Talvez Seja Amor
3 Capítulo 3
Notas iniciais
POV BELLA
Dias Atuais...
O tempo passa como um sopro, e nós nem percebemos a vida correr tão depressa. Parece que fora mês passado que nos mudamos para Sacramento, quando na realidade tinha sido há quase dois anos, numa época em que eu me encaixava no perfil da típica adolescente revoltada com o mundo e que queria ser notada, embora possa parecer estranho que eu esteja admitindo isso agora. A verdade é que assim como a terra gira, a vida também realiza movimentos giratórios, onde tudo muda. Inclusive as pessoas.
Algumas coisas continuam iguais de quando nos mudamos, mas muita coisa aconteceu ao longo do tempo. Nova escola, novos amigos e, totalmente inesperado para mim, um namorado. E lembrar o meu primeiro dia de aula na Encina High School me traz muitas risadas. Como eu fui patética aquele dia! Continuava chateada com minha irmã e fui disposta a não conquistar novas amizades. Conversar apenas quando necessário. Mas nem tudo sai como queremos...
Início Flasback Bella
Charlie nos levou de carro, Rosalie e eu, até a porta da escola, como fizera inúmeras vezes quando estudávamos na nossa antiga escola, o que virara rotina todas as manhãs, uma vez que a nova escola era caminho do seu trabalho, no centro.
- Vejo vocês mais tarde. Boa sorte no primeiro dia. – disse Charlie quando saíamos do carro. – Ér... Bella. – virei-me e olhei para ele. – Por favor, não seja difícil, está bem?
- Como se isso fosse possível pai. – Rosalie revirou os olhos. – O que nasce torto nunca se endireita.
- Rose. – meu pai a chamou em tom de advertência.
- Está tudo bem, pai. Não me importo com o que ela diz. Não se preocupe com isso. – disse a ele.
Quando meu pai se foi, me voltei para ela.
- Qual a merda do seu problema? – perguntei enervada.
- Você era a única que não queria se mudar e fica com o melhor quarto da casa. Essa é a merda do seu problema. – ela gritou para mim, na calçada, chamando a atenção de alguns dos alunos.
Duas novatas e além de tudo discutindo. Ótima forma de começar o primeiro dia de aula. – pensei para mim mesma com ironia.
- Você só o quis porque eu o escolhi. Ele nem é o maior. – repliquei.
- E isso agora importa? Você ficou com o quarto não ficou? Faça bom proveito. – falou, colocando o óculos escuro no rosto e entrando triunfante na escola.
Fiquei parada, olhando Rosalie passar pelo portão. Percebi que uma platéia de meninos se formara. Todos observado-a, admirando-a. Literalmente babando por ela. Não posso deixar de admitir que Rosalie era realmente muito linda, além de ter um corpo invejável. E olhando para mim mesma, tudo que eu podia enxergar era uma garota magra e de cabelos castanhos, comum, normal. Não que eu me achasse feia, não era isso. Mas por outro lado não tinha o cabelo loiro da Rosalie, ou o seu bumbum empinado, ou ainda belas pernas firmes e torneadas com a malhação desde que ela tinha quinze anos.
Por que a vida era injusta comigo hein?
Sacudindo a cabeça, tentei ignorar esses pensamentos e segui para minha aula. Dirigi-me até a secretaria para pegar meus horários. Verifiquei que teria aula de física no primeiro horário. Localizei minha sala e, um pouco receosa em chamar a atenção, entrei nela. Sentei-me numa carteira vazia e esperei o professor entrar para dar início. Mantive os olhos baixos, para o meu caderno mais precisamente. Mas era inútil, uma vez que eu sentia os olhares dos colegas de turma sobre mim. A curiosidade em relação a mim era palpável, o que estava me deixando desconsertada. Suspirei de alívio quando o professor finalmente chegou, iniciando a aula, onde tudo transcorreu normalmente.
Quando o sinal tocou, fugi rapidamente da sala para a minha segunda aula. Até que uma garota que estava nesta aula de física se aproximou de mim enquanto eu caminhava pelo corredor.
- Olá. Isabella não é? – pediu a garota sorrindo, que usava óculos de grau.
- Sim, mas pode me chamar de Bella. – disse a ela.
- Certo, Bella. Meu nome é Ângela. – ela estendeu a mão. – Percebi que você é nova por aqui. Qual sua próxima aula?
- Humm, aula de história. – respondi soltando a sua mão e olhando meu horário.
- Vem comigo. Eu te mostro a sala.
Sorri fraco e a segui. Agradeci mentalmente a garota prestativa por não me fazer perder tempo procurando minha próxima sala.
- Pronto. Aqui está a sala de história. – anunciou, para na entrada. – Nos encontramos no refeitório então. Até mais, Bella. – ela sorriu.
- Obrigada.. er.. Ângela – respondi simplesmente.
Ela se foi e então entrei na sala, sentando-me. Logo em seguida, se senta uma garota do meu lado. Ela parecia ter minha altura, tinha o cabelo liso, comprido. Seu nome era Jessica, e logo após se apresentar, não parou mais de falar.
Após a aula, Jessica me arrastou até o refeitório, me fazendo sentar numa mesa com vários dos seus amigos, com Angela entre eles.
- Bella. – Angela sorriu largamente para mim. – Vejo que conheceu a Jessica. Bom... deixa eu te apresentar o restante da turma.
Angela em seguida me apresentou um por um. O primeiro era Mike, que lançou-me um sorriso caloroso. Parecia ser simpático. Ao lado dele estava Eric, que também parecia legal e tinha descendência oriental. Também fui apresentada a Lauren, o Tyler e o Ben. À propósito, não sei se era apenas impressão ou se era a minha percepção mostrando suas garras, mas percebi trocas de olhares entre Angela e Ben. Será que eles se gostavam? Bom, ainda era cedo para saber, mas acreditava que sim.
Em duas semanas na nova escola já saía com a turma de Angela e Jessica, que após um tempo também tornara a minha turma. Angela era um doce de pessoa, se tornando rapidamente uma grande amiga, assim como Jessica. O único problema desta última, porém, era ser muito tagarela. Juntas fazíamos coisas triviais como ir ao shopping, ao cinema, sorveteria, ou mesmo estudarmos juntas para uma prova. Vivíamos sempre indo à casa da outra.
Semanas depois, percebi que Mike começara a nutrir sentimentos por mim. Foi uma surpresa, confesso, uma vez que nunca antes soubera de alguém interessado em mim em Los Angeles. Não demorou muito para que ele me convidasse para irmos ao cinema. Sozinhos.
- E então, Bella, que filme você quer assistir? – perguntou Mike enquanto estávamos na fila.
- Não sei ainda. Eu queria assistir aquele do cineasta francês, mas na tenho idade suficiente. – disse em um tom desapontado. – Por falar em idade, quantos anos você tem? – perguntei.
- Dezesseis. – ele respondeu. – E você quinze, certo? – inquiriu.
- Isso. – sorri para ele.
- Que tal se assistíssemos a uma comédia romântica? – ele propôs.
- Tudo bem. Qual você sugere?
- Está passando "Procura-se um amor que goste de cachorro". Parece ser legal. – ele disse apontando para o pôster do filme.
- Humm. Ok. Vamos ver esse. – concordei, sorrindo.
Após Mike pagar nossos ingressos, nos acomodamos em nossos assentos e ficamos conversando antes do filme começar.
- Bella, queria dizer que estou adorando estar aqui com você – disse-me Mike.
- Eu também, Mike. Você está sendo uma ótima companhia. – disse a ele. Eu estava sendo realmente sincera. Mike era muito agradável comigo.
Neste momento vi Mike aproximar-se do meu rosto, fechando os olhos em seguida. Foi completamente surpresa que senti seus lábios tocando os meus. Não sabia bem o que fazer, afinal, nunca tinha sido beijada antes. Então, apenas fechei os meus olhos e me deixei ser possuída pelo momento. Fora um beijo doce, calmo. Mike foi muito carinhoso, e o beijo saiu naturalmente. Quando dei por mim já estava com meus braços em volta do seu pescoço.
E assim havia sido o meu primeiro beijo.
Não demorou para que alguns dias depois Mike se tornasse meu primeiro namorado. Dois meses morando em Sacramento e eu já tinha namorado. Parecia tão surreal. Eu gostava do Mike como amigo, mas nunca pensei que acabaríamos namorando. Meu pai não apoiou muito no início, por me considerar nova demais na época, cedendo então quando minha mãe intercedeu por mim. Não demorou muito para Rosalie também aparecer com um namorado em casa. Ele se chamava Royce, e também era da escola.
Fim Flasback Bella
Eu estava no último ano da escola. Nem acreditava nisso. Mas estava preocupada que ainda não tinha escolhido que universidade iria no próximo ano. Estava em dúvida entre Literatura e Cinema. Mike tinha alguns planos, ele tentava me convencer a fazer algum curso em Dartmouth, já que era para lá que ele iria. E eu não conseguia esconder minha falta de animação quando ele tocava no assunto. De acordo com seus planos, dividíramos moradia e eu não queria morar com ele. Não assim tão cedo. Eu o queria perto, mas não sob o mesmo teto, como se fôssemos viver como marido e mulher. Meu pai também não gostava nem um pouquinho dessa idéia. Eu sei que Mike estava apenas preocupado com o nosso namoro, porque sei que ficaria complicado nos encontrarmos, embora eu o dissesse que daríamos um jeito. Fins de semana, feriados, férias. Nos veríamos nestes períodos. Além disso, não estava querendo sair de perto da minha família. Não agora.
Às vezes me pego pensando como seria quando nos separássemos por tanto tempo. Apesar de tudo, da minha resistência em morarmos juntos como ele planejava, Mike era meu amigo, meu namorado, minha companhia.
Quando saí da escola, despedi-me de Mike com um beijo e fui em direção ao meu carro no estacionamento. Isso era uma outra novidade: agora eu tinha um carro. Ganhei quando fizera dezesseis anos. Era um Jaguar ano de 1998. Era o máximo. Papai também deu um a Rose, quando ela enfim conseguiu tirar a carteira de habilitação. Era um Pajero do ano de 2002. O carro era melhor que o meu, mas fora exigência dela, dizendo que era por causa do trabalho. Sim, por incrível que pareça, Rosalie trabalhava. Mas eu sabia bem que não era por causa do trabalho, mas porque ela não queria um carro menos expressivo. Contudo, não me importava com isso. Rosalie e eu já não brigávamos como antigamente.
Apesar de sentir vergonha de ser sua irmã na escola durante um tempo, especialmente depois que soubera de sua proeza de passar o rodo, isso mesmo, o rodo, na grande maioria dos colegas de turma, aos poucos começamos a nos dar bem. Rosalie mudara um pouco quando engatou um namoro com o Royce, o craque do time de football da escola. Mas não durou muito. Royce foi para Syracusa fazer faculdade e Rosalie preferiu ficar em Sacramento trabalhando na Gucci. Ela entrou como vendedora, e em três meses já era gerente da loja. Desconfio que a minha irmã tenha seduzido o representante da Gucci de Sacramento para subir de cargo. Chegou um tempo em que ele a telefonava todos os dias, convidando-a para sair. Rose nunca negara os convites. Meu pai não gostava muito dele, mas o que podia fazer? Ela tinha completado dezoito anos na época, trabalhava e se achava dona do próprio nariz.
Naquela tarde, ao chegar em casa, corri para o meu quarto. Era bom ficar em casa sozinha durante as tardes enquanto todos trabalhavam. Tinha a casa só para mim. Mas não ter o que fazer também me incomodava muito. Para não ficar no ócio, preenchia meu tempo livre fazendo curso de teatro na escola nas terças e quintas. Na verdade, eu também fazia curso de teatro na minha antiga escola, em Los Angeles, embora fosse apenas um passatempo. Mas aqui em Sacramento comecei a encarar o curso de forma diferente, era algo que eu adorava fazer, principalmente quando descobri que eu era boa em atuar. O único problema era minha timidez e o pavor que me consumia nos dias de apresentações na escola. Só em subir no palco do teatro minhas pernas ficavam bambas. Eu preferia os ensaios, com o teatro vazio.
Dias atrás, recebi uma proposta do Sr. Gottan, professor de teatro, para fazer um teste para entrar no grupo do famoso Teatro Espejo. Era tentadora, mas não sei se conseguiria. O curso da escola era muito amador e pelo menos eu conhecia a maioria das pessoas que iam nos prestigiar nas apresentações. Mas teatro grande e com pessoas desconhecidas era outra história.
Fui olhar o calendário em que dia da semana aconteceriam os testes, foi quando me dei conta que meu aniversário de dezessete anos estava chegando. E o dia do teste seria exatamente neste mesmo dia, ou seja, dali a uma semana.
- Parece que foi um mês atrás que ganhei meu carro quando fiz dezesseis anos, e agora já estou prestes a completar dezessete. Acho que estou ficando velha. – murmurei para mim mesma fitando o calendário do mês de setembro.
Caminhei até meu mural de fotos, contemplando cada uma individualmente, recordando os momentos da minha vida. Fotos minha quando eu era pequena, fotos na minha primeira escola, fotos dos bons momentos em Los Angeles com minhas antigas amigas, fotos com minha família, fotos com minha querida prima Alice. Parei por um momento olhando o seu retrato. Como sentia falta daquela baixinha. Alice era mais que prima, éramos amigas, irmãs. Considerava Alice mais minha irmã que a própria Rosalie, mesmo que nosso relacionamento estivesse melhorando com o tempo. Alice era a simpatia em pessoa. Rosalie também a adorava. Elas tinham a mesma idade, estudaram juntas em Los Angeles, saíam juntas, tinham o mesmo círculo de amizades e tinham praticamente os mesmos gostos. A diferença era que Rose sempre foi um pouco mais fútil, além de ser egoísta. Alice não era assim.
Foi quando de repente ouvi meu celular tocar.
- Alô? – falei quando atendi.
- Hey. Liguei para saber se já estava em casa e se está tudo bem por aí.
- Oi Mike, acabei de chegar. Você sabe, não corro risco de ser seqüestrada. – disse a ele, rindo.
- Mas eu gosto de sempre saber como você está. E então, está sozinha? – meu namorado perguntou.
- Sim. Por quê? – inquiri, me sentando em minha cama.
- Não, nada. Na verdade... bom, queria saber se você gostaria que eu fosse até sua casa. Sei lá, te fazer companhia.
Pensei um pouco na proposta, se queria ou não companhia naquele momento. Mas ele era meu namorado e bem, não era a primeira vez que ele vinha quando estava sozinha.
- Tudo bem. Podemos ver algum filme.
- Em meia hora estarei aí.
- Ok. Vou tomar banho. – despedi-me e desliguei, seguindo até o banheiro.
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Notas finais
Vamos ver o que acontecerá no próximo capítulo.
Obrigada por lerem :)
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