Talvez Seja Amor
16 Capítulo 16
Notas iniciais
POV BELLA
Meu coração disparou, parou e voltou a bater novamente quando contemplei a figura masculina encostada no carro.
- Aceita uma carona?
Tenho certeza que naquele momento quase tive uma síncope enquanto batia as pestanas rapidamente, tentando compreender se aquela visão era real ou se era apenas minha imaginação sendo muito generosa.
Mas era difícil acreditar que eu não estava vendo Edward em pé na minha frente.
Ele olhou para mim. Nos olhos, certa emoção.
Definitivamente, eu estava perdidamente apaixonada por Edward Cullen.
Eu estava tensa, fascinada, ansiosa.
Pior. Eu simplesmente não conseguia me mexer de onde eu estava, há cerca de três metros de distância dele.
Instintivamente, a minha mão direita pousou no meu peito, ao mesmo tempo em que eu fechava os olhos.
- Desculpa se te assustei. Não devia ter te abordado desse jeito. – disse Edward com a voz baixa, aveludada. Parecia preocupado.
Abri meus olhos, mordiscando o lábio inferior, sentindo a minha garganta ficar seca repentinamente enquanto procurava pela minha voz.
- Não. – disse, com a voz fraca. – Não me assustou. Quer dizer... eu... eu só não esperava. Fiquei surpresa... em te ver.
Ele riu torto, olhando para baixo por poucos segundos. Depois seus olhos encontraram os meus novamente, ao mesmo tempo em que seu corpo se descolava do carro, e ele avançava alguns passos numa lentidão descomunal, até parar de frente a mim, a menos de um metro de distância.
- Eu... espero que não se importe e aceite a minha carona, já que... já que, aparentemente, estamos indo para o mesmo lugar. Ou por acaso você pretendia ir a algum outro... – ele parou a frase sugestivamente, com um sorriso nos lábios.
Eu ri.
- Não. Não estou indo para outro lugar.
- Então, isso significa que você estava indo para a minha casa? – perguntou, em tom brincalhão.
- Sim. – respondi, rápido demais.
- Estava contando com isso. – ele deu uma pequena pausa. – Infelizmente não pude terminar de fazer o convite no hospital e... e... – ele suspirou e em seguida sacudiu a cabeça. –, não importa. Você... vai aceitar a minha carona? – perguntou, receoso.
- Sim. – respondi internamente chateada comigo mesma por estar sendo tão monossilábica.
- Você está linda. – ele comentou, pegando uma mecha rebelde do meu cabelo e colocando-a atrás da minha orelha, o toque me fazendo tremer.
Nem preciso dizer que morri com isso né?
Jaz em Sacramento, aos 17 anos, uma garota chamada Isabella Swan.
- Er... eu... obrigada. Você... também está muito bonito. – falei, gaguejando, enquanto os meus olhos cobiçosos corriam pelo seu corpo, fotografando minimamente o que Edward vestia, tentando recuperar a minha respiração perdida segundos atrás.
A beleza de Edward era absolutamente surreal. Era o homem mais bonito que eu já vi na vida. E especialmente hoje, Edward estava inenarravelmente espetacular. A pele pálida contrastando com a roupa escura. Calça e blazer preto, uma camisa cinza completando o conjunto. O rosto deslumbrante, impecável. E o cabelo... bem.. o cabelo estava desalinhado, mas isso já era uma marca dele.
- Obrigado. – ele disse, os olhos fixos nos meus.
- Feliz aniversário. – disse finalmente, enquanto seu sorriso se alargava. – Eu deveria ter um presente, mas primeiramente não sabia que você estava aqui e...
- O meu presente é a sua presença, Bella. – ele me interrompeu, deixando-me atordoada e com o estômago revirado após o comentário. Instantaneamente, a conversa que eu tivera com Alice logo cedo veio à minha mente. Estaria mesmo Edward apaixonado por mim, como eu estou por ele?
Não consegui dizer mais nada.
- Vamos? – ele perguntou, apontando para o carro.
Apenas assenti com a cabeça, me dirigindo ao carro prata lentamente, hesitante enquanto caminhava procurando andar em linha reta.
Edward abriu a porta do carona, segurando-a enquanto eu entrava pela segunda vez no seu carro, fechado-a quando eu me acomodara no banco. Eu arfava enquanto o observava andar elegantemente pela frente do Volvo, até ele entrar do seu lado do carro, o do motorista.
Ele deu partida e ligou o som do carro, como na primeira vez. Enquanto Edward acelerava, me vi violentamente embriagada pelo cheiro almiscarado, que eu já sabia associar como sendo o cheiro de Edward, e que estava ainda mais forte no interior do automóvel.
Ele olhava a estrada, mas pela minha visão periférica, podia ver que, volta e meia, seus olhos caiam em mim. Mas eu, agindo ridiculamente, não tinha condições de me mexer ou iniciar algum diálogo coerente.
Edward seguia dirigindo enquanto o silêncio se arrastava. Ele parecia distraído e eu continuava com os nervos a flor da pele. Não por estar com ele, quer dizer, esse também era um dos motivos, a presença dele deixava-me tonta. Mas o que mais me irritava era a minha falta de ação. Eu não estava sabendo me controlar ao lado dele. Cristo. Eu precisava fazer ou dizer alguma coisa.
Inesperadamente Edward quebrou o silêncio, a voz de veludo.
- Está com frio? – perguntou, olhando-me de esguelha. – Posso ligar o aquecedor se quiser.
- Não. Er.. estou bem.
Edward não perguntou mais nada. Minutos depois, decidi deixar de bancar a muda insegura.
- Er... você sabe dizer se Alice e Rosalie já estão na sua casa?
Ele sorriu.
- Não as vi quando sai, mas acredito que elas já devem estar por lá agora.
Hesitei antes de continuar.
- Edward... por acaso a minha irmã e o seu irmão... – deixei a insinuação no ar.
- Você também não sabia disso?
- Sobre os dois? Não. Fiquei surpresa quando a Alice me disse...
- Na verdade não fiquei surpreso quando soube. Digamos que sua irmã causou um.. certo impacto em Emmett pouco tempo atrás. – retrucou, sorrindo torto.
- Você está dizendo que Emmett se apaixonou por Rosalie? – questionei curiosa.
- Apesar dele não confessar e usar esses termos... sim. Acredito que ele está apaixonado por ela.
- Não é tão difícil se apaixonar por ela. – Edward me olhou, avaliando-me. – Rosalie é linda, tem um rosto marcante, um corpo invejável e é loira. Homens gostam de mulheres assim. Eles preferem as loiras.
- Você acha?
- O que?
- Que os homens preferem as loiras?
- A grande maioria sim. Se isso não fosse verídico não se vendia tanta água oxigenada nas farmácias.
Edward gargalhou, enquanto olhava a estrada. Tão alto que também me fez rir.
- Bom... sou homem mas não faço parte desse grupo. – ele virou-se para mim. –Prefiro as morenas.
Meu coração afundou com as suas palavras.
O celular de Edward tocou, e eu agradeci mentalmente por isso.
- Alô? Alô? – falava, enquanto do outro lado da linha alguém parecia não responder.
Ele desligou. Mas segundos depois o telefone voltava a tocar.
- Alô? Quem é? Alô?
Edward desligou mais uma vez e logo em seguida o som do celular ecoava novamente dentro do carro.
- Não vou atender. Não consigo ouvir nada do outro lado da linha. Só sei que o número é de Londres.– falou Edward. – Quem poderia ser?
- Alguém querendo te parabenizar. – falei.
- Não consigo pensar em alguém. – disse Edward, a testa franzida. – As únicas pessoas que eu esperava me ligar, já fizeram isso logo cedo. Em Londres já é madrugada.
- Talvez, se você pensar bem, se lembrará de alguém. – sugeri.
Edward comprimiu os olhos.
- Não, não consigo pensar em alguém. Quase ninguém tem o meu número, a não ser o Tom, o Sam e o Andrew.
- Algum parente seu? – perguntei, tentando ajudar.
- Não. Quase não temos parentes, a não ser o pai e uma irmã da minha mãe. Mas o meu avô já me ligou hoje à tarde e a minha tia quase não temos contato. Mesmo assim ela nem mora no país, ela se casou com um banqueiro na Irlanda e vive por lá mesmo.
- Bom... seja quem for, deve saber que hoje é seu aniversário.
Edward nada falou. Mas eu podia ver o vinco que se formava em sua testa, enquanto ele tentava descobrir quem poderia ser.
- Chegamos. – Ele anunciou quando o carro parou em frente a bela casa dos Cullens.
Edward desceu do carro, enquanto se dirigia ao meu lado para abrir a porta, apesar de eu já estar fazendo isso.
Caminhamos silenciosamente até a entrada da casa, que por sinal estava muito iluminada, enquanto os únicos barulhos que podia ouvir eram o dos pássaros, das árvores balançando na escuridão e de algum rio perto dali.
- Você está linda. – disse Edward, abrindo a porta para mim.
- Obrigada. – respondi em regozijo enquanto entrava, admirada por não ter gaguejado dessa vez.
Estavam todos na enorme sala branca, que estava exatamente como eu lembrava – os sofás em tom vermelho, a imensa escada de madeira, a clareira, os grossos tapetes brancos. A única diferença ali que eu notara era o piano, que antes ficava na biblioteca, e próximo a ele havia uma mesa com um bolo de aniversário.
- Até que enfim hein? – falou Emmett. – Pensei que vocês tinham resolvido dar o cano na festa e nos deixaram aqui famintos.
- Emmett!! – advertiu a senhora, que eu bem recordara quando a vi na foto e sabia que se tratava da mãe de Edward, a única que eu ainda não vira.
Ela aproximou-se de do Dr. Cullen, pegando-lhe a mão e caminharam em direção a mim e a Edward, sorrindo ternamente.
- É muito bom vê-la novamente, Bella. – falou calorosamente.
- É bom vê-lo também, Dr. Cullen.
- Por favor, chame-me apenas de Carlisle.
- Carlisle, certo. – eu sorri para ele.
- Bella, essa é a minha mãe, Esme. – falou Edward.
- É muito bom finalmente conhecer você. – disse, com bastante sinceridade.
- Fico feliz em conhecê-la também. – sorri, enquanto observava sua beleza jovial e estonteante. Ela poderia passar-se facilmente pela irmã mais velha dos meninos.
- Bella! Quanto tempo! – aproximou-se Jasper.
- Oi Jasper. Como vai?
- Estudando muito. E você?
- O mesmo. Infelizmente. – todos riram.
Senti uma vergonha após o comentário infeliz e tentei me redimir.
- Não é que eu não goste de estudar, eu só... bom, não vejo a hora de terminar a escola, fazer uma faculdade. Não queria dizer que...
- Nós entendemos o que você quis dizer querida, não se preocupe com isso. – acalmou-me Esme.
- Bella sempre odiou ir à escola. Não sei como ela conseguia tirar notas altas. – falou Rosalie.
- Porque ela é inteligente, Rose. Simples. – dessa vez foi Alice quem falou.
- Ela teve a quem puxar. – completou a minha irmã, sorrindo orgulhosa.
- Sim, minha gatinha é muito inteligente. Vem cá, senta aqui com o papai, senta. – disse Emmett puxando Rose pela cintura, fazendo-a sentar em seu colo enquanto ele tascava-lhe beijos pelo pescoço, deixando-me chocada com o grau de intimidade que ele e a minha irmã exibiam.
Edward pareceu tão chocado quanto eu. Aliás todos ali na sala. Todos assistindo aquela cena.
- Er... acho que podemos jantar agora. – falou Carlisle.
- Sim, vamos. — confirmou Esme.
- Ah, Edward. Parabéns! – falou Rose, enquanto levantava-se do colo de Emmett.
- Obrigado, Rosalie. – respondeu Edward, sorrindo.
Alice caminhou até Edward, dando-lhe um abraço.
- Parabéns, Ed. Posso te chamar assim vez em quando né?
- Pode, Alice.– sorriu torto.
- Bom, seu presente está na mesa do bolo. É meu, da Rose e da Bella, embora elas nem saibam o que é.
- Obrigado, Alice. Não precisava, de verdade.
- Eu sei. Mas quis dar assim mesmo. – sorriu Alice.
Edward colocou a mão nas minhas costas, um aviso mudo para que eu caminhasse até a sala de jantar, enquanto ele me seguia.
No caminho, Alice postou-se do meu lado.
- Oi Bella.
- Oi Alice. E obrigada por irem embora sem mim. – falei com uma leve irritação, baixinho para Edward não ouvir.
- Ah qual é. Vai me dizer que não foi bom vir com Edward? – não respondi. – Viu só? Sabia que você ia gostar da surpresa.
- O que você ... você está dizendo que sabia que Edward ia me buscar? Você armou? – sussurrei.
Ela sorriu e saiu de perto de nós.
Acomodamo-nos nos assentos, enquanto a mesma senhora que atendera a porta para mim há mais de um mês terminava de pôr a mesa.
- Obrigada Irina, você pode ir embora. Já fez muito por aqui hoje. – falou Esme com um sorriso nos lábios.
- Isso é mais do que meu trabalho senhora Esme. Obrigada por ser tão boa comigo e com meu marido.
- Faço porque gosto de vocês. E claro que não é seu trabalho. Você não precisa cozinhar e hoje era seu dia de folga.
- Os meninos mereciam. – falou a senhora olhando para Jasper e Edward.
- Obrigado Irina. – agradeceu Edward.
- Obrigado, você é um anjo nessa casa. – completou Jasper.
- Com licença, não quero atrapalhá-los.
- Não está atrapalhando nada. E não se esqueça de levar o jantar para o seu marido e seus filhos. Tenha uma boa noite. – falou Esme.
- Boa noite. – disse, enquanto saia da sala.
Os últimos a entrar na sala de jantar foram Emmett e Rosalie.
- Já era tempo. – disse Emmett, enquanto se espremia ao lado de Jasper à mesa, e Rose sentava ao seu lado.
Eu estava sentada do lado direito de Edward, e Alice do meu outro lado. Carlisle e Esme, em cada ponta da mesa.
- Bom... – disse Carlisle, limpando a garganta, fazendo com que todos direcionassem sua atenção a ele. – Antes de mais nada, gostaria de anunciar o quanto estou feliz em ver novamente a minha família reunida, além da presença das nossas convidadas. Há tempos não nos juntávamos à mesa. Infelizmente a rotina e os compromissos nos impede de um programa como esse, tão simples e ao mesmo tempo tão raro nos dias de hoje. Agradeço a Deus por ter me dado uma esposa maravilhosa e filhos dignos de orgulho. Hoje, dois deles completam idade nova, chegando à maioridade. Um novo ciclo que se inicia.
“Eu olho para os meus filhos, e os vejo alcançado suas conquistas. Emmett com o novo emprego na J.W.Thompson, Jasper no curso direito, Edward com o sucesso no teatro. Não tenho palavras que expressem o contentamento em enfim vê-los crescer, tomando com certa autonomia e independência um rumo na vida. Eu quero – falou enquanto levanta-se e pegava a garrafa de champagne dentro do balde de gelo. -, que brindemos a vida, mas também quero brindar ao futuro profissional dos meus filhos. Em especial ao de um deles, que hoje à tarde decidiu seguir os meus passos. Quem me conhece sabe que sempre sonhei ver um dos meus filhos seguindo a carreira de medicina”.
Estavam todos aturdidos, enquanto enchíamos nossas taças com champagne, curiosos sobre qual dos filhos Carlisle se referia, até que meus olhos caíram sobre Edward, que carregava um enorme sorriso nos lábios.
- Edward!. – falei.
- Sim, Bella. Edward. – falou Carlisle.– Um brinde ao nosso futuro médico, Edward Cullen.
Todos ergueram suas taças, batendo uma nas outras, ingerindo o líquido em seguida.
- Filho. Você tem certeza disso? – perguntou Esme, visivelmente surpresa e contente com a notícia.
Eu olhei rapidamente para Edward, sorrindo. Essa realmente era uma ótima notícia.
Edward suspirou e respondeu.
- Sim, mãe. Tenho. Pensei muito sobre isso esses dias, falei com o papai semanas atrás e decidi hoje, depois que sai do hospital.
- E o teatro, Edward? – perguntou Jasper.
- Não vou abandoná-lo. Vou continuar com as duas atividades paralelamente.
- E onde você pensar em fazer? – perguntou Alice.
Edward virou-se para mim, que aguardava a sua resposta.
- Ainda não sei. Estou estudando alguns formulários.
- Você devia fazer em Cambridge, como o papai. – falou Emmett.
- Voltar para Londres? – indagou Jasper. Senti minha alegria indo embora com a idéia de Edward voltando à Londres para estudar, passando sabe-se lá quantos anos.
- Não sei ainda onde vou cursar. Aqui nos EUA também há ótimas Universidades de Medicina. Não vamos falar sobre isso agora.
- É. Vamos comer que eu já não consigo segurar minha fome. – falou Emmett.
Estávamos todos ali, degustando do jantar enquanto conversávamos amenidades, quando Emmett de repente dirigiu-se a palavra a mim.
- Bella, você sabia que eu e Rose estamos namorando?
- Não. Ela não me contou nada sobre isso. – respondi rapidamente. Então eles estavam mesmo namorando?
- É que a coisa ainda não tinha se desenhado Bella. Só ontem que decidi aceitar o pedido. – respondeu minha irmã.
- Ah, entendi.
- Então agora somos cunhados. Cunhadinha. – disse Emmett rindo, como um menino alegre quando ganha um doce.
- Por falar nisso, senhor Emmett. Já conheci seus pais, agora falta você ir à minha casa conhecer os meus. – intimou Rosalie.
- Vou, mas só quando o Edward for também.
- Como assim quando o Edward for também? – perguntou Rose.
- Ué. Quando ele for se apresentar como namorado da Bella eu também vou. Assim fazemos um serviço só. – engasguei-me com as suas palavras.
- Emmett!! – advertiu Esme.
- O que foi? Não falei nada. Todo mundo aqui sabe que Bella terminou o namoro com aquele almofadinha e agora está solteira. Já pode assumir logo esse lance aí com o Ed. – Que? Como assim todo mundo já sabe?
Peguei rapidamente o copo de água, enquanto sentia os olhos em mim, inclusive os de Edward. Todos pareciam estar achando graça, menos Edward e eu.
- Emmett, você quer fazer o favor de calar a boca? – pediu Edward, irritado e nervoso.
- Ok, ok. Não está mais aqui quem falou. Ah Edward, já ia esquecendo, Tanya ligou para dar-lhe os parabéns. – senti meu rosto mudar de vergonha para desapontamento imediatamente ao ouvir o nome. Tanya. A ex-namorada de Edward.
- Tanya? – perguntou Edward descrente.
- Sim, ela sabe que é seu aniversário, mano. Dei o número do seu celular já que você não estava em casa. Ela insistia em falar-lhe.
- Você não devia ter dado meu número a ela!! – disse Edward áspero. – Aliás, como Tanya tem o número daqui de casa?
- Eu passei o número para a Kate, Edward. Você sabe que somos amigas e não queria que perdêssemos o contato. – lembrei quando Edward me contara que ambas as famílias eram amigas. – Mas você tem razão. Emmett não devia ter dado o número do seu celular.
- Ela ligou? – perguntou Jasper.
Todos os olhos voltaram-se para Edward, que suspirou irritado e respondeu.
- Sim. Quer dizer, provavelmente era ela no celular, quando nós estávamos a caminho. O terminal era de Londres, mas a ligação estava péssima e eu não conseguia ouvir o outro lado da linha.
De repente a sala de jantar ficou silenciosa, então Carlisle quebrou o silêncio.
- Bella, quais os seus planos para depois da escola? Você está no último ano, certo?
- Sim, estou. – respondi. – Ainda estou em dúvida entre Letras e Comunicação Social.
- Gosta de ler? – perguntou Esme.
- Muito. Mas descobri que também gosto de escrever.
- Bella, sempre foi muito boa em redação. Ela sempre quis fazer Letras, mas está quase convencida que Jornalismo pode ser um ótimo caminho. – discorreu Alice.
- Mais ou menos isso. – completei. – Tenho algum tempo ainda para decidir, apesar da dúvida me consumir vez ou outra.
- A dúvida é normal na sua idade, Bella. Aliás quantos anos você tem? – perguntou Carlisle.
- Dezessete. –respondi.
- Você não parece ter dezessete. – disse Esme.
Eu ri.
- Falei isso a ela uma vez. – disse Edward.
- Quase todo mundo diz isso. Mas sim, ainda tenho dezessete.
- A Bella realmente mudou muito. Se fosse há dois anos... ai nem conto. – olhei arregalado para Rose não entendendo do que ela estava falando.
- Do que você está falando?
- Da sua falta de maturidade. Ou pensa que esqueci o dia que você roubou um taxi? – indagou, deixando-me mais vermelha que tomate.
- Bella roubou um taxi? – perguntou Jasper.
- Calma, também não foi assim como parece. – falou Alice.
- Você roubou um taxi? – as sobrancelhas de Edward se ergueram, mas seu tom era de divertimento.
- Eu... só estava tentando chegar num lugar e... ai isso é muito embaraçoso. – sacudi a cabeça, enquanto mexia de forma tensa os meus cabelos.
- Deixa que eu falo, mana. Quando morávamos em Los Angeles – começou a contar-, a Bella saiu de casa atrasada para fazer um teste em Beverly Hills. Ela encontrou um motorista de taxi que dirigia como louco, que a fez vomitar. Bella não queria dispensar o taxi porque estava atrasada, então resolveu roubar o carro pra chegar a tempo. E claro que ela não só não chegou a tempo como também foi pega pela polícia. – Pronto. Minha própria irmã acaba de me fazer sentir como uma criminosa.
- Você já foi presa? – perguntou Emmett, cético.
- Ela não chegou a ser presa, só foi apreendida pela polícia. Liberada em seguida.
- Inusitado isso. – falou Jasper.
- Foi só uma atitude impensada de alguém desesperada para não se mudar. – falei.
- Não entendi? – perguntou-me Edward.
- Eu...
- Bella pensou que – interrompeu-me Rosalie -, se conseguisse passar no teste não seria obrigada a mudar-se para cá.
- Você não queria vir para Sacramento, querida? – questionou-me Esme.
- Na verdade não. Eu estava acostu...
- Eu entendo a Bella — interrompeu-me Rose mais uma vez. – Los Angeles é perfeita. Mas sacramento tem seu charme. Gosto daqui.
- E qual a sua opinião sobre a cidade agora, Bella? – perguntou-me Carlisle.
- Agora não tenho...
- Ela agora gosta daqui. Ela...
- Você quer parar de interromper quando a Bella fala, Rosalie? – pediu Alice. – Ela pode muito bem responder as perguntas sem porta-voz.
- Ah desculpa. – disse Rosalie.
- Por que não paramos de encher a Bella de perguntas e vamos para a sala? Está na hora de cortar o bolo. – perguntou Esme.
- Er... vamos. – levantou-se Edward, enquanto puxava a minha cadeira para que eu levantasse.
Seguimos para a grande sala.
Esme puxou a mesa do bolo para o centro, acendendo as velas ao mesmo tempo em que apagava as luzes.
Após o velho “Parabéns pra você”, Edward e Jasper apagaram juntos a enorme vela de número 21.
O som agradável da acústica soava pela sala enquanto conversávamos, acomodados nos sofás. Estávamos todos rindo das piadas do Emmett, além das histórias dos três irmãos na infância que ele contava, chorando de rir.
Um tempo depois, Emmett pediu licença para ir ao quarto, puxando Rosalie pelo braço, dizendo que não demorava e que só ia buscar um objeto.
Jasper e Edward olharam entre si, rindo. Porque, claro, que ninguém acreditou nisso.
Minutos depois Esme pediu licença para tirar a mesa e arrumar a cozinha, Carlisle avisou que a ajudaria.
Então, ficamos os quatro – Eu, Edward, Alice e Jasper na sala conversando. Jasper propôs assistir algum filme no telão, e Alice se animara, dizendo que era uma boa idéia.
O filme em questão era Sete Vidas, do Will Smith.
- Ah, já vi esse filme. – falei.
- Eu também. – disse Edward.
- Eu não. –disse Alice.
- Também não. Faz tempo que queria ver. Vocês se importam se assistirmos esse? – perguntou Jasper.
- Não, Jasper. Assistiremos novamente. – respondeu Edward. – Pode ser Bella?
- Claro, claro. Não me importo.
Alice estava sentada com Jasper num sofá, enquanto Edward e eu estávamos no outro, sentados a mais ou menos trinta centímetros de distancia.
Nos dez primeiros minutos do filme, Edward sem querer soltou o que aconteceria na cena seguinte, deixando Jasper e Alice irritados, e eu morrendo de rir.
- Desculpa, desculpa. Saiu sem querer. Acho que não foi uma boa idéia assistir esse filme com vocês. – falou Edward, rindo.
- Se falar de novo, vou expulsar você da sala. – Ameaçou Jasper.
- Ok, ok. Vou sair antes que isso aconteça. Você quer dar uma volta, Bella? – perguntou-me Edward. A última frase baixa o suficiente para que apenas eu escutasse.
- Sim, quero.
Levantamo-nos do sofá, deixando um Jasper e uma Alice tão compenetrados no filme que talvez nem tenham percebido que estávamos saindo da casa.
Descemos a escada da varanda, e seguíamos caminhando pela floresta que cercava a casa dos Cullens.
O clima não estava quente, mas também não estava muito frio. Estava agradável.
Eu o deixei me conduzir, enquanto conversávamos despreocupadamente sobre assuntos corriqueiros, como os filmes que o Will Smith já fez.
- Os seus sapatos estão incomodando? – perguntou-me Edward.
- Não. Eles são confortáveis.
- Quero levá-la em um lugar próximo aqui. Não vamos andar muito.
- Tudo bem.
Seguíamos em silêncio, enquanto eu contemplava o ambiente. Ansiosa.
- É um lugar que gosto de estar vez em quando. É lindo, você vai gostar.
Eu o olhei, me perguntando o que seria esse lugar.
Após poucos minutos, percebi o barulho da água correndo de um rio ficar mais próximo, e metros depois pude ver nitidamente o lugar.
- Tem razão, é lindo.
Edward continuou parado e eu caminhei até a margem. Agachei-me e coloquei a minha mão sobre a água, sentindo o frio da sua temperatura.
- Esse lugar ainda é propriedade dos Cullens? – perguntei, enquanto Edward caminhava lento, aproximando-se.
- Sim. Ainda se estende por mais alguns metros.
- Você costuma vir sempre aqui?
- Costumava vir aqui quase todos os dias. Dar um mergulho, caminhar, correr pela trilha.
Levantei-me e parei em frente a Edward, que me encarava fixamente. Nossos olhos tão intensos, tão brilhantes.
- Er... está ficando quente aqui não é? – perguntei incerta. Sabia que não havia nada de calor, a não ser o calor do meu corpo em chamas por estar mais uma vez a sós com Edward.
- Bella, você sabe como me sinto, não sabe? – perguntou, a voz cheia de emoção, os olhos ainda me perfurando.
Eu apenas olhei pra ele, em expectativa.
- Sobre o que especificamente?
- Bella... – disse, enquanto o seu corpo se aproximava ainda mais do meu, nossos rostos, agora, a centímetros de distância -, cansei de fugir disso.
Eu não consegui falar nada, apenas o encarava cuidadosamente.
- Bella, estou cansado de ficar longe de você. – disse, enquanto depositava a sua mão em minha face. Fechei meus olhos, perdendo a luta contra as faíscas que o seu toque causava em meu corpo, soltando um gemido. – Não quero ficar longe de você.
- Também não quero ficar longe de você, Edward. – sussurrei, sentindo as sensações do seu afago em meu rosto.
Abri meus olhos e o contemplei por um momento, atordoada.
- Eu gostaria de fazer direito algo que começamos naquela sexta-feira, na frente da sua casa. – disse, enquanto as suas mãos cruzavam a minha cintura, puxando-me para si.
- Você não vai fugir dessa vez?
- Não vou. Não vou a parte alguma.
- Jura? – sussurrei, tentando controlar a minha respiração ofegante, enquanto Edward inclinava o rosto em minha direção. Fechei meus olhos, e já podia sentir o cheiro do seu hálito de menta.
- Juro. – respondeu Edward, encostando delicadamente os seus lábios nos meus. Eu podia sentir os pontos febris pelo meu rosto, ao mesmo tempo em que os seus dedos corriam lentamente pelas laterais do meu corpo enquanto nos beijávamos pela segunda vez. O sangue fervia pela minha pele, o meu corpo ardia por estar colado ao dele. Entreguei-me a exaustão daquele beijo que eu tanto ansiei provar de novo. Tudo em Edward era perfeito. A maciez dos lábios, o seu gosto, o seu toque. Eu gemi contra a sua boca, estimulando Edward a aprofundar o beijo. Nossas línguas se moldavam avidamente em sincronia, como uma dança suave, onde só existíamos nós dois e nada mais. Envolvi as minhas duas mãos em sua nuca, puxando-o para mais perto. Respirar era algo tão banal naquele momento.
Não sei quanto tempo depois, diminuímos o ritmo do beijo, trocando agora leves selinhos, afastando nossos lábios em seguida. Edward fitava-me. Os olhos me queimavam e me deixavam embevecida. Embora nossas bocas não estivessem mais unidas, suas mãos ainda impediam que eu me mexesse um centímetro.
- Você não fugiu dessa vez? – falei em um fio de voz.
- Eu disse que não ia fugir. E não vou deixar você fugir se você me quiser.
- Eu o quero. – confessei, sem vergonha.
Edward deu um largo sorriso, fechando os olhos para em seguida apertar gentilmente os lábios contra os meus, num beijo doce.
Depois de um instante separamos nossas bocas, quando Edward subiu uma mão pelo meu pescoço, afastando os meus cabelos para as minhas costas, enquanto ele inclinava a cabeça, depositando beijos ali. Um arrepio subindo pela minha espinha.
- Quando imaginei poder estar fazendo isso. – disse Edward, enquanto seus lábios percorriam o meu pescoço.
- Agora você pode. – falei, de repente me perguntando se falei algo errado, porque logo que minhas palavras foram ditas, Edward parou de fazer o que estava fazendo.
- Bella, gostaria de me desculpar sobre o que Emmett disse hoje no jantar. – falou, olhando-me cauteloso.
- Emmett disse muitas coisas, mas especificamente sobre o que você quer se desculpar? – perguntei confusa.
Edward deu um longo suspiro, dando um leve aperto no próprio nariz.
- Sobre... sobre o que ele falou em relação ao seu namo... sobre o término de seu namoro.
- ah. Isso. – falei.
- Não queria que fosse daquele jeito. Sei que ficou chateada, mas você sabe como Emmett é e...
- Tudo bem, Edward. – o interrompi. – Não precisa se desculpar. Não fiquei chateada, embora surpresa com a velocidade da notícia.
Edward riu.
- Não precisa falar mais nada que eu já sei que foi a fofoqueira da Alice.
- Bella, na verdade ela comentou com Jasper. Sabe como são irmãos, não há segredos entre nós.
Dessa vez eu sorri.
- Pelo visto não posso dizer o mesmo. Minha irmã estava saindo com o seu e eu não sabia disso.
- Tudo bem, vou editar isso. Sabe como são os irmãos, às vezes, não há segredos entre nós.
- Melhor. – falei, enquanto ríamos.
Edward depositou selinhos nos meus lábios.
- Bella?
- Sim?
- Como você está se sentindo depois... depois do término?
- Hmmm.. Bem, eu e o Mike terminamos hoje, mas... eu já tinha tomado essa decisão há muito tempo.
- Eu sei.
- Você sabe? – perguntei cética.
- Por favor, não fique zangada com a Alice.
- Alice de novo? Mas será possível!!
- Bella?
- Tudo bem, não vou brigar com ela. O que aquela baixinha disse?
- Ontem, nós nos falamos pelo telefone.
- Que?
- Er... Alice pediu meu número a Jasper, depois do convite de aniversário.
- E... – o estimulei a continuar.
- E ela me falou sobre você ainda estar com ele por causa da doença do pai dele.
Abaixei meus olhos.
- Ei, o que foi? – ele perguntou, sua mão segurava o meu queixo, para que eu pudesse olhá-lo novamente.
- Sei que isso é errado. Eu brinquei com os sentimentos dele.
- Você não brincou com os sentimentos dele. Cristo, Bella, eu a admirei ainda mais depois dessa atitude tão nobre.
- Eu só não queria que ele sofresse mais do que já estava.
- Eu sei, linda. Eu sei de tudo.
Edward demonstrava mais uma qualidade, e eu me perguntava se era possível admirá-lo mais do que eu já era. Ele era compreensível.
Eu o abracei e fui correspondida com um longo abraço terno, apertado, cheio de sentimento.
Ficamos ali abraçados, de frente para o rio, com a lua e as estrelas testemunhando nossas confissões.
Eu não sabia o que aconteceria conosco a partir dali e, por Deus, eu não quero que termine.
Afastei-me do abraço, nossas mãos ainda entrelaçadas.
- Edward?
- Sim?
- Como vai ser agora? Digo... nós dois?
- Qual foi a parte do não quero ficar longe de você, você não entendeu, Bella?
- Você... você tá falando que agora....que agora nós somos...
- Namorados? – ele perguntou
- Sim? – rebati a pergunta.
- Você quer namorar comigo?
- Isso é uma proposta ou uma pergunta? – questionei.
- Os dois?
- Estou confusa.
Edward riu.
- Bella, vou deixar as coisas mais claras mais uma vez. Eu não quero ficar longe de você. Eu... eu me apaixonei por você. Não sei em que momento isso aconteceu, e pra ser sincero isso agora não me interessa. Eu só quero estar com você, poder te abraçar, te beijar... e sim, eu estou pedindo você em namoro.
Meu sorriso se enlargueceu, enquanto eu jogava minhas mãos pelos cabelos de Edward, puxando-o para um beijo. Edward entendeu o meu recado e enlaçou novamente os braços na minha cintura, beijando-me com fervor e paixão. Sim, nós estávamos apaixonados e agora não havia nada que nos impedisse de ficar juntos.
- Posso entender isso como um ‘sim, eu aceito namorar com você? – perguntou-me Edward em meio aos beijos.
- Sim, Edward. Eu aceito namorar você.
- Isso era tudo que eu queria ouvir. – falou, voltando a me beijar sem interrupções.
Eu já me sentia viciada àqueles beijos. Os nossos lábios molhados, sedentos pelo outro. Abri minha boca dando passagem a língua de Edward, que tocava gentilmente a ponta da minha. Ora ele sugava a minha, ora eu sugava a dele. Eu me perdi naquele momento. A força com que Edward me abraçava, o seu aroma almiscarado, o calor de seu corpo. Eu sabia que sentiria falta disso quando ele tivesse que partir de novo. Procurei aproveitar o máximo que eu podia, deslizando com mais fervor os meus dedos pelos seus cabelos. Ignorávamos totalmente o fato que precisávamos nos separar para respirar.
E então ele se afastou. Arfava, igualmente a mim.
- Sinto que já estou viciado nisso. – murmurou, a respiração entrecortada.
- Não sei o que será de mim quando você tiver que ir embora. Eu não consigo parar de te beijar. – falei, voltando a pressionar meus lábios nos dele.
- Não é muito tempo, Bella. Mais dois meses e eu volto para ficar com você. – disse, beijando agora o meu ombro.
- É muito tempo. Não vou suportar ficar tanto tempo sem te ver.
- Eu sei. Mas não vamos ficar esse tempo todo sem nos vermos Bella. Eu prometo que virei toda semana, em todas as folgas, sempre que der. Nem que seja para ficar apenas horas com você.
- Edward. Só queria te pedir uma coisa.
- O que quiser, Bella.
- Será que poderíamos manter o nosso namoro só entre nós? Digo... nossas famílias sabendo claro. É que... você sabe, terminei um namoro hoje... e... não quero magoar o Mike mais do que ele já está e...
- Shiu. – Edward colocou um dedo na minha boca. – Eu sei, minha linda, não se preocupe com isso. Não vamos assumir publicamente por um tempo, ok?
- Obrigada Edward.
- Não por isso. – falou depositando um beijo na minha mão. – Vamos? Todos já devem estar perguntando por nós.
- Claro. Er... nós já podemos falar que estamos namorando?
- Se você não se importar.... – falou com um meio sorriso nos lábios.
- Não me importo. – respondi.
- Então vamos. – disse Edward, pegando a minha mão.
Voltamos para a casa rapidamente. Entramos pela sala enquanto a última cena de Sete Vidas era exibida na enorme Tv de LCD. Edward e eu sentamos novamente no sofá, um do lado do outro, nossas mãos ainda conectadas. Quando os créditos do filme começaram a ser exibidos, Jasper levantou-se para acender a luz.
- Uau. – murmurou Alice.
- Caramba? Viu a cara dele quando descobriu?
- Preciso assistir a esse filme de novo. – disse Alice.
- Não agora, Alie. Precisamos voltar para casa.
- Claro que não é agora, Bella. Só falei que... – Alice parou, arregalando os olhos ao perceber que Edward e eu estávamos de mãos dadas. –Oh meu deus! Vocês... vocês estão de mãos dadas? – perguntou alto demais, sorrindo como uma garota que acaba de ganhar uma boneca.
- Sim, Alice, estamos. E a partir de hoje você verá isso com muita freqüência. – respondeu Edward.
- Vocês estão namorando? – perguntou Jasper.
- Estamos. – dessa, vez eu respondi.
- AAAAAHHHHHHHHH Bella!!! Como estou feliz por vocês!! – gritou uma Alice eufórica enquanto se jogava no meu colo tentando me abraçar.
- Ai, Alie. – falei divertida, tentando afastá-la inutilmente.
- O que está acontecendo? – perguntou Carlisle, chegando na sala com Esme. Com certeza devem ter ouvido os gritos de Alice e vieram checar o que tinha acontecido.
- Edward e Bella estão namorando. – respondeu Jasper, com um sorriso maroto nos lábios.
- Bella? Edward? – perguntou Esme.
Edward me olhou, um diálogo mudo de que era a hora de contar a família. Assenti e nós levantamos do sofá, de mãos dadas. Nessa mesma hora, desciam Rose e Emmett pela escada.
- O que tá pegando aqui? – perguntou Emmett.
- Bem. Como é do conhecimento de todos, Bella e eu guardávamos sentimentos que ultrapassavam a posição de amigos. Agora que ela está livre, não vemos motivos para esconder o que sentimos pelo outro. Nós conversamos e nos entendemos. Somos oficialmente namorados.
- Oh! Meus filhos. – falou Esme aproximando-se de nós dois, nos abraçando – Como é bom enfim ouvir isso.
- Obrigado, mãe. – falou Edward.
- Você merece filho. Pela primeira vez vejo você apaixonado. Você merecia ser correspondido. – disse enquanto afagava o rosto dele. – E quanto a você, Bella, você é muito bem-vinda à nossa família.
- Obrigada, Esme. – disse enquanto ela me abraçava.
- Ta bom, ta bom. A sogra também é minha. Não se empolguem. – disse Rose, tentando nos afastar.
- Não seja ciumenta Rosalie. – falou Esme.
- Não sou. – voltou-se para mim. – Parabéns por ter tomado a decisão certa. - Sorriu e caminhou até ficar próximo a Emmett.
Apenas sorri, em agradecimento.
- E então, Edward. Quando vamos conhecer os nossos sogros? – perguntou Emmett.
- Acho que você terá que fazer isso sozinho, Emmett. – falei. – Ainda preciso falar com os meus pais antes de apresentar Edward.
- Mas quanto tempo isso vai demorar? Uma semana, duas? – ele indagou.
- Provavelmente sim. – respondi.
- Então eu espero. Só vou com Edward.
- Olhe lá hein Emmett. – advertiu Rose.
Todos rimos.
Esme e Carlisle avisaram que iam se recolher, pois o Dr. Cullen estava a mais de 24 horas sem dormir, após um longo plantão.
- Hora de irmos também, meninas. – Avisou Alice.
- É verdade, já passa da meia-noite e preciso acordar cedo para trabalhar. –queixou-se Rose.
- E eu para escola. – falei desanimada. – Edward, a que horas você viaja?
- À noite.
- Er.. eu.. posso vir aqui depois da escola? — perguntei incerta.
- Você ainda pergunta? Claro que pode Bella. À propósito quero que você pegue o número do meu celular.
- Engraçado, todo o esse tempo e nós nem telefones tínhamos trocado.
- Na verdade, eu tenho o seu.
- Mas não vale. Foi Alice quem deu.
Ele riu.
Guardei na agenda do celular o número de Edward. Em seguida nos despedimos, pois eu voltaria para casa no carro de Rose, com ela e Alice.
Foi difícil nos separar, mas tínhamos que nos acostumar com isso, já que Edward voltaria em turnê no dia seguinte.
A volta para casa foi tranqüila. Rosalie contava para Alice o que ela e Emmett estavam fazendo a sós no quarto dele, mas eu não estava prestando atenção na conversa. Na verdade, eu nem me sentia ali, dentro daquele carro. Eu estava nas nuvens.
Tão cedo chegamos em casa e eu corri para o refúgio do meu quarto. Cantarolando alegremente. Nunca me senti tão feliz em toda a minha vida.
Fiquei a noite toda repetindo que estava namorando com Edward. Era difícil acreditar, mas era a mais pura e doce das verdades.
Estava tão excitada com os acontecimentos da noite que demorei a cair no sono. Mal fechei os olhos e já ouvia o despertador me avisando que o dia chegara.
E pela primeira vez em tanto tempo, eu não estava irritada em acordar cedo, pelo contrário. Eu mal via a hora de poder ir para a escola para em seguida voltar à casa dos Cullens. Já sentia falta de sentir a textura dos lábios de Edward envolto nos meus.
Peguei uma calça jeans e uma blusa branca, vestindo um casaco azul-claro por cima. Rapidamente estava pronta. O dia parecia estar um pouco mais frio que o anterior.
- Animada, filha? – perguntou minha mãe, enquanto eu passava pela cozinha, pegando uma maça.
- Muito.
- Posso saber o motivo? – ela perguntou rindo. Podia enxergar as faíscas de curiosidade em seus olhos.
- Vai saber, mãe. Em breve. Agora preciso ir para a escola. – respondi, mordiscando a maça, dando-lhe um beijo na bochecha.
Entrei no meu carro rapidamente e dirigi mais rápido que de costume para a escola. No caminho, ouvi o som do meu celular ecoando dentro da minha mochila.
Quando o peguei, vi que era uma mensagem de texto.
“Estou morrendo de saudades. Boa aula. Estou te esperando. Edward.”
Sorri bobamente. Não querendo largar o celular.
Esperei chegar à escola e respondi.
“Também estou com saudades. Logo, estarei aí. Beijos, Bella.”
Coloquei o celular no modo vibratório e guardei-o na mochila, descendo do carro, rumo a mais uma manhã de aula.
Logo que sentei na minha carteira, senti o celular vibrando mais uma vez. Sorri ao ver que era mais uma mensagem de texto de Edward.
“Percebeu que não escrevi beijos na mensagem? Estou guardando para quando você chegar”.
Estremeci quando li e sorri, um pouco alto demais, pois pares de olhos avaliavam-me se eu havia perdido a sanidade por estar rindo sozinha.
- Do que você está rindo, Bella? – perguntou Jessica.
- Nada, só de uma piada que eu lembrei agora.
- Han... sei... – falou Jessica, acreditando claro.
As aulas pareciam arrastar-se e a minha ansiedade só aumentava. Agradeci por não ter encontrado com Mike. Acho que ele não deve ter vindo a aula hoje. Eu sabia que vê-lo encerraria a minha alegria.
Quando faltavam alguns minutos para o fim da última aula, aproveitei a distração do professor e peguei meu celular para enviar uma mensagem para Edward.
“Mais um pouco e estarei aí. Cobrando os beijos”.
Não demorou um minuto e o celular vibrava. Que rápido!
“Se não chegar logo, vou buscá-la”.
Sorri animada com a ideia de Edward me pegar na escola. Inesperadamente o sinal tocou, encerrando a aula. Escrevi mais uma mensagem de texto para Edward antes de voar para o meu carro.
“Estou a caminho. Não esqueça o que me deve”.
Voei para o meu carro e joguei a minha bolsa de qualquer jeito no banco de trás. Liguei o motor e tentei dirigir rápido até a casa de Edward. Liguei o som para relaxar, cantarolando Rage Against The Machine que tocava no rádio.
Não demorou e eu pegava a estrada despavimentada que agora era tão familiar. Desliguei o som do carro e já sentia minhas mãos suando ao volante.
Minutos depois, parava o carro em frente à enorme casa dos Cullens.
Peguei minha mochila e desci do carro, ansiosa.
Ainda subia as escadas da varanda quando Edward abriu a porta da entrada para mim, na certa sentindo a mesma ânsia que a minha.
- Bella!!!. – exclamou ao me ver, abraçando-me.
- Edward. Vim o mais rápido que pude.
- Eu sei, minha linda. – disse, depositando um beijo na minha cabeça.
- Não era esse tipo de beijo que eu estava esperando.– ele riu, seus lábios ainda nos meus cabelos.
Edward segurou o meu rosto, as duas mãos em cada lado da minha face, olhando-me com tamanha intensidade. Ele inclinou a cabeça, pressionando suavemente os seus lábios contra os meus. Era um beijo calmo, mas cheio de significados.
- Temos a tarde e o início da noite para ficar juntos, não se preocupe. – falou, quebrando o beijo – Você vai enjoar de me beijar.
- Eu duvido.
- Vou levar isso como um elogio. – falou, dando-me um selinho, para em seguida pegar a minha mochila e me guiar em direção a escada.
- Cadê todo mundo?- perguntei antes de subir o primeiro degrau.
- Você não leu a última mensagem que eu te enviei?
- Não. Acho que foi quando joguei minha mochila no carro e liguei o som. Não ouvi vibrar.
- Então, pegue-o e leia. – falou Edward, sorrindo torto.
Peguei a mochila de sua mão e saquei o celular de dentro, correndo os dedos para a opção “ler mensagem”.
“Não esquecerei. E à propósito, estaremos sozinhos em casa”.
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