Talvez Seja Amor
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Peço desculpas pela demora, mas minha vida profissional e acadêmica está num verdadeiro redemoinho esses dias e infelizmente vai perdurar por algum tempo.
Não passarei mais de um mês sem postar. Prometo.
Boa leitura
POV EDWARD
Estava com Bella nos braços, carregando-a para o quarto. Ambos em silêncio. Estávamos ocupados demais olhando um para o outro. Eu já sentia o álcool se esvaindo, voltando a ficar sóbrio. Ou quase sóbrio, eu acho. Consciente o suficiente para saber o que eu estava prestes a fazer.
Abri a porta do quarto, fechando-a com o pé logo que passamos. Eu a deitei cuidadosamente na cama, ao mesmo tempo em que deitava ao seu lado, apoiando-me no colchão com o cotovelo esquerdo, enquanto ainda olhávamos um para o outro. Nossos olhos cheios de intensidade, de paixão.
Não, não ia acontecer nada. Não essa noite.
Além de Bella ainda não estar preparada para fazer isso, nós tínhamos bebido. E esse era o motivador para o que aconteceu agora pouco, na sala. E também, por outro lado, a razão pelo qual me fez parar. Eu sei que me arrependeria no dia seguinte, apesar de querer muito. Mas com Bella eu não quero que seja assim. Quero que seja especial. Prometi que iríamos devagar, que eu esperaria o tempo que fosse, que esperaria o tempo dela. E não seriam alguns goles de cerveja e seja lá o que ela tenha bebido que iria mudar os meus planos para nós dois. Hoje pela manhã ela foi tão maravilhosa, tão determinada a exterminar a vergonha que ela tinha sobre os assuntos relacionados ao sexo, à sua nudez, quando ela decidiu permanecer sem blusa na minha frente, me dizendo como se sentia em relação a mim desde que nos conhecemos, o quanto confiava em mim enquanto me pedia para ensiná-la tudo que eu sabia. Ela queria que eu fizesse o que tinha feito ontem, e eu iria fazer. Essa noite seria só dela novamente. Mais uma noite de sensações.
Bella tinha um brilho nos olhos. Eu poderia dizer que ela estava conversando comigo através deles, ou tentando conversar.
O que ela queria me dizer?
– O que foi? – perguntei com a voz baixa, após longos minutos de silêncio, enquanto escovava seus cabelos com meus dedos.
– Nada.... – disse, mordendo o lábio inferior. Ela estava hesitante. Será que o álcool também estava perdendo o efeito no organismo dela?
– Nada? – perguntei.
– Unrrum. Não é... nada Edward. – ela engoliu em seco. Eu sei que ela queria falar alguma coisa. Por hora, resolvi não insistir mais.
– O que você quer eu faça Bella? – perguntei calmo, querendo que ela dissesse novamente o que havia dito no andar debaixo, tentando, assim, ajudá-la a perder a vergonha. O primeiro passo é ela falar o que tem vontade.
– Eu disse. Quero que você me toque.
– Onde você quer que eu toque? – insisti um pouco mais enquanto passeava com meus dedos pela barra da sua blusa.
– Você sabe. – ela disse, sorrindo.
–Vamos linda, me diga. — pedi. Livrei-me da minha camisa, voltando à mesma posição a tempo de ouvir Bella suspirar, baixinho.
– Você é tão lindo. – disse de repente, arrancando de mim um sorriso.
– Você que é linda. Mas não mude de assunto. – falei, invadindo com a minha mão por debaixo da sua blusa. – Onde você quer que eu a toque, Bella.
– Era isso o que eu queria dizer, quando você perguntou o que eu estava olhando. Eu queria dizer o quanto você é lindo.
Eu sorri para ela. Largamente.
– Err... nos mesmos lugares.. de ontem. É onde quero que você me toque.
– Nos mesmos lugares... – repeti, acariciando a sua barriga.
– Sim.– disse num fio de voz.
– Por acaso você se refere a... aqui? – perguntei, enquanto alcançava com a minha mão direita um de seus seios, apalpando-o em concha por cima do sutiã.
– Sim. – respondeu, sem tirar os olhos brilhantes de mim. Havia tanta luxúria naquele brilho.
– Levante os seus braços. – pedi, e assim ela fez.
Tirei lentamente a sua blusa, jogando-a no chão, de encontro à minha camisa. Me desloquei até os seus pés, tirando o par de sapatilhas. De volta à mesma posição, caminhei com a minha mão até o botão da sua calça jeans.
– Posso tirar? – perguntei, e ela anuiu.
Desfiz o botão da sua calça, abaixando o zíper, em seguida puxei-a para baixo, deixando Bella apenas de calcinha e sutiã na nossa cama. O conjunto que ela usava era tão lindo. Num tom nude, combinando com o seu tom de pele pálido, levemente bronzeado.
– Você não vai tirar? – ela me pergunta. Tirar o que?
– O que? – inquiri, franzindo a testa.
– A sua calça.– disse, fazendo-me congelar onde estava. Até prendi, sem perceber inicialmente, a respiração.
Por essa eu não esperava.
– Er... não.
– Por que não? – indagou, e dessa vez era ela quem está franzindo a testa.
– Porque... – fechei os olhos, abrindo-os rapidamente em seguida, soltando o ar. – Você quer que eu tire? – questionei.
– Sim... se você quiser. – respondeu baixo, a voz rouca.
Eu a olhei alguns segundos, depois me levantei, tirando a calça deliberadamente, nossos olhos nunca se deixando. Minha mente tentava me convencer que não seria nada demais, uma vez que estávamos praticamente assim hoje de manhã na praia, com vestes de banho. A diferença agora, no entanto, era que estávamos em cima de uma cama, a sós, depois de uma noite tensa regada a bebida.
Mas esse era exatamente o problema: a bebida. Não sei se ficar apenas de boxer numa cama com Bella apenas de calcinha e sutiã, onde eu pretendia tocá-la e fazê-la chegar ao orgasmo mais uma vez seria uma boa idéia.
O quão longe poderíamos ir?
Estávamos minutos atrás nos esfregando no sofá, simulando o ato sexual, e eu nem tenho certeza se Bella realmente sabia o que estava fazendo.
Sacudi a cabeça, tentando expulsar esses pensamentos e me focar ao que pretendia fazer, voltando novamente à cama, deitando-me de forma a ficar um pouco por cima dela, com muito cuidado para não encostar minha ereção nela, ou eu poderia me empolgar de novo. Me manteria firme. Hoje seria apenas ela.
E isso não vai ser fácil, eu sei.
Toquei seu rosto e juntei nossos lábios, com o objetivo de não separá-los tão cedo. Ela abriu a boca, sua língua procurando a minha. Logo estávamos nos movendo num beijo sôfrego e eu sentia o meu desejo aumentando em tortura, enquanto nossas línguas se degustavam uma a outra. Bella infiltrou seus dedos no meu cabelo para puxar o meu rosto para mais perto, me fazendo soltar um gemido. Ela sabe o efeito que isso causava em mim.
Comecei a massagear com a mão livre a sua barriga. Seu corpo estava quente, fervilhando. Eu não precisava checar para saber que ela estava preparada para a minha carícia. Eu tinha certeza que ela estaria.
Fui pego de surpresa quando ela começou a rir de repente contra os meus lábios.
– O que é tão engraçado? – perguntei, sem quebrar o beijo.
– Estou me perguntando quando você vai finalmente descer mais a sua mão. – respondeu, entre lábios.
Afastei um pouco a minha cabeça para olhar para ela.
– Quão baixo você quer a minha mão, Isabella? – inquiri, passando o dedo indicador ao redor do seu umbigo. – Aqui?
– Não. – respondeu, mordendo o lábio inferior.
– Onde então? – perguntei, minha voz era quase um sussurro.
– Você sabe, Edward. – disse, dando-me um breve beijo na boca.
– Seria aqui? – questionei, descendo a minha mão, pulando propositalmente o local onde ela mais queria ser tocada, parando na sua coxa.
– Não, Edward. – ela riu.
– Você não está me ajudando, Bella. – falei, lutando contra a vontade de rir. Eu queria brincar um pouquinho com ela.
– E você está me deixando louca, Edward. – disse, me encarando com impaciência.
– Eu estou te deixando louca?
– Sim. Muito. – disse.
– Por quê? – ela rolou os olhos, e dessa vez não consegui suprimir um sorriso.
– Você quer parar com isso? Não tem graça.– falou, um pouco frustrada.
– Não estou fazendo nada, linda.
– Sim, você está. – bufou.
– Só quero que você me diga onde quer ser tocada. – comentei, sorrindo-lhe torto.
Inesperadamente, Bella pegou a minha mão e a colocou na sua feminilidade, por cima da calcinha.
Sorri surpreso.
– Pronto. Sua pergunta foi respondida. – disse ela.
Bella ousada. Santo Cristo.
– E agora?
– E agora? – inquiriu. – Faça o que você fez ontem. Por favor, Edward. – Ela não precisava dizer por favor para eu saber o quanto ela queria. Seus olhos me diziam, implorando pelo meu toque. Não disse mais nada e resolvi parar de brincar, fazendo o que ela me pedia, o que eu queria.
Afastei a sua calcinha de lado, e alcancei o ponto sensível. Bella gemeu assim que me sentiu tocar em seu clitóris. Sua excitação molhando os meus dedos.
– Você está tão molhada. – sussurrei ao me aproximar de seu ouvido.
– Ahh... – gemeu mais uma vez.
Voltei a beijá-la enquanto meus dedos corriam de cima a baixo e de um lado para o outro em sua intimidade molhada. Bella tocou meu peitoral, e eu tremi involuntariamente. Nosso beijo era quente, mas contido. Notei a sua mão subir pelos meus braços, até alcançar a minha nuca. Ela puxou um pouco os meus cabelos e desceu novamente as suas mãos indecisas. Nossos corpos estavam praticamente colados, os quadris um pouco afastados devido a minha mão dentro da sua calcinha. Eu queria sentir mais dela. De repente a sua boca era pouco para mim, então desviei meus lábios para o local abaixo da linha do seu queixo, espalhando beijos molhados ali até me curvar, alcançando o topo dos seus seios ainda cobertos pelo sutiã. Rapidamente o abaixei, liberando os seus seios lindos e rosados para mim. E numa velocidade incrível, eu já estava sugando-os.
– Edward... — choramingou o meu nome, como um gemido.
– Bella... – sussurrei, enquanto me deliciava com o seio esquerdo. – Você gosta disso? – perguntei lambendo-o, erguendo um pouco os meus olhos para ver o seu rosto, enquanto um breve sorriso dançava em seus lábios.
Continuei com os movimentos na sua intimidade, beijando ao mesmo tempo os seus mamilos. Porém, minutos depois abandonei os seus seios, inclinando a minha cabeça para baixo, olhando a minha mão se movimentando dentro da sua calcinha. Era tão erótico olhar isso, e eu continuava lutando contra a luxúria que eu sentia naquele instante, sentindo o meu membro pulsante. Circundei repetidas vezes o seu clitóris com o meu dedo indicador e ela gemeu um pouco mais alto, arqueando o quadril. Não hesitei e aumentei a velocidade dos meus movimentos, enquanto ela apertava suas coxas ainda mais contra a minha mão.
– Está perto minha linda. – falei, enquanto subia a minha cabeça na mesma altura que a dela, vendo-a de olhos fechados, totalmente à minha mercê.
Olhei para os seus lábios, vermelhos, inchados pelos nossos beijos, convidativos. Mais uma vez juntei nossas bocas, distribuindo-lhe selinhos, sugando de leve o seu lábio inferior. Quando senti suas pernas praticamente esmagar a minha mão, o seu corpo convulsionar e da sua boca escapar um gemido audível, eu sabia que tinha chegado. Mas ainda assim, não parei meus movimentos até que seu corpo relaxasse.
Tirei minha mão de dentro da sua calcinha e levantei as taças do seu sutiã, saindo de cima dela e deitando na cama, ao seu lado. Bella continuava de olhos fechados, o corpo sem se mexer, apenas o levantar e subir do seu tronco com a respiração ofegante. Sorri para mim mesmo, não querendo que ela ouvisse. Soltei um suspiro e levei as minhas mãos até o meu cabelo, bagunçando-os mais do que já estava. Como um reflexo, desci os meus olhos até a minha boxer, verificando a ereção que ali havia se formado. Instantaneamente peguei o travesseiro debaixo da minha cabeça e coloquei por cima. Virei meu corpo de lado, apoiando-me no cotovelo esquerdo para olhar Bella. Ela ainda estava de olhos fechados quando me permiti contemplar o seu corpo de cima a baixo.
Era uma visão privilegiada, preciso dizer. E eu nunca me cansaria de ficar olhando para ela.
Perguntei-me qual seria a minha reação quando a visse nessa mesma posição. Só que completamente nua.
– Bella? – chamei quando percebi que a sua respiração tinha voltado ao normal.
Ela não respondeu.
Afaguei a sua bochecha com as costas da minha mão e a chamei de novo.
– Bella, linda, abra seus olhos. – pedi. Não houve resposta.
Franzi a sobrancelha e parei de afagar o seu rosto.
– Bella? – chamei mais uma vez, dessa vez sacudindo de leve o seu ombro. Ela murmurou alguma coisa, e se virou para o outro lado, de costas para mim, colocando as duas mãos debaixo da sua cabeça, por cima do travesseiro.
Ela estava dormindo!
O canto dos meus lábios se curvou num sorriso.
Puxei o edredom até cobrir o seu corpo, e depositei um beijo na sua bochecha. Em seguida me levantei, fechando as portas da varanda para ligar o ar condicionado.
Entrei silenciosamente no banheiro, e assim que estava dentro, tranquei a porta. Tirei a minha boxer e corri para o chuveiro. Não mudei a temperatura, deixando a água fria. Porque era disso que eu precisava: um banho frio. Meu membro estava duro, ereto e dolorido, implorando por um alívio. Inconscientemente, coloquei uma mão no azulejo e com a outra embrulhei o meu pênis, acariciando a minha ereção. Fechei os olhos, fantasiando as mãos de Bella no lugar da minha, enquanto fazia movimentos de baixo para cima. Não muito tempo depois, minhas mãos trabalhavam num ritmo grosseiro e então eu gozei, gemendo baixo para não acordar Bella.
Não pude evitar, depois de tudo. Afinal, há quanto tempo não tinha um orgasmo?
Após o alívio, me ensaboei e saí do banho. Enrolei-me na toalha e fui para o quarto. Coloquei a calça de flanela cinza e dei uma espiada em Bella, que dormia em um sono tranqüilo, antes de sair do quarto.
Logo que desci as escadas, percebi a luz da cozinha acesa. Quando entrei, encontrei Jasper sentado à mesa, com uma cerveja na mão.
– Hey Jasper. Pensei que estivesse dormindo. – disse assim que o vi.
– Estou sem sono. – respondeu, dando um gole na bebida.
– Vou fazer um sanduiche, quer um?
– Não, estou sem fome. Me acompanha aqui? – perguntou erguendo a garrafa.
– Não. Por hoje chega. – respondi sorrindo, enquanto tirava os ingredientes da geladeira.
Coloquei tudo em cima do balcão, e caminhei até a mesa para pegar o cesto de pão. Olhei rapidamente para Jasper e percebi que havia algo estranho com ele.
– Tudo bem, Jasper? – perguntei quando voltei para o balcão, enquanto abria o pão com a faca.
Ele suspirou e deu mais um gole na cerveja, não respondendo.
– Aconteceu alguma coisa? – insisti. Tinha acontecido algo.
– Sim. Eu beijei Alice.
– Er... sério? – ele assentiu. – E aí?
Jasper riu, e eu não entendi.
– O que foi? – perguntei, colocando alface dentro do pão.
– Você não está tendo a sensação de Déjà vu? Meses atrás era você me contando sobre ter beijado Bella.
Eu ri, lembrando o dia. Foi no dia seguinte ao nosso beijo. Eu tinha dormido aquela noite num hotel, e ao voltar para casa, Jasper me encheu de perguntas.
– Sim, eu lembro.– comentei, pegando o sanduíche e indo me sentar à mesa.
Jasper permaneceu calado, pensativo. E eu sabia exatamente no que ele estava pensando.
– Foi só um beijo, Jasper. Não precisa ficar assim. – disse, dando uma mordida no meu sanduíche.
– Você não entende, Edward? Eu não consigo fazer isso.
– Jasper, você tem que seguir em frente. Alice não é Carolyn. Nem todas as mulheres são como Carolyn.
– É muito fácil para quem está de fora. Não foi você que passou pelo que eu passei! – disse em exaspero.
– Não estou dizendo que é fácil. Mas porra Jasper, isso já tem dois anos. Esqueça essa mulher. Ela não merece que você pense nela, que você deixe uma oportunidade passar por causa dela!
– Eu ainda vejo aquela cena na minha frente. Como se tivesse acontecido ontem. – comentou, seus olhos vagos. Eu sabia que ele realmente estava vendo aquela cena. Uma lembrança dolorosa que ele não conseguia esquecer.
– Você devia procurar ajuda Jasper. Um psicólogo, um analista... não sei. Mas você não pode ficar assim. Viver desse jeito pelo resto de sua vida. Você um dia vai gostar de alguém, se é que já não gosta. – disse, me referindo a Alice.
– Eu não posso gostar de Alice, Edward. Não como um homem gosta de uma mulher. Eu nunca vou poder dar a ela o que ela merece. Ser um homem romântico, apaixonado, que queira se casar com ela um dia. Eu nunca vou conseguir fazer isso de novo.
– Mas você precisa tentar, Jazz. Se dê uma chance. Já te disse isso várias vezes. Há muitas mulheres que não são como Carolyn. E Alice é uma delas. E... bem, ela gosta de você.
– Quê? O que você está dizendo? – perguntou, franzindo os olhos.
– Que ela está apaixonada por você. Eu a ouvi logo cedo, conversando com Bella aqui na cozinha. Ela parecia confusa.
Jasper ficou pensativo mais uma vez, levando a garrafa à boca e despejando todo o conteúdo que ali ainda tinha. Continuei comendo meu sanduiche, esperando que ele falasse alguma coisa.
– Eu a beijei. Eu queria fazer isso há bastante tempo, mas ela estava impossivelmente atirada hoje. Não consegui resistir. – ele sorriu.
– Acho que todas as garotas estavam impossivelmente atiradas hoje. – disse rindo também, lembrando as palavras de Bella quando estávamos nos beijando no sofá.
– Você e Bella... – perguntou sugestivamente.
– Não, não. Estamos indo devagar com isso. – falei, dando a última mordida.
– Hmmm. – murmurou despreocupado. Jasper não era como Emmett. Ele não insistiria nisso, muito menos faria piadinhas ou comentários sobre a minha intimidade com Bella.
– E o que vai fazer agora? Quero dizer, vocês se beijaram... o que vai ser agora?
– Não sei. Talvez ela nem lembre o que houve amanhã. – disse dando de ombros.
– Onde ela está?
– Dormindo. – respondeu, para logo em seguida continuar. – Você acredita que ela estava sorrindo enquanto dormia?
– Acho que ela estava sonhando beijando você.
– Talvez. – ele disse, rindo. Mas o sorriso não alcançou os seus olhos.
– Pensa no que te falei, Jazz. Não faz isso com você. Alice é uma ótima garota, é linda, divertida, e gosta de você. Sei que você também está apaixonado por ela. Percebi desde a primeira vez que vocês se viram, naquela boate em Sacramento. Eu nunca vi você olhar para alguém da mesma forma que você a olhou quando a viu. Nem mesmo Carolyn.
Jasper levou as duas mãos ao cabelo, puxando-os com os dedos. Um gesto que eu me pego fazendo constantemente.
Ele suspirou e se levantou.
– Vou dormir. – falou.
– Irei em seguida. Vou apenas guardar essas coisas.
– Boa Noite, Edward.
– Dorme bem, Jazz, e...não esquece o que conversamos.
Ele apenas concordou com a cabeça e saiu.
Minutos depois, voltei para o quarto. Bella estava dormindo na mesma posição que a deixei. Fui ao banheiro escovar os dentes e logo estava de volta ao quarto. Apaguei a luz e deitei minhas costas no colchão, enquanto me acomodava debaixo do edredom, ao lado do corpo adormecido dela. Ela estava virada para o outro lado, de costas para mim. Tinha sido tão bom dormir abraçado ao seu corpo na noite anterior. Não queria dormir longe dela, até porque essa era nossa última noite na casa. Eu não fazia idéia de quando iríamos dormir juntos novamente.
Deliberadamente me aproximei, colocando a mão no seu quadril, virando-a de frente para mim. Bella se remexeu no processo, e passou a língua inconscientemente rápido sobre os próprios lábios, abrindo os olhos em seguida. Ela sorriu e aconchegou a cabeça no meu peito, fechando os olhos de novo, voltando a dormir.
Depositei um beijo no topo da sua cabeça e sorri. Agora eu também podia dormir.
POV BELLA
Abri os olhos, bocejando. Logo, me contorci numa careta. A minha cabeça estava latejando.
Eu estava me sentindo como se tivesse dormido um dia inteiro de tão cansada.
Joguei meus cabelos que estavam caindo pelos meus olhos para trás da minha cabeça. Rolei para o lado e olhei o relógio no criado mudo. Eram dez horas da manhã.
Voltei para a posição anterior, e me apoiei em meus cotovelos. Olhei em volta, me perguntando onde diabos Edward estava. Foi então que desci os meus olhos para o meu conjunto de sutiã e calcinha, ainda cobertos pelo edredom. Lembrei do que aconteceu na noite passada. E de repente me senti tonta.
Clube de Strip, o piloto de avião, a Love Sex, Alice, Rosalie e eu dando gargalhadas, Edward, praia, sofá, quarto, cama.
Sofá. Cama.
Não sei em que momento eu dormi, e para ser sincera, não me importava. Porque eu lembrava perfeitamente dos beijos que Edward me dava, principalmente das suas carícias e dos seus dedos estimulando a minha intimidade. Nosso relacionamento tinha atingido um nível sexual e eu estava muito feliz com tudo isso. Sabia que depois desse final de semana, as coisas seriam diferentes daqui pra frente, e só de imaginar o que ainda estava por vir, as borboletas atacaram mais uma vez o meu estômago e o batimento do meu coração acelerou em demasia.
A porta do quarto se abriu, revelando um Edward vestindo bermuda e camiseta. Maravilhosamente lindo, como sempre. Seu cabelo estava molhado, talvez tenha tomado banho há pouco tempo. Ele me olhou surpreso e em seguida me lançou um sorriso. Era tão bom dormir e acordar vendo Edward.
– Era para você ainda estar dormindo. Eu ia trazer seu café-da-manhã na cama. – falou sentando na cama, ao meu lado.
– Desculpe. – murmurei, sorrindo-lhe apologética.
Ele esticou a mão e massageou meu cabelo. Inclinei um pouco a cabeça com o seu toque e a senti latejar de leve, me olhos se estreitando.
– Você está bem? – quis saber.
– Sim. Só um pouco de dor de cabeça. Mas logo passa.
Ele se inclinou e me deu um beijo, que eu logo me afastei.
– O que foi? – ele perguntou.
– Hmm. Hálito matinal? – falei, soando como uma pergunta. Ele riu.
– Eu adoro o seu hálito matinal. Mesmo o de hoje misturado com... como é mesmo o nome da bebida que você tomou ontem? – perguntou, sua voz e a expressão em seu rosto eram de divertimento.
– Oh meu deus. Eu ainda estou com gosto de álcool! – exclamei, levando as duas mãos à boca.
– Um pouco. – disse rindo.
– Err... vou escovar os dentes. – disse, levantando o edredom, saindo da cama.
Tive um vislumbre de Edward olhando rapidamente o meu corpo vestido apenas de calcinha e sutiã e entrei depressa no banheiro, fechando a porta atrás de mim.
Não, eu não vou corar.
Escovei os dentes duas vezes seguidas, massageando com a escova a minha língua, tirando qualquer vestígio de álcool que ali ainda tinha.
– Bella, você vai demorar? – ouvi Edward perguntar atrás da porta.
– Não. Já vou sair. – respondi meio embolado, por causa da pasta na minha boca.
Cuspi, colocando água.
– Posso entrar?
Edward queria entrar no banheiro? Comigo aqui?
– Err... claro.
– Tome isso, vai ser bom para a sua dor de cabeça. – disse assim que entrou no banheiro. Assenti, pegando o enorme comprimido e o copo com algum líquido amarelo dentro que ele segurava.
– O que é isso? – perguntei.
– Uma espécie de energético. Não tem um gosto muito bom. Acho que vai querer escovar os dentes de novo. – disse sorrindo.
Coloquei o comprimido na boca, e em seguida levei o copo até meus lábios, engolindo o conteúdo.
É. Isso tinha realmente um gosto horrível.
– Eu disse. – comentou Edward, rindo por causa da minha careta.
Escovei novamente os dentes, dessa vez Edward estava em assistindo. Assim que terminei e guardei a escova. Dei uma olhada para o meu reflexo no espelho.
– Nossa. Estou me sentindo péssima. E meu cabelo está horrível. Parece um bando de feno. – disse, enquanto tentava dar um jeito neles.
– Logo vai estar se sentindo bem, quando o remédio fizer efeito. E você continua linda, mesmo estando assim. – disse Edward.
Através do espelho, vi quando ele aproximou-se lentamente, esticando uma mão sobre a minha cabeça, jogando delicadamente os meus cabelos para um lado só do meu pescoço. Senti o seu braço livre tocar a minha cintura, e também vi, através do espelho, seu nariz aproximar do lado exposto do meu pescoço, fungando para cima e para baixo naquele local.
Edward sabia mexer nos botões certos. Meu coração palpitava e o meu corpo já estava dando sinais de vulnerabilidade com a eletricidade que existia entre nós, sentindo a atmosfera densa. Todo lugar que Edward me tocava, era como um choque para o meu sistema.
Num gesto rápido, ele me virou de frente para ele, as minhas costas apoiadas no mármore, colocando as suas mãos em cada lado do meu corpo, em cima da pia. Passei meus braços em torno de sua cintura e coloquei um leve beijo em seus lábios. Ele correspondeu de imediato, aprofundando o beijo, empurrando a sua língua na minha boca. Nossos movimentos se aceleraram, ao mesmo tempo que a nossa respiração. Minha língua massageando a dele, enquanto ele pressionava o seu corpo contra o meu, os arrepios percorrendo por toda a minha pele quando senti a sua anatomia friccionar a minha barriga.
Estava praticamente impossível respirar, mas eu não queria me afastar. Eu gemia, ele gemia. Nossos lábios moldando-se freneticamente urgentes. Uma de suas mãos foi até o meu cabelo, enroscando seus dedos nele, e eu me segurei para não fazer o mesmo com o seu. Eu sabia que ele adorava quando eu enterrava meus dedos neles. Mas lógico que eu não consegui me segurar por muito tempo e logo estava com as minhas duas mãos segurando fortemente os seus cabelos e só tive tempo de ouvi-lo gemer contra a minha boca, se afastando em seguida.
– Eu... preciso... de... ar... – ele disse, ofegante. Os olhos fechados.
Fiquei aliviada ao ver seus lábios se curvando num pequeno sorriso.
Também ri, sem fôlego, com as minhas mãos envoltas do seu pescoço.
Edward colocou um beijo na minha testa antes de dizer:
– Tome seu banho. Estou na cozinha preparando nosso café-da-manhã.
– Em alguns minutos estarei lá. — disse baixo, tentando recuperar a minha voz.
Ele sorriu, e se virou, caminhando em direção a porta do banheiro.
– Edward. – chamei antes que ele atravessasse a porta.
– Sim?
– Adorei a nossa noite. – falei, obviamente corando. Corar fazia parte de mim, e eu sei que demoraria até que eu não fizesse mais isso.
Ele voltou, e eu fiquei ofegante quando ele depositou suas mãos em cada lado da minha bochecha e aproximou nossos rostos a centímetros de distancia.
– Eu também. Muito. – disse com aqueles olhos verdes hipnóticos e em seguida tocou meus lábios com o seu num beijo casto, totalmente o oposto do que estávamos trocando minutos atrás.
Trocamos leves selinhos e depois ele saiu, com aquele sorriso torto estampado no rosto.
Quase meia hora depois, saí do quarto. Estava me sentindo bem melhor, e a minha cabeça já nem latejava. Efeito do banho e do remédio que Edward me dera. A casa silenciosa, como na manhã anterior. Acho que Edward e eu éramos os que menos dormiam nessa casa.
Mas assim que coloquei os pés no andar de baixo, pude olhar pela parede de vidro Rosalie e Emmett do lado de fora. Acho que iam curtir a última manhã de sol já que mais tarde voltaríamos para casa.
Assim que entrei, senti um cheiro bom de panquecas incensando a cozinha. E logo vi um Edward de costas, fazendo algo no fogão. Nunca imaginei que ele soubesse fazer panquecas.
Caminhei até ficar por trás dele, envolvendo os braços em volta da sua cintura, ficando de ponta de pé para beijar o seu pescoço.
Edward inclinou a cabeça e beijou meu cabelo.
– Está quase pronto. – ele disse, sorrindo.
– Edward, isso cheira tão bom. Nunca pensei que você sabia fazer panquecas.
– Há algumas coisas que eu sei fazer. – ele riu. – Você sabe, fiquei algum tempo longe de casa por causa da banda. Além do mais, fiquei semanas sozinho quando me mudei para Sacramento. Irina não podia cuidar da casa naquela época, por causa do marido doente. Ou eu aprendia alguma coisa ou morria de fome sem café-da-manhã.
– Eu imagino. – disse, sorrindo.
Afastei-me de Edward para preparar a mesa. Peguei o suco de uva na geladeira, e esperei que ele terminasse com as panquecas. Ele parecia tão orgulhoso quando as colocou na mesa.
– Espero que goste, Srta Swan. – disse formalmente, sua postura imitando um garçom.
– Junte-se a mim, Sr... – disse, entrando na brincadeira.
– Cullen. Edward Cullen.
– Certo. Sr. Cullen. Eu apreciaria se me servisse da sua presença à mesa.
– Seu pedido é uma ordem, Srta. Swan. – disse.
Edward se sentou, e logo estávamos caindo numa gargalhada.
Coloquei uma no meu prato, e a cobri com o molho de tomate para em seguida levar um pedaço à boca
– Edward, isso aqui está muito bom! – exclamei, suspirando ao mesmo tempo.
Ele riu, se servindo.
– Hmmm. Está realmente bom. – ele concordou. – Acho que foi a melhor que eu já fiz até hoje. Graças a você.
– A mim? – perguntei, de boca cheia.
– Sim. Acho que as panquecas ficam demasiadamente melhor quando feitas por um homem apaixonado, querendo conquistar a namorada.
– Mas você já me conquistou. – eu disse sorrindo, esticando meu braço para tocar a sua mão, do outro lado da mesa.
– Não o seu estômago.
Eu ri.
– Ok. Não se preocupe que ele agora está apaixonado por você também.– disse dando outra garfada na panqueca.
– Fico feliz por isso. – ele riu, comendo também.
Seguimos nosso café-da-manhã cheio de suspiro e elogios da minha parte com os dotes de Edward para a cozinha. Ele disse que também sabia fazer um macarrão à bolonhesa e prometeu cozinhar para mim qualquer dia.
Eu estava cheia, satisfeita, e Edward continuava comendo seu último pedaço quando Jasper entrou na cozinha.
– Bom dia Edward, Bella. – nos cumprimentou.
– Bom dia Jasper. – disse, sorrindo.
– E aí, tudo bem? – perguntou Edward a ele.
Eu conhecia Edward demais para perceber que havia preocupação por trás da sua expressão. Havia acontecido alguma coisa?
– Sim, tudo bem. – ele disse, sorrindo.
– Edward fez panquecas. – eu disse.
– Hmmm. Parecem boas. Vou comer uma dessas.
– Fique à vontade Jazz. Bella e eu já terminamos. – falou Edward, limpando a boca com o guardanapo.
Jasper esticou o braço para pegar as panquecas e colocou duas em seu prato. Antes que ele levasse o garfo à boca, perguntei:
– Alice já acordou?
De repente sua mão congelou.
– Er.. não sei, Bella. Nós dormimos em quartos separados essa noite. – respondeu.
– Ah. – murmurei. Eu sabia que estava acontecendo alguma coisa.
Ficamos minutos calados e o único som na cozinha era o do garfo batendo no prato enquanto Jasper comia, além do som baixo que ele fazia ao mastigar.Decidi me levantar, recolhendo os pratos e os copos que Edward e eu tínhamos usado, levando-os até a pia. Sei que Kaure voltaria no dia seguinte para arrumar a bagunça, mas a minha mão não ia cair se eu lavasse os pratos que estavam sujos de hoje e de ontem.
Assim que comecei a lavar, senti o braço de Edward na minha cintura.
– Não precisa fazer isso, Bella. Kaure virá amanhã. – disse muito baixo.
– Eu sei. Mas não tem problema se eu fizer isso. Faço em casa, Edward.
– Eu sei que não há problemas. Mas precisamos sair da cozinha.
– Por quê? – perguntei.
Edward apontou com a cabeça na direção da mesa. Inclinei a minha cabeça para o lado e vi Jasper e agora, Alice.
– Ah. – eu sorri. Edward sorriu também.
Enxuguei as minhas mãos com a toalha e abandonei o que pretendia fazer.
– Bom dia, Alice. – falei.
– Bom dia, Bella. – ela sorriu. Mas seu sorriso era triste.
– Você está bem? – perguntei. Senti um aperto da mão de Edward na minha.
– Vamos, Bella? Quero assistir um filme aqui na sala, tudo bem?
– Claro. Er... vamos. – eu disse.
Assim que chegamos na sala, Edward caminhou até a estante de DVDs, e eu sentei no enorme sofá, pensativa.
O que diabos tinha acontecido?
– Edward.
– Hum.
– O que aconteceu com Alice e Jasper? – inquiri.
Ele não me respondeu. Continuou de costas, mexendo na LCD.
– Edward. Você quer me dizer o que aconteceu? Eu sei que você sabe!
– Não foi nada, Bella. – disse, colocando o filme.
– Como nada? Os dois estão estranhos. E eles nem dormiram no mesmo quarto.
Edward caminhou até a mim, sentando ao meu lado direito, passando a sua mão esquerda sobre o meu ombro.
– Eles... se beijaram.
– Que? – perguntei, um pouco alto, virando-me para olhar para Edward.
– Shiu, Bella. Eles podem ouvir.
– Você está falando sério? – questionei em voz baixa, sorrindo.
– Sim. Jasper me contou ontem à noite. Depois que você dormiu, dei um pulo na cozinha. Estava com fome. Ele estava lá.
– Eu não entendo... – falei, confusa. – Por que eles estão agindo assim? Como se tivessem cometido algum crime?
Edward não respondeu de imediato. Mas logo comentou.
– Alice tinha bebido. Talvez Jasper não esteja confortável com isso. – disse, dando de ombros.
– Hmmm. Entendo.
– Bella. Eu ouvi sem querer a conversa entre você e Alice ontem pela manhã. Na cozinha.
– Você ouviu?
– Sim.
Droga. Eu devia ter falado com Edward sobre isso antes.
– Eu queria te dizer, Edward. Mas eu estava com receio que Alice não pudesse gostar. Afinal de contas, Jasper é seu irmão.
– Tudo bem, Bella. Eu sei. Não estou te censurando por isso, nem passou pela minha cabeça. Não era um assunto que você podia compartilhar.
– É que... você sabe, eu não quero que haja segredos entre nós. Eu quero contar tudo para você, mesmo quando não é sobre mim.
Senti Edward tensionar.
– O que foi? Eu disse algo errado? – perguntei.
– Não. – ele respondeu, dando um beijo no topo da minha cabeça.
– Então por que você ficou assim? – questionei.
Ele não me respondeu, mas eu podia sentir o seu coração acelerado.
– Edward? – instei. Ele estava me escondendo algo. Por isso tensionou quando falei que não queria que houvesse segredos entre nós.
Ele suspirou antes de finalmente sua voz sair.
– Há algo que precisamos conversar, Bella.
– Certo. Sobre o que precisamos conversar? – perguntei, tentando manter a minha calma, saindo debaixo de seu braço, sentando de frente para ele no sofá, por cima das minhas pernas.
Não sei o que estava por vir, mas sabia que não era coisa boa.
– Eu... recebi uma proposta. – ele disse, parecia triste.
– Uma proposta?
– Sim, um novo papel numa peça. – senti meu rosto suavizar quando ele disse. Esperava coisa pior. Mas ainda assim, algo parecia estar errado.
– Edward! Um novo papel. Estou tão feliz por você! – disse, me esticando para dar-lhe um abraço.
Edward não se mexeu, apenas colocou a sua mão na minha cintura.
Me afastei e voltei a sentar de frente para ele. Ele estava rindo, mas o sorriso não alcançou os seus olhos.
– Sobre o que é a peça? – perguntei.
– Você já leu O Retrato de Dorian Gray?
– Do Oscar Wilde? – perguntei. Ele assentiu.
Arregalei os olhos e meu queixo quase caiu.
– Esse livro é um clássico, Edward! Eu nunca o li realmente, mas conheço a história, inclusive a polêmica que gerou devido ao... – parei no meio da frase.
– Ao...? – incentivou Edward.
– Você recebeu a proposta para interpretar que papel?
– Dorian. — ele deu de ombros.
Suspirei.
– Eu deveria imaginar. Um personagem jovem, rico, extremamente lindo. É claro que você seria chamado para o papel principal. – disse, mordendo o lábio inferior.
– Bella, você não está com ciúmes, está? – perguntou Edward, divertido.
– Não! Quero dizer... você sabe... não li o livro, mas sei que ele se envolve com todo tipo de mulher que aparece na sua frente, além de homens? — disse, soando mais como uma pergunta.
– Onde você viu isso? Não está no roteiro. – defendeu Edward, ainda rindo. – Sou fascinado por essa obra, Bella. Fala sobre vaidade, o caráter das pessoas. Eu tenho esse livro em casa, vou te emprestar. – era tão bom ver Edward animado com o novo trabalho.
– Você... já aceitou?
E então seu sorriso desapareceu.
Oh, sim. Voltamos para o início. Havia algo a mais junto a essa proposta.
– Sim. – respondeu, e de novo sua expressão era triste.
– O que há, Edward? Por que você está assim? – pedi suavemente.
– Porque nós vamos ficar longe um do outro. De novo. – disse finalmente.
Ah, claro! Por que não imaginei que deveria ser isso antes?
Edward e nova proposta só podiam significar distância entre nós. Mais uma vez.
– Eu nem tinha pensado nisso. – murmurei.
Edward levantou do sofá, caminhando até a porta de vidro, parando lá enquanto olhava o mar a alguns metros de distância da casa.
Levantei-me também, andando até ficar próxima a ele, ao lado dele. Olhei para frente e vi Emmett e Rosalie correndo de um lado para o outro na praia. Acho que estavam brincando de pega-pega. Emmett corria atrás de Rose, e esta perdeu o equilíbrio, caindo de barriga na areia. Em outra ocasião, eu estaria rindo. Mas não estava com humor para isso agora. Pude ver Emmett se ajoelhar na areia, virando-a para ficar de frente para ele. Ele deitou o corpo por cima do dela, e em seguida a beijou.
Fechei os olhos, abaixando a minha cabeça. Decidi que eu precisava perguntar, saber quanto mais tempo ficaríamos distantes.
Abri os olhos e virei minha cabeça na direção de Edward, que ainda estava absorto, olhando para o oceano.
– Para onde você vai? – minha perguntava não saiu bem formulada, mas eu sabia que ele entenderia.
– Londres. – respondeu, sem olhar para mim.
Londres?
Oh, não! Mais longe do que pensei. Achei que seria uma turnê, e aqui, nos EUA.
– E... quanto tempo será essa temporada?
– Não é uma temporada. Será apenas por dois finais de semana. O Teatro Royal será reinaugurado após mais de cem anos fechado. Queriam uma adaptação grandiosa para a reabertura.
Senti um alívio. Não será uma temporada.
– Mas terei que ficar lá por mais de um mês. Para os ensaios e posteriormente para as apresentações. Não poderei fazer o mesmo que faço, vindo todas as semanas para ver você. – completou.
Edward finalmente me olhou. Acho que para avaliar a minha reação. Eu continuei olhando para ele, sem saber ao certo o que dizer.
Mais de um mês?
É muito tempo sem vê-lo!
Edward nem voltou ainda para casa dessa temporada e já terá que viajar em seguida. Quer dizer, eu nem sei quando ele vai. Será que ele vai ter que ir antes do Natal, do Ano Novo?
– Quando você vai? – inquiri.
– Em Janeiro. Ainda não sei a data da viagem, mas provavelmente será no final da primeira quinzena, uma vez que a estréia será dia 14 de fevereiro.
– No dia...
– Sim, eu sei. No Dia dos Namorados.
O primeiro Dia dos Namorados que Edward e eu passaríamos juntos e estaremos separados. Eu não podia acreditar nisso.
Eu estava extremamente triste. Frustrada para ser sincera. Mas eu não podia ser egoísta a ponto de me sentir decepcionada, com raiva de quem quer que tenha convidado Edward para esse trabalho. Eu sabia perfeitamente bem a grandiosidade envolta a essa inauguração. O Teatro Royal é um dos maiores e mais importantes teatro do mundo. E ver Edward envolvido nisso é motivo de orgulho, mesmo que isso nos separe por um período. Eu sempre soube, desde que nos conhecemos, que Edward era extremamente talentoso e que boas oportunidades viriam. Claro que vou sentir saudades, mas estou feliz por ele. Não posso dizer que estou feliz com a situação toda, porque nem mesmo Edward está. Eu vejo em seus olhos. Ele não consegue ficar longe de mim, como eu não consigo ficar longe dele. Os últimos dias têm sido muito difíceis para nós dois. É como se não conseguíssemos mais superar a distância. Mas precisamos ser fortes. Eu preciso ser forte e transmitir isso para Edward, para que ele possa viajar em paz e se concentre no que ele tem que fazer lá. Não quero que a nossa relação interfira no seu desempenho.
– Não tem problema, Edward. – disse, levando a minha mão para tocar seu rosto, sorrindo. – Comemoramos quando você voltar.
– Me desculpe. – disse.
– Por que você está se desculpando? – perguntei confusa.
– Por ter aceitado esse papel. Devia ter falado com você antes, perguntado sua opinião. É só que... – ele suspirou brevemente, pegando a minha que estava no seu rosto, segurando-a. –, eu não queria dizer não. Esse trabalho é muito importante para mim, Bella. Li esse livro para uma matéria na escola e ele se tornou um dos meus favoritos. Fiquei sem ação quando recebi a proposta. Nunca pensei que chegaria a fazer o Dorian um dia. Mas aí eu pensei em você, em nós dois e pedi uns dias para decidir. Eu não queria ficar longe de você, nem te chatear por ter aceitado sabendo que vamos ficar longe um do outro por um tempo.
– Edward, pelo amor de Deus. Eu não tenho direito de ficar chateada com você. Esse é seu trabalho. Foi num teatro que te conheci. Não diga um absurdo desses! – exclamei exasperada.
– Mas ainda assim devia ter conversado com você sobre isso antes de ter aceitado. E é por isso que estou me desculpando. Como você mesma falou, não deve haver segredos entre nós.
– Tudo bem, Edward. Não estou chateada. – eu sorri.
Ele me abraçou forte e ficamos ali, unidos como se nossa vida dependesse disso. Seriam dias difíceis, a ponto do meu peito doer de tanta saudade. Mas eu estarei aqui, esperando-o. E quem sabe antes dele partir eu consiga enfim dizer Eu Te Amo.
– Vou voltar para casa antes do Natal e do Ano Novo. – disse se afastando um pouco para olhar para mim. – Vamos nos ver todos os dias. Vou te levar e te buscar na escola e no Espejo. Vou te levar para jantar, te acompanhar no shopping, na livraria. Quero dormir com você. Muitas vezes.
Senti meu corpo estremecer com suas últimas palavras, e sorri, implorando mentalmente que esse dia chegasse logo.
– Você vai enjoar de mim. – eu disse, ainda com um sorriso bobo e apaixonado nos lábios.
– Nunca vou enjoar de você. É mais fácil você se cansar de mim, do tanto que serei pegajoso. – ele falou, estreitando os braços na minha cintura.
– Eu nunca vou me cansar de você, Edward. Você não vai se livrar de mim. – disse, colocando as minhas duas mãos na sua nuca.
– Eu adoro você, Bella. – disse olhando no fundo dos meus olhos.
– Eu também adoro você. Muito. – falei, fechando o espaço entre as nossas bocas. Nos movemos em um lento e delicado beijo.
Edward e eu passamos o resto da manhã e início da tarde desfrutando da companhia um do outro. Assistimos a um filme e conversamos eventualmente. Ele perguntou se eu queria dar um mergulho antes de ir para casa e eu disse que não. Queria ficar ali enroscada a ele no sofá. Não vimos quando Jasper e Alice saíram da cozinha. Talvez porque estávamos tão envolvidos um com o outro, imersos na nossa bolha pessoal que não vimos ou ouvimos movimentação ao nosso redor. Mas em um dado momento, Alice desceu as escadas, se sentando no outro sofá. E algum tempo depois, entravam na casa Rose, Emmett e Jasper, vindos da praia.
Jasper só pode ter saído pelos fundos porque ele não passou pela porta principal de jeito nenhum.
Ficamos os seis conversando na grande sala e, como já era de se esperar, o assunto principal foi o Life Strip Club. Edward ficou exageradamente irritado quando Rosalie falou que um dos garçons deu em cima de mim, mesmo quando eu disse a ele que era uma comprometida. Disse que só não voltava lá para dar-lhe uns tabefes porque estávamos longe e precisávamos voltar para casa naquela tarde. Ele quis saber a minha opinião sobre o ambiente e eu respondi que não achei nada demais. Que era um local de respeito apesar dos homens seminus dançando em cima do palco e da bancada do bar. Perguntou se eu tinha ido ao banheiro alguma vez, se eu me levantei da mesa para fazer alguma coisa, e eu sorri, dizendo-lhe que não. Que permaneci sentada desde o momento que entrei, até a hora de sair.
Edward com ciúmes era tão fofo.
Ir ao Club foi uma boa experiência. Principalmente ouvir os comentários de Rose e Alice, além das garotas que estavam ali. Pude conhecer mais sobre esse lance de fantasia sexual. Ver o Mr. Tonny em cima do palco despertou algo estranho em mim, que eu não sei explicar o que é. Porque no segundo que ele subiu no palco, e a cada vez que ele tirava uma peça de roupa, eu só conseguia imaginar Edward ali, no seu lugar. Sem público, sem mesas, sem ninguém. Apenas eu e ele. Talvez tenha sido efeito do Love Sex, mas eu gostei de fantasiar Edward tirando a roupa para mim. E eu nem sei qual seria a minha reação quando eu pudesse ver o seu... membro. Eu nunca tinha visto um!
Sacudi a cabeça, espantando esses pensamentos e voltei para o presente, para a sala, para a conversa. Alice estava tão calada. Ela não era assim e eu estava começando a me preocupar. Jasper estava mais falante que ela, mas ainda assim quieto.
Edward lembrou a hora e todos se levantaram com destino a seus aposentos. Arrumar as coisas e ir para casa. Liguei para os meus pais para avisar que chegaríamos ao final da noite e após encerrar a chamada fui arrumar a minha mochila. Edward terminou a sua primeiro e em seguida me ajudou a organizar a minha. Arrumei a cama, mesmo sabendo que Kaure trocaria os lençóis no dia seguinte.
Antes de passarmos pela porta, dei uma última olhada no quarto, de repente com saudades e uma sensação de aperto no peito. Não sei quando dormiria com Edward de novo então queria gravar esses dois últimos dias.
– Nós voltaremos aqui outras vezes, Bella. – disse Edward, sabendo exatamente o que eu estava pensando.
– Eu sei, é só que... estou com uma sensação que vamos demorar muito tempo para estar aqui de novo. – comentei, colocando uma mão em cima do meu peito.
– É só uma sensação boba. Você foi pega de surpresa com a minha ida à Londres, e está pensando nos dias que estaremos longe. É só isso.
– É. Talvez você tenha razão. – disse, não totalmente certa disso.
– Vamos? – chamou-me, segurando a minha mão.
– Vamos. – sorri para ele.
Dei uma última olhada e saí, fechando a porta.
Nossa viagem de volta foi tranqüila. Alice veio novamente conosco e Jasper no carro de Emmett. Algo estava errado. Eles se beijaram. Deveriam estar felizes, não deveriam?
Conversei o caminho todo com ela e mesmo quando esta se calava, Edward e eu arrumávamos um jeito de incluí-la na conversa. Acho que ele também percebeu que alguma coisa tinha acontecido entre eles além do beijo.
Paramos apenas no McDonald's e optamos por comer lá mesmo. Gastamos menos de meia hora e logo estávamos de novo na estrada. Não percebi que havia pegado no sono, antes de sentir a mão de Edward no meu rosto. Quando vi estávamos na frente da minha casa.
– Oh. Já chegamos!
– Você dormiu na última hora. Você e Alice. – disse Edward olhando para o banco de trás.
– Alice? – a chamei. – Acorda. Chegamos.
– Nossa! Já? – perguntou ao despertar.
Saímos os três do carro. Edward correu para a traseira do automóvel, abrindo a mala. Retirou as bagagens de Alice e a minha mochila, deixando apenas a sua lá.
Ele nos acompanhou até a porta e pediu para falar com meus pais. Alice subiu para o quarto, e meu pai se levantou do sofá para cumprimentar Edward. Ele o convidou para um café que Edward recusou, se desculpando por causa da hora. Eram mais de onze horas da noite. Renée o abraçou, dizendo em seguida que ele deveria ir para casa descansar, depois de tantas horas dirigindo, já que Edward partiria na manhã seguinte para o Texas.
Dez minutos depois, Edward se despediu dos meus pais e eu o acompanhei até o carro para me despedir também, uma vez que passaríamos mais uma semana sem nos ver. Essa era a hora mais difícil, mas o que eu poderia fazer? Não podia dizer que estava acostumada, mas essa era a nossa rotina. E eu tinha que me preparar para uma separação mais longa à frente.
Antes de ir embora, novamente o parabenizei pelo novo papel. Eu adorava ver aquele sorriso em seu rosto e o brilho nos olhos quando ele falava sobre o trabalho. Minutos depois ele se inclinou e beijou-me em um adeus.
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Na manhã seguinte, antes de ir para escola, fui novamente ao quarto de Alice. A porta continuava trancada. Era estranho. Ela nunca trancava. O que só podia indicar que ela estava querendo ficar sozinha.
Eu estava com uma imensa vontade de ir até a casa dos Cullens e perguntar a Jasper o que tinha acontecido. Essa não era a minha prima e amiga Alice.
Suspirei frustrada que ficaria o dia inteiro sem vê-la, já que, como ontem foi feriado, a aula do Espejo foi transferida para hoje, terça. Não devia ser assim. Na escola, feriado era feriado. Não tinha essa de repor o dia perdido. Aposto que isso só pode ser por causa do dia que não tivemos aula porque a Sra. Presley foi ao cirurgião plástico. Se fosse por motivo de saúde, eu ficaria calada. Mas por estética?
Voltei para o meu quarto e peguei a minha mochila. Desci as escadas e fui até a cozinha. Pela bagunça, sabia que meu pai tinha passado por aqui antes de sair para o trabalho. Não ia preparar nada, ou chegaria atrasada na escola, então me limitei a pegar o leite na geladeira e encher até a metade uma vasilha com cereal. Assim que terminei, coloquei tudo na pia e guardei o leite no mesmo lugar.
Passei pela porta de casa, vasculhando a chave do meu carro na mochila. Não lembrava se tinha colocado ela lá, na verdade não lembrava se tinha tocado realmente nela hoje. Quando não achei, dei meia volta.
– Quer uma carona? – ouvi a voz mais linda do mundo atrás de mim.
Virei-me e sorri.
– Acho que já ouvi isso antes. – comentei.
– É. Acho que eu preciso ser mais criativo da próxima vez. – ele riu.
– Próxima vez? – perguntei, me aproximando.
– Você esqueceu o que eu disse ontem? Sobre levar e buscar você na escola todos os dias?
– Na verdade não esqueci. Só estou checando se você realmente tem consciência do que me disse. – falei, parando à sua frente, quando havia apenas um pequeno espaço entre nós.
– Costumo cumprir o que eu prometo, Isabella.
– Mas você não chegou a prometer. Apenas disse.
– Não? – balancei a cabeça. – Tudo bem, foi uma falha. Estou prometendo agora. Vou fazer você se cansar da minha presença.
– Duvido. – rebati. – Já disse, eu nunca vou me cansar de você.
– Vamos ver. – ele riu torto. – E então, vai aceitar a minha carona?
– Só se você me disser quem irá me buscar, ou você não vai mais viajar? – perguntei esperançosa.
– Eu irei viajar. Voarei às dez da manhã.
– Então... eu não posso ir com você. Se eu não tivesse o teatro hoje, tudo bem. A escola não é muito longe e eu podia pegar carona com a Jessica. Mas do Espejo para casa é longe.
– E quem disse que você vai ficar sem carro? – perguntou, erguendo a sobrancelha.
– Não? – perguntei, confusa.
– Você confia em mim?
– Claro que eu confio, Edward. Que pergunta. – sorri.
– Então. Só entre. – ele disse, abrindo a porta do Volvo para mim.
Eu o olhei tentando entender o que ele estava aprontando e como eu estaria com o meu carro se nem a chave eu sabia onde estava. Mas decidi entrar no Volvo sem mais perguntas. Afinal de contas, eu confiava nele.
Edward fechou a porta e se dirigiu para o seu lado, sentando no banco com um sorriso presunçoso. Eu estava realmente feliz em vê-lo hoje. Não esperava. Mas Edward era Edward. Sempre me surpreendendo.
Ele ligou o som, a voz do Caleb do Kings of Leon invadindo o carro. Conversamos apenas sobre a banda, porque o caminho era curto e em apenas dez minutos estávamos na frente daEncina High School, sem dar tempo para conversamos sobre outros assuntos.
Assim que Edward parou o carro no estacionamento, percebi vários olhares vindo em nossa direção. Mas eu sabia que isso era por causa do Volvo. Ainda não tinha visto ninguém nessa cidade com um carro igual. Olhei para o lado e vi Edward sorrir. Ele saiu do seu lado, e eu continuei olhando enquanto ele andava pela frente do carro. Foram só alguns segundos, mas enquanto observava Edward andar elegantemente pela frente do Volvo, pude notar algumas garotas parando e olhando para ele e isso me enervou instantaneamente. Ouvi a minha porta se abrir, e um Edward parado erguendo a sua mão para mim. Sorri de volta, ignorando o fato de que ele estava sendo admirado por várias meninas idiotas dessa escola e estendi a minha mão.
Sabe cena de filme?
Então.
Foi o que parecia estar acontecendo.
Quando Edward pegou a minha mão e me puxou para fora do carro, fechando a porta, e eu pude assim entrar no campo de visão das pessoas, um silêncio repentino pairou no ar. Mesmo olhando para Edward, senti os olhares se voltando para nós. E quando eu finalmente olhei ao redor, vi cabeças se virando e olhos com extremo interesse.
Porcaria. Quer dizer que éramos o centro das atenções?
– Parece que todos estão olhando para nós.– murmurei.
– Não aquele cara ali de branco. – disse Edward apontando para alguém do outro lado.
– Aquele ali?
– Ah. Ele olhou agora. – ele riu.
– Bem... eu realmente não me importo. – falei, dando de ombros.
– Sério? – perguntou Edward, encostando-se no Volvo.
– Sim. Nada disso me importa. As pessoas dessa escola são idiotas. Com exceção de algumas, claro.
– Não se importa a ponto de me beijar na frente de todo mundo? – ele perguntou.
– Claro. Não quero mais esconder isso, Edward. E você também não. Lembra o que me disse?
– Claro que eu lembro. – falou, fazendo uma careta. Quando contei a Edward que Mike me perguntou se o fim do nosso namoro era definitivo, ele disse que quando voltássemos para Sacramento, todos saberiam que éramos um casal. Principalmente aqui na escola.
Claro! Por que não pensei nisso? É por isso que Edward quis me trazer na escola.
Sorri, lembrando também o seu ataque de ciúmes àquele dia. Ele quase quebrou a marcha do carro.
– Do que está rindo? – perguntou.
– De você. No dia que quase quebrou a marcha do seu carro.
Edward riu e sacudiu a cabeça.
– Bem... eu preciso ir. – falei, na realidade não querendo ir embora.
– Vem cá. – ele me puxou pela cintura. Olhou-me, em seus olhos um pedido silencioso e eu sorri, dando-lhe a minha resposta. Eu sabia que isso causaria cochichos por dias, uma vez que fazia menos de dois meses que terminei com Mike. Mas eu realmente não me importava com nada disso.
Dane-se todo mundo.
Envolvi os meus braços na sua nuca, e Edward apertou os seus na minha cintura. Ele inclinou a sua cabeça para um lado e eu para o outro, fechando nossos olhos. Logo estávamos nos beijando, no meio do estacionamento, na frente de todo mundo. Era carinhosamente lento e úmido. Sem línguas. Podia ouvir um murmúrio ao nosso redor, mas eu realmente não me importava.
Nós nos afastamos porque eu precisava ir para a aula e Edward precisava ir embora. Como disse, era a pior parte. Sinceramente gostaria que as despedidas não existissem.
– Boa viagem, Edward. – disse, sorrindo triste.
– Boa aula, minha linda.Te ligo hoje à noite. – disse dando-me alguns selinhos, para em seguida entrar no carro.
Antes de ligar o motor, avisou-me pelo vidro.
– Seu carro estará aqui às três da tarde, Bella.
Sorri e ele me lançou o seu sorriso torto, para depois girar a chave na ignição e partir.
Assisti enquanto ele saía do estacionamento e sumia rua abaixo.
Suspirei ao lembrar que agora tinha que encarar o público que nos assistiu. Como se fôssemos algum tipo de espetáculo.
Assim que virei, me assustei ao ver quem estava parado com olhos raivosos a poucos metros de mim.
– Mike.
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Notas finais
Quero pedir desculpas mais uma vez pela demora e espero que me compreendam. Falta de tempo é fogo!
Obrigada pelos reviews maravilhosos! Vocês são fantásticas!!
Beijos e até o próximo capítulo
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