Talvez Seja Amor
2 Capítulo 2
Notas iniciais
POV BELLA
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Eu gostaria de continuar dormindo, se possível acordar e perceber que não passava de um sonho, ou melhor, um pesadelo, mas eu sabia que não poderia ter tanta sorte assim. A luminosidade do sol já incidia sobre a janela, indicando que chegara mais um dia. Levantei-me da cama e após fazer minha higiene matinal, desci relutantemente às escadas. Sei que não poderia continuar evitando a minha família, mas logo que cheguei à mesa para o café da manhã, continuei não falando com ninguém. Engoli rápido um suco de laranja e comi ovos fritos com bacon enquanto os três conversavam entre si, meus olhos não saindo da mesa. Logo que terminei voltei ao meu quarto, retirando do chão o colchão que eu dormira noite passada, uma vez que em meu quarto não tinha mais cama, ou melhor, não havia mais mobília. Desci novamente as escadas e o coloquei no caminhão de mudanças. Quando voltei pela última vez ao meu quarto, para pegar as malas, demorei-me parada na porta, dando uma última olhada naquele que fora o meu refúgio durante anos, dando-lhe um adeus.
Ao entrar no carro, sentei no banco de trás com Rosalie. Coloquei o Ipod no ouvido, tentando me distrair e não olhar para as expressões de felicidade dos três. Todos estavam radiantes, com exceção de mim. Minha mãe, Renée, fazia planos de decoração, de imediatamente procurar um novo emprego, para retomar os trabalhos como corretora. Charlie descrevia animadamente a casa em que a partir daquele dia viveríamos, já que ele fora o único a ir até lá e fechar a compra, nos dando detalhes sobre o tamanho e sobre como era o bairro e a vizinhança, que era afastada do centro, numa região tranqüila e que era um pouco mais fria que Los Angeles. Enquanto tudo isso acontecia Rosalie se maquiava. Novidade.
Fechei os olhos, desligando o Ipod, fazendo de conta que ainda continuava a ouvir música. Lembrei a primeira vez que nos mudamos. Morávamos em Santa Mônica, cidade localizada no oeste da região metropolitana de Los Angeles. Lugar onde nasci e cresci. Eu adorava nossa casa, próxima à praia, de um parquinho onde todas as tardes minha mãe me levava para brincar com meus amiguinhos. Quando eu tinha oito anos, meu pai conseguiu o tão sonhado emprego no Los Angeles Daily News, e com isso tivemos que nos mudar para onde morávamos até agora. Lembro-me como se fosse ontem o quanto ficara triste.
Adaptei-me rapidamente e me acostumei a viver no coração de Los Angeles e à nova escola. Até esquecera um pouco dos tempos de Santa Mônica. Eu gostava de Los Angeles. Amava, melhor dizendo. Tudo caminhava bem. Charlie recebera uma promoção e em quatro anos, já era Diretor de Redação. Fora nessa época que Renée iniciou os trabalhos como corretora de imóveis e muitas vezes, fechava ótimos negócios. Com o dinheiro entrando, o primeiro passo fora reformar a casa, em seguida meu pai mudara de carro e minha mãe obteve um próprio. Estava tudo dando certo. Apesar de a minha mãe trabalhar, apenas a grana do meu pai poderia manter a nós quatro sem que nenhuma de nós trabalhasse e ainda vivíamos confortavelmente.
A partir de então começaram as mudanças. Com a boa condição financeira, meus pais decidiram que Rosalie e eu deveríamos mudar de escola. E assim fizeram. Eu estava com doze anos e ficara muito chateada na época. Não tínhamos sido questionadas se era o que queríamos, apenas recebemos a justificativa de que iríamos para uma escola maior e melhor. Tentei argumentar, dizer que não me importava, mas não adiantou muito, pois já tínhamos sido matriculadas.
E agora, três anos depois, a cena se repetia. Mas a situação era diferente. Eu tinha quinze anos e não era mais criança, embora o meu pai tentasse me convencer o contrário, por minhas atitudes de garota rebelde, como ele dizia. Não queria deixar minha cidade, minha casa, minha escola, meus amigos. Não era justo, aqui era o meu lar. Não entendia por que sempre tínhamos que mudar tudo. Por que me afastavam de tudo.
- Bella? – fui interrompida de meus devaneios por Rosalie. Continuei em silêncio.
- Ei, estou falando com você! – ela bateu levemente em meu braço esquerdo. – Deixa de ser infantil, senhora já sou adulta. Será que você poderia conversar comigo durante a viagem?
Não respondi.
- Como você é insuportável. – ela disse em voz baixa.
Mostrei o dedo do meio pra ela.
- Parem as duas. – Charlie se intrometeu, vendo tudo pelo retrovisor. – Rosalie, deixe Bella em paz, você sabe que ela está chateada. Deixe que ela absorva a mudança. Tenho certeza que ela vai gostar de Sacramento, da nova escola, e fará muitas amizades. Ela só está sendo um pouco irredutível como sempre. – completou em um tom irritado.
- Bella, meu anjo. Não fique assim. – pediu minha mãe.
- Pai, você acha que vai conseguir arcar sozinho com as despesas de casa nesse novo emprego? Por que você não vai receber o mesmo que em Los Angeles, não é? Não que eu esteja interessada nisso, é que nunca nos preocupamos com nada, tínhamos tudo... então, queria saber se eu vou precisar trabalhar.
- Rose, nem você e muito menos Bella irão precisar trabalhar. – Charlie disse a ela. – Claro que não vai ser a mesma coisa, mas o cargo é muito bom para quem está chegando agora na empresa. Não se preocupe com isso. Além do mais, sua mãe vai procurar emprego também, mas ainda assim, com o meu salário, posso manter quase o mesmo padrão de vida.
- Quase o mesmo padrão? – minha irmã inquiriu com os olhos brilhando, mas eu estava entendendo tudo. – Isso significa que...
- Ela quer saber se terá cartão de crédito, você não entende? – a cortei, me metendo, falando pela primeira vez durante a viagem.
- Ah! A garota tem língua. – disse ela sarcasticamente. – Para me colocar contra o papai você tem língua, não é? – Rose gritou.
- Parem as duas. Será que vocês só fazem brigar? – interceptou nossa mãe no banco da frente.
- Escutem a mãe de vocês. Parem de brigar. E, Rose, vocês continuarão com o cartão de crédito, só não extrapolem o limite. – avisou Charlie.
- Claro, pai. Como quiser. – sorriu vitoriosa a irmã mais fútil do mundo.
Depois de mais de sete horas de viagem, chegamos à cidade de Sacramento, capital do estado da Califórnia. O sol da tarde ainda estava forte enquanto olhava através da janela, observando o vai e vem dos carros, pessoas andando apressadas nas ruas cheias de prédios. Passamos também por bares, restaurantes, hotéis. Não parecia tão ruim assim como pensei. Sacramento tinha um pouco de Los Angeles, por também ser cidade grande, mas claro, não tinha o mesmo glamour. Não estávamos indo morar exatamente no centro, mas numa região um pouco afastada da agitação. Segundo o meu pai, o clima era menos quente que em Los Angeles, mas era agradável.
Saíamos da parte principal da cidade, passando por uma estrada serpenteada por florestas dos dois lados. Depois de alguns quilômetros, meu pai parava o carro na frente daquele que seria nosso novo lar. Saí do carro, e fiquei parada olhando para a casa branca. Ela só era um pouco menor que a nossa de Los Angeles, mas lembrava. Tinha dois andares, uma garagem e por trás tinha uma floresta. Tudo aqui era muito verde. Percebi que todas as casas da rua eram parecidas com a nossa.
Enquanto meus pais e Rose tiravam as malas do carro, caminhei em direção a porta de entrada, encontrando-a aberta. No segundo seguinte estava no interior da casa. O piso era todo de madeira, as paredes eram de um azul-claro e o teto branco. A sala era bem espaçosa e havia ali no canto uma enorme e belíssima lareira. No teto, um lustre monstruoso, mas bonito. Passei os olhos pelo cômodo que provavelmente seria a sala de jantar. Depois me dirigi à cozinha. Como o que mais queria ver eram os quartos, que ficava no andar superior, subi as escadas. Logo que alcancei o corredor, caminhei por ele. Meu pai havia dito que todos os quatro quartos tinham banheiro. Ótimo. E, além disso, um banheiro social no andar inferior. Percebi então que havia cinco portas. Seriam cinco quartos?
Abri as duas primeiras portas e espionei os dois quartos, analisando-os. Depois, me dirigi ao final do corredor e abri a porta do lado esquerdo. Normal, iguais aos outros que acabara de ver. Abri a porta do lado direito e percebi que era uma escada que dava no sótão, mas esse eu veria outra hora. Então abri a última porta que ficava no final, mas bem em frente ao corredor. Você a vê logo que sobe as escadas. Quando abri a porta e pus meus olhos, foi instantâneo:
- Este será o meu quarto. – falei para o cômodo vazio, fazendo um eco.
Diferentemente dos outros quartos, que formavam um quadrado, este tinha a forma de um retângulo. Também diferentemente dos outros, que eram muito claros, este tinha menos luz, devido às árvores que se podia ver através da enorme janela de vidro que dava para a floresta, que ficava bem em frente à porta, fazendo sombra. Do lado esquerdo, ficava o banheiro. Não era muito grande, mas também não era pequeno. Era perfeito para mim.
- Gostou? – virei-me de súbito com o susto ao ouvir a voz da minha mãe, surgindo de repente na porta. – Desculpe. Não queria assustá-la, filha.
- Tudo bem. É que não ouvi você se aproximar. – olhei novamente ao redor. – Eu escolhi este quarto. Quero ficar aqui.
- Então que seja o seu quarto. – ela sorriu, entrando. – Bella, sei que você ainda está muito chateada conosco, mas filha tente entender que seu pai e eu só...
- Tudo bem, mãe. Eu já ouvi essa história mil vezes. – a interrompi. – Não precisa repetir. Não se preocupe comigo. Vou ficar bem.
- Não gosto de ver você chateada. Não gosto desse clima entre nós. – apontou com o dedo entre nós duas com olhos agoniados. Sei que ela estava sofrendo com minha hostilidade.
- Não estou mais tão chateada. O que mais posso fazer? Já estou aqui agora, não estou? Eu já deveria ter me acostumado com mudanças em minha vida. – sorri fracamente para ela.
- Me perdoa? – ela pediu.
- Mãe, não tenho que perdoar nada. Você não tem culpa. – caminhei até a janela, ficando de costas para ela. – Aqui não parece ruim.
- Não é. – ouvi sua voz atrás de mim. – Tenho certeza que você vai gostar da nova escola e logo estará rodeada por novos amigos.
- Não sei se vou querer fazer novos amigos. – disse a ela.
- Bella, se você não fizer amizades vai se sentir só. Por favor, não pense assim. – pediu minha mãe.
- Não quero me apegar e ter que me despedir deles daqui a alguns meses ou alguns anos. Vai ser melhor assim. – disse com minha voz calma.
- Nós não vamos mais ir embora daqui. – ela disse, tocando meu ombro.
Virei-me e a encarei.
- Quem garante? – questionei.
- Eu garanto. – ela sorriu e se inclinou, beijando minha testa. – Promete que você vai tentar ser feliz aqui? – inquiriu com um olhar de súplica.
Ficamos olhando uma para a outra durante algum tempo antes que eu pudesse lhe responder.
- Prometo.
Ela sorriu amplamente.
- Agora você poderia me dar um abraço? – os olhos dela estavam cheios de lágrimas.
Sorri e dei um passo, a abraçando.
Não pude evitar que as lágrimas caíssem quando nos abraçamos. Eu amava muito a minha mãe e estava sentindo falta disso. Desde que a mudança para Sacramento tinha deixado de ser apenas um plano e virado realidade que eu havia colocado uma distância entre nós, e honestamente isso estava me matando. Não suportava ficar assim com Renée, nem mesmo com Charlie, mesmo ele sendo o tipo de pessoa que não ficava muito à vontade quando se tratava de externar emoções.
- Vamos descer? – pediu, limpando as lágrimas dos olhos. – Temos um dia cheio pela frente, muita coisa para organizar se quisermos deixar a casa arrumada em até uma semana. – ela sorriu.
- Vamos. – concordei, enxugando minhas próprias lágrimas.
De mãos dadas descemos, iniciando a árdua tarefa de arrumar a casa. Parte da nossa mobília já tinha chegado no dia anterior. O restante chegara no caminhão de mudanças que seguiu nosso carro de Los Angeles até aqui. Nossa meta era deixar tudo em seu lugar em uma semana. Será que conseguiríamos?
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Notas finais
Mas acho que boas coisas virão para a Bella nessa nova cidade. Quem concorda comigo?
Obrigada por lerem ;)
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