Talvez Seja Amor
23 Capítulo 23
Notas iniciais
POV BELLA
- Mike.
- Então foi por causa dele que você terminou comigo? – perguntou, num tom frio, cerrando os olhos.
Não sei se era apenas impressão, mas a platéia que antes assistia a mim e a Edward parece ter aumentado agora.
- Eu expliquei a você as minhas razões. – falei, tranquilamente. Eu já me sentia bem em relação a Mike, com o nosso término. Fiz o que tinha de fazer. Mais cedo ou mais tarde isso aconteceria, mesmo que Edward não tivesse aparecido na minha vida. Mas eu ainda tinha muito carinho por ele, e tinha plena consciência que o fim do namoro foi um baque para ele.
- Pelo visto você deixou de fora a principal razão, não é? – comentou, rindo com ironia.
- Mike, nós já conversamos sobre isso. Eu não...
- Confessa Isabella! – ralhou, o rosto se retorcendo. Praticamente gritando. – confessa logo de uma vez que terminou comigo para ficar com ele!
- Para com isso! – exclamei. – Eu não quero repetir tudo que eu já lhe disse.
- Não fuja do assunto e também não precisa repetir! – disse, entredentes. – Está tudo aqui. – disse, batendo com o punho à própria cabeça. – Cada maldita palavra que você me disse naquele hospital.
De repente ele abaixou a cabeça, os olhos vagos fitando o chão. Sabia que ele ainda não terminado. Estão esperei, em silêncio.
Vi de soslaio as formas de Ângela e Jessica se aproximando. Fiz sinal para elas pararem onde estavam.
- Você nunca disse que me amava. – falou, voltando a me encarar. O que eu vi em seus olhos me deixou desarmada. Estavam cheios de lágrimas.
- Porque eu nunca amei você, Mike. Não da forma que você queria, que você merecia. – sussurrei, com compaixão, o mesmo que eu o havia dito um tempo atrás.
E lá estava eu mais uma vez triste com essa situação. Eu não queria que ele sofresse mais.
- Você está... com aquele cara? – perguntou, derrubando uma lágrima. Por um segundo tive vontade de enxugá-la, mas me contive.
- Sim. – confirmei.
Ele riu. Mas sem nenhum humor.
- Você o ama?
- Mike, aqui não é lugar para termos essa conversa. Está todo mundo olhando.
- Não mude de assunto! – gritou.
- E não grite comigo! – rebati.
Ângela e Jessica fizeram menção de se aproximar mais uma vez e eu fiz sinal que não.
Ficamos encarando um ao outro pelo que pareceram horas. Minutos depois, seu olhar caiu de meus olhos e percorreu o meu corpo de cima a baixo. Embora eu não estivesse nem um pouco confortável com o que ele estava fazendo, não falei nada. Na verdade, eu não estava entendendo o que ele pretendia.
- Você mudou muito, Bella. Ou eu não a conhecia? – perguntou num tom calmo, voltando a me encarar.
- Eu sou a mesma pessoa. – respondi no mesmo tom.
- Não, você não é a mesma pessoa. – fez uma pausa antes de continuar. – Por que não abriu logo o jogo, Bella? Por que não me contou logo naquele maldito hospital que você estava saindo com ele?
- Eu não estava saindo com ele! – exclamei. – Só nos acertamos aquele dia. Nós nos apaixonamos.
E então ele gargalhou. Muito alto.
- Apaixonados?
- Sim. Apaixonados. — repeti.
- O que é Bella? Em que ele te deslumbrou? Aposto que foi o tamanho daquela casa esnobe que ele vive, certo? Ou será que é por causa do carro que ele tem?
- Você está me ofendendo! – falei, irritada. Mas eu sabia que ele só estava tentando me atingir de alguma forma.
- Bom partido, família rica, boa pinta. – começou a gritar de novo. – Com ele você nem se importa de ficar de amasso na frente de todo mundo. Quanta mudança.
- Amasso? Só foi um beijo. — proferi.
- Sim, amasso. E aposto que a ele você já deu, não é Isabella? — cuspiu.
E então eu vi vermelho. Nunca tinha sido tão ultrajada e insultada em toda a minha vida.
Nunca pensei que faria isso. E pra ser sincera, não tinha consciência do que eu tinha feito e só me dei conta quando ouvi o estalo que a minha mão fez logo que entrou em contato com o lado esquerdo do rosto de Mike com bastante força.
- Nunca. Mais. Fale. Comigo. Dessa. Maneira.
Mike me olhava com horror, como se não acreditasse no que eu tinha feito ou no que ele havia dito. Mas o circo já estava feito e pelo murmúrio alto que de repente se alastrou ao redor, a platéia tinha tido o espetáculo que tanto queria.
Não tinha percebido que as meninas já estavam por perto, até ouvir a voz de Ângela.
- Meus Deus, o que está acontecendo aqui? – perguntou, atarantada.
— Bella, quem é aquele que você estava beijando? Santo Deus, ele é muito gato! – exclamou Jessica.
- Jessica, cala a boca! – gritou Ângela. — Bella, você está bem? – me perguntou logo em seguida.
- Eu vou para a minha aula. – disse, olhando para Mike com muita raiva.
Saí de perto dele e comecei a caminhar em direção ao prédio. Eu ainda não conseguia acreditar no que ele tinha dito.
- Bella, precisamos conversar. – ele falou atrás de mim, me seguindo.
- Não temos mais nada para conversar! – falei, e continuei andando.
- Bella. – disse, agarrando meu braço.
- Me solta! – gritei.
Ele recuou e me deixou ir.
Ouvi passos atrás de mim e já estava me preparando para gritar de novo, mas percebi que eram Jessica e Ângela.
- O que Mike falou para te deixar tão irritada, Bella? – perguntou Jessica. Não respondi. Continuei andando com as duas no meu encalço.
A quantidade de alunos no estacionamento nunca esteve tão numerosa quanto hoje. Eu queria ignorá-los, mas era praticamente impossível esquecer que eu era o centro das atenções naquele momento quando abriram passagem para eu passar como se fosse algum tipo de celebridade caminhando com toda a pompa e glamour pelo Red Carpet.
Patéticos! Vão arrumar o que fazer e parem de olhar a vida dos outros!
Quando já estávamos no corredor, indo em direção à aula de literatura, pude respirar mais aliviada. Mas eu sabia que era apenas momentâneo. Meu nome continuaria na boca das pessoas por dias. Sei que eles não conseguiram ouvir muito da nossa conversa por causa da distância, porém, me ver com o Edward, logo em seguida ver Mike se aproximando e depois eu o estapeando, não era bem difícil de tirar conclusões.
Suspirei e parei de andar.
- Bella, você vai nos explicar o que foi aquilo que aconteceu lá fora?
- Vou. Mas não agora, Ângela. Podemos conversar na hora do almoço?
- Claro que sim.
- Bella, só me responde uma coisa. Por favor, por favor! – pediu Jessica.
- O que Jessica? – conhecendo-a como conheço, já sabia do que se tratava.
- Quem é aquele que você estava beijando?
- Meu namorado. – respondi sem rodeios. Ela arregalou os olhos e começou a dar pulinhos, fazendo-me lembrar Alice. – E agora sem mais perguntas. Vou fazer um resumo do que aconteceu no intervalo, mas outra hora conto a história inteira.
- Ok, ok. Agora vamos que estamos atrasadas. Quero que a hora passe rápido. – ela me puxou pelo braço para entramos na sala.
Como que atendendo ao pedido de Jessica, o tempo realmente passou rápido e lá estávamos nós indo até o refeitório. Como eu já sabia, as pessoas me olhavam com curiosidade e cochichavam, querendo saber e entender o que houve no estacionamento no início da manhã. Eu as ignorei e continuei agindo normalmente, como todas as manhãs. Pouco me importava o que elas estavam falando ou pensando. Eu só odiava ser o centro das atenções.
Vaguei meus olhos por ali, mas não localizei Mike em nenhum lugar. Melhor assim. A última coisa que eu queria era topar com ele.
Ângela, Jessica e eu pegamos nossa refeição e saímos de lá. Combinamos de comer do lado de fora, sentadas no jardim enquanto eu narrava os acontecimentos dos últimos meses. Na verdade, elas comeram porque eu não estava com um pingo de fome. Fiz um resumo da história, omitindo a parte que Edward e eu nos beijamos naquela sexta-feira de setembro, dois dias depois do meu aniversário. Aqui não era hora nem lugar para eu contar sobre isso. Numa outra oportunidade, falaria.
- Cara. Eu estou... sem palavras. – disse, Ângela.
- Poxa, Bella. Isso tudo acontecendo e você nem pra dizer às suas amigas aqui. – resmungou Jessica, sentida.
- Desculpa, gente. Eu realmente quis falar para vocês antes. Mas quanto mais pessoas soubessem, maiores as chances disso vazar. Eu só queria preservar a mim e a Edward. Por isso resolvi dar um tempo. Me desculpem.
- Tudo bem, Bella, eu te entendo. Estou tão feliz por você. — disse Ângela, sorrindo.
- Eu desculpo, mas não entendo. Você deveria ter nos contado. – ralhou Jessica.
- Jess, por favor, me compreenda. Não é que eu não queria que vocês soubessem. Só que... poxa. Vocês também são amigas de Mike, e podia acontecer de....
- Tudo bem, Bella. Deixa para lá. – ela começou a sorrir. — Agora me conta, como anda esse namoro? Muitos amassos?
Eu ficava impressionada com a capacidade que a Jessica tinha de mudar de humor em apenas um segundo.
Trimmmm.Trimmmm.
Salva pelo sinal.
- Bem, a resposta ficará para a próxima. Hora de voltar para a aula. – falei, fazendo Jessica bufar. Ângela sorriu e nos levantamos para voltar às últimas aulas do dia.
O horário da tarde sempre se arrastava mais que o da manhã. Hoje parecia ainda pior. Eu não estava com nenhum saco de assistir aula de espanhol, mas continuei na sala, rabiscando meu caderno com desenhos no intuito de fazer o tempo acelerar e aula terminar.
Quando o sinal enfim tocou às três tarde, guardei rapidamente minhas coisas e voei para fora, querendo chegar logo ao estacionamento antes que aquilo lá enchesse de alunos. Foi quando lembrei que não tinha vindo com o meu carro e me perguntei se ele realmente estaria aqui como Edward dissera.
Já do lado de fora, fiquei pensando onde eu poderia encontrá-lo. Poucas pessoas haviam saído então o número de carros ainda era muito grande. Pensei na possibilidade dele estar no mesmo lugar que Edward parou o Volvo logo cedo quando me trouxe. E como a minha intuição nunca falha, lá estava o meu Jaguar parado onde horas atrás estava o carro do meu namorado. Sorri, não sei se de alegria ou de tristeza, porque eu já estava com tanta saudade dele. Eu realmente não sei como agüentava ficar tantos dias sem vê-lo e também não sei como vou agüentar ficar por mais de um mês.
Mas eu não queria pensar nisso agora. Ainda teríamos muitos dias para ficarmos juntos. Amanhã seria 1º de Dezembro, e Edward ainda viria por duas semanas antes de voltar de uma vez, dia 19. Passaremos nosso aniversário de segundo mês de namoro juntos, além do Natal, Ano Novo, e alguns dias do próximo ano, até o dia dele partir para Londres.
Abri a porta do carro, que estava aberta, e encontrei a chave na ignição. Inspirei o ar no interior do carro e pude sentir o cheiro de Edward. Tenho certeza que foi ele quem o havia trazido. Mais tarde, quando ele me ligasse, perguntaria como ele fez isso.
Cheguei no Espejo meia hora depois.
- Oi Carl. – cumprimentei o porteiro.
- Oi Bella. – respondeu , sorrindo.
Passei pela entrada e encontrei Agatha, uma das colaboradoras, carregando figurinos em direção ao camarim. Ela foi a primeira pessoa do Espejo que conheci. Fora ela quem me abordou e preencheu a minha ficha no dia que fiz o teste.
- Hey, Bella.
- Oi Agatha. E aí, como foi o feriado? – perguntei, caminhando ao seu lado.
- Em casa assistindo filmes com o meu maridinho. – Ela tinha apenas vinte e três anos, mas já era casada há três anos, sem filhos. – E você? Viajou ou ficou pela cidade mesmo? – me perguntou.
- Er... viajei. Fui para Long Beach.
- Oh, que legal. Seu rosto está mais coradinho mesmo. Foi com a família, amigos, namorado? – inquiriu. Ninguém no Espejo sabia que Edward e eu éramos namorados. Talvez, a partir da próxima semana isso deixaria de ser segredo, já que combinamos não esconder mais.
- Fui com meu namorado, os irmãos dele, minha irmã e uma prima. – respondi.
- Não tem nada melhor que viajar com namorado. Quando eu tinha sua idade, viajei pela primeira vez com o Adam. Fomos para Nova York. Foi nessa viagem que perdi minha virgindade com ele. Foi tão lindo. – disse, suspirando.
- Posso imaginar. – comentei, rindo complacente.
- Você já foi à Nova York, certo? – assenti com a cabeça. – Aquela cidade tem alguma mágica. É tão romântica. Só não foi melhor que a nossa viagem à Londres.
- Ah, vocês já foram para Londres? – perguntei.
- Sim. Foi a melhor viagem da nossa vida. Fomos passar a nossa Lua de Mel.
- Às vezes esqueço que você é casada. Você é tão nova! – exclamei, rindo.
- Sabe, Bella, muitas pessoas me criticaram quando decidi me casar com o Adam tendo apenas vinte anos de idade na época. E se você me perguntar o porquê de eu ter largado a minha liberdade e a minha juventude, a única resposta que eu tenho para te dar é que nada disso me importa se eu não estiver com ele. Eu o amo. Mais do que qualquer coisa. E não perdi a minha liberdade e a minha juventude por causa disso. – falou, parando na porta do camarim.
- Compreendo. – murmurei.
- Quando amamos de verdade, não pensamos duas vezes. E foi assim com o Adam. Quando eu o entreguei a minha virtude e a minha mão como sua esposa. – ela sorriu para mim e depois entrou pela porta.
Fiquei alguns segundos parada de frente para a porta, refletindo as suas palavras. Fui tirada dos meus pensamentos quando ouvi alguém chamar meu nome.
- Bella, vá se trocar. A aula já vai começar. – disse a Sra. Presley.
Assenti e corri para a sala das alunas.
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- Não há ninguém. Apenas a minha voz. A minha voz e você mesmo.
Ecoava a voz da Sra. Presley enquanto girávamos, girávamos no palco.
- Sentem a liberdade?
Eu continuava girando com os braços abertos e os olhos fechados.
Era tão bom.
- Assim que vocês devem se sentir quando estiverem no palco. Livres. – ela continuava.
Sua voz era tão macia, tão relaxante.
- Agora quero que parem. Mas continuem de olhos fechados. – instruiu.
Fiz o que ela ordenou, ficando estática e com os olhos fechados. Ouvindo nada. Apenas o silêncio do teatro vazio. Imersa à sensação de liberdade. Mas não demorei muito tempo assim, porque logo, minhas pálpebras se abriram quando ouvi um barulho de algo caindo no piso do palco.
- Oh! Ela desmaiou? – ouvi a voz do Brian ao meu lado.
Todos correram em direção a Paola, que estava caída no chão. Tinha muita gente ao redor, então decidi não ficar muito em cima dela.
- Gente, não fica muito em cima. Ela precisa respirar. – falei.
- Bella tem razão. Saem de cima. – gritou Scott.
- Por que será que ela caiu? – perguntou Mary.
- Paola. Paola. Você pode falar? – perguntou Scott.
Minutos depois ela respondeu.
- Sim. – disse, tentando se levantar. Scott a ajudou.
- Você está bem? – perguntei.
- Estou, Bella. Foi só uma queda de pressão eu acho. Não almocei.
- O que avisei sobre as refeições Srta. Statham? – repreendeu-a a Sra. Presley.
- Me desculpe, Sra. Presley. Isso não vai mais acontecer. — disse com a cabeça baixa.
- Eu espero que não aconteça mesmo. – falou para ela, depois se virou para nós. – Bem, como já está perto de encerrar, por hoje é só. Vejo vocês amanhã. – disse antes de sair.
Não que eu tivesse feliz com o que aconteceu com a Paola, mas eu fiquei tão contente que hoje sairíamos meia hora mais cedo. Não via a hora de completarmos os seis meses para a carga horária de aula diminuir. A outra turma, a que Edward fazia parte, tinha apenas duas horas de aula por dia.
Troquei de roupa e me despedi de todo mundo. Falei com Paola mais uma vez e perguntei como ela estava, perguntando se dava para ela dirigir. Ela agradeceu e pediu para não se preocupar, que estava tudo bem.
- Nossa, que chuva! – falei, ainda do lado de dentro, olhando o temporal pela porta de vidro.
- Começou de repente. – falou Carl.
- Bem, vou ter que encarar. Até amanhã Carl.
- Até amanhã.
Passei pela porta e corri em direção ao carro. Tentei me proteger com o casaco, mas ainda assim fiquei muito molhada. Suspirei aliviada quando consegui entrar nele. Liguei o motor e saí da calçada, onde o carro estava estacionado. Assim que passei pela entrada, vi uma forma em pé na esquina, levando a maior chuva. Quando me aproximei, percebi que era Leah. Não nos falávamos muito, apenas cumprimentos. Na verdade quase nunca nos encontramos, só às vezes na entrada. Nunca na saída. E ela também era da turma de Edward.
Parei o carro e ela olhou desconfiada, logo sua expressão relaxou quando me reconheceu, depois que eu abaixei o vidro.
- Hey, Leah. Está esperando alguém? – gritei, por causa do barulho da chuva.
- Não. Quer dizer, eu estava, mas a pessoa me deu um bolo. – ela respondeu irritada. – estou esperando um táxi.
- Entra aí, eu te dou uma carona. Vai ser difícil passar um táxi por aqui com essa chuva.
Ela olhou a esquina escura e depois olhou para mim, decidindo.
- Ok. Eu aceito. – disse, abrindo a porta do carona.
Ela sorriu e em seguida tirou o casaco.
- Desculpa, estou molhando todo o seu carro.
- Tudo bem. Eu também estou molhada. – falei, voltando a dirigir. – É só você me dar as instruções de onde você mora.
- Na verdade... é Isabella, não é?
- Sim. Mas pode me chamar de Bella. – disse, olhando a estrada com cautela.
- Certo, Bella. Você poderia me deixar na casa do meu namorado? É caminho.
- Claro. É só dizer como chego lá.
- Segue pela Fulton, depois pega a Bell Street. Lá te explico a rua.
- Certo.
- Eu sou muito idiota. Não devia estar indo atrás dele! – disse, demonstrando irritação.
- Ele ficou de te buscar? – perguntei.
- Sim. E me deu um bolo. – falou dobrando os braços na altura do peito.
- Talvez tenha sido por causa da chuva. – tentei amenizar.
- Hoje, pode ser. Mas ele sempre faz isso. – comentou.
- Ah... – murmurei.
- Mas eu, a idiota apaixonada sempre corre atrás dele. – ela riu.
- Há quanto tempo vocês namoram? — perguntei.
- Vamos completar seis meses de namoro mês que vem. Já perdi as contas das vezes que brigamos.
- Ed.. meu namorado e eu nunca brigamos. – por pouco não falei Edward. Fiquei até um pouco nervosa agora.
- Ah, você tem namorado? – maldita boca Bella!
- Sim, tenho. – respondi, hesitante.
- Legal. Namoram há quanto tempo?
- Um pouco mais de um mês.
- Ah, ainda está no início. Tudo são flores. Depois vêm as brigas! – ela disse, olhando a rua do lado de fora.
Não falei nada e continuei dirigindo. Já tinha falado demais em apenas um minuto.
- Mas relaxa. Todo casal briga. É normal. – disse Leah.
Sorri para ela, mas me mantive calada.
Quando chegamos no final da Bell Street, a chuva parecia estar mais forte do que antes. Leah, me deu as instruções e não muito tempo depois, parava o carro na frente da casa do namorado dela.
- Chegamos. – falei.
- Bella está chovendo tanto. Não seria bom você esperar um pouco?
- Não, Leah. Tudo bem. Eu dirijo devagar.
- Onde você mora?
- Nas proximidades do Arden.
- Nossa, Bella. Isso é do outro lado. Não, você não vai dirigir até lá chovendo desse jeito. Entra um pouco. Quando diminuir você vai.
- Mas eu...
- Vamos, Bella. Você está louca? Está chovendo muito!
- Não quero incomodar. – falei.
- Não vai incomodar. James deve estar dormindo.
Suspirei.
- Ok. Vou ficar um pouco. – falei, tirando a chave da ignição.
Corremos até a entrada da casa debaixo de chuva. Leah pegou uma chave e destrancou a porta, entrando em seguida. Eu, logo atrás dela.
A casa era grande, mas tinha pouca mobília. Pelo menos na sala. Vi algumas garrafas de cerveja na mesinha de centro, perto do sofá e a janela estava aberta, deixando entrar toda a água da chuva.
- Ele nunca se lembra de fechar a janela. – reclamou Leah, fechando-a em seguida. – fica à vontade Bella. Senta aí um pouco. Quer beber alguma coisa? – perguntou ligando a TV.
- Só uma água. – respondi, sentando-me no sofá.
- Espera só um minuto. – disse, saindo.
O canal estava num programa de culinária. Se eu estivesse em casa, talvez achasse interessante. Mais uma receita para aprender. Mas eu estava desconfortável. O namorado dela poderia não gostar de ter uma estranha na sua casa, sentada no seu sofá, assistindo a sua TV.
Minutos depois, ouvi vozes no interior da casa.
- Vai, levanta. – Leah dizia.
- Não. Fica aqui. – disse uma voz masculina. O namorado dela, claro.
Os minutos de silêncio se arrastaram. Um tempo mais tarde, ouvi novamente a voz de Leah.
- Já teve o que queria, agora para. Temos visita. – disse ela.
Será que eles estavam fazendo o que eu estou pensando que eles estavam fazendo?
Jesus. Preciso ir embora daqui!
Levantei-me com o intuito de ir para casa. Quando estava quase alcançando a porta, Leah falou atrás de mim.
- Desculpa a demora, Bella. Aqui está a sua água. – disse, estendendo o copo para mim.
- O-obrigada. – agradeci.
- Você estava indo embora?
- Sim. – dei um gole. – Não quero atrapalhar. – falei, sorrindo fraco, constrangida.
- Não está atrapalhando nada. – ela disse.
Quando eu ia abrir a boca para falar, uma terceira voz surge na sala.
- Onde está a visita, baby? – perguntou um loiro, olhando para sua camisa enquanto prendia os botões da mesma.
- Aqui. Bella esse é James, meu namorado, James, essa Bella, uma aluna lá do Espejo. – nos apresentou Leah.
Quando ele finalmente olhou para cima e eu pude olhar para o seu rosto, tive a impressão de já o ter visto antes. Talvez ele tenha tido a mesma impressão, porque assim que me viu seus olhos se arregalaram. Logo, seu rosto assumiu uma expressão estranha. Uma mistura de divertimento com alguma outra coisa que eu não sabia explicar o que era. A única coisa que sei, é que eu não estava gostando nem um pouco da forma que ele me olhava.
- Oi... Bella. – falou, enquanto passava o braço pela cintura de Leah.
- Oi. – respondi.
- Ela está querendo ir embora debaixo dessa chuva, amor. – disse Leah.
- Não vai. Fica mais um pouco. – disse, e dessa vez eu o vi me olhar de cima a baixo. – Podemos fazer alguma coisa por aqui enquanto você aguarda a chuva passar.
Que safado. Na frente da namorada!
- Não. Eu tenho que ir. Está ficando tarde. – falei, olhando para Leah.
- Se você prefere assim. Só dirija com cuidado. – ela falou.
- Sim. Não se preocupe. Er... boa noite. – falei, abrindo a porta para ir embora.
- Bella. – chamou Leah. – Deixa James te acompanhar até o carro. Essa rua é deserta a essa hora, ainda mais chovendo.
- Não! – quase gritei. – Quer dizer, não precisa. Está tudo bem comigo. – James olhou para mim mais uma vez com divertimento. O desgraçado entendeu.
- Ok. Boa noite e obrigada pela carona.
- De nada. – falei, e passei pela porta. Indo embora.
Assim que entrei no carro, acelerei e sumi dali. Sei que não devia estar dirigindo tão rápido com essa chuva, mas eu estava louca para sair daquela casa, daquela rua. Além disso, Edward ia me ligar às nove, e eu não podia atender enquanto dirigia.
James. James. De Onde eu conheço esse cara? Eu sei que já o vi em algum lugar, mas não consigo me lembrar de onde. Só sei que não gostei dele. Não senti uma boa sensação perto dele, como se ele tivesse uma aura ruim. E a forma como ele me olhou na frente da própria namorada? Ele nem a respeitou!
Fiquei tentando me lembrar de onde eu já o tinha visto. Mas sem sucesso. E quer saber? Não me importa se já o vi antes ou não. A única certeza que eu tenho é que dele quero distância.
Quando já estava perto de casa, a chuva tinha diminuído bastante. Ouvi meu celular tocar e rapidamente estendi o meu braço direito para o banco de trás, enquanto matinha a minha mão esquerda no volante, para pegar a minha mochila. Será que era Edward? Meu coração acelerou só em saber que ouviria a sua voz.
Quando consegui abrir o celular e olhei o visor, desanimei. Não era ele. Era um número desconhecido.
- Alô? – disse, assim que atendi.
- Bella, sou eu Mike. Eu...
- O que você quer, Mike? – perguntei, interrompendo-o. Já tinha até esquecido por algumas horas o episódio hoje na escola e ouvir a sua voz trouxe tudo à tona novamente.
- Vamos conversar. Eu posso ir até à sua casa?
- Claro que não! – exclamei, irritada. – Não temos o que conversar e eu não quero que você ligue para mim. – falei, desligando o celular em seguida.
Que despautério!
Depois de tudo que ele falou, insinuou, ainda quer conversar?
Estacionei o carro na garagem e entrei na minha casa. Assim que tirei o casaco molhado, minha mãe saiu da cozinha com uma colher de pau na boca. Provavelmente estava fazendo brigadeiro.
- Oi filha. Está tudo bem? – perguntou.
- Na medida do possível, sim. – respondi.
- O que foi que houve?
- Nossa mãe, tanta coisa! – falei me aproximando dela para dar um beijo no rosto.
- Tanta coisa?
- Sim. Lá na escola.
- Na escola? Por acaso Mike tem alguma coisa a ver com isso?
- Adivinhou. – falei, sentando-me no sofá. Esticando as pernas em cima do centro.
- Ah, então foi por isso que ele ligou para cá...
- Ele ligou? Aqui para casa? – perguntei irritada, recolhendo as pernas.
- Sim, Bella. Ainda agora.
- Ainda agora? Então foi depois que eu desliguei o celular na cara dele. Por deus! Eu não acredito nisso!
- O que aconteceu, Bella? Ele já sabe sobre Edward?
- Sim. E me insultou na escola, você acredita? – falei, me levantando.
- O que ele disse?
- Que eu estava com o Edward por ele ser rico e bonito, e também outras coisas.
- Outras coisas? – perguntou, franzindo a testa.
- Sim. Insinuou que eu... er, você sabe mãe... que eu o Edward já... – falei gesticulando.
- E vocês realmente não... – disse, sugestivamente.
- Claro que não, mãe. Você saberia! — exclamei.
- Eu sei, querida. Mas vocês passaram esses dias fora. De repente...
- Não. Ainda não. – falei rapidamente, envergonhada.
- Certo. Mas isso do Mike é apenas ciúme, Bella. Ele não conseguiu superar o fim do namoro de vocês.
- Ai mãe. Eu estou com tanto ódio dele. – disse, passando as mãos no cabelo. – Passei mais de um mês mantendo o nosso namoro por causa da doença do pai dele, dei a maior força e no final eu o escuto se referir a mim como uma qualquer, uma interesseira?
- Ele só está querendo te atingir.
- Eu sei. E conseguiu. – falei, me sentando novamente no sofá, balançando a perna.
- Relaxa, filha. Isso vai passar. – falou minha mãe, quando de repente o telefone começa a tocar.
- Atende mãe. Pode ser Edward. Ele sempre me liga no celular, mas sei lá.
- Alô? Oi Mike... – disse minha mãe, e instantaneamente fiz uma careta. Agora ele vai ficar insistindo? – A Bella está sim, eu só...
- Não quero falar com ele! – gritei para que ele pudesse ouvir.
- Er... você ouviu, certo? Ela está um pouco...
- Ah, vou subir para o meu quarto. – falei, deixando a minha mãe se livrar dele sozinha pelo telefone.
Assim que entrei no meu quarto, me joguei na cama. Estava fisicamente e psicologicamente cansada. E ainda tinha que conversar com Alice. De hoje não passava. Mas eu precisava me acalmar porque ainda estava muito furiosa.
O meu celular começou a tocar. Olhei o visor antes de atender. Agora sim era o meu Edward.
- Edward. – atendi no segundo toque.
- Bella. Como é bom ouvir sua voz. – disse, fazendo meu coração palpitar de saudade.
- Eu que o diga, Edward. Estou com tanta saudade, queria tanto você aqui comigo. – falei, deixando clara a minha necessidade dele.
- Bella, aconteceu alguma coisa?
- Não! – disse exageradamente alto. – Eu só queria que você estivesse aqui.
- Tem certeza que não aconteceu nada? Sua voz está estranha. – Edward era muito perceptivo.
- Não, está tudo bem, Edward. Me conta, como foi o vôo?
- Cansativo. Pelo menos dormi algumas horas. E o seu dia, como foi?
- Normal. – menti. Edward sempre dá um jeito de voltar a conversa para onde ele quer.
- Bella aconteceu alguma coisa hoje na escola, depois que eu fui embora? – Eu não ia falar. Não por telefone. Era capaz de Edward voltar antes do tempo para tirar satisfações com Mike.
- Não aconteceu nada, Edward. Já disse. Tudo normal. – tentei tranqüilizá-lo. – Me diz, onde você está?
Ele ficou em silêncio alguns segundos, mas não insistiu mais, respondendo a minha pergunta.
- Acabei de chegar ao hotel. Acho que estou começando a pegar um resfriado. Já espirrei tanto.
- Sério, Edward? E agora, como você vai se apresentar no final de semana?
- Bem, já tomei as providências. Aspirinas e vitamina C já foram compradas.
- Queria tanto estar aí cuidando de você. – comentei, triste.
- Também queria você aqui comigo. Ou estar aí, com você – disse, e logo em seguida soltou um bocejo.
- Você está cansado. Sua voz está se arrastando. – comentei rindo.
- Estou. Muito. Dormi pouco essa noite e foram longas horas de vôo. Provavelmente dormirei por umas 12 horas essa noite. Me liga amanhã para saber se eu não morri dormindo. – ele disse, rindo.
- Credo, Edward. Não fala isso nem brincando. – ralhei, não achando nenhuma graça.
- Só estou brincando, linda. Mas e então, como foi na escola? Ninguém perguntou nada? Tipo, se eu era o seu namorado?
Por Deus! Edward não desiste!
- Só as minhas amigas. Jessica e Ângela. – menti mais uma vez.
- Mike, nos viu? – Puts. O que eu ia falar.
- Sim. – decidi contar a verdade. Pelo menos parte dela.
- Ele falou com você? Disse alguma coisa? – a voz de Edward de repente estava alarmada.
- Não disse nada demais. – minha voz não estava tão normal também. Eu estava apreensiva. – Só perguntou se estávamos namorando e eu confirmei.
- Só isso? – perguntou, com ceticismo.
- Sim. Só isso. – falei, tentando encerrar o assunto. Pelo menos por telefone.
- Bella, por que eu estou com a impressão que você não está me contando a história toda?
- Edward, foi só isso. Depois conversamos. Agora me diz como o meu carro foi parar na escola. Você o levou?
Ele suspirou. Eu podia ver a expressão do seu rosto mesmo de longe. Frustrado, porque não conseguiria arrancar nada de mim, e irritado por estar tão longe.
- Liguei para a sua mãe e pedi para ela pegar a chave do seu carro, para que eu pudesse te levar hoje na escola. Antes de ir até a sua casa, levei a minha mãe para encontrar uma cliente logo cedo. E quando saí da sua escola, fui buscá-la. Ela me acompanhou até o trabalho da sua mãe e eu peguei a chave do seu carro. Cheguei à sua casa, peguei o carro e minha mãe foi me seguindo no Volvo, até a escola. Deixei o seu carro lá estacionado e em seguida minha mãe me deixou no aeroporto.
- Uau! – exclamei surpresa. – Você fez isso tudo? Só para me levar à escola?
- Você sabe que eu faço. – disse, parecia estar menos irritado.
- Eu sei. É por isso que eu te... adoro. – falei.
- Eu também adoro você, Bella.
— Você está cansado. Precisa dormir. Sei que esse mês será muito duro pra você.
- Nem me fala. Às vezes penso em desistir disso tudo, sabe? – disse, o tom de voz triste.
- Não sabia que você estava com esses pensamentos. – falei.
- Gosto de ter uma vida normal, Bella. Sentir a liberdade de ir e vir. Estar preso a essa agenda está me matando. Além disso, estou sempre longe de você e da minha família, que são as pessoas que mais amo.
Amo?
Espera, eu ouvi direito?
Edward disse que me amava?
- Eu sei. Eu também não gosto de estar longe de você. – respondi quando percebi que fiquei calada tempo demais, perdida em pensamentos.
Edward disse que me ama!
Tudo bem que foi indiretamente, mas...
Cristo, Bella! Para de viajar! Foi só uma forma que ele usou para se expressar!
- Bella, eu não queria, mas preciso desligar. Amanhã tenho que estar de pé logo cedo. Reunião e ensaio o dia todo.
- Claro, Edward. Amanhã nos falamos, eu vou te ligar.
- Estou com saudades e não vejo a hora de chegar terça-feira. Gostei muito do nosso fim de semana, Bella. Gostaria de repeti-lo em breve.
O que ele quis dizer com repetir em breve?
A viagem ou o que ele fez comigo?
Senti meu corpo estremecer só em pensar na minha segunda opção. Lembrando os beijos de Edward, a sua mão pelo corpo, sua boca nos meus seios e os seus dedos tocando a minha intimidade.
- Bella?
Despertei de meu devaneio ao ouvir a voz de Edward no outro lado da linha.
- O-oi Edward, eu estou aqui. Só estava, er... nada.
Ele riu.
Ai droga. Ele sabia no que eu estava pensando. Ainda bem que ele não podia ver o meu rosto.
- Boa Noite Bella.
- Boa Noite, Edward. Tenha uma linda noite de sono. – disse, desejando internamente que ele sonhasse comigo.
- Eu terei. Sonharei com você.
E após o click, o silêncio na linha.
Guardei o celular e em seguida fui até o quarto de Alice. A porta estava destrancada. Entrei e encontrei Alice deitada lendo um livro.
- Oi Alie. – falei assim que entrei. – Não foi à faculdade hoje?
- Sim. Mas só tive a primeira aula. – respondeu, sorrindo. Ela parecia estar bem melhor que ontem.
- Posso me sentar aqui? – perguntei, apontando para a ponta da cama.
- Claro né, Bella. – disse revirando os olhos. Ela se sentou, colocando o livro no colo.
- Estive aqui, de manhã cedo. Mas a sua porta estava trancada. – comentei, procurando um meio de entrar no assunto Jasper.
- Hmmm. – ela murmurou. – Não precisava chegar cedo ao trabalho hoje, então aproveitei para dormir mais um pouco. Estava cansada.
- Você nunca dorme com a porta do quarto trancada. – disse calmamente.
- Eu nem percebi que tranquei. – ela olhou para o livro. Estava mentindo.
- Você não sabe mentir, Alice. Eu te conheço. – falei.
- É sério, Bella. Não estou mentindo. – falou, sem ainda olhar para mim.
- Alie – suspirei –, além de primas nós somos amigas. Por favor, me conta o que aconteceu entre você e Jasper. Eu sei que é por causa dele que você está se comportando desse jeito.
Ela ficou em silêncio, olhando para o livro. Depois me olhou. Abriu a boca e logo fechou, sacudindo negativamente a cabeça.
- Alice, por favor, o que Jasper te fez?! – perguntei já em desespero.
- Ah Bella, isso é tão humilhante! – ela disse, e junto com as palavras as primeiras lágrimas caíram.
- O que ele te fez? – perguntei mais uma vez, aturdida. Me levantei e sentei ao lado dela, abraçando-a.
- Ele... ele me beijou. – disse soluçando.
- Eu sei que ele te beijou. – disse, afagando seu braço.
- Você sabe? – ela me perguntou, surpresa.
- Sim. Ele disse a Edward, que me disse.
- Jasper é um idiota. Eu não quero mais saber dele! – disse, enervada.
- Não estou entendendo, Alice. Só porque ele te beijou que você está assim? Achei que você fosse ficar feliz!
- Você não sabe o que aconteceu depois que ele meu beijou. O que ele me disse.
- O que ele te falou? – perguntei.
- Eu não lembro exatamente o que houve depois que nos beijamos. Eu me recordo dele ter me aninhado e eu peguei no sono. Quando despertei já era de manhã. E eu estava sozinha. Ele não dormiu lá, como na outra noite. Até as suas coisas não estavam mais.
- O que aconteceu na noite que vocês dormiram juntos?
- Nada demais. Conversamos sobre episódios da nossa vida durante horas. E quando perguntei sobre as suas ex-namoradas ele ficou tenso e de repente falou que estava com sono e que era hora de dormirmos.
- Hmmm. Certo. Continue.
- Bem... passou mil coisas na minha cabeça quando vi que ele tinha ido embora depois que eu dormi. Mas preferi conversar com ele e perguntar o porquê dele ter agido assim. Depois que tomei banho e troquei de roupa, fui procurá-lo. Como não o achei em nenhum quarto, resolvi descer. Foi quando o encontrei na cozinha. Você sabe, você e Edward estavam lá.
Assenti, e ela continuou.
- Assim que ficamos sozinhos. Resolvi falar logo. Você sabe que não gosto de rodeios, então perguntei por que ele não dormiu no quarto comigo. Ele falou que quis me dar privacidade e por isso achou melhor dormir em outro lugar. Não contestei sobre isso, mas falei que precisávamos conversar sobre o beijo. E sabe o que ele falou?
- O que ele falou?
- Disse que eu devo ter imaginado enquanto estava dormindo, que devia ser efeito da bebida, mas que não tinha tido beijo nenhum. Bella, ele só faltou me dizer que eu estava louca! E por um segundo eu realmente achei que estava. – ela aumentou o tom da voz, voltando a chorar. – E agora você me diz que ele falou a Edward sobre o nosso beijo, depois dele ter tentado me convencer que esse beijo não existiu mesmo eu tendo a certeza que sim, que ele me beijou? Eu odeio o Jasper Cullen!
- Calma, Alice. Ele disse isso a você?
- Sim, ele disse. Com todas as letras. ”Não nos beijamos, Alice”. Ai que ódio! – ela disse espremendo os olhos de raiva.
- Não entendo. Por que ele fez isso? – perguntei, tentando encontrar justificativas para a atitude de Jasper.
- Porque ele é o louco e não eu! – exclamou. – Ou... ou... porque o beijo foi tão ruim que ele não gostou e agora está negando que me beijou. Ai, Bella. Está doendo tanto. – disse, colocando a cabeça no meu colo enquanto chorava.
- Nossa, Alice, eu... nem sei o que dizer. — falei, enquanto massageava seus cabelos.
- Eu achei que ele fosse um cara bacana, diferente do Alec e de todos os outros caras que conheci. Mas ele é igual. Cafajeste como todos eles!
- Eu vou conversar com Edward sobre isso. – disse. Edward com certeza sabe o que houve com Jasper.
- Não, Bella! – gritou Alice, sentando na cama. – Por favor, não fala nada com Edward. Isso é muito humilhante.
- Mas Alice, eu...
- Não. – me cortou. – Por favor, deixa as coisas como estão.
- Alie, olha o seu estado. Eu nunca te vi assim por ninguém, nem mesmo com o Alec quando ele te traiu quando estava bêbado.
- Eu sei. – ela baixou os olhos para as suas mãos. – Acho que eu nunca estive apaixonada, desse jeito. Mas vai passar, Bella.
- Alice você tem certeza que não quer que Edward te ajude?
- Não, Bella. Por favor. Deixa Edward fora disso. – disse voltando a olhar para mim.
Suspirei, assentindo.
Mas isso não ia ficar assim. Mesmo que Alice fique chateada, eu vou conversar com Edward.
- Tudo bem, Alice. Esquece isso. Vem cá, deita aqui. – a puxei para deitar com a cabeça em meu colo.
Comecei a cantarolar uma música e minutos depois ela dormiu. Acho que ela não tinha pregado os olhos na noite passada. Eu iria ajudá-la, do mesmo jeito que ela ajudou a mim e a Edward. Eu devia isso a ela.
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A semana passou rápido. Graças a Deus hoje era sábado e eu não tinha aula. Já não agüentava Mike no meu pé querendo conversar comigo. Fugi dele como o diabo foge de uma cruz. Mas eu sabia que uma hora ou outra precisávamos mesmo conversar. Dar um basta nessa história. Mas eu ainda estava com muita raiva dele depois da terça-feira pela manhã.
Alice parecia melhor e na noite passada até saiu com umas amigas da faculdade. Fiquei tão feliz por ela. Odiava vê-la triste. Tentei sondar algumas coisas com Edward sobre Jasper por telefone. E como se ele soubesse das minhas intenções, disse que conversava comigo quando voltasse de viagem.
Por falar em Edward, estou aqui sentada, na frente do computador às dez da manhã esperando a sua ligação como ele me prometera. Ontem, ele me ligou mais cedo que de costume, no final da tarde, quando eu estava no Espejo. Disse que sairia com o elenco para um Pub, já que era sexta-feira e eles não tinham apresentação.
Só hoje.
Ele me mandou um torpedo às duas horas da manhã, dizendo que já estava no hotel, em Dallas, que o hellodallas.com – site de entretenimento da cidade – tirou fotos dele e do elenco, e que me ligava quando acordasse. Minha vontade era de ter retornado, mas eu não podia mostrar que ainda estava acordada àquela hora. Não que eu estivesse chateada ou coisa parecida. Mas eu não podia negar a pontada de ciúmes quando eu me pegava imaginando Edward num lugar fechado, com música, bebida e principalmente, cheio de mulher. Aposto que ele levou muitas cantadas a noite toda. Afinal, ele era lindo. Tão lindo que chegava a doer.
E agora estou aqui, com o computador ligado, apertando F5 desesperadamente na página inicial do hellodallas.com, mas até agora nada de atualização.
Meu celular tocou e corri para atender, mas era apenas Ângela.
- Oi, Ângela.
- Oi, Bella. Bom dia.
- Bom dia, Ang.
- Nossa, que desânimo é esse? – perguntou, sentindo meu humor.
- Nada demais. Esquece.
- Brigou com Edward?
- Não. – eu ri. – Nós estamos tão longe para isso. Além do mais, nunca brigamos.
- Ok. Então, você não vai mesmo hoje à festa na casa do Ben?
- Não é uma boa idéia, Âng. Eu sei que Jessica vai ficar com Tyler a noite toda e você quer muito ir mas não quer ficar sozinha ou de vela. Mas você sabe, Mike também vai estar lá.
- Só por duas horas, amiga. Eu te ajudo a se livrar daquela mala se ele começar a te perturbar. Você sabe que eu gosto do Ben, e essa seria uma boa oportunidade de me aproximar mais dele.
- Ai Ângela, não sei. Eu preciso pensar.
- Por favor, Bells. Pensa direitinho. Te ligo de novo mais tarde, ok?
- Ok.
- Tchau, Bellinha. – disse, desligando em seguida.
Ainda tinha essa festa de aniversário do Ben hoje à noite. Típica festa com casa lotada, muita bebida e muita gente louca ao final da noite. Ângela e Jessica passaram a semana inteira falando dessa festa. Aliás, a escola inteira. Ben havia espalhado que os pais viajariam todo o final de semana e que a casa estava liberada para uma festança. Nem preciso dizer que estava todo mundo empolgado.
Menos eu.
Ontem Mike me abordara no corredor e eu o ignorei como todas as outras vezes. Mas ainda deu tempo de ouvi-lo me perguntar se eu iria à festa. E esse era um dos motivos para eu não ir. Ele também estaria lá.
Ouvi uma batida na porta e depois ela foi aberta.
- Bella. – falou Rosalie. – Há uma encomenda para você lá embaixo.
- Para mim? – perguntei, franzindo a testa.
- Sim. Você precisa assinar.
- Ok. – falei, desligando o monitor.
Desci as escadas e encontrei um rapaz usando fardamento de uma empresa de Logística que não consegui ler o nome. Ao seu lado estava o meu pai, e Rosalie um pouco distante.
- Srta, Swan. Assine aqui, por favor. – disse, entregando-me uma nota fiscal. A única coisa que pude ver foi o endereço no rodapé: Texas.
Oh Meu Deus. Coisa de Edward.
- Aqui. – Falei, devolvendo-o depois que assinei.
- Sua encomenda, Srta. – disse, entregando-me uma enorme caixa.
- Obrigada. – falei, tentando pegar, mas o meu pai se antecipou e segurou por mim.
- Tenham um bom dia. – disse, saindo.
Meu pai levou a caixa até a sala de jantar e deixou em cima da mesa.
- Caixa grande, hein? Estou extremamente curioso. – disse meu pai.
- Eu também. Abre logo, Bella. – disse Rose, animada.
- Certo.
Puxei as fitas adesivas que prendiam a caixa, mas como estava muito impaciente, rasguei logo tudo. Embasbaquei quando dei de cara com uma quantidade absurda de livros.
- Livros? – perguntou Rose, com uma expressão de decepção no rosto.
- Tira esse plástico, Bella.
Rasguei o plástico que os unia e fui tirando de um por um enquanto lia os títulos.
- Oh! O Retrato de Dorian Gray! — exclamei ao ler o título.
- Quem te mandou isso, Bells? – perguntou meu pai.
- Quem você acha pai? – indaguei, revirando os olhos, enquanto folheava o livro.
- Uau. Esse seu namorado não brinca em serviço. Olha só a grossura desses livros! Deve ter custado uma nota. – falou, avaliando.
- Meu Deus. Edward me deu praticamente a coleção inteira do Oscar Wilde!
- Um verdadeiro desperdício! – disse Rose com desdém.
- Cala a boca, Rose. Eu amei! – comentei, rindo. – Mas... ele exagerou!
- Quer que eu te ajude a levar para o seu quarto?
- Sim, pai. Por favor.
Nós três subimos, cada um com alguns livros à mão. Pedi a eles que empilhassem em cima da cama que eu arrumaria depois. Quando eles saíram, peguei o celular e liguei para Edward.
Droga. Desligado.
Entrei na página do hellodallas.com mais uma vez e meu coração quase parou quando vi a página atualizada com várias notícias sobre festas, música, cinema e outros eventos da cidade ocorridos dia anterior. Desci rapidamente a página, e logo, visualizei a opção Bars and Nightclubs. Cliquei em várias opções até que encontrei, no link sobre o The Balcony Club. Havia uma foto com seis pessoas, dois homens e quatro mulheres ao redor de uma mesa. E lá estava Edward, a terceira pessoa sentada da esquerda para a direita. Nem preciso dizer que ele estava sufocantemente lindo, preciso? Como a mesa escondia, não sei o que ele usava nos pés ou se estava de calça jeans, e só o que podia ver era que ele vestia uma camisa cinza e um casaco azul marinho por cima. Os cabelos totalmente desalinhados, como eu gostava.
Fiquei por longos minutos olhando aquela foto, sem saber o que eu realmente estava sentindo, se era alegria ou saudade. Ele estava sorrindo. Eu amava ver aquele sorriso estampado, os dentes brancos à mostra. Ele parecia feliz.
Suspirei e só então resolvi ler o texto que seguia logo abaixo da foto.
O elenco de ”Sonhos Obscuros Nas Noites de Inverno”, em cartaz esse final de semana no The Dallas Opera, caem na noite ao som de Rodney Carrington no The Balcony Club com muito chopp e música country. Confira mais fotos a seguir.
Tinha mais oito fotos. Eu não conhecia nenhuma das pessoas que estavam na temporada com Edward a não ser a Lily Gibson. E mesmo assim só por fotos. Mas eu sabia os seus nomes do tanto que ele dizia. A primeira foto era bem parecida com a que estava logo acima do texto. Mas nessa, Edward não estava sorrindo. As demais fotos eram basicamente da Lily Gibson, a protagonista que fazia par com Edward, acompanhada em cada foto de cada um que estava na mesa. Em uma delas estavam os dois. Ela e Edward. Em pé, conversando sorridentes, ambos com um copo de chopp à mão. Ela era tão... tão bonita, tão loira! Eu tinha visto fotos dela no Espejo, mas ela estava muito diferente aqui.
Fiquei analisando aquela foto um bom tempo. Eles pareciam tão amigos. Quer dizer, é claro que eles deviam ser amigos, afinal de contas eles contracenam juntos, fazem um casal na peça e... se beijam.
Eu não consigo imaginar Edward beijando alguém que não seja eu. Aliás, eu nunca realmente parei para pensar nisso até agora, porque sei que são ossos do ofício, é um trabalho, como provavelmente eu terei de fazer um dia se eu quiser seguir com a carreira, como Edward. Eu ainda não tinha tido a oportunidade de ver a peça, infelizmente. O que sei, são apenas relatos do próprio Edward, mas ele falava mais sobre o seu personagem, sobre o que ele pensa, as suas atitudes, os seus medos. Detalhadamente. Sobre o romance dos personagens, eu sabia que eles conversavam, brigavam, beijavam e que tinha um final feliz. E só. Pergunto-me se é apenas isso a peça inteira. Drama, conversa e beijos.
Não conseguia parar de olhar aquela foto do Edward com a Lily Gibson. Eles estavam conversando e o papo parecia animado. Definitivamente, estavam se divertindo. E eu involuntariamente comecei a imaginá-los em cena. E imediatamente fechei a janela do site.
Argh! Estou me sentindo tão estranha.
Edward saiu à noite passada com amigos. Bebeu e estava se divertindo como pude perceber.
E eu estou aqui. Em casa. Sozinha e morrendo de saudades dele.
Definitivamente, hoje eu deveria sair!
Peguei o celular e liguei para Ângela.
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- Acho patético você ir a essa festa só porque Edward saiu ontem. – dizia Alice, sentada na minha cama enquanto eu secava meu cabelo.
- Não vou por causa disso, Alice. Eu só... quero sair de casa, passar um tempo com as minhas amigas. Você sabe que eu, Jessica e Ângela sempre fizemos isso, mesmo quando eu namorava com Mike.
- Bella, esse idiota vai estar lá. Ele passou a semana inteira atrás de você na escola e ligando para cá. Provavelmente vai te perturbar.
- Eu sei me cuidar. Ele nem vai ter a chance de chegar perto.
- Ainda acho que você está indo por causa daquelas fotos. Bella deixa de ser infantil. Não acredito que você vai continuar com nesse ciúme bobo.
- Não estou com ciúmes! – exclamei.
- Está sim. Você abriu aquele site um milhão de vezes e só olhava aquela foto do Edward com a colega de elenco. Bella, você é a namorada dele, não ela.
- Por acaso disse o contrário? – perguntei, desligando o secador.
- Não. Mas está pensando no fato de que Edward a beija enquanto trabalha. Você deveria ser a última pessoa preocupada com essa besteira. Afinal, você também vai passar por isso.
Sei que Alice tinha razão, mas já havia combinado com Ângela e Jessica e agora era tarde para voltar atrás.
- Alice, para. Não estou com ciúmes. Sei que é o trabalho dele. Eu só vou lá, vou passar duas horas e volto, ok?
- Edward não gostou de você estar indo. – disse, serrando os olhos.
- Ele não disse nada. – falei dando de ombros. Quanto mais Alice falava, menos vontade eu tinha de ir. Precisava sair logo de casa.
- Foi você mesma quem disse que ele ficou diferente quando você falou por telefone que ia a uma festa de um colega da escola. Edward sacou que Mike também vai estar lá.
- Acho que sim. – falei, lembrando da nossa conversa por telefone mais cedo.
Edward me ligou quando já era uma hora da tarde, dizendo que tinha acabado de acordar. Sua voz rouca não negava. Comentei que tinha visto as fotos e que ele parecia animado. Ele me confirmou dizendo que era um ambiente legal, que as cervejas eram estupidamente geladas e que a atração principal, Rodney Carrington, havia cantado várias músicas de bandas que gostávamos em ritmo de country, que eu iria adorar se estivesse lá e que um dia ele me levaria. Disse também que comprou um CD e pediu ao cantor um autógrafo dedicado a mim. Me senti tão mal depois que ele disse isso. Sim, ele estava se divertindo, e na companhia de amigos, mas também estava pensando em mim.
Eu fui tão egoísta! Droga! Ele tem o direito de se divertir sem mim!
Agradeci os livros e comentei que apesar de ter amado aquilo tudo era um exagero. Ele sorriu, dizendo que não era nada e que eu merecia muito mais. Conversamos sobre coisas aleatórias, e antes que ele dissesse que precisava descer para almoçar e ir para o teatro, comentei que ia sair com Ângela e Jessica para uma festa de aniversário de um colega nosso da escola. Edward ficou mudo por um tempo, do outro lado da linha. Eu só conseguia ouvir a sua respiração. Quando ele falou, perguntando quem era o aniversariante e onde seria a festa, senti a diferença no tom de voz. Ele já não estava animado como antes. Dei todas as informações que ele pediu, e ainda disse que ficaria por pouco tempo, que só iria porque Ângela insistiu. Suspirou e soltou um “Tenha cuidado e divirta-se” e depois se despediu, pedindo para eu ligar quando chegasse em casa.
Eu conheço Edward. Ele não gostou. Só não falou nada porque saiu ontem. Achou que não tinha direito de falar alguma coisa. Eu até que tinha tido o impulso de decidir ir porque ele tinha saído ontem, mas agora não estou mais pensando nisso.
- Já estou imaginando o que vai rolar nessa festa. E aposto que foi o que Edward imaginou também.
- Alice, por favor. Eu sei me cuidar! – falei pela milésima vez aquela noite.
- Homens bêbados, vomitando pela casa, mulheres tirando a roupa e vários casais transando dentro dos quartos.
- Alice, tchau! – disse, pegando a chave do meu carro.
Saí de casa um pouco atrasada. Tinha combinado com Ângela às nove horas, mas já eram quase dez da noite. Tudo culpa de Alice que inventou de pintar as minhas unhas antes de começar a reclamar sobre a festa.
— Bella! Eu já estava ligando para a Jessica vir me buscar. — disse Ângela ao entrar no carro.
- Desculpa. Alice inventou de pintar as minhas unhas. Tive que esperar secar. – falei, colocando o carro novamente em movimento.
- Tudo bem. É bom chegar mesmo depois do início da festa.
- E aí, animada? – perguntei.
- Muito. – sorriu. – Estou quase decidindo perder a vergonha e começar a dar sinais ao Ben.
- Antes tarde do que nunca. – comentei, sorrindo também. – Ah, adorei a cor do seu vestido.
- Obrigada. Não gosto de azul, mas gostei do modelo desse vestido e só tinha nessa cor. Acho que o Ben vai gostar.
- Você comprou só para ir à festa? – perguntei, cética, virando meu rosto para olhar para ela.
- Sim. – respondeu, um pouco envergonhada.
- Ângela se você não tomar nenhuma iniciativa em relação ao Ben quem vai tomar sou eu! – exclamei, sorrindo.
Minutos mais tarde estacionava o carro na rua da casa do Ben. Pela quantidade de carros além do barulho da música e das vozes no interior da casa, a festa estava bombando. Descemos do carro e fomos caminhando até a entrada.
A casa estava abarrotada. Tinha gente em todo canto. Pela sala, pelos corredores, pela escada. A música estava muito alta e era quase impossível conversar ali. Continuamos andando, encontrando alguns conhecidos no caminho. Uma garota passou por nós oferecendo salgadinhos. Fiz que não com a cabeça e continuei andando. Logo, encontramos Lauren.
- Hey, Bella, Ângela. – nos cumprimentou.
- Oi Lauren. – dissemos em uníssono.
- Viu Jessica por aí? – perguntou Ângela.
- Sim. Ela estava com o Tyler. Devem estar por aí.
- Ok. Vamos procurar por ela. – disse.
Quando estávamos voltando para a sala, vi Mike de longe. Graças a Deus ele não tinha me visto e... Nossa! Ele já estava muito bêbado!
- Olha quem está ali. – disse Ângela.
- Eu vi. – comentei, seca.
- Ele está muito bêbado. – ela disse.
- Sim, ele está. Já bebeu quase um litro de whisky. – disse Jessica, aparecendo de repente.
- Jess! – gritou Ângela, abraçando-a.
- Hey babys. Vocês demoraram – comentou Jessica.
- Ok. Culpada. – disse, dando um abraço nela também.
- Se arrumando? Você está bonita. – ela disse, avaliando-me.
- Qual é, nem estou arrumada. Básica como no dia-a-dia. Alice inventou de pintar as minhas unhas de última hora. – falei mostrando as unhas a ela.
Eu realmente estava bem normal comparada às meninas, que estavam de salto e vestido. Estava de tênis, jeans, camisetinha e um casaco curtinho por cima.
- Você viu o Ben por aí? – perguntou Ângela.
- Sim. Ele saiu com Tyler para comprar gelo. Agora vamos beber um pouco enquanto eles não voltam. – disse Jessica, nos arrastando até a cozinha.
Peguei apenas um refrigerante, assim com Ângela, ganhando um revirar de olhos de Jessica que estava bebendo cerveja. Nos juntamos a Lauren e ficamos conversando. Vinte minutos depois, Ben e Tyler apareceram, deixando Ângela tensa. Nós o parabenizamos e ele ficou um pouco por ali, assim como o Tyler que agora estava com a mão possessivamente na cintura da Jessica, batendo papo comigo e as meninas.
Ângela falava pouco, apenas sorria a maior parte do tempo. Comecei a fazer sinal para que ela tomasse alguma atitude antes que o Ben saísse dali. Abri um largo sorriso quando ela puxou assunto, perguntando-o sobre seus planos para depois da escola. Minutos mais tarde, ambos estavam conversando animadamente, enquanto Jessica e Tyler se beijavam e Lauren e eu estávamos sobrando. Como se estivesse ouvindo meus pensamentos, Lauren me chamou para ir com ela até o aparelho de som colocar o novo CD do Red Hot Chili Peppers que ela tanto queria ouvir.
Antes que eu pudesse chegar até a sala, senti alguém segurar o meu braço. Virei-me imediatamente.
- Bella, você veio! – senti o bafo de bebida.
- Larga o meu braço. – pedi.
- Até quando você vai ficar me tratando desse jeito? – perguntou Mike, totalmente embriagado.
- Mike, deixa ela. Isso já cansou! – disse Lauren, me puxando.
Saímos rapidamente de perto dele, praticamente correndo, alcançando o jardim.
- Obrigada Lauren. – agradeci, sentando-me na grama.
- Tudo bem. – ela disse, sentando ao meu lado.
Ficamos ali um pouco em silêncio, ouvindo a batida do 50 cent dentro da casa, enquanto observávamos as pessoas circulando, conversando, bebendo exageradamente. Podia ver alguns casais do outro lado do jardim, provavelmente aproveitando o escurinho.
- Isso aqui está a visão do inferno! – comentou Lauren.
- Tenho que concordar com você. – disse, rindo.
- Não achei que fosse encontrar você aqui. Ainda mais... sozinha. – eu sabia sobre o que ela estava falando.
- É, eu não vinha mesmo. Mas Ângela insistiu. – falei, me levantando. – E acho que já estou indo. Vou entrar para falar com ela.
- Vou também. – ela disse, se levantando. – Porra, desde que cheguei quero ouvir o CD do Red Hot!
Voltamos para o interior da casa. Lauren foi para a sala e eu fui procurar por Ângela e Jessica. Fui ao mesmo lugar que estávamos antes, mas eles já não estavam mais ali. Continuei procurando, na cozinha, pelos corredores, na sala, no banheiro, voltei ao jardim, mas nenhum sinal deles em algum lugar. Não estava com meu celular, então nem tinha como ligar para alguma delas.
Encontrei Eric e perguntei se ele tinha visto as meninas. Ele balançou a cabeça negativamente. Continuei procurando pelos mesmos lugares mais uma vez e nada. Encontrei Lauren de novo e perguntei a ela se as meninas haviam passado por ali. Ela disse que não.
Então não me restou alternativa a não ser procurá-los no andar de cima. Eu não podia ir embora sem saber como a Ângela ficaria, afinal de contas, ela tinha vindo comigo.
Subi as escadas, onde o barulho da música diminuía para alívio dos meus ouvidos, e bati na primeira porta que encontrei.
Nenhuma resposta.
Eu não queria atrapalhar alguma coisa, seja lá o que talvez eles pudessem estar fazendo, mas não ia conseguir nada se eu nas as chamassem pelo nome.
- Ângela? Jessica? – falei, batendo na porta novamente.
- Qual o seu nome? – ouvi uma voz masculina perguntar baixinho, dentro do quarto.
- Erika. – uma voz feminina respondeu.
- Não tem nenhuma Ângela ou Jessica aqui não! – gritou a voz masculina.
- Ok. Desculpem. – falei, saindo dali rapidamente.
Continuei andando pelo corredor, quando de repente vi um casal sair de dentro de um dos quartos. A garota estava ajeitando sua saia, enquanto o garoto fechava os botões da camisa. Ele sorriu para mim e depois estendeu a mão para ela que a segurou e logo eles sumiram pelo corredor. Como eles deixaram a porta aberta, ouvi uns sons de dentro do quarto e inclinei um pouco a cabeça para olhar o que havia dentro. Recuei instantaneamente quando vi uma garota de cabelos loiros pulando nua em cima de um cara deitado na cama, também nu.
Meu Deus! O que essas pessoas estão fazendo dentro desses quartos?
Ângela que me desculpe, mas eu não ia ficar nem mais um minuto nessa casa.
Resolvi dar meia volta e ir embora quando de repente duas mãos me puxaram para dentro de um cômodo. Antes que eu pudesse gritar, uma das mãos foi até a minha boca, me impedindo. Ouvi o som da porta se fechar e estava tudo tão escuro que eu não conseguia ver nada nem ninguém. Tentei lutar, me desvencilhar de seja lá quem estava me segurando quando senti o cheiro.
Mike.
Mordi a sua mão e ele gritou.
- Ai, Bella!
- Me solta! – gritei, enquanto ele me segurava forte com o outro braço.
- Nós vamos conversar. – ele falou, passando a mão nos meus cabelos.
- Eu já disse que não temos nada para conversar!
- Vamos, Bella, não dificulte as coisas. Só uns beijinhos. – disse, passando os lábios no meu pescoço.
- Me solta! – gritei. – Socorro!
Ele me virou e me empurrou contra a porta, fazendo-me bater com a cabeça na madeira dura.
- Você ainda não sabe, mas você me ama. – disse ele, pressionando rudemente a sua boca com bafo de bebida contra a minha.
Consegui empurrá-lo para longe.
- Que nojo! — gritei, aproveitando a distância dele e abri a porta para ir embora.
- Bella! – ele gritou, me alcançando ao me puxar pela blusa, antes que eu pudesse sair, fechando-a novamente com o pé.
- Não toque em mim! – gritei, quando senti as suas mãos deslizarem pela minha cintura.
O empurrei novamente para longe e antes que ele pudesse reagir, eu o atingi com um soco. Bem no meio do seu nariz. Coloquei tanta força no punho, que tenho certeza que quebrou algum ossinho.
Mike começou a gritar de dor. Não fiquei para olhar o estado do seu nariz. Já estava correndo pelo corredor.
- Bella! – ouvi Jessica gritar atrás de mim enquanto descia as escadas.
Saí empurrando todos na minha frente, procurando a saída. Não percebi que estava chorando até sentir o gosto salgado das minhas lágrimas que caíam copiosamente pelo meu rosto.
Pensei em Edward àquele momento. E em Alice.
Eu não devia ter vindo.
- Bella! – ouvi as vozes de Ângela e Jessica atrás de mim.
Entrei no carro, mas eu tremia tanto que não conseguia colocar a chave na ignição.
Ouvi a porta do meu lado se abrir. Era Ângela.
- Eu estava procurando por você. – falei, chorando.
- Me desculpa. – ela pediu.
- Bella, eu nem sei o que dizer. – comentou Jessica, horrorizada.
- Eu vou para casa. – avisei.
- Jess, vou levar a Bella em casa. Tremendo desse jeito ela não tem condições de dirigir. Você pode nos seguir?
- Eu posso dirigir. Só estou nervosa. – disse a elas.
- Claro que não. Eu dirijo.
- Ok. Vou pegar meu carro. – disse Jessica, saindo.
Pulei para o banco do carona, enquanto Ângela assumia a posição do motorista. Ela se desculpou e foi contando durante o caminho onde estava que eu não a achava em lugar nenhum. Mas a única parte que eu realmente ouvi, foi quando ela dissera que tinha ficado com o Ben.
Em outra ocasião, eu estaria pulando de alegria com ela, abraçando-a enquanto dizia: até que enfim. Mas nem ela, muito menos eu, estávamos com clima para isso. Não conseguia acreditar no que acabara de acontecer, no que Mike havia feito.
Quando Ângela parou o carro no meio fio, logo atrás de nós, Jessica também chegara. As duas me acompanharam em silêncio até a minha porta. Eu não conseguia nem passar a minha chave na fechadura do tanto que ainda tremia. Como que percebendo a movimentação, meu pai a abriu.
Ele franziu a testa assim que me viu. Olhou para as meninas e em seguida olhou de novo para mim.
- O que aconteceu, Bella? Você está chorando? – ele perguntou.
- Eu vou para o meu quarto. – disse, subindo as escadas.
Assim que entrei, me deitei na cama. Chorava de arrependimento, de nojo, de raiva.
Não demorou cinco minutos quando ouvi a voz do meu no andar de baixo.
- Eu vou atrás desse desgraçado! Quem ele é pensa que é para agarrar a minha filha! – ouvia os seus gritos.
- Calma, Charlie. Vamos conversar com a Bella. – ouvi a voz, um pouco mais baixa, da minha mãe.
A voz do meu pai foi ficando mais próxima. Logo, ele entrava no meu quarto. Assim como a minha mãe, Jessica e Ângela.
- Bella. Como você está? – ele perguntou. Pela voz, ele estava com muita raiva.
- Filha. Ele te machucou? – perguntou a minha mãe, preocupada. Depois se sentou ao meu lado, afagando meu cabelo.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!- Estou bem. – respondi, com a voz embargada pelo choro.
- Você não está bem, Bella. O que ele fez? Diga! – pedia meu pai.
- Ele me agarrou, quis me beijar à força.
- Ele estava tão bêbado! – falou Ângela.
- Ele agarrou Bella num quarto escuro. Com certeza as intenções dele não eram boas. – disse Jessica.
- O que está acontecendo aqui? – ouvi a voz de Alice.
- Er... Mike estava embriagado e agarrou Bella à força. – respondeu Jessica.
- Oh meu deus! – exclamou Alice, levando a mão à boca. – Eu sabia que ele ia tentar alguma coisa.
- Vou agora nessa festa! — berrou meu pai, saindo do quarto.
- Meninas, por favor, vão atrás dele! – pediu a minha mãe.
- Vamos sim, Renée. – disse Ângela. – Bella fica bem, voltaremos aqui.
Assenti com a cabeça, deitando a cabeça no colo da minha mãe.
- Bella, você pode me contar o que aconteceu?
- Eu o odeio tanto, mãe. Gostaria de nunca ter namorado ele. – disse, chorando.
- Ai, Bella. Tanto que eu te falei! – disse Alice, me fazendo chorar mais ainda. Já nem era pelo que Mike fez, mas de raiva. Raiva de mim mesma por ter ido a essa maldita festa.
Devia ter escutado Alice. Dei motivo a Mike aparecendo lá sozinha. E agora terei que lidar com a fúria de Edward quando ele tomar conhecimento.
Rosalie chegara da casa dos Cullens um tempo depois. Ela franziu a testa quando entrou no meu quarto ao perceber a porta aberta, encontrando a nossa mãe e Alice, fitando os meus olhos vermelhos e o meu rosto inchado pelo choro. Aproveitei que estava mais calma e contei detalhadamente o que aconteceu na casa do Ben.
- Edward vai surtar quando souber disso. – disse Alice.
- Não quero nem pensar na reação dele agora. – falei, sacudindo a cabeça. – Por favor, eu vou contar a Edward. Não comentem nada com Emmett, Jasper, Esme ou Carlisle. – pedi, me dirigindo a Rosalie e Alice.
- Não vou contar. – disse Rosalie.
- Eu muito menos se nem os vejo. – disse Alice, fechando a cara. Sabia que essa carranca ainda era por causa de Jasper.
- Preciso ligar para o seu pai. Há quase uma hora que ele saiu. Estou preocupada. – disse minha mãe.
- Espero que ele tenha arrancado os olhos dele. – disse Alice.
- Alice. – advertiu minha mãe.
– Bella, você tem que fazer alguma coisa. Tem que denunciar. Ele te agarrou à força! – disse Rose.
- Ele só tentou me beijar, Rose. – disse. Sinceramente não sabia que atitude tomar, mas não achava que fosse motivo para denúncia.
- Você sabe o que ele podia ter feito? No que se passava na cabeça dele? Ele podia querer te violentar. – continuou.
- Ele não seria capaz. – falei, me negando a acreditar nisso.
- Você não tem como saber, Bella. – disse Alice. – Ele não tinha boas intenções quando te puxou para dentro daquele quarto.
- Temos que conversar sobre isso. Não podemos esquecer que ele estava bêbado. – comentou a minha mãe.
- Que horas são? – perguntei de repente, lembrando que Edward me pediu para ligar quando chegasse da festa.
- É exatamente meia noite em ponto. – respondeu Rosalie, olhando o relógio no pulso.
- Edward me pediu para ligar para ele quando chegasse em casa. Mas eu não vou conseguir falar com ele. – comentei, triste. Eu o queria tanto aqui agora.
- Awn filha, não fica assim. Edward vai entender quando souber o que aconteceu.
- Eu queria tanto ouvir a voz dele. – murmurei.
- Amanhã, querida. Amanhã você conversa com ele. – disse, aninhando-me.
E não muito tempo depois eu dormia.
xXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxX
Terça-feira. Três dias depois.
Era tão bom estar em casa.
A escola tem sido o meu inferno pessoal. Só se falava sobre o que aconteceu sábado na casa do Ben.
O pior era ouvir os detalhes retorcidos.
Que Mike puxara meus cabelos com tanta força que eu vou precisar fazer implante. Que eu o chutei bem no meio das pernas, deixando-o estéril. Que ele me bateu tão forte que eu estava tendo que usar maquiagem no rosto para esconder os hematomas.
Nem vou me estender porque a lista de absurdo é enorme!
A história foi parar na direção da escola, que convocou os meus pais e os pais de Mike – nesse caso a mãe já que o pai dele ainda está hospitalizado – para uma reunião amanhã às dez horas.
Desde o sábado que não encontrei com o Mike. Ainda bem. Quando meu pai foi procurá-lo para tirar satisfações, ele já não estava na festa. Eric o havia levado ao hospital. Como suspeitei, meu soco provocou rupturas em alguns dos ossos do seu nariz. A informação que eu tinha era que talvez não voltasse mais para a escola, que seria transferido.
Claire, a mãe dele, esteve aqui em casa no domingo, querendo conversar comigo. Mas Charlie nem deixou que ela falasse, proferindo vários impropérios contra Mike. Claire começou a chorar, dizendo que o filho sofreu muito com a doença do pai e que mudou de comportamento depois que terminamos. Me doía vê-la chorar daquela maneira. Ela sempre foi muito boa comigo, carinhosa e me tratava como filha. Acompanhei todo o sofrimento dela com a doença do marido, assisti seu peso diminuindo vertiginosamente. E agora, tendo que lidar com as atitudes do filho.
Eu realmente não sabia o que fazer. E, além disso tudo, tinha Edward, que nem imaginava o que estava acontecendo comigo.
Alice me ajudou a bolar a desculpa que contei a ele quando liguei no domingo de manhã. Ele estava chateado. Muito chateado por eu não ter ligado assim que cheguei da festa como ele me pedira. Falou que foi dormir às três da manhã esperando a minha ligação. Como não liguei, resolveu deitar e dormir.
Alice me pediu para dizer que ela não passou bem e que teve que ir para o hospital. Que eu saí da festa para vê-la e como eu não estava com o celular, não pude ligar para ele. Que chegamos tarde em casa e não liguei porque achei que ele já estivesse dormindo e não queria acordá-lo.
Logicamente que Edward me encheu de perguntas. Do tipo “O que Alice tinha?” “Ela está bem?” “E a festa? Estava boa?” “Você se divertiu?” e outras mais.
Tive que continuar mentindo.
Odiava ter que mentir para Edward, mas no momento era a única coisa que eu podia fazer. Não podia dizer o que aconteceu, mas também não podia deixar de falar com ele por três dias, esperando o dia que ele chegasse.
E enfim esse dia havia chegado.
Eu estava louca para vê-lo. Necessitando desesperadamente da sua presença. Mas o momento em que ele soubesse de tudo que aconteceu durante essa semana era também o momento que eu mais temia. Porque eu não fazia idéia de como ele iria reagir.
XxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxX
Quando Edward me ligou, dizendo que já estava saindo de casa para vir para cá, meu coração começou a bater acelerado.
De amor, saudade, angústia, medo, felicidade. Tantos sentimentos e emoções juntos!
A ansiedade tinha atingido tais proporções, que eu comecei a me preocupar se conseguiria conversar com ele sobre isso, sem perder a minha calma. Eu estava desconfiando que não.
Já estava na sala quando ouvi o barulho de um carro parar próximo a calçada. Cada segundo parecia uma eternidade. Ouvi quando ele bateu a porta, provavelmente após sair de dentro do automóvel. De repente ficou um silêncio, até que ouvi o som de passos se aproximando da porta. E antes que ele pudesse alcançar o botão da campainha, eu já estava ali com a porta de casa aberta, totalmente escancarada.
- Edward! – falei, pulando em seus braços. Abraçando-o com tanto ímpeto, como se minha vida dependesse disso.
- Bella! – disse Edward, sorrindo. Sua voz saiu presa, por causa do meu aperto.
- Como é bom ver você! – falei, apertando os meus braços em volta do seu pescoço, sentindo uma lágrima cair dos meus olhos. Rapidamente tratei de enxugá-la antes que Edward visse.
Com muita dificuldade, ele conseguiu se afastar do meu abraço para me fitar. Ele abriu um tipo de sorriso que por um segundo tive medo que o meu coração parasse de funcionar.
- Você não tem idéia da saudade que eu estava sentindo. – ele disse, acarinhando a minha bochecha, antes de me beijar.
Seus braços se fecharam novamente na minha cintura e ele me puxou contra o seu corpo. Seus lábios pressionando os meus delicadamente no início, até ficar subitamente mais feroz.
Ele era a minha necessidade. Eu era a necessidade dele.
O que eu sentia por Edward era algo além de qualquer coisa que eu pensei ser possível existir. E crescia frondosamente a cada dia.
- Bella, não que eu queira parar de te beijar, mas será que poderíamos entrar? – perguntou divertido, contra os meus lábios.
Sorri, com a respiração ofegante, e afastei-me dele.
Edward fechou a porta e caminhamos para a sala. De mãos dadas, porque eu não queria me desgrudar dele.
Precisava tocá-lo, senti-lo de alguma maneira.
Assim que sentamos no sofá, ele me perguntou:
- E então o que vamos fazer hoje?
- Não sei. Alguma sugestão? – perguntei, adiando o momento de conversar sobre Mike.
- O que você quer fazer? Sair, ficar aqui? – ele me perguntou, massageando a minha coxa por cima do jeans. Ele fazia isso tão despreocupadamente.
- Hummm... qualquer coisa que você queira fazer. – disse, sentindo o velho formigamento só por causa daquele simples contato.
- Vamos sair para jantar? – perguntou. A sua mão continuava circulando, de baixo para cima, tão leve que eu me perguntei se ele tinha consciência do que estava fazendo.
- Ótima idéia. Que tal comida chinesa? – sugeri, animada.
- Chinesa? – perguntou, parando o movimento de sua mão. – Você disse que estava enjoada de comida chinesa. – falou, voltando a movimentar a mão. Suspirei quando seus dedos desceram um pouco mais para a parte interna da minha coxa.
- Edward! – adverti.
- O que? – perguntou.
- Você sabe. – disse, sorrindo.
- O que Bella? – franziu a testa.
- A sua mão. – apontei com a cabeça.
- Oh. Desculpa. – disse ele, tirando a mão da minha coxa.
- Não. Não é isso. – falei, sacudindo a cabeça.
- Qual o problema? – perguntou confuso.
- O problema é que... eu estava gostando.
Ele arregalou os olhos e sorriu maliciosamente.
- Bem, então vou continuar, já que você está gostando. – falou, voltando a massagear a minha coxa.
- Sim, eu estou gostando. – comentei, sorrindo com ele.
- Então... comida chinesa?
- Na verdade podíamos ir para a sua casa. – falei, torcendo internamente para que ele entendesse as minhas intenções.
- Você quer ir para minha casa? – questionou.
- Sim. Quero ver a sua mãe, e depois... podíamos ficar no seu quarto. – falei, comemorando o fato de ter falado isso sem corar.
- Mas podemos ficar aqui também, no seu. – disse ele.
Ai, Edward, entende logo!
- Eu sei. Mas, gosto mais de ficar lá. No seu.
- Hmmm... – murmurou, pensando.
- Lá no seu quarto dificilmente somos... interrompidos.
Ele riu. Acho que agora entendeu.
Edward se aproximou mais, e quando pensei que ele fosse me beijar, inclinou a cabeça para falar no meu ouvido.
- O que você não quer que interrompam, Bella? – sussurrou baixinho.
Um arrepio correu o meu corpo, saindo da unha do pé chegando até a raiz do meu cabelo.
Acho até que perdi o fio da minha voz.
- Hum? – insistiu, passando a barba que já começava a crescer pelo meu pescoço.
- Podemos ir? – murmurei, quase inaudível.
Ele deu um leve beijo na minha bochecha e se levantou, estendendo a sua mão para mim.
- Vamos. – disse ele.
Peguei a sua mão e me levantei.
Quando Edward abriu a porta para sairmos, damos de cara com meu pai.
- Boa noite Charlie. – cumprimentou Edward.
- Hey, Edward. Tudo bem?
- Agora estou ótimo. – respondeu, lançado um sorriso para mim.
- Já conversou com ele? – perguntou a mim. Tensionei instantaneamente.
Oh não, pai!
- Comigo? Sobre o que? – perguntou Edward, erguendo a sobrancelha para mim.
- Você ainda não contou a ele?
- Não, pai. Eu... vou contar.
- O que você não me contou, Bella? – senti a mão de Edward tensa.
- Vamos para o meu quarto. – disse sem olhar para ele.
Subimos a escada em silêncio. Assim que estávamos dentro do quarto, sentei-me na cama. Edward largou a minha mão, continuando em pé.
- Edward. – suspirei, fechando os olhos. – Por favor, fica calmo. – pedi, abrindo os olhos novamente.
- Por que eu tenho que ficar calmo, Bella? – perguntou.
- Eu vou contar.
- Estou esperando. – disse, sua voz emanava impaciência.
- É que, aconteceram algumas coisas depois que você viajou.
- Sim. Percebi. — disse azedo.
- Sabe aquele dia que você me levou na escola? – ele assentiu. – Quando você foi embora, Mike veio falar comigo.
Vi os olhos de Edward escurecerem e o seu rosto assumir uma expressão pétrea.
- O que ele queria com você? – sua voz aumentou algumas oitavas.
- Ele disse umas coisas que me chatearam. – falei, tentando manter a minha voz calma.
- Coisas? Que coisas?
- Que eu estava com você por causa do seu dinheiro, do seu carro e porque você era bonito. – Pausei, continuando em seguida. – E insinuou que nós já... er... você sabe.
- Ele disse isso? – perguntou, incrédulo.
- Sim. – confirmei.
- Eu vou quebrar a cara dele. – falou entredentes.
- Não, Edward, calma. Não precisa. Eu já bati nele. – sua expressão mudou um pouco para... surpresa? – Quer dizer, dessa vez, quando ele disse isso, foi só um tapa.
E então o seu rosto se fechou novamente.
- O que você quer dizer com dessa vez, Bella? Houveram mais vezes?
- Na verdade, sim. Ele me perseguiu a semana inteira.
Edward carrancou.
- Eu não consigo acreditar que você não me contou nada disso! – exclamou irritado.
- Me desculpa. Eu não queria te chatear ou atrapalhar seu trabalho e...
- Dane-se o meu trabalho! – me cortou, andando de um lado para o outro, enquanto mexia os cabelos com uma das mãos. – Sim, isso ia me chatear, aliás, já me chateou. Mas eu tinha que saber, Bella! Até quando você ia me esconder? – perguntou, parando na minha frente.
- Eu ia te contar. Não assim, desse jeito. Mas o meu pai não me deu outra escolha.
- O que mais ele fez? Por que você bateu nele de novo?
Suspirei. Chegara a hora de contar a pior parte.
- Lembra a festa do Ben? Que aconteceu no sábado?
- Sim. O que tem ela? – perguntou, fumaçando.
- Mike estava lá. E estava muito bêbado.
- O que ele fez, Bella? Fala logo de uma vez!– pediu, demonstrando a falta de paciência.
- Ele... me agarrou e tentou me beijar à força quando me puxou para dentro de um quarto junto com ele. — falei, vendo o choque atravessar o seu rosto.
- Como é que é? – perguntou.
- Isso que você ouviu. – disse, encarando-o. – Mas eu consegui me desvencilhar e ainda dei um soco que fraturou o seu nariz. Me desculpa por ter mentido pra você sobre o que aconteceu no sábado. Foi por isso que eu não te liguei. Não houve nada com Alice.
E então Edward saiu.
Saiu sem dizer absolutamente nada.
- Edward. Edward, espera. – gritei, descendo as escadas atrás dele.
Ainda tive tempo de ver o meu pai se levantar do sofá e murmurar alguma coisa que fui incapaz de ouvir.
- Edward, você vai embora? – perguntei desesperada, puxando o seu braço quando o alcancei ainda na calçada.
- Me solta, Bella. – disse, se desvencilhando.
— Você está com raiva de mim? É por isso que você está indo embora? – perguntei, sentindo as lágrimas caírem.
Edward já estava abrindo a porta do carro, mas quando viu que eu estava chorando fechou a porta e voltou.
Tive medo quando encarei os seus olhos. Estavam borbulhando de raiva.
- Não estou com raiva de você. – disse, sacudindo a cabeça. – Aliás, eu estou sim. Por ter escondido isso de mim. – completou, estreitando os olhos numa linha dura.
- Edward, me perdoa. – pedi, colocando a mão no seu braço como forma de segurá-lo. – Por favor, não vai embora.
- Eu vou voltar. – disse, caminhando novamente para o carro.
- Onde você está indo? – perguntei, confusa.
- Não vai ser difícil encontrar a casa daquele desgraçado! – disse, entrando no carro.
- Edward, não! – gritei em pânico.
Mas era tarde demais.
O volvo já tinha sumido.
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