi meu lábio, tentando decifrar que tipo de sensação era essa que me dominava e me perturbava só com essa visão. Era tão... excitante.

Um tempo depois, Edward tirou a sua mão, deixando a minha trabalhar sozinha.

- Mmmm. Mais forte, Bella. – murmurou Edward, encostando a sua cabeça na cabeceira da cama.

Comecei a movimentar para cima e para baixo minha mão, colocando mais velocidade.

- Sim, Bella. Porra... assim! – comandou.

Soaria estranho se eu disser que me senti ainda mais excitada em ouvir Edward proferir um palavrão? Eu podia sentir a umidade se acumular entre as minhas pernas só em ouvir o som rouco da sua voz.

- Sim... exatamente assim. – disse Edward novamente.

Olhei para ele, que estava de olhos abertos, observando a minha mão estimular o seu pênis.

— Vê o que você faz comigo? – perguntou retoricamente. Adorava saber que eu desencadeava essas sensações nele. – Ele está assim por sua causa.

Seus olhos encontraram os meus. Ele ergueu a sua mão, tocando o meu rosto numa carícia. Sorri, estremecendo com o seu toque.

- Assim... linda. – murmurou.

Continuei olhando para ele, minha mão ágil após encontrar o ritmo.

- Bella, eu vou... gozar. – anunciara depois de um tempo.

Senti o seu membro ainda mais inchado na minha mão e Edward começou a grunhir palavras inteligíveis, gemendo alto. Seus olhos voltaram a se fechar e ele cerrava os dentes. De repente seu corpo começou a tremer e eu senti algo quente escorrer pela minha mão. Quando olhei para baixo, arregalei os olhos ao ver um líquido branco jorrando potente da ponta de seu pênis, correndo sobre a minha mão e a sua barriga. Continuei estimulando-o, sem mover a minha mão de lá.

Quando o jorro parou, minha mão notou que o pênis dele não estava mais duro, então tirei-a.

Olhei para Edward, que respirava pesadamente, seus olhos fechados, a cabeça para trás, numa posição de relaxamento.

Eu estava maravilhada!

Sem abrir os olhos, Edward puxou-me para seus braços, sufocando-me num abraço apertado. Em seguida, deitou-me na cama, lançando o seu corpo por cima do meu, sua boca capturando a minha quase indelicadamente em um beijo ardente.

- Bella... – me beijou. – Isso foi... – outro beijo. – Nem tenho palavras... – mais um beijo. – Isso foi indescritível. – me beijou novamente. – Obrigado. – completou.

Sorri contra seus lábios, agarrando o cabelo da sua nuca em punho.

Edward me deu um selinho, afastando nossas bocas. Ele me olhou nos olhos, e num tom totalmente rouco, causando um arrepio na minha espinha, anunciou:

- Eu quero fazer em você também. – disse, afastando os cabelos do meu rosto.

Antes que eu pudesse balbuciar alguma coisa, Edward se arrastou pela cama, pegando a sua bermuda jogada no chão. Ele limpou as minhas mãos, meladas com o seu líquido e em seguida limpou a sua barriga, enquanto ríamos juntos. Feito isso, jogou a bermuda novamente ao chão e deitou quase que por cima de mim, seu cotovelo esquerdo apoiado na cama, ao lado direito da minha cabeça, sua perna direita tocando a minha esquerda.

Sua mão livre começou a correr pela minha barriga, que tremeu involuntária. Seus dedos pararam no elástico da minha calcinha, e sem nenhum aviso prévio ele enfiou a sua mão dentro, acariciando lentamente minha intimidade.

- Tão molhada. – sussurrou no meu ouvido.

Soltei um gemido. Não entendia como Edward podia provocar-me apenas com sua voz.

Mesmo excitada e me deleitando com o seu toque, empurrei suavemente Edward de cima de mim, sentando-me na cama decidida a fazer o que pretendia desde o começo.

- Não, Edward. Espere. – falei.

Edward me olhou interrogativamente, franzindo a testa. Sorri para ele, um pouco tímida tenho que confessar. Não podia ignorar que Edward continuava nu, na minha frente. Precisava dizer logo antes que a coragem se esvaísse.

- Eu... vi você, te toquei. – pausei, olhando-o diretamente nos olhos . – Agora é a sua vez... de me ver. – murmurei.

Edward sorriu torto e se inclinou para trás, sentando-se na cama. Seu cabelo era uma bagunça, e uma mecha solta caía pela sua testa. Seus lábios estavam inchados, vermelhos e eu lutei com todas as minhas forças para não olhar para baixo, embora estivesse tentada a isso.

Eu não sabia como fazer isso de forma que parecesse sexy quando na verdade eu era inexperiente e extremamente desastrada. Mas a essa altura, a minha falta de jeito e prática eram o que menos importava. Apenas faria o que tinha de fazer, o que eu queria fazer. O que o meu coração mandava.

E foi com esse pensamento que me levantei da cama, sem quebrar o contato visual, ficando de pé de frente para Edward que observava todos os meus movimentos.

“Isso aí, Bella. Você consegue” – murmurei em pensamento.

Joguei as minhas mãos para trás, só agora percebendo o quanto elas tremiam. Alcancei o fecho do meu sutiã, abrindo-o, em seguida passei as alças pelos meus braços. Ele caiu lento ao chão. Meus olhos nunca abandonaram os de Edward, cujos olhos estavam momentaneamente escuros, porém brilhantes e ansiosos.

E empurrando para longe qualquer partícula de vergonha, segurei a barra da minha calcinha, descendo-a por entre as minhas pernas, tirando a última peça que faltava, expondo para ele a parte de mim que nunca ninguém vira antes.

O rosto de Edward era um vermelho vivo e o pomo de adão subia e descia frenético.

Agora estávamos os dois, pela primeira vez, completamente nus na frente do outro.

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Notas finais
N/A: O que acharam desse finzinho? O negócio esquentou hein!! É muita tensão sexual, my God!!! HUASHUASHUASHUAS

Antes de conversar sobre o capítulo, gostaria fazer um comentário. Como já relatei em capítulos anteriores, e quem me conhece ou me acompanha pelo twitter sabe que ando muito atarefada com a minha vida pessoal. Trabalho o dia inteiro, além de ter tido que arrumar tempo para fazer estágio nas semanas anteriores ao carnaval, estou terminando minha especialização e isso significa estar em processo de elaboração de monografia. Quem já fez ou está fazendo sabe o que estou passando. Então, estou tendo que me dedicar às duas escritas no pouco tempo que me sobra durante a semana, o que me impede de atualizar a fanfic semanalmente como fazia antes. Eu sei que capítulo novo toda semana é o que todo mundo deseja, pois também sou leitora e entendo bem o que é isso. Mas o que quero dizer é que infelizmente não atualizarei os capítulos em tempo ágil como antes porque não quero escrever e postar capítulo de qualquer jeito. Fiquei muito, mas muito chateada e insatisfeita com o capítulo anterior, que não ficou METADE do que eu desejaria que e planejei que ele ficasse. Fiquei tão preocupada em postar logo, porque vi os dias se passando alguns leitores cobrando, que acabei escrevendo de qualquer jeito só para ter atualização e não deixar vocês sem capítulo antes do carnaval. Não farei mais isso, nem com TALVEZ SEJA AMOR, nem com as minhas próximas fanfics e gostaria de contar com a compreensão e a paciência de vocês. Vou atualizar os capítulos o mais rápido que eu puder, mas sem me preocupar com prazos ou cobranças. De coração, faço isso pensando em vocês, porque quero que leiam e terminem a última linha de cada capítulo satisfeitos e com a certeza que eu estou tentando escrever algo de qualidade.

Obrigada por tudo, pela fidelidade e palavras de carinho. Vocês não imaginam o quanto é difícil escrever isso aqui. E o que me impulsiona e me faz chegar em casa tarde da noite, sentar na frente do pc, mesmo cansada, e tentar criar algumas linhas, são VOCÊS! Não existe outro motivo. Vocês não sabem como é gratificante para mim, e para qualquer autor, ler cada comentário, as palavras de apoio e incentivo.

Obrigada mesmo. Por tudo!

Quanto ao capítulo, o que falar? Acho que ele já disse por si só. O relacionamento dos dois cada dia mais forte e mesmo com a distância, se solidificando. Ambos mais apaixonados, mais intensos e mais dependentes do outro. Acredito que já está mais que na hora do contato físico. Edward, apesar de paciente, já não deve estar agüentando tanta tensão, uma vez que ele já é bem experiente e, como a própria Bella diz, sente falta dessa parte do relacionamento. E ela, também, não parece estar querendo esperar mais muito tempo.
E então, façam suas apostas. Quando será que vai rolar???? Huashuashuashuas

Nossa, escrevi muito aqui. Bom... espero que tenham curtido tanto quanto eu. Agradeço mais uma vez e só faço um simples pedido, mas que tem uma grande importância para mim: deixem reviews! Quero saber a opinião de vocês, o que estão gostando e o que não estão. Ficarei imensamente feliz em ler!

Nos vemos no próximo capítulo XDD