Tales of Others Shinobis

2 Desenrolar da Guerra.


“Confins da Aldeia de Kirigakure no Sato.”

Um imenso salão recepcionava grandes shinobis empunhando diversos tipos de espadas ninjas. Umas mais finas, outras mais grossas, mas nunca uma aparência similar de lâminas, exceto um grupo unido no qual portavam katanas de porte simples, embora o fio de corte fosse assustador.

Ao centro, próximo a parede do fim da sala, uma grande poltrona se encontrava fixada com três degraus acima do piso normal. Nela, um homem grande, corpulento e com longos cabelos ruivos, sentava-se após servir-se do banquete que todos deleitavam. —— Certo, senhores! —— Iniciou o gigante. —— Venho por meio destes, apresentar minha futura sucessora! Hoshigaki Asuka, apareça, menina. Todos querem te ver. —— Numa porta ao lado direito, a garota abriu a porta, arrastando todo o conteúdo que dava acesso a uma outra sala, fora dos olhares de todos os Shinobis.

Atentamente eles olharam a garota de aproximadamente quatorze anos, medindo cerca de 1,65, caminhar saltitante até o comandante daqueles vermes mercenários. Risos por toda a sala ecoaram e isso deixou Fuguki Suikazan, o grandalhão em questão, excitado pelo que havia planejado. —— Olá. —— Murmurou Asuka, sorridente e com os olhos semifechados. Em sua mão destra, jazia um pirulito no qual ela deleitava-se com os lábios. Era seu doce favorito.

—— Olá? —— Indagou algum homem ao fundo da sala. —— Que tipo de brincadeira é essa, mestre? —— Perguntou outro. O líder apenas acomodou-se em sua cadeira, apoiando seu punho em sua grande bochecha. —— Brincadeira? Oras... Todos sabem como funcionam as tradições de Kiri. Para ser o melhor graduado... É preciso matar todos, não? —— Fuguki alargou mais ainda o sorriso. —— Portanto, se desejam o cargo de sucessor... Apenas um deve caminhar perante mim no final. —— A garota não aparentava se incomodar com a notícia, embora todos presentes aos poucos olhassem cada um como um rival, até mesmo o grupo unido de katanas não via mais seus parceiros como aliados, mas sim, inimigos em busca de um prêmio perfeito.

A manceba possuía pele bastante esbranquiçada. Em sua forma normal, chamava bastante atenção pela beleza e sua idade. Mas algo dentro dela continha uma personalidade amarga e fria, como se um monstro aos poucos invadisse sua mente e finalmente revelasse o tipo de brutalidade que seus lábios bem desenhados podiam guardar num sorriso tão doce. Em suas costas, fixada de lado pelo tamanho, continha uma espada aparentemente enorme. Chegava aos 1,80, completamente enfaixada, com exceção da ponta afiada. —— Tenho que matar todos, Sensei? —— Perguntou virando-se e encarando Suikazan com os lábios forçados em um semblante triste.

Seu mestre apenas gargalhou e acenou duas vezes para que a garota fosse brincar. —— Que bom. Eu não queria ter que deixar sobreviventes! —— Ela berrou, atraindo todos os olhares. Os ninjas começaram a rir, enquanto ela empunhava sua espada. Aparentemente, pensaram que ela não seria sequer capaz de erguê-la com as mãos. Quiçá manuseá-la em confronto perspicazmente. Tolos, como haviam se enganados.

Asuka fincou sua lâmina no piso de madeira, o qual afundou-se facilmente. Os adversários desembainhavam as lâminas e estavam prestes a ataca-la, mas novamente cometeram um erro estúpido de deixa-la brincar com os dedos, exibindo os selos tão rápidos quanto um piscar de olhos. —— Suiton: Suishouha... —— A jovem apoiou suas mãos no terreno e canalizou o chakra. Um imenso sopro de energia fez com que cada um sentisse a densidade do Chakra que aquela menina possuía, sendo suficiente para espantar e alarmarem seus olhos.

De onde a espada estava fincada, a madeira começou a ranger. O barulho proliferou-se em apenas um segundo, e em seguida, silenciando-se. —— É só isso que você tem?! —— Gritou um dos ninjas armados com uma Katana. —— HAHAHAHAHAHA! QUE DESPERDÍCIO DE OPORTUNIDADE, MESTRE! ACHO QUE O SENHOR ENLOUQUECEU! —— Ria descontroladamente um dos mercenários, até que seu pé se firmou no solo e finalmente o ninja correu até a garota.

Asuka fez mais alguns selos e esperou o momento oportuno. Por sorte, o ninja era rápido, e ela estava cansada de brincar. —— Suiton: Suikōdan no Jutsu. —— Imediatamente, quando o algoz firmou o pé ao lado da espada de Asuka, o chão partiu-se em vários pedaços e um imenso tubarão de água o abocanhou, dilacerando sua carne e partindo seu corpo em dois.

Quando o sangue jorrou e o corpo partido caiu no chão, o líder segurou os braços da poltrona e imediatamente gargalhou como se estivesse vendo o melhor programa de comédia. Seus olhos chegavam a lacrimejar de tanta euforia. —— Eu quero ver mais, minha criança! —— Asuka simplesmente ao ouvi-lo, executou outros selos. —— Como o senhor quiser, chefe. —— Ao pousar as mãos no solo, todo o piso de madeira partiu-se, revelando uma imensa quantidade de água, cobrindo cerca de quatro andares abaixo da mansão.

Dentro da água, podia-se notar um redemoinho, mas nenhuma imagem fixa era detectável. Os Shinobis mantiveram-se de pé, canalizando o chakra na ponta de seus pés, para que não afundassem naquele abismo de água. —— Suiton: Goshokuzame! —— Ao finalizar a frase, a água outrora cristalina, tomou uma coloração vinho, com tanto sangue escorrido e pedaços de corpos desmembrados em questões de segundos.

—— HAHAHAHA! Você foi ótima, criança! Um dia erguerá minha Samehada! Venha cá e me dê sua bandana. —— Seguindo fielmente as ordens de seu mestre, Asuka ajoelhou-se no degrau de sua poltrona, sendo a única parte fixa naquele pedaço da sala. A garota ergueu sua mão, mostrando a bandana de Kirigakure. Fuguki apanhou o utensílio ninja, e com seu indicador e uma quantia mínima de chakra exalando da ponta de seu dedo, o Shinobi passou pelo centro do desenho, formando um risco na parte de metal. —— Parabéns, agora você é oficialmente uma Nukkenin espadachim da Névoa. —— Asuka ergueu-se, pegando de seu bolso outro pirulito. —— Obrigado, Sensei. —— Agradeceu e estas foram suas últimas palavras, depois voltou a degustar o seu doce.

E ambos saíram daquela mansão, deixando com que a água destruísse e formasse apenas escombros encima dos corpos falecidos do cenário.

[...]

“Konoha, dois dias após a tentativa da invasão de Ywa.”

Meu corpo encontrava-se revigorado. Caminhava lentamente pelas esquinas do clã Uchiha. Vez ou outra cumprimentava alguns conhecidos e desejava um bom trabalho para os mais velhos, que trabalhavam na polícia.

Ajustava calmamente minhas munhequeiras negras, sempre visando deixar de modo simples para que meu Kuchiyose fosse rapidamente executado e eu empunhasse alguns armamentos extras. Saindo da entrada principal, encontrei Fugaku adentrando os portões, com o rosto aparentemente cansado e suas roupas todas amassadas. Realmente cuidar do policiamento de Konoha exigia bastante esforço da sua parte.

—— Bom dia, Fugaku-sama. —— Curvei-me, e o Uchiha acenou. Era sempre bem sério. —— Bom dia, Mitsuko. Está indo para mais uma missão? —— Indagou o chefe do clã. —— Por ora, estou indo encontrar meu time. Nosso Jounnin responsável passará as informações do que iremos fazer. Provavelmente não terei mais descanso tão cedo... —— Curvei a cabeça, bufando e dando de ombros. Foi o suficiente para arrancar um leve sorriso do homem. —— Entendo. Dê o seu melhor e não envergonhe o nosso clã. Afinal, você foi um dos que despertou o Sharingan mais cedo. Orgulhe-se disso. —— Assenti positivamente, o elogio do pai do Shinobi que idolatrava realmente energizou minhas veias e ascendeu meu espírito. —— Pode deixar! —— Despedi-me e saltei em direção ao ponto de encontro marcado.

[...]

Pousei-me em cima do poste. Olhei aos arredores mas nenhum dos membros do time A-1 haviam comparecido, portanto, me sentei com as pernas balançando ao ar livre e do meu bolso, apanhei uma barra de chocolate tradicional ao leite. —— Essas barras são as melhores. —— Comentava sozinho, mordendo o conteúdo até que não sobresse nada. Abaixo, observei uma lixeira com a tampa aberta. Apanhei uma de minhas Shurikens, que ainda haviam aos montes, fixei bem o plástico da embalagem e foquei com meus olhos negros o alvo. Dois segundos se passaram e um vento soprou a favor, sendo assim, atirei a estrela ninja que carregava com velocidade o plástico preso em sua ponta afiada. —— Ponto. —— Murmurei, avistando o equipamento ninja fixado na parede e o plástico aos poucos escorrendo, até que desvencilhou e fez com que o conteúdo caísse no lixo.

—— Você não tem mais o que fazer, Uchiha? —— Uma voz penetrou meu tímpano esquerdo. Como estava distraído e aguardando que meus aliados chegassem por solo firme, fui pego de surpresa. Mas não tão levianamente a ponto de não poder me defender. —— Asqueroso como sempre, Kuang. Agora dê espaço, você sabe que não sou muito chegado que fique tão próximo de mim. —— Encarei o meu parceiro de equipe, já com o Sharingan ativado, para que ele percebesse que eu não queria brincadeiras. —— Se acalma, Uchihazinho. Não quis intimidá-lo. —— Murmurou o garoto serpente, enroscando sua coluna no poste assim como as pernas e o restante do corpo, até atingir o chão e trazer o seu corpo de volta ao normal.

De lá, ele ficou me encarando e esperando que eu descesse. Avistei rapidamente a frente, notando que Kame vinha em seus passos lentos e serenos. Canalizei meu chakra na sola dos pés e fui andando pelo poste até que meu pé conseguisse tocar o chão sem muito esforço, assim, voltando aos padrões normais. —— Está atrasado, Kame-kun. —— Apontou Uzagi. —— Um sábio nunca se atrasa. Ele sempre chega na hora certa. —— Brincou o Jinchuuriki. —— Pelo menos alguém aqui tem senso de humor. —— O ninja encarou-me com seus olhos amarelados e pupilas estranhamente modificadas.

Dei de ombros e fui até a lixeira onde havia tacado minha Shuriken, recuperando-a e guardando o utensílio no bolso. —— Aonde está aquele maldito Jounnin? —— Kame perguntava, ajeitando seus cabelos para trás. Uzagi mexia em alguns pergaminhos dentro de sua bolsa e eu, apenas girava uma Kunai no dedo esquerdo. —— Tudo anda uma loucura, ultimamente. Devem estar todos confusos com essas missões sendo passadas aos montes e a cada dia... —— Ao finalizar meu pensamento, uma figura pousou exatamente onde eu estava anteriormente.

Olhamos os três para cima, e visamos um homem alto, cabeços medianos e extremamente loiros. Olhos azuis penetrantes e um sorriso extremamente simpático. —— Yo, Chunnins! —— Ele acenou, descendo em um salto ligeiro. Seu colete verde preenchia o macacão de um verde musgo mais claro. —— Você é o responsável por dar nossa missão, Minato-Sensei? —— Perguntou Uzagi. —— Sim. Desculpem a demora. Está uma loucura nesses tempos. Bom. Sem tomar muito o tempo de vocês, a missão é bem complicada. Classificação S. Não sei o porquê pegaram algo tão complexo. Mas... Os tempos estão difíceis. Depois da última missão de cada, creio que o Hokage achou que os riscos para vocês encontrarem deveriam ser maiores. —— Minato se enrolava com as palavras enquanto se perdia nos pensamentos. Ninguém quis interrompê-lo, afinal, seus talentos eram conhecidos por todos na aldeia.

Provavelmente o loiro iria assumir o manto de Hokage assim que o velho Hiruzen decidisse se aposentar. —— Oh... Me desculpe novamente. —— Ele murmurou. Percebia que nossos semblantes estavam impacientes. —— Certo, a missão de vocês é o seguinte: Deverão ir até Kirigakure, onde um grupo de mercenários foi friamente assassinado. O Mizukage se encontra numa situação complicada, pois além dos ataques repentinos de nossos inimigos, ele está lidando com uma soberania interna. Aparentemente os clãs espadachins estão renegando sua vila, para controle próprio e ações contra o sistema. Muitos já se tornaram Nukkenins. É de extrema urgência que vocês vão de encontro ao país e façam um reconhecimento dos inimigos. Em último caso, eu repito: último caso, deverão enfrenta-los. Suas habilidades já estão bem fortificadas, mas estes Espadachins são Rank S na lista de perigosos, então tomem bastante cautela. —— Ao findar os dizeres, Minato nos deu um pergaminho, contendo uma autorização para adentrar no território de Kiri e identificação para que não nos confundissem com o inimigo.

—— É isso. Preciso ir agora. Até mais! —— Assim que despediu-se, seu corpo desapareceu em milésimos. —— O raio dourado realmente não é um mito. —— Comentei. —— De fato. —— Kame acentuou. —— É apenas rápido. O que mais ele tem de interessante? —— Kuang mexia em suas unhas, aparentando não se importar muito. —— O dia que sua ignorância deixar sua cabeça, você será dez vezes mais forte, Uzagi. —— Repliquei, e enfim, partimos.

[...]

“Em algum lugar de Ywagakure no Sato...”

—— Vamos. Você precisa manter o foco, Katsuya. —— O Chunnin de manto negro e com uma faixa transpassando seu peitoral recobrava o equilíbrio nas margens do rio em que lutava contra um Shinobi ancião. Mesmo que os anos lhe tenham cobrado em seu corpo, a disponibilidade do velho era de se admirar. —— Você não pode depender só do seu Katon e essa marca no braço. —— Ele apontava para onde a tatuagem negra do garoto se encontrava selada.

Katsuya respirou firme, mas era nítido que o velho estava tirando sua paciência. —— Precisa aprender a utilizar o que vem de dentro de você. —— Balbuciava o senhor, rondeando o rapaz, sempre com os olhos atentos a quaisquer atitudes do mancebo. —— E como vou usar algo de dentro se nada lá colabora? É um espírito demoníaco! —— Katsuya ergueu sua longa espada de batalha para frente de seu corpo com a mão destra. —— Cansei de usar apenas Ninjutsus! Venha, Sensei! Me mostre como andam suas habilidades de Kenjutsu! —— O garoto correu em grande velocidade de encontro ao mestre.

Este por sua vez, aguardou a aproximação ser quase nula. Katsuya ergueu a lâmina azulada com detalhes esculpidos em branco, para cima de seu ombro. Imediatamente desferiu um potente golpe na direção da cabeça de seu mestre, porém, quando o golpe terminou de seguir o fluxo, apenas o vácuo o Ninja atingiu, decepando o ar a sua frente.

Dois passos ao lado, seu mestre ergueu a ponta da Katana afiada e encostou no queixo de Katsuya. —— Você é muito insensato ainda, garoto. Precisa de muito treinamento. Suas habilidades são formidáveis, mas você age como se não tivesse cérebro. —— Isso irritou profundamente o ninja. —— E esta coisa dentro de você é tão tola quanto. Permite que você receba qualquer golpe e fique sempre com a guarda aberta. Se não fosse tão ingênuo, saberia que sua morte ocasionaria a dele também. Dois tolos fadados a seguirem um mesmo rumo de fracasso. —— O ancião embainhou sua lâmina.

Katsuya sentiu em seguida um fluxo quente transcorrer em suas veias. A energia aparentava ter tomado conta de todas as suas veias e ligações de chakra. Imediatamente uma aura vermelha energizou visivelmente o corpo do garoto, criando uma espécie de manto.

Os olhos dele já não mais tinham a serenidade de antes, apesar da raiva estar nítida, o que o mestre encarava agora, era um rosto de pura raiva descontrolada. —— Bom... —— Comentou o velho, passando a mão em seu longo bigode. —— Mas é só isso que tem, Yonbi? —— Desfiou o mestre do jovem.

Instantaneamente o corpo envolvido pela camada de Chakra virou-se e encarou o velho. Atrás de seu corpo, a espada se encontrava caída e aos poucos mergulhando no solo do lago. Por sorte, o local não tinha tanta profundidade, mas ainda sim daria um ligeiro trabalho para recuperar o armamento.

Contudo, a ação mais preocupante foi o fato daquele manto começar a simbolizar mãos de um gorila no corpo de Katsuya. O garoto ergueu seu punho e lançou para frente como se fosse socar o ar. Mas em seguida, o manto de Chakra se esticou e foi em direção do corpo do velho, que por pouco não foi atingido. —— Agora começamos o verdadeiro treino... —— Suspirou o Sensei, contendo um toque de felicidade por finalmente conseguirem atingirem o patamar desejado.

[...]

O se punha e o cenário outrora pacífico trouxe um repleto caos e destruição. Katsuya estava deitado inconsciente no gramado que sobrara. O incêndio foi apagado quando um grupo de suporte de Ywagakure veio ao encalço.

Acharam o Shinobi junto do velho, que tomava um gole de chá. Ninguém soube explicar o que realmente tinha acontecido, mas quando o ancião se levantou, dirigiu-se até o líder do esquadrão e sussurrou algo em seu ouvido. O espanto do homem foi de imediato. —— S-sim senhor! Alertarei o Tsuchikage agora! —— Sem delongas, o esquadrão retirou-se e o velho voltou a deleitar-se de sua bebida.

Katsuya aos poucos recobrava a consciência e sentia o resultado da batalha latejar em seus músculos. —— Seu velho maldito... Perdeu a cabeça? —— Indagou em sussurros o moreno. —— Não, mas você progrediu bastante. Está na hora de fazer jus ao seu papel nesta guerra. ——Enquanto bebia, a única reação de Katsuya foi agarrar um pouco do gramado em sua volta e sorrir.

[...]

“Proximidades do País da Água.”

O trio de Chunnins caminhava sorrateiramente por entre uma margem pantanal, se ingressando pelo caminho prescrito pelos Jounnins aliados de Kiri. A viagem tinha sido longa e cansativa. Cerca de quatro dias em corrida constantes, com curtos intervalos para pausas determinadas entre refeição e pessoais.

O que mais aguentou se segurar no caminho foi Uzagi. Seu estranho corpo deveria ter uma resistência fora do normal, pois não o vira beber um copo de água sequer. Mas isso não importava. Somente queria chegar logo naquele confim, para ter um bom descanso antes de partir para o verdadeiro objetivo.

—— Estamos quase lá. —— Informou Kame. Por ser daquele território, ele tinha total noção onde deveríamos esgueirar para não fazer barulho ou chamar a atenção das sentinelas de Kiri. Nem todos sabiam que pertencíamos a uma aliança shinobi, entretanto, mesmo com informações assinadas pelos Kages, o tempo de explicação poderia atrair olhos traidores e com isso, formarem uma emboscada para nosso time. —— Podia ter uma viagem de primeira classe ou coisa do tipo... —— Murmurei, sonhando alto. Infelizmente não tínhamos patentes altas o suficiente para desejos de consumo como aquele.

Kame sorriu levemente. Assim concentrando-se novamente em seu caminho.

Uzagi não cogitou uma palavra sequer. Parecia extremamente determinado em chegar no território demandado. Mas, algo me incomodava. Seus olhos não pairavam de vigiar constantemente os arredores e a mim. Notei que havia um padrão em suas encaradas, graças ao Sharingan, porém, antes de ativá-lo, seu rosto não parecia ter tanto interesse em minhas costas. —— Kuang, acho que minha retaguarda está mais do que protegida, não é mesmo? —— Ironizei, para ver qual seria a expressão do mancebo.

—— Acredito que toda cautela é pequena em território inimigo. —— Sua resposta foi direta, felizmente o desgraçado sabia mentir. Seguimos o caminho e após minha pergunta, houve uma ligeira mudança na atenção de Uzagi. Agora seu interesse vinha mais na mata, o que me deixou aliviado. Detestava ser vigiado tão próximo e ainda sabendo que a pessoa me olhava constantemente. Parecia perseguição. Uma perseguição da qual eu não podia escapar.

—— Kame, onde está essa desgraça de passagem? —— Me aproximei do Chunnin, ficando ao seu lado, na dianteira. —— Seja paciente, Mitsuko. Falta pouco para chegarmos. Olhe... —— O garoto apontou com seu bastão esticando, e no meio da névoa, uma imensa parede de rocha esculpida cresceu diante de nossos olhos. —— Agora, vamos pegar as informações que precisamos, para finalizarmos nosso objetivo. —— Comentou Uzagi. Assim, nós três abrimos a passagem entre as pedras, indo de encontro com a reunião marcada.

[...]

“Campo de batalha em Konoha no Sato. 3 dias após a partida do time A-1”

O ataque incessante daquele lado do país do fogo chegara a se tornar irritante. Os inimigos não desistiam de maneira alguma. Todos os Jounnins já efetuaram trocas e seu cansaço era iminente. —— Capitão, temos que pedir reforços! —— Informou um dos ninjas, com o braço enfaixado, mas dando tudo de si para manter-se de pé e confrontar os inimigos.

—— Já enviamos um falcão. Aguente, soldado! Só mais um pouco! —— Incentivava o líder, executando diversos ninjutsus e mirando sobre seus inimigos, ocasionando berros e mortes a cada projétil de chamas ou águas perfurantes.

Infelizmente, o inimigo também tinha um contra-ataque de Doton extremamente forte. Seus jutsus eram combinados e faziam as barricadas desmoronarem com os aldeões de Konoha sendo soterrados e tendo uma morte lenta e angustiante.

—— Não vamos aguentar muito tempo! —— Gritava algum Jonnin desesperado, erguendo-se e correndo sobre o mar de chakra. Não tardou muito para que diversas Shurikens, Kunais e por fim, um disparo de raio penetrasse sua carne, profanando seu corpo e obrigando sua vida esvair para o outro mundo. —— Tolo... Odeio quem perde a cabeça do campo de batalha. —— O capitão não aguentava este tipo de atitude. Se fosse para morrer, em sua mente, seria lutando e com honra. Jamais abdicaria de seu posto, mesmo que custasse segurar o mundo com as mãos. Se fosse capaz, ele o faria.

—— Pelotão, especialistas em Doton, apareçam! —— Sua voz ecoou pelo recinto e rapidamente dez Ninjas se posicionaram nas barricadas. —— Quero que todos concentrem o Chakra de vocês, para que possamos ganhar tempo. Utilizem barreiras na frente das barricadas para aguentar esses jutsus que estão sendo lançados contra nós. O reforço logo chegará! —— Todos os Ninjas assentiram e saltaram, usufruindo de suas habilidades para esquivar da chuva incessante de ataques.

Felizmente, todos conseguiram, e em cada uma das barricadas, os Shinobis executaram os movimentos dos selos com as mãos, de modo sincronizado. —— Agora! —— Exclamou o líder. —— Doton: Doryuuheki! —— Berraram uníssono os Jounnins, e a frente, imensas paredes de pedras ergueram-se, bloqueando todos os tipos de ataques contra os guerreiros de Konoha.

A concentração dos homens era nítida. Suas testas escorriam suor. Todos sabiam que aguentar aqueles disparos necessitava de bastante energia. Isso começava a desesperar até mesmo o líder daquela missão. —— “Onde esses malditos estão?” —— Pensou, angustiado.

A barreira aos poucos cedia, mas não o suficiente para desmoronar. Suas esperanças já estavam no limite, mais um ataque, e além do coração de fogo do Jounnin, a barreira também iria junto ao chão.

Mais uma onda de ataques. As rachaduras aumentavam.

Outra. E mais rachaduras.

—— Se perecemos hoje, quero que todos saibam que foi uma honra defender Konoha ao lado de bravos guerreiros. —— Suas palavras inspirou um último resquício de vontade de lutar. Realmente o espírito do fogo ardia na alma de cada habitante daquele país.

E assim, com uma nova onda de ataques, as paredes desmoronaram, e nos olhos do capitão, apenas um vulto de energia branca coloriu seus olhos.

E assim, seu corpo caiu inconsciente. Mesmo com uma ferida ultrapassando sua barriga, ele ainda tinha forças para se manter vivo.

Enquanto a equipe adversária fazia a troca de homens para novos projéteis, repentinamente, bombas de fumaça começaram a cair no campo de batalha, obrigando todos a recuarem para que pudesse recobrar a visão.

O capitão sentiu suas feridas serem curadas. E aos poucos abriu os olhos, vislumbrando uma mulher loira, com uma marca similar a um diamante na testa. —— A lendária Sennin? —— Murmurou, até que desmaiou.

—— Pelotão de apoio, quero que todos avancem agora! —— Ordenou Tsunade, usufruindo de seu ninjutsu médico e com ajuda de sua lesma, reparava as feridas de todos os caídos no campo de batalha. Quase cem por cento dos atingidos que estavam beirando a morte, foram totalmente curados pelas mãos da deusa da medicina.

Entre a cortina de fumaça, um rapaz pousou junto de um animal, próximo ao seu lado. —— Certo, Caway. Vamos mostrar a esses fedelhos como é que se luta as cegas! —— Encorajou Kakatoro. —— Aaaau! —— Latiu seu lobo e em seguida se pegou rosnando enquanto sentia o chakra do inimigo próximo. —— Vou começar! Gijuu Ninpou — Shikyaku no Jutsu! —— Kakatoro após canalizar seu chakra, curvou seu corpo, apoiando suas mãos no solo e ficando em posição de quadrupede, igual seu lobo. Seus dentes caninos começaram a crescer, junto a isso, as unhas se tornaram garras afiadas e bastante resistentes. —— Caway, vá! Gijuu Ninpou — Juujin Bunshin! —— Seu lobo pulou em suas costas, assumindo exatamente o mesmo formato de Kakatoro. —— Vamos acabar com eles! —— Gritava entusiasmado o Chunnin. —— Grrrr! —— Rosnou o homem-besta transformado. —— Gatsuuga! —— Gritaram os dois, e assim, seus corpos começaram a girar simultaneamente, formando duas e penetrantes camadas rotatórias, atingindo o solo, corpos mortos e consequentemente, os inimigos.

Cada golpe podia-se ouvir ossos partindo com facilidade. Kakatoro havia desenvolvido aquele Taijutsu há muitos anos, tornando uma arma humana mortal. Qualquer contato com seu corpo enquanto rodava naquela velocidade, seria repelido e causaria muita dor ao atingido.

—— Ainda não acabou, seus otários! Vamos, Caway, o gran finale! Genzouga! —— Kakatoro e Caway giraram e subiram aproximadamente dez metros aos céus. Lá tiveram percepção de todos os inimigos graças ao olfato. Sua perícia naquele estilo era tão formidável que homem e fera sequer precisavam fundir-se no ato. Porém, se acaso tivesse feito a fusão, o dano causado seria dez ou vinte vezes maior.

Concentrados, uma imensa massa de chakra azul começou a girar envolta de ambos, e assim, quando caíram devido à gravidade, seu redemoinho varreu cerca de 30 shinobis com muita facilidade.

Kakatoro ao final do golpe, posicionou-se aonde tinha surgido, mas desta vez, não havia fumaça para proteger seu corpo. Embora isso não fosse mais preciso.

Pela sua esquerda, cerca de cinquenta metros, Uchiha Lotus corria executando selos de mãos tão rápido que seus inimigos se intimidaram. Sua velocidade havia aumentado muito desde que seu Sharingan tinha sido desenvolvido. Se encontrava com 3 tomoes, igual ao seu amigo Mitsuko. Entretanto, Lotus havia desperto um pouco mais cedo, mas isso não o deixava para trás na maestria do kekkei genkai.

O Uchiha previu todos os movimentos desferidos contra ele antes mesmo que executassem os golpes. Esquivou de um confronto corporal de um Ninja de Ywagakure. Rapidamente sacou sua Kunai e fincou em seu pescoço, voltando a correr e canalizar o Chakra.

Três inimigos se posicionaram em sua frente. Ele apanhou seis Shurikens, sendo três em cada mão. Lançou-as antes que os antagonistas executassem algum movimento e as Shurikens os fizeram recuar, tentando desviar.

Mas a estratégia de Lótus era apenas enganá-los. Quando recuaram para trás, o Chunnin puxou as cordas já presas nas Shurikens e trouxe para próximo deles. Os itens ninjas fincaram em suas carnes e a fio de nylon os deixou ainda mais incomodados pela força que se prendiam em seus corpos. —— Katon: Ryuuka no Jutsu. —— Suas palavras soaram calmamente.

Em sua frente, uma quantidade de chamas imensa se proliferou. E nos seis fios erguidos pelos seus dedos, a chama rumou tão rápida quanto um raio, carbonizando os três corpos presos e finalizando os inimigos imediatamente.

Mais a frente, vinham outros sete shinobis. Três de Ywagakure e os demais de Kumogakure. Todos cercaram o Uchiha, que simplesmente começou a executar alguns selos e canalizar seu chakra.

—— “Droga, são muitos...” —— Pensou Lotus. Felizmente, com seu Sharingan ativado, ele executou uma estratégia tão rápida que os movimentos de seus inimigos nem precisaram ser lidos. —— Kokuangyou no Jutsu... —— Ele murmurou, virando e visualizando olho a olho, um por um. E todos caíram em um devaneio instantâneo.

A visão deles ficou totalmente enegrecida. Seus ataques foram lançados, atingindo alguns seus companheiros, outros passaram reto, mas nenhum colidiu-se com Lotus, pois o Shinobi saltara e tomava distância do inimigo, já preparando para desferir outro combo e assim, finalizar com mais estes. Todavia, por trás deles, pode-se ouvir uma voz soar do fundo. —— Shuriken Kage Bunshin no Jutsu! —— O shinobi portanto o símbolo do clã Sarutobi lançou simultaneamente oito Shurikens. Após executar seu Ninjutsu, essas oito de multiplicaram por quarenta. Das quarenta, se multiplicaram por oitenta, e assim, como todos estavam parados, a chuva de armamento ninjas penetrou seus corpos, rasgando suas peles e cortando artérias fatais.

—— Yo! Desculpe, mas você me parecia em apuros quando já havia feito o movimento. —— Pousou sobre o corpo de um cadáver, o garoto Shura. —— Tudo bem, mas parece que são só esses... —— Murmurou Lotus, desanimado por não ter tido o entretenimento que queria.

Durante seus ataques, a maior parte do grupo recuou por estarem com seus homens cansados após tantos jutsus lançados sequencialmente. Isso abriu uma vantagem para que os três Chunnins, com ajuda de Tsunade e o restante dos Jounnis expulsassem boa parte deles. —— Sempre terá um novo dia para lutar! —— Shura ergueu o braço. O garoto tinha cerca de 1,69 de altura. 15 anos. Mas para sua idade, a barba já vinha um pouco cedo, cobrindo parte de seu queixo, bigode e bochechas. Nada muito preenchido ainda. Em sua cabeça jazia uma touca similar ao traje de batalha do terceiro Hokage, esculpido ao centro o símbolo da aldeia da Folha.

Seus braços e pernas portavam protetores de metal. Trajava um colete colado o suficiente para não atrapalhar seus movimentos. As ombreiras se elevavam um pouco depois do final de seus ombros. Finalizando a parte da frente com uma pequena armadura protetora. Em suas costas jazia um bastão de batalha confeccionado pela sua família, mas nem um pouco comparado ao lendário Enma e sua transformação.

—— Que dias assim... Não voltem mais. —— Dizia Kakatoro, se aproximando de seus colegas. Ambos eram um time quando Gennins, e hoje jamais deixavam de fazer suas batalhas juntos.

—— Retornem para descanso e análise estratégica! —— Gritou Tsunade. —— Vamos, ou a Sennin vai acabar com a nossa raça... —— Avisou Lotus. Os outros dois concordaram e seguiram o Uchiha, empolgados com o desfeito da luta e de como poderiam ter feito mais.

[...]

Enquanto isso, mais forças se moviam. Aparentemente, o prelúdio tinha se instalado em Konoha. Mas o verdadeiro enfoque logo menos poderia estourar diante dos olhos do mundo Shinobi.