Tales of Others Shinobis
1 Prelúdio da Invasão
“O silencio já se tornava angustiante de tantas horas que se alastraram cobertos pelo véu da noite fria do campo de batalha. Sequer os insetos ousavam proliferar ruídos naquele mar de sangue e cadáveres espalhados; um passo poderia ser o fim, pois até mesmo o seu companheiro falecido, poderia se tornar uma arma contra o inimigo.
Respeito? Há muito tempo deixado de lado para os incontáveis mortos. Era uma guerra. E guerras eram assim: desrespeitosas.
O farfalhar das folhas deixava-me angustiado com a presença de qualquer Shinobi daquela região. Ao meu lado e cochilando um pouco devido a fadiga excessiva, encontrava-se meu parceiro de equipe, Karatachi Kame, ninja da massacrante Kirigakure.
Mas seu passado é algo para outro momento. Pois agora, a concentração era minha melhor estratégia.
Vou relatar o máximo de informações sobre a missão designada pelo Hokage, juntamente do Mizukage: Tínhamos um objetivo, e este era eliminar uma linha de frente, na qual ameaçava invadir as fronteiras de Konoha. A aliança com Kiri de fato foi repentina, mas oportuna para conseguir conhecer o garoto que empunhava um bastão de batalha e dormia ao meu lado.
Ele era um pouco mais alto, cerca de três centímetros a mais. Suas vestes eram intrigantes para alguém que vivia na região da névoa. Trajava um roupão entreaberto nos ombros, os cabelos cobriam suas orelhas e mergulhavam pelas bochechas até próximo do final do pescoço. Encostado na árvore, jazia seu equipamento de guerra, além disso, era possível ver uma palavra marcada como se tivesse sido desenhada por tinta em seu peitoral esquerdo.
A palavra significava “selo de três pontos”, e para o interesse de alguns, aquele garoto era o mais recente Jinchuuriki do temido Sanbi, o senhor dos Genjutsus.
Kame utilizava botas ninjas como de costume e em seus bolsos extras, carregava o necessário para qualquer emboscada inesperada. A defesa naquele lugar exigia cem por cento de todos os utensílios e estratégias rapidamente arquitetadas que podíamos dispor.
A lua brilhava sob nossas cabeças. Nenhuma nuvem manchava o céu, embora o sangue tingisse a vegetação verde, tornando um bicolor sinistro aos meus olhos. Em minhas mãos se encontravam uma Kunai. Fixada nas costas se encontrava uma Katana de porte médio, para combates mais complicados – não que os inimigos tivessem nos intimidado, a dificuldade vinha da quantidade que ainda se esgueiravam silenciosamente pelo meu terreno –, mas até então, manteve-se bem presa as costas e sem deleitar-se com a carne de um oponente.
Busquei lentamente algumas rações ninja, pois meu estomago aos poucos protestava a falta de uma boa refeição. Mesmo que as pílulas matassem boa parte da fome, era impossível enganar o que era digerido em nosso corpo. Ansiava por um retorno breve, entretanto, sabia que se não eliminasse todos aqueles ratos, ficaríamos muito mais tempo vivendo naquelas condições.
Kame roncava baixo, pelo menos não era um infortúnio para revelar nossa posição. Ou se fosse, duvidava demasiadamente de que meus oponentes teriam coragem para invadir nosso recinto, desconhecendo o total poder de nossas habilidades, sendo que alguns dos mais fortes tentaram nos enfrentar, e acabaram mortos.
—— Acorda, Kame. Precisamos avançar. —— Murmurei, mexendo em sua perna.
O Chunnin remexeu-se um pouco, resmungando por ter sido despertado, mas rapidamente se recompôs, já que não era um idiota suficiente para esquecer seu papel naquela floresta.
—— Quanto tempo eu dormi? —— Perguntou o shinobi, esfregando os olhos e em seguida, mastigando uma de suas rações especiais. —— Cerca de três horas. Devemos nos apressar, quanto mais tardarmos, pior vai ser. Mais reforços podem chegar. —— Kame assentiu e buscou seu bastão, tateando seu lado esquerdo. Assim que o achou, apoiou seu peso enquanto equilibrava o armamento no solo, levantando-se, mas ainda com o corpo sob a proteção da barricada.
—— Sabe de uma coisa? —— Indagou Kame. —— Não descobri que tenho clarividência, Kame. Se você não falar, obviamente, não vou saber. —— Ele riu brevemente, já totalmente desperto. —— Às vezes... Mas, que seja... Acho que hoje nós terminamos essa missão de bosta. —— Comentou, estalando os dedos das mãos. —— E por que você acha isso? Alguma ideia brotou nessa cabeça de ilusões? —— Ele concordou com um aceno. —— Talvez seja perigoso, mas... Adoramos o perigo, não é mesmo? —— Sorri, me aproximando do meu parceiro de equipe para ouvir sua tática.”
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“03 anos atrás.”
—— Ótimo trabalho, Kame. Você fez jus as expectativas que tivemos sobre seus poderes. —— Parabenizava os responsáveis pela academia de Kiri. Todos trajando as bandanas com o respectivo símbolo de sua Vila.
Ao redor, uma massa de corpos se encontrava totalmente carbonizadas, outras com a pele escorridas pelos corpos, juntamente dos objetos que rondeavam as salas de aula. Ao centro, onde o garoto se encontrava, o piso abaixo de seus pés era o único lugar não afetado pelo derretimento repentino do cenário.
Kame pairava cabisbaixo, e em sua frente, deitado e imóvel, um corpo se encontrava com um ligeiro corte no pescoço, e uma poça de sangue seco tingia o chão de mármore. O garoto não se movia ou aceitava os pseudo elogios vindos dos Jounnin. Sua mente vagava nos confins de suas emoções.
Após alguns segundos de silencio, insatisfeitos com a atitude do Gennin iniciado, um de seus futuros professores aproximou-se e tocou o ombro esquerdo de Kame. O contato fez com que o garoto recobrasse a consciência e lágrimas jorrassem imediatamente de seus olhos, ardendo alguns instantes pela quantidade. Suas mandíbulas rangeram tão forte que seria possível rachar seus dentes no contato, mas não foi o que houve no instante. Kame ergueu-se, controlando as emoções imediatamente, mas uma em questão não foi capaz de ceder ao controle de seus impulsos. —— Parabéns, não é? —— Murmurou o mancebo. —— O que pretende, Gennin imundo? —— Insultou o Jounnin de Kiri, erguendo sua Katana. —— Estou apenas seguindo as tradições que me foram postas em sala de aula, Sensei! —— Gritava enfurecido, com os olhos vidrados nos homens presentes no âmbito.
—— Tem certeza que quer nos ameaçar? —— O Shinobi desapareceu e em instantes, se encontrava nas costas de Kame, com a Katana erguida e pronto para desferir um movimento, todavia, ao executar o golpe, o ninja cortou o ar, sem entender. —— Você acha mesmo que seria capaz de deixar me matar com golpes tão previsíveis?! —— Kame virou para seu oponente, tocando sua mão onde o cabo era fixado aos dedos de seu adversário. O Jounnin imediatamente começou a gritar de dor, pois sua mão aos poucos era derretida por uma espécie de névoa bem fina. A espada por sua vez, mostrava apenas um líquido derretido posto ao cabo, e a lâmina já não existia mais. —— Vocês mataram meu melhor amigo, com essas tradições! Nada mais justo do que vocês também façam parte do massacre, não é mesmo?! —— Kame sorria alucinadamente.
Em um intervalo curto, a pequena névoa se dissipou, invadindo toda a sala, e tudo, até mesmo o corpo do seu amigo agora se encontrava derretendo aos poucos. —— Vou carbonizar todos vocês! Pelo menos terão um velório digno! Não que mereçam... —— Ao instalar suas habilidades no recinto, Kame foi recobrando o controle de seus atos, embora isso não o impedisse de continuar. Os Shinobis ainda vivos sentiam-se asfixiados e suas peles aos pouco emanavam queimaduras constantes, suas roupas ganhavam uma textura molenga, e o cheiro de metal derretido impregnava mais uma vez as paredes daquela sala de exame.
—— Você... É... Um monstro... —— Gorgolejou o futuro Sensei de Kame, ao qual nem se dignou prestar atenção no nome. —— Morra, seu verme. —— Ao final das palavras do Gennin, um mar de lava emergiu de sua boca, varrendo todo e qualquer resquício de vida do lugar.
—— Yögan-dama no Jutsu. ——
[...]
Ao sair da Academia, foi barrado por outros Jounnins de Kiri, que interrogaram os feitos do púbere. Ele, sem delongar, forneceu os detalhes e o porquê tinha feito isso, mas seus olhos já não eram mais os mesmos. Não havia sensações. Não havia empatia. Apenas algo sobressaia daquele olhar: cumprir seus objetivos, sejam esses quais fossem.
—— Interessante... —— Murmurou o ANBU responsável por verificar a área agora em chamas. Kame havia simplesmente tornado um pequeno caos em seu país, devido ao incêndio que se alastrava pelos campos próximos e a lava não cedia a nada em seu caminho. —— Venha comigo, garoto. Temos um novo trabalho para você. —— E assim, o rapaz seguiu as ordens daquele homem mascarado, onde desde então, após o seu primeiro passo como Gennin, ele jamais poderia dar outro em uma mente solitária.
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—— Excelente tiro, Mitsuko. —— Meu irmão mais velho analisava detalhadamente com seu Sharingan ativo, o disparo proferido pela curva de minhas Shurikens até o alvo, aproximadamente dez metros de distância árvores adentro. —— Obrigado, Nii-san. —— Respondi, um pouco ofegante. Estava praticando aquele exercício desde o término da digestão do almoço. Haru, meu irmão mais velho, como estava de folga de suas missões de Gennin, decidiu me ajudar, já que no dia seguinte iria ingressar meus estudos na academia de Konoha.
—— Mas, você não acertou completamente o alvo, veja... —— Ele apontou, mas como ainda não possuía o Sharingan, meu foco não era tão aguçado como o dele, por isso, tive que caminhar alguns passos e afastar alguns galhos da frente do objetivo. —— Droga! Fracassei de novo... —— Resmungava, mas meu irmão apenas riu brevemente. —— Não se cobre tanto. Amanhã você terá explicações muito melhores que as minhas. —— Incentivou o Uchiha. —— Talvez. Mas meu objetivo é ser tão bom quanto o Itachi-sama. —— Coloquei o indicador no queixo e meu semblante tornou-se pensativo. —— Oras. Itachi é um prodígio. Concentre-se em passar de mim primeiro, maninho. —— Haru bagunçou meus cabelos e atirou de costas para mim duas das estrelas pontiagudas exatamente no círculo preto, o centro.
Irritado, dei um soco em sua barriga. —— Isso é injusto! Você já possui o Sharingan! —— Meu irmão riu descontroladamente. —— Então treine e desperte o seu! —— Aquilo me enfureceu ainda mais, obrigando-me a desferir inúmeros socos em meu irmão, que ria ainda mais com a situação. —— EU VOU ACABAR COM VOCÊ, DESGRAÇADO! —— Gritava aos berros e Haru apenas tinha lágrimas saindo de seus olhos pelas risadas constantes. —— Mitsuko, você é fraco! Precisa treinar muito! ——
Atrás de nós, a porta foi arrastada, revelando uma bela mulher de cabelos loiros. —— Crianças, parem com isso. Já está tarde, logo o jantar será servido. Se arrumem rápido. —— Nossa mãe era séria e determinada. Jamais tolerava desobediência.
Nos erguemos e Haru adentrou primeiro. —— Você não vem? —— Indagou. —— Agora não. Vou treinar mais um pouco. Até porque... Você demora demais no banho. —— Brinquei e Haru concordou com os ombros, adentrando em casa.
Meus disparos continuaram sequenciais no alvo, as cegas. O sol já não tinha o mesmo brilho, e isso tornava o acertar o alvo um desafio ainda mais complicado. Mas se tinha algo que eu não deixaria para trás, eram as minhas missões internas. Completaria aquele desafio antes mesmo de entrar para a Academia.
[...]
A lua brilhava e já tinha recebido uma bela bronca de minha mãe. Todavia, depois de toda aquela cerimonia apenas para um jantar, sai para o quintal sorrateiramente, mergulhando nas árvores que rodeavam nossa casa. Por ser uma das mais afastadas do bairro Uchiha, ela adentrava boa parte da densa floresta crescente do país do fogo. Embora fosse a mais bem guarnecida em localização, já que os portões de Konoha ficavam alguns quilômetros de distância, sempre repleto de guardas e patrulhas ninjas.
Mais ao centro da mata, havia um local no qual eu e um amigo treinávamos escondidos. Entretanto, desta vez, somente eu havia ido durante a noite. O êxtase no meu sangue tornava-se impossível de repousar em minha cama. Amanhã minhas notas deveriam ser perfeitas se meu objetivo fosse ultrapassar ou pelo menos ser igual ao meu ídolo, Uchiha Itachi.
[...]
Algumas horas alastraram-se e corujas piavam aos lados, não tão próximo de mim, devido minha presença ser considerada um predador acima do que podiam caçar. Atirava as Shurikens e vez ou outra, usufruía do meu primeiro Ninjutsu, o Goukakyuu. Felizmente as chamas não perdiam o controle, já que meu poder não era lá tão consideravelmente grande. Mas o clarão podia ser visto a uma distância considerável.
No meio das matas, algo ocasionou um barulho de galhos sendo arrastados por um corpo consideravelmente maior do que os animais da região. Empunhei uma Kunai que sempre levava comigo e virei-me em direção do alvo. —— Apareça! —— Exclamei, concentrado e com o semblante sério. Apesar de um pouco fadigado, minhas técnicas haviam melhorado quase cem por cento. Acertar um alvo por trás das árvores já não era um empecilho. —— Caramba, Mitsuko! Eu nunca consigo pegar você desprevenido. —— Resmungou Lotus.
Aliviado por conhecer o rosto do intruso, baixei minha guarda e respirei fundo. —— Quantas vezes já disse? Você parece um elefante pisando dentro de uma sala, tentando não derrubar nada! —— Lotus esboçou uma reação não muito satisfatória. Bufando e decidindo não prolongar a discussão, o mesmo moveu-se até o meu encontro e observou minha situação.
—— Você está imundo, Mitsuko. —— Foi a única coisa que ele pensou em conversar depois de averiguar todo o recinto com os olhos. —— Eu não me lembro que treinar deixa você mais limpo, seu babaca! —— Lotus riu e apanhou algumas Shurikens. —— Bom! Eu também não consegui dormir, e amanhã nós entraremos para academia juntos. Vamos treinar! —— E assim, ambos continuaram executando suas técnicas e vez ou outra simulando batalhas sem Ninjutsus.
[...]
—— Bem-vindos a Academia! —— O Jounnin responsável deu boas vindas para nós e se apresentou. Logo em seguida pediu para que cada um se levantasse e falasse um pouco sobre si mesmo e do seu clã. Na minha vez, acabei falando um pouco sério, devido ao que almejava estar à flor da pele. —— Me chamo Uchiha Mitsuko. Meu clã, como todos conhecem, é responsável pela segurança e policiamento de Konoha. Meus objetivos como Shinobi são alcançar os níveis de poder iguais ao meu ídolo, Itachi-sama, o prodígio do meu clã. Fora isso, não tenho muito mais o que declarar a vocês. —— Sentei-me e a sala, como o Sensei designado para nos ensinar a ser um Ninja, ficaram intrigados. —— Interessante. Vejo que todos estão com os nervos afiados hoje. Ótimo espírito... —— Murmurava o professor enquanto visualizava cada corpo sentado. —— Teremos uma aula de combate para testarmos os níveis de cada um! ——
[...]
Todos foram movidos até a área aberta da Academia, onde os troncos de alvo se instalavam e o campo de batalha se instalava. Em campo aberto, tínhamos mais flexibilidade para nos movermos, e para mim, nada melhor que um terreno aberto. —— Uchiha Mitsuko! Apresente-se! —— Ao ouvir meu nome, minhas pernas tremularam um pouco, embora a sensação de adrenalina imediatamente preencheu o desconforto de outrora.
Caminhei até o lado esquerdo do meu Sensei, aguardando o meu adversário. —— Uzagi Kuang. —— Olhei ao lado e um garoto de pele pálida, cabelos desgrenhados e compridos até próximo de seu peitoral, moveu-se com as costas curvadas até o instrutor. Sua camisa estava bem fixada com dois encaixes próximo ao ombro. Sua coloração era preta e um cinzento próximo ao capuz embutido. As mãos encontravam-se enfaixadas e abaixo da camisa, o macacão vinho estendia até o fim das canelas, onde as botas Shinobis cobriam o restante até os pés.
Seus olhos eram amarelados e com a pupila traçada ao centro. Lembravam muito olhos de cobra. Talvez os boatos fossem verídicos, aquele era o garoto no qual foi criado e ensinado pelo Sennin de Konoha, Orochimaru. Um oponente a altura, talvez até mais forte.
—— Se vocês estiverem prontos, cumprimentem-se e não usem nenhum Ninjutsu fatal! Não queremos acidentes no primeiro dia de aula da Academia! —— Uzagi riu de modo medonho e ergueu sua mão de aparência asquerosa.
Não liguei e segui a tradição, apertando-a.
Infelizmente, quando nosso Sensei liberou a batalha, nossas mãos ainda estavam vinculadas e Uzagi rapidamente começou a amarrar meu braço com o seu próprio, esticando-o como se fosse literalmente uma cobra. —— Acabou para você, Uchiha. —— Murmurou o garoto, entretanto, como ainda possuía uma mão livre, consegui alcançar em minha bolsa ninja posta a cintura, uma Kunai para defender-me. Cravei ela rapidamente em seu braço, mas o antagonista pareceu não se preocupar com o ferimento, e seu braço começava a agarrar parte do meu ombro. —— Eu não vou deixar que uma aberração vença fácil assim... —— Puxando a Kunai para cima novamente, mirei os dedos de Uzagi. O oponente aparentou se importar com a situação e esquivou com a mão, levando-a mais para cima. O golpe rumou até próximo do meu ombro, mas não o suficientemente perto para que eu mesmo me atingisse.
E elasticidade que seu corpo propunha era assustadora e logo sua mão rumou com grande velocidade para minha cara. Felizmente consegui ler com facilidade seu movimento e lancei o armamento ninja no centro da palma da mão de Uzagi.
Ele resmungou pelo inconveniente e desenrolou do meu braço, trazendo ao tamanho normal o seu membro em questão. —— Deveria ter quebrado o seu pescoço. —— Gesticulou meu adversário. —— E você é uma desonra. Aproveitou-se do cumprimento para tirar vantagem. Não consegue acabar comigo no mano-a-mano? —— Minhas palavras pareceram irritar muito ele. Pouco me importei, pois agora estava com as mãos livres e com capacidade para executar Ninjutsu.
Kuang deu alguns passos para trás, firmando seus pés no terreno seco. Concentrei-me e analisei passo-a-passo seus movimentos e algo me parecia extremamente similar, mesmo que jamais tivesse o visto lutar antes.
Seus braços se esticaram de novo, tentando agarrar meu corpo, mas rapidamente me desloquei, aplicando uma cambalhota e esquivando perfeitamente. —— “Parece que já sei o que ele vai fazer, antes que faça... —— Essa frase rondou meus pensamentos enquanto lutava, e assim que atingi o chão, corri até o garoto, que recuava os braços para tentar me impedir, mesmo que em vão.
Abaixei-me e ergui minha perna com toda força que pude acumular. A sola de minha bota atingiu em cheio o queixo de Uzagi, lançando-o para cima, antes mesmo de seus braços retornarem ao normal.
Foi um momento oportuno. Executei alguns selos com extrema facilidade, por serem bastante familiarizados a mim. —— Katon, Gonkakyuu no Jutsu! —— Rumei a mão canhota para próximo dos lábios e entre os dedos, soprei com bastante fôlego. Pós o sopro, uma imensa bola de chamas acumulou-se pelo calor e foi disparada até o corpo do garoto, ainda volátil e sem controle.
Raspei meus pés no terreno e executei uma cambalhota para trás, tomando distância do meu inimigo. Antes que o Jutsu conseguisse tocar seu corpo, nosso Sensei aplicou um Suiton, apagando todo meu Katon. —— Eu disse, sem Ninjtsus fatais. Mas está claro que Mitsuko é o vencedor. —— Com as mãos apoiada no chão arenoso, me ergui, limpando os resquícios de terra e fui surpreendido por Lotus. Ele me encarava com o rosto extremamente empolgado. —— Mi-mi... Mitsuko! S-seus olhos! —— Gaguejava o mancebo. —— O que tem eles? —— Indaguei. —— Você despertou eles... —— Dizia perplexo meu amigo de infância. —— Eles quem? Seja direto, Lotus! —— Irritado, guardei minha Kunai, até que algo começou a fazer sentido. Na minha frente, conseguia ver o fluxo de Chakra dentro do corpo do Uchiha. —— O Sharingan! —— Gritou e sala toda decidiu se aproximar para ver o triunfo que havia conquistado.
Meus olhos foram todos tingidos de vermelho. Ao lado da pupila, um risco preto destacava-se como se fosse um pequeno espinho. Obviamente não tinha noção da imagem propriamente dita, mas foi com essas palavras que tive uma breve noção de como era o Sharingan, e a imagem me era familiar por Haru também possuir o seu. Entretanto, o do meu irmão mais velho já estava no nível superior, com três gomos.
Uzagi, sorridente, aproximou-se e decidiu analisar de perto o Donjutsu recém despertado. —— Incrível. Você tem talento, Uchiha. —— Sua personalidade tinha mudado completamente, mas não conseguia identificar o sorriso dele como algo verdadeiro, mas sim uma máscara de bons modos posta à frente de uma fúria fervente, já que seus lábios tremiam um pouco, enquanto gesticulava o sorriso. —— Obrigado. Você também tem um belo Kekkei Genkai. Se eu não tivesse despertado o Sharingan, talvez não conseguisse acompanha-lo. ——
As palavras aparentaram acalmar o algoz. —— Realmente. Obrigado pelo entretenimento. —— Talvez, reconhecer o poder de seus adversários os deixem mais aliviados pela derrota, muito embora não seja suficiente para curar a ferida de uma disputa perdida.
Desde esse dia, a minha vida da Academia se tornou mais rígida e as cobranças em casa, mais árduas. Obviamente não era o suficiente para me desmotivar: meu objetivo estava definido, e não pararia até alcançar um poder maior dos que já possuíam em minhas mãos.
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Uma leve brisa soprou, e em sua correnteza, o cheiro de podridão invadiu minhas narinas. Mesmo que aquilo fosse angustiante, o olfato já tinha se acostumado com o odor, devido as horas alastrantes no campo de batalha.
Kame terminara de desenhar a tática, juntamente com os meus pontos cobrindo as falhas de seu plano. Uma estratégia bastante perspicaz, cujo surpreenderia os inimigos facilmente, dando um fim para aquela maldita peleja sem fim.
—— Vamos precisar de um pequeno suporte. —— Balbuciou Kame, mordiscando a ponta de seu dedão e desferindo alguns selos de mãos. —— Kuchiyose no Jutsu! —— Ponderou. Imediatamente após suas palavras, um pequeno círculo e outras diversas linhas repletas de palavras rabiscou o gramado fino e uma ligeira explosão de fumaça se estendeu para cima.
Todavia, já sabendo deste fardo, imediatamente lancei quatro bombas de granadas em posições aleatórias, gerando bastante fumaça e uma chuva incessante de Kunais e Shurikens para todos os lados, devido nossos inimigos desconhecerem a real posição em que nos encontrávamos. —— Yooo! —— Gritou um sapo gigantesco, com aproximadamente dois metros e vinte de altura, corpo largo, braços definidos e acompanhados de braçadeiras de ferro. Seu rosto possuía uma mancha similar a uma máscara, já que cobria toda a parte dos olhos e se estendia por trás da cabeça.
Em suas costas, seu equipamento de batalha encontrava-se fixado por uma corda e um nó entre o peitoral do anfíbio. —— Quieto, Gamakongou... Estamos cercados por inimigos! —— Advertiu Kame. Simplesmente ativei meu Sharingan e vislumbrei de relance sobre a barricada, verificando a posição dos adversários, já que emanavam chakra para se defender de suspeitos ataques furtivos pós a cortina de fumaça.
—— Eles são dez. Vocês dois dão conta? —— Indaguei. Kame e Gamakongou assentiram, mesmo que o sapo não estivesse entendendo muito bem a situação.
Levou dois minutos para explicar que tipo de ajuda seria necessária para sua invocação repentina. O sapo ninja sorriu, retirando de suas costas seu bastão de guerra. Era longo, com faixas brancas aonde supostamente suas patas se agarrariam para firmar em confronto. Sua ponta era um pouco curvada e nela se tornava visível um girassol preso, puramente de enfeite. —— Isso é bem simples. Você nos dará cobertura, Uchiha? —— Concordei sinalizando com o dedão, firmando a positivação da pergunta. —— Esperem a primeira explosão e vão. —— Ordenei, e ambos se prepararam sem protestos.
Kame subiu nas costas de Gamakougou. Ele nem pareceu se importar com o peso em cima de si. Era forte e esguio. Um perito em batalhas no estilo sapo.
Contei alguns instantes antes de finalmente iniciar a distração. Mais quatro granadas de fumaça ninja se encontravam entre meus dedos. —— Agora! —— Gritei e ambos num salto extremamente forte das pernas poderosas de Gamakongou, eles atingiram cerca de vinte metros de altura em segundos. Já eu, simplesmente relancei as granadas, gerando mais fumaça e empecilhos para nossos inimigos.
Rapidamente, desviando das Kunais graças ao Sharingan, que me permitia acompanhar a direção delas com uma antecedência absurda até colidirem comigo, ergui minha Katana e rebita todas que ameaçavam minha segurança. Finalizando o processo, com a contagem em seus limites, executei alguns selos de modo ligeiro, não passando de dois segundos em pé na barricada. —— Katon: Karyuu Endan! —— Berrei e puxei bastante ar para os pulmões, onde meu tórax inchou cerca de três vezes o tamanho normal que poderia se expandir, nos padrões humanos.
De minha boca, averiguando todos os inimigos com o Sharingan, devido os meus olhos sempre estarem atentos, disparei uma corrente de fogo que se desferiu contra os inimigos em milésimos. As chamas ardiam insuportavelmente e tudo que tocavam, explodiram com o impacto. Era como tacar fogo sólido nos inimigos.
O primeiro disparo foi mais para causar alvoroço, e a tática foi muito bem feita. Pois os inimigos imediatamente começavam a usufruir Suiton para se livrar de queimaduras ou das chamas que ardiam na vegetação próximo a eles. Felizmente eram poucos os usuários do elemento, portanto, facilitou o meu foco do segundo disparo, ocasionando uma explosão diretamente aos pés do inimigo, carbonizando três deles em questões de segundos.
Aos céus, Kame descia numa velocidade absurda. Gamakongou não ligou muito, pois sua resistência permitia executar saltos até maiores do que esse, isso porque o sapo sequer tinha chego ao auge de seu verdadeiro tamanho. Era uma criança ainda. Ao colidir com o solo, o chão rachou um pouco devido a força do impacto, e com seu bastão, o anfíbio desferiu um golpe fatal na cabeça do inimigo mais próximo dele, quebrando seu pescoço com tanta facilidade que o inimigo aparentou ser uma taça de vidro. O corpo de Kame recentemente acumulava uma névoa, mas não a sua sufocante e mortal, mas sim, uma névoa de prazeres, despertando um relaxamento quase obrigatório dos músculos.
Ele acumulou todo o processo enquanto estava aos céus, e assim que chegou em terra firme, o Shinobi exalou seu Genjutsu por todo o campo de batalha, obrigando todos e quaisquer que resistissem ao encanto, a desmaiarem por sentirem uma falsa fadiga excessiva. —— Tudo sob controle, Mitsuko! —— Alertou Kame, vendo Gamakongou girar seu bastão já que a luta tinha sido extremamente fácil para que eles precisassem de sua ajuda. —— Bom, já que tudo está resolvido, irei voltar para o monte! Vocês não precisam tanto assim de ajuda e hoje tenho um treino marcado com Gamabunta! E aquele sapo velho odeia atrasos! —— Protestou o sapo ninja, e Kame apenas acenou para ele, não querendo prolongar seu desabafo. —— Obrigado e bom treino, Gama. —— Gamakongou fez um positivo com sua mão e acenou de longe para mim, indo em direção a eles. Retribui o tchau e ele desapareceu do mesmo modo que surgira outrora.
—— Ah, finalmente vamos poder voltar para casa! —— Me espreguicei aliviado, e Kame estalou suas costas, apoiando suas mãos na cintura e erguendo o corpo em decline para trás. —— Realmente. Não aguento mais comer essas rações ninjas. Quando chegarmos em Konoha, iremos comer churrasco... —— Ri brevemente, e só de pensar na carne de porco assada, meus lábios umedeceram instantaneamente. —— Ótimo. Você paga! —— Pela regra de nossa amizade, quem ponderasse primeiro o pagante, deveria arcar com a conta no final. E graças a breve lerdeza de Kame para esses assuntos, eu ganhava quase sempre comida de graça. —— Mas você é um desgraçado... —— Ele arqueou a sobrancelha, mas não rebateu o fardo.
—— Bom, vamos logo com isso. Amarre aqueles ali enquanto eu amarro esses. —— De meus antebraços, haviam duas munhequeiras longas que se prolongavam até próximo dos cotovelos, iniciando-se nos pulsos. Eram pretas e sem desenho algum. Simplesmente mordisquei o dedão e uma quantia de sangue jorrou, preenchendo boa parte do centro do dedo. Risquei a do braço direito com uma fina linha de sangue e pousei a mão sob o utensílio. —— Kuchiyose no Jutsu. —— Com uma leve fumaça, uma extensa corda ninja surgiu em minha mão. Cortei ela pela metade e joguei para Kame fazer seu trabalho. —— Enquanto você começa, vou alertar Konoha sobre nosso sucesso. —— O garoto de madeixas brancas assentiu e iniciou sua última responsabilidade naquele cenário caótico.
Me afastei alguns passos e reaproveitei do meu sangue ainda escorrendo no dedo. Mas a ferida em questão já tinha cicatrizado. A regeneração dos ninjas era essencial para a sobrevivência. Por sorte, eu tinha uma boa, mas nada comparada a de um Jinchuuriki. Kame não tinha um arranhão sequer desde que começamos a lidar com os inimigos, e estávamos naquele conflito há três dias completos, já que a terceira noite aos poucos se findava e no horizonte, o sol ia trazendo seu brilho instigante.
Fiz novamente alguns sinais de mão, mas antes que tocasse o solo para finalizar meu último movimento, senão amordaçar os Shinobis inimigos, atrás de nós, uma explosão de fumaça penetrou o centro do recinto, e dela, dois ninjas com trajes da ANBU, mascarados e bem armados, apareceram. Por sorte, o símbolo de Konoha destacava-se em suas vestimentas. —— Muito bem, garotos. Executaram bem o papel de vocês. Deixem o resto comigo. —— O mais alto balbuciava. Notei que era Kakashi, pois os cabelos brancos e pontiagudos para cima em forma de um topete eram irreconhecíveis. Mas atrás dele, encontrava-se um garoto com uma Katana posta exatamente da mesma maneira que a minha. Seus longos cabelos negros escorriam para o lado, e a máscara simbolizava um animal, mas a tintura vinha de um vermelho nas orelhas e uma espécie de ponta onde seria sua testa.
Meus músculos tremeram, pois, pela primeira vez, sem que fossem uma reunião do clã, eu estava diante de Uchiha Itachi. —— Realmente, eram mais inimigos do que imaginávamos. Por que não pediram reforços? —— Perguntou Itachi, retirando sua máscara, assim como Kakashi. —— Achamos que não seria necessário, além do mais, vocês tinham mais inimigos para confrontar. Esses Jounnins não passam de vergonha... —— Kame respondia com naturalidade, já eu, me mantive ereto e de forma apresentável. —— Relaxe, garoto. Você não está diante de nenhum Kage para firmar o corpo assim. —— Kakashi tocou meu ombro e pude ver o famoso Sharingan copiador dele, já que sua máscara só se encontrava cobrindo o nariz para baixo. —— Desculpe. É o costume. —— Kakashi sorriu, pude perceber isso pela elevação de suas bochechas e por fechar os olhos brevemente. —— Seu clã é bastante rígido mesmo. Eu entendo. —— Ele se afastou e caminhou até Itachi. —— Bom, já que tudo ocorreu bem... —— Antes que finalizasse a frase, percebi um projétil vindo em direção do ANBU. Meus pés se moveram rápidos, mas nada comparados a velocidade de Itachi, no qual apanhou sua katana e rebateu a Kunai lançada.
—— Protejam-se, há mais inimigos. Kakashi, mande-os voltar. Essa Kunai não foi arremessada por um Jounnin qualquer. Há mais ANBUS por aqui. Vamos! —— Itachi recolocara sua máscara assim como Kakashi e saltaram, a última ordem do esquadrão foi para que nos retirássemos às pressas para as proteções da vila. E sem pestanejar, iniciamos os saltos para nossa aldeia, deixando apenas os corpos desmaiados de nossos inimigos amarrados e sob a jurisdição de nossa aldeia.
[...]
“Sala do Hokage, horas depois.”
O velho Sandaime se encontrava assinando alguns papeis que aparentavam necessitar com urgência sua atenção. Fomos levados até lá por um de seus conselheiros, até então desconhecido até por mim. Deveria ter tido a patente provisória já que muitos ninjas de Konoha estavam ocupados com batalhas aos arredores da vila.
Ao perceber que estávamos ali alguns minutos e com os semblantes extremamente fadigados, o Hokage deixou de lado as anotações e se levantou, indo até nós. —— Me perdoem os maus modos! Estou perdendo as cabeça com tanta papelada chegando e saindo daqui. Há quatro noites que não sei o que é dormir também. Mas isso não vem ao caso... Vocês parecem extremamente cansados. Me deem o relato da missão e podem retirar o pagamento e uma folga, garotos. —— Sorrimos, mesmo sendo Hokage, Sandaime tinha uma personalidade extremamente confortável.
Todos o adoravam como Hokage, até mesmo Kame que não nascera nesta vila, partilhava bons sentimentos para aquele velho. Informamos tudo, desde o começo, como ganhamos, a aparição dos ANBUS e o ataque inesperado, sendo dispensados por ordens deles. —— Entendo. Perfeito! Executaram com sucesso o papel de vocês. Devo dizer que não errei na promoção destes Chunnins. E muito bom saber que você já domina o Karyuu, Mitsuko. É um Ninjutsu extremamente complicado. —— Dizia Sarutobi, se afastando para próxima da janela e mantendo as mãos fixadas umas nas outras pelas costas.
—— Obrigado, Hokage-sama. Se nos permite, queremos descansar... A noite não foi a das melhores e quero muito uma refeição digna antes de relaxar o meu corpo. —— Respondi e o Hokage se virou, sorridente também. —— Mas é claro. Vão. O jantar é por minha conta. Peguem com o meu assistente um ticket de refeição grátis em qualquer estabelecimento. E mais uma vez, obrigado por cumprirem a missão. ——
Kame foi o mais satisfeito com a recompensa, mas, quando estávamos prestes a sair da sala do Hokage, este deu uma leve tossida proposital, chamando nossa atenção. —— Garotos, não quero ser sério num momento de comemoração, mas... O retorno para o campo de batalha de vocês está mais próximo do que imaginam. Vão, descanse, mas se preparem para uma guerra. —— Ao findar as palavras, ele nos dispensou e voltou a olhar para a janela, como fazia de costume. Encarava a lua cheia ao céu, e sabia que isso não iria se encerrar tão rapidamente.
Saímos do âmbito com os tickets, mas preocupados com o que aconteceria nos dias seguintes. Mesmo que desfrutássemos de boas habilidades, o mundo Shinobi continha inimigos com poderes surreais aos nossos patamares.
Logo, a verdadeira guerra iria começar.
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