Talvez Seja Amor
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Capítulo saindo. Nem demorou tanto assim... rsrs
Nos falamos nas notas finais.
Boa leitura ;)
POV EDWARD
- Tem alguém aí? – perguntou a voz masculina, desconhecida.
Quase como um furacão, Bella saiu de cima do meu colo, se sentando no assento ao lado, pegando desesperadamente as suas roupas que estavam espalhadas.
- Droga. Droga. Droga!!! – resmunguei, frustrado.
Antes que eu respondesse, ou melhor, antes que eu pudesse pensar em alguma coisa, ouvi novamente a batida no vidro do carro.
- Perguntei se tinha alguém aí. Eu sei que tem. Estou vendo o carro se movimentar e posso apostar que ouvi vozes. – falou, seu tom de voz demonstrando irritação.
- Quem será Edward? – murmurou muito baixo Bella, enquanto vestia numa velocidade monstruosa a sua camiseta e subia a calça pelas pernas.
- Não faço a mínima idéia. – sussurrei de volta, levantando o meu jeans.
Quando já estávamos vestidos, Bella calçava o tênis e eu aproveitei para tentar dar um jeito no meu cabelo através do retrovisor, que estava um verdadeiro caos. Não houve jeito, então desisti.
Ao checar se Bella já estava vestida, percebi que seus seios ainda estavam intumescidos através do tecido fino da camiseta.
- Bella, você não vestiu o sutiã. – sussurrei.
- Oh droga, não. Não sei onde está. – respondeu, se abaixando para procurá-lo no tapete do carro.
- Aqui, debaixo de você. – falei quando vi um pedaço dele quando Bella se inclinou, e o puxei. – Veste.
- Abaixem o vidro. Eu sei que tem gente aí. Aqui é da Polícia e essa é última vez que eu vou pedir. – ameaçou.
Bella e eu nos entreolhamos e imediatamente guardei o sutiã lilás, que fazia conjunto com a calcinha que ela usava, no porta-luvas do carro. Enquanto o vidro automático da janela do Volvo descia, a figura do policial parado do lado de fora ia se revelando.
Aparentemente, ele não parecia ter mais de quarenta anos. Estava em seu uniforme negro, distintivo da Polícia de Sacramento de um lado, e do outro, C. Walker escrito. Ao lado dele, a moto da polícia estacionada.
- Já não era sem tempo. – disse secamente, colocando a luz forte da lanterna que segurava no meu rosto. — O que vocês estão fazendo aqui a essa hora?
“Eu estava tendo o maior amasso da minha vida até você chegar e atrapalhar”. Pensei em responder-lhe.
- Perderam a língua? – perguntou novamente quando nem eu, muito menos Bella, que estava tensa ao meu lado, lhe respondemos.
- Er... nós paramos para conversar. – respondi a primeira coisa que veio à cabeça.
- Sabe que não pode ficar parado no acostamento, não sabe rapaz? – inquiriu-me, estreitando os olhos.
- Hmmm sei. É só que...
- Nós estávamos discutindo. – interrompeu-me Bella. – Para não provocar nenhum acidente, ele resolveu parar. – completou para a minha surpresa.
- Discutindo? – perguntou cético, apontando a lanterna para Bella, depois a voltando para mim. Tinha certeza pelo seu tom de voz que ele estava sendo irônico.
- Sim. – disse Bella simplesmente.
- Por que o seu assento está todo atrás? – perguntou para mim.
Tratei de puxá-lo para frente, o colocando no lugar.
- Documento do carro e carteira de habilitação, por favor. – pediu, em tom de ordem.
Estiquei-me para abrir o porta-luvas e assim que o fiz o sutiã de Bella cai.
- O que é isso? – o policial perguntou.
- O que? – questionei calmamente, tentando parecer desentendido.
- Isso que caiu, rapaz. – disse com impaciência.
Olhei para Bella, que fitava o painel do carro totalmente rubra de vergonha.
- Hmm, nada. – respondi.
- Como nada? Deixe-me ver. – exigiu.
Inclinei-me até o piso e peguei o sutiã de Bella, erguendo-a na sua direção. Ele tirou a luz da lanterna do meu rosto, e a colocou no objeto à minha mão.
E então ele riu.
Isso não poderia ficar mais constrangedor e humilhante.
- Discutindo, han? Sei. – disse sarcasticamente. – Documento do carro e carteira de habilitação. – pediu novamente.
Estendi o sutiã para Bella, que o pegou rapidamente da minha mão, jogando-o no banco de trás, e peguei o documento do carro no porta-luvas e a minha carteira, tirando de dentro a minha habilitação. Em seguida entreguei-lhe.
- Edward Anthony Cullen. – disse enquanto lia.
Olhei para Bella, que estava com a cabeça baixa, mas ao notar que eu a olhava, ergueu um pouco a cabeça para me olhar também. Segurei a sua mão, para confortá-la.
- Carro, ok. Habilitação, ok. – disse após vistoriar, devolvendo-me.
Coloquei tudo de volta ao porta-luvas e tornei a olhar para ele.
- Aconselho voltarem para casa. O que acham que estão fazendo? Parando aqui no meio da estrada? Vocês não pensaram que poderiam ser assaltados? Essa rodovia é deserta, quase não passa nenhum carro por aqui.
- Eu estava apenas dirigindo. Não tinha muita noção para onde estava indo. – falei, não dizendo nenhuma mentira.
- Se queriam fazer o que estavam fazendo que fizessem numa garagem, fossem para um hotel, enfim. Já tive a idade de vocês, e sei bem o que é isso. Mas aprendam a controlar os hormônios e escolham melhor o lugar da próxima vez. – disse duramente. – Agora vão.
- Sim, nós... eu vou levá-la em casa. – falei, ligando o carro.
- Não se desculpe. E quando deixar a garota em casa se recomponha antes de encontrar com o pai dela ou quem quer que seja. A sua calça está aberta. – disse antes de se virar e subir na moto.
Instantaneamente desci as minhas mãos até a calça jeans, subindo o zíper e fechando o botão. Assisti o policial acelerar a moto e partir.
Coloquei as duas mãos no volante, tomando uma respiração profunda e soltei-a lentamente.
Virei-me para encarar Bella ao meu lado, assistindo um sorriso se formar no canto de seus lábios. Inesperadamente seu sorriso fraco tornou-se uma risada sonora, e eu tive que rir também.
Que situação!
Ficamos rindo um bom tempo dentro do Volvo ainda parado no acostamento. Incrível como, num minuto, algo tão constrangedor tenha se transformado num surto de risadas no outro. Com toda a certeza, os acontecimentos do dia de hoje ficariam para a história.
- É melhor sairmos logo daqui antes que ele volte. – disse-me Bella, aos risos.
- Você tem razão. – falei passando a primeira marcha. Logo, estava fazendo o retorno, voltando para a estrada.
Bella se esticou para pegar o sutiã que ela havia jogado no banco de trás. De canto de olho, assisti quando ela ergueu um pouco sua camiseta até a altura dos seios. Em seguida, passou o sutiã pelas costas e o pegou de ponta a ponta, fechando os colchetes na frente. Ela girou o sutiã, trazendo dessa vez a parte das taças para a frente e o subiu para cobrir os seios, tendo o maior cuidado para não levantar demais a camiseta. Não resisti e inclinei a minha cabeça para olhar seus movimentos. Com os seios cobertos, tirou a camiseta e subiu as alças de cada braço. Com o sutiã devidamente no lugar, a vestiu novamente.
Eu sorri para a expressão que ela fez quando percebeu que eu a estava olhando.
- O que foi? – perguntou, franzindo uma sobrancelha.
Eu quase gargalhei.
- Nada. – disse, olhando para a estrada. – Você é linda. Cada movimento que você faz é lindo.
Ela apenas sorriu e se acomodou no banco.
- Eu ainda não sei como não percebemos ele se aproximar. Quero dizer, nem o barulho da moto ouvimos. – disse Bella.
- Também não sei. Acho que estávamos tão empolgados que... simplesmente ficamos alheios a tudo.
- Hmmm.... – murmurou. Olhei rapidamente para o lado. Bella de repente parecia pensativa.
- O que foi? – perguntei, tirando a minha mão da marcha, depositando em sua coxa.
- Nada – pausou por um momento –, quer dizer... só umas coisas que eu pensei agora.
- Quer compartilhar? – perguntei, olhando para a estrada à minha frente.
- Na verdade é sobre... você. – disse hesitante.
- Sobre mim? – sorri, franzindo a testa.
- Sim. Posso te perguntar uma coisa?
- Claro que sim, linda. Pode me perguntar o que quiser. – falei, olhando-a brevemente antes de voltar a minha atenção para estrada, enquanto fazia círculos em sua coxa esquerda com a minha mão.
- Você já teve algo com alguém... dentro de um carro?
Tirei a minha mão de sua coxa e a coloquei no volante, juntamente com a outra.
Essa era a última coisa que eu imaginei agora que Bella iria me perguntar.
- Sim. – confirmei, estudando a sua reação.
- Como foi? – inquiriu. Sua expressão era calma.
- Não lembro... faz tempo. – menti.
- Foi com uma de suas ex-namoradas?
- Huh, Bella. Vamos mesmo conversar sobre isso? – quis saber.
- Por que não? – inquiriu.
- Isso... pode te incomodar. – falei, torcendo internamente para que ela mudasse de assunto.
- Eu só queria saber. – falou, dando de ombros. – Você sabe tudo sobre mim, embora eu não tenha tido muitos, er... você sabe, só tive Mike. Não tenho muita história para contar.
- Você sabe, eu tive algumas mulheres e sou sortudo por você não ter uma história. Digo, você só teve um namorado e ainda assim vocês não foram muito longe. – disse gesticulando. – Não acho que isso seja um assunto confortável para você, Bella.
- Huh, eu não acho, Edward. – eu a olhei incrédulo. – Quero dizer, só queria saber um pouco de você. Não quero saber detalhes. Apenas algumas coisas. Lembro a primeira vez que conversamos sobre isso. Você disse que se envolveu com algumas mulheres, mas só namorou duas. Tanya e Victoria.
Não respondi. Apenas continuei dirigindo, pensando no que eu poderia falar.
Ela queria mesmo saber sobre as minhas antigas experiências?
- Edward, por favor. Você disse que eu poderia perguntar qualquer coisa quando estávamos em Long Beach, lembra?
Inspirei e expirei o ar. Exasperado.
Bella não podia ter perguntado outra coisa?
- O que exatamente você gostaria de saber? – perguntei.
- Com quem você já teve algo dentro de um carro?
Certo. Ela quer saber. Vou contar.
- Tanya. – respondi.
- Apenas ela? – questionou.
- Sim.
- Vocês... transaram? – a voz dela pareceu vacilar ao perguntar.
- Sim, Bella. – respondi após alguns segundos.
- Como foi?
Que?
Ela está me perguntando como foi?
- Você disse que não queria detalhes, Bella. – falei nervosamente.
- Não, não quero detalhes. – disse rapidamente. – Eu só queria saber se... se foi bom.
- Bem... você teve um vislumbre hoje de como pode ser desconfortante. O espaço é pequeno. – falei, tentando ser o mais sutil que eu podia.
Ela ficou calada alguns instantes, antes de voltar a falar.
- Fazer sexo com Tanya era bom? — congelei e a olhei em seguida. Ela estava me encarando, esperando.
Isso não podia ficar ainda pior.
- Bella, linda. – suspirei tentando encontrar palavras que pudessem fazê-la entender sobre o que eu penso. – Sexo é bom. Quando ambos estão com vontade de fazer com o outro, é prazeroso. Independente de ter sido com Tanya ou não.
- Então com ela era bom? – concluiu.
- Sim. Até certo tempo sim. – respondi de uma vez.
- Hmmm. – balbuciou. – Com quantas você já... – perguntou sugestivamente.
- Eu... não sei, Bella. Eu não conto isso. — eu estava nervoso, confuso. Bella estava me deixando constrangido com essas perguntas.
- Foram muitas?
- Sim, talvez sim. – respondi, soltando uma mão do volante e correndo pelo meu cabelo.
Bella permaneceu calada, e implorei internamente que ela não fizesse mais perguntas. O meu desconforto não era falar sobre sexo. Até aprecio que ela queira conversar sobre o assunto antes mesmo que aconteça. Tenho certeza que só tornará mais fáceis as coisas entre nós. O desconforto era ter que mencionar as mulheres que me envolvi no passado. É desconcertante conversar com Bella sobre isso, e eu sabia que só lhe daria o que pensar. Além do que, nenhuma delas se comparava a ela, ao mesmo tempo em que eu tinha certeza que sexo entre nós dois seria completamente diferente do que eu já tivera com alguém um dia.
Emmett me dissera pouco tempo atrás que sexo com sentimento era ainda melhor. Logo ele que nunca se importou com isso, que sempre adorou a vida regada a farra e mulheres. Eu sabia que essa mudança se devia ao fato dele ter conhecido Rosalie. Ela foi a única garota que ele realmente se apaixonou. Assim como eu me apaixonei por Bella. Nenhuma dessas mulheres, nem mesmo minhas ex-namoradas, tocaram tão forte o meu coração e a minha alma.
Apenas Bella.
A única que só em olhar, o meu coração acelerava os batimentos.
- Estamos indo para a minha casa? – perguntou Bella tirando-me dos pensamentos.
- Sim? – falei, soando mais como uma pergunta.
- Pensei que íamos para a sua.
- Não é tão tarde, mas... – falei olhando as horas no painel do carro. –, que tal passarmos na sua casa, depois seguir com nosso plano inicial e irmos jantar? Estou faminto e você?
- Um pouco. – disse Bella, pegando o celular.
- Estão ligando de novo? – perguntei.
- Não. Vou ligar para casa e dizer que está tudo bem. – falou, discando os números. – Assim não precisamos ir lá e daqui mesmo vamos jantar e depois ir até sua casa. – me olhou, levando o celular até o ouvido, e sorriu levemente.
- Por que você quer tanto ir para minha casa? – perguntei, erguendo a sobrancelha para ela.
- Hummm... por nada. – disse, me olhando de canto de olho. Suas bochechas de repente estavam rosadas.
Um sorriso dançou em meus lábios, no mesmo ritmo dos meus hormônios.
Só de imaginar o que poderíamos ter feito dentro do carro caso aquele policial não tivesse aparecido...
- Certo. – disse mais relaxado agora, ainda sorrindo. – Vamos jantar e depois damos um pulo até minha casa. – inclinei a cabeça rapidamente na direção dela para olhá-la.
Não sei se ela percebeu que eu tinha entendido, mas quando ela me olhou, sua face estampava um lindo e amplo sorriso.
Coloquei novamente a minha mão direita em sua coxa, fazendo círculos, enquanto dirigia.
- Estranho. – Bella disse após alguns minutos, tirando o celular do ouvido.
- O que?
- O telefone de casa. Só dá ocupado. – falou contrariada.
- Então passamos lá. – disse vendo Bella bufar. – Vai ser rápido, Bella. E já estamos perto.
- Tudo bem. Mas não vamos demorar. – falou. Quando ela estava prestes a colocar o celular no bolso novamente, este toca.
- Quem é? – perguntei.
- Rosalie. – respondeu. – Oi Ro... – disse Bella ao atender. – Que? ... não ... nós... Rose, você quer me deixar falar? ... Han? .... Jasper e Emmett também estão aí? Calma, nós ... sim, já estamos perto. Para de gritar! – falou e em seguida desligou.
- O que aconteceu? – perguntei, franzindo a testa.
- Todos preocupados. Até os seus irmãos estão na minha casa. – disse, aborrecida.
- Que? Preocupados? – perguntei, virando o carro na esquina, já entrando na rua da casa dos Swan.
- Sim. Como não atendemos nossos celulares e o papai comentou que você estava muito... transtornado, acharam que tinha acontecido alguma coisa.
- Como se eu fosse capaz de fazer alguma coisa com você. Eles estão malucos? Perderam a noção? – indaguei, ficando também irritado.
- Pelo que parece, sim. – rosnou Bella, abrindo a porta assim que parei o carro na frente da sua casa, disparando a passos apressados para o interior desta.
Tirei rapidamente a chave do carro e saí, seguindo-a.
- O que significa isso? – berrou Bella assim que entramos. Estavam todos na sala. Renée, Charlie, Alice, Rosalie, Jasper e Emmett.
- Graças a Deus! Onde vocês estavam? – perguntou Renée, visivelmente aliviada. Só não entendia do que.
- Ainda não me responderam. Por que vocês estão todos aqui? – perguntou novamente. Mais que irritada. Eu não estava muito diferente.
- Edward, por que você não atendeu seu celular? Liguei várias vezes. – disse Jasper.
- O que vocês estão fazendo aqui? – perguntei, olhando na direção dos meus irmãos.
- Ficamos preocupados, sabiam? – inquiriu Rosalie.
- Eu falei que eles estavam exagerando. – disse Alice despreocupada enquanto lixava as unhas.
- Eu vi o jeito que você estava, filho. – disse Charlie. – E depois do que Emmett falou... por mais que eu não acreditasse que fosse possível mas...
- O que Emmett falou? – Bella o cortou.
- Eu sei que Edward não é capaz disso, mas sei lá. Tanta gente enlouquece por menos de repente. – comentou Emmett, puxando Rosalie pela cintura, colocando-a ao seu lado.
- O que você falou? – perguntei entredentes. Vindo do meu irmão, que eu bem conhecia, sabia que não vinha boa coisa pela frente.
- Calma, cunhado. Foi só uma coisa que vimos no noticiário. – disse Rose.
- Vocês podem desembuchar logo de uma vez? – inquiriu Bella. A impaciência já a consumindo.
- Como você ligou pedindo a Rosalie o endereço do ex-namorado dela – disse apontando para Bella. -, e você estava fora de si e ... cara, estou orgulhoso de você por ter batido nele! – exclamou Emmett sorrindo.
- Certo, certo. – rolei os olhos. – Continue.
- Bem... eu estava no quarto, deitado na cama enquanto passava os canais procurando algo de bom na televisão quando uma matéria me chamou a atenção. Gritei para Rosalie que veio correndo do banheiro e...
- Espera aí. – Charlie o interrompeu. – O que vocês estavam fazendo sozinhos no quarto? E por que Rose estava no banheiro? – grunhiu.
- Pai, por favor! – exclamou Rosalie, incrédula.
- Não, eu quero saber. Essa casa de praia aí, por acaso vocês dormiram juntos? – perguntou, cerrando os olhos.
- Pai, eu já tenho vinte e um anos. Até a Bella dormiu com o Edward! – disse Rosalie.
Charlie se virou para mim e eu senti seus olhos arderem.
A sala de repente parecia ter várias estátuas.
Até Alice parou de lixar as unhas.
- Vocês o quê? – inquiriu, franzindo a testa enquanto fitava de mim para Bella e de Bella para mim.
- Pai. Não mude o foco da conversa. – disse Bella ao meu lado, de repente nervosa.
- Charlie! Deixe as meninas. – intrometeu-se Renée, segurando-o pelo braço.
- Você apóia isso? – ele a encarou, cético.
- Elas não são mais nenhuma criança. – ponderou. – Ate parece que você não teve essa idade.
- Bella só tem dezessete anos! – rosnou Charlie.
Eu imaginava o que se passava em sua cabeça. Queria dizer que ele não se preocupasse, que nada tinha acontecido. Pelo menos não o que ele estava pensando. Mas não ia expor Bella desse jeito.
- Sim, dezessete anos. Não é grande coisa, e nossa filha é muito madura para a sua idade. Ela sabe o que faz.
- Mas é muito nova para ... para ... ah, para fazer esse tipo de coisa. – protestou Charlie, coçando a orelha.
- Mesmo Charlie? — inquiriu Renée com as duas mãos na cintura. – Porque não vejo grande diferença de dezessete para dezoito anos. Ou você esqueceu a idade que eu tinha quando eu tive a minha primeira vez no sofá da sua casa depois da faculdade?
Charlie ficou branco. Sem ação. E mudo.
- Mamãe! – exclamou Rose, surpresa, rindo junto com Alice.
A expressão de surpresa no rosto de Bella era palpável. Seus olhos estavam arregalados.
- Ai, gente. Qual é. Vamos parar de drama. Deixem a Bella em paz. – falou Alice, voltando a lixar as unhas.
- E Bella, antes de Edward, teve um namoro longo, então...
- Emmett! – o adverti. Eu não tinha dito a ele ou a Jasper que Bella era virgem. Ambos já haviam me perguntado antes, mas na época ainda não sabia a resposta.
- Bella é virgem. – disse Rosalie e Alice ao mesmo tempo.
- Sério isso? – perguntou Charlie, sua expressão se suavizando.
- Vocês querem parar com essa porra? – gritou Bella, fazendo com que todos nós a olhássemos, surpresos.
Fora a primeira vez que ouvi um palavrão sair de sua boca.
- Bella! – exclamou Renée.
- Isabella! – protestou Charlie.
- Olha a Bella de quinze anos surgindo das cinzas. – falou Rosalie, divertida.
Bella a fuzilou com os olhos.
Eu segurei sua mão e a trouxe para junto de mim.
- Vamos subir? – perguntei baixinho em seu ouvido.
- Bella, me desculpe. – desculpou-se Alice.
- Nós vamos subir para o meu quarto. – falou Bella, me puxando pela mão.
- Hey, não vão querer ouvir o restante? – perguntou Emmett.
Um celular começou a tocar na sala.
- É a mamãe. – disse Jasper, levando o celular até o ouvido. – Oi mãe... Sim, eles estão aqui... certo .... só um minuto. – disse, estendendo-o a mim. – Ela disse que está ligando para o seu celular, mas você não está atendendo.
- Deixei no carro. – falei, pegando o aparelho de sua mão.
- Ela estava louca de preocupação. – disse Rose.
- Oi, mãe. – falei ao celular.
- Graças a Deus, filho. Onde vocês estavam? — disse Esme, sua voz em tom de alívio. O mesmo que Renée tivera quando entramos.
- Nós só estávamos... por aí. Saímos para conversar. Vocês estão exagerando. – falei tentando não me irritar com a minha mãe também.
- Mas você não atendia o celular. Não que eu acreditasse que você faria o que Emmett viu no noticiário, mas...
- O que diabos você viu nesse noticiário, Emmett? – perguntei a ele, cortando a minha mãe.
- Calma, Edward. Não fique chateado com o seu irmão. – ouvi a voz de Esme do outro lado da linha.
- Mãe, depois de te ligo. – disse desligando em seguida, não esperando ela me responder.
Jasper estava tentando reprimir um sorriso. Eu via.
Ergui meus olhos para Emmett e os cerrei, esperando.
- Esquece isso, Ed. Foi só uma bobagem que eu vi na CBS. – falou o meu irmão, dando de ombros.
- Não. Você vai contar. – comandei.
- Conta logo de uma vez, Emm. – pediu Rosalie.
- Tudo bem. Você vai ficar irado, mas se está pedindo. – anuiu Emmett. – Eles falaram que uma garota de aproximadamente dezoito anos foi encontrada morta por asfixia no Hotel Larckspur e que possivelmente o homicídio tinha sido motivado por crime passional, já que o namorado tinha entrado com ela.
Senti a mão de Bella tensa na minha.
- E você pensou que essa garota era Bella e que eu seria capaz de fazer isso? – questionei cético.
- Vocês perderam o juízo? – perguntou Bella olhando para todos que estavam parados ali na sala.
- Eu avisei que isso era uma palhaçada. – disse Alice.
- Isso nem passou pela minha cabeça. – defendeu-se Renée.
- Na minha também não. Só estou aqui porque Emmett me arrastou. – Jasper se pronunciou.
- Não acreditei nisso também, mas estava preocupado. Vocês não atendiam os celulares. – disse Charlie, cruzando os braços no peito.
Todos nós olhamos para Emmett e Rosalie.
- Qual é, gente. Pode acontecer nas melhores famílias, certo?
- É melhor ficar calado, Emmett! – exclamou Jasper.
- Er... eu... Bella... – gaguejou Rose.
- Não quero ouvir mais nada. Chega de asneira por hoje! – disse Bella, me puxando pela mão, me guiando para subir as escadas.
Ao entrarmos em seu quarto, Bella soltou a minha mão e se jogou em sua cama, com as costas no colchão.
Fechei a porta atrás de mim e caminhei em direção à cadeira do computador, mas Bella me interceptou antes que eu assim o fizesse.
- Vem aqui, Edward. – falou, apontando para o lado esquerdo vazio da cama de casal.
Me deitei ao seu lado, me apoiando sobre o meu cotovelo direito e inclinando o meu corpo de lado para olhar para ela.
- Emmett é um idiota. Não liga. – disse calmamente enquanto brincava com uma mecha do seu cabelo.
- Eu sei. – ela sorriu fraco. – E Rosalie também – continuou falando enquanto mexia no nó de sua camiseta.
Ficamos um bom tempo em silêncio naquela mesma posição. O que era estranho para nós. Na verdade, a sua expressão parecia estranha. Estava com os olhos baixos, pensativa por assim dizer.
- O que houve, Bella? – perguntei lentamente.
- Nada. – respondeu sacudindo a cabeça, com os olhos ainda baixos.
- Tem certeza? – insisti sutilmente.
- Não é nada, Edward. É só que... – suspirou, erguendo os seus olhos para mim. – A noite está acabando, amanhã você vai embora e não aproveitamos nada juntos. Eu... – mordiscou os lábios. – Esquece. – disse, voltando a abaixar os olhos.
- Hey, não. Olha para mim. – pedi gentilmente, aproximando mais o meu corpo ao dela para segurar o seu queixo com a minha mão esquerda livre, erguendo-o levemente para que ela voltasse a olhar para mim.
Ela me encarou, mas continuou calada.
- Não fica assim. – disse para quebrar o silêncio. – Podemos sair para jantar, como planejamos. A noite não terminou ainda.
- Eu sei. – murmurou. – Mas amanhã você vai embora, não vai mais voltar na terça e só vamos nos ver agora dia dezenove. São doze dias sem te ver Edward. E o pior que isso não é nada perto do que virá depois, quando você tiver que ir para Londres. Eu... não suporto mais ficar tanto tempo longe de você. – disse chorosa.
Eu queria poder aplacar a sua agonia, que era a minha também. Mas por hora não poderia fazer nada. Apenas lhe assegurar o que eu pretendia fazer.
- Bella. Eu decidi uma coisa. – falei, fitando-a nos olhos.
- O que? – perguntou, a voz vacilante.
- Depois de Londres... não vai haver mais viagem. – declarei, analisando clinicamente a sua reação.
Ela franziu a testa.
- Você está desistindo do teatro? – inquiriu.
- Por hora, não. Mas farei se for preciso.
- Edward, eu não quero que você...
- Não, Bella. – a cortei. – Eu quero. Você sabe o que eu mais falara nesses últimos dias. Que estava cansado desse estilo de vida, de estar em um lugar diferente a cada semana, que eu tenho medo de virar o centro das atenções da noite para o dia. Cansado de ficar longe de casa e especialmente cansado de ficar tanto tempo longe de você. Eu abro mão disso tudo para estar perto de você.
- Mas Edward, você ama o teatro. – analisou Bella.
- Sim, eu amo. Mas não mais que você. – explanei, despejando toda a minha sinceridade.
Bella arregalou os olhos. Percebi quando estes se inundaram de lágrimas.
- Bella. – disse, depositando a minha mão na sua bochecha. – Você é minha vida agora.
Ela jogou a cabeça para frente, plantando um beijo em meus lábios. Era lento, doce e suave, fazendo com que meu coração inflasse dentro do peito. Enrolei meus dedos em seu cabelo, atrás da sua nuca, aprofundando o beijo com todo vigor enquanto ela correspondia com igual entusiasmo. Empurrei o meu corpo gentilmente por cima dela, que me abraçou apertado. Tudo nela era maravilhoso. A pele suave e cremosa, o aroma de morangos que emanava em seus cabelos, me inebriando e enviando faíscas por todo o meu sistema. De repente fui tomado por uma sensação diferente. A necessidade de estar ligado a ela de outras formas me consumindo violentamente.
Eu queria fazer amor com ela. Nesse momento.
Era mais que carinho, mais que desejo. Era pura e mais crua forma de amor que eu já sentira em vinte e um anos da minha existência.
Mas eu precisava esperar. Por mais que isso me agonizasse e estivesse sendo extremamente difícil, por ela eu teria toda a paciência do mundo.
Agarrei o seu rosto com uma mão, diminuindo o ritmo. Minutos mais tarde, trocávamos apenas pequenos beijos, enquanto tentávamos recuperar o fôlego. Logo que nossos lábios se afastaram, encostei nossas testas, suspirando alto.
- Eu te amo, Bella. Acho que desde a primeira vez em que eu te vi. – disse, minha voz saindo trêmula.
- Eu também te amo. – disse baixinho. Suas mãos afagaram as minhas costas quando ela sorriu. – Eu sempre tive essa sensação.
- Que sensação? – perguntei, afastando alguns centímetros a minha cabeça para encará-la.
Ela riu.
- Que me apaixonei por você desde a primeira vez que nos vimos. Aquele dia, no Espejo, eu senti algo diferente quando vi você entrar naquela sala, embora não soubesse na época do que se tratava.
- E eu senti o mesmo por você. – confessei, tirando alguns fios de cabelo de sua testa.
- Não quero que você abandone o teatro, Edward. – falou, de repente seu semblante tornou-se sério.
- Não vou abandonar. Apenas não quero mais fazer turnê. A não ser que a faculdade me faça optar por essa possibilidade. – lembrei a ela.
- Oh, sim. Você vai para a faculdade ano que vem. – assinalou Bella.
- Nós vamos, Bella. A propósito, precisamos conversar sobre isso. Você ainda quer sair para jantar? – questionei.
- Tadinho do meu namorado. – disse, inclinando a cabeça para depositar um beijo na ponta do meu nariz. – Deve estar morrendo de fome.
- Vai ganhar na loteria com essa adivinhação. – falei divertido, tocando meus lábios contra os seus em um beijo rápido, antes de me afastar e me levantar da cama. – Vamos? — perguntei, estendendo a minha mão.
- Vamos. – respondeu, segurando-a.
POV BELLA
Após toda a loucura que fora o início de noite, os últimos instantes com Edward agora pouco foram simplesmente fantásticos. Ele me levou para jantar no mesmo restaurante que fomos na semana em que nos conhecemos, no dia que trocamos nosso primeiro beijo.
Traçamos planos para o próximo ano, decidindo que iríamos para a mesma universidade. Era uma exigência dele, que fora extremamente romântico durante toda a noite. Segurando a minha mão o tempo todo, me admirando com o seu olhar quente e confortável, me servindo de pedacinhos da sua comida para que eu provasse, desferindo elogios, dizendo o quanto eu era linda. Por mais que eu achasse um enorme exagero, adorava quando ele me chamava de linda.
E quando me deixou na porta de casa, mais uma vez ele disse que me amava. Era o terceiro momento que ele dizia isso em apenas algumas horas. Meu coração parecia que ia explodir de tanta felicidade.
Eu era amada. Pela que pessoa que eu amo.
Os dias sem ele por perto eram duros, difíceis. Sua presença era intoxicante, assim como a sua voz, o seu cheiro, os seus beijos. Sinto um nó na garganta e a angústia inchar em meu interior só de pensar os muitos dias que ficarei sem isso.
Mas não só isso que me incomodava. Desde a nossa conversa no carro, tentei não deixar Edward perceber, e pelo visto consegui, ou ele simplesmente preferiu não comentar sobre o assunto. Porém, se tratando de Edward, a primeira opção era a mais plausível.
Assim que entrei no quarto, fechei a porta e deitei-me na cama, fechando meus olhos com força. Eu me sentia estranha, e, por alguma razão, eu não conseguia parar de sentir isso. O amor e o desejo por Edward eram fortes, mas eu não conseguia evitar sentir medo.
Eu não queria que o passado dele entrasse nos meus pensamentos. Afastava-os com toda a força que eu podia. Mas não era suficiente. Eu simplesmente não conseguia.
Tanya.
Esqueci dela completamente quando Edward contara sobre sua viagem à Londres. É lá que ela vive. Não que eu esteja desconfiando, pensando que Edward faria algo que me magoasse. Mas eu não podia ignorar que ela havia telefonado no dia em que ele fez aniversário. E eu sequer sabia se ela conseguiu falar com ele ou não.
Será que ela ainda gostava dele?
Eu estou perturbada com o caminho que os meus pensamentos estão tomando. Algo em meu interior gritava que ela ainda nutria sentimentos por ele, e que isso ainda me causaria problemas. Eu não queria pensar nisso, mas eu simplesmente não conseguia expulsar esses pensamentos. Edward era muito evasivo, mas eu tinha uma clara impressão que a relação física que eles tiveram um dia havia sido intensa. E para completar a minha angústia, o meu conhecimento sobre sexo era praticamente nulo.
Edward era experiente. Muito. E apesar disso ele sempre fora tão cavalheiro comigo, deixando tudo acontecer naturalmente. Às vezes ele deixava escapar o seu controle, como hoje no carro. Eu estava tão excitada, tão ansiosa com o que poderia ter acontecido se aquele policial não tivesse chegado. Imagino que não teríamos ido muito longe. Mas eu não podia deixar que ele esperasse por muito tempo.
Ouvi uma leve batida na porta. Levantei-me para abrir.
- Podemos conversar? – perguntou Alice, entrando assim que abri a porta.
- Huh, claro. – respondi, fechando-a.
- Jasper estava na sala. – disse, logo que se sentou na minha poltrona.
- Unhum, eu vi. E como você está se sentindo com isso? – perguntei, deitando novamente na cama.
- Não sei, foi estranho. – murmurou pensativa.
- Estranho? – questionei.
- Sim. Ele não trocou comigo mais que três palavras, que foram “oi” quando chegou e “até logo” quando foi embora. Mas ele não parou de olhar para mim a noite inteira.
- Ali, me deixa conversar com Edward. Há algo de errado com Jasper. Eu tenho certeza disso.
- Não, Bella. Eu já te falei que é melhor não.
- Mas Alice, Edward é irmão e ...
- Bella, não! – rosnou.
- Tudo bem. Não se irrite. Não vou falar. – menti. É claro que conversaria com Edward sobre Jasper. Está na cara que á algo de errado no comportamento dele diante de Alice.
- Ótimo! – declarou.
Revirei os olhos e em seguida coloquei um braço sobre eles.
Era só fechar os olhos por alguns segundos que os mesmos pensamentos nebulavam a minha cabeça.
- O que foi? — perguntou Alice depois de ficarmos um tempo em silêncio.
- Nada. – respondi.
- Você está tão pensativa. — analisou.
- Só pensando. – disse, tirando o braço que cobria os meus olhos.
— No que você está pensando? – ela insistiu.
Pisquei algumas vezes, expulsando os meus pensamentos.
- Hum, nada demais Alice. Apenas pensando sobre algumas coisas. – falei, apoiando-me em meus cotovelos.
- Que tipo de coisas?
Às vezes esquecia do quanto Alice era insistente.
- Nada demais Alice. – disse já um pouco irritada.
- Vai, Bella desembucha. Você sempre me conta tudo. O que que é? – inquiriu, levemente ofendida.
Bufei.
- Nada demais. Só umas coisas... sobre Edward.
- Sobre Edward? – perguntou franzindo o cenho.
- Sim. – disse simplesmente.
- O que?
- Isso é tão diferente para mim. Eu mudei muito depois de Edward, não percebe?
- Sim. Você parece mais bonita, mais adulta, por assim dizer. – falou, sorrindo.
- Obrigada.
— Então vocês ... – disse sugestivamente, balançando as sobrancelhas.
— Não. – praticamente gritei, constrangida.
- Ai, Bella. Não sei por que você fica afetada com isso. Ele é apaixonado por você, você por ele. Mais dia menos dia isso vai acontecer.
- Ele disse que me ama. – confessei, sorrindo para ela enquanto lembrava suas palavras.
- Sério? – sua voz aumentou oito oitavos. – Awnn que lindo. – disse sonhadora, extremamente animada e batendo palminhas. – Mas e você? O que você falou para ele depois disso?
- Bem, eu... – mordi o lábio. –, disse o mesmo. Mas isso eu não precisava falar. É mais que óbvio. – falei, dando de ombros.
- Sim. Está estampado em letras garrafais em sua testa. E na dele também. – disse divertida. – Mas com o que você está preocupada, Bella?
- É só que... Edward é tão experiente, sabe. – falei frustrada.
- Experiente? Em que sentido? – inquiriu, erguendo a sobrancelha.
- Sim, experiente. Em relação a tudo. – ela franziu a testa. – Em relação a sexo, Alice. – disse quase em um murmúrio. Naturalmente corando.
- O que aconteceu entre vocês, Bella? – perguntou Alice, levantando-se da poltrona, vindo sentar ao meu lado na cama. Sua expressão era uma mistura de malícia e divertimento quando um sorriso diabólico atravessou seu rosto.
- Nada, Alice. – comentei. Mas minha voz falhou, me entregando.
- Mentira! – exclamou sorrindo como uma diabinha. – Vai, Bella. Me conta, por favor. – implorou.
Tomei uma respiração profunda e soltei lentamente.
- Nós só... er... ficamos mais à vontade hoje, no carro dele. – senti meu rosto esquentar.
- Não brinca? Por isso sumiram! – sorriu maliciosa.
- É...
- Vamos lá, Bella. Facilita. Você sabe que quero todos os detalhes.
Resumi em alguns segundos o que acontecera no carro, antes do policial nos atrapalhar, não deixando de fora a parte em que senti o membro dele em minha mão.
- Ai meu deus! – colocou as duas mãos na boca. – E então... o que você sentiu quando tocou?
- Bem... foi por cima da cueca, então...
- Hugh, Bella, por cima da cueca? – questionou decepcionada.
- Sim. Se o policial não tivesse chegado, talvez...
- Talvez você tivesse conferido o material. – cortou-me. – Mas você deve ter tido uma idéia de como seja, não teve?
Imediatamente minha mente vagou para o momento em que eu o senti através do meu toque. Duro. Grande. Porque eu poderia afirmar pelo que eu senti que ele era bem dotado.
- Não sei Alice. Eu nem sei como fazer... como tocar ... nunca tive esse nível de intimidade. Eu sequer vi um pênis. – quase não consigo pronunciar a última palavra.
- Ai, Bella, pelo amor de deus. Não há muito segredo nisso. Você já viu um pênis por foto pelo menos?
- Sim. – respondi.
- Mas de homem, quero dizer. De criança não vale. Não é a mesma coisa. – disse gesticulando, como se estivesse conversando sobre a coisa mais natural do mundo.
- Sim. Na internet. – confessei envergonhada. Ela riu. – Não que eu tivesse procurando Alice, não foi intencional. Foi só um desses sites que você entra e várias janelas vão se abrindo, até que você acaba encontrando essas... coisas.
- Tudo bem, Bella, eu sei. Mas e daí se você tivesse procurando? – inquiriu. – Olha, eu te entendo. Sei que pode parecer assustador, mas quando chegar o momento você não vai sentir medo. Principalmente porque será com Edward. Você saberá o que fazer. É instintivo.
Bufei, me encolhendo na cama.
- Sério, Bella. Não fica assim.
- É só que... eu tenho medo de fazer algo errado. – confessei, chorosa. – De não ser boa para ele. Edward já teve outras mulheres. E se ele não gostar?
- Agrr! Eu não acredito que estou ouvindo isso Isabella Marie Swan! – exclamou irritada, cruzando os braços na altura do peito.
Esfreguei as minhas duas mãos no rosto, em seguida puxei levemente os meus cabelos para trás.
- Bella, para com isso. – pediu. – Não deixa isso te consumir. Vai por mim, não surta antes da hora. Deixa para surtar quando você puder finalmente conferir o material que Edward carrega no meio das calças. – disse, rindo alto.
Impressionante como Alice e Rosalie não tinha pudores. Me pergunto se um dia chegarei a encarar isso com tamanha malícia e naturalidade.
- Como você é pervertida. – falei, rindo junto com ela.
- Todas se tornam um dia, Bella. – falou, levantando-se da cama. – Agora vou indo que já é tarde e amanhã tenho um dia atarefado e estressante. Minha chefe e suas idéia. Enfim... boa noite, darling.
- Boa Noite, Ali. Ei! – chamei quando ela já estava saindo pela porta. – Obrigada pelos conselhos.
Ela se virou e sorriu.
- Sempre à sua disposição. – deu uma piscadela e saiu, fechando a porta.
Como era de se esperar, passei a noite toda pensando sobre os acontecimentos da noite, antes de conseguir dormir. E mais uma vez não pude evitar que Edward, a sua viagem a Londres, e principalmente Tanya, inundassem os meus pensamentos.
Lutar contra a minha insegurança estava se tornando uma tarefa extremamente difícil.
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A manhã na escola não fora muito tranqüila.
O assunto do momento era a reunião entre os meus pais, Claire e o diretor. E, obviamente, a surra que Mike levara de Edward.
Como eu já suspeitava, Mike não compareceu à escola hoje. Mas Eric tratou de espalhar por toda Encina High School, narrando com riqueza de detalhes todos os hematomas e inchaços. E, claro, que ao final de tudo, a história real tinha sido completamente distorcida.
Não me preocupei em desmentir que Edward o havia espancado a ponto deixá-lo sem o movimento das pernas, ou que Edward o ameaçou com uma arma, ou ainda que eu o ajudei a deixar Mike tão desfigurado que ele mal conseguia abrir os olhos.
As pessoas pensam e falam o que querem. E discutir com elas só vai me deixar ainda mais irritada. Só me restava me concentrar nas aulas e repetir o mantra em minha mente: “Mantenha a calma. Mantenha a calma. Mantenha a calma...”
Mais do que nunca desejei ardentemente que o recesso de fim de ano chegasse em tempo recorde.
- Só mais uma semana, Bella. – murmurei para mim mesma.
Antes que o sinal soasse, indicando que era dez da amanhã, a figura da Sra. Cope surgiu na aula de Espanhol, convocando-me para comparecer a sala do diretor. Engoli em seco, tomando uma longa e profunda golfada de ar, levantando-me em meio aos murmúrios de todos os alunos.
Assim que estava fora da sala, antes mesmo que eu pudesse seguir a Sra. Cope, pedi para não participar da reunião, alegando que, se Mike, também envolvido, não participaria, logo não havia motivos para que eu estivesse presente também. A Sra. Cope refletiu acerca do meu pedido, e em seguida assentiu, dizendo que avisaria ao diretor. Agradeci e voltei para a minha aula, sentindo todos os olhares voltados para mim quando sentei na minha banca.
Algum tempo depois meus pais me ligaram, avisando que a reunião tinha terminado e gostariam de me ver. Nos encontramos na secretaria, onde os dois transmitiram para mim o resultado do encontro. Mike não seria punido, uma vez que a situação ocorrera fora dos muros da escola, mas que ele seria vigiado para não chegar próximo a mim. Porém, Claire, sua mãe, anunciou que ele não voltaria mais para a EHS, que a família Newton se mudaria para Boston antes do Natal, para que o pai de Mike fizesse a cirurgia e iniciasse o tratamento de recuperação do movimento do corpo. E que, já que Mike seria transferido de escola, não havia mais necessidade dele voltar ali. E então o assunto foi dado como encerrado.
Edward ligara para mim, preocupado com a possibilidade de Mike se aproximar de mim e com a pauta da reunião. Tratei de tranqüilizá-lo, dizendo que Mike não esteve nem estará mais na escola, que ele estava mudando de cidade. A felicidade no tom de voz de Edward depois que lhe disse isso era palpável.
Como havíamos combinado na noite anterior, logo que saí da escola, às três da tarde, dirigi até a casa dos Cullen. Chegando lá, falei rapidamente com Esme, que se despediu de Edward com os olhos cheios de lágrimas. Era assim todas as vezes que ele voltava para a turnê. Em seguida, fomos para o Espejo, com Edward dirigindo o meu carro. Pela primeira vez juntos. E claro, como casal.
Edward estacionou o carro e quando saímos deste, ele segurou a minha mão. Tive um vislumbre dos olhos arregalados de Carl quando fitou as nossas mãos entrelaçadas assim que entramos.
- Ei, Carl. Boa Tarde. – cumprimentou Edward.
- O-oi Edward. Bella. – respondeu, franzindo a testa.
- Oi. – o cumprimentei, divertida com a sua reação.
- Você sabe se o Sr. Jansen já chegou por aqui? – perguntou Edward.
- Ainda não. Mas acredito que até as cinco horas ele estará em sua sala.
- Hum. – murmurou Edward. – Quando ele chegar você poderia me avisar? Estarei na sala de David.
- Claro, Edward. Avisarei.
- Obrigado, Carl. – agradeceu Edward sorrindo. – Vamos linda. – disse, me guiando para dentro.
Sorri quando Carl coçou a cabeça, não entendendo nada, e segui Edward.
- Você viu como ele ficou? – perguntei.
- Sim. Isso vai ser divertido. – concordou Edward. – Olha lá. Agatha. Vamos ver qual vai ser a reação dela.
Caminhávamos pelo corredor quando Agatha se aproximou.
- Edward! – exclamou surpresa. – Quanto temp... – se interrompeu quando desceu os olhos e encontrou nossas mãos juntas.
- Oi Agatha. Como está Adam? – inquiriu Edward.
- Ele está bem. O que significa isso? – perguntou, apontando para as nossas mãos, franzindo a testa.
- Ah, eu poderia apresentar minha namorada. Mas como sei que você já a conhece, suponho que não será preciso. – disse Edward sorrindo. Sua expressão era de puro divertimento.
- Oi Agatha. – cumprimentei, tentando reprimir um sorriso.
- Vocês estão namorando? – indagou. – Desde quando?
- Sim. Estamos próximos de completar dois meses juntos. – respondera Edward.
- Nossa, eu... nunca pensei! – exclamou, sacudindo a cabeça. – Na verdade nem sabia que se conheciam.
- Nos conhecemos no dia do meu teste. Edward foi o meu parceiro. – relatei.
- Uau. – murmurou, um sorriso brotando em seus lábios. – Romeu e Julieta se fossem vivos iriam gostar disso.
Nós três rimos.
- Bem... eu preciso ir. A Sra. Presley detesta atrasos. – lembrei a eles.
- Oh.sim. É melhor correr mesmo. Já se passaram cinco minutos das quatro. – disse-me Agatha.
- Vá. Vou ficar na sala de David. Aproveitar e estudar o roteiro de Dorian antes de conversar com o Sr. Jansen. Nos vemos no seu intervalo? – perguntou Edward.
- Claro. – disse, beijando-lhe levemente nos lábios. Até mais Edward.
Nos soltamos e enquanto caminhava, percebi que tínhamos atraído a atenção de várias pessoas que estavam ali. Obviamente ver Edward e eu juntos era uma grande surpresa.
Assim que estava devidamente trocada, corri para o palco, onde estava sendo realizada a aula. Todos já estavam lá e a Sra. Presley me olhou rapidamente, mas a sua expressão era impassível e ela nada falara.
No intervalo procurei por Edward, mas ele ainda estava reunido com o Sr. Jansen. Aproveitei para ficar conversando com Agatha, que logicamente me abordara com uma infinidade de perguntas sobre o nosso relacionamento.
O intervalo terminou e Edward ainda não havia saído da sala. Eu imaginei que demoraria, uma vez que Edward contaria os seus planos para o próximo ano, que incluía não fazer mais parte de peças que saíssem em turnê, e que começaria a cursar faculdade no segundo semestre, o que talvez provocaria a sua saída do Espejo.
Voltei para a aula.
Estávamos sentados em círculo, no meio de instruções da Sra. Presley quando Paola pediu licença e saiu a passos apressados da aula. Troquei um olhar preocupado com Mary, mas não nos movemos. Sabíamos que a Sra. Presley não gosta de ausências e interrupções durante suas aulas.
Quando finalmente faltavam cinco minutos para as oito da noite, fomos liberados.
Entramos na sala destinada às alunas, que era uma espécie de camarim, em meio a muitos murmúrios e comentários sobre as últimas novidades. Todos estavam eufóricos com a seleção que seria feita para a próxima peça a entrar em cartaz dali a alguns meses no Espejo.
Localizei Paola sentada numa poltrona, no canto da grande sala. Ela não parecia bem. Esperei as outras garotas saírem e a sala ficar vazia para me aproximar.
- Você está bem? — perguntei.
Ela me olhou instantaneamente, levando a mão à barriga.
- Não, Bella. — respondeu, fazendo uma careta.
- Você está doente? – questionei, me sentando na cadeira ao seu lado.
- Não. — ela sorriu fraco. — Eu estou grávida.
- Grávida? — perguntei em choque. Paola só tinha dezoito anos.
- Sim. Estou com cinco semanas. – declarou.
- Nossa, Paola, você... er... você sabe que são regras não ficar grávida no período de experiência? — inquiri.
- Sim. Eu sei. — respondeu, sua expressão ficara triste.
- E o que você pretende fazer?
- Eu não quero sair, Bella. – confessou, com veemência.
- Mas eles vão te tirar quando descobrirem. – Não queria deixá-la para baixo, mas era exatamente isso que aconteceria.
- Não se eu não contar. Se você não contar. — seus olhos eram suplicantes.
- Não! – expressei. – Jamais faria isso com você. Mas é que... eu não vejo saída. Gravidez não é algo que se possa esconder. Mesmo se você não contar, eles irão saber daqui a algum tempo.
- Mas eu vou tentar. Vou usar roupas largas. Tentar disfarçar de alguma forma. Depois de quatro meses ele não poderão mais fazer isso.
- Sim. Não poderão. – concluí.
Ela se levantara, pegando alguns comprimidos na bolsa, os ingerindo em seguida.
- Você pode tomar essas coisas? – perguntei.
- São vitaminas. Passadas pelo meu obstetra.
- Ah! – murmurei. – E como você está lidando com isso? — perguntei, apontando com a cabeça a sua barriga.
- Bem. – ela sorriu, levando a mão ao ventre ainda liso. – Não queria, mas já que veio, será bem-vindo.
- Eu não me vejo mãe. — confessei, balançando a cabeça.
- Também não me via. Mas agora que descobri já me vejo fazendo tantas coisas com ele. Ou ela. Já amo muito essa coisinha pequena. – sorriu.
- E o pai? – perguntei, hesitante.
- Ele está eufórico. Você acredita que ele já escolheu os nomes e tudo?
- Nossa. – sorri. – Seja lá quem está a caminho, ele terá pais muito corujas. – murmurei.
- Sim. Muito. Você vai ver quando acontecer com você, Bella. – fez uma pausa, em seguida continuou. – A propósito, soube que você está namorando Edward Cullen. — ela deu uma piscadela.
- Sim. – confirmei, sorrindo tímida.
- Eu não o conheço, óbvio, entrei aqui junto com você. Mas lembro quando vocês fizeram o teste juntos. E claro, seu nome é muito comentado aqui, ele é muito elogiado e visto como modelo. – explicou, gesticulando. – Além do mais, acompanho as notícias sobre a peça em turnê.
- É... nós nos conhecemos aquele dia.
- Uau. Amor à primeira vista? – inquiriu, sorrindo.
- Algo assim. – respondi, refletindo.
- Vocês formam um belo casal.
- Obrigada. – agradeci, meu rosto tingindo de vermelho.
Ouvimos uma batida na porta.
- Hey, Bella. — disse Agatha ao entrar. — Edward, ou melhor, seu namorado está aguardando você ansiosamente no hall. Pediu para eu ver se já está pronta.
- Diga que estou indo. Obrigada Agatha. – disse. Em seguida ela fechou a porta, saindo. – Até mais Paola. Boa sorte com o bebê. E com... bem .. os seus dias aqui.
- Obrigada, Bella. – respondeu sorrindo.
Saí de lá, indo ao encontro de Edward, que me lançou um largo sorriso quando finalmente atravessei a porta, chegando ao hall.
- Vamos? – perguntou, se aproximando de mim, pegando a minha mochila.
Suspirei.
- Sim. – respondi, tristemente.
- Vai passar rápido, Bella. – declarou, beijando a minha testa.
- É o que eu espero. – murmurei, encarando o seu rosto perfeito. Senti as lágrimas encherem meus olhos, e segurei a sua mão. – Agora vamos antes que você perca o vôo.
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Notas finais
Surpresinhas vindo.......
Obrigada pelo carinho!!
Amo vocês!!
Patti ;)
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