Notas iniciais
Gente, gostaria de pedir perdão pela demora e agradecer pela paciência.
Como é de conhecimento de todos, eu estava sob efeito Robsten e a minha cabecinha não conseguia raciocinar. Sem contar que minha vida se resumiu ao twitter durante a semana Robsten no Rio. huashuashuashuas
Mas aí está. Capítulo postado!

POV BELLA

Ainda absorta com o que acabara de acontecer, mantive meus olhos fechados por alguns instantes. Resgatei do meu subconsciente uma lembrança de não muito tempo atrás, mas que ali, naquele momento, eu tinha muita convicção do que significava.

FLASHBACK ON

- Alô?

- E então? Vocês saíram? O que fizeram? Conte-me tudo Bella!!

- Jessica, não acredito que você me ligou a essa hora só pra saber isso!

- Deixa de enrolação e diz logo como foi o encontro com Mike!!

- Bom... fomos ao cinema.

- Certo. Isso eu já sabia. Mas e depois...?

- E.. bem... nós ficamos juntos.

- Ficamos juntos como? Tipo, vocês se beijaram?

- Sim, Jessica, nos beijamos. Era só isso que queria saber? Eu quero dormir.

- AAAAAHHHHHHHHHH Bella. Detalhes, detalhes. Quero todos os detalhes. Como foi?

- Que pergunta Jessica. Como é um beijo? Duas bocas movimentando-se em sincronia.

- Dãããã Bella, eu sei. Mas quero saber sobre você, o que você sentiu. Afinal, foi seu primeiro beijo. E aí? Sentiu as borboletas no estômago? Um tremor pelo corpo ou uma quentura no meio das pernas?

- Jessica!! Claro que não! Foi... foi só um beijo. E foi bom. Foi lindo. E que papo é esse de.. borboletas?

- Perai. Foi lindo? É só isso que você tem pra me dizer?

- Sim. O que você queria que eu dissesse?

- Você pelo menos ficou com a calcinha úmida?

- Jessica!! Claro que não!

- Sério, Bella? Você não ficou nem um pouco excitada?

- Eu...Ah! Não sei Jessica. Acho que não. Por quê? Deveria?

- Quando estamos atraídas por alguém, sim.

FLASHBACK OFF

Naquele dia — em que Jessica me telefonara animada sem sequer esperar chegar o dia seguinte para saber detalhes do meu primeiro encontro com Mike — o diálogo que tivemos não me causou nenhum impacto e muito menos fez alguma diferença na época. Dias depois, Mike e eu engatamos um namoro.

Agora, aquelas palavras faziam sentido. Muito sentido.

Não precisei pensar muito e com tempo suficiente compreendi, enfim, todos os meus questionamentos em relação ao que eu sentia por Mike.

O porquê de eu não me incomodar quando ele passava um dia sem me ligar — se bem que ele nunca conseguiu fazer isso; o porquê de eu não sentir saudades com a mesma intensidade que ele sentia quando ficávamos horas ou dias sem se ver; o porquê de eu não corresponder às suas tentativas de avançarmos no contato físico; o porquê de eu nunca entender quando as pessoas relatavam os tremores pelo corpo enquanto era beijada, ou o choque e a queimação na pele com um simples toque, e eu nunca tinha conseguido sentir isso. O porquê de eu nunca ter pronunciado Eu Te Amo.

O que eu sentia por Mike desde o primeiro dia, podia ser uma série de coisas menos amor. Agora eu enxergava tudo com muita clareza. Por que eu não percebi isso antes?

Eu jamais o amei e, francamente, depois de todo esse tempo em que estivemos juntos em que eu não consegui sentir amor por ele, sem dúvida alguma depois de hoje com Edward eu jamais chegaria a amá-lo.

Agora eu entendia tudo. Agora compreendia que, no fundo do meu peito, os meus sentimentos por ele não passavam de carinho. Um tipo de carinho que sentimos por um amigo.

Eu estava despedaçada por dentro. A verdade causando dor em meu interior. Não estava inteiramente certa do que eu estava sentindo por Edward, mas eu tinha absoluta certeza do que eu não sentia por Mike.

Eu sabia que tudo mudaria e magoar Mike seria inevitável.

No momento em que Rosalie pôs os pés na casa de Edward para me levar pra casa, naquele momento, eu soube que algo entre mim e Edward havia mudado. Eu não conseguia e nem queria ir embora, e eu podia ver nos olhos dele que ele também não queria que eu fosse, muito menos. Eu não tinha certeza do que ele estava sentindo, porque, sinceramente, nem eu mesma sei o que realmente está acontecendo entre nós.

Passei as duas horas seguintes, enquanto estávamos no restaurante e no Tower Bridge, refletindo sobre todos os acontecimentos daquele dia, e em tudo que aconteceu desde o dia em que Edward e eu nos conhecemos. E ali, sentados lado a lado contemplando à noite, eu sabia que não adiantava fugir e fazer de conta que não havia nada acontecendo entre a gente. Edward ia embora no dia seguinte e aquele silêncio estava me matando. Criei coragem pra tocar no assunto, mas ele parecia não entender ou estava tentando fugir, como se nada estivesse acontecendo. Eu não queria que ele simplesmente se fosse, sem que pudéssemos conversar. Eu não queria continuar com essa angústia.

Quando estávamos na frente da minha casa eu desisti de insistir com isso e simplesmente desci do carro, sem me despedir dele. Já estava praticamente na porta de casa, quando percebi Edward sair do carro gritando pelo meu nome, aproximando-se de mim, me fitando com tanta intensidade e dizendo que sabia do que eu estava falando. No instante em que seus olhos miraram meus lábios, eu só tinha certeza de duas coisas. Edward queria me beijar. E eu queria beijá-lo.

Beijar Edward não era como algo que eu já tivesse provado antes. Claro, eu nunca havia beijado daquela forma. Nunca havia sentido todas aquelas sensações que o beijo dele me proporcionara. Eu estava em puro êxtase. Suas mãos depositaram em meu rosto, e em seguida, as minhas correram para a sua nuca. Tive medo de no momento seguinte sentir arrependimento, o que era impossível, pois a forma como nossos lábios se moldavam, não me deixavam dúvidas que isso era muito certo, o que me levou a ter ainda mais coragem de aprofundar o beijo, quando senti Edward invadir minha boca com a sua língua, tornando o beijo ainda mais urgente, mas intenso, e eu não me importei de corresponder da mesma forma. Minutos depois, quando nossos lábios se descolaram, eu já sentia falta do seu hálito misturado com o meu, de sentir a maciez dos seus lábios, a força dos seus braços e o aperto na minha cintura.

Abri meus olhos enfim, minhas pálpebras tremendo, encontrando os olhos de Edward. Eu nunca tinha visto alguém me olhar da forma como Edward me olhava, com tanta intensidade. Ele parecia calmo e sereno, mas eu podia enxergar uma pontada de cautela neles.

Edward despertou em mim uma sensação desconhecida, estranha até então. A sensação que tanto me perguntei se um dia chegaria a sentir por Mike. E foi então que a realidade me bateu. No instante que me conscientizei do quanto eu havia gostado e queria sentir mais disso, eu lembrei de Mike. Era praticamente impossível não pensar nele naquele momento, porque eu sabia o quanto eu o magoaria. Senti meu choro escorregar, tentando lutar para que as lágrimas não caíssem.

De repente o semblante de Edward ficou muito sério. Angustiado. Seu rosto assumiu um molde desesperado. Ele me alertara que não queria saber o depois e eu me perguntei se talvez ele pudesse estar arrependido.

Quando tentei abrir a boca pra falar alguma coisa, Edward soltou-se de mim, cedo demais. O seu olhar desviou do meu, fixo agora em algum ponto atrás de mim. Virei-me de imediato e vi Rosalie em pé, na janela, nos observando. Ela fechou a cortina, saindo da janela em seguida.

- Bella, desculpa, eu... eu não devia.... eu... Eu tenho que ir. – disse Edward dando-me às costas indo em direção ao carro.

- Não. Espera – sussurrei. Edward, colocou as duas mãos na cabeça, bagunçando os cabelos, e então voltou-se para mim.

- Me desculpe. Eu não devia ter feito isso.

- Não, não se desculpe. – murmurei.

- Eu... Não devíamos ter feito isso, Bella. Eu posso ver, você não está bem. Eu sinto muito. Preciso ir. – falou entrando no carro, acelerando em seguida, cantando pneu.

- Edward... – tentei gritar, tarde demais.

O volvo sumiu pela rua e eu continuei ali, em pé na calçada. Desnorteada. Incrédula.

O que foi isso?

Eu não posso acreditar que Edward estava achando que eu não estava bem por ter beijado ele. Eu estava me sentindo mal, claro. Não pelo beijo, mas por ter enganado a mim e a Mike durante todo esse tempo. Por não ter enxergado o tipo de relação que tínhamos antes que isso chegasse aonde chegou. Por não ter ouvido os conselhos de Alice, por ter sido tão cega. Eu me sentia mal porque eu sabia que era praticamente impossível que nós dois saíssemos dessa situação incólumes. Magoaria Mike, e sei que vou decepcioná-lo quando ele souber que Edward e eu nos beijamos.

Porque sim, eu iria contar. Eu tinha que ser honesta com ele, conosco, como sempre fomos durante esses quase dois anos de namoro.

Eu tinha que ser honesta com ele, e terminar o quanto antes o nosso namoro.

Eu já estava me virando para entrar em casa quando ouvi a voz da minha mãe, na porta.

- Bella. O que você está fazendo aí fora?

Eu não respondi e caminhei em direção a porta, parando ao lado dela.

- Eu.. vim tomar um ar.

- Onde você estava? Eu nem vi você chegar da escola. E quem estava aí com você? Ouvi um barulho de carro.

- Eu... eu... eu vou pra o meu quarto. – respondi, subindo as escadas correndo.

Entrei no quarto e joguei-me na cama, com o abdômen virado para o colchão, enterrando minha cabeça num dos travesseiros. Logo, ouvi o barulho da porta se abrir, para em seguida ser fechada. Antes mesmo que emitisse algum som de voz, eu já imaginava quem seria.

- Bella, o que foi aquilo que eu vi lá fora?

Levantei a cabeça e encarei Rosalie, que estava em pé, com as duas mãos na cintura, olhando-me inquisitiva.

Sentei-me na cama e agarrei o travesseiro num abraço.

- Edward e eu nos beijando, você viu. – respondi, com a voz baixa.

- Eu sei que foi um beijo, mas.. Bella, você ficou louca? Beijar Edward aqui? Na frente de casa?

- Aconteceu ta bom? Não era você que insistia para que eu conhecesse outros garotos? – falei, um pouco irritada.

- Conhecer garotos é uma coisa, querida. Mas sair agarrando o primeiro que aparece e ainda mais na porta de casa não foi o que eu aconselhei!! Você perdeu o bom senso?

- Quem mais viu?

- Para a sua sorte, apenas eu. Quando ouvi o barulho de um carro aqui na frente, imaginei que fosse Edward e olhei pela janela. Vi toda a movimentação de vocês. Desde o momento que você saiu do carro, que ele veio logo atrás de você e quando... e o resto. Você sabia que o papai estava na sala?

- Desculpa, Rose. Não pude evitar.. er.. nós...O papai, ele... O que você fez?

- Por sorte o papai estava compenetrado num jogo de futebol na TV e a mamãe estava arrumando a cozinha. Fiquei vigiando para que nenhum dos dois abrissem a porta ou chegassem próximo a janela.

- Obrigada. – falei sincera.

- Não precisa agradecer. E vou te dar um aviso, Bella. Que isso não se repita. Se você quer sair beijando outros garotos por aí, é melhor ficar solteira. – disse, indo embora em seguida.

Se eu estava péssima, agora eu estava ainda pior.

Não bastasse estar me sentindo mal em relação a Mike, não bastasse Edward ter ido embora daquele jeito, agora tinha a minha irmã jogando na minha cara que o que eu fizera, era atitude de uma vagabunda. Não era preciso Rosalie soletrar para que eu entendesse o que ela quis dizer.

Será que Edward estava pensando como Rosalie, por isso que ele saiu daquele jeito? Será que ele estava pensando isso de mim?

Entrei em desespero com o pensamento e levantei-me rapidamente da cama, andando de um lado para o outro no quarto.

Como alguém podia estar no céu numa hora e no inferno na hora seguinte?

Eu sei que seria difícil com Mike, que talvez ele não me perdoasse, mas o fim do nosso compromisso era a única certeza que eu tinha naquele momento. Com Rosalie eu podia lidar, mas com Edward não. Eu não conseguiria conviver com essa idéia, que ele pudesse estar com uma má impressão de mim. Não depois do dia incrível que passamos juntos, não depois das nossas conversas, das nossas risadas, das horas que passamos na biblioteca, depois da música que ele compôs em meu nome, do nosso jantar no restaurante italiano, não depois dele ter me beijado daquela forma.

Se não bastasse toda a minha angústia e impotência, vejo uma Alice emburrada entrar no meu quarto, se queixando.

- Jasper é muito estranho. – disse Alice sentando na minha cama, enquanto eu continuava minha peregrinação de cavar um buraco no chão do quarto, andando de um lado para o outro.

- Uma hora estamos bem, conversando. E do nada ele muda, ele parece querer fugir de mim. Você acha que há algo de errado comigo, Bella?

Não respondi, porque na verdade nem ouvi direito o que ela estava perguntando. Meu pensamento estava muito longe desse quarto.

- Bella, estou falando com você. Você está me ouvindo?

- Han?

- Por que você está desse jeito? Aconteceu alguma coisa? – perguntou Alice.

- Sim. Quer dizer, não. Ai Alice. – falei sentando-me na cama também, ao lado dela.

- Sim ou não, Bella? Você está me deixando assustada!

- Não foi nada, Alice. Não se preocupe. É coisa minha.

- Você tem certeza?

- Tenho. Eu... Eu preciso dormir. — falei indo até o closet, pegando um pijama qualquer.

- Ok. Vou deixar você dormir. Mas, caso queira conversar sobre o que quer que esteja acontecendo, é só me procurar. Eu sei que há algo mas não vou te pressionar. Sinta-se à vontade para quando quiser se abrir. – falou, dando um meio sorriso.

- Eu sei Alice – disse abraçando-a. – Sei que posso contar sempre com você.

- Tem certeza que não quer conversar agora? – perguntou.

- Não. Agora eu preciso pensar. Ficar sozinha.

- Tudo bem. Vou pro meu quarto. Também preciso descansar. Passei essa noite em claro, vigiando seu sono. Boa Noite – disse, levantando-se para sair.

- Boa noite Alice. E obrigada por tudo.

Ela me olhou sorrindo e saiu.

Não tinha o costume de dormir com a porta trancada, mas hoje eu precisava mesmo ficar sozinha. Só faltava agora a minha mãe entrar no quarto.

Coloquei meu pijama, uma calça e uma camisa de bolinhas, escovei os dentes e tomei a medicação que o Dr. Masen receitara. Deitei-me na cama e fechei os olhos, deixando os pensamentos me invadirem novamente. Se bem que eles nunca realmente haviam me abandonado.

Naquele momento, eu só conseguia pensar em duas coisas e eu não tinha certeza qual dos dois pensamentos mais me consumia. A sensação do beijo ou a possibilidade de rejeição de Edward. Mas, se tinha uma coisa que eu sabia, era que eu não poderia conviver com essa última.

Eu quero Edward na minha vida. Eu o quero de alguma forma, até mesmo como um amigo. Porque, sinceramente, depois do que aconteceu na frente da minha casa, não me ajudava a parar de pensar na possibilidade dele não me querer nem como amiga.

Uma dor fervilhava no meu peito com o pensamento e eu me encolhi na cama, sentindo as lágrimas correndo pelo meu rosto. Talvez eu não devia ter beijado Edward. Não hoje. Não quando eu ainda era uma pessoa comprometida.

Por que eu não percebi antes que eu nunca fui apaixonada por Mike? Talvez evitasse todo esse sofrimento e todos aqueles que eu ainda causaria quando Mike souber o que aconteceu, e principalmente quando eu terminar. Se eu tivesse consciência disso antes de conhecer Edward, agora eu não estaria me sentindo assim, tão desprezível.

Não sei em que momento da noite enfim fechei os olhos e dormi. Também não tinha idéia que horas eram e por quanto tempo eu dormira. Mas sei que não devia ser tão cedo, a claridade do lado de fora da janela dava indícios de que o dia começara há muito tempo.

Tentei levantar minha cabeça para olhar as horas no relógio do criado-mudo, mas logo a derrubei novamente sobre os travesseiros, após sentir uma dor de cabeça e uma fraca dor no pescoço.

Entrelacei meus dois braços na altura dos meus olhos, que agora estavam fechados. Meu pensamento novamente em Edward.

Hoje ele iria embora. Passaria sabe-se lá quanto tempo fora. Inicialmente seria dois ou três meses, mas eu bem sei que isso era muito relativo e que poderia se estender por muito mais tempo.

Quando eu o veria de novo?

Decidi levantar da cama e tentar fazer alguma coisa de útil.

Paralisei quando vi o livro que Edward me dera em cima da mesinha do computador. Rosalie devia ter colocado ali quando eu ainda não tinha chegado em casa.

As lembranças do dia anterior inundando a minha consciência.

Sai rapidamente do quarto, rumando em direção ao quarto de Alice.

- Alice, eu preciso falar com você. – falei ao entrar no quarto, sem ao menos bater na porta, encontrando uma Alice dormindo com uma máscara negra nos olhos.

- Ai Bella, tem que ser agora? Tô com tanto sono! Você sabe, não dormi ontem. – falou uma Alice quase mal humorada.

- Eu sei, mas é importante. – falei sentando-me na ponta da cama.

- Fala que eu tô ouvindo. – Disse, a voz audivelmente sonolenta.

- Ontem à noite você me pediu para procurá-la, caso eu quisesse conversar sobre o que estava me incomodando. – falei, um pouco nervosa.

- Humm... – ela disse, aparentemente ainda dormindo.

- Edward e eu nos beijamos. – soltei de uma vez. Logo vi uma Alice sem máscaras nos olhos, sentada na cama e totalmente desperta, sem nenhum resquício de sono.

- Vocês o que? – perguntou incrédula.

- Nos beijamos. Aqui, na frente de casa.

- Oh. Meu Deus. – ela disse pausadamente, com os olhos arregalados.

- Eu estou mal, Alice. Eu não devia ter feito isso. – falei choramingando.

- Por quê? Não foi bom?

- Não. Não é isso. Pelo contrário. Eu não tenho nem palavras que expressem como me senti sendo beijada por ele. – respondi, de repente saudosa.

- Então... não entendo. Por que você está mal? – perguntou confusa.

- Alice eu tenho namorado, esqueceu? Beijar Edward foi a coisa mais certa que eu fiz, quer dizer, foi a coisa certa no momento errado.. Não. Não era isso que eu queria dizer. Foi uma coisa errada que... Ah! Você entendeu.

- Não, não estou entendendo. Você está querendo dizer que foi bom beijar Edward, mas que você está se sentindo mal por causa do seu namoro com o Mike. É isso?

- É. – respondi tristemente.

- Bella, por favor. Só sendo cego pra não perceber que o seu namoro com Mike nunca passou de um relacionamento entre dois amigos. Por isso eu sempre te incentivei a sair, a conhecer outros caras, porque eu sabia que mais cedo ou mais tarde você encontraria alguém que te provasse isso.

- Eu sei – falei baixando a minha cabeça, analisando minhas mãos. – Eu... eu descobri.

- Ah.. Até que enfim. Antes tarde do que nunca. – falou Alice, com um sorriso enorme no rosto. – E o que você vai fazer? Além de terminar esse seu namorinho de colégio, claro.

- Eu não sei. Quer dizer, vou esperar que ele volte de viagem e vou conversar com ele.

- Mas você vai terminar com ele, não vai?

- Não tenho alternativa. – respondi.

- Ai Bella. Fico tão feliz por você e por Edward. – disse Alice, voando na minha direção, me abraçando.

- O fato de Edward ter me beijado não quer dizer nada, Alice. Ele deve estar me achando uma piranha.

- O que? O Edward? Você está louca? Edward jamais pensaria isso de você.

- Não foi bem o que ele demonstrou depois do beijo.

- Por quê? O que aconteceu depois? – questionou Alice, franzindo a testa.

- Ele simplesmente foi embora.

- Ele foi embora? – assenti — Conte-me isso melhor.

- Sim, ele foi. Parecia estar tudo bem até que ele percebeu Rosalie na janela, nos observando. De repente ele ficou perturbado, irritado, não sei... Ele pediu desculpas, disse que não devíamos ter feito isso e foi embora.

- Rosalie viu vocês. Hmmmm. – murmurou Alice, pensativa – Bella, isso só pode significar uma coisa.

- O que?

- Edward viu Rosalie, te pediu desculpas e foi embora, certo?

- Sim.

- Acho que isso só pode significar que ele também ficou aflito. Do mesmo jeito que você está agora.

- Por quê? Como assim? – perguntei.

- Bella. Edward deve ter se sentido mal por ter beijado você. Porque você tem namorado. Ele viu Rosalie e na certa ele deve ter percebido que ela estava censurando toda a cena. Por isso ele pediu desculpas e se foi.

- Isso não tinha passado pela minha cabeça – falei, de repente esperançosa.

- É tudo um mal entendido Bella. Que pode ser resolvido agora mesmo.

- Não, não dá.– falei novamente triste. – Edward vai para Nova York hoje. Não o verei por no mínimo dois meses.

- Que horas ele viaja?

- Não lembro. – falei espremendo os olhos, tentando lembrar se em algum momento ele falara a que horas partiria. – Eu acho que ele disse algo sobre viajar hoje à tarde. Que horas são? – perguntei.

- São dez da manhã. – respondeu Alice, logo depois de pegar o celular debaixo do travesseiro, checando as horas. – E então, Bella? Tira essa bunda da cama e vá até a casa de Edward. Vocês precisam conversar. – falou Alice animada.

- Alice, eu... eu não sei...

- Você vai querer ficar com essa dúvida por meses? Até Edward voltar? Você vai agüentar?

- Não. Mas... Eu também não sei como chegar até a casa dele.

- Isso não é desculpa. Se isso é um empecilho, deixou de ser. Eu vou com você. – disse Alice levantando-se.

- Jura? – perguntei animada.

- Sabe que faço tudo por você. – respondeu.

XxXxXxxXxXxXxX

Trocamos de roupa às pressas. Infelizmente tive que dar uma pausa na cozinha para comer algo ou minha mãe não ia me deixar sair de casa. Pouco tempo depois estávamos na garagem, pegando meu carro.

Alice estava no volante porque eu, francamente, não estava em condições de dirigir.

Tentei decorar o caminho da casa de Edward, já que eu não fazia idéia de onde ele morava, enquanto Alice cantarolava Unwritten, da Natasha Bedingfield, que tocava no rádio.

I am unwritten, can't read my mind, i'm undefined

Eu estou em branco, não posso ler minha mente, eu sou indefinida

I'm just beginning, the pen's in my hand, ending

Estou apenas começando, a caneta está em minha mão

Unplanneded

Terminando o não planejado

Starring at the blank page before you

Encarando a página em branco a sua frente

Open up the dirty window

Abra a janela suja

Let the sun iluminate the words that you could not find

Deixe o sol iluminar as palavras que você não pôde achar

Reaching for something in the distance

Tentando alcançar algo a distância

So close you can almost taste it

Tão próximo que você quase pode provar

Release your inhibitions

Liberte suas inibições

Feel the rain on your skin

Sinta a chuva na sua pele

No one else can feel it for you

Ninguém pode senti-la por você

Only you can let it in

Somente você pode deixá-la entrar

No one else, no one else

Ninguém mais, ninguém mais

Can speak the words on your lips

Pode dizer as palavras em seus lábios

Drench yourself in words unspoken

Se molhe em palavras não ditas

Live your life with arms wide open

Viva sua vida com braços abertos

Today is when your book begins

Hoje é o dia em que seu livro começa

The rest is still unwritten

O resto ainda está em branco

Olhava através da janela as residências que ficavam para trás, notando quando a paisagem mudara, passando agora por uma floresta brumosa. Não muito tempo depois, percebi Alice virar à direita, pegando uma estrada despavimentada, cercada por enormes ramos de árvores nos dois lados, que eu logo reconheci como a que dava acesso à enorme casa dos Cullens. Lembrei que passara por ali na noite passada, quando Edward me levara ao restaurante.

Não demorou e estávamos na frente da casa de Edward.

Alice parou o carro e voltou-se para mim.

- Boa sorte, vou esperar você aqui. – disse dando-me coragem.

- Você não vai vir? – perguntei. – Você podia ficar conversando com Jasper.

- Não acho que ele queira. Jasper é... – pensou, desistindo depois – Nada. Esqueça. Depois conversamos sobre isso. Agora vá.

- Obrigada Alice. – falei com muita sinceridade nos olhos.

Ela apenas sorriu.

Abri a porta do meu lado do carro, e já podia sentir minhas mãos suando. Enfiei as duas no bolso do meu casaco e caminhei, parando na frente da porta. Respirei fundo, fechando os olhos, tocando a campainha em seguida.

Eu estava apreensiva. De repente me vi tentando adivinhar qual dos irmãos viria atender a porta.

Seria Jasper? Ótimo. Assim eu pediria para ele ficar com Alice. Ou talvez Emmett, que logo me encheria de perguntas sobre Rosalie. Mas e se for Edward? O que eu diria? ‘Edward eu preciso saber por que você saiu ontem daquele jeito?’ Não. Isso é péssimo. Preciso reformular melhor. ‘Oi, Edward. Será que podíamos conversar sobre o beijo?’ Não! Aff. Pior ainda. Que tal ‘Edward. Precisamos conversar’. Essa acho que seria melhor. Mas e se Edward não quisesse conversar comigo? E se ele...

- Sim?

Assustei-me com a voz repentina de uma mulher que acabara de abrir a porta. Não percebi quando ela chegara. Quem era ela? Ela não estava aqui ontem.

- Er... eu... Edward está? – perguntei.

- Não. O Sr. Cullen saiu logo cedo. Foi resolver umas coisas da viagem. – respondeu-me. Sr.? Ela era o que? Uma espécie de empregada?

- Ele vai voltar?

- Acredito que não. Os outros irmãos Cullen saíram a cerca de meia hora, com suas malas. Eles se encontrariam no aeroporto. – a decepção veio quase que imediata.

Baixei a cabeça e em seguida olhei para o carro logo que ouvi a porta se abrir, com Alice saindo, aproximando-se de nós.

- Olá. – falou Alice. – Você sabe a que horas Edward viaja?

- Não tenho certeza senhorita. Mas acredito que seja no início da tarde. Os irmãos levaram as malas do Sr. Edward, e em seguida vão passar a semana em Long Beach.

- Emmett e Jasper? Vão para uma praia? – perguntou Alice, descrente.

- Sim.

- E você vai ficar aqui na casa? Sozinha? – perguntou Alice.

- Sou a diarista dos Cullens. Passei uns dias sem vir porque meu marido estava doente. Mas os meninos precisaram de mim. O Sr e a Sra Cullen anteciparam a viagem e chegarão no próximo fim de semana.

- Ah! – disse Alice.

- E as senhoritas quem são? – perguntou a mulher.

- Essa é B...

- Amigas. – respondi rapidamente, interrompendo Alice. – Somos amigas deles. Er.. nós.. depois falamos com eles. Quando eles voltarem, obrigada. – falei puxando Alice pelo braço.

- Por que não quis falar seu nome? – perguntou Alice enquanto entrávamos no carro.

- Para que? Não vai adiantar mesmo. Você ouviu. Ele já foi. – falei.

- Nós vamos ao aeroporto. – disse Alice, ligando novamente o carro.

- Que? Você ficou louca?

- Você não quer conversar com ele? Então. Nós vamos ao aeroporto.

- Alice, eu... eu não sei o que dizer a ele!! – falei exaltada.

- O mesmo que você ia falar aqui. Só mudou o lugar. Vamos, não seja medrosa. – falou acelerando.

Enquanto Alice pegava a estrada principal novamente, permiti perder-me em pensamentos. Eu sinceramente não sabia o que conversar com Edward. Eu tinha medo da reação dele, da rejeição. Não queria perder sua amizade, algo que eu conquistara a tão pouco tempo. Mas eu sei que precisava falar com ele, ou viveria angustiada até o dia que ele voltasse.

Encostei a cabeça no encosto do carro e fechei os olhos.

- Calma, Bella. Vai dar tempo. Agora que passam do meio dia.

- Hmmm.

- Vai dar certo. Edward vai te ouvir, vocês vão poder desfazer esse mal entendido e ele poderá viajar em paz enquanto você espera ele voltar. – disse rindo. Como se fosse a coisa mais simples do mundo.

- Alice, e se ele por acaso não quis...

- Ai meu deus!!! – gritou Alice. Antes mesmo que eu pudesse olhar, já era tarde demais.

Alice desviara de algum animal na estrada, perdendo o controle do carro, que saiu pelo acostamento. Por sorte, ela não estava em alta velocidade, fazendo com que o carro apenas colidisse em alguns arbustos, para em seguida um galho maior afundar o capô.

Ótimo.

Duas horas depois estávamos, nós e o carro, sendo levados pela seguradora. Eu ficaria alguns dias sem carro, até que o seguro reparasse os danos e me enviasse um novo.

Mas isso não era nada.

Nada pior que ficar os dias seguintes imaginando como seria se eu tivesse chegado ao aeroporto a tempo de encontrar com Edward...

XxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxXxX

Hoje enfim teria “a conversa” com Mike.

Ontem, quando ele me ligou de Nova Orleans avisando que chegaria hoje à tarde, me adiantei em dizer que precisava conversar com ele.

Eu não podia adiar mais. Já bastava toda essa semana que ele me ligava, dizendo que estava sentindo saudades, que me amava. Não agüentava.

Eu já o enganei muito e eu não podia continuar com isso.

Era manhã de sábado. Levantei da cama, fiz minha higiene matinal, troquei-me e desci até a cozinha. Encontrei minha mãe e Alice sentadas, conversando animadamente. Dei bom dia e fui até o armário pegando uma tigela e a caixa de cereal. Depois abri a geladeira, pegando o leite. Sentei-me á mesa, ainda silenciosa, jogando o leite dentro da tigela. Podia sentir os olhos em mim.

- Bella, você está bem? – perguntou minha mãe.

- Sim, estou. – respondi com um sorriso forçado.

- Tem certeza? Você parece tão calada nessa última semana...

- Problemas com o relacionamento tia Renée. – falou Alice.

Olhei-a duramente, advertindo-a. Eu não tinha comentado nada a Renée sobre Edward, sobre o beijo e a minha decisão de terminar o namoro com Mike.

- Você não me falou nada sobre isso, filha. – disse minha mãe, com uma ponta de preocupação.

- Eu, estou com um pouco em dúvidas sobre... sobre Mike. Mas eu achei melhor conversar com ele primeiro, e depois conversaria com você. – Falei.

- Você pensa em terminar com ele? – ela perguntou.

- Pensar não. Ela vai. – intrometeu-se Alice.

- Alice!! – adverti.

- Você não gosta mais dele? – perguntou Renée.

- Na verdade gosto mãe, muito. Mas não da forma que eu deveria gostar, entende? Eu gosto dele, mas como amigo.

- Ah. – Disse dando uma longa pausa – Isso é totalmente compreensível. – falou minha mãe, enquanto bebericava o café. – E quando você pretende conversar com ele?

- O quanto antes. Pedi para ele vir aqui hoje. – respondi. – O que você acha? – perguntei.

- O que eu acho? Não tenho que achar nada, filha. Os sentimentos são seus e é você quem tem que decidir. E eu apoio qualquer decisão que seja o melhor pra você. – ela disse, estendendo a mão para afagar a minha, em cima da mesa.

- Obrigada mãe. Desculpe não ter falado nada sobre isso antes.

- Eu entendo você, meu anjo. Não se preocupe com isso. – Disse sorrindo amorosamente. – Vamos conversar sobre o assunto. Sempre que você quiser. Não se sinta obrigada a me falar quando não achar que é o momento certo pra isso. Sabe que estarei sempre aqui para te ouvir e aconselhar quando necessário.

- Sim eu sei, mãe. Sei que posso contar com as duas.– falei, olhando também para Alice.

- Bom... agora se me dão licença meninas, preciso ir. Vou com a Sra. Weber ver o local que pretendemos abrir o Buffet.

- Boa sorte futura empresária. – falou Alice.

- Se Deus quiser, Alie. Cansei dessa vida de corretora. – disse minha mãe, rindo.

- Boa sorte mãe. – falei. Ela sorriu novamente e se foi.

Quando Renée já estava fora de casa, olhei para Alice com olhos acusatórios.

- Não me olhe assim. Não falei nenhuma mentira.

- Eu sei Alice, mas não queria que minha soubesse disso antes mesmo que eu pudesse resolver.

- OK, ok. Desculpa. Mas e ai, me conta. Você vai terminar hoje mesmo?

Dei um breve suspiro e respondi.

- Sim. Não pretendo adiar mais.

- Mike vai pirar. Mas ele se acostuma. – ela gargalhou.

Apenas olhei-a. Nada respondi.

- Bom... Preciso ir ao shopping, que ir comigo Bella?

Pensei, e então falei.

- Sei o quanto é cansativo ir ao shopping com você, mas vou te acompanhar. – sorri – Necessito que o dia passe rápido.

- Eu devia recusar sua companhia depois desse disparate, mas vou ignorar ta bom? Vamos nos arrumar.

Passamos a manhã e praticamente a tarde inteira no shopping. Entramos e saímos de mil lojas. Alice exagerada como sempre, voltou com umas sete sacolas. Limitei-me a comprar uma blusa e uma scarpin nova. Cor preta dessa vez, já que eu tinha a vermelha que Rosalie me dera de aniversário.

Chegamos em casa no final da tarde.

Estávamos atravessando à porta toda sorridente quando percebi minha mãe em pé ao telefone com uma expressão não muito boa.

- Sim, Sra. Newton. Claro. – disse minha mãe, ao telefone. – Vou falar com ela. Certo. Que Deus abençoe vocês nesse momento.

Renée desligou o telefone em seguida.

- Aconteceu alguma coisa? O que a mãe do Mike queria? – perguntei de repente apreensiva. Ela nunca precisou telefonar aqui pra casa.

- Aconteceu sim, Bella. – respondeu.

- Nossa, mãe, me fala logo então!!

- É o pai do Mike. Ele... ele teve um aneurisma cerebral e está no hospital nesse exato momento. Em estado grave.

- Ai meu deus!!

XxXxXxXxXxXxXxXxXxXxxXxXxXxXxX

Estava no meu quarto, deitada na cama enquanto tentava me concentrar na música que tocava alto no meu fone de ouvido. Escutei o CD inteiro de Florence And The Machine umas quatro vezes, só durante aquele tempo.

Aquela altura, eu já estava com os ouvidos machucados, mas era a única saída que eu encontrara para ignorar a falta de sono e tentar dissipar o dia de amanhã. Precisava mais que nunca me distrair.

Eu estava consternada e tinha todos os motivos para isso. Já se passara um pouco mais de um mês, mas as lembranças daquela sexta-feira jamais abandonaram a minha consciência. Por nenhum minuto. E amanhã seria ainda mais difícil esquecer, porque era o dia do aniversário de Edward.

Eu não tinha nenhuma notícia dele, a não ser sobre a peça, que eu costumava procurar sempre alguma nota pela internet. Mas em nenhuma delas falava sobre o que Edward estava fazendo, ou tinha alguma foto dele publicada.

Alice não vira mais Jasper desde aquela época e Rosalie jamais tocara no nome de Edward na minha frente. Desde o dia que ela flagrou nosso beijo. Mas eu sabia que ela ainda tinha contato com Emmett. Não sei se estava rolando algo entre eles, mas eles ainda se viam na academia. E eu ouvi algumas vezes ela falando com ele pelo celular.

Tirei o fone do ouvido e rolei na cama, ficando de frente para a janela, pensando no que poderia ficar pior.

Peguei no sono em algum momento da noite e acordei com o despertador, indicando que era hora de ir para escola. Por incrível que possa parecer, eu ansiava pelas horas que eu passava lá. O tempo passava facilmente quando eu estava assistindo aula.

Feita a higiene, desci para tomar café.

- Oi Bella!!! – falou uma Alice toda animada, sentada na mesa da cozinha. O motivo da animação é que não faço idéia.

- Oi Alie. Animada hoje... – falei enquanto pegava suco na geladeira.

- Sim. Tenho alguns motivos para isso.

- E posso saber quais? – perguntei, demonstrando uma falsa curiosidade.

- Você vai saber. É uma surpresa! – sussurrou a última parte.

- Surpresa? Para quem? – perguntei confusa.

- Para você. – engasguei com o suco.

- Conte-me isso. – pedi.

- Você vai saber, mas não por mim. Tenha calma. – falou, levantando-se. – Bom vou indo, boa aula. – disse enquanto saia.

Do que essa doida está falando?

Minutos depois já estava no carro, indo para a escola.

Chegando lá, encontrei Ângela e Jessica no estacionamento.

- Olá Bella. Como está o pai do Mike? – perguntou Jessica.

- Continua na UTI. Respondeu bem após a terceira cirurgia, mas o estado dele ainda é gravíssimo e inspira cuidados. – respondi.

- Poxa, que barra! – falou Jessica. – Fico pensando aqui como está a cabeça de Mike. Ele deve estar louco, esse pai é tudo pra ele.

- Ele está dilacerado, Jess. Me parte o coração quando o vejo sem forças, triste, de pés e mãos atados sem poder fazer nada pelo pai. Agora só podemos contar com Deus e a medicina. – retruquei.

- Você tem sido a força dele – disse-me Ângela. – Sorte a dele ter você por perto.

- É... Eu sei. Por isso não term.. digo...er... Ele precisa muito de mim. – falei rapidamente. Por muito pouco, quase deixo escapar que esse era o motivo de eu não ter terminado o namoro com Mike. Ângela e Jessica me encheriam de perguntas, e isso só iria enfadar ainda mais a minha vida, levando em conta que eu não chegara a contar nada sobre Edward a elas. Não importava, até porque elas nem o conhecia.

O estado de saúde do Sr. Newton fora o motivo pelo qual não consegui ter coragem de terminar o namoro com Mike. Seria muita falta de humanidade da minha parte, depois de receber a notícia. Mike já estava arrasado demais, profundamente abalado. Eu não podia fazer isso com ele, inflamando a sua dor com o nosso término. Ele precisava de apoio e isso eu não o negaria.

Na verdade eu estava apenas adiando o dia de finalmente ter coragem e acabar logo com todo esse fingimento. Só estava esperando a oportunidade do Sr. Newton enfim sair da UTI e já não correr risco de morte. Apesar do estado dele ser grave, os médicos estavam esperançosos, especialmente depois da última cirurgia.

- Não acha, Bella? – perguntou Jessica.

- Han?Desculpa, não entendi sua pergunta – falei, sacudindo a cabeça, voltando-me para as meninas.

- Você não acha que a Ângela devia ter coragem e convidar o Ben para sair?

- Ah... eu... bom, não sei... er... talvez sim. – respondi indecisa.

- Ah, não sei. E se eu levar um fora? – perguntou Ângela.

- Duvido muito que ele faça isso, Ang. – disse Jessica. – E se isso acontecer, você simplesmente... – continuou Jessica, enquanto caminhávamos em direção a escola, para mais um dia de aula.

Ao final da aula de trigonometria, o Sr, Varner me chamou.

- Isabella, preciso que você passe esse material para Mike Newton. – disse, me entregando uma apostila – Ele fará prova de segunda chamada na próxima semana, vou pegar um pouco leve no conteúdo. Ele não está faltando aula porque quer.

- Claro, claro, eu entrego. – falei, guardando-a na mochila.

- E o Sr. Newton, como está?

- Tentando sobreviver. Mas as chances são grandes. – respondi esperançosa.

- Fico feliz com isso. O Sr. Newton é uma pessoa muito querida na cidade. – disse pensativo – Bom, é isso. Pode ir.

- Obrigada.

Dirigi-me ao estacionamento e ouvi meu celular tocar antes que eu entrasse no carro. Era Mike.

- Alô. – atendi.

- Bella, será que você podia vir aqui no hospital? – disse Mike, rapidamente, fazendo com que eu ficasse um pouco nervosa. Eu não ia muito ao hospital. Não gostava do ambiente, do cheiro, do barulho de macas indo e vindo, de ver pessoas de branco. Era assustador. Em um mês, só havia ido ao hospital quatro vezes. Até porque o Sr. Newton não podia receber pessoas na UTI fora do horário de visitas.

- Claro. Er... aconteceu alguma coisa? – perguntei cautelosa.

- Aconteceu. O papai vai sair da UTI e vai para uma sala especial. Isso não é uma ótima notícia?

- Graças a Deus, Mike. Nossa, como estou feliz com isso. Estou indo aí agora. – disse desligando o telefone.

Então era essa a surpresa que Alice falara logo cedo? Mas como ela sabia disso?

Essa fora a melhor notícia que recebi em um pouco mais de um mês. Desde aquela semana em que Edward viajou, não me via sorridente e me sentindo um pouco mais leve. A recuperação do Sr. Newton faria bem a todo mundo. A Sra. Newton, ao Mike e indiretamente a mim. Por favor, não estou dizendo que torcia pela sua recuperação para poder me ver livre do compromisso com Mike. O Sr. Newton era uma pessoa que eu estimava muito, e era muito amigo do meu pai, da minha família. Todos gostavam muito da família Newton. Mas não vou ser hipócrita e negar que a notícia me fez pensar que enfim poderia terminar definitivamente o namoro.

Para aliviar a minha consciência, durante o tempo em que o Sr. Newton esteve na UTI, Mike e eu já não nos tratávamos como antes. Nós já não nos divertíamos, assistíamos filmes ou ficávamos namorando. Quando estávamos juntos, gastávamos o tempo conversando sobre o estado de saúde do pai dele, saíamos para comer alguma coisa ou passávamos a matéria dos dias que Mike não podia ir à escola. E poucas vezes nos beijamos na boca. Com o pai doente, Mike teve que assumir os negócios da família, já que era filho único e a Sra, Newton não entendia e nem queria se comprometer com o que não sabia lidar.

Entrei no carro e dirigi até o hospital.

Ao chegar, segui pelo estacionamento e parei meu carro ao lado de um Volvo prata. Meu coração acelerou repentinamente quando a lembrança me consumiu com toda a sua potência. Era igual ao carro de Edward.

Permaneci parada, sentada no banco do carro, enquanto fitava o volvo, recordando aquela noite que saímos para jantar. Dei um longo suspiro e então desci do carro.

Caminhei até a recepção e encontrei a Sra. Newton sentada num dos sofás.

- Bella, que bom que chegou.– disse, levantando-se e vindo em minha direção, me dando um abraço. – Estamos tão felizes. O John vai sair hoje da UTI. Que felicidade, minha filha!

- Vim assim que Mike me ligou. – a abracei apertado – Graças a deus está tudo dando certo.

- Obrigada Bella, pela força. Não sei o que seria do meu filho se não fosse você – disse a senhorita Newton.

- Não foi nada, Claire. – respondi com um nó garganta, enquanto nos desligávamos do abraço. – E Mike, onde está? – perguntei.

- Ele foi buscar o resultado da tomografia no sexto andar. Já deve estar voltando. – falou sentando-se novamente no sofá. A Sra. Newton estava visivelmente mais magra, e apesar da boa nova, seu semblante ainda era abatido e cansado.

- Você parece estar muito cansada. Por que não vai para casa e volta mais tarde quando o John já estiver fora da UTI? – sugeri.

- Não, eu só estou assim porque não dormi nada essa noite. Vou buscar um café e logo essa aparência melhora. – disse, levantando-se. Então a impedi.

- Fique, Claire. Eu pego o café para você – indaguei.

- Obrigada Bella. Sabe onde fica o refeitório?

- Sim, sei. Volto em alguns minutos.

Ela assentiu e eu saí, indo em direção ao refeitório do hospital. Fui andando pelos corredores, observando as placas indicativas e o intenso movimento de pessoas, médicos e enfermeiros, mesmo para um hospital particular.

Ao chegar ao refeitório, pedi um capuccino, porque sabia que a mãe do Mike gostava muito. Paguei e sai rapidamente.

Quando passei pela porta e estava me direcionado para seguir pelo lado direito, o caminho para a recepção, uma senhora me parou, em busca de informação.

- Boa tarde, senhorita...?

- Swan – respondi.

- Certo, Srta. Swan. Você sabe me informar onde fica a enfermaria? Me disseram que eu deveria vir por este corredor, mas não estou vendo nenhum nome Enfermaria aqui.

- Sinceramente, não sei. Talvez seria melhor se a senhora perguntasse a alguém que trabalhe aqui. – respondi.

- Você tem razão. Acho que vou perguntar a aquele médico ali. – ela disse apontando sobre meu ombro.

Inclinei-me para olhar a direção em que o seu dedo apontava, e o que eu vi provocou uma inesperada tensão em todos os meus sentidos instantaneamente, deixando meus músculos travados e o meu corpo paralisado como uma estátua. Mesmo de perfil, a silhueta era inconfundível. Alto, magro, mas com o físico ligeiramente másculo, ombros um pouco largo. Sem falar no cabelo acobreado propositalmente bagunçado que era algo tão único, tão dele, e que particularmente hoje parecia estar mais brilhante que nunca. Edward estava em pé, conversando animadamente com um homem de jaleco, que deveria ser algum médico do hospital. Vestia uma calça jeans, uma camisa cinza e uma jaqueta preta por cima. Nos pés, um tênis da Nike.

Não sei se isso era possível ou apenas a minha imaginação que não trabalhava direito pelos dias que eu não o via, mas Edward parecia estar mais lindo do que eu me lembrava. Hipnotizante. Eu sentia como se meu peito fosse explodir, e um tremor vacilante percorrer todo o meu corpo só em estar perto dele. Nunca pensei que estar atraída por alguém seria assim dessa forma, como eu me sentia em relação a Edward. Ele acendia dentro de mim uma sensação que eu não sabia que existia.

Durante esses quase quarenta dias, fiquei imaginando quando eu o veria de novo, e como seria o encontro. Ensaiei diálogos e criei possíveis respostas para perguntas inventadas pela minha mente. Mas o que eu não esperava, era que o veria tão cedo, quando a minha cabeça já parecia se acostumar com uma longa espera. Ainda mais encontrá-lo aqui, num hospital.

Eis que a ficha caiu e encontrei-me num dilema: ir ao seu encontro e cumprimentá-lo normalmente como velhos amigos ou sair dali correndo, fazendo de conta que não tinha o visto, fugindo como uma verdadeira covarde que eu era?

Antes mesmo que eu pudesse decidir quais das alternativas eu deveria escolher, Edward virou o seu rosto na minha direção, emudecendo quase que imediato assim que me viu. Em seu rosto, a mesma expressão de incredulidade que eu tivera logo que eu o vi.

Nossos olhos presos mais uma vez após o dia do beijo. Travados. Como imãs.

Fiquei tão reclusa àqueles olhos esverdeados que fui incapaz de ouvir quando a senhora, que ainda estava ali do meu lado, dirigiu a palavra a mim mais uma vez. Sua presença só foi notada por mim quando a mesma deu leves batidas no meu braço, na tentativa de chamar minha atenção, fazendo-me pular de susto, derrubando o café que estava na minha mão e espelhando todo o conteúdo pelo chão.

Ótimo Bella.

- Desculpa, querida. – Falou a senhora – Não foi minha intenção assustar você. Eu só...

- Não, tudo bem. – eu a interrompi. – Não foi culpa sua. Sou eu quem tenho que pedir desculpas. – disse enquanto me agachava pra pegar o copo que eu derrubara. – Droga. Preciso limpar isso.

- Não. Você não precisa fazer isso senhorita. – disse uma voz masculina desconhecida. Levantei o rosto para verificar o dono da voz e estanquei quando vi que era do tal médico que conversava com Edward há pouco, que também estava ali, do meu lado agora.

- Eu... er... não foi... – era só o que me faltava. Eu tinha que gaguejar nessa hora?

- Foi minha culpa. Bati no braço dela sem querer. – disse a senhora.

- Tudo bem. Acidentes acontecem. – falou o médico, rindo. Não sei, mas... olhando agora em seu rosto, ele me parece familiar. Como se eu já o tivesse visto em algum lugar.

Levantei-me atordoada, quando meus olhos bateram no nome escrito no seu jaleco branco. Dr. Carlisle Cullen.

Então ele era o pai de Edward?

Oh sim!! A foto!

- Oi, Isabella. – disse finalmente a voz que eu tanto desejei voltar a ouvir.

- O...oi Edward. – falei, mais uma vez gaguejando como uma idiota. A pronuncia do nome causando-me borboletas no estômago.

- Vocês se conhecem? – perguntou o Dr. Cullen. Assentimos com a cabeça. Em seguida, ele olhou de Edward para mim, e de mim para Edward e falou. – Espera, você falou Isabella. Essa é a Bella? – Perguntou virando-se para Edward.

O que o Dr. Cullen quis dizer com ‘essa é a Bella’? Ele sabe sobre mim? Edward contou alguma coisa de mim para ele? Será que ele contou sobre o nosso beijo?

- Sim pai. Essa é a Bella. – respondeu Edward rapidamente, virando os olhos. Era impressão minha ou ele aparentemente ficou nervoso?

- Olá, Bella. Já ouvi falar muito de você. É um prazer finalmente conhecê-la. Carlisle. – disse o pai de Edward, enquanto estendia o braço para mim, num cumprimento.

- Pai!! – exclamou Edward, advertindo-o sobre algo oculto a meu entendimento.

- Er... é um prazer conhecê-lo. Também ouvi Edward falar do senhor, embora eu não lembro dele ter citado que o senhor era médico? – disse, soando mais como uma pergunta, enquanto apertava a sua mão.

- Sim. Sou cardiologista. E por favor, não precisa me chamar de senhor, embora eu já tenha passado dos quarenta anos. – respondeu o Dr. Cullen.

- Não parece. – disse quase que inaudivelmente.

- Quarenta e um para ser mais exato. – ele riu. – Vocês estão bem?

- Sim... er.. estou. – respondi enquanto olhava para Edward.

- Eu achei que ela estivesse passando mal, mas agora entendo o porquê de sua reação. Isso me lembrou a minha juventude, quando flertava com os rapazes... – suspirou em nostalgia a senhora ao meu lado, deixando-me totalmente enrubescida com o comentário. Se eu pudesse, enfiaria nesse momento a minha cabeça no primeiro buraco que encontrasse.

Baixei a minha cabeça quando senti os olhos de Edward em mim, analisando a minha reação.

- Bom... se vocês me dão licença, preciso encontrar a enfermaria. Passe bem, docinho. – falou a senhora.

- A senhora também. – respondi de imediato.

- Vamos. Eu a acompanho até a enfermaria. Com licença meninos. – falou o Dr. Cullen, ambos retirando-se. – Ah, Isabella, pedirei para alguém vir limpar o café... e Edward, coragem. – completou o Dr. Cullen.

Coragem?

Do que Edward tinha que ter coragem?

Assisti Carlisle sumir com a senhora hospital adentro, mas eu continuava com os olhos fixos no rastro que eles deixaram pelo corredor. Eu estava hesitante, nervosa na verdade, por estar mais uma vez sozinha com Edward, e sem saber o que dizer, diante das circunstâncias. Afinal, o que eu iria falar pra ele?

Fitei minhas mãos, mordendo os lábios com um pouco de força, tentando recuperar os meus sentidos e a minha racionalidade, até que ouvi Edward quebrar o silêncio.

- Como você está?

- Estou bem – menti –, e você?

- Cansado. – respondeu após um breve suspiro. – Fazer turnê está sendo uma ótima experiência, mas por outro lado nos consome bastante. Me vejo fazendo apenas duas coisas: ensaio e apresentação. Vou estar um caco quando concluirmos a agenda – ele disse, dando-me aquele sorrisinho torto que tanto senti falta de ver.

- Eu li algo sobre a peça, na internet. – confessei. – Sucesso de crítica em Nova York, e de público.

- É. Parece que sim – murmurou. – Vamos para o Colorado na próxima semana.

- Quando você chegou? – indaguei.

- Hoje, durante a madrugada. Peguei um avião logo após a apresentação. Tenho folga hoje e amanhã, então... resolvi dar um pulo aqui para ver meus pais que chegaram de Londres há dias e eu não tive tempo nem a oportunidade de vê-los.

- Entendo. – disse. Depois de uma pequena pausa continuei. – Não esperava ver você tão cedo, ainda mais aqui, num hospital. – disse rindo fracamente.

Ele riu torto mais uma vez.

Esse sorriso ainda será a minha morte.

- Meu pai está de plantão desde ontem. Não agüentei esperar até que ele pudesse estar em casa. O plantão dele se encerra daqui a uma hora mas preciso ir a uma reunião no Espejo agora. Se eu não passasse aqui, só o veria à noite. Você sabe, há meses não vejo meus pais e infelizmente tenho pouquíssimo tempo na cidade.

- Você vai embora amanhã. – falei, sem que precisasse sair como uma pergunta.

- Sim. Só vim para passar o meu, digo... ver meus pais. – ele enrolou-se no meio da frase, mas eu sabia exatamente o que quase ele falaria.

- O seu aniversário.

- Como? – perguntou. Sua expressão uma mistura de surpresa e confusão.

- O seu aniversário. Você voltou a Sacramento para passar o seu aniversário com a sua família.

- Você... você se lembra. – ele falou, sem que precisasse soar como uma pergunta.

- Sim. Lembro absolutamente de tudo, Edward.

Ele engoliu em seco, olhando para o lado, passando a mão pelo cabelo apressadamente, voltando a me olhar segundos depois.

- Venha até minha casa hoje à noite. – Meus olhos se arregalaram e eu podia sentir o brilho faiscando neles. – Você deve se lembrar que também é aniversário de Jasper. Minha mãe fará um jantar, em comemoração.

- Sim, eu também me lembro disso. – falei, finalmente.

- Bella, eu não queria ter te encontrado desse jeito. Na verdade estou há horas decidindo se eu iria até sua casa ou se eu telefonaria para você, para convidá-la. – eu estava em choque com aquela revelação. Edward ia me procurar? – Emmett falou com Rosalie e com Alice há dois dias, convidando-as e pediu para que não falasse nada com você porque eu mesmo faria o convite, pessoalmente. Mas eu estava até agora criando coragem.

- Agora entendo tudo. – falei, lembrando do rápido diálogo que eu tivera com Alice logo cedo, na cozinha.– Alice me disse que eu teria uma surpresa. E eu achando que era o fato do... – retruquei, parando a frase propositalmente no meio. Não queria tocar no nome do Mike naquele momento. – Ela sabia!

- Sim, ela sabia que eu chegaria hoje. E Rosalie também.

Eu estava aturdida com todo esse acontecimento. A chegada de Edward, Alice e Rosalie sabendo de tudo, o convite para o jantar... era muita informação para um dia só.

- Você vai? – perguntou Edward depois de um tempo, quando eu não disse nada.

- Eu...

- Bella! – fui interrompida pela voz de Mike, que me impediu de dar uma resposta.

Olhei para trás, o vendo caminhar pelo corredor, aproximando-se de nós.

- O que você está fazendo aqui? – perguntou olhando para mim e para Edward, deixando-me em dúvida para qual dos dois a pergunta era direcionada.

- Eu estou indo Bella. Foi bom revê-la. – disse Edward afagando o meu braço, enviando centelhas elétricas pelo meu corpo, enquanto dava as costas, indo embora.

- O que esse cara está fazendo aqui? – perguntou Mike, o tom enciumado.

- O pai dele é médico e trabalha aqui Mike.

- Não gosto dele. E não gosto de você com conversinhas com ele.

- Edward é um amigo. Ele me ajudouquando entrei em coma. Não se esqueça disso. – falei irritada.

- Mesmo assim, não gosto.

- Você não tem que gostar ou não dos meus amigos, muito menos decidir com quem eu converso ou deixo de conversar. Os amigos são meus e só diz respeito a mim. – esbravejei.

- Claro que diz respeito a mim, Bella. Você é minha namorada.

- Sou sua namorada, mas não sou sua boneca, ou sua propriedade que se submete às suas vontades.

- Eu não falei que você era.

- E precisa falar? – quase gritei.

- Bella, entenda. Tudo que interessa a você, interessa a mim também. E eu, como seu namorado, tenho direito de dizer quem você deveria ser amiga e...

- Mike, você não tem direito a nada!! – eu o interrompi.

- Claro que eu tenho. É assim que acontece entre namorados, Bella. A sua vida é minha, assim com a minha vida é sua.

- Meu deus , Mike. Como você está sendo equivocado. Namorados não trocam de vidas, eles compartilham.

- Também Bella. Mas não deixa de ser o mesmo que falei. A sua vida me pertence. – senti que chegara o momento da revelação.

- A minha vida pertence apenas a mim, e só eu decido o que vou fazer dela e a partir desse momento você não faz mais parte dela. – soltei o que eu queria falar há mais de um mês, mas fui impedida pela fatalidade da vida.

- Como?

- Isso mesmo que você ouviu. Eu... eu estou terminando. – não da forma como eu queria, mas não tinha momento oportuno.

- Você está terminando comigo? – perguntou perplexo.

- Estou. – respondi, sentindo a cólera indo embora, sendo substituída por um aperto no peito. Apesar de tudo, não é nada fácil fazer o que eu estava fazendo agora.

- Por conta de uma discussão boba? Bella eu não queria te...

- Não, Mike. – eu o interrompi, precisava ser firme na minha decisão. – Não foi pela discussão.

- Então... por quê?

Suspirei pesadamente.

- Não tomei essa decisão agora, hoje. Na verdade decidi isso já há algum tempo, antes da doença do seu pai. Eu não queria terminar com você, diante de tudo que estava acontecendo com a sua vida. Resolvi dar um tempo... esperar o momento certo de fazer isso, sem que fosse tão doloroso para nós dois.

- O que você está me dizendo? – ele franziu o cenho, de repente percebendo que eu não estava blefando.

- Você ouviu Mike. Não queria estar terminando com você dessa forma. Não queria que tivéssemos discutido e isso parecesse como produto da nossa discussão. Queria ter feito isso de um outro jeito, numa outra hora, num outro lugar, mas não tive alternativa.

- Bella, não podemos terminar. Eu amo você. – em seu rosto um lampejo de dor.

- Mas eu não o amo, Mike. Por favor, não torna isso difícil. – pedi, estremecida com o comentário.

- Você não me ama mais? – perguntou.

Refleti a questão, pensando sobre qual resposta eu o daria. Os sentimentos que Edward despertou em mim quando eu o conheci, me levaram a consciência que eu jamais sentira algo parecido com Mike, nem com ninguém. Nunca passou de um carinho, de um sentimento entre amigos. Mas... não tinha sentido nenhum eu revelar isso a ele agora, nesse momento. Não depois dos acontecimentos, depois da nossa discussão. Só o magoaria mais.

Não obrigaria aquilo a ele.

Eu olhei, enquanto ele esperava pela minha resposta, fechando os olhos em seguida, reprimindo as lágrimas que já lutavam para cair.

- Não. Não o amo.

- Então é o fim? – perguntou, hesitante.

- Me desculpa. – sussurrei. – Quero continuar sendo sua amiga. Eu gosto de você, Mike, mas não da forma que eu deveria, da forma que você espera.

Vi uma lágrima cair no seu rosto. Estiquei minha mão, na tentativa de enxugá-la, mas ele se antecipou e limpou o rosto rapidamente.

- Eu vou dar a você um tempo. Para você repensar a decisão. – e o que ele dissera não impediu que uma lágrima caísse do meu rosto.

- Não vai adiantar, Mike. Eu não preciso de tempo. Isso já está decidido e eu não vou voltar atrás. Não posso continuar namorando você.

Ele me olhou brevemente, avaliando a minha sinceridade e perguntou.

- Você está apaixonada por outro?

- Não. Não estou terminando por gostar de alguém, Mike. – menti parcialmente. – Estou terminando por não amar você. Por favor, não me faça dizer essas as palavras, elas me machucam muito. – falei, as palavras já emboladas com o meu choro.

- Não machucam tanto como em mim – falou, dessa vez as lágrimas caindo pelo seu rosto sem interrupções.

Não suportei aquela cena.

Me abracei a ele, que não correspondeu ao meu abraço de imediato, mas logo senti os seus braços me envolvendo com força, apertado, enquanto os soluços do nosso choro aumentavam, chamando a atenção de quem passava ao nosso lado.

Uma moça de jaleco, que deveria ser enfermeira, aproximou-se de nós, afagando os nossos braços, e comentou algo sobre a morte ser apenas uma passagem, que todos nós vamos seguir esse caminho um dia, e que por mais que doesse, assim era a vida, cheia de perdas.

Se a situação não fosse séria, certamente provocaria risos em mim. Estava na cara que as pessoas imaginavam que estávamos chorando a perda ou a doença de alguém.

Não sei por quanto tempo ficamos ali abraçados, até notar que o nosso choro havia cessado. Afrouxei o aperto dos meus braços em Mike, que também fez o mesmo.

Olhei para ele e fiz um esforço para sorrir.

- Eu realmente gostaria que fôssemos amigos, Mike. – falei com a voz embargada pelo choro.

Ele me olhou atordoado e assentiu com a cabeça, mas nada falou.

- Vamos. Preciso ir pra casa. Vou me despedir da sua mãe.

Saímos caminhando em silêncio lado a lado. Conversei com a Sra. Newton, que nos olhou alarmada, possivelmente percebendo os nossos olhos vermelhos de chorar e o estranho clima que pairava no ar. Mas ela nada perguntara.

Despedi-me dela, prometendo voltar ali outro dia. Ela me abraçou, e em seguida voltei-me para Mike que sorriu fracamente, dando-me permissão para ir embora.

Caminhei a longos passos para o estacionamento. Louca para ir embora para casa e refletir sobre o dia que eu tivera.

Ao chegar ao meu carro percebi que o volvo prata não estava mais lá. Foi quando a ficha caiu que, na verdade, era o mesmo volvo de Edward.

Sorri com a minha lentidão em perceber as coisas e entrei no carro, dando partida.

Nunca dirigi tão rápido para casa como agora.

Estacionei o carro de todo jeito na calçada e entrei em casa a procura de Rosalie e Alice.

- Alice, Rose. – gritei no primeiro degrau da escada.

Não houve resposta.

Subi as escadas correndo e chamei mais uma vez o nome das duas.

- Alice! Rosalie! Alguma de vocês está em casa?

- Bella? Que foi? – perguntou Alice que colocava a cabeça enrolada numa toalha do lado de fora do seu quarto.

- Precisamos conversar e você sabe sobre o que.

Ela me olhou, cerrando os olhos, para em seguida dar um largo sorriso.

- Entra aqui. – falou.

Entramos no quarto e sentamos rapidamente na cama.

- Certo, pode começar. — falei.

- Sobre o que exatamente você quer saber? – perguntou cinicamente.

- Alice! Vamos parar com a encenação. Eu já sei de tudo.

- Tem coisas que não posso falar se você não souber, Bella. – retrucou.

- Tudo bem, Alice. — suspirei. — Edward. Você sabe algo sobre isso?

- Ain Bella! — ela soltou um gritinho — Minha língua estava coçando pra te dizer isso. Ele veio aqui ou te ligou? Como vocês se falaram? – perguntou Alice extremamente animada.

- Não, ele não me ligou ou veio aqui. – respondi.

- Perai, então... como você sabe sobre ele? – perguntou confusa.

- Nos encontramos no hospital.

- Que hospital? Que o Sr. Newton está?

- Sim.

- Vocês se encontraram no hospital? Com Mike perto de você? Ai, não acredito Bella!

- Mike chegou só depois. Tivemos tempo para conversar um pouquinho antes disso.

- E sobre o que conversaram? – perguntou.

- Ele me falou sobre o jantar hoje à noite e que você e Rosalie sabiam e já tinham sido convidadas.

- Sim, Bella, sabíamos. Emmett nos avisou por telefone e... por acaso encontrei Jasper hoje no shopping.

- Sério? Como foi? – perguntei curiosa.

- Eu fui comprar uma roupa para nós – arregalei meus olhos –, e sim, comprei vestidos para irmos ao aniversário dos meninos e por favor não reclame. Você vai vestir! – ela inquiriu.

- Tá tudo bem, continua. – não adianta discutir com Alice.

- Então. Eu estava saindo de uma loja quando eu o vi. Estava carregando uma sacola e estava acompanhado da mãe, Esme. Ela é um amor Bella.

- Você já a conheceu?

- Sim. Ele também me viu e veio ao meu encontro. Apresentou-me à mãe e disse que será um prazer nos receber. – ela disse com um sorriso de ponta a ponta.

- Nossa!! Mas... eu quero entender uma coisa. Por que fomos convidadas Alice? – questionei.

- Você não sabe?

- O que?

- Bella, Rosalie está praticamente namorando o Emmett.

- Não acredito! – disse completamente surpresa. Eu sabia que eles mantinham contato, mas aí um namoro estava totalmente fora de cogitação na minha mente falha e atrasada.

- Isso mesmo. Rosalie já foi a casa deles depois daquele dia Bella. Ela me contou... coisinhas. – disse num tom malicioso.

- E que eu já imagino quais. Nem precisa continuar. – falei de repente envergonhada pelo que minha irmã estava aprontando.

- Então... como praticamente cunhada de Jasper e Edward, Rosalie logicamente participaria do jantar esta noite, e consequentemente nós duas, como amigas deles, também fomos convidadas. Quer dizer, eu sou amiga... você até já beijou um deles.

- Alice!

- Ah, qual é Bella. Eu sei que você só não cai em cima por causa de Mike. Aposto que é capaz de você não querer ir hoje à noite por causa dele. – disse, demonstrando irritação.

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- Eu vou. E não existe mais Mike. – falei, de repente triste com a lembrança.

- Como?

- Isso mesmo que você ouviu, Alice. Eu vou hoje à noite a casa dos Cullens e não existe mais Mike na minha vida. Terminei com ele.

- Ai. Meu.Deus! Me socorre que vou ter um infarto. Jesus! Você não pode estar mentindo, Bella. Isso é maldade. Meu coração não agüenta!

- Para com isso Alice. Jamais brincaria com algo tão sério.

- Deus escreve certo por linhas tortas! Bella. Você está livre!! – gritou uma Alice, enquanto me abraçava derrubando nós duas deitadas em cima da cama.

- Ai, Alice – reclamei, mas estava rindo da situação.

- Vem. Você precisa ver o seu vestido. – ela disse, me puxando pelo braço quarto afora, indo em direção ao meu.

Vi um pacote estendido em cima da minha cama, que não estava lá quando eu saí, e eu soube que se tratava do vestido.

- Abre. Sei que você vai gostar. – pediu Alice.

Abri o pacote, revelando o vestido. Era realmente lindo, bem delicado. Apesar de ser rosa, cor que eu não costumava usar no meu dia-a-dia, parecia ser ideal para a ocasião.

- É lindo Alice, obrigada.

- De nada. Você tem algo que combine para calçar, com ele?

- Hummm... deixa eu ver. – falei enquanto ia até o closet, procurando uma opção.

- Não use um tom escuro. – alertou Alice.

- Que tal esse aqui? – perguntei, levantando um par de sandálias nude que eu só usara uma vez.

- Está ótimo, Bella. Estou gostando de ver como está se saindo. – elogiou-me Alice.

Eu ri fraco e em seguida abaixei minha cabeça.

- Que foi Bella? Falei algo errado? – perguntou Alice preocupada.

- Não, nada.

- Como nada? Conheço você. É sobre Edward, não é?

- Sim.

- Bella, não precisa ter medo. Agora que você está livre, deixa as coisas acontecerem. Comece hoje à noite. Seja você mesma, com a mesma espontaneidade de sempre. Ser medrosa não faz parte da sua personalidade. Por que isso agora?

- Não sei. É tudo tão estranho, tão novo pra mim. Eu me sinto outra pessoa ao lado dele.

- Eu sei como é. Você está amando Bella.

- Amando?

- Sim. Você precisa ver as centelhas de brilho que faíscam dos seus olhos quando você fala nele. Bella, isso é amor. Não sinta medo de amar. Principalmente quando se é correspondida.

- Você... você acha que ele pode estar apaixonado também?

- Sinceramente? Desde o dia que o conheci que eu percebi isso. Ele já está apaixonado por você desde aquele dia, talvez desde quando vocês se conheceram, no teatro. Bella, eu vi a cara de sofrimento quando Edward te viu na boate. Vi a forma como ele zelou o seu sono, a forma como ele te olha. Não pode ser outra coisa.

- Eu queria muito que nós... er... você sabe...

- Que vocês namorassem?

- Sim, mas não sei. Acabei de terminar um namoro e...

- Não é porque você acabou de terminar um namoro que não pode entrar em outro. Você não pode esconder o que sente. – interrompeu-me.

Sorri para ela, sentindo uma força apossar-me dentro de mim.

Sim, eu não ia negar o que eu sentia, não ia fugir.

Se Edward sentir da mesma forma, vou lutar por ele, por nós.

- Obrigada Alice. Eu amo você. – falei abraçando-a.

- Ounnnn sua boba. Também te amo.

Ficamos ali abraçadas alguns segundos quando ouvimos a porta se abrir.

- Vocês já viram a hora? Vão ficar de conversinha ou vão se arrumar? Não quero chegar atrasada. – falou uma Rosalie aborrecida.

- Er.. nós vamos nos arrumar Rose. – falei.

- Humpf. – resmungou enquanto saia.

- Vai indo Alice. Te encontro lá embaixo.

- Tem certeza que não quer que eu te ajude com alguma coisa, com a maquiagem?

- Não. Eu me viro, obrigada.

- Ok. Até já já.

Fechei a porta e corri para o banheiro. Mas não poderia tomar uma banho demorado, já que isso poderia me atrasar. Mas não me impediria de tomar um banho relaxante antes do inesperado jantar na casa dos Cullens.

A água estava quentinha, o que acalmou muito o meu nervosismo. Lavei meu cabelo com meu shampoo preferido, com aroma de morango que eu tanto adorava. Em seguida, lavava o meu corpo, usando um sabonete líquido da mesma fragrância do shampoo.

Terminei meu banho, enrolei-me numa toalha e fui direto para o quarto, me vestir. Coloquei vagarosamente o vestido e em seguida calcei as sandálias, deixando o cabelo e a maquiagem por último. Sequei meu cabelo com o secador, e o penteei, deixando os fios soltos, levemente ondulados nas pontas. Na maquiagem, nada muito elaborado. Apenas rímel, blush em um tom pêssego, e um batom cor de boca.

Peguei uma bolsa no mesmo tom da minha sandália e desci as escadas, antes que Alice ou Rosalie entrasse gritando no quarto por causa da minha demora.

Quando cheguei no andar de baixo, o campo mais limpo.

- Alice? Rosalie?

Nada delas responderem.

- Será que elas ainda estão se arrumando? – perguntei para mim mesma.

Subi novamente para o andar de cima, procurando-as nos quartos.

- Rose? – bati na porta, e como não tive resposta entrei. Ninguém.

Caminhei até o quarto de Alice, e dessa vez não bati. Entrei, mas também não encontrei ninguém.

- Onde essas duas se enfiaram? – questionei-me.

Desci novamente as escadas e mais uma vez gritei pelo nome das duas.

- Rose? Alice?!!

Nada.

O maior silêncio na casa, já que nem a minha mãe e o pai haviam chegado.

- Certo. Elas se foram e me deixaram. Ótimo.

Voltei para o meu quarto, pegando a chave do meu carro.

Enquanto descia pela terceira vez as escadas, me perguntava se eu ainda sabia o caminho da residência dos Cullens.

Abri a porta de casa, trancado-a em seguida, caminhando em direção a calçada quando percebi o carro. O carro prata.

Meu coração disparou, parou e voltou a bater novamente quando contemplei a figura masculina encostada no carro.

- Aceita uma carona?

Notas finais
Podem me bater!Olha onde a autora termina o capítulo??kkkkkkkkkkkkkMe perdoem. Mas como vocês podem perceber, o capítulo está enorme. Então as emoções ficarão para o próximo. E podem me dar um desconto né, gente? Afinal, fiz o que todas me pediam: acabar com o namoro da Bella e do Mike. HAHAHAHAHAHAHAGente, mais uma vez, obrigada pelo carinho, pelo incentivo e apoio que vocês têm me dado. Agradeço cada review, e peço desculpas àqueles que ainda não foram respondidos. Farei isso o mais breve possível!!! Obrigada de coração!!!E please, nem preciso pedir pra deixar reviews não é? hahahahahaBjuxxxAté a próxima!!