Notas iniciais
Olá, como estão??? Espero que muito bem e que por favor não queiram me matar com o que vou explicar a seguir rsrs. Primeiro é que me desculpem os dois dias de atraso. Tive uma semana puxada na pós, no trabalho, então não pude escrever direito durante a semana. E a segunda é que esse capítulo é no ponto de vista do Edward, para que possamos entender o que aconteceu com ele após beijar a Bella, o que ele fez durante esses quase quarenta dias longe e o que o levou de volta a Sacramento. Então... ainda não é a continuação de onde parou o capítulo anterior, mesmo que, no final, ainda tenha acrescentado uma cena. Espero que gostem. Bjusss mil!!!

POV EDWARD

“Bella mexeu comigo de uma forma que nenhuma mulher tinha conseguido antes. Se já estava difícil tirá-la da minha mente, depois daquele beijo eu sabia que jamais conseguiria...”

Sim, eu beijara muitas mulheres. Não sei exatamente quantas e, por Deus, nem quero saber a conta disso. Mas, beijar Bella não era nada que eu já tivesse provado antes. Ter seus lábios nos meus, ainda mais depois de descobrir os novos sentimentos que eu passei a nutrir por ela, o beijo fora indescritível. Eu havia me apaixonado. Eu estava perdidamente apaixonado por Bella sem que ela fizesse nenhum esforço para isso. Qualquer um poderia ver o quão fácil é cair de amor por ela.

Em que momento aconteceu isso?

Meu coração batia rápido demais enquanto a contemplei por um tempo. Seus olhar era tão intenso. Eu queria muito isso, mas era tão difícil acreditar que Bella se sentia da mesma forma que eu...

Estariam os meus sentimentos sendo correspondidos?

Mas então, a tristeza passou por seus olhos, fazendo-me enrugar a testa.

Ela estava sofrendo.

Claro. Havia outras coisas a considerar, outras pessoas, infelizmente.

Mike.

Eu não pensei nisso quando a puxei para um beijo. Não foi em uma boa hora. Não com ela comprometida. Cristo!! O que eu tinha feito? Bella deve estar se sentindo péssima.

E então vi Rosalie nos encarando pela janela e tudo pareceu ficar ainda pior.

Bella tinha namorado e lá estávamos nós, nos beijando na porta da sua casa enquanto Rosalie assistia a cena.

Eu... eu não a respeitei! Não me importei que ela tinha namorado. Eu precisava sair dali e assim o fiz. Desculpei-me e Bella ainda tentou conversar comigo. Mas eu sabia que tudo que eu dissesse ali não serviria como justificativa. Minha atitude não tinha justificativa. Eu não devia tê-la beijado.

Sai dirigindo sem rumo com a neblina densa que começava a cair. Não podia ficar ali mais um segundo.

- Que diabos eu tinha feito? — Amaldiçoei-me.

Aquele olhar de tristeza não saia da minha cabeça. Mas isso não era o pior. O cheiro dela estava impregnado em mim, o gosto, ela estava em mim.

A primeira vez que me apaixono de verdade. Milhares de mulheres no mundo, e eu me apaixono por uma garota comprometida.

Tentei dissipar as lembranças do beijo enquanto estacionava o carro na frente do Espejo. O local que nos vimos pela primeira vez.

Não queria ficar ali, tampouco ir para casa, onde a presença dela estava por toda a casa. Principalmente no meu quarto.

Eu iria para um hotel. Passaria essa noite lá e amanhã voaria rapidamente para Nova York. Liguei para Jasper, avisando que não passaria a noite em casa. Ele questionou-me, querendo saber onde eu dormiria e o que tinha acontecido, percebendo que eu não estava no meu normal tom de voz. Para não preocupá-lo, avisei que ficaria num hotel e no dia seguinte conversaríamos.

Não demorou e eu me encontrei na frente do Hyatt Regency. Após check-in subi rápido para o meu apartamento, tomei um longo banho e enrolei-me na toalha, saindo do banheiro, indo em direção a cama.

Deitei-me com as costas no colchão, tentando me acalmar, mas estava com a cabeça cheia de emoções e muitos conflitos. Eu não podia ter ignorado que Bella tinha namorado. Eu não queria destruir o namoro dela. Porém, não podia simplesmente ignorar o que eu já estava sentindo por ela.

Eu queria acreditar que Bella poderia estar sentindo algo por mim. Pude sentir isso durante o beijo, mesmo que não fizesse nenhum sentido, porque... porque tinha Mike. Eles namoravam há bastante tempo, é óbvio que ela gosta dele. Mas até onde esse beijo interferiria na relação deles? Nos sentimentos dela por ele? O que ela faria depois disso?

Minha mente estava repleta de um turbilhão de questionamentos e eu sabia que seria incapaz de relaxar aquela noite. Liguei para a recepção do hotel, pedindo uma garrafa de algo muito forte. A recepcionista, confusa, perguntou minha preferência. Eu diria cerveja, mas sabia que não faria não adiantaria quando o meu objetivo era dormir sob o efeito de álcool, então pedi que enviassem para o meu apartamento qualquer garrafa de um bom whisky.

Minutos depois o serviço de quarto batia a minha porta com uma garrafa de Johnnie Walker, copo e um balde com gelos. Preparei a primeira dose, jorrando todo o conteúdo pela garganta abaixo, fazendo careta enquanto sentia o álcool descer queimando. Não me importei e logo preparava a segunda dose.

Não sei em que momento da noite apaguei. Na verdade nem me lembrava que estava no quarto de hotel quando abri os meus olhos pela manhã, ao ser acordado pelo barulho do toque do meu celular. Não estava com muito humor pra acordar, além de já sentir a ressaca da noite anterior, mas levantei-me a contragosto para atender a ligação. Antes de realmente enxergar o nome no visor verifiquei as horas. Eram 8 horas da manhã e só depois pude ver quem insistia do outro lado da linha. Era o David Gottan.

- Alô? – respondi sonolento.

- Edward. Já está tudo pronto pra viagem? – perguntou.

- S-sim, está.

- Preciso que você venha imediatamente ao Espejo, tudo bem? Precisamos discutir alguns pontos com a equipe toda antes de partirmos. Se preferir, venha já com a sua bagagem.

- Ok.. eu... estou a caminho.

Desliguei em seguida, sentindo um peso insuportável na cabeça. Olhei a garrafa de whisky abandonada em cima da mesa, verificando o conteúdo pela metade. Caminhei ao banheiro, tomando uma ducha fria, dissipando um pouco a ressaca. Peguei a chave do carro e desci até a recepção, onde acertei a conta.

Antes de ir ao Espejo, fui até minha casa. Não encontrei Jasper ou Emmett no caminho do meu quarto, e assim que passei pela porta, o cheiro de Bella me assaltou. Ele estava impregnado naquele cômodo. Fui em direção a cama, tocando os lençóis, puxando-os próximo às minhas narinas, inspirando o seu cheiro, enquanto fechava os olhos, lembrando do dia anterior. Do nosso beijo.

- Não vi você chegar. – falou Jasper, assustando-me por um instante quando joguei os lençóis de volta à cama. – Desculpe.

- Não, tudo bem. Você e sua mania de ser silencioso. – falei rindo nervosamente.

- O que aconteceu Edward?

- O que... nada, Jasper. – respondi, muito rápido.

- Mentira.– ele deu uma pausa. – É Bella não é? É por causa dela que você está assim? Você até bebeu. Sinto o cheiro. – Podia ver os olhos cautelosos em meio a sua voz baixa, calma.

- O que faz você achar que é por causa dela? – perguntei num tom irritado.

- Eu não acho. Eu tenho certeza.

Emudeci. Não podia discutir com ele quanto a isso. Não consigo esconder nada de Jasper.

- Edward, eu... eu só me preocupo com você. Você sabe. Bella tem namorado. Talvez não seja uma boa você...

- Eu a beijei. – o interrompi.

- Como? – perguntou, cético.

- Eu beijei Bella. – repeti, um pouco mais alto.

Houve um breve silêncio até Jasper enfim falar.

- Eu... nem sei o que dizer. – sibilou.

- Eu sei. Não precisa dizer nada. A merda já foi feita.

- Que? Por que você se está se referindo ao beijo dessa forma? – indagou confuso.

- Não. Por favor, não estou falando do beijo. Foi... foi maravilhoso. Poderia passar o resto dos meus dias fazendo isso e ainda assim não cansaria.

- E então...

- O problema é exatamente o que você falou Jasper. Ela tem namorado. Eu a beijei sabendo que ela tem namorado. Você já pensou no que está se passando na cabeça dela agora? Eu a vi... depois do beijo. Aquele rosto. Ela estava sofrendo Jasper!! Eu não a respeitei. – desabafei sentando-me na ponta da cama enquanto sentia a dor da ressaca na minha cabeça muito mais forte agora, e assistia Jasper muito calmo encostado na porta do quarto.

- Ela correspondeu? Ao beijo?

- Sim. – respondi, lembrando-me do momento em que Bella pousou as mãos na minha nuca, agarrando os meus cabelos puxando-me para ficar próximo a ela, do momento em que ela deu passagem para a minha língua invadir a sua boca...

Jasper andou alguns passos, sentando do meu lado.

- Edward. Posso te fazer uma pergunta?

Assenti com a cabeça, imaginando qual seria.

- Eu estou certo? Sobre o que te disse ontem na cozinha?

Dei um longo suspiro, respondendo em seguida.

- Sim. Você estava certo. Eu... me apaixonei por ela.

- Olha, eu tinha uma opinião sobre isso, e então Alice e eu conversamos e agora você me conta... isso e... e.. Edward, talvez, talvez não seja bem assim como você pensa.

- Como assim? Do que você está falando? – franzi o cenho.

- Você já parou para pensar que Bella pode estar também sentindo o mesmo?

- Já mas...

- Edward, você não a beijou. Vocês se beijaram. Você acabou de responder que ela correspondeu ao beijo.

- Mas isso não quer dizer nada. Não é porque ela correspondeu que isso significa que ela esteja... huh...er... gostando de mim. Eu vi Jazz, vi dor passar pelo seu rosto.

- Mas Edward. Isso não quer dizer que seja por sua causa. Coloque-se no lugar dela e analise a situação. Já parou pra pensar no que ela pode estar pensando que você está pensando? Edward, ela é a comprometida na história, não você. A única pessoa que sairia como errada nisso, é ela.

- Eu... não tinha pensando nisso. – disse pensativo.

- Edward, Bella pode estar se sentindo péssima achando que você está pensando mal dela.

- Não!! Jamais pensaria isso dela. Bella não é como muitas mulheres por aí, como a Carolyn!! – jorrei, arrependendo-me instantaneamente quando me dei conta do que acabara de falar. – Desculpa Jasper, eu não queria.. não era a minha intenção falar na...

- Eu sei, Edward. Não se preocupe, eu entendi. – falou meu irmão. Podia ver nos seus olhos que ele estava sendo sincero, mas era perceptível a tristeza que lhe assolou quando eu pronunciei o nome.

- Eu não queria te magoar ou te fazer lembrar disso. Sinto muito. – pedi desesperado.

- Tudo bem, Edward. Esquece isso. Vamos voltar à Bella, ok?

- Sim.

- Bem... como eu disse, Alice e eu conversamos, sobre vocês.

- O que vocês conversaram?

- Falamos sobre a nossa desconfiança que havia sentimentos além de amizade entre vocês. E sabe o que a Alice me contou?

- O que? – perguntei, a curiosidade me atormentando.

- Que ela sempre achou que a Bella nunca foi apaixonada pelo namorado, que talvez ela só confundiu os sentimentos e que acredita que ela pode estar apaixonada por você, também.

- Alice disse isso? – questionei. Cético e esperançoso.

- Disse.

- Jasper, não faz muito sentido. Se ela não gostasse dele, por que ela aceita o namoro então?

- Namoro adolescente, Edward. Você nunca ouviu dizer? Não há muito sentimento nisso.

Lembrei-me a forma possessiva que Mike mantinha sobre Bella, além do mal que ele provocou quando a deixou chegar ao coma alcoólico, fazendo com que a cólera do dia anterior, me atingisse com toda força.

- Eu gostaria muito que isso fosse verdade, Jasper. Mas não posso criar nenhuma expectativa.

- Mas você não pode ficar parado vendo a vida passar se ela realmente estiver apaixonada por você, Ed.

- Eu não sei o que fazer. Eu... estou muito confuso. – falei, levantando-me enquanto caminhava de um lado pro outro, correndo uma mão pelo cabelo.

- Você precisa decidir então. Aproveite os dias que ficará fora e pense em tudo. Pense no que você quer. – aconselhou-me, levantando-se da cama também.

- Obrigado Jasper. – agradeci e caminhei até ele, abraçando-o. – Vou sentir sua falta, cara.

- Também sentirei a sua.

Após a conversa com Jasper, tomei mais um banho e troquei de roupa. David ligou-me mais uma vez, informando que todos estavam a minha espera para dar início à reunião. Pedi a Jasper e a Emmett que me encontrassem no aeroporto e levassem consigo minhas duas malas.

Despedi-me de Irina e corri para o meu carro, dirigindo rapidamente ao Espejo.

David Gottan reuniu todo o grupo, além dos sócios e a equipe escalada para a turnê com a peça, no intuito de discutir a situação do Espejo durante a temporada. Também revelou que irá antecipar a contratação dos novos integrantes em até aproximadamente um mês. Perguntei-me se Bella estaria na lista. Se dependesse do seu talento, eu não tinha dúvidas quanto a isso.

Ao final da reunião, fomos almoçar num restaurante chinês ali perto, onde cada um pode exprimir suas expectativas quanto ao sucesso da peça, além de dar uma palavra de incentivo àqueles que estão partindo, como eu por exemplo.

Era uma e meia da tarde quando chegamos ao aeroporto. Cinco minutos depois, Jasper e Emmett chegaram de taxi, com as minhas malas. Despedimos-nos e prometi que manteria sempre contato. Pedi para ligarem para Londres e avisassem aos nossos pais que eu ligaria logo que possível para eles de Nova York. Entreguei a chave do Volvo a Jasper, que viajaria dali para Long Beach com Emmett, para a nossa casa de praia.

Quando desembarcamos em Nova York, já era noite. Duas vans esperavam para nos levar ao The Plaza Hotel. Durante o trajeto aeroporto-hotel, fiquei observando a cidade através dos vidros negros. Toda a sua beleza e exuberância fazendo-me lembrar o porque ela era considerada a cidade mais fascinante dos Estados Unidos. É inevitável não usar superlativos quando se trata de Nova York, a cidade que não dorme.

O clima por aqui no mês de setembro ainda é um pouco quente, embora já seja possível sentir a temperatura mais baixa durante as noites, como pude constatar ao descer do carro, já na porta do hotel. O The Plaza é um dos edifícios mais luxuosos da cidade e fica no coração de Manhattan, a passos do Central Park. Serviu de cenário para filmes como “Esqueceram De Mim” e “Sintonia do Amor”. Nos hospedamos – atores, produção, sócios do Espejo – em quartos separados, mas todos no décimo andar, com uma linda vista pro Central Park. Toda a hospedagem paga pelas empresas que financiaram a peça. Ficaríamos em cartaz por três finais de semana, partindo em seguida para as cidades de Rochester e Syracuse, onde ficaríamos uma semana em cada uma delas.

A primeira semana na cidade foi de trabalho intenso. Na primeira manhã em Nova York, pleno domingo, fomos conhecer o Paris Theatre, localizado a poucos minutos do The Plaza, onde a peça ficaria em cartaz por dois finais de semana. Além dos trabalhos nos bastidores, ensaiávamos horas e horas, e a rotina se seguiu até o dia da estréia, que seria na sexta-feira próxima.

Não tínhamos tempo para passeios ou qualquer tipo de programa na cidade. Pelo menos não até a estréia. A semana foi tão árdua que quase não tive a consciência tomada pelos acontecimentos da última semana. Porém, no silêncio da noite, ao colocar a cabeça no travesseiro, Bella sempre era o meu último pensamento. Ficava imaginando no que ela poderia estar fazendo naquele momento, o que se passava na cabeça dela, no que aconteceu depois do que fizemos. Eu não havia falado com Jasper novamente sobre o assunto, sondar algo sobre ela. Na verdade, desde que eu chegara à cidade, só havia falado com meus irmãos uma única vez, mas sabia que os veria na estréia.

Quando chegara o dia esperado, a poucos minutos do início da estréia da peça, dei uma espiada pela cortina e constatei que o teatro estava lotado. Embora muito ansioso, não estava nervoso. Já pisara em palcos londrinos, o que me dava certa experiência, apesar de não se comparar às proporções do momento atual. Foram meses de preparação e ensaios, principalmente nos últimos dias, o que me deixava confiante.

A peça teve início pontualmente às nove da noite do horário local, e teve aproximadamente duas horas de duração. Sentia-me bem mais leve ao final, e extasiado com a positiva aceitação expressa em forma de muitos aplausos e através dos rostos de satisfação dos que deixavam lentamente o teatro após o fechar da cortina vermelha.

Fui ao encontro de Emmett e Jasper, que assistiram a tudo do camarote, recebendo abraços de ambos. Do Paris Theatre seguimos para o The Plaza, onde os dois também tinham se hospedado. Antes de subirmos para os nossos apartamentos, gastamos um tempo no bar do hotel, comemorando a estréia da peça, o novo emprego de Emmett na J.W.Thompson e a tão esperada transferência da faculdade de Direito de Jasper para a California State University de Sacramento. Confessei minha vontade de fazer uma faculdade, mas ainda estava muito em dúvida. Meu pai sempre expressou um desejo de me ver seguindo sua profissão, e a medicina ainda era uma das minhas opções. Sabia que ele ainda tinha esperanças. Amava o teatro, mas ainda não sabia se queria viver disso pelo resto da minha vida.

Em algum momento da noite, quando Emmett foi ao banheiro, Jasper e eu conversamos a sós. Eu estava com receio de lhe perguntar sobre Bella, se ele tinha alguma notícia, mas Jasper me conhecia tão bem que nem foi preciso. Ele me dissera que ainda não teve notícias dela, ou mesmo de Alice ou Rosalie, já que ele e Emmett não estavam na cidade durante a semana. Prometeu-me ligar quando soubesse de algo. Assenti com a cabeça e mudei rapidamente de assunto quando Emmett chegou perto de nós, querendo saber sobre o que falávamos. Não gosto de ter segredos com Emmett, mas conheço o irmão que tenho o suficiente para saber que não é uma boa idéia comentar o assunto na frente dele.

Jasper e Emmett não passaram muito tempo em Nova York, apenas dois dias, por causa dos nossos pais que chegaram no domingo em Sacramento. Eu estava louco para vê-los, mas não podia fazer uma viagem longa por enquanto. Talvez só os visse no Colorado, quando Carlisle pudesse pegar uma folga no hospital, e ele e a mamãe pudessem ver a peça.

Após o primeiro fim de semana da temporada em Nova York, pude enfim ter algum descanso de qualidade. Dormia até mais tarde, e em algumas vezes, o bastante para acordar já em horário de almoço. Ainda nos reuníamos, mas já não precisávamos ensaiar tantas horas, o que nos deixava com algum tempo livre para permanecer por mais tempo no hotel e fazer passeios pela cidade. Em algumas vezes saí com a equipe para visitar alguns pontos turísticos, jantar fora ou ir a algum pub. Mas na maioria das vezes preferia gastar um tempo no Central Park ou caminhar sozinho pelas avenidas da “Big Apple”.

Ficar sozinho e estar com a mente desocupada por algum período do dia me fez voltar a pensar em Bella com mais violência. Constantemente, pegava-me lembrando a forma como seu rosto corava. A forma como ela mordia o lábio inferior ou mexia os cabelos de um jeito tão simples e inocente, ao mesmo tão sensual. Tentava me distrair com algum livro ou assistindo a algum filme, muitas vezes em vão. Enquanto estava sozinho, ela simplesmente não saia da minha cabeça.

Era sexta-feira, o último fim de semana da peça na cidade de Nova York – seguiríamos para Rochester em seguida -, quando ouvi o meu celular tocar logo que entrei no meu quarto, voltando do almoço. Parou antes que eu pudesse atender. Chequei a chamada e vi que era uma ligação de Jasper. Retornei no mesmo instante.

- Alô.

- Jasper, você me ligou?

- Sim, Edward..er.. como você está? – perguntou. Era impressão minha ou Jasper estava hesitante?

- Bem. Estou no quarto, vou fazer umas coisas aqui antes de ir para o teatro.

- Últimos dias em Nova York, não é?­

- Sim. Jazz, aconteceu alguma coisa? – perguntei, desconfiado.

- Sim. Mas calma, não se assuste. Você não sabe o que eu vi! – de repente ele pareceu divertido com algo.

- O que você viu?

- Tive um vislumbre da Rosalie entrando no quarto com Emmett silenciosamente no meio da noite.

- Sério? Então a loira se rendeu? – sorri, deitando-me na cama, com um braço atrás da cabeça.

- Parece que sim. Sabia que era com ela que vi Emmett falar ao telefone várias vezes nas últimas semanas.

- Bom... estou bem otimista quanto a esses dois. Acho que dessa vez nosso irmão toma jeito.

- Também estou. – Jasper deu uma pausa antes de continuar. – Er... Edward. Tenho uma outra coisa pra te falar – De repente o seu tom de voz mudou. Sabia que Jasper não estava hesitante por nada.

- O que? – perguntei, sentando-me na cama.

- Eu fui ao hospital ontem levar o filho da Irina que se machucou ao cair de uma árvore e... eu via a Bella lá. Com o Mike.

Não falei nada, então ele continuou.

- O pai dele está na UTI, pelo que eu soube.

- O que ele tem?

- Parece que teve um aneurisma. – respondeu.

- Nossa! Espero que ele se recupere. E o filho de Irina, como ele está?

- Agora está bem. Fraturou a perna, teve que engessar, mas ficará bom para cair de novo em breve. – riu.

Ficamos em silêncio por longos segundos, até que resolvi perguntar.

- Ela... te viu? Vocês se falaram?

- Não, ela não me viu. Eu a vi no estacionamento, foi muito rápido. Ela parecia estar confortando o namo... er.. Mike.

- Sim, claro. É o que qualquer namorada faria num momento desses. Dar apoio. – completei.

- O que uma amiga também faria. – ele emendou.

- Sim.

- Edward, sei que não era bem isso que você queria saber, principalmente depois do que aconteceu entre vocês, mas... eu prometi te ligar quando soubesse de algo. Me desculpe.

- Tudo bem, Jasper. Você não tem que se desculpar. Obrigado de qualquer forma.

- Você vai ficar bem?

- Eu estou bem Jazz. O que eu podia querer? Que ela terminasse um namoro longo só porque nos beijamos? Só porque eu a beijei? Não. Não seria assim. Tenho que me acostumar com isso.

- Eu até entendo que ela não terminasse o namoro dessa forma, mas Edward, ainda acho que há esperança para vocês. Eu ainda acredito que ela sinta algo por você. Eu a vi aqui e...

- Talvez você tenha visto demais, Jasper.

- Não, Edward. Eu vi a forma como ela se comporta quando está com você e.. e eu pude notar entre ela e o Mike ontem e.. cara! Não há metade da química que há ente vocês dois. Ed, eles pareciam apenas amigos, estavam se despedindo e nem se beijaram quando Bella deixou o hospital. – não pude deixar de sentir uma pontada de satisfação com essa última parte, mas, ainda assim, isso não queria dizer nada.

- Mas isso não quer dizer nada, Jazz. Talvez eles.. er... só não aconteceu devido a situação do pai dele.

- Talvez. Mas ainda assim não muda o que eu penso. Eu só queria que você soubesse.

- Eu sei, eu sei. Er... obrigado.

- Bem... vou te deixar em paz. Boa apresentação hoje. Liga quando chegar em Rochester?

- Sim, ligo. Na segunda mesmo estamos partindo para lá e...

- Mãe? Você estava aí? – ouvi Jasper falar, um pouco alto.

- O que foi Jasper, a mamãe está aí?

- Sim, Edward. Ela quer falar com você.

- Ok, passa pra ela. Até mais Jazz.

Jasper passou o telefone para a nossa mãe, e ficamos conversando durante algum tempo. Ela revelou estar preocupada comigo e eu me perguntei se ela ouviu a minha conversa e a dele. Eu bem sabia o poder da minha mãe para descobrir as coisas. Sabia também que, caso ela tenha ouvido alguma parte da conversa, ela tentaria arrancar algo de Jasper. Pediu-me para ligar para ela durante a semana para que conversássemos por mais tempo e eu prometi não demorar a ligar.

Minhas suspeitas foram confirmadas quando liguei para a minha mãe na tarde de segunda-feira, quando eu já estava em Rochester. No meio da conversa, a sua revelação repentina deixou-me extremamente nervoso.

- Eu sei o que está acontecendo com você, Edward.

- Sabe? – balbuciei.

- É a Bella, não é?

- Quem te contou sobre isso?

- Por favor, não brigue com os meninos. Eu meio que... tirei deles.

- É, não duvido que você tenha feito isso.

- Na verdade, Jasper me falou. Emmett só disse que desconfiava, mas Jasper me confirmou que você estava apaixonado por ela e .. me falou que vocês se beijaram.

- Ele também te contou a parte que ela tem namorado? – perguntei, a decepção no meu tom de voz.

- Sim, também sei sobre isso. – ela pausou. – Edward, você sabia que Bella veio aqui no dia que você viajou?

- Como? – inquiri, pego de surpresa.

- Sim. Ela veio aqui, conversar com você. Irina que atendeu a porta. Ela estava com a prima, Alice.

- Mãe, você tem certeza? Como você sabe disso? Por que... por que Jasper não me falou sobre isso? – perguntei irritado.

- Calma, Edward. Jasper não sabia disso até então. Seus irmãos já tinham saído de casa naquele sábado quando elas estiveram a sua procura. Eles voltaram para casa, de Long Beach, dias depois, mas logo tiveram que pegar o vôo para Nova York, para a sua estréia. Eles não encontraram a Irina aqui. Foi só dias depois que seu pai e eu chegamos que vi o bilhete dela, avisando que duas moças estiveram perguntando por você, e que também conheciam Emm e Jazz. Entreguei o bilhete a Emmett, que de início não tinha idéia de quem poderiam ser, mas quando falei que elas perguntaram por você, ele rapidamente imaginou que se tratava de uma garota chamada Bella e a prima, Alice. Desconfiança confirmada por Irina quando Emmett deu as características das duas moças.

- O que você está me falando, mãe! — exclamei. Isso... eu não estava acreditando. Bella procurou por mim?

- Não demorou muito para que eu descobrisse toda a história, Edward. Emmett me falou que você trouxe Bella aqui, quando ela foi hospitalizada. Narrou a sua preocupação, a sua dedicação em cuidar dela. Inclusive, que você.. er... teve um pequeno desentendimento com o namorado dela. Eu fiquei preocupada com você a partir daí, que talvez você estivesse nutrindo sentimentos por uma garota comprometida, e então ouvi sem querer Jasper conversando com você pelo telefone então...

- Eu sabia que você tinha ouvido alguma coisa. – falei atordoado.

- Sim, me desculpe. Eu estava entrando no quarto de Jasper quando ouvi a palavra “Bella’ então continuei parada na porta. Me desculpe.

- Tudo bem, mãe. Você descobriria isso de qualquer forma.

- Você está sofrendo, que eu sei. – disse, triste.

- Não mandamos no coração, mãe. Aconteceu.

- E o que você pretende fazer?

- Não sei. Eu... essa história... er.. da Bella me procurar, me deixou confuso.

- Edward, você sabia que Emmett está saindo com a irmã dela, Rosalie?

- Er... sei que Emmett está encantado por ela. Ele nos falou isso várias vezes, e nós constatamos quando vimos os dois juntos.

- Ela vem jantar aqui em casa hoje, sabia?

- Que? Rosalie jantando aí? – perguntei descrente

- Sim. Acho que o que há entre eles está ficando sério. Seu irmão nunca nos apresentou nenhuma garota que ele estivesse saindo.

- Eu estou realmente surpreso com a velocidade das coisas. Mãe, por favor, não comente nada sobre... sobre a Bella e eu na frente da Rosalie. Ela viu quando nos beijamos e.. acho que não gostou.

- Eu sei, meu filho. Não se preocupe. Bem... preciso ir agora. Eu só queria que você soubesse que eu já sei de tudo.

- Tudo bem, mãe. Eu... não quero que fique preocupada comigo. Vou ficar bem.

- Eu espero que sim, meu filho. Espero que sim. Eu quero que você seja feliz.

- Obrigado, mãe. Amo você.

- Também o amo, Edward. Estou com muitas saudades. Tenha um bom dia. - falou desligando em seguida.

Eu estava confuso. Não. Eu estava atordoado.

Bella me procurou no dia seguinte.

Ela queria conversar comigo.

E eu não estava em casa. E estou aqui. E agora estou me matando por dentro.

Será que ela queria conversar sobre o fato de eu ter saído da casa dela daquele jeito? Ou seria pra dizer que o beijo foi um erro e que não podíamos ter feito isso? Será que ela estava brava? Mas e se ela estivesse bem com o beijo, como eu estava? E se ela não estivesse arrependida? Será que ela queria saber como ficaríamos depois do que fizemos? Será que Jasper está certo e que, afinal, ainda há esperanças?

Por que ela foi me procurar?

Essa era a pergunta que martelava a minha mente nos dias que se seguiram. Cada dia que se passava era mais difícil e insuportável. Eu estava ficando louco de curiosidade. Louco para obter as respostas para as minhas indagações. Era muito doloroso estar longe e não poder saber.

Eu iria procurá-la quando voltasse pra casa. Mas será que eu ia agüentar tanto tempo?

Não. Eu não podia esperar muito tempo.

Decidi que voltaria pra casa logo após o último dia em Syracuse, que por sinal, seria um dia antes do meu aniversário e o de Jasper. Um bom argumento para pedir ao David Gottan que permitisse minha ausência por alguns dias. David não se opôs, inclusive me intimou a participar de uma reunião que aconteceria no Espejo, e pediu-me para ficar em Sacramento por apenas dois dias, voando em seguida para o Colorado.

No mesmo dia, comprei on line minha passagem de volta para casa. Viajaria as dez da noite, uma hora e meia depois da apresentação.

Quando anunciei que voltaria, a família Cullen ficou extasiada. Minha mãe passou a fazer planos para o nosso aniversário e avisou que faria um jantar. Lógico que queria revê-los, em especial meus pais que eu estava com muitas saudades. Mas o que suscitou a minha visita prematura, sem dúvida, era o fato que eu precisava ver Bella, falar com ela.

Conversei com Jasper algumas vezes ao telefone, que se desculpou por não ter conhecimento da ida de Bella à nossa casa. Falei que não precisava se desculpar, até porque ele nem sabia disso. Confessei que estava voltando para casa por causa dela, que não agüentava esperar para vê-la, e ele me falara que já imaginava, que todos imaginavam. Fiquei surpreso. Pelo que parecia, todos em casa sabiam sobre Bella e eu. Jasper confirmou. Ele também narrara alguns momentos de Emmett e Rosalie, arrancando-me várias risadas. Parece que o negócio entre eles estava mesmo sério.

Já na cidade de Syracuse, fomos conhecer o Teatro da Universidade de Syracuse, local onde nos apresentaríamos. Aproveitei a oportunidade para conhecer o campus. Passei em alguns Departamentos, entre eles, o de Artes e Ciências e o de Medicina, demorando mais tempo neste último. Fiquei completamente atônito com a grandiosidade do departamento. Conheci o laboratório, a biblioteca, os centros de estudos. Procurei a secretaria em busca de informações sobre inscrição. Foi nesse momento que conheci Caius, um ex-estudante de Artes que resolveu mudar para a área da Medicina após experiência na ONG “Doctors of Joy” na ala de Pediatria do hospital universitário. Caius convidou-me para uma visita ao hospital conhecer o trabalho filantrópico, que acontecia sempre nas terças e quintas à tarde.

No dia seguinte, na terça, após os ensaios, dirigi-me ao hospital universitário de Syracuse. Não demorou muito para encontrar Caius, que me apresentou a equipe voluntária, composta de jovens estudantes de diversas áreas de atuação, mas a grande maioria estudantes de medicina. Revelei que o meu pai era médico e que por muitas vezes me pego pensando em optar pela Faculdade de Medicina também.Os incentivos após isso não foram poucos.

Na quinta, voltei ao hospital, aproveitei e os convidei para assistir a estréia da peça na cidade. E mesmo na sexta, que não era dia de “Doctors of Joy”, me vi de volta a ala pediátrica. Conversei com várias crianças nos leitos. Algumas com câncer, leucemia, HIV, e outras à espera de transplante. Mas o que mais chocava, estava na ala pediátrica de queimados. Crianças com o corpo praticamente todo tomado por queimaduras, algumas de até terceiro grau.

É incrível como as crianças ficam felizes com um simples gesto que você faz, ou uma simples palavra que você troca. Você é capaz de colher um sorriso delas num momento tão difícil sem fazer muito esforço.

Decidi que faria doações ao hospital mensalmente.

Nesse mesmo dia, depois da apresentação da peça, quando já estava no meu quarto lendo enquanto aguardava o sono chegar, recebi uma ligação da minha mãe avisando que gostaria de convidar três pessoas para o jantar na segunda à noite, mas que ela precisava da minha concordância. Gelei instantaneamente imaginando quem seriam.

- Você por acaso está falando da Bella?

- Sim. Dela, da Rosalie e da prima, Alice. Você sabe, Emmett está praticamente namorando Rose, seria indelicado não convidar as duas.

- Eu entendo. Er... mãe, eu gostaria de convidar a Bella se você não se importa. – hesitei ao falar.

- Claro que não, Edward. Mas... como você vai convidá-la? – perguntou confusa.

- Será que Jasper está por aí?

- Sim. Um minuto que vou chamá-lo.

Não muito tempo depois, Jasper atende o telefone.

- Fala, Edward. Ainda não acredito que você vai vir, cara. Passar o aniversário sem você não é a mesma coisa.

- Jazz, não vejo a hora de poder estar com vocês. Só mais dois dias.

- Sei o porquê dessa ansiedade toda. – ele riu.

- Mas ainda assim não posso criar muita expectativa, Jasper. Ela ainda tem compromisso com aquele... com aquele namorado dela. Er... eu fico pensando aqui... Rosalie nunca comentou nada sobre eu e a Bella?

- Por incrível que pareça não, Edward. Rosalie nunca comentou o fato de ter visto você e a Bella aos beijos, a não ser a Emmett. Mas... ela disse algo bem interessante esses dias.

- O que ela disse?

- Estávamos vendo um filme na sala outro dia, a protagonista sofre muito porque não pode assumir um grande amor por manter um relacionamento de fachada depois que descobre que o marido tem uma doença terminal. E... bem... a Rosalie disse algo que faz muito sentido.

- O que ela disse, Jasper. Desembucha!! – exclamei nervoso. Ele riu.

- Ela disse que não sabe se conseguiria ter a mesma atitude que a personagem e que admirava pessoas assim. E que... Edward, essa é a melhor parte. Ela disse que a irmã teve muita coragem quando fez algo parecido.

- O que tem de interessante nisso, Jasper? – inquiri confuso. – Quer dizer... muita lealdade por parte da Bella, é realmente admirável que ela....

Minha voz falhou quando a ficha caiu.

- Percebeu?

- Jasper, você... você acha que... que a Bella ainda está com aquele cara por causa da doença do pai dele? – perguntei pasmo.

- Foi o que Rosalie fez entender.

- Jasper. Você tem idéia que Mike foi o primeiro e último namorado dela? Que não houve outros?

- Sim, eu sei. Ontem, Rose esteve aqui e, pensei num meio de saber algo sobre a Bella. Puxei um papo casual sobre relacionamentos, primeiro namorado e .. consegui arrancar dela que Mike fora o primeiro namorado, e continua sendo.

- Você não pensou em perguntar a Rose sobre a Bella ter tomado essa atitude? Se isso é verdade mesmo?

- Edward, você não conhece essa mulher. Ela é dura na queda. Pra ela dizer que Bella só teve esse namorado demorou mais de uma hora de conversa.

Eu ri lembrando o jeito difícil da minha possível futura cunhada.

- Posso imaginar.

- Eu disse, Edward. Você mexeu com ela também.

- Vou ser o homem mais feliz do mundo se isso se confirmar, Jazz.

- Você pode começar a sondar segunda, no jantar. Já sabe que a mamãe quer convidá-la?

- Sim. Ela queria saber se eu me oporia. Claro que eu gosto da idéia, mas... eu estou com receio. Na verdade estou com medo.

- De que? – perguntou-me.

- De não ser correspondido.

- Você só vai saber a verdade encarando-a, Edward. Vocês precisam conversar.

- Eu sei.

- Eu estou otimista. Acho que ela vem. Emmett vai ligar para a Rosalie amanhã, convidando-as para o jantar de segunda.

- Jasper, foi por isso que pedi para falar com você. Eu quero fazer o convite a Bella.

- Você? Como?

- Quero que você consiga o telefone dela. Vou criar coragem pra falar com ela. Não sei qual será a reação, mas eu mesmo quero fazer o convite.

- Você tem certeza?

- Sim, tenho.

- ok. Vou ver com Emmett. Vou pedir pra ele conseguir com Rosalie e Alice.

- Alice. Você tem visto ou falado com ela?

- Não. Desde que você foi embora não a vi.

- Sério? Achei que vocês eram amigos. – Na verdade acho que ambos acham o outro interessante, mas sabia que não podia explorar muito esse assunto com Jasper.

- Er... nós, sei lá. Perdemos o contato. Er, Edward eu vou indo. Liga amanhã? — mudou de assunto. Essa era a tática de Jasper. Fugir.

- Claro, claro. Por favor, diga a Emmett que peça a Rose e Alice que não diga nada a Bella.

- Pode deixar. Boa noite, Ed.

- Boa noite, Jazz. – despedi-me.

Não consegui dormir aquela noite. Minha mente estava completamente tomada por pensamentos relacionados a Bella e ao que Jasper havia dito.

Será que ela tinha feito mesmo isso?

Pela primeira vez em mais de um mês, meu coração estava esperançoso.

Não me segurei e liguei logo cedo para casa, querendo falar com Emmett.

Pedi a ele que ligasse para Rosalie aquela manhã, convidado ela e Alice para o jantar, mas que deixasse que eu mesmo fizesse o convite a Bella, pedindo-as para não falar nada a ela. Também falei que precisava do número de Bella, e que ele falasse com Alice, pois seria difícil conseguir com Rose.

No dia seguinte, no domingo, um dia antes de voltar para casa, Jasper me liga informando o número do telefone de Bella, ele também me dissera que Alice pediu muito o meu número, e que ele acabou passando.

Passei a tarde arrumando as minhas malas, criando coragem de ligar pra ela. Por várias vezes apertei a tecla send, desligando antes mesmo que pudesse chamar. Sim, eu estava sendo covarde.

Eu estava desesperado e sem saber o que fazer, porque na verdade eu não conseguia me concentrar em nada. Eis que o meu telefone toca. Atendi logo no segundo toque.

- Alô?

- AAAAAHAHHHHHHHH Edward!!! Como você está? Estou sabendo que vou ver você amanhã. Pediram-me para não avisar a Bella que você está vindo, que você vai convidá-la. Edward, eu não estou agüentando me segurar! – Esqueci o quanto Alice era animada e tagarela.

- Alice. Como você est...

- Jasper me deu o seu número. Espero que não se importe. E amanhã? Ai Edward. Nem acredito que você vai estar aqui.

- Alice, por favor, não diga nada a Bella! Eu... eu realmente preciso falar com ela.

- Agora? Ela está no quarto. Só um minuto que vou passar pra ela.

- NÃO!! – gritei.

- Por quê? – perguntou confusa. O que eu ia falar pra ela? Será que Alice sabia sobre o que houve entre Bella e eu?

- Eu... ai, Alice. Não sei.. não... eu...

- Você está receoso porque não fala com ela desde que vocês se beijaram e você saiu daqui daquele jeito? – Alice era muito sincera.

- Sim. – respondi envergonhado.

- Edward. Vou te dizer uma coisa. Eu realmente não entendo por que você fez isso, mas olha... eu garanto que Bella vai adorar falar com você.

- Você acha?

- Claro, Edward. Eu não posso falar muita coisa. Bella me mataria se eu te dissesse as coisas que eu realmente quero falar. O que eu posso te dizer no momento é isso.

- Eu quero falar com ela. Mas eu realmente gostaria que fosse pessoalmente.

- Entendo. Quando você chega? Ainda hoje?

- Nesta madrugada.

- Talvez você tenha razão. Venha amanhã, depois das três, quando Bella tiver chegado da escola.

- Sim, eu irei. Só acho que ficará um pouco em cima da hora. Mas é o único jeito que eu posso fazer isso.

- Ela vai entender, Edward.

- Er... o namorado dela.. ele, vai estar aí? – perguntei hesitante.

- Aquele idiota? Não. Ele mal vem aqui. O pai dele está no hospital.

- Hmmm.

- Não se preocupe, Edward. Mike é o de menos nessa história. - lembrei-me do que Jasper me falara sobre o comentário de Rose. Talvez Alice me revelasse algo se eu tentar sondar.

- Er... Alice. Posso te fazer uma pergunta?

- Claro, Edward. O que foi?

- Bella... ela... ela ainda... ela só está namorando o Mike por causa da doença do pai dele? Isso é verdade?

- Como você sabe? Quem te contou? – Bingo!!!

- Era tudo que eu queria saber. Sua reação disse tudo!

- Ai, meu deus. Bella vai me matar, Edward!! Por favor, não fala isso pra ninguém.

- Não se preocupe, Alice. Nosso segredo.

Eu estava tão exasperado com a revelação de Alice que sentia meu coração sair pela boca. Procurava palavras que nomeassem os sentimentos que se apossaram de mim. Sem sucesso. Mas ainda tinha tantas perguntas.

- Alice. Eu... eu preciso te dizer uma coisa.

- O que?

- Eu... estou...

- Está apaixonado por ela?

Engoli em seco. Ela me pegou de baixar guarda.

- Eu sempre soube disso, Edward. Não posso te falar mais do que minha boca já soltou. Mas posso te aconselhar. Não desista dela.

­- Não vou Alice. Mas vou respeitar a decisão dela sobre... em relação a Mike.

- Isso não vai durar muito tempo, Edward. Bella não vai agüentar manter isso por mais tempo.

- Eu... vou esperar ela estar completamente livre. Dessa vez quero fazer as coisas direito. Não que me arrependo de tê-la beijado, mas não quero que ela sinta como se isso fosse errado, um erro.

- Ai, Edward. Como torço por vocês!! – revelou animada.

- Obrigado, Alice. Sei que posso contar com vocês. Eu agora tenho que ir, preciso sair. Até amanhã Alice.

- Até amanhã, Edward.

Desliguei o telefone e fui para o teatro.

Ansioso como estava, as horas não pareciam passar.

Não acreditei quando estava no assento do avião, só a algumas horas de Sacramento.

Tentei dormir, mas estava realmente difícil com a emoção que me consumia. Eu até esquecera que já era meu aniversário.

No desembarque, estava minha mãe e Jasper à minha espera. Abracei o meu irmão, parabenizando-o pelo nosso dia. Demorei-me abraçado a minha mãe, cujos meses separados por um vasto oceano deixou-me com imensas saudades. Eu estava feliz demais em vê-los depois de tanto tempo. Sabia que meu pai estaria de plantão por isso não podia ir até o aeroporto, mas quis saber onde estava Emmett, perguntando se ele estava dormindo. Ambos riram, dizendo que ele estava fazendo tudo, menos dormir aquele momento. Eu ri, vendo minha mãe falar sobre isso tão naturalmente.

Era tão bom estar no conforto da minha casa. Eu estava extremamente cansado com a rotina da peça, que me desgastou muito. Em pensar que ainda havia dois meses pela frente. Porém, embora estafante, era extraordinariamente gratificante atuar.

Assim que pus os pés no meu quarto, imagens de Bella assolaram minha memória. Quando ela esteve aqui, dormindo, quando nós conversamos, quando assistimos o filme, quando a vi sair do banho com o cheiro forte de morangos incensando todo o cômodo.

As noites mal dormidas e o cansaço me derrubaram na cama. Acordei algum tempo depois com Emmett me ligando do trabalho, me parabenizando e desculpando-se por não ter ido ao aeroporto.

Depois da ligação de Emmett, fiquei no quarto decidindo se ligaria ou não para Bella. Resolvi que não ligaria e aparecia na casa dela mesmo, para conversar pessoalmente. Por mais que eu estivesse extremamente receoso da sua reação quando me visse.

Recebi algumas ligações de Londres, dos meus amigos. E fiquei muito surpreso com a ligação do meu avô. Após o almoço, despedi-me de minha mãe, que sairia para encontrar Jasper no shopping, e subi novamente ao meu quarto para trocar de roupa. Eu queria ir ao hospital fazer uma surpresa ao meu pai. Como eu iria na casa de Bella e em seguida para o Espejo, só teria oportunidade de vê-lo à noite, na hora do jantar, e eu não queria esperar tanto tempo. Precisava revelar a ele que já decidi qual faculdade faria. Queria que ele fosse o primeiro a saber.

Tirei o Volvo da garagem, depois de mais de um mês sem usá-lo, e o beijei. Também senti a falta dele durante esses dias. Liguei o motor e dirigi até o hospital. Deixei o carro no estacionamento e caminhei até a recepção. Pedi para chamarem o Dr. Cullen, e dissessem que o filho dele estava à sua espera, sem anunciar meu nome.

Assim que ele me viu, abriu um largo sorriso e caminhei ao seu encontro. Demoramos muito tempo ali abraçados. Nunca fiquei tanto tempo sem falar ou ver o meu pai. Seus plantões me impediam de falar com ele por telefone por mais tempo que gostaríamos.

Quando revelei que decidi fazer faculdade de Medicina, ele ficara tão emocionado que não conteve a lágrima que caiu dos olhos. Falei que ainda estava pensando na área, contando a experiência no hospital de Syracuse, e que talvez optasse pela Pediatria. Pediu-me para acompanhá-lo num tour pelo hospital, e assim o fiz.

Carlisle espalhou por todo hospital que eu seguiria os seus passos, podia ver o quanto ele estava orgulhoso disso. Ele me levou a ala Pediátrica que, segundo ele mesmo, baseado no que eu dissera, seria o meu futuro local de trabalho. Sorri com a imagem de um futuro próximo, onde eu poderia ajudar de alguma forma aquelas crianças, utilizando os conhecimentos adquiridos com a profissão para curá-las do sofrimento que lhes eram causados.

Depois de algum tempo, me dei conta que se passavam das três da tarde e eu precisava passar na casa de Bella, que já devia ter chegado da escola. Senti um nervoso, o que não passou despercebido pelo meu pai, enquanto caminhávamos pelo corredor. Eu sabia que ele sabia sobre Bella. Parecia que ela era o assunto preferido da casa.

Parei para me despedir dele, que pediu-me para ter paciência, que as coisas dariam certo no tempo certo. E enquanto ele falava, de repente inclinei a minha cabeça e olhei para o lado.

Não consegui acreditar no que vi. Pisquei algumas vezes para ter certeza de que era real, que ela realmente estava ali.

E era ela. Na minha frente. A garota que entrou na minha vida e no meu coração, ocupando cada minúscula célula do meu corpo. Senti instantaneamente como se as pernas estivessem bambas, minha freqüência cardíaca e a minha respiração alteradas. Minha cabeça estava um turbilhão de emoções.

O tempo pareceu congelar no momento em que o meu olhar encontrou o dela. Intensamente. Podia ver as bolsas escuras alojadas logo abaixo dos seus olhos, como se ela não tivesse dormido bem, mas isso não era um impedimento para que eu não achasse que ela parecia estar ainda mais linda que a última vez que a vi.

Estava tendo um pouco de dificuldade para contemplá-la, porque eu estava irracionalmente deslumbrado. Reconhecia o fascínio por ela cada vez maior dentro de mim. Com cada fibra do meu ser, eu a queria, como nunca quis tanto alguém assim. Era um sentimento puro, forte, verdadeiro.

Bella derrubara algo no chão, mas eu não conseguia desviar os meus olhos dela, até que eu percebi o líquido escorrendo pelo chão. Café. Foi o que caíra. Recuperei o controle das pernas e segui Carlisle quando ele aproximou-se dela e de uma senhora que estava a seu lado.

Bella parecia espantada, uma reação não muito diferente da minha, como se não acreditasse que estava me vendo. Eu não sabia bem o que dizer agora, uma vez que eu ainda estava me preparando para encará-la, mas com o encontro inesperado, eu precisava iniciar alguma conversa.

Eu a ouvi gaguejar, quando meu pai falou com ela, avisando que não se preocupasse com o café derramado. Não sei explicar com palavras as sensações que me assaltaram ao ouvir a voz dela depois de tantas semanas. Eu sabia que não conseguiria ficar tanto tempo sem ouvir aquela voz de novo.

E então eu a cumprimentei, porém a chamei de Isabella. Será que eu estava sendo muito formal? Eu estava sem reação, não sabia o que fazer ou dizer direito. Mas a vi gaguejar outra vez, indicando que eu não era o único sem saber o que dizer ali.

Fiquei agitado quando meu pai ligou o nome à pessoa, perguntando-me se era a mesma Bella que ele tanto ouvira em casa. Claro que ele não fez por mal, mas não me ajudou nenhum pouco enquanto o que eu mais precisava era acalmar meus batimentos cardíacos. Pela sua expressão confusa, sabia que Bella estava se perguntando sobre o que exatamente o meu pai sabia. Carlisle apresentou-se a ela, e no instante em que vi a mão dela tocar a dele, não pude deixar de regozijar com a cena. Bella já sabia alguns de meus gostos, sabia parte da minha vida, conheceu minha casa, meus irmãos, meu pai e agora só faltava conhecer a minha mãe, e eu esperava sinceramente que a oportunidade fosse hoje, no jantar.

Mesmo sem nenhum esforço, ela já ocupava quase todos os espaços da minha vida. Mas ainda era pouco, pois o lugar em que eu mais precisava que ela ocupasse, ela não poderia, infelizmente. Porque para isso ela precisaria estar livre.

Minutos mais tarde, estávamos a sós. O silêncio perturbador nos fazendo companhia. Eu olhava para Bella, que por sua vez não olhava para mim. Hesitante? Nervosa? Chateada? O que será isso? Sabia que um de nós dois teria que quebrar o silêncio, ou eu morreria de dúvidas.

Eu a vi morder os lábios e fitar as mãos, e então tive certeza: ela estava nervosa. Eu a conhecia há pouco tempo, mas o suficiente para reconhecer que essa era uma de suas reações quando os nervos a tomavam.

Decidi ser eu a quebrar o silêncio, perguntando como ela estava. Finalmente ela olhou para mim, respondendo. Conversamos um pouco, mas a conversa inicialmente era mais sobre mim, sobre os dias que passei fora. Fui surpreendido quando ela lembrou que hoje era o meu aniversário, engolindo em seco e desviando meus olhos dela quando ela mencionou lembrar de tudo. Sabia a que ela se referia e tinha certeza que era sobre o nosso beijo.

Sabia que não podia esperar mais, que aquele era o momento para conversar sobre o assunto. Passei nervosamente as mãos pelos cabelos e olhei novamente para ela, confessando que estava há horas decidindo se ligaria ou a visitaria em casa para convidá-la para jantar na minha casa, que Alice e Rosalie já sabiam e que também estariam... mas antes que eu pudesse ouvir sua resposta, uma voz que eu bem conhecera e que tinha se tornado o meu tormento, ecoou no final do corredor.

Mike.

Pelo que eu pude notar no seu semblante, ele não gostou nenhum pouco de me ver ali. Mas pela primeira vez desde que eu o conheci, eu não senti raiva ou estava aborrecido por ele nos interromper. Eu senti... pena. Mike parecia derrotado, triste, definitivamente, ele estava sofrendo com a situação do pai. E tinha o namoro falido que Bella mantinha por consideração a ele.

Despedi-me rapidamente de Bella, sabendo que a nossa conversa infelizmente ficaria para outra hora, avisando através dos meus olhos que eu gostaria muito que fosse à minha casa. Esperava sinceramente que ela tivesse entendido.

Sai do hospital direto para a reunião no Espejo. Os sócios, professores e toda a equipe que não viajara conosco, estava presente. Todos me parabenizando pelo sucesso e aceitação do público lá fora.

Eu sabia que uma das pautas da reunião seria a contratação dos novos componentes do grupo escolhidos após os testes realizados há mais de um mês. Não conseguia esconder minha ansiedade pela Bella, esperando encontrar o nome dela entre os cinco nomes que figuravam a lista. A companhia de teatro se expandia, e era uma porta para novos talentos, mas precisava renovar anualmente o elenco.

- Bem... – começou a Sra. Presley, uma das professoras de teatro, após algum tempo do início da reunião. –, como é do conhecimento de todos, vamos anunciar os novos alunos. Após um mês de avaliação, nossa equipe indicou cinco nomes que, na nossa opinião, atenderam aos critérios exigidos pela política da Companhia Espejo.

Senti meu coração acelerar.

“Nós somos um grupo sério, que não está aqui por brincadeira, talvez por lazer, mas especialmente por amor ao que fazemos. Somos bem vistos lá fora, não é à toa que por muitas vezes servimos como porta para aqueles que estão em busca de novos talentos, em busca daqueles que poderão tornar-se futuros astros do cinema. E atendendo aos critérios: talento, dicção, boa aparência, presença de palco e simpatia, selecionamos, por ordem alfabética: Anne Fawcett, Brian Nash, Scott Jason, Isabella Swan e Paola Statham, que irão...”

Isabella Swan. Bella conseguiu. Eu sabia.

Eu estava em estado de graça. Não me importei em abrir um largo sorriso assim que ouvira pronunciar o nome dela.

- ... e ao final dessa semana, entraremos em contato, para que os mesmos possam estar iniciando as aulas a partir da próxima semana. Por hoje é só. – concluíra a Sra. Presley.

Bella. Bella no Espejo comigo. Eu sabia que ela conseguiria.

Pena que ela começaria logo agora que eu ainda não posso estar aqui.

Estavam todos levantando dos seus respectivos assentos, inclusive eu, quando ouvi o Sr. Jones, um dos sócios, chamar-me.

- Edward, será que você podia ficar mais um pouco? Gostaria de falar com você um minuto.

- Er.. claro. – respondi.

Quando a sala estava vazia, ele aproximou-se de mim.

- Tenho uma proposta pra te fazer. Mas ainda não tem nada concreto, mas posso te adiantar que é coisa boa.

- Proposta? – perguntei, franzindo a testa.

- Vou te encontrar no Colorado em alguns dias, preciso falar com David antes de te propor, por isso não vou te dar mais detalhes. – tentou explicar.

- Er.. bem.. então, vou esperar que você possa me dizer o que é.

- Claro, claro. É que estou muito otimista, Edward, e sei que você é uma boa pra esse projeto.

- Bom.. seja lá o que for, obrigado? – falei, soando como uma pergunta.

- De nada. Agora deixa eu ir que preciso organizar minhas coisas. Estou indo para Londres amanhã, ver esse projeto.

- Agora estou curioso. É em Londres?

- Você saberá, Edward. – disse, rindo enquanto saía.

Sacudi a cabeça e encaminhei-me para a saída.

Na porta, do lado de fora do Espejo, estava Leah, umas das componentes do grupo, aluna antiga. Ela parecia impaciente, com os dois braços cruzados no peito, olhando para ambos os lados da rua. Acho que esperava alguém.

- Oi, Leah.

Ela deu um pulo, na certa se assustou ao ouvir minha voz.

- Desculpa. Não foi minha intenção te assustar. – expliquei.

- Tudo bem, Edward. – ela riu. – E aí como você está? Nem deu tempo de conversar com você por causa da reunião.

- Estou bem. Aproveitando os dois dias para descansar. Viajar com a peça é... puxado.

- Imagino. Da próxima vez serei eu... se tudo der certo com a próxima turnê.

- Soube que você foi escalada. Fiquei feliz com a notícia.

- Eu nem acredito! – exclamou animada. – Vamos trabalhar o roteiro logo. Ano que vem ela tem que sair com todo vapor.

- Olha... ainda bem que o Espejo planeja lançar apenas duas peças por ano para sair em turnê, e eu sei que não estarei na próxima. Não agüentaria um ritmo maior que isso.

Rimos.

- Bom, vou indo. Você... está esperando alguém, quer carona? – perguntei.

- Sim, estou esperando James, o meu namorado, que está atrasado por sinal – respondeu irritada, olhando o relógio.

- OK. Boa sorte.. na espera. Até mais.

- Até logo Edward.

Fui até meu carro e assim que sentei no banco, ouvi um carro entrar com tudo na rua, cantando pneu. Observei um loiro alto sair do conversível preto, com um buquê de rosas na mão, caminhar até onde Leah estava. Ele a agarrou pela cintura ignorando as leves tapas que ela dava no seu braço, e logo constatei que se tratava do namorado.

Dei partida e voltei para casa.

Assim que coloquei os pés na sala, vejo um Jasper atarantado descendo as escadas.

- Edward, você esqueceu o celular na cozinha. Ele estava tocando ainda agora.

- Esqueci? Não tinha percebido. Vou ver quem era. – falei, virando-me para ir à cozinha.

- Era Alice, me desculpa, mas como ela insistiu e eu vi que era o nome dela no visor, atendi. Cara! Você não imagina o que eu tenho pra te dizer. – ele disse, estava com um enorme sorriso no rosto.

- Alice? O que aconteceu Jasper? – perguntei ansioso.

- Bella terminou o namoro com Mike.

Arregalei os olhos, de surpresa. Eu simplesmente não consegui dizer nada, nem muito menos processar o que Jasper acabara de me dizer.

Eu ouvi mesmo certo?

- Edward, você ouviu?

- Jasper... você pode repetir o que disse?

- Bella. Terminou.O.Namoro.Com.Mike. – disse pausadamente.

E então abri um sorriso. Um sorriso que nunca em minha vida eu compartilhei antes. Era um sorriso de alegria, de alívio, de libertação...era um sorriso de um homem apaixonado.

Coloquei as minhas duas mãos na cabeça, mexendo freneticamente nos meus cabelos. Eu tentei sair dali, da sala, mas voltei em seguida, porque eu não sabia o que fazer naquele momento. Eu estava decidindo se corria para o lado de fora e começasse a gritar, ou se abraçava Jasper, ou se eu ligava para Alice ou se eu simplesmente ligaria para Bella. Mas não consegui nada além de ficar lá plantado no centro da sala, olhando para Jasper.

- Edward, você está bem? – perguntou, rindo do meu estado de inércia.

- Caralho, Jasper. Eu... Cristo! Bella está livre!!! – exclamei.

- Sim, cara! Bella está solteira.

- Eu ouvi bem? Minha futura cunhada está solteira? – ouvi Emmett perguntar ao entrar na sala, vindo do trabalho.

- Alice acabou de dar a notícia por telefone. – respondeu Jasper.

- Ora, ora... Foi só Edward voltar para casa e a nossa alcoolatrazinha preferida já deu um pé na bunda daquele loser!!

- Emmett!! – adverti.

- Ok, ok. Não está aqui quem falou. Mas posso dar um abraço no aniversariante do dia? Jasper já recebeu o dele pela manhã.

Eu ri e o abracei. Emmett podia ser um idiota às vezes, mas era praticamente impossível ficar aborrecido com ele.

Ele não perdeu a oportunidade de me jogar no chão, fazendo montinho, e logo um Jasper também estava por cima de nós, como fazíamos quando crianças.

- Eu não quero cortar o divertimento, mas devo dizer que já está na hora de vocês começarem a se arrumar para o jantar. – disse minha mãe, vindo da cozinha.

- A mãe, só estamos comemorando a notícia. – informou Emmett.

- Notícia? – indagou.

Uma hora ela saberia, então achei melhor falar logo.

- Er... Bella.. terminou o namoro.

Ela arregalou os olhos, engolindo em seco, claramente surpresa.

- Edward!! – falou, colocando a mão na boca.

- Eu sei mãe. Er... isso foi uma ótima notícia. Para mim, pelo menos. – falei, incerto.

- Não. Claro que é uma ótima notícia, eu só.. não esperava ouvir isso, tão cedo pelo menos. – falou finalmente sorrindo, deixando-me aliviado.

- É.. eu também estou surpreso.

- Agora é com vocês, Edward. – disse-me Jasper.

- Vai que é tua, mano. Eu sabia que ia rolar algo desde aquele dia que ela esteve aqui. Tem escrito na testa de vocês: eu estou apaixonado. – disse Emmett, soltando uma gargalhada.

Todos riram.

- Eu preciso conversar com ela, em primeiro lugar. Ela livre não quer dizer que.. que ela queira algo comigo. – falei. Apesar da euforia, teria que ter paciência e esperar a atitude de Bella, não podia criar expectativas por enquanto.

- Edward tem razão, Emmett. – murmurou minha mãe. – Ele precisa conversar com ela primeiro. Eles precisam falar sobre o que aconteceu, sobre o que estão sentindo um pelo outro.

- Ela vai vir? Você falou com ela? – perguntou Jazz.

- Eu a encontrei no hospital, uma longa história. Mas deu tempo de falar sobre o jantar antes do namorado dela chegar e... – fiquei pensativo de repente. – Hmmm. Acho que a Bella terminou o namoro no hospital, quando os deixei sozinhos. Será que ele... falou algo, por ter me encontrado com ela, ela se irritou e por isso terminou? – perguntei, na verdade para mim mesmo.

- Que?Não estou entendendo nada, Edward.

- Alice. Preciso ligar para Alice. Cadê o meu celular Jazz? – perguntei.

- Eu coloquei no seu quarto.

Subi as escadas correndo e entrei no quarto como um foguete, caçando o celular, encontrado-o na escrivaninha.

Procurei o nome de Alice na agenda, ligando em seguida.

- Alô? Edward?

- Sim, Alice, sou eu.

- Jasper te contou? – perguntou quase aos gritos.

- Sim. É por isso que estou te ligando. Como... como Bella está? Depois do .. fim?

- Ela está ótima, Edward. Eu disse a você, ela não agüentava mais continuar com isso. – senti um alívio.

- Ela... vai vir hoje à noite? – perguntei, com cautela.

- Claro que ela vai, deve estar no banho nesse momento.

- Eu... eu acabei encontrando-a no hospital, mas nem tivemos tempo de conversar direito. Não sei como agir depois dessa notícia.Eu estou feliz, mas não quero deixá-la desconfortável, eu .. não sei o que fazer Alice. – confessei nervoso.

- Edward. Vou te dar mais um conselho, mas antes preciso te perguntar uma coisa.

- Sim?

- Você quer estar com a Bella? Digo... assumir um compromisso, namorar, essas coisas?

- C-claro. Eu, você sabe dos meus sentimentos, Alice. – respondi, um pouco envergonhado.

- Então faça o que o seu coração mandar, Edward. Não tenha medo. Faça o que ele pedir.

Fiquei calado por longos segundos, tomando como um mantra o que Alice dissera: “Faça o que o seu coração mandar”.

- Edward? — perguntou após meu silêncio.

- Alice, você acha uma má idéia se eu for buscar Bella em casa?

- Claro que não, Edward. Isso pode ser o primeiro passo.

- Não diga nada a ela, Alice. Vou buscá-la.

- Minha boca é um túmulo. Agora me deixa desligar o celular que eu preciso me arrumar. Vou pedir a Rose para sairmos sem que a Bella saiba.

- Obrigado, Alice.

- De nada, Ed. Boa sorte.

Desliguei o celular e corri para o banheiro. Não demorei muito tempo no banho, porque precisava chegar à casa de Bella a tempo. Minutos mais tarde, estava pronto, saindo para a garagem, pegando meu carro.

Liguei o som para tentar relaxar, enquanto dirigia rápido. E não demorou, estava na frente da residência dos Swan. Desliguei o som do carro e suspirei, preparando-me para sair do carro. Fiquei um tempo parado, encostado na porta do carro, pensando nas palavras que eu usaria quando a visse. Será que era uma boa falar que eu já sabia do fim do namoro dela?

Foi repentinamente que vi a porta da casa se abrir, revelando uma Bella linda e estonteante num vestido rosa. Meus olhos se arregalaram e a minha respiração sumiu com a visão.

Sim, eu ouviria o meu coração.

Não sei se Bella estava surpresa ou assustada quando falei, oferecendo-me para levá-la. Ela estava parada, não falou nada. Então me desculpei pela forma como a abordei. Quando ela enfim sibilou alguma coisa, senti uma vontade enorme de caminhar até ela, abraçá-la. Mais que qualquer coisa no mundo, eu queria sentir mais uma vez os lábios dela contra os meus, mas sabia que devia ir devagar.

Não hesitei em elogiá-la. Bella realmente estava muito bonita, apesar de não precisar de nenhum vestido novo ou maquiagem para demonstrar isso. Eu tive vontade de rir quando ela mencionara que não tinha presente. E eu não pude deixar de confessá-la que o meu presente era ela, a presença dela. Ela apenas me olhou, por um longo momento.

Já no carro, o mesmo silêncio. Eu estava começando a ficar preocupado. Será que eu estava me precipitando? Será que foi uma boa idéia vir buscá-la? Eu não queria pressioná-la a nada, mas eu precisava demonstrar, confessar os meus sentimentos por ela antes de ir embora.

Tentei puxar um assunto qualquer e logo nos vimos conversando sobre Rose e Emmett. Assim como da outra vez, quando ela estava em minha casa, mais uma vez ela tentava dizer que não era tão linda quanto à irmã, subestimando a própria beleza, dizendo que loiras chamavam mais a atenção. Encerrei o assunto dizendo que preferia as morenas.

Meu celular tocou algumas vezes, ligação de Londres. Mas estava chiando muito e caía quando eu atendia. Tentei pensar em quem poderia ser, mas não conseguia imaginar quem seria, já que as pessoas prováveis já haviam feito isso mais cedo. Relaxei e continuei dirigindo, chegando em casa minutos mais tarde.

Assim que entramos na sala, meus pais vieram ao nosso encontro. Pelo sorriso largo na face, pude notar que a minha mãe estava feliz em finalmente conhecer Bella. Apresentei as duas, e logo estávamos interagindo com os demais, inclusive Alice e Rosalie, que já estavam lá.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

Quando nos reunimos à mesa, meu pai revelou a todos a minha decisão de fazer medicina. Vi Bella me olhar, com surpresa e contentamento.

O jantar fora tranqüilo, exceto pelo comentário de Emmett sobre o fato da Bella ter terminando o namoro. Vi suas faces enrubescerem, sinal de que ela estava envergonhada. Claro, ela não imaginava que todos nós já sabíamos. Mas esse não foi o pior. Emmett falara que Tanya me ligou. Instantaneamente olhei para Bella, percebendo que ela ficara desanimada. Ela sabia quem era Tanya, falei que ela tinha sido minha namorada.

Tentei consertar, demonstrando irritação por Emmett ter dado o número do meu celular a ela. Na verdade eu realmente não gostei disso. Embora Tanya e eu terminamos o namoro amigavelmente, não éramos amigos. Ela não precisa ter o meu número de celular. Senti um imenso alívio quando meu pai mudou de assunto.

Após o jantar fomos para a enorme sala. No final, restávamos apenas eu, Bella, Alice e Jasper, sentados na frente da tv. Eu estava tentando criar coragem para chamar Bella para conversar, mas não sabia como fazer isso. Eis que Jasper dá uma forcinha, mesmo não intencional, colocando um filme que Bella e eu já havíamos assistido. Perguntei a Bella se ela queria dar uma volta, que aceitou de imediato.

Fomos para o exterior da casa. Queria conversar onde ninguém e nada pudesse atrapalhar nossa conversa, então a levei para perto do lago.

Eu já não suportava guardar o que eu sentia por ela, precisava dizer como me sentia e assim o fiz. Fui sincero, confessando que não agüentava mais ficar longe dela, enquanto tocava o seu rosto, me aproximando do seu corpo. Fui pego totalmente de surpresa pela reação dela. Eu sempre quis acreditar, na verdade eu sabia que, de uma forma ou de outra, ela sentia algo por mim. Mas não esperava ouvi-la dizer que ela também não queria ficar longe de mim. Não hoje, tão recente do término do namoro. Eu não esperava nada em troca, apenas confessar que eu me apaixonara por ela.

Podia sentir as centelhas, as faíscas que percorriam por todo o meu corpo quando a minha pele tocava a pele dela, por mais simples que fosse o toque. E quando nossos olhos se conectaram, brilhantes, conversando entre si, eu só queria uma coisa: que continuássemos o que começamos naquela sexta-feira de setembro.

E assim aconteceu. Aproximei vagarosamente nossos rostos, encostando delicadamente nossos lábios. Nossas bocas dançando na mais perfeita harmonia, como se tivessem nascido para isso. Nos beijávamos ininterruptamente, sem nos importar em nos afastar para respirar, porque não queríamos perder o contato. Desci minhas mãos pelas laterais do seu corpo, tentando estreitar qualquer espaço entre nós, e fiquei internamente feliz por ela permitir mais uma vez a minha língua invadir a sua boca.

As horas se passavam, mas não tínhamos qualquer preocupação com a passagem do tempo, que parecia ter parado, e ali só existia eu e ela, nada mais. Minhas mãos percorrendo cautelosamente as suas costas e as dela nos meus cabelos, deixando-me louco. Sabia que precisava diminuir o ritmo, antes que a minha excitação tornasse notável.

Quando infelizmente paramos os beijo, aproveitei para me desculpar pela atitude de Emmett no jantar. Bella disse que eu não precisava me desculpar, que ela não estava chateada nem nada, mas só surpresa. Rimos quando ela adivinhara que fora Alice a nos contar, mas mostrou-se irritada e ao mesmo tempo envergonhada por Alice ter me falado o fato dela ter mantido o namoro por mais tempo por causa da doença do pai de Mike. Ela parecia triste de repente, e me dissera que brincou com os sentimentos dele. Eu tentei fazê-la mudar de idéia, dizendo que, ao contrário, ela tivera uma atitude muito nobre.

Eu a puxei para mim, abraçando-a. E fui assaltado de surpresa quando ela me perguntara o que aconteceria com nós dois a partir dali, porque eu não imaginei que falaríamos de namoro tão cedo.

Era possível alguém explodir de felicidade? Se sim, eu estava prestes a explodir, de tanta alegria que parecia não caber dentro de mim. Namorando. Nós agora estávamos namorando.

Voltamos a nos beijar com tamanha intensidade por uma imensidão de tempo, nos afastando apenas quando o ar faltou em nossos pulmões, porque se dependesse de nós, de mim, não pararíamos nunca. Eu já estava viciado demais em beijá-la.

Conversamos mais um pouco, eu prometi que a veria sempre que desse. E assim o faria. Quando estivesse de volta a temporada com a peça, eu sabia que teria dias em que ficaria ocioso, e nesses dias eu voaria para cá, para ficar com ela.

Bella me pediu para que guardássemos segredo, pelo menos por enquanto. Eu concordei, sabendo que era cedo demais, já que ela terminara um namoro em menos de vinte e quatro horas. Combinamos contar apenas para a nossa família.

Eu queria ficar mais tempo com ela, passar todos os dias juntos, conhecer os seus pais, apresentar-me como namorado, mas sabia que teria que ser paciente.

Voltamos para a casa, certa hora da noite e nos juntamos a Alice e Jasper, assistindo o final do filme. Quando enfim acabou, Alice percebeu nossas mãos entrelaçadas e começou a gritar, chamando a atenção dos outros. Logo a sala estava cheia novamente. Aproveitamos, Bella e eu, para anunciar que éramos oficialmente namorados.

Despedir-me de Bella foi difícil. Queria ficar com ela, abraçando, beijando, mas já era tarde e ela precisava voltar pra casa. Passei o número do meu celular, que Bella ainda não tinha, e dei um beijo de despedida. Nos veríamos no dia seguinte, na minha casa, quando ela largasse da escola.

Assim que o carro de Rosalie sumiu na rua, corri para o meu quarto. Tomei um longo banho, sorrindo bobamente, lembrando os acontecimentos do dia, da noite. Sai do banheiro um tempo depois, vestindo a cueca boxer e caindo na cama, ansioso para chegar logo o dia seguinte e eu pudesse estar com ela novamente.

Peguei no sono rapidamente, mas acordei cedo. A expectativa para ver Bella o quanto antes era maior que o sono. Pela hora, sabia que ela estaria saindo para a escola nesse momento. Peguei o meu celular e decidi mandar uma mensagem, dizendo que estava com saudades. Não demorou muito e eu recebia uma resposta. Bella dizia que também estava com saudades e que logo estaria aqui comigo. Sorri apaixonado com o ‘beijos’ que ela escreveu no final. Enviei outra mensagem, e esperei uma resposta que não veio. Talvez ela já estivesse em sala de aula. Depositei em seguida o celular no criado mudo, saindo do quarto, indo para o andar de baixo tomar o café da manhã.

Assim que entrei na cozinha, encontro minha mãe.

- Bom dia, mãe.

- Bom dia, Edward. Nem preciso falar, nem perguntar nada. O seu rosto responde qualquer pergunta que eu venha fazer sobre ontem.

- É, mãe. Eu estou feliz. Sinto como se tirasse uma trava do peito, sabe? Não sei explicar, sei que é muito bom.

- Sei bem como é. Isso é amor.

- Não sei se já a amo. Mas... se não, está encaminhando para isso. Só sei que... já estou com muitas saudades dela.

- Você vai saber se é amor.

Conversamos mais um pouco sobre o dia anterior, contando para ela sobre o que conversamos e o que eu pretendia fazer a partir de agora. Sei que minha viagem com a turnê vai impedir de nos vermos com a freqüência, mas não será um empecilho, uma vez que eu viria toda semana, nem que seja para passar um dia com ela. Algum tempo depois meu pai chegara à cozinha, assim como Jasper, juntando-se a nós na conversa.

Após o almoço, papai saiu para mais um plantão no hospital e Jasper foi para a faculdade. Restando apenas eu e minha mãe, já que Emmett também não estava, saindo bem mais cedo que os outros para o trabalho. Voltei para o quarto e arrumei tristemente as minhas malas. Depois, liguei a tv, tentando me fixar em algum canal, mas a verdade é que eu não queria nada além de Bella ali comigo.

Ouvi batidas na porta e em seguida minha mãe entrar.

- Edward, vou ao Centro de Assistência Social saber se estão precisando de mim, e de lá vou ao supermercado, ok? Chegarei um pouco tarde.

- Certo mãe. Vá tranqüila.

- Mas chegarei a tempo de levar você para o aeroporto. O vôo sai as onze, certo?

- Sim. Onze horas.

- Se não quiser me esperar para jantar, tudo bem para você se virar na cozinha?

- Claro, mãe. Já disse, vá tranqüila. – disse rindo.

- Certo. – ela riu. – Se eu não encontrar a Bella, diga que mandei um beijo.

- Mando sim senhora, dona Esme. – falei estendendo os braços para que ela se aproximasse da cama, e eu pudesse dar-lhe um abraço.

Minha mãe se foi, e agora eu estava sozinho em casa. Olhava constantemente as horas, que parecia nunca dar três horas.

Quando menos esperei, ouvi um bip no meu celular indicando que chegara uma mensagem. Abri rapidamente. Era de Bella, dizendo que só mais um pouquinho e ela estaria aqui, cobrando os beijos que eu havia prometido na mensagem anterior. Respondi quase que imediato, dizendo divertido que se ela não chegasse logo, eu iria buscá-la. Ela respondeu minutos depois, dizendo que já estava a caminho. Enviei outra mensagem e levantei da cama, correndo para o banheiro tomar um banho, antes que Bella chegasse.

Coloquei uma bermuda e uma camiseta. Feito isso, desci para a sala, ligando a tv. Senti meu coração palpitar quando ouvi um barulho de carro se aproximar, parando na frente da minha casa e revelando uma linda garota saindo do lado do motorista.

Enquanto ela ainda subia as escadas da varanda, abri a porta da entrada, dando-lhe meu melhor sorriso.

- Bella!!!. – exclamei ao vê-la, abraçando-a.

- Edward. Vim o mais rápido que pude.

- Eu sei, minha linda. – falei, depositando um beijo na sua cabeça.

- Não era esse tipo de beijo que eu estava esperando. – eu tive que rir, meus lábios ainda estavam nos seus cabelos.

Segurei o seu rosto, as duas mãos em cada lado da sua face, olhando-a com toda a potência dos meus olhos. Inclinei a cabeça, aproximando nossos rostos, pressionando suavemente os meus lábios contra os dela. Era um beijo calmo, mas cheio de significados.

- Temos a tarde e o início da noite para ficar juntos, não se preocupe. – falei, quebrando o beijo – Você vai enjoar de me beijar.

- Eu duvido.

- Vou levar isso como um elogio. – disse, dando-lhe um selinho, para em seguida pegar a sua mochila, puxando-a para entrar.

- Onde está todo mundo?- perguntou Bella, antes de subirmos o primeiro degrau da escada.

- Você não leu a última mensagem que eu te enviei? – perguntei.

- Não. Acho que foi quando joguei minha mochila no carro e liguei o som. Não ouvi vibrar.

- Então, pegue-o e leia. – falei, sorrindo um pouco nervoso.

Avisei na mensagem que estaríamos sozinhos porque não sei se Bella ficaria confortável com isso. Só agora começamos a namorar, e mesmo que um já saiba bastante coisa do outro, ainda estávamos nos conhecendo.

Bella pegou a mochila da minha mão, sacando o celular de dentro, correndo os dedos para ler a mensagem.

- Ah, nós estamos sozinhos? – perguntou.

- Se você não se importa. Minha mãe foi resolver umas coisas, Jasper está na faculdade, meu pai no hospital, e Emmett está trabalhando.

- Claro que não me importo, Edward. Vamos subir. – disse, pegando a minha mão.

Entramos no meu quarto, e eu fechei a porta atrás de mim, puxando Bella pela cintura para matar a saudade, estreitando os meus braços em volta dela, unindo nossos corpos enquanto nos beijávamos. Bella segurava o meu rosto com as duas mãos, e me surpreendi quando ela correu a língua pelo meu lábio inferior. Suguei a sua língua, tentando controlar o calafrio que percorreu a minha espinha quando nossas línguas se tocaram num ritmo frenético, desesperado.

Não sei o que deu em mim quando agarrei as pernas dela, entrelaçando-as na minha cintura, mas sem quebrar o contato das nossas bocas, que pareciam não querer se separar. Caminhei até a minha cama, deitando-a com o meu corpo por cima do dela. Nossos lábios quentes, sedentos e molhados dançavam entre si, enquanto ela mantinha as mãos agora nos meus cabelos. Cristo! Como eu amava quando ela fazia isso. Comecei a mordiscar seus lábios, sentindo o desejo explodir dentro de mim a qualquer momento. Eu estava inconsciente, perdido, embriagado com o momento que nem percebi que estava gemendo. Minha consciência gritava, avisando que eu devia ir mais devagar. Eu não estava com o corpo tão próximo ao dela a ponto dela perceber o quanto eu estava excitado, mas sabia que se continuássemos a nos beijar da forma que estávamos, ela acabaria sentindo e eu não queria ser indecente, pressionando a minha ereção nela.

Eu estava tentando agir normalmente e acalmar as coisas, quando de repente Bella afastou nossas bocas, olhando-me nos olhos.

- Edward... — murmurou, hesitando.

- Sim? — indaguei.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Notas finais
As emoções do final serão cenas para o próximo capítulo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkO que será que vai acontecer gente? O que a Bella quer falar?TÔ AGONIADA TAMBÉM!!HUASHUAHUASHUASHUASHUASSei que não era o capítulo que esperavam, mas será que eu mereço reviews?? mimimimimiAMO a todas!!! Até a próxima!;)