Talvez Seja Amor
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Bem... antes de mais nada gostaria de ressaltar que a partir desse capítulo, a classificação da fic será +18, certo? Porque o enredo tomará rumos mais... maduros.rsrs. Um outro ponto é sobre o final do capítulo anterior. Apesar do Edward ter demonstrado receio da Bella perceber que ele estava ficando animadinho, quem parou o beijo foi ELA. Então, ELA quem deveria explicar o que houve, o que a fez parar. E isso só poderia ser explicado no ponto de vista dela, que é o que vocês lerão no capítulo abaixo. Também quero falar sobre uma dúvida de uma das minhas leitoras, e servirá para as demais. Gente, fiquem bem atentos nos acontecimentos, em especial nos personagens que surgem aleatoriamente, porque o aparecimento deles não é inoportuno e eles ainda vão figurar muito durante o decorrer da estória. Então fiquem ligados porque tudo que acontece tem um sentido.
Quero agradecer a emyllie pela recomendação. Obrigada flor!!
Já fiz vocês perderem tempo demais.
Boa leitura rsrsrs
POV BELLA
– Edward... – falei, embaraçada.
– Sim? – perguntou. Edward tinha deitado de lado, apoiando-se sob o cotovelo para olhar-me, com uma certa expectativa. E esse jeito que Edward me olhava, não ajudava nem um pouco a minha coerência. Eu me perdia naqueles olhos.
– Er... vocêseimportaseeutomarbanho? – falei rápido demais a primeira coisa que veio à minha mente.
– Não entendi. – disse, confuso.
– Perguntei se você se importa se eu usasse o seu banheiro, quer dizer, se eu podia tomar um banho? – falei, rindo meio sem graça, soando mais como uma pergunta.
– Ah.. isso – ele riu. – Claro, Bella.
– É que... você sabe... estou na escola desde cedo, e então queria...
– Bella, não precisa explicar. Faça o que quiser aqui. É claro que você pode tomar um banho.
– Obrigada Edward.
– Nada... enquanto isso eu vou.. você almoçou?
– Comi alguma coisa na escola. – respondi.
– Que tal um filme com sanduíche e coca-cola depois do seu banho?
– Ótima idéia. – ri um pouco nervosa.
– Então vai lá. – disse, dando-me um rápido beijo, levantando-se da cama. – Tem toalhas limpas no banheiro. Pode abrir os armários e usar o que quiser. Fique à vontade, Bella, por favor.
– Certo. Obrigada. – falei, sentando-me na cama enquanto assistia Edward sair do quarto.
Assim que ele saiu, fechando a porta, corri para o banheiro. Eu precisava me acalmar, relaxar, mas a verdade é que eu estava meio perturbada. Apoiei minhas duas mãos em cima da pia, com a cabeça baixa, estremecida com as emoções indefiníveis. Eu não estava me reconhecendo, quer dizer, reconhecendo as minhas ações... ou melhor, reconhecendo as reações do meu corpo, que parecia estranho.
Olhei-me no espelho, observando o meu rosto vermelho e os lábios inchados pelos beijos agora pouco trocados. Meus cabelos estavam desajeitados, e a minha roupa amassada. Sorri enquanto fitava a minha imagem literalmente bagunçada.
Eu estava me sentindo estranha, mas não no sentido literal da palavra. Não era como se fosse algo ruim, uma sensação ruim. Sentia o meu corpo à beira de um terremoto, além de febril. Minha pele tostada por um intenso calor que definitivamente não era por causa da temperatura, cujo clima estava longe de quente. Meu corpo estava agindo de uma forma diferente e eu sabia que era por causa de Edward.
Quando estávamos ali, nos beijando, e de repente ele me suspendeu, colocando as minhas pernas na sua cintura, parei de respirar. E então ele nos colocou na cama, o seu corpo por cima do meu, sem que ele estivesse pressionado a mim ou fazendo peso, enquanto nos beijávamos fervorosamente. Sentia como se o beijo, o toque dele, enviasse uma corrente elétrica por todo o meu sistema, e isso me assustou um pouco, por isso cessei, tensa. As minhas reações a ele eram desconhecidas a mim. Era tudo muito novo, porque nunca tinha sentido isso... essas sensações antes. Uma coisa é ouvir falar sobre, mas outra, totalmente diferente, é sentir.
Sacudi a cabeça, tentando dissipar esses pensamentos, tirando a minha roupa para entrar no banho. Percebi algo estranho quando olhei a minha calcinha. Deslizei deliberadamente a minha mão para tocar a minha feminilidade entre as pernas, notando que eu estava molhada. Não, molhada é eufemismo. Eu estava muito encharcada.
Então... isso era estar excitada?
Mas acontece assim... tão... rápido?
Perguntei-me se era assim com Edward também. Se ele sentia da mesma forma em relação a mim. Se eu provocava essas reações nele. Se eu o excitava. Porque... porque eu não sou nem um pouco interessante e sem contar que ainda sou..huh... virgem.
Eu não me acho feia, até acredito que eu seja bonitinha, mas tinha certeza que eu não era nada atraente. E Edward, bem... além de absurdamente lindo, ele sim era atraente e extremamente sexy. Edward chamava atenção pelo físico, pelos olhos esmeraldinos, cabelo perfeito, o sorriso e a voz de veludo capaz de fazer derreter qualquer mulher. A ficha parecia ainda não ter caído e era quase que inacreditável que alguém como ele estivesse interessado em mim. Edward parecia ter saído num daqueles contos de fadas em que o príncipe se apaixona pela enteada sem graça da madrasta. Eu me sentia como se tivesse tirado a sorte grande.
Entrei no box rapidamente, prendendo o cabelo alto para não molhar, tomando uma ducha. Não me demorei no banho, porque já tinha passado muito tempo perdida em pensamentos, e Edward já podia estar me esperando, no quarto.
Enrolei-me na toalha, e sai do Box, vestindo a mesma roupa. Diferentemente da outra vez em que eu estive nesse banheiro, abri uma porta do armário de Edward, curiosa sobre o que ele guardava lá, o que ele usava. Não havia muitas coisas ali, e imagino que ele devia ter levado consigo grande parte dos produtos de higiene pessoal. Uma embalagem curiosa de algo parecido com hidratante chamou minha atenção, e eu estiquei minha mão, tirando-o de dentro. Abri a tampa, inspirando o cheiro familiar da loção pós-barba de Edward. Coloquei um pouco na minha mão, e espalhei entre as duas, não me importando se ele ia gostar ou não por eu estar mexendo em suas coisas. Acredito que não. Eu só queria ficar com o cheiro dele. Coloquei a loção no lugar e fechei o armário, rindo.
Sai do quarto, encontrando um Edward em pé, de frente para a sessão de DVDs, com a testa enrugada.
– Está difícil escolher um? – indaguei.
– Sim. – falou, virando-se para mim, colocando um leve sorriso. – Bem... eu não sei qual o seu gênero preferido de filme e...
– Terror. Adoro sangue do começo ao fim. – falei sentado no longo sofá de couro.
– Sério? – ele perguntou, incrédulo.
Eu ri.
– Só estou querendo te assustar. — respondi.
– Uh, que alívio. Por um segundo achei que tinha uma namorada sanguessuga.
– Uma vampira, você quer dizer?
– Por aí. – disse, rindo, lendo a capa de um DVD que estava em sua mão.
– Encontrou algo interessante? — perguntei, percebendo que ele estava concentrado enquanto lia.
– Parece bom. Twilight, já assistiu?
– Não. Sobre o que é?
– Adivinha? Sobre sanguessugas.
– Hmmmm. Vampiros! Ótima idéia.
– Mas é um romance. Conta a história de uma humana que se apaixona por um vampiro. – respondeu Edward.
– Então, filme escolhido. Vamos assisti-lo. – disse, levantando do sofá, indo sentar na cama, com as pernas cruzadas.
Edward pôs o DVD, pegando em seguida a bandeja com o lanche, sentando na cama, do meu lado para comemos enquanto assistíamos. Quando terminamos de comer, nos enroscamos abraçados na cama, nos focando no filme na tela.
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Quando o filme terminou, Edward se levantou para desligar a tv, voltando para cama onde começamos a conversar amenidades, tentando conhecer mais o outro.
– Me fale sobre sua escola. – pediu Edward.
– Hmmm... estudo na Encina High School, estou no último ano, graças a Deus! — falei, arrancando risos de Edward.
– Ok. Já percebi, desde ontem aliás, que você não gosta muito da escola. Diga-me, por quê?
– Na verdade, não gosto de muitas coisas que.. hmmm .. como posso explicar... coisas que são desnecessárias. Isso. Educação Física, por exemplo? Por que nos obrigam a fazer isso? – admiti.
– Por que não gosta?
– Sou super descoordenada. A vontade que eu tenho é de ficar eternamente com um tornozelo torcido para fugir daquelas aulas. – disse rindo, vendo os olhos de incredulidade de Edward.
– Você é absurda! – falou, segurando o meu rosto com as duas mãos, distribuindo beijinhos.
– Falo sério. – falei, rindo, nos seus lábios.
– Você vai concluir o Ensino Médio antes dos dezoito anos. – observou.
– É. Digamos que eu seja um pouco adiantada. Mas nem é tanta diferença. Nos formamos em junho, três meses depois faço dezoito.
– E eu irei acompanhá-la.
– Me acompanhar? – perguntei, enrugando a testa.
– No seu baile. De formatura.
– Baile de formatura?
– Sim, Bella, no seu baile. Ou você acha que vamos perder a festa? – ver Edward falar de nós dois num futuro próximo, de certa forma deixava-me em tamanho contentamento.
– Nunca fui num baile. Edward, eu não sei dançar! – exclamei.
– Temos tempo para treinar. Serei seu professor.
– Realmente é muito gentil da sua parte, mas não acho que eu vá participar de algum baile, ou dançar alguma coisa. Você esqueceu no que eu disse agora há pouco. Descoordenada, lembra? Não há esperanças para mim.
– Bella. Está decidido e não adianta discutir. – ele disse rindo. – Mas, me diga, que mais você não gosta da escola? – perguntou, enquanto ajeitava-se no encosto da cama, pegando-me para deitar com a cabeça em seu peito.
– Física, química, matemática e...
– Você realmente gosta de alguma matéria? Acho melhor reformular a minha pergunta! – interrompeu-me, rindo alto, enquanto fazia carinho nos meus cabelos.
– De todas que não envolvam cálculos. – respondi.
– E qual você mais gosta?
– Hmmm.. fico na dúvida entre Literatura e Estudos Sociais. Ah, Edward, por falar em escola, nem tive a oportunidade de conversar com você sobre a faculdade. Parabéns pela escolha, futuro Dr. Edward Cullen.
– Obrigado, eu... demorei para me decidir mas definitivamente é isso que quero. Visitei a ala pediátrica de um hospital, quando estava em Syracuse e, sabe, a vontade que eu tinha é de fazer algo de útil. Algo que fizesse aquelas crianças se levantarem e voltarem para as suas casas.
Inclinei a cabeça para cima, para poder olhá-lo.
– Você fala com um brilho nos olhos, já tem tanto amor. Você será um ótimo médico, Edward. Dedicado, apaixonado pelo que faz... – falei, voltando para a posição anterior.
– Se depender de vontade, serei muito dedicado mesmo, Bella. É o mínimo que posso fazer para ajudar.
– E o teatro? Porque você não poderá se dedicar a ele quando começar a faculdade, certo? – perguntei.
– Pensei muito sobre isso durante esses dias. Sabe, eu amo atuar, o teatro é como uma segunda casa para mim. Mas, não sei se quero isso para o resto da minha vida, Bella. O futuro ainda é muito incerto para mim quando se trata do teatro.
– Entendo. É por isso que estou em dúvida também. Não sei se faço Letras ou Comunicação Social. Está difícil escolher, e tem o SAT está se aproximando. Também quero decidir isso pautado nos meus planos futuros. Não quero fazer disso apenas uma opção, algo do tipo “tá, vou tentar esse para ver como é’. Não quero perder tempo, sabe.
– Mas você ainda é muito nova, Bella. Pode fazer muitas coisas ainda, ir tentando, até se identificar em alguma profissão. Nós mudamos muito de opinião com o passar dos anos. Hoje você pode estar em dúvida entre essas duas, mas amanhã poderá ser mais.
– Mais? Não, espero que não. – respondi divertida. No fundo, sabia que Edward tinha razão. O ser humano é muito imprevisível e inconstante.
– Bella... er... já que estamos falando de planos, futuro, eu quero te dizer uma coisa. – disse Edward.
– Er... sim? – perguntei, depois de um momento.
Edward me virou, para ficar de frente para ele, ambos agora sentados.
– Você.... – suspirou. –, eu não devia estar te dando essa notícia, mas eu não agüento guardar isso para mim desde ontem.
– Que notícia? – perguntei, já assustada.
Ele abriu aquele meu sorriso torto.
– Você foi uma das escolhidas para entrar no Espejo! Eu disse que você conseguiria.
Arregalei os olhos, sorrindo em seguida.
– Sério? – questionei, saindo do abraço de Edward, ficando de joelho na cama de frente pra ele.
– Sim, sim. Eu soube ontem, depois que saí do hospital. Bella, você agora está conosco.
– Uau, Edward. Eu... nem sei o que dizer. Eu... realmente não esperava.
– Alguém da equipe entrará em contato com você ainda essa semana. Você vai começar como aluna, terá aulas de interpretação durante alguns meses, e... bem.. as aulas já começam semana que vem.
– Já? Assim, tão rápido?
– Precisamos aumentar o grupo. Você sabe, muita gente sai, vai para outra companhia ou simplesmente desiste.
– Oh! Vamos trabalhar juntos!! – falei, abraçando-o, jogando-me por cima dele, derrubando nós dois deitados, ambos rindo.
Quando os risos cessaram, me dei conta da nossa posição.
Eu estava por cima de Edward, que mantinha os dois braços envoltos na minha cintura. Seus olhos cravados nos meus. Não sei quanto tempo ficamos assim, sem nos mexer. Com uma lentidão deliberada, ele subiu uma mão até o meu rosto, afagando a minha bochecha suavemente, para em seguida tocar o meu lábio inferior com o polegar. Senti meus batimentos cardíacos dispararem quando Edward virou a cabeça de lado, roçando o nariz no meu pescoço. Eu não era capaz de me mover, mesmo que eu quisesse, enquanto Edward deixava um rastro de calor durante a trilha de um lado a outro do meu pescoço. Inesperadamente, sua boca fez o caminho para a minha.
Não havia nenhuma urgência. O beijo era lento, apaixonado. Depois de um tempo, que pareciam horas para mim, Edward voltou a me olhar.
– Você é tão linda. – disse, fazendo-me corar violentamente. – Bella, eu queria me desculpar com você. – falou de repente.
– S-se desculpar? – perguntei, gaguejando.
– Por ter sido tão idiota e ter ido embora... aquele dia.
– Você vai me explicar por que você ficou daquele jeito?
– E você vai me contar o que foi fazer na minha casa no dia seguinte?
Engoli em seco.
Como ele soubera que eu estive lá aquele dia? Ele não estava, nem Jasper ou Emmett, e eu e Alice não nos identificamos!
– Como você sabe? – perguntei, franzindo a testa.
Edward depositou um beijo na minha testa e me empurrou delicadamente de cima dele, nos sentando de frente para o outro.
– Bella... nós deveríamos conversar. Sobre tudo.
– Sim, precisamos.
– Eu quero que você saiba que nunca me arrependi daquele beijo. Mas... eu fui embora porque... – ele falou, baixando os olhos, olhando para as próprias mãos –, Bella, eu não sabia sobre você, se você também estava sentindo o que eu sentia. E...e eu te beijei, e foi lindo, não tenho palavras que descrevam aquele momento. Mas eu te vi com dor, vi em seus olhos tristeza. Eu não conseguia te encarar, então fui embora. – confessou, com uma tristeza abafada.
– Eu... eu achei que você tinha ido embora porque... – parei no meio do frase – , eu achei que você estava pensando coisas erradas sobre mim... por eu, sendo comprometida e te b...
– Bella. Nunca! Eu nunca pensei e jamais pensaria isso de você!. – exclamou exasperado.
– Edward, eu quero que você saiba que isso nunca aconteceu antes, eu nunca beijei ninguém, nunca trai Mike. Por isso fui à sua casa. Eu queria que você soubesse disso, e porque eu queria saber o que você estava pensando de mim. – falei, em apelo.
– Você não traiu ninguém, não diga isso. Eu não pensei nada, isso nem cogitou passar pela minha cabeça, Bella. E... e fui eu quem a beijei.
– Não, Edward, nós nos beijamos.
– Sim, nos beijamos. Mas eu deliberei, eu sei que você não faria isso por iniciativa própria. Não enquanto você estivesse namorando. Bella... eu sentia a eletricidade que havia entre nós, eu percebi que tinha me apaixonado por você quando a vi sair do carro. Veio um filme à minha cabeça dos momentos que passamos aquele dia, de como tentei protegê-la, do quanto me importava com você. Eu notei que você também percebera quando estávamos no Tower Bridge. Você tentou conversar sobre isso, lembra?
– Sim. Eu me lembro, Edward. – falei com uma certa emoção, vendo-o se declarar mais uma vez.
– No fundo, eu sabia que você sucumbiria se eu tentasse, porque você estava tão envolvida quanto eu. Me desculpe por isso.
– Não se desculpe. – pedi.
Edward não falara nada, então continuei.
– Apesar de eu ter falhado, em relação a Mike, nós não somos um erro, aquele beijo não foi um erro, Edward. – ele me olhou, seu olhar era emocionado. – Eu demorei muito tempo para entender que eu só descobri o que eu sentia, ou melhor, o que eu não sentia por Mike, porque esse beijo aconteceu. E foi por causa desse beijo, que eu entendi o que sentia por você. – confessei.
Por um indefinido tempo, fitávamos um ao outro, até que Edward envolveu os seus braços em mim, puxando-me em um abraço. Seu queixo descansava na minha cabeça, enquanto o meu rosto enterrou-se em seu peito. Eu podia ouvir os batimentos de seu coração, acelerado, e eu sabia que ele podia sentir os meus.
Eu estava incondicionalmente apaixonada por Edward, e ele, como uma dádiva divina, sentia o mesmo por mim.
Talvez seja... amor?
Não sei quanto tempo ficamos ali abraçados, até que ouvimos batidas. Nos afastamos e Edward se levantou, caminhando até a porta, abrindo-a.
– Boa noite, filho, não era a minha intenção atrapalhá-los, mas eu queria muito ver a Bella e chamá-los para jantar. – a voz suave de Esme soou da porta.
– Claro, mãe. Entre. – disse Edward.
– Esme. – falei, levantando-me da cama para abraçá-la.
– Você é muito linda naturalmente, Bella. Não sei por que usou maquiagem ontem. – ela dissera.
– Obrigada. Você também. Nem parece que tem filhos da idade dos meninos. – revelei.
– De repente, gostei ainda mais da minha nora. – dissera Esme, arrancando risos meu e de Edward.
– Obrigada, Bella. O tempo só está sendo generoso comigo. Vamos?
– Vamos. – respondi, seguindo-a enquanto ela segurava a minha mão, com Edward bem atrás de nós.
Assim que chegamos à sala, me surpreendi ao ver Rosalie.
Na verdade, não sei por que ficara surpresa. Pelo que parecia, Rose figurava na casa dos Cullen quase todos os dias. Pergunto-me por que ela não falara nada em casa, por que ela ainda não tinha levado Emmett para conhecer nossos pais.
Ela piscou o olho para mim e em seguida fomos todos, com exceção do Dr. Cullen que estava de plantão, para a sala de jantar.
O jantar fora animado no início, com Emmett contando piadas e velhas histórias dele e dos irmãos. Mas, ao final da refeição, um aperto se alojou violentamente no meu peito, porque eu precisava voltar para casa e eu sabia que no dia seguinte não veria Edward. Ficaria dias sem beijá-lo ou abraçá-lo. Eu já estava me acostumando a isso.
– Só por uns dias, Bella. Eu prometo. – Edward me dissera, enquanto estávamos abraçados, encostados no meu carro.
– Vou sentir sua falta. – sibilei, quase em um sussurro, sentindo o nó na minha garganta.
– Também vou sentir sua falta. – dissera, afagando agora o meu rosto com angústia.
– Promete que vai me ligar? – pedi, em súplica.
– Todo santo dia. Mesmo que seja só para ouvir sua voz – prometeu ele, espalhando beijos por todo o meu rosto, enquanto suas mãos caíram em cada lado das minhas bochechas.
– Isso definitivamente não torna as coisas mais fáceis, Edward.
Ele parou de me beijar, sua atenção voltando-se para os meus olhos por imensuráveis segundos.
– Estou memorizando seu rosto – disse, tocando novamente a minha face com a ponta dos dedos –, embora saiba que isso é desnecessário, porque mesmo quando fecho os meus olhos, — agora ele fechava os olhos –, é só você que eu vejo.
– Edward.... – murmurei seu nome.
Ele deu um longo suspiro, abrindo os olhos, inclinando a cabeça devagar para me dar o que eu sabia ser o último beijo.
Nos beijávamos docemente. Lento, mas intenso.
– Eu tenho que ir... e você... ir para o aeroporto. – murmurei, entre seus lábios.
– Eu sei.
Desgrudamos nossas bocas, ainda de olhos fechados, encostando agora as nossas testas.
– Converse com seus pais. Quando eu voltar, conhecê-los será a primeira coisa que farei.
– Amanhã mesmo. – murmurei baixinho.
Peguei as duas mãos de Edward e as juntei, depositando um beijo ali.
– Até breve, Edward. – falei, tentando disfarçar a agonia da minha voz, enquanto separava-me dele e entrava no meu carro.
– Até logo, Bella. – disse, dando uma breve pausa. – Já sinto sua falta. – acrescentou, com uma tristeza nos olhos.
– Eu também. – disse, já dentro do carro, olhando-o a última vez, ligando o motor e indo embora.
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Assim que coloquei os pés dentro de casa, encontro a minha mãe, com um estranho semblante preocupado no rosto.
– Bella... é verdade? – perguntou baixinho.
– Uh... o que?
– Que você terminou com Mike?
– Er... mãe, podemos conversar, lá no meu quarto?
– Sim, vai na frente. Vou em seguida.
– Boa noite pai. – falei com Charlie que estava assistindo futebol na tv. Como sempre.
– Oi, Bella. Não vi você chegar. Onde esteve?
– Er.. por aí. Dando uma volta. – tentei sorri.
– Hmm e Mike, como ele está?
– Não falei com ele hoje, pai, mas acho que ele está bem, er... vou subir. Boa noite.
Ele me olhou, falando depois de um tempo.
– Boa noite Bella.
Subi rapidamente as escadas, jogando a mochila de qualquer jeito no chão, deitando de barriga pra cima na cama. Tinha que falar logo sobre Edward com meus pais.
Cinco minutos depois, minha mãe entra, fechando a porta atrás de si.
– Fui ao hospital hoje à tarde ver como o Sr. Newton estava e a Claire me falou que vocês tinham terminado. Bella, eu nem sabia o que dizer, eu... você não me falou nada sobre isso. – ela disse, mas não parecia brava.
– Eu sei, mãe, me desculpe. Eu ia contar.
– Não tem que me desculpar, Bella. É só que.. que fiquei numa saia justa.
– Posso imaginar. – falei, mordendo o lábio. – Er... Mike, você o viu também?
– Não, ele não estava lá. Estava cuidando da loja do pai. Bella, você está bem em relação a isso? Você queria mesmo terminar com ele? Por que foi você quem terminou, certo?
– Certeza absoluta, mãe. Conversamos sobre isso uma vez, lembra? A decisão estava tomada. – suspirei.
– Você está triste. – ela percebeu.
– Estou, mas... não é por causa disso. Quer dizer, por favor, não quero parecer insensível, mas eu já estava preparada para isso, por mais que tenha doído terminar com ele.
– E por que você está triste então?
– Mãe, eu... eu... estou... ai, não entendo por que está tão difícil te dizer isso.
– Apenas diga, minha filha. – disse, afagando meu ombro.
– Mãe, eu estou apaixonada. – confessei.
Minha mãe sorriu.
– Eu sei. – ela falou.
– Como? Como assim você sabe? – indaguei, confusa, enquanto sentava-me na cama.
– É o rapaz do carro prata, de ontem?
– Você viu? – perguntei incrédula.
– Eu estava chegando em casa quando vocês estavam entrando no carro. Nem perceberam que eu estava perto. Ele é muito bonito, Bella. Pelo menos de longe.
– Sim, ele é. – concordei, orgulhosa.
– Me fale sobre ele. Como ele se chama?
– Edward. Eu o conheci no Espejo, quando fui fazer o teste para o curso de teatro no dia do meu aniversário, lembra?
– Lembro.
– Edward fez o teste comigo, e eu fiquei muito deslumbrada logo que o vi. Depois, nós... ficamos a tarde toda conversando, o que me deu oportunidade de conhecê-lo um pouco. Então me vi encantada por ele, não só por sua beleza mas pelo seu talento, sua inteligência, o seu bom humor, o seu caráter. Quando tivemos que ir embora, fiquei inexplicavelmente triste, porque eu queria ficar mais tempo ali, conversando com ele.
– Então se apaixonou à primeira à vista? – acentuou minha mãe.
– Acho que sim, não sei bem quando comecei a sentir isso por ele, mas acho que foi depois de passar um dia inteiro com ele.
– Vocês passaram um dia juntos? – questionou.
– Sim. Lembra quando Mike e eu saímos, antes dele viajar?
– Perfeitamente. Não vi a hora que você chegou em casa aquele dia. Só a vi no dia seguinte. À noite.
– Então. Mãe, não fica brava. Eu realmente não cheguei em casa naquele dia.
– Que história é essa dona Isabella? Onde você esteve? Onde dormiu? – perguntou, falando um pouco mais alto.
– Er.. mãe, não fica brava, por favor.
– Não estou brava. – falou, suavizando um pouco mais o tom de voz. – Só quero saber o que você fez que não dormiu em casa e só está me dizendo isso hoje.
– Mãe, é uma longa história, que vou resumir. Mike e eu fomos num clube. Nesse mesmo lugar, sem que eu soubesse, estavam Alice e Rose. Elas foram encontrar com Emmett e Jasper, que coincidentemente são irmãos de Edward, que também estava lá. Aí M...
– Peraí, peraí. Alice? Rose?
– Sim, mãe. Rose conheceu Emmett na academia, aí eles marcaram de sair. Me deixa terminar.
– Certo, continue.
– Bem, sei que você não vai gostar dessa parte mas, eu.. meio que bebi um pouco mais e então passei mal, — vi minha mãe arregalar os olhos de incredulidade –, já horas depois da noite. Quando Mike estava me levando para casa, ele esbarrou com Alice e Rosalie no estacionamento, logo, Edward e os irmãos também estavam lá. E foi aí que descobrimos que um conhecia o outro.
– Certo, entendi. Mas onde entra na história que você não dormiu em casa e passou o dia com Edward? – indagou confusa.
– Aí entra a parte que você não vai gostar. Eu fui levada para um hospital, desacordada, e com receio da sua reação e a do papai, decidiram me levar para casa de Edward, para descansar lá, durante o dia seguinte. Porque foram recomendações médicas.
– Isabella. O que você bebeu que te fez parar no hospital? Desde quando você bebe? – quase gritou.
– Calma, mãe. Eu não bebo. Era aniversário de um amigo de Mike. A bebida era por conta do aniversariante, e eu meio que... me empolguei com um coquetel lá que nem lembro o nome. Eu não sei quantas eu bebi porque em algum momento da noite, eu devo ter ficado embriaga e não consigo me lembrar.
– Bella. Como você me esconde isso!! E Mike! Eu preciso ter uma conversa com ele.
– Não, mãe. Nem pense nisso. Me desculpa. Eu só não queria preocupar com você, ou ouvir sermão. Por isso omiti.
– E Alice e Rosalie?! Elas participaram disso também.
– Mãe, elas só queriam me ajudar. Por favor, esquece isso. Já faz tempo e também não vai mais se repetir.
– Eu espero, Bella. Você não é de fazer isso.
– Eu sei. Me perdoa? Eu odeio esconder coisas de você. – pedi com olhos suplicantes.
– Com essa carinha de pidona, impossível não te perdoar filha. – disse, embalando-me num abraço. – mas não faz mais isso.
– Não farei mãe, prometo.
– E... então você ficou na casa desse Edward? – voltou com o assunto. Pelo que eu conhecia da minha mãe, ela estava bem interessada nisso.
– Sim. – sorri, lembrando. – Foi quando podemos nos conhecer melhor. Passamos um dia inteiro juntos. Conversamos, revelamos segredo, contamos sobre nossas frustrações. E ali, mãe, naquele quarto onde tudo era ele, o cheiro dele.... – pausei. – Você acredita que naquele dia Edward finalizou uma canção no piano? E colocou o meu nome como título?
– Uau. Ele é músico? – perguntou animada.
– Músico, ator, futuro médico. E extremamente lindo, mãe.
– Futuro médico. Hmmmm. Ele faz medicina?
– Ainda não, mas vai começar. O pai dele é médico sabia? Dr. Cullen.
– Você já conhece a família toda? – questionou, curiosa.
– Sim, mãe. Er... sei que você vai falar que estou indo muito rápido, que eu devia ter dado um tempo...
– Você está namorando com ele, é isso?
– É. – respondi timidamente.
– Bella, você gosta dele? Está feliz?
– Muito. Para as duas perguntas. – respondi rápido demais, fazendo minha mãe achar graça.
– Então. Não me importo que você já esteja namorando um, quando mal acabara com outro. Eu só quero que você seja feliz.
– Obrigada, mãe. Sabia que podia contar com você. Como estou feliz em finalmente poder compartilhar isso. – disse abraçando-a.
– Sempre, filha. Sempre.
Afastei-me dela, preocupada com a reação de Charlie.
– O que você acha que o papai vai dizer, quando souber disso?
– Seu pai é muito imprevisível, Bella. Eu realmente não sei qual será a reação dele. Mas sugiro que você não fale sobre Edward. Pelo menos por enquanto.
– Eu também acho. Edward não está na cidade então... terei tempo de conversar com ele antes de apresentá-lo a vocês.
– E quando será esse dia? Onde ele está?
– Bem....
Comecei, falando um pouco sobre Edward e a sua viagem. Minha mãe ouviu tudo atentamente, me incentivando a falar mais sobre nós. Então falei sobre o beijo, sobre o período que ficamos separados, o reencontro no hospital e sobre o jantar na casa dos Cullens, em comemoração ao aniversário dele e de Jasper. Falei que tínhamos passado uma parte da tarde e da noite juntos, e que estava triste porque ele estava indo embora e eu não sabia quando nos veríamos.
Renée me consolara, colocando a minha cabeça no seu colo, dizendo que não é tão ruim quando casais se afastam por uns dias, porque por mais que a saudade faça doer, ela nada mais é que fome de presença, e que o reencontro é sublime, intensifica os sentimentos.
E foram essas palavras que me fizeram fechar os olhos, o pensamento em Edward, levando-me, depois de um tempo, à inconsciência, enquanto minha mãe realizava um carinho no meu cabelo.
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Acordei com o barulho do despertador, um alerta de que era hora de ir para a escola. Levantei-me preguiçosamente da cama, percebendo que ainda vestia a mesma roupa de ontem. Fechei meus olhos, pensando nele, inspirando o seu perfume que ainda estava impregnado em minha roupa.
Suspirei e corri para o banheiro, tomar banho. Assim que tirei a calcinha, a mesma calcinha de ontem, sorri, lembrando o estado em que ela se encontrava depois dos beijos com Edward. Seria sempre assim? Esse formigamento e umidade no meu sexo sempre que ele me beijava?
Fui desperta desses pensamentos quando ouvi o bip de mensagem do meu celular. Enrolei-me numa toalha e sai em busca do aparelho, que estava dentro da minha mochila jogada. Meu coração acelerou em antecipação e quase saiu pela boca quando vi que era de Edward:
“Espero que não tenha acordado você. Imagino que já esteja acordada para a escola. Só queria que soubesse que cheguei bem. Preciso dizer que estou com saudade? Cuide-se Bella. Ligo mais tarde. Beijos, Edward.”
Senti um aperto no peito ao mesmo tempo em que o meu coração palpitava de tanta felicidade. Tudo que eu queria agora era sentir o conforto do seu abraço. Mas ele estava tão longe...
Respondi rapidamente.
Já estou me arrumando para a escola. Também estou com saudades, Edward. Muita. Mal posso esperar para vê-lo novamente. Beijos, Bella.
Voltei para o banheiro e tomei um rápido banho, ou me atrasaria para a primeira aula.
O dia hoje na escola parecia... um pouco estranho. Não porque tivera acontecido algo novo ou diferente. Na verdade nada acontecia nessa escola. Era tudo uma mesmice. As mesmas pessoas, os mesmos professores, a mesma rotina. Quando me referi ao estranho, eu quis dizer em relação a mim e a Mike.
Começamos a namorar pouquíssimo tempo depois que cheguei a Sacramento, no segundo semestre do primeiro colegial. E desde então, quase nunca estávamos separados, a não ser quando não tínhamos a mesma aula. Mike sempre ia me buscar na sala, andávamos de mãos dadas, íamos juntos ao refeitório, sentávamos juntos com os nossos amigos.
Ontem não foi tão estranho, porque ele não tinha ido. Mas hoje lá estava ele. Eu sabia que mais dia menos dia nos esbarraríamos e seria inevitável, principalmente quando se estuda na mesma escola e quando se tem amigos em comum.
Estávamos Ângela, Jessica e eu caminhando pelo corredor para nossa aula de espanhol quando Mike passa por nós, indo pelo que eu sabia, para a sua aula de física. Ele nada falou, apenas sorriu e fez um aceno com a mão.
Não pude evitar o bombardeio de perguntas a seguir.
– Bella, o que foi isso? – perguntou-me Jessica. – Vocês estão brigados?
Suspirei e olhei para a ela.
– Não, não estamos brigados.
– Você não está querendo dizer que...
– Sim, Ângela. Nós terminamos.
– Bella do céu!! O que aconteceu? Você nem nos contou? Você está bem?
– Sim, Jessica, estou bem. Estamos bem. Quer dizer, não sei como Mike está em relação a isso, mas terminamos bem. Somos amigos agora.
– Mas por quê? Foi por causa da doença do pai dele? Isso afastou vocês? — questionou Ângela.
– Não é por causa do pai dele, Ang. É só que... – suspirei, deixando os ombros caírem – não dava mais.
– Você que acabou?
Assenti com a cabeça.
– Cara, Mike deve ter arrasado. – comentou.
– Mas a Bella não podia continuar se ela não gostava mais dele, Jess.
– Eu sei, Ang. É que é estranho ver os dois separados. Desde que a Bella chegou que eu sempre vejo os dois juntos. Eu estava acostumada com isso.
– Não vou dizer que eu também não estava acostumada, Jess. E nem vou dizer que foi fácil terminar, porque não foi. Mas eu... eu agora gosto dele como amigo. – não confessaria os meus não-sentimentos por ele.
– Acho que você está certa, Bells. Não adianta insistir quando não há sentimentos. Acabou, acabou. Bola pra frente. Vocês são jovens, vão encontrar alguém que goste de verdade. – já encontrei, disse mentalmente.
– Obrigada, Ang.
– Bella, agora que você está solteira. Que tal um programa de meninas no final de semana, huh? – perguntou Jessica, animada.
– Verdade, Bella. Quer dizer, não é que queremos que você se solte agora, só porque está livre. É só um encontro entre amigas.
Sorri. Mal sabiam que eu não estava livre. Eu contaria as meninas, mas sei que agora ainda é inoportuno.
– Claro, claro. – concordei.
– Sábado. Combinamos durante a semana, ok? Agora vamos para a aula. – disse Jessica, rebocando Ângela e eu.
Não encontrei Mike aquele dia. Pelos olhares que recebi na saída para casa, acho que a escola toda agora sabia que terminamos.
Entrei apressadamente para o meu carro e dirigi para casa.
Apenas Alice estava em casa. Subi para o quarto dela.
– Alie? – falei, batendo na porta.
– Entra, Bella. – a ouvi do lado de dentro.
– O que você está fazendo? – perguntei confusa quando entrei no seu quarto, vendo-a andando de um lado para o outro com um papel na mão.
– Ensaiando para uma entrevista.
– Entrevista? – perguntei, sentando-me na poltrona ao lado da janela.
– Sim. Me ligaram marcando uma entrevista para aEllus. Estou tão nervosa, Bella. – falou, levando a unha para roer, à boca.
– Aquela grife famosa? – indaguei surpresa.
– Ela mesma. Para uma vaga de Modelista.
– Uau, Alice. Quando é a entrevista? E tire esse dedo da boca!
– Semana que vem. – respondeu descendo a mão para a lateral do corpo – Bem no dia que as minhas aula começam. Já vou faltar no meu primeiro dia de aula.
– É só um dia, sua boba. E será por uma boa causa. Er.. boa sorte então.
– Obrigada. – agradeceu com um sorriso nervoso. – Você queria falar comigo.
– Sim, Alice.
– Sobre Edward? Ai Bella, nem acredito que isso enfim esteja acontecendo com você. Namorando Edward! — exclamou agitada.
– Nem eu. — sorri.
– Como assim, nem eu? Quando digo que não acredito é por causa da mala-sem-alça.
– Alice. – adverti.
– Ta, parei. Mas me responda.
– Ah. Não sei. Edward parece ser tão perfeito para mim.
– Para de ser absurda, Bella. Não começa, hein? Você é linda.
– Tá tudo bem. Mas não foi isso que vim falar com você.
– E o que é?
– É sobre o papai. Eu preciso contar a ele. Mas tô com medo. – falei, hesitante.
Ela caiu na gargalhada.
– Por que você está rindo, Alice? – perguntei irritada.
– Bella. Não acredito que você está com medo do tio Charlie!! – exclamou, ainda rindo.
– E se ele não gostar de Edward?
– Bella, você nunca percebeu que até o Charlie não gostava do Mike?
– Não. Quer dizer, ele... parecia, sei lá... ás vezes ele...
– Ai, Bella. Aposto que o tio vai ficar contente com essa notícia.
– A questão não é o término do namoro com Mike, Alice. É sobre Edward. O que o papai vai achar quando souber que mal terminei um relacionamento e já estou em outro.
– Apenas diga o que sente. Diga o quanto você gosta dele. Não acredito que o tio Charlie vá implicar, Bella.
– Será?
– Tenho certeza.
– Minha mãe acha melhor eu esperar uns dias, mas vou contar hoje. Vou preparar o jantar, fazer o prato que ele gosta. Quero agradá-lo antes de.. contar.
– Hmmmmm Pollo a La Mexicana hoje? – indagou animada.
– É. Me ajuda? – pedi.
– Claro que sim. Quando começar é só chamar.
– Vou só rápido no meu quarto e desço. Te encontro lá embaixo, ok?
– OK. – disse, com o lindo sorriso angelical que só Alice tem.
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Estava toda a minha família reunida à mesa, desfrutando o jantar. Fiquei estudando as feições do papai, pensando numa forma de abordar o assunto.
– Boa sorte, Bella. – sussurrou Alice, ao meu lado na mesa.
Soltei um pigarreio antes de começar.
– Er.. pai... eu queria... – hesitei. – er.. tá gostoso? – perguntei, minhas mãos suavam frio.
– Isso é um sonho, Bella. Sério, filha, você deveria abrir um restaurante mexicano. – falou, limpando a boca com o guardanapo.
– Bella, você está nervosa? – tinha que ser a minha irmã a fazer essa pergunta.
– Eu? Não. Impressão sua. – respondi, sorrindo sem graça.
Santa Renée para me salvar nessas horas.
– Bella só achou que o pai não aprovaria o jantar. É só isso, Rose.
– Ela parece estar suando frio. Tudo isso com medo que o papai não aprovasse o Pollo? – às vezes eu tinha vontade de matar Rosalie.
– Cala a boca, Rosalie. – interveio, Alice.
Rosalie apenas a olhou, sem entender nada.
– Pai... eu queria te contar uma coisa.
– Ah. Entendi. – falou, Rose. – Por que vocês não me disseram antes? – perguntou irritada.
– Dizer o que? – inquiriu Charlie.
– Deixe Bella falar, querido. – pediu minha mãe, tocando-lhe a mão.
– Então, fale. – disse, jogando o guardanapo na mesa, acomodando-se melhor na cadeira para me dar atenção.
– É que... bem.. eu devia ter feito isso faz tempo, mas... aí aconteceu ... er o pai de Mike, a doença dele. Então... – eu estava nervosa, só não entendia por que.
– Bella, enrolar é pior. Solta logo. – sussurrou Alice mais uma vez do meu lado, incentivando-me.
– Pai – pausei –, a verdade é que eu e Mike, er.. nós terminamos.
Meu pai olhou-me despreocupado, em seguida suspirou, dando de ombros.
– Ah isso? Bom... sinto muito, minha filha. Mas sou obrigado a dizer que... que eu estou satisfeito por isso.
– Eu sabia!! – exclamou Alice, batendo palminhas enquanto se agitava freneticamente na cadeira.
– Vamos combinar, Bella. Ele é... muito imaturo. Muito boboca às vezes. Acho que você merece algo melhor.
– Pai! – repreendi.
– Agora deixa o papai escutar o resto da história. – disse Rosalie.
– Que resto? – perguntou Charlie, franzindo o cenho.
– Continue, Bella – pediu minha mãe, sorrindo. Um aviso de que eu podia contar com ela.
– Bem.. é que aconteceu uma outra coisa e... eu não sei como você vai reagir a isso.
– O que aconteceu, Bella? Mike não quis terminar? Ele te machucou? Me diga, e eu vou agora mesmo atrás daqu...
– Não, pai. Não aconteceu nada disso. Se acalme. – pedi.
– Então diz logo o que houve Bella. Você está me deixando preocupado.
– Ela vai falar, amor. Apenas escute. – disse minha mãe a ele.
– Você já sabe o que é? – indagou a ela.
– Sei. Por favor, deixe-a falar, está bem. – ele assentiu, olhando para mim, esperando. Eu podia ver em seus olhos que ele estava impaciente. Então resolvi falar logo de uma vez.
– Eu estou apaixonada por um garoto, pai.
O rosto de Charlie ficou inexpressivo e de repente a sala de jantar ficou em total silêncio.
– Pai? – o chamei, depois de um longo tempo, já que ele nada falara.
– Charlie? – dessa vez foi a minha mãe.
Ele colocou os dois cotovelos na mesa, cruzando as duas mãos abaixo da linda do queixo.
– Por quem você está apaixonada Bella? – inquiriu, estreitando os olhos.
– Er... Edward.
– Edward? Edward de que? Quem é esse?
– Cullen. Edward Cullen. — respondi nervosamente.
– Cullen.. Cullen.. — sibilou pensativo. — Acho que já ouvi esse nome antes.
– Ele é filho do Dr. Cullen, médico do Hospital Geral de Sacramento. – intrometeu-se minha mãe. Rosalie e Alice pareciam duas estátuas, só que mexiam as cabeças, olhando de mim para Charlie, de Charlie para mim.
– Foi por causa dele que você terminou o namoro com Mike? – perguntou papai, ignorando o comentário de minha mãe.
– Não. Quer dizer, mais ou menos.
– Sim ou não? – questionou, tirando os braços da mesa e voltando a encostar-se na cadeira.
– Eu.. er.. ele .. eu o conheci no teatro... ai..
– Ah, ele faz teatro?
– É.
– Responda-me a pergunta anterior.
– Como eu estava falando. Nós éramos apenas amigos, quer dizer, nós estávamos nos tornando amigos... mas.. nós nos apaixonamos. E foi quando percebi que nunca gostara de Mike, como deveria. – engoli em seco, baixando a cabeça.
– Você traiu Mike, Bella? – perguntou. Pude perceber que ele aumentara um pouco o tom de voz.
– Não! – quase gritei. – Não traí, pai. – falei, omitindo a parte do beijo. Se Charlie sabe disso, ele não vai querer conhecer Edward por duas encarnações.
Ouvi Rosalie soltar um riso baixo e depois se recompor.
– E o que você pretende com esse Edward?
– Eu.. er.. nós... estamos...
– Namorando. – completou, interrompendo-me.
– Sim.
– Qual a idade dele?
– Ele fez vinte um anos antes de ...
– Vinte e um? – trovejou Charlie, batendo o punho na mesa. Parecia que ia ter um aneurisma.
Assenti com a cabeça.
– Você disse garoto Bella. Ele não é nada de um garoto, ele é um homem.
– Charlie, se acalme. – pediu minha mãe.
– Como você pode ser conivente com isso, Renée? Ele é muito velho para nossa filha.
– Não acho que ele seja velho, e eu não tenho que ser conivente com nada. Eles estão apaixonados. Bella tem o direito de ficar com quem ela quiser.
– São quatro anos de diferença!! – exclamou.
– Rose namorou o Paul quando tinha dezoito e ele vinte e três, lembra? Cinco anos de diferença e você não reagiu desse jeito, Charlie. E você acabou de chamar Mike de imaturo. Não estou entendendo. – manifestou-se minha mãe.
Charlie pareceu suavizar a carranca, e a sala voltou a ficar em silêncio. De repente, ele soltou uma gargalhada histérica.
Ficamos as quatro na mesa olhando incrédulas enquanto ele ria, ria, ria sem parar.
– Qual o seu problema, pai? – perguntei.
– Bella, Bella, desculpe. Eu... – riu um pouco mais. –, estou brincando com você.
– Ai, pai. Isso não teve graça. — desabafei.
– Para mim teve. – e continuou a rir.
Agora todos riam à mesa, menos eu, que estava muito irritada. Quase tive uma síncope com a reação do papai e agora ele me diz que era tudo uma brincadeira?
Os risos começaram a ficar altos, e eu já sentia o canto da minha boca tentando reprimir o riso, até que não resisti e comecei a rir também.
Quando os risos cessaram, Charlie voltou a falar.
– Essa não é uma boa forma de um pai obter informações sobre o namorado da filha, Bella?
– Você devia ser ator, sério! – exclamei, risonha.
– Aprendi com um colega de trabalho. Pena que só funcione uma vez. – ele riu.
– Certo, pai. Mas me diga o que você achou? Sobre Edward? – quis saber, incerta sobre a opinião dele.
– Traga-o, Bella, e saberá minha opinião. Não posso dominar você, dizer quem você deve ou não namorar. Isso não é papel de pai. Só quero que você seja feliz. Mas eu quero conhecer esse Edward.
– Ai, pai. Obrigada. – falei, levantando-me da mesa, indo até ele, abraçando-o por trás.
– Edward está viajando, pai. – disse, Rosalie.
– Você o conhece? – perguntou Charlie.
– Sim... eu, meio que estou namorando o irmão dele. – confessou Rosalie, falando super natural, enquanto demorei quase meia hora para iniciar o assunto.
– Como é? Vocês duas estão saindo com o cunhado da outra? — indagou o papai, cético.
– Sim. E a Alice vai pegar o irmão que sobrou. – respondeu Rose, fazendo Alice engasgar-se com o suco.
– Conte-me essa história, Rose. – Pediu meu pai e minha mãe ao mesmo tempo.
Sorri alto e pedi licença, voltando para o meu quarto esperar Edward me ligar.
Edward me ligou algum tempo depois. Era a primeira vez que nos falávamos ao telefone. Como era bom ouvir a voz dele. Ele narrou sobre o que fez durante o dia, que mal tinha dormido, que foi conhecer o teatro em que se apresentariam no fim de semana, e que em seguida teve reunião, mas agora estava no hotel.
Relatei o jantar com Charlie, arrancando muitas risadas dele que falou não ver a hora de conhecer meus pais. Também contei sobre o encontro com Mike na escola, sentindo Edward ficar tenso com o meu comentário.
– Então vocês não conversaram? – perguntou.
– Não. Ele apenas passou por mim e as meninas, sorriu e se foi.
– Hmmmm.Sei...
– Não fique assim, Edward. Nós estudamos na mesma escola, é praticamente impossível não esbarrar com ele pelos corredores. Sem falar que estudamos juntos em algumas matérias.
– Eu sei, Bella. Por favor, não pense que estou com ciúmes ou inseguro. Eu só estou temeroso. Eu o conheci, vi como ele era possessivo em relação a você. Tenho receio que ele te incomode ou faça algo com você. Essa não reação dele me preocupa.
– Não se preocupe, Edward. Ele não vai fazer nada. Eu o conheço. Mike seria incapaz de provocar algum mal a mim. – tentei explicar.
– Mesmo assim. Espero que ele te respeite.
– Ele está Edward. Agora vamos mudar de assunto. Quando o verei de novo? – perguntei.
– Semana que vem. Na terça. Chego no início da tarde e vou embora na quinta pela manhã. Poderemos namorar um pouquinho mais dessa vez. – senti um arrepio quando ele pronunciou a última parte.
– Isso é p-perfeito! – exclamei, gaguejando de ansiedade.
– Agora infelizmente preciso desligar Bella. Adoraria passar a noite conversando com você, mas não dormi essa noite e manhã tenho um dia cheio.
– Claro, Edward. Vá descansar. Amanhã nos falamos.
– Queria você aqui, ou estar aí com você. Mas em menos de uma semana nos vemos de novo.
– Não vejo a hora. – sussurrei.
– Eu também. Boa noite, Bella.
– Boa noite Edward. – disse, desligando em seguida.
XxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxX
O restante da semana passou muito rápido. Na sexta-feira recebi a ligação do Espejo, pedindo-me para comparecer na segunda-feira seguinte.
Era manhã de sábado e eu recebera uma ligação de Esme, dizendo que não era porque Edward não estava em casa, que eu não podia ir até a casa dos Cullens. Combinei de almoçar com ela aquele dia.
Assim que parei o carro na frente da casa, a saudade que eu estava sentindo de Edward, que já era insuportável, pareceu ficar ainda pior.
Suspirei pesadamente, saindo do carro, caminhando em direção à porta.
Segundos depois, surge uma Esme sorridente me recebendo calorosamente.
– Querida. Tão bom ver você novamente. – disse, me abraçando.
– Bom ver você também, Esme.
– Nem acreditei quando você aceitou meu convite.
– Eu viria de bom grado, claro, mas não queria incomodar.
– Você nunca incomoda, Bella. Você é bem vinda a qualquer dia e a qualquer hora. Mas e então, como tem passado?
– Bem. Pode-se assim dizer. – falei, rindo timidamente.
Esme sorriu, parecendo entender o que eu quis dizer.
– Na terça-feira próxima vou fazer a mesma pergunta. Sei que a resposta será diferente.
– E na quinta, voltará a ser a mesma. – respondi, um pouco triste.
– Sabe – disse, rebocando-me em direção as escadas –, Carlisle e eu também tivemos uma longa separação durante o início do nosso namoro.
– Sério? O que aconteceu? – perguntei enquanto subíamos as escadas.
– Meus pais resolveram se mudar.
– Puxa. Que chato. Conheço bem esse negócio de mudar de cidade.
– Antes fosse de cidade.
Arregalei os olhos.
– Nós mudamos de país. Fomos morar na Irlanda. – disse.
– Minha nossa!! Como... como vocês fizeram?
– Cartas. Passamos a nos comunicar através de cartas. Eu tinha dezesseis anos na época. Carlisle estava com dezoito e estava entrando para a faculdade de medicina.
– Deve ter sido um período muito difícil...para vocês.
– Você não imagina o quanto, Bella. Meu pai não era muito favorável ao nosso relacionamento. Sabe... Carlisle sempre teve muito dinheiro, herança de família, mas ele era órfão, sozinho no mundo. Meu pai acreditava que ele era uma pessoa mundana e que me faria sofrer. – comentou enquanto entrávamos no quarto dela e de Carlisle. Era a primeira vez que eu entrava ali. – Éramos muito jovens, mas muito apaixonados. Quando nos mudamos, meus pais me diziam que isso passaria, que era apenas um namoro adolescente e que logo eu conheceria ostros garotos, pelo qual iria me interessar. E é verdade, eu conheci. Mas nenhum despertara em mim o que Carlisle me provocara. Não era um simples namoro adolescente. Nós, nos gostávamos de verdade. Na realidade, nos amávamos, muito, mas só o tempo pôde nos mostrar, e provar para os que duvidavam, a veracidade e a intensidade dos nossos sentimentos.
– E como vocês se reencontraram, digo.. para hoje estarem aqui? – perguntei, enquanto sentávamos na enorme cama king size.
– Sabe, passamos praticamente um ano sem ver o outro. Como disse, nos falávamos através de cartas. Fazíamos juras de amor, que daríamos um jeito de nos reencontrar, promessas que tudo voltaria como antes. – sorriu, recordando imagino. – Senti medo de nunca poder vê-lo de novo, não vou mentir. E o pior, eu tinha receio dele conhecer alguém, se apaixonar e me esquecer. Mas todas as minhas frustrações se dissiparam quando eu o vi na frente da minha casa.
– Carlisle foi te procurar?
– Sim. Foi uma surpresa, no entanto, porque ele não avisou, nem nada. Eu estava saindo para a escola quando eu o vi. E depois... tudo um apagão. Você acredita que eu desmaiei? — sorri. – Foi a mais linda das surpresas. Depois que eu tornei, Carlisle me levou dali. Nós fomos para o hotel em que ele se hospedou. Passamos o dia conversando, chorando, namorando, matando as saudades. E ... bem, naquela noite nós nos entregamos pela primeira vez.
– Vocês... – perguntei sugestivamente.
– Sim. Fizemos amor. Eu já tinha dezessete anos, Bella, eu era nova, eu sei. Mas nunca tive tanta certeza do que eu queria, como naquele momento. E nunca me arrependi.
Nada falei, então ela continuou.
– Voltei para casa, sem nada dizer aos meus pais. Combinamos de nos encontrar às escondidas. Carlisle estava de férias, e ficaria na cidade por muitos dias. E assim fizemos. Só não esperávamos o que veio depois.
– Seu pai descobriu?
– Sim. Porque eu fiquei grávida, fruto daquela noite.
– Emmett...
– Não, eu estava grávida do meu primeiro filho.
– Ele... morreu?
– Sim. Quando meu pai soube da gravidez, ele me proibiu de sair de casa. Carlisle já tinha voltado para Londres e eu nem pude avisar que esperava um filho dele. Eu já não comia, não tinha forças para fazer nada, então adoeci, perdendo meu bebê dias depois.
– Eu... sinto muito. – falei, pesarosa.
– Obrigada, Bella. — ela deu uma pausa, continuando em seguida. — Então, depois disso, algo sensibilizou o coração do meu pai. Minha mãe nessa época já estava do meu lado, mas meu pai ainda era difícil. Mas quando eu perdi meu bebê, o primeiro neto, ele ficou estranho. E quando menos esperei, Carlisle apareceu à nossa casa, a pedido do meu pai, que escrevera para ele, depois de pegar o endereço numa das cartas que eu recebi. Carlisle chorara muito ao saber da minha gravidez e da morte do nosso filho. Meu pai me deixou livre para fazer o que quiser e eu decidi ir embora com Carlisle. Nós nos casamos, passamos a lua de mel aqui, nessa casa, e foi então que veio Emmett.
– E... seus pais?
– Ficamos sem nos falar por algum tempo. Mas apesar do que me causaram, eu jamais senti ódio deles, apenas dei um tempo. Voltei à Irlanda um pouco antes de Emmett nascer e nos acertamos. Eles pediram perdão a mim e a Carlisle, e pudemos voltar a ser uma família. Anos mais tarde eles voltaram para Londres. Minha mãe morreu há doze anos, mas meu pai ainda vive lá.
– Nossa, Esme. Eu...
– Eu sei, querida. Foi uma triste história, no início. Muitas tribulações, muitas provações, a distância... mas quando se ama de verdade, o amor sobrevive a tudo, inclusive ao tempo. – disse levantando-se, indo ao closet, voltando em seguida com uma caixa na mão.
Eu apenas a olhava, com os olhos brilhantes. Era incrível como tantos anos depois, ela ainda pudesse falar em amor e no marido com tanta emoção no tom de voz e nos olhos.
– O verdadeiro amor, nunca se desgasta Bella. Mas não foi para isso que trouxe você aqui. Quero mostrar-lhe isso. – falou estendendo a caixa para mim.
Abri e vi que eram álbuns de fotos. Da família e de Edward. Muitas fotos de Edward.
– Ai, Esme. Como Edward era lindo quando bebê! – exclamei. – quer dizer, ele continua sendo – disse um pouco tímida –, mas, olha essa foto aqui!
– Sim, ele era. Os três eram lindos bebês e continuam sendo. – respondeu rindo.
– Ai, essa aqui tomando banho? Que fofo!
E foi assim que passamos o finalzinho da manhã. Vendo fotos e conversando sobre as histórias da família. Esme me contara as travessuras de Edward, arrancando risos de mim e deixando-me emocionada por estar compartilhando isso comigo.
Algum tempo depois, quando Jasper e Emmett apareceram dizendo que estavam famintos, descemos para almoçar. Ligamos para Edward antes de eu ir embora, que dissera estar feliz por eu estar passando um bom tempo com a família na ausência dele e triste por não poder estar lá conosco. Não nos falamos por muito tempo porque ele já estava de saída. Prometeu-me ligar no dia seguinte.
Quando cheguei em casa, no início da noite, assim que pus os pés no quarto, meu celular toca. Era Jessica, cobrando o encontro só de meninas que eu havia prometido durante a semana. Falei que, como prometi, cumpriria. Duas horas depois, estava tocando a campainha da casa de Ângela, onde marcamos o encontro.
– Bella! – exclamou Ângela ao me ver.
– Oi Ang. – disse, dando-lhe um abraço.
– Jessica já está lá em cima, no quarto.
– Achei que íamos sair... cinema, sei lá.
– E íamos mesmo. Mas vai ficar para uma outra oportunidade. Vamos para o quarto e te explicamos. – disse, puxando-me pela mão para subir correndo as escadas.
– Bella, achei que você não ia chegar hoje. – falou Jessica quando entramos. Ela estava sentada no chão, no centro do quarto, e parecia bem... animada.
– Jessica trouxe vodka. – avisou Ângela, sentando ao lado dela.
– Vocês estão bebendo! – exclamei rindo, sentando de frente para elas. – Isso explica tanta animação.
– Você também vai, Bella. – disse Jess, pegando um copo.
– Não, não vou. Da última vez que fiz isso fui parar no hospital.
– Você o que? – inquiriu Ângela.
– Uma longa história, outra hora eu conto. Mas e então... o que vamos fazer?
– Jogar. – disseram as duas ao mesmo tempo.
– Jogar? Jogar o que?
– O Jogo da Verdade. – respondeu Jessica.
– Ah... – murmurei.
– E vamos começar agora. Estão vendo essa caneta? Nós iremos girá-la. Quando parar, a ponta onde se escreve é a pessoa que vai responder, e a outra, apontada para a pessoa que vai perguntar, certo?
– Certo. – respondeu Angela.
– Bella? – perguntou Jessica.
– Certo. – respondi.
– Ok, vamos lá. Vamos nos sentar em círculo – disse, fazendo com que nos ajeitássemos, formando um círculo. – Agora vou girar. – disse Jess, colocando a caneta em movimento. A caneta parou apontando de Ângela para Jessica.
– Ok, Jess, primeira pergunta. Você e o Tyler, estão saindo pra valer? – perguntou Ângela.
– Sim.
– Você está ficando com o Tyler de novo, Jess? – perguntei, surpresa.
– Ah Bella, sim, estamos. Não tive tempo de te contar porque esqueci, foi só recentemente. Mas sim, já tem alguns dias.
– Uh.. que legal. E aí?
– Bella. Quando chegar sua vez você pergunta. — disse Ângela.
– Ok, ok.
– Vamos rodar. – disse Jessica, girando a caneta. – De Bella para Ângela.
– Bom.. como a Jess está saindo com o Tyler e eu nem sabia, te pergunto se você já conseguiu se aproximar do Ben? – perguntei.
– Não. Mas vou conseguir.
– Próxima. De Ângela para mim. – disse Jessica.
– De novo? Vamos lá. Jess, você e o Tyler já...
Sorri, esperando a resposta.
– Ainda não. Mas tá quase. Próxima.
Ângela girou a caneta e caiu novamente dela para Jess.
– Essa caneta está de marcação comigo?
– Cala a boca Jess. Bom... você já fez boquete no Tyler?
– Ângela! – exclamei aturdida.
– O que foi Bella? – perguntou.
– Olha só sua pergunta.
– Ah, Bella. Esquecemos de dizer. O jogo hoje é só sobre sexo e relacionamentos. – disse Jessica.
– Mas.... – tentei dizer.
– Nem mais, nem menos. Fica quieta que eu preciso responder a pergunta.
– E então? Já fez boquete?
– Já. Ontem. – disse, mostrando um sorriso malicioso.
– E como foi? – perguntou Ângela, excitada.
– Ei. Isso é uma outra pergunta. – advertiu Jess.
– E quem se importa? Responde, vai.
– Ele ficou l.o.u.c.o.
– Onde.. onde vocês fizeram isso, Jess? – sussurrei.
– Na casa dele. Estávamos sozinhos, no quarto dele. Começamos a nos beijar, aí o beijo foi ficando mais quente, mais frenético, quando eu vi ele estava tirando minha blusa, meu sutiã, aí eu tirei a camisa dele, a calça, deixando-o só de boxer. Ele tirou a minha calça jeans também, e quando tentou tirar minha calcinha, eu disse que não.
– Não? Por quê? – perguntou Ângela.
– Porque ele só vai me ter depois que me pedir em namoro.
– Está certa. Sim, mas e aí? – incentivou Ângela.
– Ficamos lá deitados nos beijando freneticamente, ele roçando o pau duro no tecido da minha calcinha e perguntou se eu queria ver. Aí eu disse que sim.
– E... depois? Você viu? — perguntei.
– Com certeza! — respondeu, agitando as mãos.
– Como era.. o pênis dele? – perguntou Ângela.
– Não era tão grande como imaginei que fosse, mas o tamanho dá pro gasto.
– E você depois...
– Sim. Cai de boca. Meninas, vocês não imaginam o quanto um homem fica louco quando o temos na boca.
– E você? O que você achou disso? — perguntei.
– Bella.. você e o Mike nunca.... – perguntou Ang, sugestivamente.
– Nunca! – respondi muito rápido.
– Sério? Você nunca nem viu o pau dele? – perguntou Jessica.
– Não, nunca. Nós nunca... fizemos nada.
– Meu deus! Como vocês agüentaram? Você nunca teve curiosidade?
– Não. Nunca senti a necessidade de avançar o sinal.
– Bella, me desculpa o que eu vou dizer, mas desde o dia que te liguei, quando você o beijou a primeira vez, que eu achei o seu relacionamento com Mike estranho. Você nunca sentiu nenhuma faísca, nunca se excitou, e agora você me diz que em quase dois anos de namoro você nunca viu o pau dele? Nem nunca teve curiosidade? Você realmente era apaixonada por ele? – questionou Jessica.
– Eu... er.. bom. No início eu achava... que
– Não precisa responder mais nada. – disse-me Jessica.
– Eu devo concordar com Jessica também, Bella. Me desculpe.
– Tudo bem, meninas. Eu gosto de Mike. Mas como amigo. Só demorei a enxergar isso. Mas vamos mudar de assunto, por favor? –pedi.
– Claro. Podemos continuar o jogo? – perguntou Ângela.
– Vamos. – disse Jessica. – vamos girar a caneta. De Ângela para Bella.
– Bella... você já excitou por alguém, já que isso nunca houve com Mike?
Engoli em seco.
– E-eu não. – respondi. Só descobri o que é estar excitada recentemente, com Edward, mas não podia dizer isso as meninas. Elas me encheriam de perguntas.
– Não sabe o que está perdendo. – disse Jessica, rindo maliciosa mais uma vez.
– Ai Jessica. Conta mais! – pediu Ângela alvoroçada.
– Vocês não têm idéia do estado de calamidade pública em que a minha calcinha se encontrava. Acho que se eu torcesse assim – fez o gesto com a mão -, sairia o líquido. – disse Jessica, fazendo-me lembrar do estado em que a minha estava no dia em que eu estava com Edward no quarto. Quando tirei a roupa para tomar banho, podia sentir o líquido escorrer pela minha coxa.
– Da próxima vez, vou deixar ele colocar o dedo. Li que os homens enlouquecem quando sente a mulher excitada, quando ele é o motivo do tesão.
– Vai ter próxima vez? – perguntei.
– Claro que sim. Bella, você não sabe como é bom ter esse nível de intimidade com alguém.
– Não vejo a hora de ter alguém para sentir essas coisas. – disse Ângela.
– E você, Bella? – perguntou Jessica
– Eu?
– Sim. Você quer encontrar logo alguém que te faça sentir essas coisas?
– E-eu, sim, claro.
– Li também que deveríamos nos tocar, no nosso ponto íntimo. Isso é uma forma de descobrirmos o que é sentir prazer.
– Isso é se masturbar. – disse Ângela.
– Você já fez isso? – questionei.
– Me masturbar? Não. Mas irei tentar. Ei, vamos beber! – disse Jessica, enchendo os copos das duas.
– Vamos continuar. Gira a caneta Bella. – pediu Ângela.
Girei, caindo de mim para Jessica.
Pensei, pensei bastante. Então tinha a pergunta.
– Você não acha que é um pouco cedo para ter esse contato tão íntimo com o Tyler?
– Não. Bella, os garotos hoje em dia já transam. Homens não agüentam ficar muito tempo sem sexo. Se não fizermos essas coisas, como boquete ou deixar que eles nos toquem, eles arrumam outra. Uma outra que faça. Se você não sente que é hora de transar, não transe, mas tenha alguma intimidade com ele. Eles ficarão satisfeitos e não vão procurar outra na rua.
– Hmmmm... entendi. – murmurei, pensativa.
– Outra rodada. – disse Jess, girando. – De mim para Ângela. Âng, depois desse jogo de hoje, você vai se masturbar? – perguntou, dando uma sonora gargalhada.
– Talvez.
– Ei, talvez não é resposta.
– Claro que é. – disse Ângela, caindo as duas na risada. Eu sabia que já era efeito do álcool.
– Ok, meninas, vocês já estão bêbadas. Olhem o estado de vocês.
– Como essa vodka é ruim! – exclamou Ângela.
– Cale a boca. Não trago mais. Ahhhhh meu celular. – gritou Jessica, quando o celular ecoou no quarto de repente.
– Quem é? – quis saber.
– Tyler!! – respondeu animada.
– Oh meu deus. Atende logo! – disse Angela.
– Alô? . Hmmm . É um bom lugar . – ela já estava sorrindo para nós. – Estou na casa da Ângela\\t. Certo\\t . Em dez minutos? . Ok . Beijos. – disse desligando.
– E aí? – perguntou Ângela.
– Ele vem me buscar. Vamos sair. Lá pelas redondezas do Tower Bridge. – falou passando a língua pelo lábio inferior.
– Amasso dentro do carro? – perguntou, Ângela.
– Ele não disse isso, mas claro que vai rolar, depois do que aconteceu ontem. Ang, tem escova de dente no seu banheiro?
– Tem sim, vê lá no armário.
Dez minutos depois, descemos. Assim que Tyler buzinou, Jessica saiu correndo. Aproveitei e me despedi de Ângela e fui para casa.
Naquela noite, enquanto deitada na cama esperando o sono chegar, foi inevitável não pensar no jogo com as meninas, principalmente nas palavras de Jessica sobre envolvimento íntimo. Eu nunca tinha parado para pensar nessas coisas, mas agora, com a eletricidade que Edward e os seus beijos me causavam, eu simplesmente não conseguia tirar da minha cabeça.
Eu nunca fizera nada além de beijar alguém, enquanto Edward, por outro lado, era muito experiente. Eu não queria pensar no tipo de relacionamento que ele teve, mas eles vieram à tona quando recordei que ele me contara um pouco da sua história com as ex-namoradas e confessou ter dormido com outras garotas. Sei que começamos a namorar há menos de uma semana, e que Edward não me pressionaria a nada, mas eu me perguntava... até quando ele suportaria?
Foram com esses pensamentos que peguei no sono algum tempo mais tarde.
O domingo passou como um sopro. Eu já estava ficando animada com a terça se aproximando. Naquela tarde, antes de seguir para o teatro, Edward me ligara. Conversamos um tempo, dizendo o quanto estávamos com saudade do outro e fazendo planos para os dias que ele estaria aqui comigo.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!A segunda passou se arrastando com a expectativa de ver Edward no dia seguinte. Na escola, em um dado momento Jessica relatara a mim e a Ângela o seu encontro quente com Tyler no sábado passado. Ela prometeu contar os detalhes e as promessas do novo encontro quando nos reuníssemos de novo.
Após a escola, fui ao Espejo levando toda a minha documentação, como solicitado. Eu estava realmente animada para começar as aulas, cujo início foi adiado, iniciando dali a uma semana.
Quando sai do teatro, caminhando em direção ao meu carro, vi um homem loiro vestindo uma jaqueta de couro, encostado em um conversível preto encarando-me estranho. Desviei o olhar dele e entrei rapidamente no meu banco, dando partida e indo embora dali. Fiquei assustada, de repente podia ser um ladrão ou algo parecido.
Cheguei em casa, fui conversar com Alice, saber como foi a entrevista. Ela disse que tinha sido muito boa, e que achava que a vaga era dela, porque as outras candidatas eram péssimas e que ela seria a mais competente ao cargo. Às vezes esquecia o quanto Alice era modesta.
Fui ajudar minha mãe no jantar para ver se o tempo passava rápido. Depois da refeição, liguei para Edward, que pareceu surpreso com a minha ligação, já que era sempre ele que me ligava. Falei que estava muito ansiosa e que iria me deitar cedo, para ver se a terça-feira chegava logo. Ele riu, dizendo que não estava conseguindo relaxar ou dormir, até porque o seu vôo era logo cedo. Ele chegaria na hora do almoço, enquanto eu ainda estaria na escola. Avisou que iria à minha casa logo depois das três, para me ver e em seguida conversar com meus pais, quando estes chegassem do trabalho. Foi muito difícil encerrar a ligação, mas precisávamos fazer isso, ou a terça tardaria a chegar.
Eu estava tão ansiosa por enfim encontrar Edward no dia seguinte que nada me fazia dormir. Li páginas de um livro, liguei a tv, mas nada me levava ao sono. Lembrei que tinha no armário do banheiro um xarope para alergia que estimulava o sono. Não pensei duas vezes quando tomei uma colher do líquido. Meia hora depois cai na inconsciência.
Na escola, eu não parava de olhar o relógio. Até as meninas perceberam, perguntando se eu estava bem. Tentei agir normalmente, mas realmente estava difícil me concentrar em alguma coisa. Meu coração parecia que ia sair pela boca.
Quando faltava apenas a última aula para finalmente ir embora, saquei o celular para checar alguma ligação. Nada. Resolvi mandar uma mensagem para Edward.
Edward, você chegou? Beijos, Bella.
Não houve resposta.
Pensei em mil coisas. Que ele não havia chegado, que o vôo atrasou, que talvez ele me achasse muito ansiosa e não quis responder.
Sacudi a cabeça tentando expulsar esses pensamentos e tentei me concentrar na aula.
Em vão.
Quando o sinal finalmente tocou, corri para o meu carro e voei para minha casa.
Assim que entrei na esquina da rua, vi o Volvo prata parado junto ao meio fio na frente da minha casa, com Edward encostado no capô parecendo uma figura do mítico Adônis, com um óculos escuros no rosto.
Por um segundo achei que fosse bater com o meu carro no poste quando senti minhas pernas amolecerem.
Assim que parei o carro, vi Edward sair de junto do carro, e eu saltei rapidamente do banco e fui ao seu encontro. Nossos corpos chocando-se com tanta intensidade em um longo e cheio de significado abraço. Eu me sentia bem naqueles braços, como se ali fosse o meu lar, o meu porto seguro. Meu coração mal cabia no peito de tão frenético os batimentos.
Ficamos ali um tempo. Edward apertava seu rosto no meu cabelo, depositando beijos ali, fazendo-me apertar ainda mais contra ele.
– Deixe-me ver seu rosto. – pediu.
Nos afastamos para poder nos olhar, e trocamos um longo sorriso.
– Quase bati com o carro. – confessei.
– Você o que? Onde? – ele perguntou, o sorriso sumindo e a testa se franzindo.
– Sim, quando vi você aqui na frente. Você me deixou tonta.
Edward gargalhou e puxou-me para nos abraçarmos de novo.
– Tudo bem, não é culpa sua. – eu disse rindo.
– Você é absurda. – riu torto, colocando as duas mãos no meu rosto para enfim trocarmos um beijo. Foi um beijo doce, longo e delicado. Um beijo de saudade.
– Você não respondeu minha mensagem.- adverti.
– Respondi. Não na hora. Eu estava no banho, só vi depois. Mas dê uma olhada. A resposta está lá.
Sorri, enquanto Edward puxou-me para beijar novamente.
– Edward, vamos entrar? – pedi, lembrando que os vizinhos poderiam estar nos vendo.
– Eu.. desculpa, Bella. Eu esqueci. – ele disse preocupado, lembrando de repente o nosso combinado.
– Tudo bem, Edward, não foi só você. – sorri, para dizer-lhe que apesar disso, não estava preocupada.
– Essa é a minha casa. – falei quando entramos na sala.
– Sua casa é muito bonita, Bella.
– Não é como a sua. — sorri, ele virou os olhos. — Gostamos de morar aqui. É um bairro tranqüilo, as pessoas não se metem na vida dos outros. Não tenho o que reclamar.
Ele colocou a mão no meu rosto, afagando minha bochecha.
– Senti tanto a sua falta. – murmurou.
– Eu também, Edward. – falei, avançado para dar-lhe um beijo novamente.
Estavámos ali, nos beijando avidamente quando ouvi um pigarreio.
– Vão ficar se atracando no meio da sala? – perguntou uma Alice, divertida.
– Alice. — cumprimentou Edward.
– Oi Ed. – Desceu as escadas, indo até ele, abraçando-o.
– Ed? – perguntei.
– Sim. É como agora o chamo.
– Ah ta... – disse, rindo.
– Como está Alice? – ele perguntou.
– Mais ou menos. Minhas aulas começaram ontem, mas só pude ir hoje e já tenho um monte de trabalhos para fazer. – respondeu desanimada.
– Então o que está esperando? Vai começar a fazê-los. – falei.
– Ok. Essa é uma deixa para me retirar. Fui.
– Alice, não foi isso que quis dizer. Eu só....
– Eu sei, sua boba. Mas vou deixar o casalzinho a sós. – interrompeu-me piscando o olho.
Edward riu.
– Bom, vou te mostrar o resto da casa.
Apresentei todos os cômodos da casa, inclusive o quarto de Alice, que estava concentrada em pesquisas na internet, deixando meu quarto por último. Edward adorou a vista da minha janela para a floresta, dizendo que era bem parecido com a vista que eles tinham. Mas claro que a vista da casa deles é incomparável. A casa dos Cullens é rodeada por uma vasta floresta, enquanto aqui só há uma pequena, no quintal.
Pedi para Edward ficar à vontade enquanto fui tomar banho, para descermos em seguida e eu pudesse preparar o jantar. Seria a primeira vez que ele provaria algo feito por mim. Decidi fazer Pollo a La Mexicana novamente, uma das minhas especialidades.
Quando sai do banho, Edward estava observando cada objeto meu exposto no quarto, como os livros, CDs, meus porta-retratos, decoração. Eu sabia que ele estava tentando conhecer-me melhor, saber os meus gostos, a minha personalidade.
– Você tem livros incríveis. Você leu Memórias da Casa dos Mortos? – perguntou folheando o livro.
– Sim. – sorri. – Conta os momentos mais difíceis da vida de Dostoiévski, na prisão. É um ótimo livro, devido ao realismo da narrativa. E você deveria ler, sei que tem na sua casa.
– É, tem. Vou levá-lo comigo quando eu for embora.
– Edward, por favor, não fala em ir embora. Não hoje, não amanhã. – pedi.
– Tudo bem. Não vou falar. – disse colocando o livro no lugar. – Seu quarto é lindo. Bem a sua cara.
– Tem mesmo. Demorei meses para deixá-lo sim. Meu refúgio. – contemplei. – Bem, podemos descer? Daqui a pouco eles estão chegando. – falei indo em direção à porta, com Edward logo atrás de mim.
– Não acredito que você vai cozinhar para mim, Bella. – ele disse, enlaçando os dois braços largos na minha cintura, depositando o queixo no meu ombro esquerdo, por trás de mim. E lá vem a eletricidade com força total quando ele me toca desse jeito.
Tentei agir normalmente, como se fosse um carinho normal, enquanto descíamos as escadas.
Na cozinha, Edward sentou-se à mesa, para observar-me preparar o jantar. Ele confessou não saber fazer muita coisa, mas que aprendera a fazer um excelente café-da-manhã. Lembrei-me do dia em que eu estive na casa dele, e perguntei se ele que tinha preparado o café para mim. Ele assentiu positivamente, e eu me desculpei por quase não ter tocado na comida aquele dia. Ele apenas riu e disse que muitas oportunidades virão. Alarguei o meu sorriso com o comentário, beijando-o rapidamente.
Minutos depois Alice chegara, juntando-se a nós na conversa. Falamos sobre música, filmes, até de assuntos inusitados como o conflito na Faixa de Gaza e a tragédia do 11 de setembro.
Alguns minutos antes do jantar estar pronto, minha mãe chega.
– Hummmm que cheir... er.. oi, Edward, certo? – deduziu minha mãe.
– Sim, Sra. Swan. – disse Edward, levantando-se, estendendo a mão para a minha mãe.
– Oh meu deus. Me chame de Renée. Você agora é meu genro. – Edward abriu um largo sorriso.
– Desculpe, Renée. É um prazer conhecê-la. Bella fala muito de você.
– De você também. E o prazer é meu Edward. Por pouco achei que você fosse fruto da imaginação da minha filha, se não fosse Alice e Rosalie para confirmar que você existe. – senti meu rosto esquentar com o rubor.
– Mãe! — adverti.
– Estou brincando, filha. – todos riram.
Minha mãe sentou-se à mesa, engatando uma conversa com Edward. O que ele faz, o que ele pretende fazer... tudo que eu já falara para ela antes.
Enquanto eles ficaram lá trocando figurinhas, fui preparar a mesa na sala de jantar com a ajuda de Alice.
Não muito depois, chegara Rosalie, sozinha. Achei que Emmett também viria para conhecer nossos pais, mas ela falou que ele só viria no dia seguinte, porque, a pedido de Esme, era melhor Edward vir sozinho.
Tensionei quando ouvi o carro do papai estacionar na garagem. Estava apreensiva, preocupada se ele faria alguma gracinha com Edward como ele fez comigo na semana passada.
Fui até a cozinha e chamei Edward e mamãe para a sala. Edward segurou minha mão, e disse baixinho para eu ficar calma.
Quando o papai entrou, a primeira coisa que ele fez foi olhar para Edward, e em seguida para as nossas mãos enlaçadas.
– Boa Noite, Edward. – disse simpático.
Suspirei em alívio.
– Boa Noite Sr. Swan. Prazer em conhecê-lo. – disse Edward estendendo a mão direita livre.
– Charlie, por favor. — apertou meu pai.
– Edward é muito educado. Também já disse para chamar-me de Renée.
Sorri com a recepção que Edward estava recebendo.
Sentamos todos no sofá da sala, Alice e Rosalie em pé, próximas a nós.
– E então Edward, já sei que você está namorando a minha filha. Bem...peço para sentir-se à vontade à minha casa. Faço muito gosto dos dois, formam um belo casal.
– Obrigado, Sr. Sw, digo, Charlie. Eu realmente gosto muito da sua filha. – disse, olhando-me nos olhos, levantando as nossas mãos enlaçadas de encontro aos seus lábios, beijando a minha.
Eu olhei apaixonadamente, desejando beijá-lo, mas não poderia fazer isso na frente da minha família.
– Er... vamos jantar. Acho que estão todos famintos. – interrompeu Charlie a nossa bolha.
Caminhamos até a mesa onde desfrutamos do Pollo, recebendo elogios de todos, inclusive de Edward, que provava pela primeira vez.
Após o jantar meu pai abriu um vinho, chamando Edward para acompanhá-lo. Percebi os dois num canto conversando entre si e me perguntei sobre o que conversavam. Alice bateu no meu braço, dizendo-me para deixá-los em paz, e parasse de me preocupar tanto, pois estavam apenas se conhecendo.
Olhei-os novamente, que agora riam. Sorri com a imagem e voltei a atenção para a conversa entre Rosalie, Alice e minha mãe.
Já era um pouco tarde quando Edward foi embora. Antes disso, ficamos na porta por quase dez minutos tentando nos despedir. Não ficamos muito tempo a sós, como gostaríamos. Combinamos de nos encontrar no dia seguinte, na casa dele, quando eu largasse da escola.
Eu estava tão cansada que desabei na cama assim que cheguei no meu quarto.
Logo, já era de manhã.
Agradeci mentalmente quando vi as horas passarem rapidamente na escola, e fiquei mais feliz ainda quando não tive a última aula. O Sr. Barner teve que sair às pressas para socorrer a esposa que entrara em trabalho de parto.
Resolvi não ligar para Edward para avisar que chegaria mais cedo. Queria fazer-lhe uma surpresa.
Alguns minutos mais tarde, já estava na frente da casa dos Cullens.
Esme me recebeu, amorosamente como sempre, dizendo que estava com saudades. Ela perguntou-me como me sentia, e eu disse maravilhosamente bem. Rimos, recordando a minha resposta no sábado passado, que era bem diferente.
Perguntei por Edward, ela disse que estava no quarto, que talvez estivesse tirando um cochilo. Falei que não o incomodaria, e esperaria ele acordar, já que eu cheguei um pouco mais cedo do horário combinado.
Ela me alertou que Edward ficaria chateado se soubesse que eu cheguei cedo e não fui chamá-lo. Incentivou-me a subir. Perguntei receosa se ela tinha certeza que ele não ficaria chateado e ela disse que não.
Resolvi seguir seus conselhos e subi.
Quando cheguei à porta do quarto de Edward, coloquei o ouvido. Silêncio.
Dei uma leve batida. Sem resposta.
Bati uma segunda vez, mas mais uma vez não houve resposta.
Coloquei a mão na maçaneta e abri a porta lentamente, com a cabeça baixa.
Assim que ergui a cabeça e pus-me para dentro do quarto, a visão que se seguiu congelou-me completamente, minha respiração falhou, o meu coração parou de bater e meus olhos se arregalaram em choque.
Edward estava dormindo de barriga para baixo, o lençol emaranhado em apenas um pedaço do seu corpo, e apesar de parecer um anjo dormindo, não era exatamente isso que chamava a atenção. Mesmo que o lençol pudesse cobrir suas partes íntimas e nádegas, era notável que ele estava nú.
Eu não conseguia desviar os meus olhos do tanto de pele exposta, da lateral do seu corpo que estava praticamente despida, com apenas uma linha do lençol transpassando a cintura, ou de suas costas tonificadas.
Eu não tinha percebido que tinha prendido minha respiração, quando exalei muito alto, acordando Edward.
– Bella! – exclamou assustado, tentando se cobrir.
– E-edward, desculpe... eu... sua mãe... eu... vou descer. – falei dando as costas.
– Não! – ele praticamente gritou, fazendo-me parar onde estava, ainda de costas pra ele. – Eu vou trocar de roupa.
Não falei nada.
– Fique, Bella. Vou me trocar no banheiro. – ele disse. Virei-me devagar, fechando a porta atrás de mim, caminhando até o sofá.
Assisti Edward abrir o closet, pegando uma roupa qualquer e indo rapidamente para o banheiro. Minutos depois ele saiu de lá. Vestido.
Edward caminhou até ficar perto de mim, fazendo-me desviar o olhar de vergonha para baixo. Ele suspirou e sentou-se do meu lado, pegando a minha mão.
– Bella, desculpe. Eu não devia... eu só não.. desculp. É que tenho essa mania de dormir sem roupa às vezes. Eu...
– Não, Edward. Não se desculpe. Eu que não devia ter entrado desse jeito. Eu... sua mãe disse que não tinha problemas, então subi. Bati na porta, mas como você não respondeu, eu abri. Me desculpa. – falei, apologética, ainda de cabeça baixa.
– Olha para mim. – ele pediu, então obedeci. – Não precisa ficar com vergonha. Me desculpa, está bem?
– Edward, você está no seu quarto. Você pode dormir como quiser. Eu quem tenho que me desculpar por invadir sua privacidade.
– Você não tem que se desculpar por nada, Bella. E você não invadiu nada. Você é minha namorada, você é livre para circular nesse quarto, tocar no que quiser. – disse, alisando meus cabelos, colocando umas pontas soltas por trás da orelha. – Vamos parar com as desculpas?
Dei um fraco sorriso.
– Sim. Eu só queria te fazer uma surpresa, larguei mais cedo da escola.
– E adorei a surpresa, viu? Mais tempo juntos. – disse, dando-me rápidos beijos na boca.
– O que vamos fazer hoje? – perguntei.
– Que tal ficarmos aqui um pouquinho e mais tarde dar uma volta em algum lugar? Podemos sair para jantar, cinema... – sugeriu.
– Hmmmm. Parece uma boa idéia.
– Vem cá. – puxou-me para a cama.
Tentei parecer natural, mas a verdade é que eu ainda não me recuperara do tanto de pele exposta que vira há pouquíssimos minutos.
Ficamos conversando durante algum tempo sobre os dias dele no Colorado, narrei o que fiz nos dias em que não estava com ele, inclusive sobre o Espejo e encontro com Ângela e Jessica, omitindo o Jogo de Verdade, obviamente. Edward falara que gostou muito dos meus pais e que até marcou com Charlie um dia de pesca.
Quando entramos no assunto escola, falei que tinha umas dúvidas com a matéria de Biologia, e Edward ofereceu-se para ajudar-me no dever de casa.
E não é que ele era bom nessa matéria?
Quando terminamos, Edward tirou tudo que era de escola de cima da cama.
– Vamos parar de estudar por hoje? Quero curtir minha namorada direito. – ele disse.
– Também. Ainda não curti meu namorado direito. – falei, deitando-me na cama com a cabeça no travesseiro.
– Hmmm. — murmurou, aproximando seu rosto ao meu para selar nossas bocas, num beijo.
Eu estava deitada com as minhas costas na cama, sendo que um pouco inclinada para o lado de Edward, que me beijava enquanto apoiava o próprio peso no cotovelo esquerdo e a mão direita estava pousada na minha nuca. Aprofundamos o beijo e eu deixei escapar um gemido baixo quando a sua língua invadiu a minha boca, se chocando contra a minha. Minhas mãos criaram vida própria e fizeram seu caminho até o cabelo dele, puxando-os, causando arrepios por todo meu corpo. Nesse momento senti mais uma vez a sensação de formigamento entre minhas pernas e eu já podia adivinhar o que eu encontraria quando checasse minha calcinha. Dessa vez foi Edward quem soltou um gemido, movendo seus lábios agora para o meu pescoço, dando beijos naquele local. Minutos depois, ele tirou a mão direita da minha nuca, colocando-a sobre a lateral esquerda do meu corpo, correndo-a por debaixo da minha blusa lentamente, tocando pela primeira vez a minha pele nua. Tensionei instantaneamente.
– Bella, desculpa.. eu.. foi demais, eu sei. Me desculpe. – desculpou-se, saindo de cima de mim, sentando na cama. Ele parecia muito preocupado.
– Não, Edward. Tudo bem. – tentei procurar minha voz. Meu rosto pegando fogo de vergonha e excitação.
– Me desculpe. Eu só... me empolguei um pouco. É que... quando estou assim com você, eu.. não consegui me controlar. – engoliu em seco, e eu também.
Houve um breve tempo até que eu criei coragem para falar.
– Edward... eu... você sabe... eu nunca...
Levou um bom tempo até que ele se pronunciou.
– Você é virgem. – disse baixinho, olhando-me de soslaio.
Assenti, corando de vergonha.
– Eu... meio que desconfiava disso.
– Você...
– Quando conversamos sobre Jane Austen, você... pareceu envergonhada quando fiz aquele... comentário. – Edward parecia hesitante, mas eu já sabia sobre o que ele falara.
– É ... eu sou. – falei, baixando a cabeça.
– Bella, não sinta vergonha por isso. Eu... meio que estou feliz em ter essa confirmação.
– Sério? – perguntei, erguendo minha sobrancelha.
– Sim. – suspirou. – Bella, eu fico feliz que... quando isso acontecer, com você, será comigo.
Meu corpo tremeu instantaneamente. Ele continuou.
– Bella, sei que começamos a namorar há pouco tempo, mas não vou mentir. Eu me sinto atraído por você, mas quero que você saiba que não quero nada de você. Não vou e não quero apressar nada. Ainda é cedo. Tudo será no tempo certo, no seu tempo.
– Achei que você... não ia gostar quando soubesse.. disso. – falei hesitante.
Ele deu o sorriso torto que tanto amo e puxou-me para aninhar-me em seu peito.
– Já disse, amei saber que você seja... pura. – disse afagando meu braço, enquanto beijava o topo da minha cabeça.
– E estou aliviada em saber que você gostou... disso. – sorri, erguendo a minha cabeça para olhá-lo nos olhos, tomando a iniciativa em continuar o beijo de onde havia parado.
– Vamos dar uma volta? — perguntou-me.
– Vamos. Vou tomar um banho.
– Vou trocar de roupa e te esperar lá embaixo. — disse, depositando um rápido beijo na minha testa.
Abri minha mochila, tirando a roupa que trouxe de dentro dela, e fui para o banheiro.
Tirei minha roupa lentamente, suspirando quando tirei a última peça.
A minha calcinha.
Sorri quando desci mais uma vez com a minha mão até o meio das minhas pernas, checando o que um simples beijo de Edward fazia comigo.
Definitivamente, a situação lá embaixo estava agora ainda pior.
.
Notas finais
Agora que vocês já leram o capítulo, vou defender um pouco a Bella. Não esqueçam que ela é virgem e que nunca houve nada entre ela e Mike, além do que aconteceu no capítulo 4. Quem não lembra, é só voltar para lá. As reações que Edward causa nela é algo novo, e por que não, estranho. Ela nunca sentiu nada parecido com desejo, excitação. Mas isso não quer dizer que ela seja inocente . Ela vai começar a se descobrir como mulher, e isso vai acontecer aos pouquinhos.
Por favor, JAMAIS usem a mesma calcinha por mais de 24 horas e não liguem para o que a Jéssica acha. Não vão sair por aí fazendo coisas que não devem!!!
Ai gente, morri de rir escrevendo o Charlie tendo um ataque de ciúmes da filha, quando na verdade era tudo uma brincadeira. Se fosse o meu, eu batia, sério. kkkkkkkkkkkkkkkkk Brincadeirinha
Bem, espero que tenham gostado do capítulo, que ficou enorme de novo rsrs.
Obrigada as leitoras que vibram, que comentam ou não, e surtam a cada capítulo postado. É esse carinho que me incentiva a continuar escrevendo.
Bem, espero também merecer REVIEWS. Não parei o capítulo numa parte tensa, viram?? HAHAHA
Até o próximo capítulo.
Beijo da Patti
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