POV EDWARD


— Edward? – perguntou Bella com uma expressão confusa, franzindo o cenho.

- Sim. – tirei minhas mãos de cima dela. – Eu sei que você não está entendendo nada, mas eu vou te explicar. – respondi calmamente.

- Não, não estou entendendo. – disse Bella, tentando se levantar, mas voltou a deitar-se de imediato antes mesmo de tocar os pés no chão. Ela fez uma careta, provavelmente de dor.

- Está sentindo alguma coisa? – perguntei, preocupado.

- Uma tontura. – ela levou uma das mãos à lateral da cabeça, encolhendo os olhos. – Minha cabeça dói. – completou.

- Você levou uma pancada, por isso está se sentindo assim. Precisa fica em repouso por hoje. – disse a ela, dando-lhe um sorriso.

- O que aconteceu? Não me lembro de nada.

Suspirei e sentei-me na borda da cama.

- Aparentemente você caiu, bateu com a cabeça. – disse simplesmente. Não queria forçar Bella a lembrar de alguma coisa. Isso implicaria mencionar o namorado dela, e eu não queria tocar no nome do cretino agora. Que ela soubesse por Alice o que houve. – Mas o que importa é que está bem agora. – acrescentei.

- Típico de mim. – balançou a cabeça, e então seus olhos voltaram para os meus. – Er... onde estou? E... por que você está aqui? – perguntou Bella lentamente, um pouco hesitante.

- Você está na minha casa. – respondi, dando uma pausa, incerto da reação que ela teria. – No meu quarto. – continuei.

- Este é seu quarto? Por que dormi em seu quarto? – perguntou Bella aturdida. Notei que ela levantou o lençol, e momentaneamente constatei que ela estava checando se estava vestida.

- Calma, Bella. Não é o que você está pensando. – respondi, em choque. A última coisa que queria era que Bella pensasse algo errado de mim.

- Não é o que estou pensando? Como assim? – ela franziu a testa, aparentemente não entendendo o que eu acabara de dizer. Segundos depois sua expressão suavizou e eu notei que seu rosto ganhara um tom vermelho. Bella abaixou a cabeça, visivelmente envergonhada. O rubor em sua face deixando-a ainda mais linda.

Não tenho certeza, mas acredito que meu rosto estivesse do mesmo tom de cor com o meu constrangimento em ter pensado que Bella pensou o que pensei.

- Huh, Bella, me desculpe. Por um momento eu... eu achei que você tinha... sabe... pensado que nós... er... você sabe.. que nós pudéssemos... er... – eu não conseguia sequer formular uma explicação. Minha frustrada tentativa de consertar a besteira que falei deixara o ar entre nós ainda mais tenso. – Er... Deixa para lá.

Ficamos em silêncio por segundos que pareciam ter sido horas, e então Bella falou.

- Não precisa explicar, Edward. Eu entendi. – disse, um sorriso tímido escapando de seus lábios.

Sorri em resposta, mirando-a. Ouvimos o barulho da porta se abrir e viramos a cabeça naquela direção para ver uma Alice eufórica entrando no quarto.

- Bella! Finalmente você acordou! – exclamou Alice, abraçando Bella em seguida.

- Alice, você está me apertando. – disse Bella.

- Estou te machucando? Oh! Me desculpe. Onde dói? – perguntou Alice, visivelmente preocupada.

- Não, não me machucou. Eu estou bem. – respondeu Bella, sentando-se na cama, mas com as pernas esticadas. – Só estou sentindo minha cabeça doer e um pouco estranha, como se estivesse girando. – completou Bella.

- Por causa da bebida e da queda. – disse Alice a ela.

- Bebida?

- Sim. Não se lembra de nada?

- Não. – Bella negou com a cabeça. – Espera. Eu bebi demais e por isso caí? – inquiriu com incredulidade.

- Você não contou a ela? – perguntou Alice a mim.

- Hum... na verdade, não. Deixei para que você contasse. – respondi, dando de ombros.

- Tudo bem – ela suspirou, logo se voltando para Bella. – Você lembra que saiu ontem com Mike?

Bella me olhou rapidamente e em seguida respondeu.

- Sim. Nós fomos a... – ela franziu a testa, como se estivesse fazendo um esforço para se lembrar. – esqueci o nome do lugar agora, mas era um Pub novo da Truxel.

- E...? – incitou Alice.

- Nós fomos à comemoração de aniversário de um amigo do Mike. Começamos a beber e... – ela se interrompeu. – lembro de ter bebido alguns coquetéis. Alice, você sabe, a única coisa que bebi em toda a minha vida foi uma taça de champagne no Ano Novo passado.

- Sim, eu sei. E Mike sabe disso também e ainda assim te incentivou a beber. Isso tudo é culpa dele! – vociferou, irritada.

- Calma, Alice. Não foi culpa dele. Eu... eu quis. – disse, parecendo envergonhada. Bella olhou para mim, desviando rapidamente e voltando-se para Alice. – Não parecia forte de início, porque não tinha muito o gosto de álcool. Não imaginei que me deixaria... er... – ela parou. – Bom, o que aconteceu? Como foi que eu caí?

- Eu não estava lá para ver, quer dizer, eu estava, mas não sabia que vocês estavam lá também e...

- Você estava lá? – interrompeu Bella, surpresa.

- Sim. Nós todos estávamos. – respondeu Alice, apontando o dedo para me incluir também.

- Você também estava lá? – perguntou-me Bella.

- Sim. Mas não sabia que você estava lá. Quer dizer, em algum momento da noite você passou por mim e... sem querer bateu com o cotovelo em minhas costas. Mas até então não sabia que era você, até que te encontrei desmai... digo, do lado de fora. – respondi.

- Você ia dizer desmaiada? – perguntou-me. Apenas assenti com a cabeça. – Ai, que vergonha. – disse Bella, colocando as duas mãos no rosto.

- Não, Bella. Não fique assim. – eu disse a ela. – É normal... digo, todo mundo já ficou, hum... embriagado um dia.

Ela tirou as mãos do rosto lentamente, me fitando em seguida.

- Desculpa. – pediu Bella.

- Pelo que? – perguntei, franzindo a testa.

- Por ter batido em suas costas – ela sorriu timidamente.

Sorri também, sem acreditar que ela estava se desculpando por algo tão insignificante.

Levantei de onde estava sentado e me aproximei dela. Passei a mão deliberadamente por seus cabelos, sentindo a textura e a macieza dos fios.

- Não acredito que você está me pedindo desculpas por isso. Você nem se lembra.

- Não lembro. Mas quero me desculpar mesmo assim. Por favor? – pediu.

- Se isso vai te fazer se sentir melhor, desculpas aceitas. – falei, encarando-a com toda sinceridade. Bella não tirou os olhos de mim, e eu era incapaz de desviar, no entanto.

Ouvi alguém pigarrear, fazendo-me retirar a minha mão sobre o cabelo de Bella, colocando-a no bolso da minha calça.

- Desculpa interromper – começou Jasper, e Alice estava ao lado dele, próximos à porta. Eu nem o vi entrar! – É que eu preciso que você venha até aqui embaixo, Edward. Tem uma pessoa... – ele parou. – bem, você pode descer um instante?

- Sim, claro. – eu lhe disse, olhando em seguida para Bella. – Hum... já volto.

- Não sairei de perto dela. – disse Alice a Bella, que assentiu antes que Jasper e eu deixássemos o quarto.

POV BELLA

Nem nos maiores dos meus sonhos eu imaginaria estar na casa de Edward, no quarto dele, na cama dele. Lógico que não fazendo o que ele pensou que eu tinha pensado. Imagina que eu iria pensar isso? Nós dois... hum... fazendo sexo? Insano. Além do mais, tenho namorado. Levantei o lençol porque vagamente me recordo de ter acordado em um hospital em um dado momento, lembrei que vestia uma bata e que eu não tinha nada por debaixo dela. Fiquei com receio de estar quase pelada diante dele.


Edward parecia ainda mais lindo que em minha memória. Desde que nos conhecemos, vez ou outra me pegava pensando nele. Sim, era errado, mas a verdade é que eu não podia ignorar o fato de que ele parecia como um daqueles homens que estampavam seus rostos na capa da Men’s Health, o fato de que ele é um ótimo ator, o quanto ele interpretou Romeu divinamente e o quão absurdamente lindo era aquele sorriso torto.

Ai, o sorriso torto.


Congelei quando Edward se aproximou de mim, e correu suas mãos pelo meu cabelo. Senti minhas bochechas esquentarem, meu rosto corando mais uma vez perto dele. Edward me encarou, dizendo que me desculpava. Mas não era qualquer olhar. Os olhos de Edward pareciam como duas escavadeiras. Perfurantes, penetrantes, intimidantes. Eu simplesmente não consegui desviar, muito menos piscar. Sucumbida ao verde daqueles olhos.

Ouvi um pigarreio, que fez Edward afastar sua mão do meu cabelo, tirando-me do transe. Notei um rapaz loiro parado na porta, que devia ser o irmão de Edward pelas semelhanças. Ele o chamou para o andar inferior. Eles se foram, deixando eu e Alice a sós.

Alice fechou a porta e caminhou até a cama, sentando na beirada. Ela me olhava de um jeito estranho, indecifrável, mas o sorriso dela continuava ali no seu rosto.

- Que foi? – perguntei.

Ela sorriu e abaixou a cabeça, balançando em negação.

- Nada, Bella. Bem... Você precisa comer.

- Não estou com muita fome. Na verdade, estou com sede.

- Há uma garrafa de água sobre o criado mudo. Edward a deixou aí, você não viu?

- Não. – respondi, esticando o braço para pegar a garrafa. – Alice, como vim parar aqui? – perguntei enquanto abria a garrafa.

- Digamos que foi a melhor opção, já que você não poderia ir para casa do jeito que estava. Se o tio Charlie visse como você estava... seu namoro com o Mike iria para as cucuias. Se bem que... pensando bem agora, deveríamos ter levado você para casa mesmo. Queria ver aquele idiota se dar mal. – respondeu Alice, nitidamente chateada.

- Não fala assim dele. Não foi culpa dele, já disse.

- Você pode dizer o que for, tentar amenizar a culpa dele. Mas ele é o responsável. Bella, você entrou em coma alcoólico. Você tem noção do que é isso? – perguntou Alice.

Engasguei com água, pega de surpresa pelas palavras de Alice. Eu sabia que tinha bebido, mas essa história de coma alcoólico, não esperava por isso.

- Você está dizendo que eu entrei em coma alcoólico? – perguntei, cética.

- Sim. Você está compreendendo a gravidade da situação? Se o Edward não tivesse chegado lá e visse seu estado, não sabia o que poderia ter acontecido. Porque nós já estávamos levando você para casa, desacordada mesmo. Ele suspeitou do coma e nos alertou que você precisava ser levada a um hospital. O Dr. Masen confirmou as suspeitas de Edward e agora aqui está você. – disse Alice.

- Espera. Você está dizendo que Edward me viu desacordada, que ele me levou para o hospital e me trouxe para cá?

- Sim – respondeu. – A idéia de trazer você para cá também foi dele.

- Então era ele que estava no hospital? – perguntei.

- Sim. Ele não saiu de perto de você enquanto pode. Ao contrário do seu namorado, que parecia estar mais preocupado com a viagem e o papaizinho que com você.

Então eu não sonhei com Edward quando estava no hospital. Ele estava lá quando eu abri os olhos, do meu lado.

- Onde está Mike? – inquiri.

- Er... bem, segundo Jasper, ele...

- Eu vou me despedir dela quer você queira, quer não. – Alice foi interrompida por uma voz muito familiar que gritava de algum lugar da casa. Talvez no andar de baixo?

- Essa voz é do Mike. – eu disse.

- Infelizmente sim. – respondeu Alice acidamente.

- Bella, meu anjo, você acordou! – disse Mike, que acabara de irromper o quarto com um buquê de rosas vermelhas na mão. Edward apareceu logo atrás dele, com um semblante irritadiço. Mas desistiu de entrar e se foi.

O que será que aconteceu?

- Oi Mike – eu disse. Ele se aproximou e me deu um leve beijo nos lábios.

- Eu não podia ir embora sem falar com você, ver se você está bem.

- Agora ela está bem. E pode ter certeza que não foi graças a você. – cuspiu Alice.

- Olha, eu não vou tolerar suas grosserias. Quem você pensa que é para...

- Parem! – gritei. – Vocês podem parar de discutir?

- Desculpa, Bella. É que esse aí é muito cínico. Como depois de tudo vem aqui, e ainda quer te enrolar com esse buquê? E ainda mais rosas vermelhas. Quanta falta de criatividade! – Alice despejou.

- Bella, você pode pedir a sua prima para nos dar licença? – pediu-me Mike.

- Não vou sair daqui. – disse Alice.

- Alice. Só por um instante, por favor? – pedi.

Ela bufou, saindo do quarto em seguida.

- Mike, seja breve. Não quero ficar aqui no quarto com você sozinha. Você sabe... não estamos na minha casa. Não sei se Edwa..

- Eu sei que não estamos na sua casa. Infelizmente. – ele disse de má vontade, interrompendo-me.

- Você vai viajar agora? – perguntei, querendo mudar de assunto.

- Sim. E já estou morrendo de saudades. – ele sorriu – Vim me despedir de você, e aquele idiota quase que...

- Quando você volta? – eu o interrompi, dessa vez porque sabia de quem ele ia falar. Quando Mike entrou no quarto, a expressão no rosto de Edward respondia a minha pergunta silenciosa. Algo tinha acontecido entre eles. Provavelmente discutiram.

- Em uma semana estamos de volta.

- E a escola? – perguntei.

- Já falei com os professores, a direção também já sabe, meu pai esteve lá. Está tudo sob controle. É só pegar a matéria depois.

- Hum. Certo.

- Você vai sentir saudades de mim? – perguntou. A questão pegando-me de surpresa.

Eu sentiria saudades dele?

O silêncio recaiu sobre o quarto por um instante, a pergunta fazendo-me refletir. Eu não tinha a resposta. Honestamente não sabia.

Mas como eu diria isso a Mike? Eu não poderia simplesmente dizer “Não sei, Mike”, isso o magoaria.

- Claro, Mike. Claro que vou – eu disse com um pequeno sorriso nos lábios, mesmo ciente de que não estava sendo honesta. Não lembro se menti para Mike alguma vez, provavelmente não. Uma das coisas que mais abomino é a mentira. Por mais boba que ela seja.

Ele sorriu em resposta.

- Ah, Bella. Essa vai ser a pior semana da minha vida. Não gosto de ficar longe de você. – disse, se aproximando e me abraçando. Senti um remorso, um sentimento de culpa me invadir. Ele confessara que sentiria minha falta e eu não era capaz de dar a ele uma resposta, optando pela mentira, o enganando.

- Uma semana passa rápido. – eu disse, tentando convencê-lo de que não era muito tempo e que não havia motivos para ele se sentir assim, ou disse na tentativa de reprimir o peso da minha consciência.

- Qualquer minuto sem você é muito tempo. – ele disse, me olhando nos olhos. O que me deixou ainda pior.

- Estava prestes a abrir a boca para falar, mesmo sem saber o que, quando fui interrompida pelo som do celular dele. Mike olhou o visor, em seguida para mim.

- Quem é? – perguntei.

- É o meu pai. – ele respondeu, tristemente. – “Tô indo, pai”. – disse Mike ao atender o celular, desligando-o em seguida.

- Você tem que ir. – eu disse.

- Tenho. O vôo sai às 10 horas. Já são quase 9. Meu pai vai me matar se eu não sair logo daqui.

- Tudo bem. Vejo você em breve. – falei.

- Eu te amo, Bella. – disse Mike. Congelei quando ele pronunciou essas três palavras. Não que ele nunca tivesse dito que me amava antes, mas agora, o momento parecia tão errado.

Eu não sabia mesmo o que dizer. Sentia-me horrível. Meu namorado ali, expondo seus sentimentos e eu sequer conseguia ser honesta com ele.

Sorri para ele e menti mais uma vez.

- Vou sentir sua falta. Boa viagem.

- Obrigado, Bella. E... me desculpe por ontem.

- Não foi sua culpa. Agora vá, antes que seu pai venha até aqui e te mate. – eu disse brincando, tentando diminuir a tensão em meu interior. – Quando você voltar, conversamos sobre o que aconteceu.

- Você está chateada comigo? – ele perguntou.

- Não, de jeito nenhum. – respondi, dessa vez estava sendo sincera.

- Vou viajar mais tranqüilo sabendo que você não está chateada. – ele disse, beijando minha testa. – Até mais Bella.

- Até logo. – sorri.

Ele abriu a porta e se foi.

Suspirei em alívio.

Eu estava me sentindo péssima ouvindo Mike repetir que sentiria minha falta, que aqueles seriam os piores dias de sua vida e me senti pior ainda quando ele disse que me amava. Aquelas três palavras pronunciadas me deixaram muito desconfortável. Eu não entendia o porquê. Éramos namorados, muito natural se da minha parte eu sentisse o mesmo. Mas por que eu não sentia da mesma forma? Por que eu o enganei dizendo que sentiria saudades? Por que eu nunca consegui dizer a ele que eu o amava também?

Mike foi meu primeiro beijo, meu primeiro namorado, o primeiro garoto que olhou para mim de uma forma diferente. Ele era aquele que me entendia, que suportava minha TPM, que me fazia rir, que silenciava quando eu iniciava uma briga, e sempre era o primeiro a querer fazer as pazes. Era ele quem me ligava todos os dias, mesmo quando eu dizia que ele não precisava ligar todo dia, o que me enchia de mimos e presentes, que trocava qualquer programa do mundo para estar comigo. Será que eu sou insensível? Tão insensível a ponto de não considerar que Mike merece mais do que isso?

Antes mesmo que eu pudesse formular respostas, Alice entra radiante com uma bandeja de comida no quarto.

- Você parece estar alegre? – isso soou mais uma pergunta que uma afirmação.

- Claro que estou. Mike vai deixar o ar mais puro por uma semana. – ela respondeu.

- Alice, não comece – a repreendi.

- Tá bom, tá bom. – ela rolou os olhos. – Hora de comer.

- Mas eu não estou com f...

- Nada disso. Você vai comer. Não vou deixá-la morrer por inanição – me interrompeu.

Bufei e peguei a bandeja, depositando-a em meu colo.

- Já vi que não vai adiantar discutir com você. – eu disse.

- Não. – sibilou, rindo.

Enquanto comia, Alice me contou sobre o encontro dela e de Rosalie com Edward e os irmãos dele. Ri quando ela disse que Rose e Emmett pareciam Peter Parker e Mary Jane no início da noite, e Brooke e Gary no final dela. Ela ainda deu mais detalhes da minha bebedeira e dos momentos no hospital. Depois ficamos conversando amenidades.

POV EDWARD


Quando Jasper me pediu para acompanhá-lo, fiquei sem entender. Mas assim que pisei nos últimos degraus da escada, tudo fez sentido perguntei enquanto esticava o braço para pegar a garrafa.

Mike.

Esse era o nome da pessoa mais desagradável no mundo para mim nesse momento. Ele estava em pé, no canto da sala e segurava um buquê de rosas, alimentando ainda mais a minha repulsa.

- O que você está fazendo aqui? – perguntei irritado.

- O que eu estou fazendo aqui? Ver a minha namorada e me despedir dela. – ele respondeu, secamente.

- Essa é a minha casa, ela está no meu quarto e eu não me lembro de ter dado permissão pra você entrar aqui. – falei, tentando provocá-lo.

- Você não vai me impedir de vê-la. – ele disse, a raiva espelhada nos seus olhos.

- Sim. Eu. Posso. – rebati pausadamente.

- Está bem. Vou agora mesmo ligar para a casa dos Swan, e dizer, sabe... nada demais. – ele disse, tirando o celular de dentro do bolso. – Apenas que a filha caçula está na casa de um estranho ao invés de estar na escola.

- Você não seria capaz de fazer isso com Bella. – eu cuspi.

- Não estou fazendo com Bella, mas com você. Já pensou? O que os pais dela vão pensar de você quando souberem que Bella dormiu na sua... cama? – inquiriu Mike.

- Filho da p... – vociferei, dando um passo em direção a Mike, mas me interrompendo. Minha vontade era de socar o babaca.

— Calma, Edward. – disse Jasper, segurando meu braço.

- Você também não pensa que os pais de Bella podem não gostar nem um pouco de saber que ela ficou nesse estado por sua causa? – perguntei com um sorriso frio nos lábios.

- Talvez sim. Aliás, provavelmente irão ficar chateados, em especial o Sr. Charlie. Mas, não dou uma semana para a raiva passar. Já no seu caso...

- Eu vou acabar com você. – bradei.

- Edward, não vale a pena. Deixe-o subir. – disse Jasper, me segurando.

Não disse nada, minha respiração borbulhando de raiva em exasperação. Como não reagi, Mike saiu de onde estava, caminhando em direção as escadas.

- Onde você pensa que vai? – perguntei, seguindo-o.

- Vou ver minha namorada. – ele disse.

-Não lhe dei permissão para tal. – cuspi.

- Eu vou me despedir dela quer você queira, quer não. – ele gritou quando atingiu os últimos degraus. Imaginei que Bella já deve ter escutado.

Continuei seguindo atrás dele e parei na porta do meu quarto, quando vi Bella. Ela parecia confusa quando me olhou. Decidi deixá-la com o namorado e voltei para o andar de baixo.

Jasper me encarava cético. Fiz sinal pra ele que estava tudo bem e sentei no sofá, ligando a TV. Meu irmão gêmeo sentou-se do outro lado do sofá. Mesmo eu estando com os olhos fixos na televisão, sem estar mesmo olhando, já que eu não estava prestando atenção em nada, podia sentir o olhar de Jasper em mim pela visão periférica. Peguei o controle e passei os canais, sem parar em um especifico. Quando cansei de procurar o que eu nem sei que estava procurando, desliguei a TV.

- Que é Jasper? – perguntei, inquietante.

- Nada. É só que você parece que vai matar alguém. – respondeu ele.

- Quem vai matar alguém? – respondeu Alice. – Se esse alguém for Mike, pode deixar que eu mesma executo.

- Não dá idéia a ele, Alice. – disse Jasper, rindo.

- Sério, Alice. Me responde uma coisa. Como Bella consegue namorar esse idiota? – perguntei.

- Também busco respostas para esta pergunta, Edward. – disse Alice.

- Ei, gente. Ele não deve ser tão ruim. – disse Jasper.

- Aí que você se engana, meu caro. – comentou Alice.

- Por que você acha isso? – perguntou Jasper.

- Bem, porque já se passaram aproximadamente...

As palavras de Alice e Jasper começaram a ficar indistintas a meus ouvidos. Aliás, eu não estava sequer ouvindo, pois os meus pensamentos estavam longe. Estavam naquele quarto. Bella e Mike, sozinhos. Por favor, eu sei que eles não estão fazendo nada... er... nada demais. Mas eles estão juntos, no meu quarto. Talvez se beijando? Se abraçando? Não gosto desse cretino. Não o quero respirando o mesmo ar que o meu, pisando no mesmo piso que eu. Pisando na minha casa, no meu quarto.


Mas não era só isso que estava me aborrecendo, me incomodando, e essa outra coisa me incomodava mais que a presença dele. Eu procurava desesperadamente respostas na minha cabeça, mas não obtive nenhum êxito.

Como Bella, uma garota doce, inteligente, madura para a idade e tão singular, era capaz de se apaixonar por um verme como Mike? Um sujeito insolente, que há poucos minutos pensou em prejudicá-la. Eu não conseguia digerir que alguém como Mike poderia ter uma namorada como Bella.

Abaixei a cabeça e coloquei as duas mãos nos meus cabelos, bagunçando-os mais do que já estavam. Alice e Jasper ainda conversavam, e eu continuava não atento a pauta da conversa. Mas uma terceira voz na sala me fez despertar e senti um alívio quando vi que era Mike, indo embora.

- Eu estou indo. – disse ele, já abrindo a porta pra sair.

- Já vai tarde – cuspiu Alice, mas ele não voltou para responder alguma coisa.

- Esse cara deve ter um fã clube só de pessoas que o odeiam – disse Jasper, divertido.

- Então eu sou a fã número 1. – disse Alice rindo.

- Mas tem alguém que provavelmente abriria um fã clube dos que gostam – pausei – A Bella. – eu disse secamente.

Alice e Jasper trocaram olhares, mas nada falaram.

Levantei-me do sofá e fui pegar uma água.

Minutos depois, os dois irromperam à cozinha. Nos olhos a mesma expressão de agora há pouco, na sala.

- Alice vai levar algo para Bella comer. – disse Jasper.

Assenti, continuando a beber minha água enquanto observava os dois prepararem uma bandeja com café da manhã rapidamente. Alice pegou-a, desaparecendo em seguida, deixando Jasper e eu sozinhos.

Continuei estático, fitando o copo que eu segurava, pensando o quão inteligente foi o homem que inventou tantos utensílios, como um simples copo de vidro.

- Chega Edward. Você pode me explicar por que tudo isso? – despejou Jasper.

- Tudo isso o que? – perguntei, franzindo a testa.

- Isso que você está fazendo com essa garota. De trazê-la para cá e...

- Jazz – eu o interrompi. – Me desculpe. Eu nem perguntei a você e a Emmett se poderia trazer ela aqui, eu só achei que vocês não...

- Não estou falando sobre isso Edward. – ele me cortou.

- Sobre o que então? – perguntei confuso.

Ele suspirou.

- Você mal conhece essa garota, e... e você passou a madrugada no hospital, agora trouxe-a para cá...

- Ela precisava de ajuda, Jasper – pontuei.

- Sim, ela precisava. Mas, estavam todos lá, a irmã, a prima... o namorado dela. – senti náuseas quando ele mencionou o idiota – Você não precisava ter feito isso. Eles poderiam ter decidido o que fazer.

- Jasper, você me conhece. Sabe que eu jamais hesitaria em oferecer minha ajuda.

- Eu sei, Edward. É que... como eu posso dizer? – questionou a si mesmo. – É que... foi um pouco estranho. Se você pudesse ter a oportunidade de se ver quando você a viu ali, desmaiada, você parecia que ia surtar. Eu nunca vi você assim, desse jeito. Você sabe, por nenhuma garota.

- Eu não a conheço suficientemente bem para nos declararmos amigos, mas sim, eu gostei dela quando a conheci no teatro, tivemos um bom tempo juntos e acredito que ela pode ser uma grande amiga. Se ela quiser, claro. – eu disse.

- Não é disso que estou falando. – ele sibilou, quase um sussurro.


- Onde você está querendo chegar, Jasper? – perguntei, arqueando uma sobrancelha.


- É só que... se você pudesse se ver agora, e ver sua reação sempre que topa com esse namorado dela. Não sei, eu acho que você... não, esquece!

- Fala logo, Jasper. Eu o quê? – perguntei, já impaciente.

Ele olhou no fundo dos meus olhos antes de soltar:

- Eu acho que você está apaixonado por ela.

Congelei instantaneamente, deixando o copo escapar da minha mão, que caiu no chão, espalhando cacos de vidro para todo lado.

- O que você acabou de dizer?

- Que você se apaixonou por ela.

- Apaixonado por Bella? Eu? Você ficou louco? – perguntei, levantando-me da cadeira para juntar os pedaços de vidro no chão.

- Edward, se você pudesse ver como você olha para ela. Seus olhos brilham! Eu só vejo esse brilho nos olhos quando você olha para uma pessoa, e essa pessoa é a nossa mãe. – disse Jasper, que agora também se agachava no chão, me ajudando a colher os vidros.

- Eu já disse, gosto dela, mas... mas isso é um absurdo o que você está falando. Eu só conheço Bella há dois dias! – disparei.

- Edward, eu já li sobre isso e também já vi em filmes. Isso é muito comum, as pessoas se apaixonarem logo na primeira vez que se encontram. Isso é amor à primeira vista.

- Amor à primeira vista? Por favor, Jasper. Você está vendo comédias românticas demais. – ri nervosamente.

- Não é coisa da minha cabeça, Edward. Isso é fato, é realidade. Catherine Anderson escreveu sobre isso. Pesquise no Google.

- Por que você está dizendo isso? Por acaso aconteceu com você? – perguntei.

- Não comece, Edward. Estamos falando de você, não de mim. Eu posso ver claramente. Você se apaixonou por ela.

- Jasper... – suspirei, fechando rapidamente os olhos, abrindo-os logo em seguida. – Você está confundindo tudo. Não estou apaixonado pela Bella, aliás, não estou apaixonado por ninguém.

- Então me explica o que está acontecendo aqui? Explique-me, por que essa sua irritação com Mike? Por que esse altruísmo todo? E o que foi aquela troca de olhares que eu presenciei agora há pouco em seu quarto? – perguntou-me Jasper.

- Troca de olhares? Do que você está falando?

- Estou falando da bolha que eu vi em seu quarto. Você e a Bella. – respondeu enquanto jogava os vidros no cesto de lixo.

- Você está querendo dizer que eu estou apaixonado por Bella e que ela sente o mesmo por mim? – perguntei incrédulo.

Ele protelou, talvez pensando no absurdo de suas palavras. Mas respondeu instantes depois.

- Sim. Diante do que eu vi lá em cima, posso dizer que ambos estão apaixonados um pelo outro e acredite, não sou o único com essa teoria.

- Quem? Alice? – perguntei.

- Sim. – respondeu Jasper.

- Esse foi o maior contra-senso que eu já ouvi. O que há com você e Alice? Efeito da bebida de ontem?

- Estamos mais ligados que bunda de vagalume, Edward.

- Jasper, Jesus. Bella tem namorado! – berrei.

- Que ela não ama. Edward, eu acabei de discutir isso com Alice. Não mandamos no nosso coração. Essas coisas... elas simplesmente acontecem.

- Você e Alice estavam falando sobre mim e Bella?

- Mais ou menos. Edward vocês podem não enxergar isso com clareza agora, mas não têm como fugir disso, do que vocês estão sentindo. Cedo ou tarde vai acontecer.

- Chega Jasper. Eu já ouvi demais por hoje. – eu disse. Saindo da cozinha. Peguei a chave do meu carro em cima da estante e saí.

Dirigi sem rumo pelas ruas de Sacramento. Ouvi o toque do meu celular e certifiquei-me que era Jasper, mas não atendi. Precisava relaxar minha cabeça, pensar no que estava acontecendo comigo. E principalmente: precisava ficar longe das teorias absurdas do meu irmão.

Eu apaixonado por Bella? Não, eu não estava.

Lógico que isso era fácil, não seria um esforço para alguém se apaixonar por ela. Mas, comigo, isso não fazia nenhum sentido.

Ouvi pela décima vez o toque do meu celular, parei o carro no acostamento e resolvi atender.

- Fala Jasper – murmurei.

- Edward, Alice precisa pegar roupas na casa de Bella. Vou levá-la, mas alguém precisa ficar com ela. Você poderia voltar para casa? – pediu Jasper.


Não respondi de imediato. Fiquei pensando como voltaria para casa e encararia Bella, depois das coisas que Jasper fantasiou.

- Edward, esqueça o que eu disse antes, está bem? Eu... eu estava enganado. Talvez eu só esteja confundindo as coisas. Vamos enterrar aquele assunto.


- Em dez minutos estarei aí – respondi.

Desliguei o celular e liguei o carro novamente, dirigindo de volta para casa. Estacionei o Volvo na garagem e entrei. Encontrei Alice e Jasper na sala. Ambos conversavam animadamente. Eles silenciaram assim que surgi em suas vistas, mas já não estavam com a expressão de antes, como se estivessem me avaliando.

- Nós não vamos demorar. Só preciso pegar roupas para Bella vestir, e também algumas pra mim.

- Tudo bem, Alice. – eu lhe disse. – Gaste o tempo que precisar. Ficarei com Bella enquanto você estiver ausente.

– Ok. Vamos? – ela se voltou para Jasper.

Observei os dois saírem, indo em direção à garagem. Jasper tirou o carro de Emmett da garagem, que por sinal, deveria estar ainda dormindo.

Observei quando o carro desapareceu pela rua. Suspirei e subi as escadas.

*

*

Notas finais
Demorei, mas ta aí: capítulo postado!
Mais uma vez, o cap parou onde eu não queria. Vão surgindo coisas e quando vejo ficou grande.
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E no próximo capítulo tchantchantchantchan!!!Teremos BEIJO BEWARD!!!
Aewwwwwwww Até que um dia!!
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Mas enfim. Gostaria de agradecer minhas poucas leitoras, pela paciência, pelos elogios também pelas críticas. Sempre são bem vindas. Isso me impulsiona a continuar a escrever.
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Obrigada mais uma vez!
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Ah, gostaria de lembrar que deixar review não custa nada e ainda faz uma autora feliz!
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Bjussss