Talvez Seja Amor
24 Capítulo 24
Notas iniciais
POV BELLA
Assim que o carro de Edward sumiu rua afora, voltei para casa correndo. Eu tinha que ir atrás dele.
Subi as escadas apressadamente, mas ainda pude ouvir a voz do meu pai chamar meu nome, vindo da sala.
- Bella! Hey...
Entrei no quarto, sacudindo os olhos por todos os lados tentando localizar desesperadamente minha mochila. Assim que a vi, jogada no chão ao lado da cama, corri até ela e peguei a chave do meu carro que estava dentro, peguei meu celular e desci as escadas na mesma velocidade com que subi.
- Bella! – meu pai gritou.
- Pai, não posso agora. – disse, já com a mão na maçaneta da porta para sair.
- Espera. Onde está Edward? – perguntou, segurando meu braço.
- Preciso ir atrás dele. Pai, me deixa ir. – falei, tentando me desvencilhar dele.
- Onde ele foi? – perguntou, me soltando.
- Foi... foi procurar Mike.
- E você deixou? Ele parecia nervoso quando passou por aqui. – disse Charlie erguendo uma sobrancelha, aparentemente preocupado.
- Ele está. – suspirei. – Vou atrás dele. – disse, abrindo a porta.
- Eu vou com você.
Eu ia dizer que não, que eu precisava resolver isso sozinha. Mas por outro lado seria bom Charlie ir junto. Seria mais alguém para impedir que Edward fizesse alguma besteira. Eu estava muito preocupada com o estado que ele saiu, minutos atrás. Seus olhos estavam cheios de determinação.
Entrei em meu carro e fiquei lá sentada enquanto esperava impacientemente meu pai entrar pela outra porta. Eis que ele surge de repente ao meu lado, abrindo a minha.
- Eu vou dirigindo. – informou.
- Mas pai, eu...
- Anda, Bella. Eu vou dirigir. Estamos perdendo tempo.
Bufei e pulei para o outro banco, ao mesmo tempo em que meu pai entrava, se sentando no lugar que eu antes ocupava. Ele ligou o carro, e logo estávamos saindo da rua.
- Para onde vamos? Casa de Mike? – perguntou.
- Edward não sabe onde ele mora. – disse, olhando para frente enquanto pensava.
- E para onde você acha que ele foi? – perguntou meu pai enquanto dirigia.
- Não faço idéia. – respondi, frustrada.
Subi os meus pés no assento e abracei meus joelhos. Peguei meu celular no bolso e liguei para o celular de Edward.
Chamou várias vezes. Mas ele não atendeu.
- O que Edward exatamente disse quando saiu?
Estremeci, recordando suas palavras.
- Que não seria difícil encontrar a casa de Mike.
- Então é para lá que devemos ir primeiro. – disse.
- Não sei... – falei incerta.
- Eu também não quero olhar na cara daquele verme. – ele me cortou, de repente aborrecido. – Mas se você quer mesmo encontrar seu namorado, o primeiro lugar que devemos ir é a casa dele.
Concordei. Meu pai tinha razão. Só não sabia se estava preparada para encontrar com Mike agora. Eu sei que o encontraria amanhã na escola de qualquer forma, já que teríamos reunião com o diretor. Mas eu estava com esperanças de não participar dessa reunião.
— Vou ligar para a loja. – falei, depois de um longo suspiro.
Disquei o número da Newton’s, mas ninguém atendeu.
- Ninguém atende.
- Então liga na casa dele.
Disquei o número que eu tanto ligara durante quase dois anos da minha vida. Após chamar três vezes, ouvi a voz de Claire do outro lado da linha.
- Alô?
- Claire. – falei, hesitante. – É a Bella.
- Bella? – perguntou surpresa.
- Você deve estar estranhando a minha ligação. Eu só queria saber uma coisa... er... Mike está em casa?
- Não. Ele foi... – pausou. – Foi resolver umas coisas.
- Está na loja?
- Não, Bella. A loja está fechada hoje.
Fechada?
Essa hora? Nem eram oito da noite ainda.
Por isso ninguém atendeu quando liguei.
- Por quê? Você quer falar com ele? – perguntou quando eu não disse nada.
- Não. — gritei. – Eu só.. er, desculpe... queria saber se ele estava em casa. Se ele estava bem.
Houve um longo silêncio do outro lado.
- Bem... ele ainda está com o nariz quebrado, Bella.
- Só isso? Ele... quer dizer... não aconteceu nenhuma outra coisa hoje?
- Hoje? Não, Bella, por quê? – perguntou, um pouco nervosa. Pude notar em seu tom de voz.
- Por nada. – respondi rapidamente.
- Tudo bem. – disse desconfiada. – Bella, me desculpe, mas tenho que ir para o hospital agora.
— Ok, er obrigada Claire.
E desliguei.
- Edward não esteve lá. – disse.
- Alguma idéia de onde ele possa ter ido? – perguntou Charlie, ao meu lado.
- Não sei. – sacudi a cabeça com impaciência. – Vou tentar ligar no celular dele mais uma vez.
Chamei o número de novo. E mais uma vez disparou e ele não atendeu.
- Ele não atende. – murmurei, me encolhendo no banco do carro.
- Vamos circular. Ele não deve ter ido longe.
- Estou preocupada, pai.
- Calma. Vamos encontrá-lo. Já tentou ligar na casa dele?
- Não. – respondi.
- Então tente.
POV MIKE
Eu odiei aquele cara desde a primeira vez que o vi, no estacionamento daquela boate. Todo preocupado com Bella, como se ela fosse alguém importante para ele.
Quem ele pensava que era?
Mal a tinha conhecido. No dia anterior, no teatro, como mesmo dissera, e já estava tomando decisões sobre o que fazer.
A raiva me cegou por completo quando ele propôs levar Bella para casa dele. Claro que não gostei nem um pouco disso. Fiquei perplexo. Não podia aceitar. Ele achava o que? Que tinha algum poder sobre ela?
O namorado era eu. Não ele!
Ninguém me tira da cabeça que foi tudo planejado. O plano perfeito para tentar conquistar a minha namorada. Ou melhor, minha ex-namorada.
E ele conseguiu. Agora ele tinha o que queria. Bella caiu na lábia e foi enfeitiçada pela sua aparência.
Uma coisa que eu não podia negar, ele era um cara presença. O que mais me incomodou.
Ele era tudo mais que eu.
Mais velho, mais alto, mais bonito, tinha os olhos mais verdes, e pelo que pude perceber, quando estive na sua casa, mais rico. Além disso, parecia ser legal.
Tinha todos os requisitos que um homem precisa para deslumbrar uma garota.
Como eu poderia competir com isso?
Durante o momento crítico em que meu pai esteve por um mês na UTI do hospital, por causa do aneurisma, senti Bella distante. Não que ela tivesse se afastado de mim, muito pelo contrário. Ela me deu apoio, força e sempre tinha uma palavra de otimismo e esperança quando eu precisava. Fora por causa dela que eu não tinha desabado àquele mês. Ela foi uma grande amiga. Mas foi de longe minha namorada. Não nos beijávamos mais, não andávamos de mãos dadas, não fazíamos mais nenhum programa juntos. Nunca tinha comentado isso com Bella, porque pensei que a mudança se devia ao estado de saúde do meu pai. Acredito que até mesmo eu estava me comportando diferente.
E então, aconteceu. No dia em que eu encontrei os dois conversando no hospital. Inesperadamente e estranhamente Bella terminou comigo, dizendo que descobriu que gostava de mim apenas como amigo. Que nunca me amou.
E eu a amava. Muito. Aquilo acabou comigo. Ouvir tudo aquilo me partiu em pedaços.
Na hora, não imaginei que seria por causa dele. Quer dizer, por um segundo achei que fosse, mas quando perguntei se ela tinha se apaixonado por outro ela me respondeu que não. Naquele mesmo dia, quando já estava em casa deitado na minha cama, pensei em tudo que havia acontecido. Lembrei que eu nunca a ouvi mencionar no nome dele. E isso me fez acreditar que ele realmente não tinha nada a ver com a decisão dela de terminar comigo.
Evidentemente isso causou um trauma me mim. Tentava, em vão, expulsá-la do pensamento. Coisa que eu estava acostumado a fazer por quase dois anos. Porém, os dias foram se passando e não a vi com ninguém. Detalhe suficientemente forte para fazer crescer em mim um pouco de esperança. Que talvez não fosse uma má idéia me aproximar e tentar convencê-la a voltar atrás. Tentar mostrar que ela pode me amar, que poderíamos dar certo juntos.
Pensei em ir atrás dela. Mas ficava com tanto receio que antes mesmo de chegar perto, eu desistia. Certo dia, criei coragem e caminhei até ela, que lia distraidamente um livro no pátio externo. Fui tão idiota, não sabia nem o que falar. Não tinha planejado ser direto, mas acabei perguntando se o término do nosso namoro era definitivo. Ela arregalou os olhos, obviamente surpresa com a minha pergunta, e respondeu firmemente que sim.
E lá estava eu mais uma vez sofrendo, como nos primeiros dias. Mas agora parecia bem pior. Porque eu realmente tive esperanças de voltar com Bella. Que ela estava apenas confusa e enxergaria que o lugar dela era ao meu lado.
Mas na disso aconteceu. E toda a minha esperança morreu naquela maldita manhã de terça-feira quando os vi. Juntos. Ele com a mão na cintura que um dia apenas eu tocava, e a sua boca colada nos lábios que um dia apenas eu beijava.
Eu estava perdido. Eu a tinha perdido.
Porque eu nunca poderia competir com ele. Essa briga eu jamais ganharia.
Bella terminou comigo para ficar com ele. Agora eu tinha a certeza.
Mas isso não ia ficar assim.
Claro que vê-la com ele na escola me desagradou. Estava com tanto ódio quando vi aquela cena, e por todo mundo parecer estar com pena de mim, como se eu fosse um perdedor, que eu resolvi ir até lá quando ele saiu e tirar satisfações com ela. Mas como sempre fiz tudo errado. Acabei a insultando, proferindo absurdos que denegriam o caráter dela.
No final ganhei um sonoro e dolorido tapa. Na frente de todo mundo.
Isso não poderia ser mais humilhante.
Eu sei que mereci e me arrependo do que disse. Bella não tinha culpa. Ele sim era a razão de toda a minha raiva. Chegou do nada, distribuindo charme, passando a mão naquela merda de cabelo bagunçado, dando aquele maldito sorriso torto e a seduziu, tirando ela de mim.
Naquele mesmo dia, mais tarde, depois da escola, fui ao supermercado e comprei duas garrafas de Vodka. Fazia tempo que não bebia. A última vez tinha sido quando viajei a negócios com meu pai para Nova Orleans, antes do seu aneurisma. Minha mãe não estava em casa. Tinha ido dormir com ele no hospital. Aproveitei a ausência e bebi sozinho no quarto, uma garrafa e meia. Precisava de algo que me fizesse esquecer tudo que estava acontecendo. Esquecer que aquele dia fora uma merda, esquecer aquela que um dia foi minha garota, esquecer seu maldito namorado, esquecer que eu existia.
Estava tão entorpecido que no dia seguinte foi impossível me levantar para ir à escola. Mas não podia deixar de ir na quinta-feira, ou todo mundo acabaria achando que era por causa do que aconteceu na terça de manhã.
Decidi procurar Bella para conversarmos. Não queria que ela ficasse chateada. Precisava me desculpar por tudo que falei. Mas ela nem me ouviu e evitou como pôde esbarrar comigo pelos corredores. E na sexta-feira, mais uma vez ela me ignorou. Perguntei se ela iria à festa do Ben e ela sequer me olhou. Como se eu fosse ninguém.
Eu a conhecia bem. Sabia que ela jamais ficaria com alguém pelo dinheiro que tinha e sim pelo que ele era. Nem sei o porquê de eu dito, foi só a primeira coisa que saiu, uma forma de atingi-la.
Mas já não podia dizer nada a respeito da minha insinuação. E meu sangue fervia a cada vez que eu pensava nisso. Aquele filho da puta teve ou terá a chance de ser o primeiro dela. E não eu, que tinha esperado quase dois anos por isso.
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- Mike, precisamos conversar. – disse minha mãe quando cheguei na loja, depois da aula.
- Aconteceu alguma coisa com o papai? Ele estava tão bem ontem. Conversando e...
- Não. – ela me interrompeu. – Quer dizer, o que temos para conversar diz respeito sim ao seu pai.
- Ok. Pode falar. – pedi, franzindo o cenho.
Sentei-me numa cadeira perto do balcão quando ela começou.
- Seu pai precisa fazer uma cirurgia. Muito delicada.
- Para retirar aquele outro tumor?
- Sim. Você sabe, pode se espalhar.
- É muita coisa. Tudo ao mesmo tempo. – falei, sacudindo a cabeça.
- Eu sei. – ela disse, me olhando com ternura. – Já te falei para esquecê-la.
Assenti, com a cabeça baixa.
- É uma cirurgia muito difícil. Seu pai precisa de um longo acompanhamento depois disso.
- Já conseguiu o cirurgião de Boston?
- Não. Nós iremos até ele. – respondeu.
- Nós? Só você e o papai? – inquiri.
- Não. Nós todos.
- Eu também vou?
- Sim. – ela analisou as mãos, depois ergueu a cabeça e olhou para mim. – Iremos nos mudar. Vamos morar em Boston depois do Natal.
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A conversa com a minha mãe fora só o último motivo que eu tinha para definitivamente não ir para casa depois da loja.
Precisava desopilar aquela noite.
Perdi a namorada, teria que me mudar do lugar que nasci e cresci, mudar de escola e ficar longe dos meus amigos.
Eu não podia culpar o meu pai. Estava feliz que finalmente iam retirar o tumor e poderíamos tê-lo nas nossas vidas de novo.
Mas eu não estava feliz com a minha vida.
Naquele momento, eu só queria beber, e beber, e beber. E foi o que fiz. Saí com Eric e Tyler. Fomos numa festa de uns chegados nosso. Cheguei em casa de manhã, carregado pelos meus dois amigos.
Acordei de ressaca e ouvi o sermão da minha mãe a tarde inteira. Quando já estava cheio, tomei banho, troquei de roupa e fui para casa de Tyler, levando o meio litro de vodka que ainda tinha na garrafa. Tyler estava no quarto, fumando um baseado escondido. Eu não sabia que ele fazia isso até a noite passada, quando ele me ofereceu um, mas eu neguei, ficando apenas com a minha bebida.
Saímos para comprar mais bebidas. Na volta, Tyler começou a contar os planos que ele tinha para a festa mais tarde na casa de Ben, que incluía comer a Jessica em todas as posições e lugares possíveis. Senti inveja dele. Eles nem eram namorados, estavam apenas ficando há um tempo e já transavam. Enquanto eu, em quase dois anos, não conseguira nada com Bella. Ela nem sequer tinha tocado no meu pau.
Comecei a beber de novo. Pensando no quanto fui idiota durante todo esse tempo. Tanto respeito para quê? Esperei tanto tempo para quê?
Bella não imaginava, mas eu a traí uma vez com Lauren, há aproximadamente um ano atrás, quando ela viajou para Nova York com a família. Lauren sempre demonstrou interesse por mim, antes mesmo de Bella chegar à cidade. Quando tínhamos quinze anos, éramos parceiros de biologia e nos encontrávamos com muita freqüência na minha casa para fazer trabalho.
Num desses dias, Lauren me propôs que perdêssemos a virgindade com o outro. Claro que eu adorei a idéia e concordei. Transamos a tarde toda, mas prometemos guardar segredo. E pelo que parecia, esse segredo estava guardado até hoje.
Eu nunca fui apaixonado por ela. Nem mesmo depois que transamos a primeira vez. Eu não sabia, mas ela continuou nutrindo sentimentos por mim. Confessou-me quando nos encontramos na festa de Danny.
Era um sábado, estava sozinho em casa. Bella passaria duas semanas fora, então resolvi ir à festa.
FLASHBACK ON
- E aí, Mike. Você veio. – disse Danny, enquanto trocávamos um abraço amigo.
- Bella viajou, está em Nova York. Não queria ficar em casa. – falei, dando de ombros.
- Então curte a noite cara. Toma pega aqui. – disse, me entregando uma dose de whisky.
- Deixa eu adivinhar... Jhonnie?
- Na mosca. – sorriu.
- Vou ficar viciado nisso por sua culpa. – disse rindo, dando um gole.
- Relaxa, cara . Bebe aí e curte sua noite de solteiro.
Olhei com cara feia.
- Hey, calma. Só estou brincando. Sem falar que Bella nunca chegaria a saber se você curtisse alguma gatinha aqui. Ela está muito longe.
- Não vou fazer isso. – falei.
- Mike, me diz. – falou, colocando o braço por cima do meu ombro. — Há quanto tempo você está sem sexo? Você disse que Bella ainda é virgem...
- Preciso mesmo responder isso, cara?
Danny começou a gargalhar.
- Sério, não sei como você agüenta.
- Nem eu. – bufei.
- Curte aí cara. Preciso falar com a minha gatinha.
- Ah! A Jenna. – disse, dando um gole na bebida.
- Não. Kate. – comentou.
- Sempre mulherengo. – disse, sorrindo.
Circulei pela casa, cumprimentando algumas pessoas. Na verdade não conhecia ninguém além de Danny, que era cliente da loja do meu pai e há pouco tempo tinha se tornado um amigo.
Já tinha tomado alguns copos de whisky quando encontrei quem eu nunca imaginei que encontraria aqui.
- Lauren? – perguntei ao me aproximar.
- Mike? — perguntou surpresa quando se virou para me olhar. – O que você está fazendo aqui?
- Sou amigo do dono da festa.
- E eu sou amiga da dona. – disse, apontando para a amiga ao lado. – Mandy, esse é Mike, Mike essa é Mandy, irmã do Danny. – disse apresentando a então irmã do meu amigo.
- Oi. – cumprimentei. – Não sabia que Danny tinha uma irmã.
- Oi. – respondeu. – Meu irmão e eu não nos damos muito bem. Agora se vocês me dão licença, vou ao banheiro.
- À vontade. – falei, dando espaço para ela passar.
Quando Mandy saiu, ficamos apenas Lauren e eu. Um silêncio desconfortável pairou entre nós. Desconfortável pelo menos para mim.
Desde que Bella chegou e começamos a namorar, nunca mais conversamos ou tivemos um momento assim sozinhos, como agora.
- E então. Como está Bella? – perguntou.
- Está bem. Viajou para Nova York.
- Uh. Tão longe. Por isso você está aqui? – questionou Lauren, levando à boca o copo que segurava. Dentro, alguma bebida de coloração amarela.
- Não. Não estou aqui só porque ela está viajando. Viria de qualquer maneira. – menti. Eu não viria se Bella estivesse na cidade.
- Sei. – riu com escárnio.
- O que foi? – perguntei, levemente irritado.
- Você é dominado por ela Mike. Duvido que você vai contar que esteve nessa festa quando ela chegar.
- Claro que eu vou. Nós contamos tudo ao outro. Entre nós não há segredos. – rosnei.
- Tudo mesmo? Contou a ela que perdeu a virgindade comigo? – perguntou, erguendo a sobrancelha.
Abri a boca para falar, mas logo em seguida fechei. Não tinha como mentir.
- Não. – respondi, baixando a cabeça.
Ela riu ainda mais.
- Então não diga que entre vocês não existem segredos. – disse, levando novamente o copo à boca. Mas dessa vez ela fez isso de forma muito lenta. Passando a língua pelos lábios depois de ingerir.
- Você contou para alguém? – perguntei.
- Claro que não. E você?
- Também não. – respondi, sacudindo a cabeça. A história que Bella sabia era a que eu havia perdido a virgindade com uma menina num acampamento de férias.
- Ótimo.
- Por que ótimo? – inquiri.
- Bem... porque você não quer que a Bella fique sabendo. Então ótimo que ninguém sabe. Ela nunca vai descobrir. – disse, se sentando na cadeira. Ela jogou sua perna esquerda por cima da coxa direita. Revelando um pouco da sua calcinha branca no processo, debaixo da saia curta.
Acho que estava me provocando.
- Não. Ela nunca vai descobrir. – disse, respirando com um pouco de dificuldade.
- O que foi Mike?
- Nada.
- Tem certeza?
- Sim.
- Ok. – disse ela, virando a cabeça para trás, escorando-a no encosto da cadeira.
Bebi mais um pouco do whisky, depois olhei novamente para Lauren.
Ela estava diferente. Já faziam mais de dois anos desde que transamos a primeira vez e o seu corpo mudou. Ela estava mais sexy. Mas não era linda como Bella. Apenas normal.
- Apreciando a vista? – perguntou.
- Não pode? – perguntei.
- Homens solteiros sim.
- Estou solteiro essa noite. – disse, me arrependendo em seguida do que disse. – Er... esquece o que eu disse.
- Esquecer? – perguntou rindo. – Confessa que você está com vontade de repetir aquela tarde, Mike. Confessa. Eu sei que você gostou.
- Sim, eu gostei. Você sabe disso. – disse, não falando nenhuma mentira. Foi realmente muito bom. Não a primeira, porque ela sangrou e reclamou de dor. Mas as outras sim.
- Confessou que gostou. – ela disse, se levantando, vindo em minha direção. – Agora só falta confessar que quer repetir. – sussurrou maliciosamente no meu ouvido.
- Sim. Eu gostaria de repetir. – falei de uma vez antes que me arrependesse. – Mas depois já sabe, não...
- Eu sei, eu sei. Que fique só entre nós. – rolou os olhos. – Vamos lá. Vamos arrumar um quarto. – disse, me puxando pela mão.
Eu precisava de um alívio.
Não seria tão grave com alguém que eu já fizera isso, seria?
FLASHBACK OFF
Aquela transa com Lauren foi um erro, apesar de ter sido... deliciosa. Foi bem melhor que a nossa primeira vez. Dessa vez, tinha rolado também sexo oral.
Naquela noite, ela confessou que ainda era apaixonada por mim, mesmo sabendo que eu não sentia o mesmo. Mas afirmou que nunca causaria problemas entre mim e Bella, que ela sabe onde é o seu lugar.
Como prometera, nunca contou nada a ninguém. Eu muito menos. O medo que Bella descobrisse o que aconteceu entre nós dois era tão forte que eu nunca apresentei Danny a ela. Exceto o dia que fomos a Roxxy, no dia do aniversário dele. Danny sabia que eu tinha transado com Lauren, e também soube guardar segredo.
Por muito tempo, me senti a pior criatura do mundo por ter traído Bella. E mentido, já que a história que contei, sobre a minha primeira vez, tinha sido bem diferente. Inventei que fora aos quinze anos, com uma garota que conheci no acampamento de verão. Vivi todo esse tempo receoso pela sua reação dela se um dia descobrisse que tinha sido com Lauren. E muito mais, se ela sonhar que aconteceu de novo.
Foi uma fraqueza. Malditos hormônios, eu sei.
Quando ela chegou de Nova York, eu a beijei com tanta intensidade, tanto medo, tanta saudade que até mordi sem querer a língua dela com meus dentes. E assim fui levando. Sendo um namorado dedicado, fazendo seus mimos, tentando agradar, fazendo tudo que ela queria como forma de diminuir a minha culpa. Eu me dediquei incondicionalmente a ela durante todo esse tempo.
E o que eu recebi ao final de tudo?
Ela me deixou. Me trocou por aquele sedutorzinho.
Eu só queria beber. Mas acabei experimentando o baseado de Tyler. O resultado disso foi: eu chapado ainda no início da noite. Estava muito alto quando cheguei à casa de Ben. Só devia ser efeito da bebida, porque Tyler fumou muito mais que eu e estava ótimo.
Continuei a beber, recebendo olhares de reprovação de todo mundo. Eu não estava nem aí. Só queria que me deixassem viver a minha fossa em paz.
Estava sentado, encolhido no corredor quando a vi. Ela estava sozinha. Quer dizer, estava com Lauren e não com quem achei que estaria, já que era com ele que ela agora namorava.
Como ele permite que ela vá a festas sozinha?
Não que eu me importasse. Só que se fosse eu em seu lugar, não permitiria.
Levantei-me rapidamente, cambaleando um pouco, e fui até ela, que me destratou pela enésima vez só essa semana. Lauren intercedeu por ela, dizendo que eu a largasse. Mal sabia Bella que isso era apenas raiva por eu nunca ter dado uma chance a ela.
Eu queria ir para casa. Mas sabia que a minha mãe ia me encher quando me visse nesse estado. O jeito seria ficar e aguardar o efeito passar. Continuei sentado no canto do corredor, vendo tudo girando. Fechei os olhos e permaneci ali por uns vinte minutos, até sentir um braço me sacudir. Era Eric.
- Hey, cara. Por que você não sobe e dorme um pouco em um dos quartos?
Assenti e me levantei.
Subi as escadas apressado. Paralisei quando olhei ao final do corredor.
Bella.
No fim das contas, isso só podia significar destino. Eu só tinha que mostrar o que ela não conseguia mais enxergar por causa daquele ladrão de namoradas.
Quando percebi que ela estava se virando, entrei às pressas na primeira porta aberta que eu encontrei. Estava escuro, mas eu sabia que era um quarto. Assim que ela passou pelo corredor, eu a puxei. Coloquei a mão na sua boca antes que ela gritasse. Ela ainda não sabia que era eu. Tentou se desvencilhar dos meus braços, mas só conseguiu que eu a soltasse quando mordeu a minha mão, me fazendo gritar de dor. Pedi mais uma vez para conversar e mais uma vez ela se recusou, dizendo que não tínhamos nada para conversar.
Não sei se era o meu desespero ou a minha vontade, mas depois disso eu a agarrei, tentando beijá-la a todo custo. Eu iria embora para Boston depois do Natal, só queria provar o gosto do seu beijo novamente. Mas ela gritou, lutou, me empurrou, tentou fugir. Ela queria tudo, menos ocupar o mesmo espaço comigo. Mas eu a queria. Eu queria fazer tudo que nunca fizemos, mas eu não iria forçá-la a transar comigo. Estava bêbado, mas não estava louco para tal ponto.
Eu só queria uns amassos. Beijinhos de despedida.
Não sabia nem mais o que fazer para segurá-la quando de repente senti um soco. Bem no meio do meu nariz. Levei as minhas duas mãos até ele, e comecei a gritar de dor.
Bella me bateu com força!
E pela segunda vez essa semana.
Ouvi alguém entrar no quarto, e em seguida gritar por Bella no corredor. Podia identificar que a voz era de Jessica. Poucos segundos depois, ouço a voz de Ângela, me xingando.
E depois não lembro mais nada. É um apagão. Só lembro que acordei no hospital.
Tinha uma tala no nariz, e várias pessoas me odiando. Até mesmo a minha mãe, que passou dois dias sem falar comigo. Não fui à escola ontem, nem hoje. Não queria sair de casa, nem ver ninguém. Nem mesmo Bella. Muito menos Charlie. Eric me contou que ele foi a minha procura na festa e no hospital e que estava muito irado. Mas eu sabia que não podia fugir, afinal, amanhã nos encontraríamos na escola, numa reunião com o diretor.
Só saí hoje à tarde porque tive que resolver a situação da Newton’s, que tinha sido vendida. Com meu pai no hospital, fui seu procurador, já que a minha mãe não sabia e nem queria se intrometer nos negócios da família.
Já se passavam das sete da noite quando estacionei o carro próximo a calçada, vendo um carro prateado com vidros fumês parado na frente da minha casa. Assim que abri a porta e saí, o dono do outro veículo fez o mesmo, fechando-a com força.
POV EDWARD
Uma ira descomunal me consumia.
A minha vontade era de socar tudo que eu encontrasse na minha frente.
Nunca quis tanto matar alguém como eu queria matar aquele filho da puta agora. E eu mal podia esperar para encontrá-lo. Não importa se ele estava bêbado ou não. Ele iria se arrepender por ter encostado as mãos imundas em Bella. E minha raiva só aumentava quando pensava que eu não estava por perto.
Mas onde começar a procurar por ele?
Não fazia idéia de onde ele morava ou onde estava nesse momento.
Corri a minha mão nervosamente pelo meu cabelo, enquanto que com a outra agarrava com muita força o volante.
Pensando.
Foi então que lembrei de Rosalie.
Peguei meu celular, que já tinha mais de cinco chamadas não atendidas – todas de Bella – e procurei o número da minha cunhada. Não encontrando nada.
- Porra! Como eu não tenho o número do celular de Rosalie? – resmunguei.
Liguei para Emmett.
- Hey, Ed. – ele disse logo que atendeu.
- Me passe o número do celular de Rosalie. – pedi apressado.
- O número de Rosalie? Pra que você quer?
- Sem perguntas, Emmett. Passa logo! – pedi de novo, impaciente.
- Ela está aqui do meu lado. Vou passar o celular para ela.
Ótimo. Pensei comigo mesmo.
- Edward? Aconteceu alguma coisa com Bella?
- Não. Quero o endereço daquele... – interrompi minha fala, inspirando ar. – o endereço de Mike. – falei o nome secamente.
- O que você vai fazer lá? – perguntou.
- Rose, por favor! É só me dizer onde eu posso encontrá-lo. – disse, tentando não alterar a voz. Mas já estava no meu limite de paciência.
Ela hesitou, mas logo me passava o endereço da loja e da casa daquele verme.
- Então é isso. Acredito que ele esteja na loja do pai a essa hora. – pausou, e depois continuou. – Mas olha lá hein! Óbvio que aquele projeto de pigmeu merece um corretivo, mas não vai fazer besteira Edward. – disse.
- Obrigado Rosalie. – agradeci, desligando em seguida.
Passei primeiro na Newton’s, como Rosalie havia sugerido. Mas ao chegar lá, encontrei fechado. Não funcionou hoje, segundo informações das lojas vizinhas, que estavam todas abertas. Então dirigi rapidamente até a segunda opção. Sua casa.
No caminho meu celular vibrou mais uma vez. Dessa vez, tinha uma mensagem de voz. Apertei o botão, sem olhar o nome, porque imaginei que seria de Bella. Mas ao ouvir a voz constatei que era Jasper.
Edward, onde você está? Bella ligou para cá. Ela está preocupada. Me liga.
Continuei a dirigir, ignorando mensagens e ligações. A última coisa que queria agora era alguém tentando inibir o meu propósito.
Passei por um sinal vermelho. Mas só percebi quando ouvi buzinas atrás de mim.
Sim, eu estava louco.
Parei o Volvo próximo a calçada, na frente da suposta casa. Estava escura e silenciosa. Mesmo assim, saí do carro, a passos largos, e caminhei até a porta de entrada, tocando a campainha. Esperei um pouco até tocar a segunda vez. Nada.
Pelo visto não havia ninguém. Mas uma hora aquele desgraçado chegaria. Eu iria esperar.
Voltei para o carro e sentei no banco, ligando o som do carro em seguida para me distrair. Puro engano. Não havia nada que pudesse me distrair agora. Nada que pudesse controlar a adrenalina e os meus batimentos cardíacos.
E eles só aceleraram quando finalmente, minutos mais tarde, vi o carro parar, na frente do meu. E o filho da puta sair de dentro dele.
Abri a porta do volvo, e a fechei com força depois que saí. Só então olhei para o seu rosto. Ele tinha uma tala no nariz. Provavelmente provocado pelo soco de Bella. Senti orgulho, apesar de ainda estar chateado por ela ter escondido de mim o que estava acontecendo.
Caminhei pela calçada, até ficar a aproximadamente dois metros de distância dele.
- Eu sabia que você viria. Só não entendo o porquê de não ter vindo antes. – disse, em tom de desafio.
- Não se engane. Eu teria vindo – disse, tentando me controlar. Eu tinha que parecer calmo. –, se tivesse conhecimento do que aconteceu. Mas só agora soube disso.
- Own. Sua namorada não disse antes? Aliás, interessante alguém como você largar a namorada em plena noite de sábado numa festa... hum... ela te contou o que rolou por lá?
Meu corpo começou a tremer, a raiva tomando conta de mim completamente.
- Eu estava viajando, a trabalho.
- Péssimo dia para se trabalhar, não? Afinal, que tipo de namorado é você? – questionou.
- O namorado que ela escolheu? Que ela se apaixonou? Ou o cara que ela liga todas as noites antes de dormir? Quais dessas respostas servem para você? Olha que posso te dar agora uma infinidade de opções. – inquiri, erguendo a sobrancelha. Se era para provocar, vamos lá Mike.
- Você a seduziu! – exclamou, me fazendo rir.
- Ah, eu a seduzi? Interessante. – disse, sarcástico.
- Sim. Você a tirou de mim. Ela estava feliz comigo até você aparecer. – disse entredentes.
- Não a tirei de ninguém. Não tenho culpa se você continua cego e não enxerga que o que vocês tinham era apenas amizade.
- Nunca foi amizade. Responda por si. Não por ela ou por mim! – disse, aumentando o tom de voz.
- Tsc, tsc, tsc. – desdenhei, balançando a cabeça. – Você sabe que era.
- Você não sabe de nada! Você não sabe nada do que existia entre Bella e eu. – vociferou.
- Ah, eu sei sim. – provoquei.
- O que você sabe? O que ela falou?
- Nada que eu venha compartilhar com você. – avisei.
- Como se tivesse muito o que dizer. – riu com escárnio. – Cara, você vai morrer na mão como eu. Se você estiver pensando que ela vai ceder m...
- Que merda você está dizendo? – interrompi, cético.
- Se você acha que ela vai fazer sexo com...
E então minhas mãos voaram para o seu pescoço, antes que ele pudesse completar o que ia dizer, e imprensei a lateral direita do seu rosto contra o capô do carro com muita força.
- Não estou falando nenhuma mentira. Me solta! – disse, com a voz embolada.
- Cala a porra dessa boca! – disse, erguendo a sua cabeça e a batendo contra o capô.
- Não vale a pena. Ela vai te deixar, como fez comigo. No final você vai ver que só perdeu tempo esperando.
Minha raiva só se multiplicou. Eu o peguei pela camisa, e o arremessei contra o chão. Assim que ele se pôs de pé, me aproximei, ficando a centímetros do seu rosto.
- Você tem consciência da merda que está dizendo?
- Eu a conheço muito mais que você. Ela é ingênua. Se você está esperando que ela venha a fazer sexo com você, é melhor esperar sentado.
Minhas narinas inflaram.
Não demorou mais de cinco segundos para que eu desferisse um soco na lateral direita do seu rosto.
Ele gritou e caiu, levantando cambaleante segurando o queixo.
- Seu desgraçado! – vociferou, vindo na minha direção, tentando me acertar um soco.
Desvencilhei-me e ele socou o ar. Aproveitei e o puxei pela gola da camisa.
- Escuta aqui seu bosta. – disse num tom de voz ameaçador, forçando-o a me encarar enquanto eu falava. – Eu não estou com Bella para suprir as minhas necessidades físicas, se era isso que você estava se submetendo durante todo esse tempo. Eu estou com ela porque eu... porque eu a amo. – disse em alto e bom som. Era a primeira vez que eu dizia que a amava em voz alta, que eu dizia para alguém.
- Agora você diz isso. Quero ver daqui a algum tempo! – exclamou.
- Vou esperar o tempo que for. – disse com a voz dura, ainda agarrando sua camisa.
E então ele riu.
Riu na minha cara, me deixando confuso.
- Do que você está rindo?
- De você. – continuou rindo. – Não percebeu? Joguei verde, você acabou confessando que nunca fizeram sexo.
Enrijeci e, sem pensar duas vezes, soltei a sua camisa e em um segundo dei um murro em seu nariz. Tenho absoluta certeza que ouvi o barulho de mais ossos se partindo.
Ele gritou, tateando seu rosto enquanto o sangue escorria pelo nariz.
- Oh meu deus. Oh meu deus! Está doendo muito. – ele disse enquanto mais sangue jorrava do seu nariz.
- É mesmo? – ri sarcasticamente.
Ele fez menção de se afastar e eu o puxei.
- O que é? Perdeu a graça? Ri seu filho da puta! Eu quero ouvir você sorrindo! – gritei, enquanto andava ao seu redor.
- Foi mal, cara. – ele disse gemendo.
- Sim. Foi muito mal. Você mexeu com a pessoa errada!
E então dei um soco no seu estômago.
Ele caiu de joelhos, gemendo de dor, deitando-se em posição fetal, com as mãos ao redor do estômago.
- Isso foi por ter agarrado Bella contra a vontade dela. – falei apontado o dedo no seu rosto.
- Eu estava bêbado. – gemeu, fazendo careta.
- Foda-se. E escuta bem o que eu vou te dizer, porque eu não vou repetir. – disse em tom de ameaça. – Fique longe de Bella!
- Eu não ia fazer nada. Só queria um beijo, como nos tempos que ela era minha.
- Bella nunca foi sua! – gritei. – Nunca foi e nunca será. Coloca isso na porra da sua cabeça!
Ele tentou se levantar, mas não tinha forças. Então, saiu rastejando com as mãos e os joelhos pelo chão.
- Não terminei ainda. – disse, dando-lhe uma rasteira. Em seguida segurei o seu cabelo em punho, pressionando a lateral do seu rosto no chão, fazendo-o cair de novo no chão de concreto.
Minha vontade era de apertar a sua cabeça contra o chão.
- Por favor, me solta. – começou a implorar.
- Não está gostando de ser segurado à força? – rosnei.
- Eu juro que não vou mais encostar um dedo nela. – disse, a voz baixa.
- Eu não ouvi. Fala mais alto porra!
- Nunca mais vou incomodar a Bella. Me solta, meu nariz. Meu nariz, cara!
Eu o virei para olhar para mim.
- Não. Você não vai. – falei, puxando em seguida a atadura que segurava a tala do seu nariz e o soltei.
Mike gemeu e começou a gritar.
Permaneci em pé, assistindo não sei por quanto tempo ele gemer e se contorcer de dor. Era possível ver as lágrimas desesperadas em seus olhos, implorando para cair.
Foi então que senti uma mão no meu ombro.
Não precisava olhar para saber quem era. Eu era capaz de reconhecer aquele cheiro a quilômetros de distância.
Bella.
- Hey, vocês estão brigando? – perguntou Charlie, chegando logo em seguida, parando ao meu lado.
- Você também veio me bater? – perguntou o infeliz, com uma expressão de medo na face.
- Não vou bater em você, apesar de ter tido vontade de fazer isso. O que você pensou que estava fazendo?
Ele não respondeu.
Após alguns minutos, pegou a tala no chão, que eu tinha arrancado do seu nariz. E com muita dificuldade e a cabeça baixa, se levantou.
Continuei na mesma posição. Ainda não tinha olhado para trás, onde estava Bella. Mas eu sabia que ela ainda estava ali.
Mike ergueu os olhos, fitando na direção dela.
- Eu sinto muito. – ele disse.
Esperei Bella dizer alguma coisa, mas ela continuou em silêncio. Ouvia apenas o som da sua respiração ofegante.
Charlie, então, se pronunciou.
- Deixe-a em paz. Bella está seguindo a vida dela. Siga você também a sua. Nem todos os relacionamentos são duradouros. Você acha que é o primeiro a passar por isso?
Ele abaixou novamente a cabeça, sacudindo-a em negação.
— Eu tive a sua idade. – continuou Charlie. – Também tive um coração partido, mas segui em frente. Quando entrei na faculdade, conheci Renée. Estamos há mais de vinte anos juntos e felizes. Você também vai encontrar alguém. Mas você não pode obrigar alguém a gostar de você.
- Eu sei. – disse cabisbaixo.
- Então trate de lembrar disso sempre que cruzar com a minha filha. – disse Charlie. – Agora entre e vá lavar esse rosto.
- A-acho que preciso ir no hospital. Provavelmente tenho mais alguns ossos quebrados.
Charlie o avaliou e em seguida me olhou.
- Sou contra a violência, mas não posso censurar o que Edward fez. Talvez, se eu tivesse no lugar dele, teria feito a mesma coisa.
Ele assentiu e se virou, caminhando em direção a casa.
Assisti quando ele abriu a porta, entrando. Em seguida, acendeu a luz e a fechou.
- Acho que por hoje chega. Vamos para casa. – disse Charlie.
- Pai ... er... você pode ir na frente. – ouvi a voz de Bella pela primeira vez desde que chegou.
- Edward? – chamou Charlie.
Virei-me para olhá-lo e assenti com a cabeça.
- Er... tudo bem entre vocês? – perguntou, olhando de mim para Bella, depois de Bella para mim.
- Sim, pai. Nós só precisamos conversar.
- Ok. – disse, indo até o carro de Bella, ligando o motor e depois saiu.
E então éramos apenas nós dois.
Ela estava do meu lado esquerdo, e pela minha visão periférica, podia sentir que ela estava me olhando.
Inspirei fundo e depois soltei o ar, caminhando até o Volvo. Abri a porta, como um convite para que Bella entrasse. Depois de alguns segundos, ela saiu do lugar e andou em minha direção. Antes de entrar, olhou no meu rosto, mas eu ainda não conseguia olhar para ela. Continuei a fitar o chão. Ela suspirou e resolveu entrar.
Fechei a porta e dei a volta no carro, entrando pelo meu lado. Sem dizer nada, girei a chave e o coloquei em movimento, sumindo daquele lugar. Permaneci em silêncio, refletindo enquanto dirigia. Eu não estava mais como antes, tão furioso quanto quando cheguei à casa de Mike, mas ainda não estava calmo. Ainda estava com raiva. Muita raiva. Raiva de Mike, por ser o responsável de tudo isso, raiva de Bella, por ter me escondido, e principalmente raiva de mim mesmo, porque eu não estava aqui para protegê-la.
Estou cansado dessa distância, dessas viagens, do estilo de vida que venho levando. Longe de casa, da namorada e da família. Eu não quero mais ficar longe de Bella. Eu não consigo mais ficar longe dela. Quero poder estar com ela todos os dias e toda hora se isso for possível. Não sei como vou conseguir ir embora depois de tudo que aconteceu. Como me concentrar, sabendo que ela está longe por milhares de distância, que tanta coisa pode acontecer na minha ausência, e que eu não vou poder estar aqui caso ela precise de mim.
Mas eu não vou mais sair do lado dela. Decididamente, Londres será a minha última viagem, a última peça. Algo que eu deveria ter feito há bastante tempo, quando eu estava na banda. Porque Bella era a minha prioridade máxima, e todas as outras prioridades desceriam um degrau para que ela ocupasse o topo.
Voltaria para casa de vez. Para enfim viver com Bella um relacionamento normal, onde nos veríamos todos os dias. Poder fazer planos, conversar sobre as nossas expectativas para o futuro, discutir sobre qual Universidade iremos no próximo ano. Estarei onde Bella estiver, porque ela é todo o meu mundo e eu não vejo sentido no resto do mundo sem ela.
- Edward... você passou do caminho da sua casa. – disse Bella, tirando-me dos meus devaneios.
Por Deus! Como eu amo ouvir a voz dela. Isso me lembra que eu devia a ela dizer uma certa coisa. Não podia mais esconder.
Nem tinha me dado conta que já tinha se passado tanto tempo, muito menos que já estávamos próximos de casa. Eu realmente não estava prestando atenção. Muito menos sabia para onde estava indo.
Continuei dirigindo. E quando percebi que tínhamos nos afastado muito da cidade, passando por uma estrada praticamente deserta e escura, resolvi parar o carro no acostamento.
Após desligar o carro e travar o freio de mão, novamente o silêncio desconfortável nos fazia companhia.
Bella foi a primeira a quebrá-lo.
- Você está bem? – perguntou baixo, hesitante.
Pensei na sua pergunta. Eu realmente estava bem?
- Não. – respondi acidamente a sua pergunta e a minha, olhando para frente.
Ela ficou quieta por alguns instantes, então voltou a falar.
- Edward... eu sei que você está muito chateado comigo e...
- Eu fiquei louco Bella. – a interrompi. – Quando você disse que ele... Bella, eu não quero ninguém tocando em você. Muito menos ele. Você devia ter me contado. Isso me deixou tão chateado, minha mente ficou em branco e a raiva me tomou conta.
- Eu queria que você soubesse que estou muito arrependida. – disse, apologética.
- Bella, nunca mais faça isso comigo. – eu disse duramente.
- Eu só queria te poupar, Edward. Do que adiantaria você saber disso estando do outro lado do país? Isso só iria te atrapalhar e...
- Porra, Bella, não importa! – gritei, fazendo-a estremecer.
Ela assentiu, mordendo nervosamente o lábio inferior.
- Eu podia estar do outro lado mundo. Ainda assim você deveria ter me contado.
- Eu sinto muito. – disse ela. Sua voz era quase um sussurro.
Meu coração batia acelerado, enquanto eu tentava recuperar o controle de mim mesmo.
- Você está com raiva de mim? – perguntou.
- Não. – respondi, balançando a cabeça.
- Você me perdoa? – perguntou, praticamente um murmúrio.
Não respondi. Apenas encostei a minha cabeça no banco do carro, fechando os olhos. Ouvindo o barulho de... nada. Estávamos no meio da estrada, onde só havia mato de um lado e de outro, e raramente passava um carro por ali.
Um silêncio muito longo se estendeu entre nós. E então ouvi um soluço, e isso foi demais para o meu coração.
- Ei! – sussurrei, puxando-a para junto de mim. Ou melhor, me estiquei para passar o meu braço por cima de seu ombro para aconchegá-la em meu peito, numa posição um pouco desconfortante por estarmos dentro de um carro. – Olha para mim. – pedi.
Ela ergueu a cabeça lentamente. E pela primeira vez, desde que saímos da casa de Mike, nossos olhos se encontraram.
Apesar da escuridão, era possível ver o seu rosto graças a precária iluminação dos poucos postes na estrada. Me entristeceu ver os seus olhos vermelhos e o rosto tomado pelas lágrimas.
- Não quero que você chore. – pedi, suavizando a minha voz, fitando-a nos olhos.
- Eu sinto tanto. – disse com a voz abafada pelo choro contra o meu peito.
- Eu sei. Não chora. – falei, limpando delicadamente com o polegar as lágrimas que escorriam pelo seu rosto.
- Edward, por favor, me perdoa. – pediu, voltando a soluçar novamente.
- Shhh... eu te perdôo. Não chora. – falei, beijando o topo da sua cabeça.
Eu a apertei em meus abraços enquanto ela chorava contra o meu peito, molhando a minha camisa. E mesmo desconfortável com a posição dentro do carro, continuei a embalando, até que as lágrimas secassem.
Depois de um tempo, os tremores e os soluços cessaram. Aos poucos sua respiração voltava ao normal e o seu corpo relaxava.
- Eu estou mesmo perdoada? – perguntou quando já não chorava mais.
- Eu disse que te perdôo, não disse? – inquiri, com a voz gentil.
Ela assentiu com a cabeça.
- Eu não quero mais ver você desse jeito. – disse Bella.
- Eu também não quero, Bella. Mas essa será a minha reação sempre que alguém tentar fazer alguma coisa desse tipo com você. – falei, acarinhando o seu ombro com a minha mão.
Ela se desvencilhou dos meus braços e me fitou.
- E... e... você está bem? – perguntou, a voz preocupada.
Inspirei fortemente o ar e em seguida o soltei.
- Agora estou. – disse.
- Ele te machucou?
- Não, Bella. Ele não encostou um dedo em mim.
Ela relaxou e depositou a cabeça novamente no meu peito, fazendo com que eu sentisse a sua respiração na minha pele.
- Eu não estou com raiva pelo que você fez er... com ele. Mas você me deixou muito preocupada quando saiu da minha casa.
- Eu entendo. Lamento muito por fazer você se preocupar. – disse, apertando o meu rosto contra o seu cabelo, sentindo o aroma de morangos neles.
- Não faz mais isso comigo, Edward.
- Não vou fazer. – sussurrei. – Se você me prometer que nunca mais vai esconder de mim o que quer que seja.
Bella afastou o seu corpo quente do meu mais uma vez, ficando de frente para mim, e me olhou, dizendo com muita sinceridade:
- Eu prometo. – sua voz ainda era frágil.
- Ótimo. – falei, afagando o seu rosto manchado pelas lágrimas. – Eu não quero mais nenhum soluço escapando da sua garganta, nenhuma lágrima caindo dos seus olhos. – pausei, beijando levemente a sua festa. Depois continuei. – Eu quero ver o seu sorriso. O sorriso que me encanta. Aquele pelo qual me apaixonei.
Ela sorriu, timidamente.
Continuamos nos fitando com extrema intensidade por uma infinidade de tempo. E nenhum de nós parecia querer quebrar o contato.
Bella ergueu a sua mão até o meu rosto, sem abandonar os meus olhos, acariciando gentilmente a minha bochecha. Estávamos em transe. Hipnotizados pelo outro. Nos encarando. A respiração pesada e os olhos cheios de expectativa. Perguntei-me o que estaria se passando na sua cabeça, porque eu tinha absoluta certeza do que se passava na minha.
E eu precisava dizer isso. Agora.
- Eu te amo. – murmurei as palavras nunca ditas.
Bella arregalou os olhos, parando o movimento de sua mão no meu rosto. Ela parecia surpresa com a minha confissão. O espanto em seu rosto era inexprimível.
Ela recolheu sua mão, e então seus olhos perderam contato com os meus, olhando para baixo, enquanto ela os piscava repetidas vezes, sacudindo a cabeça.
- Edward você está dizendo... – ela começou, mas eu a interrompi.
- Você ouviu. – falei, erguendo seu queixo para que ela olhasse diretamente nos meus olhos enquanto eu repetia aquelas três palavras. – Eu te amo, Bella.
Ela não afastou os olhos dos meus dessa vez, mas sua expressão parecia ainda não acreditar no que eu acabara de dizer.
Não esperava que ela me dissesse o mesmo. Eu só queria libertar o que eu estava sentindo, o que eu precisava dizer, o que eu queria que ela soubesse.
Mas, inesperadamente a sua resposta veio. Acompanhada de um sorriso iluminado e um brilho de felicidade nos olhos. Ela estava maravilhada.
- Eu também te amo Edward.
Meu coração disparou.
E eu sorri. Largamente.
Bella me ama.
Ela disse que também me ama.
Eu quase podia ouvir o meu coração bater erraticamente dentro do peito. Batia tão forte que chegava a doer. Uma sensação de euforia e felicidade, de explosão e contentamento. Eu não conseguia encontrar uma palavra que definisse o meu estado de espírito àquele momento. A felicidade que eu sentia era sem precedentes.
Fui assaltado de tantos sentimentos que não conseguia recuperar a normalidade. Eu simplesmente sorria.
Eu a amo e ela me ama.
Eu podia sentir isso no fundo da minha alma.
Eu queria beijá-la.
Coloquei seu rosto entre as minhas mãos, e o puxei, deixando seus lábios a centímetros do meu.
- Eu te amo. – sussurrei novamente e em seguira a beijei. Como se a minha vida dependesse disso. Como nunca havíamos nos beijado antes.
Nosso beijo era... de amor. De felicidade.
Deslizei a minha língua para dentro de sua boca, sentindo a dela, quente. Nos beijamos lentamente, massageando a língua um do outro. Segurei fortemente a sua cintura, aproximando firmemente o seu corpo de encontro ao meu, não querendo deixar nenhum espaço entre nós.
- Eu te amo Edward. – falou contra os meus lábios.
Nosso beijo tornou-se mais urgente e então ela fez. Fez o que eu mais gostava.
Bella apertou a mão nos meus cabelos em punho, puxando-os, aprofundando o beijo. Não consegui esconder o gemido. Ela sabia que eu gostava disso.
Mas a posição que estávamos era tão desconfortante, que eu já sentia a minha coluna doendo. E antes que eu pudesse pensar, eu já estava dizendo.
- Vem cá. – disse, pegando-a pela cintura.
Empurrei o meu assento para trás, em seguida coloquei Bella sentada no meu colo de frente para mim, com as suas pernas flexionadas, cada um de seus joelhos em cada lado do meu quadril.
- Está confortável assim? – perguntei.
- Sim. Está melhor que antes. – respondeu, sorrindo tímido.
Ela inclinou-se todo o corpo para frente, deslizando vagarosamente a sua língua quente pelo meu lábio inferior. E enquanto fazia isso, ela me encarava. Os olhos bem abertos.
Por Deus. Onde ela aprendeu a fazer isso?
Isso foi tão sexy.
Não sei se ela tinha consciência do que estava fazendo, e sinceramente isso não tinha a menor importância. Eu estava gostando. E muito.
Mas definitivamente não esperava o que veio depois.
Bella contornou com a língua o meu lábio superior, e depois de muita tortura, ela a introduziu dentro da minha boca lentamente, tirando-a na mesma velocidade, para introduzir novamente.
Se era intencional ou não me enlouquecer, ela conseguiu. Isso foi o suficiente.
Ergui a minha mão direita na sua nuca, puxando-a para continuarmos de onde paramos. Tomei a sua língua inteiramente, pressionando meu corpo contra o dela com mais força enquanto a beijava ferozmente.
Minhas mãos não sabiam onde ficar. Hora estavam na sua cintura, hora estavam na sua nuca, hora seguravam o seu rosto. Mas as dela pareciam ter criado raiz nos meus cabelos. Ela simplesmente não as tirava de lá.
Não que eu não estivesse gostando, muito pelo contrário. Os meus hormônios estavam fazendo a maior festa. Eu já podia sentir minha calça jeans se apertar com o meu membro pulsante.
Na tentativa de aliviar um pouco o aperto dentro do meu jeans, agarrei Bella pelos quadris enquanto nos beijávamos, para afastá-la um pouco do local.
Mas inesperadamente ela não entendeu a minha ação. Simplesmente colocou os seus braços em cada lado do meu ombro e levantou o bumbum, sentando bem em cima.
Minha mente foi invadida por uma nuvem de luxúria quando apertei as minhas mãos em cada lado do seu quadril. Não consegui me segurar, e quando dei por mim, estava pressionando o meu pênis dentro do jeans contra o seu centro também coberto pela calça.
Voltamos a nos beijar com força total. Bella arfava na minha boca, e mais e mais gemidos eu deixei escapulir. Ela cruzou os braços em volta da minha nuca, fazendo-me apertar os meus em sua cintura, cruzando-os em suas costas enquanto buscávamos o atrito. Bella empurrou ainda mais os seus quadris para frente, e quando menos esperei, já estávamos fazendo os movimentos.
- Bella. – sussurrei em sua boca.
- Hum? – sua voz era praticamente inaudível.
- Deus, Bella. Você sabe o que está fazendo? – questionei, afastando nossos lábios para olhar para ela.
Ela não respondeu, apenas continuou movimentando os quadris.
E eu não conseguia parar.
- Bella. – chamei novamente. – Eu estou me empolgando.
- Eu... sei. Eu estou... sentindo você se empolgando. – murmurou, mordiscando o lábio inferior inchado pelos beijos.
- Então... – disse, friccionando meu membro contra o centro dela. – vamos parar?
- Você quer parar? – perguntou.
- Na verdade não.
- Eu também não. – disse ela. – Está... tão gostoso.
Oh.Meu.Deus!
Bella ainda vai ser a minha morte.
- Hmmm. – foi só o que conseguir pronunciar.
Ela abaixou a cabeça até o meu ombro, depositando o seu queixo. Um segundo depois, meu celular começou a vibrar. Não me mexi um centímetro para atender.
- Seu celular. – sussurrou próximo ao meu ouvido.
- Eu sei.
- Não vai atender? – perguntou enquanto mexia os quadris, pressionando bem em cima.
- Não.
Bella beijou o meu ombro, arrastando mais beijos até o meu pescoço, acariciando aquela área com a ponta do nariz.
- Ahhhhh... – arfei.
Dessa vez, era o celular dela que vibrava.
- Agora é o seu. – eu disse. Ela riu.
- Sim. Devem estar nos procurando.
- Provavelmente. – disse. – Mas eu não quero parar agora. – sussurrei.
- Nem eu. – disse ela.
Deslizei as minhas mãos para o centro de suas costas, fazendo círculos na sua pele nua com os meus polegares, por debaixo de sua camiseta. Ela deslizou novamente a sua boca de encontro a minha, para a minha felicidade.
De repente, meus dedos já estavam na barra da sua camiseta, subindo-a. Bella levantou os braços e ergueu o seu quadril, para que eu pudesse retirá-la. Apenas de sutiã, sentou novamente em cima do volume na minha calça. Mas, quando desceu colocou um pouquinho de força.
- Uh.
- O que houve? – perguntou, preocupada.
- Nada. É só que... er... a minha calça está um pouco apertada. E quando você sentou em cima.. huh... com força, doeu um pouco.
— Oh. Desculpe. – disse, parando de se movimentar.
- Tudo bem. Passou. – disse, inclinando meu rosto para beijá-la, quando ela me pegou mais uma vez desprevenido.
- Você não prefere tirar?
- Tirar? – perguntei confuso.
- Sim. O seu... jeans?
- Tirar? Aqui?
- S-sim. – respondeu timidamente.
- Bella, nós não... – comecei, mas ela me interrompeu.
- É só a calça Edward. Você pode abaixá-la um pouco. Só para não er... apertar. – disse corando.
Pensei um pouco no que ela acabara de me propor.
Tudo bem que ela já me viu de sunga de praia. Tudo bem que certa vez ela me pegou apenas com um pedaço de lençol cobrindo as minhas partes enquanto eu dormia sem roupa.
A questão era que tirar a minha calça jeans nesse momento definitivamente não era uma opção inteligente.
Mas o problema era que agora eu queria tirar.
E isso não ia dar certo.
- Er... levanta um pouco o seu quadril. – pedi gentilmente, e ela obedeceu imediatamente o meu comando.
Abri o botão da minha calça, logo, estava abrindo o zíper. Todo movimento feito enquanto mantinha os meus olhos fixos nela.
Nesse momento desejei ter o poder de ler mentes. Ou melhor, de ler uma mente em específico. Mesmo com a escuridão parcial dentro do carro, podia vê-la claramente. Seu olhar estava cheio de algo novo. Algo que a leitura de sua mente ou coragem suficiente para perguntar me permitiria descobrir o que estava se passando na sua cabeça agora enquanto ela assistia eu empurrar a minha calça para baixo. Deixando-a cair até os pés.
Luxúria.
Seus olhos transbordavam luxúria.
E eu tinha certeza que os meus estavam da mesma maneira.
Após a barreira retirada, Bella voltou a sentar no meu colo. Mas, não em cima. Segurou o meu rosto e me beijou, delicadamente, sugando o meu lábio inferior. Ela mordiscou várias vezes o local, e começou a rir, fazendo-me sorrir junto com ela. Ofeguei quando ela começou a trilhar beijos até o meu pescoço. Ela sorriu e eu puxei o seu rosto para tomá-lo em minhas mãos.
- Você gosta de me provocar. – falei, depositando em seus lábios um selinho.
- Sim. Gosto. – disse ela, ainda sorrindo.
- E eu gosto de ser provocado. – falei, distribuindo selinhos por todo o seu rosto.
- Edward?
- Hum. – falei, ainda a beijando.
- Posso te pedir uma coisa. – perguntou. De repente sua expressão ficou séria.
- Claro, Bella. O que quiser. – disse, colocando uns fios soltos de seu cabelo atrás da orelha.
Ela suspirou, soltando em seguida.
- Er... posso...tocar nele? – murmurou baixo.
Demorou um segundo para que eu entendesse sobre o que ela se referia.
Minha respiração ficou áspera.
- Você quer tocar nele? – perguntei, implorando aos céus que eu tenha entendido errado.
- Sim. – disse, levando o lábio inferior em sua boca, mordendo-o. – Quero fazer o mesmo que você faz comigo.
- Bella, isso não é uma troca. – disse, tirando qualquer dúvida dela em relação a isso. – Não faço esperando algo em troca. Faço porque quero te fazer se sentir bem.
- Eu sei. Eu só quero er... sentir, saber como é. Você não gostaria de saber como é sentir a minha mão.. huhh... nele?
- É claro que eu quero. Só que...
- E então? – perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Bella passou a língua rapidamente pelos lábios. Foi um gesto involuntário, eu sei. Ela costumava fazer isso. Mas essa visão bastou para que eu aceitasse qualquer coisa que ela quisesse.
Eu já não conseguia controlar a minha necessidade.
Encostei a minha testa na dela, fechando os olhos.
- Droga, Bella! Você quer me deixar louco. – falei, sentindo-a estremecer. – Mas sim, sim. Claro que você pode. – murmurei, pressionando meus lábios novamente contra os dela.
Minha respiração começou a ficar errática à medida que a intensidade do nosso beijo crescia. Trouxe o seu lábio inferior em meus dentes e o mordi, puxando em seguida a sua língua para dentro da minha boca. Minha mão subiu até um de seus seios, apertando-o em concha por cima do sutiã. Meu corpo entrou em desespero quando senti uma de suas mãos tocando a minha coxa, massageando em movimentos de baixo para cima.
Ela estava apenas se preparando para chegar ao objetivo.
E eu mal podia esperar por isso.
Num gesto rápido, levei as minhas mãos até o fecho do sutiã, abrindo-o. Passei as alças por cada braço, e o joguei no assento ao lado. Inclinei-me e tomei um deles na boca, ouvindo Bella ofegar e agarrar meus cabelos. Depois de sugar, lamber e beijar seus mamilos, minha mão foi até o botão da sua calça. Bella inclinou-se para trás, encostando as suas costas no volante. Ela abaixou o zíper, em seguida ergueu o quadril e empurrou o seu jeans para baixo. Com muita dificuldade, ela retirou os tênis. E assim, pode passar a calça pelos pés.
Subiu novamente em meu colo. Agora, apenas de calcinha.
Ela colocou as mãos no meu ombro e me olhou. Eu sabia o que significava aquele olhar.
Sorri para ela, consentindo.
Senti a sua mão direita sair de cima do meu ombro, enquanto assistia todos os seus movimentos e a expressão em seu rosto.
Eu estava nervoso, ansioso. Respirando pesadamente enquanto esperava. E essa expectativa iria me matar a qualquer momento.
Meu peito arfou e o meu corpo enrijeceu quando eu finalmente senti sua mão tocar o meu membro por cima do tecido da boxer pela primeira vez.
Fechei os olhos, absorvendo a sensação. Seu toque era tímido, como se ela não soubesse bem de que forma poderia tocá-lo. Sua mão estava apenas por cima do pano, mas me sentia como se estivesse no céu.
Para a minha surpresa, ela começou a acariciá-lo de um lado a outro, uma vez que o meu pênis estava totalmente duro e posicionado para o lado esquerdo dentro da cueca.
- É... tão duro. – sussurrou, dando um pequeno aperto.
Oh. Definitivamente eu morri e estou no céu.
- É você, Bella. Você que deixa ele sim. – falei, colocando a minha mão por cima da dela, mostrando-a como tocá-lo.
- Eu posso... abaixar a sua cueca? – perguntou timidamente.
Antes que eu pudesse responder, ouvimos o som de algo bater o vidro do carro.
- Tem alguém aí?
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